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2 Brasília, 2012

3 Printed 2012 Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC Secretaria de Comércio Exterior SECEX Catalogação na Fonte BRASIL, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior B823 Treinamento em Comércio Exterior / BRASIL Brasília, p. il Apostila 1. Comércio externo. 2. Capacitação. I. Título CDU 339.5: Impresso no Brasil Printed in Brazil

4 Apresentação A Rede Nacional de Agentes de Comércio Exterior, também denominada REDEAGENTES, consiste em um projeto que tem por objetivo estimular a inserção de empresas de pequeno porte no mercado externo e difundir a cultura exportadora no País mediante três vertentes de atuação: treinamentos e cursos; articulação Institucional e setorial; formação de uma comunidade de prática em comércio exterior. A REDEAGENTES integra o Plano Plurianual (PPA) do Governo Federal como um Projeto da Ação denominada Capacitação de Profissionais de Comércio Exterior, integrante do Programa Desenvolvimento do Comércio Exterior e da Cultura Exportadora, cuja execução está a cargo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A implementação da REDEAGENTES, a cargo da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), é realizada mediante parcerias que são estabelecidas com diversas instituições públicas e privadas que atuam em nível federal, estadual ou municipal. As principais atividades do projeto consistem nos Treinamentos para Agentes de Comércio Exterior, Treinamento em Exportação para Empresas de Pequeno Porte e Curso Básico de Exportação, disponíveis gratuitamente para todas as Unidades da Federação e municípios com potencial exportador, que ofereçam as condições adequadas para realização dos treinamentos e cursos da Redeagentes. A capacitação de agentes de comércio exterior é uma das principais atividades do projeto, cujo objetivo é ampliar e fortalecer a rede de especialistas, vinculados às diversas instituições parceiras, públicas e privadas, em todos os Estados da Federação, para atuarem como multiplicadores de conhecimentos e técnicas inerentes ao comércio internacional, identificando potencialidades de empresas e de produtos, prestando assistência às micros e pequenas empresas que tenham interesse em exportar. Desde o início do projeto, no ano 2000, até dezembro de 2011, foram realizados 839 cursos e treinamentos em todas as Unidades da Federação, em 247 municípios, para mais de pessoas representadas por agentes de comércio exterior, empresários e funcionários de empresas de pequeno porte. Foram realizados, também, nove encontros de agentes de comércio exterior e disponibilizadas oitocentas matrículas na Especialização em Comércio Exterior com ênfase em Empresas de Pequeno Porte via Educação a Distância, para agentes de todas as Unidades da Federação. Deste modo, espera o Governo Federal, em parceria com o setor privado, contribuir para o desenvolvimento das empresas de pequeno porte e setores com potencial exportador, estimular a criação de empregos, o aumento de renda e a elevação, de modo sustentável, do padrão de vida da população.

5 Sumário Capítulo 1 PANORAMA DO COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO AS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS E AS MUNDIAIS A CORRENTE DE COMÉRCIO BRASILEIRA E A BALANÇA COMERCIAL CONCENTRAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES E O MERCADO EXTERNO BRASILEIRO O PORTE DAS EMPRESAS E AS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS Metodologias para Classificação do Porte das Empresas As Exportações Brasileiras por Porte de Empresas AÇÕES GOVERNAMENTAIS PARA FOMENTAR AS EXPORTAÇÕES MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC) SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX) OUVIDORIA DO MDIC...24 Capítulo 2 REDEAGENTES O QUE É A REDEAGENTES? AGENTES DE COMÉRCIO EXTERIOR Atuação dos Agentes de Comércio Exterior TREINAMENTOS E CURSOS OFERECIDOS PELA REDEAGENTES Características Básicas dos Cursos e Treinamentos da Redeagentes Curso para Capacitação de Formadores Treinamento para Agentes de Comércio Exterior Cursos e Treinamentos Oferecidos para Empresários Como Viabilizar a Realização de um Curso ou Treinamento da Redeagentes em sua Cidade Agendamento dos Treinamentos Total de Cursos Realizados pela Redeagentes INTERAÇÃO ENTRE OS AGENTES DE COMÉRCIO EXTERIOR SITE REDEAGENTES...32

