Resumos. Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica

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1 Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica Inovação em psicanálise: rumos e perspectivas na contemporaneidade Quarta-feira 10/6 10h30-12h Mesa-redonda Saúde mental e psicanálise O fenômeno da resistência no tratamento em saúde mental: quem resiste a quê? Camila Quinteiro Kushnir (UFRJ) Internação de usuários de drogas: gozo e segregação nas neuroses Maycon Torres e Paulo Vidal (UFF) A transferência na clínica com adolescente Raquel Corrêa de Oliveira (UFRJ) Alucinação como fato clínico: uma abordagem psicanalítica Sérgio Ricardo Bezz (UFRJ)

2 O fenômeno da resistência no tratamento em saúde mental: quem resiste a quê? Camila Quinteiro Kushnir Graduação em Formação de Psicólogo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Especialização em Clínica Psicanalítica pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ). Mestrado (em curso) no Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGTP/UFRJ). Com a criação de uma política específica de saúde mental, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a funcionar através de princípios básicos norteadores dos tratamentos realizados na rede pública do país. Visando a mudança do modelo predominante de internação que acaba por restringir as capacidades do paciente em sua reinserção social, novos dispositivos têm sido criados, como os atendimentos em ambulatórios. Vários são os indivíduos que permanecem em tratamento por anos sendo acompanhados por diferentes profissionais. Observa-se, contudo, o crescimento de um fenômeno descrito como cronificação ambulatorial, no qual se instaura uma dependência com as instituições de tratamento que pode se revelar problemática diante do discurso de alguns sujeitos. Segundo Freud, a transferência negativa não deixa de ocorrer nesses locais, mas surge de modo velado, como uma resistência do paciente ao restabelecimento. O objetivo geral deste trabalho vem a ser, assim, discutir as noções de resistência e restabelecimento descritas por Freud e retomadas por Lacan, a partir do conceito de transferência. Se quem resiste é o analista, como pensar sua função diante desses casos? As considerações apontam para uma necessidade de escuta pautada não no sintoma, mas sim no dizer do sujeito sobre seu sintoma.

3 Internação de usuários de drogas: gozo e segregação nas neuroses Maycon Rodrigo da Silveira Torres Psicólogo do Hospital Psiquiátrico de Jurujuba/Niterói. Mestrando em Estudos da Subjetividade - Política e exclusão social Paulo Eduardo Viana Vidal Psicanalista. Doutor em Teoria Psicanalítica/UFRJ. Professor da Universidade Federal Fluminense e orientador da dissertação de mestrado. O objetivo deste trabalho é apresentar algumas considerações críticas sobre a segregação de usuários de drogas por meio da internação, modo de tratamento comum na clínica das toxicomanias. Os hospitais psiquiátricos são instituições tributárias da lógica de exclusão e foram construídos junto do saber médico a partir da discursividade da ciência. As drogas se transformam em problema em consequência das políticas proibicionistas que criminalizavam a produção e o consumo de determinadas substâncias. Para a psicanálise, este consumo é um recurso frente ao mal-estar intrínseco à civilização, que tenta encerrar no corpo um modo de satisfação pelo afastamento do mundo. Freud (1927; 1908) sustenta posição contrária à qualquer prática de abstinência forçada ao uso de drogas, pois o tratamento possível não se dá do lado do objeto, mas da pulsão. Depois de formalizar o inconsciente freudiano, evidenciando que ele é estruturado como linguagem, Lacan (1969/70, p. 11) conceitua o discurso como: um discurso sem palavras. Os discursos engendram modos de laço social como resposta ao impossível do gozo e são estruturados por quatro posições (agente, outro, produção e verdade) ocupadas por quatro termos (significante-mestre, saber, sujeito dividido e objeto a). O discurso do mestre é definido como a intervenção do significante-mestre no campo do saber de onde advém o sujeito dividido e a perda do objeto. No discurso do capitalista, que seria o mestre moderno, a impossibilidade de relação entre o sujeito e o objeto é obliterada pelo consumo dos gadgets produzidos pela ciência. O laço social decorrente deste discurso é baseado na segregação pois o insuportável do gozo do outro deve ser mantido à distância. Evidencia-se esta segregação através da maior atenção concedida pelo poder público às cacrolândias - enquanto forma de ocupação da cidade ao redor do consumo de drogas o que explica a proliferação de instituições para internação. Referências FREUD, S. (1908). Moral civilizada e doença nervosa moderna. In: Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. IX. Rio de Janeiro: Editora Imago, (1927) O futuro de uma ilusão. In: Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund. Rio de Janeiro: Imago, vol. XXI, LACAN, J. ( ). O Seminário, livro 17: o avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2007.

