Características microclimáticas em área de clareira na Amazônica

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1 Características microclimáticas em área de clareira na Amazônica José P.R.Costa 1 ; Ana Alice S. Fernandes 2 ; Suzyanne N. Bandeira 2 1 Prof. Dr.Universidade Federal do Pará, meteorologia (UFPA) 2 aluna de graduação em Abstract: The average monthly behavior of the precipitation, air temperature and, maximum and minimum temperature, relative humidity, Pan Classe A evaporation, saturation vapour deficit and evaporating power of air, concern to period of six years ( ) was analyzed in this study in order to of obtaining environmental characteristics of the local microclimate. The local studied was the Ferreira Penna scientific station (01º S; 051º W) southwest region of Pará State. The results have showed that 75% of annual rainfall occurred in the first half of the year. The thermal amplitude monthly and annual of air is less than the daily amplitude. The lowest air temperature occurred in the summer season and the highest temperature values occurred in spring season. Keywords: Microclimate, Microclimatology, Clearing 1. Introdução A Região Amazônica forma sem dúvida o maior ecossistema terrestre da atualidade. Com cerca de 6,3 milhões de km 2 de área distribuídos no Brasil, Guianas, Colômbia, Equador e Venezuela, é caracterizada pela existência de grandes rios, imensas áreas de florestas, clima tropical chuvoso e considerada a mais rica do mundo em termos de biodiversidade e informações genéticas. Essas características revelam a dimensão e a importância fundamental da floresta amazônica nos processos que regem o equilíbrio climático da região e do planeta e, por conseguinte, base de sustentabilidade ambiental (Santiago, 2005). A questão da ocupação e o uso do solo amazônico têm despertado nos últimos anos grande interesse dentro e fora da comunidade científica mundial, por causa de possível impacto ambiental e sócio-econômico em escala local e regional. Em geral, o equilíbrio e a sustentabilidade do ecossistema amazônico, em relação ao clima predominante, decorrem, principalmente, do movimento cíclico da umidade emitida pelo conjunto solo-vegetação, através da evapotranspiração e do respectivo retorno na forma de precipitação. Segundo Dias (2004), dessa maneira floresta e clima se mantêm em equilíbrio. Porém, esse frágil equilíbrio pode ser alterado por fatores naturais e, também, pela ação humana no meio físico. As florestas e as suas características climáticas próprias abrigam diversas espécies de plantas e animais que vivem na dependência do ciclo sazonal dos fatores do clima e constituem dessa forma um complexo sistema ecológico. As alterações microclimáticas de causa natural ou provocada pela intervenção humana no sistema natural podem ser avaliadas através de análises das variações dos principais elementos climáticos que formam o microclima local. Assim sendo, no presente estudo foram analisados os valores médios mensais da temperatura média, máxima e mínima do ar, umidade relativa do ar, precipitação, evaporação e poder evaporante do ar em uma área de clareira na floresta Amazônica, com o objetivo de caracterizar o microclima local.

2 2. Materiais e Métodos 2.1. Localização de área de estudo O estudo foi desenvolvido na Estação Científica Ferreira Pena (ECFPn), localizado na reserva florestal de Caxiuanã, que compreende uma área de 33 mil hectares, da qual 80% corresponde à floresta de terra firma e 20% ocupada por várzeas e igapós ( Lisboa, 1997). A área de floresta está situada no município de Melgaço, região oeste do estado do Pará. O clima da região é Am segundo a classificação de Koeppen, isto é, clima tropical quente com curto período de estiagem e do tipo B 1 W A, segundo a clasificação de Thornthwaite, ou seja, clima megatérmico, com moderada deficiência de precipitação na primavera Dados climáticos Os dados meteorológicos foram medidos em uma estação meteorológica convencional instalada em área adjacente a ECFPn, com coordenadas geográficas de (01º S; 051º W) e altitude de 40 metros. Os dados meteorológicos analisados foram: temperatura média, máxima e mínima do ar, Umidades relativa do ar, precipitação pluviométrica, evaporação do tanque classe A, evaporímetro de piche e déficit de pressão de vapor do ar, referente a um período de seis anos ( ) Metodologia Os valores médios diários medidos e calculados foram organizados em planilha Exel, onde foram calculadas, as médias diárias e mensais, referente ao período estudado, em seguida os gráficos foram elaborados para posterior análise da variabilidade dos elementos meteorológicos característicos do local. 3. Resultados e discussão A variação média mensal da precipitação e da umidade relativa do ar (Figura 1) mostra a existência de dois períodos bem marcantes: um período com precipitação média mensal expressiva (período chuvoso), que se estende de janeiro a maio, onde março se destaca como o mês mais chuvoso. Isso ocorreu porque na região tropical, a distribuição da precipitação sofre forte influencia da Zona de Convergência Intertropical (ITCZ) e no mês de março, a ITCZ atinge o seu máximo deslocamento no hemisfério sul, que juntamente com a intensificação do efeito convectivo local, faz com que haja produção de grande quantidade de precipitação e dessa forma, torna março o mês mais chuvoso do ano. No outro período observa-se que a precipitação média mensal se mostra pouco expressiva (período seco), destacando outubro como o mês menos chuvoso. Pode-se ainda ressaltar que a umidade relativa do ar se mostra elevada ao longo do ano e mesmo no período seco, o valor médio mensal é superior aos 80%.