6 6. ATIVIDADES DE ARTICULAÇÃO INSTITUCIONAL ACORDOS DE COOPERAÇÃO TÉCNICA...33 Capítulo 3 ENTIDADES, AÇÕES E FERRAMENTAS DE APOIO ÀS EXPORTAÇÕES APRENDENDO A EXPORTAR Simulador de Preço de Exportação Fluxograma de Exportação Modalidades de Pagamento INCOTERMS Termos Internacionais de Comércio Multimídia 200 Anos de Comércio Exterior PORTAL BRASILEIRO DE COMÉRCIO EXTERIOR (PBCE) COMEX Responde Novidades do Portal Produtos e Serviços e Sites em Destaque União Europeia Menu de Assuntos ALICEWEB Acesso ao Sistema AliceWeb Módulos de Pesquisa Variáveis de Consulta Conceitos e Definições Tipos de Consulta Períodos Disponíveis Como Consultar Balança Comercial Tabelas Auxiliares Geração de Arquivos Módulos de Municípios ALICEWEB-MERCOSUL Apresentação Cadastro Módulos de Consulta Consultas SISTEMA RADAR COMERCIAL...67

7 5.1 O que é o Sistema Radar Comercial Como Acessar o Sistema Operação (Funcionamento) do Sistema Passo-a-passo para Pesquisar Produtos e Setores Procedimentos para Consultar as Análises de Mercados Procedimentos para Consultar Exportações por País Procedimentos para Consultar Importações por País Principais Termos e Conceitos Utilizados Interpretação dos Dados Gerados pelo Sistema VITRINE DO EXPORTADOR (VE) Versão em Português Versões em Inglês e Espanhol ENCONTROS DE COMÉRCIO EXTERIOR PROJETO PRIMEIRA EXPORTAÇÃO Articulação e Parcerias do Projeto Primeira Exportação Sistema Integrado de Gestão Constituição do Comitê Gestor Agente de Comércio Exterior Metodologia de Trabalho Estágio Atual SISTEMA DE REGISTRO DE INFORMAÇÕES DE PROMOÇÃO (SISPROM) O SISPROM como Ferramenta de Desoneração da Promoção de Produtos Brasileiros no Exterior Como Acessar o Sistema Quem Administra o Sistema Conceituação de Produtos e Serviços Benefícios Propiciados com a Utilização do SISPROM Fundamentação Legal Público Alvo O que o Benefício Contempla Passo-a-passo para a Obtenção do Benefício Responsabilidades O que Busca o SISPROM CENTROS DE INFORMAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR EXPORTA FÁCIL O que é o Exporta Fácil?...109

8 11.2 Por que Usar o Exporta Fácil? Características do Exporta Fácil Funcionamento sem Burocracia O que Pode Ser Enviado pelos Correios? Site do Exporta Fácil CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR (CAMEX) Grupo Técnico de Facilitação do Comércio (GTFAC) Grupo Técnico Interministerial de Consolidação da Legislação Interna de Comércio Exterior (GTIC) Grupo de Coordenação para a Consolidação da União Aduaneira do MERCOSUL (GC MERCOSUL) Grupo Técnico Interministerial de Revisão da Lista Brasileira de Exceções à TEC Grupo Técnico de Acompanhamento da Resolução GMC nº 08/08 GTAR Grupo Técnico de Defesa Comercial (GTDC) PROGRAMA BRASILEIRO DE ZONAS DE PROCESSAMENTO DE EXPORTAÇÃO INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI) O que Significa a Propriedade Intelectual (PI) Características da Propriedade Intelectual Como o INPI Atua Junto à Sociedade Brasileira Oportunidades de Negócios Tipos de Proteção Conclusão: pensando em exportar ou internacionalizar seus negócios? Informações Úteis INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA (INMETRO) Metrologia com o Comércio Avaliação da Conformidade e Comércio Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio Serviços Oferecidos pelo INMETRO BRASILGLOBALNET O que é Objetivos Público-Alvo Acesso Conteúdos ENTIDADES PRIVADAS DE APOIO AO EXPORTADOR Câmaras de Comércio...165