4 A transferência na clínica com adolescente Resumos Raquel Corrêa de Oliveira Graduação em Psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro- PUC/RJ; Especialista em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro- PUC/RJ; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro UERJ; Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro IP/UFRJ; Membro do Tempo Freudiano Associação Psicanalítica. Numa enfermaria psiquiátrica para adolescentes, que recebia situações muito variadas como o desencadeamento da psicose, o uso abusivo de drogas, e a sintomatologia neurótica grave, a maneira como os adolescentes se endereçava à equipe, trazia elementos importantes para formularmos a hipótese diagnóstica. Pretendo, partindo dessa experiência clínica, pensar a questão da transferência com adolescentes no contexto de um serviço de saúde mental. Partimos da ideia de que o que está em jogo na adolescência é uma mudança na relação com o saber, e, por isso, esta deve ser levada em conta quando abordamos a questão da transferência. A adolescência é uma época de muita turbulência, às vezes barulhenta às vezes silenciosa. Além da transformação corporal, e de toda a intensidade hormonal, a relação do adolescente com os outros e com o mundo também estão em transformação. Melman nos diz que a adolescência se revela como um tempo suscetível para o aparecimento de sintomas. Por isso nos adverte para a questão dos atos dos adolescentes. De que ordem são eles? Seriam atos endereçados a alguém ou atos nos quais o sujeito parece não contar mais com ninguém, fazendo passagens ao ato em que desaparece como sujeito? Ainda que o adolescente viva um tempo de descrença em relação ao outro, e que se depare com a inconsistência do Outro, e que isso coloque dificuldades para confiar seu sofrimento a alguém, como analistas, só nos resta apostar que o adolescente possa ter a oportunidade de falar para alguém interessado em ouvi-lo. Nesse momento em que vemos a psicanálise e os psicanalistas encontrando um lugar de trabalho nos serviços de saúde mental, gostaria de trazer para o debate como a escuta de adolescentes em crise pode contribuir para problematizar a questão da transferência como via de trabalho nos serviços de saúde mental.

5 Alucinação como fato clínico: uma abordagem psicanalítica Sérgio Ricardo Bezz Graduado em psicologia pela Universidade Gama Filho-RJ; Membro do Tempo Freudiano Associação Psicanalítica; Especialização em psicanálise e saúde mental pela UFF; Mestrando do Programa de Pós-Graduação em teoria psicanalítica da UFRJ. A alucinação como traço tão importante e frequente nos psicóticos instiga a reflexão, pois dá a ver seu caráter de contundente e violenta intrusão do outro, criando uma realidade que age e dirige a vida do paciente. De que realidade se trataria na alucinação? O que ela esclareceria a respeito da desnaturalização da ideia da realidade como compartilhada, tida como já lá, prévia ao modo de constituição do sujeito de linguagem? Dependerá da escuta e formação do clínico o lugar a ser criado para esse fenômeno. Partindo da alucinação como fato clínico, minha experiência vivida no hospital psiquiátrico de Jurujuba servirá de campo de investigação de diferentes destinos dessa realidade alucinatória. Por um lado, a relevância da ética freudiana no tratamento da psicose, resgatada e revitalizada por Lacan, situando a psicose no campo da linguagem. Por outro lado, intervenções situadas na lógica de exclusão dos vestígios de sujeito da psicose, veiculadas em práticas psicológicas determinadas na ideologia científica calcadas em medições comportamentais. A questão guia do trabalho estará no modo como esse automatismo alucinatório se infiltraria nos laços transferenciais, sendo capaz de participar de uma subjetivação própria ao sujeito psicótico. Uma construção em que o clínico participa do quadro clínico. Assim, tomar o fenômeno a partir do que se produz no laço transferencial exige, do lado do clínico, acompanhar movimentos diferenciais produzidos na presença de sua palavra, de suas invenções, e aí nesse real da palavra do paciente, buscar referências conceituais para melhor apreender o de que se trata desses efeitos de transferência na psicose.

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