3 Figura 1- Variação media mensal da precipitação (Chuva) e umidade relativa do ar (UR). A distribuição estacional da precipitação pluviométrica (Figura 2) mostra que o verão é a estação mais chuvosa, representando 38% do total de precipitação anual e a primavera é a estação mais seca, contribuindo com apenas 10% do total de precipitação do ano. Pode ser visto também que a precipitação do verão e outono totalizou 75%. Esse porcentual de precipitação é na realidade aquele total de chuva que cai na primeira metade do ano, contra apenas 25% do total de chuva que cai no segundo semestre, nas estações de inverno e primavera. Figura 2- Distribuição estacional da precipitação pluviométrica no período ( ). Na Figura 3 mostra-se a variação média mensal do déficit de pressão de vapor do ar (DPV) e da evaporação medida no evaporímetro de piche (Epiche). Como o DPV representa a capacidade do ar para absorver o vapor de água e a intensidade da Epiche depende da demanda atmosférica em absorver o vapor de água, segue que no período chuvoso definido acima, o ar possui baixa capacidade para absorver o vapor de água e portanto, a Epiche e o DPV mostraram os valores mais baixo do ano. O contrario ocorre no período seco, quando os valores da Epiche e DPV mostraram-se elevados. Isso indica claramente a estreita relação de dependência de Epiche e DPV com o estado de umidade do ar, conforme ficou evidenciado no mês de março (mês mais chuvoso), quando as duas variáveis apresentaram menor valor médio anual e em outubro (mês mais seco) quando ocorreu o maior valor anual.

4 Figura 3- Variação média mensal do déficit de pressão de vapor do ar (DPV) e da evaporação medida no evaporímetro de piche (Epiche). A figura 4 ilustra a variação média mensal da precipitação pluviométrica (chuva), evaporação do tanque classe A (Etanque) e evaporação do piche (Epiche), pode ser visto que as variáveis evaporação e precipitação mostram relação inversa. Ou seja, no período em que os valores da precipitação são elevados (Dezembro a Maio) os valores de Etanque e Epiche se mostram baixos. Enquanto que no período menos chuvoso (Agosto a Novembro), esses valores são elevados. Isso revela a dependência tanto da Etanque quanto da EPpiche do gradiente de umidade do ar, pois em regiões úmidas, o ar encontra-se próximo da saturação, causando portanto menor demanda evapotranspiratória da atmosfera (Allen et al., 1998). Isto é: no período úmido do ano, o gradiente de umidade do ar é pequeno, portanto, menor evaporação ocorre e no período seco do ano, a evaporação aumenta por que o gradiente de umidade do ar se torna maior. Figura 4- Variação média mensal da precipitação (Chuva), evaporação do piche (Epiche) e evaporação do tanque classe A (Etanque). A variação média mensal da temperatura máxima, média e mínima do ar (Figura 5) mostra que a temperatura do ar na região tropical varia muito pouco na escala mensal. Esta pequena variação esta relacionada com a alta umidade do ar presente na região tropical, onde mostra também, que a variação diurna da temperatura é maior do que a variação inter-diurna, sazonal e anual. Podemos observar que os menores valores da temperatura média do ar ocorreram no mês de março, isto aconteceu porque março na região tropical é o mais chuvoso (Figura 1). Os menores valores médios da temperatura mínima mostraram significativa diminuição nos messes de julho e agosto,

5 coincidindo com período de inverno no hemisfério sul. Nessa analise ficou evidenciado portanto, que os menores valores da temperatura do ar ocorreram no período do verão e as temperatura mais elevadas do ano ocorreram na primavera. Figura 5- Variação média mensal da temperatura máxima (Tmax), média (Tmed) e mínima (Tmin) do ar. 3. Conclusões As analises dos resultados possibilitaram as seguintes conclusões: 1) A temperatura média anual no período estudado foi de 26,7 o C e as temperaturas máxima e mínima do ar foram 32,7 o C e 23,2 o C respectivamente. 2) As variações diurnas da temperatura do ar foram maiores do que as variações interdiurnas (sazonal e anual) 3) Os menores valores da temperatura do ar ocorreram nos meses do verão e os maiores valores ocorreram na primavera. 4) A distribuição da precipitação mostrou que o verão foi a estação mais chuvosa (38%), seguida do outono (37%), totalizando 75% da precipitação total do ano. A primavera com 10% da precipitação anual foi a estação menos choveu. 5. Referencias Bibliográficas DIAS, M.A.F. da SILVA. Física do clima. Folha da Amazônia: Uma publicação do Projeto LBA n 0 12 (3ª Conferência científica do LBA de julho), Manaus-AM, LISBOA, P.L.B (Org). Caxiuanã. Museu paraense Emilio Goeld- Belém Pará. 446p, 1997). SANTIAGO, A.V. Simulações dos efeitos da cobertura vegetal no balanço hídrico da bacia do rio Ji-Paraná, RO. Piracicaba: ESALQ-USP, p. Tese (Doutorado em Física do Ambiente Agrícola) Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - Universidade do Estado de São Paulo, ALLEN, R. G.; PEREIRA, L. S.; RAES, D.; SMITH, M. - Crop evapotranspiration: Guidelines for computing crop water requirements. (Irrigation and Drainage Paper 56). Rome, FAO, p. 300, 1998

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