9 17.2 Entidades de Classe International Trade Centre AGÊNCIA BRASILEIRA DE PROMOÇÃO DE EXPORTAÇÕES E INVESTIMENTOS (Apex-Brasil) Histórico e Realizações Como as Empresas Podem se Beneficiar Setores Apoiados pela Apex-Brasil Centros de Negócios A CAIXA E O COMÉRCIO EXTERIOR Consultoria em Negócios Internacionais Produtos e Serviços Considerações Finais Capítulo 4 PRINCÍPIOS DE MARKETING INTRODUÇÃO O CONCEITO DE MARKETING MARKETING INTERNACIONAL A ADMINISTRAÇÃO DE MARKETING O PLANO DE MARKETING Análise Situacional Estabelecendo Objetivos e Metas Escolhendo a Estratégia de Marketing Implementação do plano de Marketing Controle de Marketing Capítulo 5 NEGOCIAÇÕES INTERNACIONAIS INTRODUÇÃO ACORDO GERAL SOBRE TARIFAS E COMÉRCIO CRIAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO PROCESSO DE INTEGRAÇÃO ECONÔMICA Acordos Internacionais de Comércio Preferências Tarifárias Preferência Contingenciada

10 5. ACORDOS PREFERENCIAIS DO BRASIL NO ÂMBITO DA ASSOCIAÇÃO LATINO-AMERICANA DE INTEGRAÇÃO A Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) Tipos de Acordo no Âmbito da ALADI Pesquisando Preferência Tarifária Regime de Origem Resumo dos Acordos de Preferências Tarifárias dos quais o Brasil Participa Normas de Origem Não-Preferenciais Investigações de Origem SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS (SGP) Países Outorgantes de Preferências Identificação dos Produtos Beneficiados Tratamento Preferencial Obtenção do Benefício Chancela Governamental Resumo dos Esquemas do SGP dos Principais Outorgantes Regras de Origem Administração do Sistema Geral de Preferências no Brasil SISTEMA GLOBAL DE PREFERÊNCIAS COMERCIAIS Objetivos Países Membros Listas de Concessões Regime de Origem DEFESA COMERCIAL Medidas Antidumping Medidas Compensatórias Salvaguardas Apoio ao Exportador Capítulo 6 FINANCIAMENTO ÀS EXPORTAÇÕES FINANCIAMENTO À PRODUÇÃO DESTINADA À EXPORTAÇÃO (FASE PRÉ-EMBARQUE) Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) PROEX Financiamento à Produção Exportável ( PROEX Pré-Embarque )...256

11 1.3 BNDES Exim FINANCIAMENTO À COMERCIALIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS (PÓS-EMBARQUE) Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE) BNDES Exim Pós-embarque Programa de Financiamento às Exportações (PROEX) Financiamento com Recursos do Próprio Exportador ou de Terceiros GARANTIAS Carta de Crédito (Pós-Embarque) Fundo Garantidor para Investimentos Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos (CCR) (Pós-Embarque) Seguro de Crédito (Pré e Pós Embarques) COMITÊ DE FINANCIAMENTO E DE GARANTIA DAS EXPORTAÇÕES (COFIG) Capítulo 7 EXPORTAÇÃO INTRODUÇÃO CONCEITO DE EXPORTAÇÃO VISÃO MACRO DE UM FLUXOGRAMA GERAL DA EXPORTAÇÃO Planejar a Internacionalização da Empresa Pesquisa de Mercado Obtenção da Senha de Acesso ao Siscomex Negociação com o Importador Preparação da Mercadoria Preparação da Documentação Contratação do Câmbio Embarque da Mercadoria Despacho Aduaneiro Averbação do Embarque Emissão do Comprovante de Exportação (CE) Carta de Agradecimento ao Importador EXPORTAÇÃO SIMPLIFICADA Declaração Simplificada de Exportação (DSE) Câmbio Simplificado

12 Capítulo 8 A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DA EMPRESA ENGENHARIA DA EXPORTAÇÃO Por que Exportar? Quem Pode Exportar? Para onde Exportar? Quando Exportar? Como Exportar? O que Exportar? Como não Exportar? Barreiras à Exportação Para quem Exportar? O Universo do Exportador Adaptação do Produto Avaliação da Engenharia da Exportação PLANO DE INTERNACIONALIZAÇÃO Avaliação da Capacidade Exportadora Plano de Exportação Capítulo 9 REGIMES ADUANEIROS TERRITÓRIO ADUANEIRO DIREITOS ADUANEIROS PORTOS SECOS REGIMES ADUANEIROS Admissão Temporária Admissão Temporária para Aperfeiçoamento Ativo Trânsito Aduaneiro Entreposto Aduaneiro Exportação Temporária Exportação Temporária para Aperfeiçoamento Passivo Drawback Zonas de Processamento de Exportação...331

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14 Capítulo 1 PANORAMA DO COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO

15 1. AS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS E AS MUNDIAIS As exportações estão entre as principais forças propulsoras do crescimento de um país, pois são um instrumento de geração de divisas, emprego e renda. Assim, são de fundamental importância a implantação, manutenção e aperfeiçoamento de políticas públicas que propiciem o crescimento das exportações. No período compreendido entre os anos de 2001 e 2011, as exportações brasileiras mantiveram-se em expansão, com exceção de 2009, ano marcado pela grande crise financeira iniciada nos Estados Unidos, cujos efeitos foram irradiados para todo o comércio mundial. Em 2011, o Brasil registrou exportação recorde de US$ 256 bilhões, superando em 26,8% o resultado do ano anterior. Este número indica que o país prossegue com a sua política de abertura econômica e uma maior inserção na política de comércio mundial. De 2001 a 2008, as exportações brasileiras cresceram a uma taxa média anual de 19,4%, passando de US$ 58 bilhões para US$ 198 bilhões. Já de 2009 a 2011, o crescimento médio anual foi de 29,4%, mostrando a retomada do ritmo das exportações brasileiras após a crise de É importante assinalar que esse impulso mais recente foi sustentado, em grande medida, pela ascensão dos preços internacionais de commodities agrícolas e minerais, embalada, por sua vez, pela forte demanda chinesa por matérias-primas. EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS US$ bilhões Fonte: MDIC/SECEX, ano 2012 As exportações mundiais também seguiram em ritmo crescente até 2008, passando de US$ 6,0 trilhões em 2001 para US$ 15,7 trilhões em Em 2009, ano da crise, esse número caiu para US$ 12,2 trilhões, retomando o crescimento em 2010, quando atingiu US$ 14,8 trilhões. Esse recrudescimento das exportações efetivou-se pelo melhor desempenho dos países em desenvolvimento, haja vista que as grandes nações industrializadas tiveram suas economias mais afetadas pela crise, inclusive perdendo market share no contexto mundial. 14

16 EXPORTAÇÕES MUNDIAIS US$ trilhões 6,0 6,3 7,4 9,0 10,2 11,8 13,7 15,7 12,2 14,8 17, Fonte: MDIC/SECEX, ano 2012 Tomando por base o período de 2001 a 2011, observa-se que as exportações mundiais cresceram 195,0%, enquanto as exportações brasileiras avançaram 341,3%, registrando aumento de mais de 146 pontos percentuais em comparação com as exportações mundiais. Em decorrência dessa performance diferenciada, o Brasil elevou sua participação nas exportações mundiais, saltando de 0,97% em 2001 para 1,44% em PARTICIPAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS NO MERCADO MUNDIAL Participação % 0,97 0,96 0,99 1,08 1,16 1,17 1,18 1,26 1,25 1,36 1, Fonte: MDIC/SECEX, ano A CORRENTE DE COMÉRCIO BRASI- LEIRA E A BALANÇA COMERCIAL A corrente de comércio representa o somatório do fluxo de mercadorias efetuado por um país, estado ou região, num determinado período, abrangendo o total das exportações e importações. É um bom indicador das atividades econômicas relacionadas com as operações do comércio externo, pois mede o aumento dos negócios do país com o exterior. Quando comparada com o Produto Interno Bruto (PIB), exprime o grau de abertura do país [(exportação + importação)/pib]. Entre 2001 e 2011 a corrente de comércio do Brasil aumentou de US$ 114 bilhões para US$ 482 bilhões, registrando aumento de 322,8%. Nesse período, a corrente de comércio diminuiu nos anos de 2002 (-5,5%) e 2009 (-24,3%), 15

17 havendo retomada do crescimento em 2003 (12,9%) e 2010 (36,7%). Com relação às componentes da Corrente de Comércio, a taxa de crescimento das exportações foi maior que a das importações de 2001 a 2005, entretanto a taxa de crescimento das importações foi superior à das exportações de 2006 a CORRENTE DE COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRA US$ bilhões Fonte: MDIC/SECEX, ano 2012 A balança comercial mostra a diferença entre as exportações e as importações de mercadorias. Quando o valor exportado é maior que o importado, tem-se um saldo positivo, ou superávit. Já um saldo negativo, ou déficit, é apontado quando o total das importações supera o valor das exportações. Em caso de superávit, interpreta-se que a receita com as exportações é mais que suficiente para cobrir os gastos com as importações, ou seja, a balança comercial apresenta um grau de cobertura (relação entre exportação/importação) maior que a unidade. Durante todo o período de 2001 a 2011, a balança comercial do Brasil apresentou saldo superavitário, atingindo o ápice em 2006, quando o montante chegou a US$ 46,5 bilhões. Em 2011, o comércio exterior brasileiro registrou superávit de US$ 29,8 bilhões, superando em 47,9% o saldo registrado no ano anterior, de US$ 20,3 bilhões. SALDO DA BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA 44,9 46,5 40,0 US$ bilhões 24,9 33,8 25,0 25,2 20,3 29,8 13,2 2, Fonte: MDIC/SECEX, ano

18 3. CONCENTRAÇÃO DAS EXPOR- TAÇÕES E O MERCADO EXTERNO BRASILEIRO O Brasil apresenta uma alta concentração de sua pauta exportadora: apenas 15 produtos (minério de ferro; óleos brutos de petróleo; soja; açúcar de cana em bruto; café cru em grão; carne de frango; farelo de soja; celulose, produtos semimanufaturados de ferro ou aço; automóveis; carne bovina, autopeças; aviões; óleos combustíveis e açúcar refinado) responderam por 57% das vendas externas em Esse perfil concentrado das exportações brasileiras é reproduzido em outras variantes. Por exemplo, das mais de empresas que efetuaram exportações em 2011, apenas 35 delas responderam por 50% do valor total. As dez primeiras acumularam 1/3 do montante comercializado no ano. No tocante aos mercados de destino, somente cinco países absorveram mais de 45% do total das vendas externas brasileiras em São eles: China (participação de 17,3%), Estados Unidos (10,1%), Argentina (8,9%), Países Baixos (5,3%) e Japão (3,7%). Sob a ótica agregada de blocos, os mercados de destino ficaram assim distribuídos: Ásia (participação de 30,0%), União Europeia (20,7%), MERCOSUL (10,9%), Estados Unidos (10,1%), ALADI, exclusive MERCOSUL (8,5%), Oriente Médio (4,8%) e África (4,8%) e Europa Oriental (2,0%). Segundo as regiões geográficas brasileiras, observa-se que as exportações foram puxadas pela região Sudeste, responsável por 56,99% do total exportado em 2011, com o estado de São Paulo representando 23,40%, Minas Gerais 16,17%, Rio de Janeiro 11,50% e Espírito Santo 5,92%. Na sequência, apareceram as regiões Sul (17,92%), Norte (8,15%) Centro-Oeste (8,13%) e Nordeste (7,35%). Não houve declaração da zona produtora para 1,46% das exportações em QUADRO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS EMPRESAS 50% 15 PRODUTOS 57% CONCENTRAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES 5 PAÍSES-DESTINO 45% ESTADOS SUL E SUDESTE 75% Fonte: MDIC/SECEX - ano:

19 4. O PORTE DAS EMPRESAS E AS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS A partir de 2004, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) começou a divulgar a publicação EXPORTAÇÃO BRASILEIRA POR PORTE DE EMPRESA, sempre fazendo a comparação entre dois anos, o mais recente com dados disponíveis e o ano imediatamente anterior. Para cada biênio considerado estão disponíveis a análise do desempenho do período e diversos relatórios, como Principais Municípios por Porte de Empresa, Principais Países de Destino por Porte de Empresa, Blocos Econômicos por Porte de Empresa e outros. As informações podem ser obtidas a partir do site do MDIC, no link interna.php?area=5&menu=1206&refr= Metodologias para Classificação do Porte das Empresas Para fazer a classificação das empresas por porte, foi utilizada uma metodologia que tem as seguintes premissas: a identificação dos exportadores tem como base o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) por estabelecimento (14 dígitos) e o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), constantes dos Registros de Exportação (RE) do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX); os exportadores foram classificados em cinco categorias: microempresa, pequena empresa, média empresa, grande empresa e pessoa física; o número de empregados por empresa tem como base as informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho; o enquadramento de empresa em indústria e comércio/serviços seguiu critério do CNAE 1.0 (Código Nacional de Atividade Econômica). O setor de indústria compreende até os códigos do CNAE e o setor comércio e serviços, os códigos CNAE em diante; nas empresas com filiais, foi aplicado a todas as empresas do grupo (CNPJ a oito dígitos) o critério de se considerar o maior porte verificado naquele grupo. Exemplo: as empresas A e B, de porte médio, filiais da empresa de grande porte X, ficam classificadas como empresas de grande porte. Para a identificação do porte das empresas, foi utilizado um critério que associa o número de empregados da empresa com o valor exportado pela mesma no período considerado, distribuídos por ramo de atividade (indústria ou comércio e serviços), ambos de acordo com os parâmetros adotados pelo MERCOSUL, conforme disposto nas Resoluções MERCOSUL-GMC n 90/93 e 59/98, com os ajustes elaborados pelo Departamento de Planejamento e Desenvolvimento da Secretaria de Comércio Exterior (DEPLA/SECEX). A metodologia foi resultante de definição conjunta dos seguintes órgãos: Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX); Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior da Secretaria de Comércio Exterior (DEPLA/SECEX); Departamento de Micro, Pequenas e Médias Empresas, quando fazia parte da estrutura da Secretaria de Desenvolvimento da Produção (DEPME/SDP); e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A seguir, apresenta-se a tabela de parâmetros para a classificação do porte das empresas: 18

20 Porte Indústria Comércio e Serviços Nº Empregado Valor Exportado Nº Empregado Valor Exportado Microempresa Até 10 Até US$ 400 mil Até 5 Até US$ 200 mil Pequena Empresa De 11 a 40 Até US$ 3,5 milhões De 6 a 30 Até US$ 1,5 milhão Média Empresa De 41 a 200 Até US$ 20 milhões De 31 a 80 Até US$ 7 milhões Grande Empresa Acima de 200 Acima de US$ 20 milhões Acima de 80 Acima de US$ 7 milhões Pessoa Física Fonte: MDIC/SECEX, ano As Exportações Brasileiras por Porte de Empresas A partir das estatísticas sobre exportação por porte de empresa, foram elaborados gráficos para mostrar a evolução do número de empresas exportadoras e do valor exportado entre 2002 e O gráfico abaixo mostra a evolução do número de empresas exportadoras até 2010, tomando como base, para cada grupo, o número de operadores em 2002 (número índice igual a 100). A partir de 2002, os valores representam a variação percentual de cada grupo em relação ao valor base 100. Por exemplo, o número índice 125 em 2003 representa um aumento percentual de 25% ( ) no número de operadores em relação a Da mesma forma, o índice 90 em 2004 representa uma queda de 10% (90-100) no número de empresas exportadoras em relação a As pessoas físicas formam o grupo que mais sofreu variações positivas e negativas no número de exportadores ao longo do período, não havendo, entretanto, nenhum número de operadores inferior ao de 2002, 368 exportadores. Houve picos em 2003, 2005 (quando atingiu o máximo de 764) e Houve quedas em 2004 e 2006 e variações positivas em 2005 e 2007, mas, a partir de 2008, o número foi diminuindo até chegar a 475 operadores em Número de Empresas Exportadoras - Evolução por Porte de Empresa Número Índice Pessoa Física Micro e Pequena Média Grande Fonte: MDIC/SECEX, ano

21 O grupo Micro e Pequena, partindo de empresas em 2002, atingiu em 2005 (aumento de 34%) e iniciou movimento decrescente, diminuindo para operadores em 2010 (11% maior que em relação a 2002). As empresas de porte médio formam o único grupo que sofreu variação negativa em relação a 2002 ao longo do período considerado. Em 2004, com menos 441 operadores que em 2002, as empresas médias somavam 5.254, registrando queda de 8% em relação a Em 2009, foi atingido o número máximo de (aumento de 18% em relação a 2002), mas em 2010 caiu para 5.681, ficando abaixo das médias empresas que exportaram em As grandes empresas mantiveram uma trajetória ascendente em quase todo o período considerado. De operadores em 2002, por meio de recordes sucessivos, atingiram o número de em 2008 (aumento de 33% em relação a 2002). Diminuíram para em 2009, mas aumentaram para empresas em 2010 (número 36% superior ao de 2002). O próximo gráfico mostra a evolução do valor das exportações brasileiras por porte de empresas. Da mesma forma utilizada para o número de empresas exportadoras, os valores exportados no ano de 2002 foram considerados como índice igual a 100 para cada grupo de empresas. 600 Valor Exportado - Evolução por Porte de Empresa Número Índice Pessoa Física Micro e Pequena Média Grande Fonte: MDIC/SECEX, ano 2012 A trajetória da variação dos valores exportados pelas pessoas físicas apresenta as maiores variações positivas no período considerado. Com valor base de US$ 58,86 milhões em 2002, a trajetória apresenta picos de US$ 230,26 milhões em 2004 (aumento de 270%) e de US$ 344,70 milhões em 2008 (aumento de 486% em relação a 2002), quando inicia movimento descendente, atingindo o valor de US$ 278,05 milhões em 2010 (372% em relação ao valor de 2002). Mesmo com essa redução o grupo manteve a liderança de crescimento percentual do valor exportado em relação a 2002 durante todo o período considerado. As micros e pequenas empresas exportaram US$ 1,33 bilhão em 2002, seguindo uma trajetória de crescimento, com picos em 2004 (US$ 2,55 bilhões, aumento de 92% em relação a 2002), e em 2007 (US$ 2,99 bilhões, aumento de 125% em relação a 2002), quando houve inversão na trajetória, caindo para US$ 1,31 bilhão em 2009, valor 20

22 inferior ao registrado em 2002, mas com retomada de crescimento em 2010 (US$ 1,96 bilhão). As médias empresas, que apresentam a trajetória mais suave dos quatro grupos, exportaram US$ 4,65 bilhões em 2002, tiveram variações crescentes sucessivas até 2007, quando atingiram o valor máximo de US$ 9,72 bilhões (109% de aumento em relação a 2002). Iniciaram trajetória de queda do valor exportado em 2008, diminuindo para US$ 8,19 bilhões em 2010 (ainda 76% acima do valor de 2002). As grandes empresas tiveram variações crescentes sucessivas de 2002, quando exportaram US$ 54,31 bilhões, até 2008, quando atingiram o valor de US$ 186,38 bilhões (aumento de 243% em relação a 2002). Em 2009, ano da crise internacional, o valor exportado caiu US$ 43,59 bilhões em relação a 2008, mas retomou o crescimento e atingiu valor recorde em 2010, US$ 191,47 bilhões (aumento de 253% em relação a 2002). 5. AÇÕES GOVERNAMENTAIS PARA FOMENTAR AS EXPORTAÇÕES O Governo Federal, preocupado com a concentração das exportações brasileiras em um universo muito reduzido de exportadores, vem implementando diversas ações e medidas para a melhoria do desempenho e diversificação das exportações, visando à inserção competitiva das pequenas e médias empresas no comércio internacional. Diversas dessas ações e medidas serão abordadas nos capítulos subsequentes. O Plano Nacional da Cultura Exportadora está sendo elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em parceria com governos estaduais e entidades nacionais relacionadas com o comércio exterior. O objetivo do plano é sistematizar a oferta dos produtos e serviços oferecidos pelas entidades nacionais e planos de ação para os estados. 6. MINISTÉRIO DO DESENVOLVI- MENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC) O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior foi criado pela Medida Provisória nº , de 29/07/ DOU 30/07/1999, tendo como área de competência os seguintes assuntos: política de desenvolvimento da indústria, do comércio e dos serviços; propriedade intelectual e transferência de tecnologia; metrologia, normalização e qualidade industrial; políticas de comércio exterior; regulamentação e execução dos programas e atividades relativas ao comércio exterior; aplicação dos mecanismos de defesa comercial participação em negociações internacionais relativas ao comércio exterior; formulação da política de apoio à microempresa, empresa de pequeno porte e artesanato; execução das atividades de registro do comércio. Ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior estão vinculadas as seguintes entidades: Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA); Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI); Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO); Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) 21

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