ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA - CIÊNCIA EM PAUTA / SECTI-AM

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1 07/08/2014

2 ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA - CIÊNCIA EM PAUTA / SECTI-AM Secretários de Ciência, Tecnologia e Inovação debatem avanços no setor Bradesco busca ajuda de startups para inovar Memórias magnéticas tornam-se multi-bit Pesquisa detecta bactérias e fungos em 62,5% de passarinhos traficados FAPESP sedia Brazilian Meeting on Research Integrity, Science and Publications Estresse durante a gravidez é passado para filha, neta, bisneta Baixos níveis de vitamina D podem dobrar riscos de demência e mal de Alzheimer Pessoas com medo de aranha têm área do cérebro menor, diz USP Atividade humana aumentou nível de mercúrio nos oceanos, diz estudo

3 VEÍCULO: Consecti EDITORIA: Notícias Secretários de Ciência, Tecnologia e Inovação debatem avanços no setor O Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (CONSECTI) realizou nesta terça-feira (4) reunião extraordinária, como parte das atividades do Fórum Nacional, para debater avanços no setor. O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clélio Campolina apresentou aos participantes o Programa Plataformas do Conhecimento, cujo objetivo é o fortalecimento de setores da economia brasileira que já têm alta capacidade de produção e de conhecimento para disputarem mercado no exterior. Segundo Campolina, até 20 setores industriais receberão investimentos e, parte deles irá para pesquisa e desenvolvimento (P&D). Outro tema debatido durante o evento foi a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que teve como relator o deputado Izalci (PSDB/DF). Para o parlamentar tucano que é presidente da Frente Parlamentar de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação, a PEC 290 abre a possibilidade de cooperação, estímulos e articulação entre as esferas de governo e setores públicos e privados. Não se faz inovação só nas universidades, a inovação está nas empresas e o texto constitucional dificultava muito essa relação, afirmou. Durante o evento, o deputado Izalci também reafirmou a disposição da Câmara na aprovação do PL 2177 que cria o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Segundo o parlamentar, o PL regulamentará na forma da lei as mudanças necessárias para o setor. Já avançamos bastante nos debates e creio que o Código está muito próximo de ser aprovado, revelou o tucano. Além do presidente do Consecti, Saumíneo Nascimento e demais conselheiros, a reunião contou ainda com a presença dos presidente do INPI, Otávio Brandelli e CNPQ, Glaucius Oliva e da representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, Daniela Marquis, bem como trouxe também para o debate o fomento ao uso da Informação Tecnológica em palestra proferida pela diretora de Relações Institucionais do INPI, Denise Gregory.

4 VEÍCULO: Consecti EDITORIA: Notícias Bradesco busca ajuda de startups para inovar Em busca de soluções inovadoras para tentar acompanhar a revolução digital que atinge o setor bancário, o Bradesco seguiu a tendência de outras grandes empresas e vai abrir suas portas para as startups. O segundo maior banco privado brasileiro lança nesta terça-feira, 05, em todo o país o InovaBra, programa para descobrir projetos inovadores de startups que possam ser adaptados ao setor de produtos e serviços financeiros. Com dez meses de duração sendo quatro meses para o processo seletivo o banco espera selecionar até uma dezena de empresas em estágio inicial para durante seis meses desenvolver um serviço ou produto inédito no mercado e integrar sua tecnologia com a do banco. Ao final, as startups que formatarem suas soluções com sucesso terão como prêmio um contrato com o Bradesco, para entrar no mercado já com um grande cliente em seu portfólio. Boa parte das startups tem medo de procurar uma empresa do tamanho do Bradesco, porque nossas primeiras perguntas serão quem eles são e se têm a capacidade de execução que precisamos, diz o diretor vice-presidente do Bradesco, Maurício Minas. Criamos o programa para essas pequenas empresas virem aqui fazer seus produtos conosco, em vez de responder a uma apresentação em power point, diz. A iniciativa marca a primeira incursão do Bradesco pela inovação aberta. Até hoje, todo o processo de desenvolvimento de novas soluções do banco era interno. Queremos sair da zona de conforto e ter mais opções de negócio no médio e longo prazo, diz Minas. O banco procura soluções em cinco áreas estratégicas: meios de pagamento, canais digitais, produtos, seguros e Banco do Futuro que engloba iniciativas que possam ser adotadas nos próximos anos por qualquer área do banco. As inscrições para o InovaBra vão até o dia 17 de outubro no site inovabra.com.br. No fim do programa, as empresas que se destacarem também poderão receber um investimento do banco. O fundo de private equity do Bradesco, focado em negócios de médio a grande porte, demonstrou interesse em conhecer as empresas selecionadas pelo InovaBra para avaliar oportunidades de investimento e eventualmente criar uma linha para startups.

5 VEÍCULO: Inovação Tecnológica EDITORIA: Notícias Memórias magnéticas tornam-se multi-bit É enorme o interesse nas memórias magnéticas de acesso aleatório (MRAM), devido à manutenção dos dados na falta de energia, ao baixo consumo e ao seu potencialmente baixo custo. As MRAM baseiam-se na manipulação da magnetização de materiais para armazenamento dos dados, em vez das cargas elétricas usadas nas RAM tradicionais. Mas, apesar de já alcançarem velocidades comparáveis às memórias RAM, até agora não foi possível igualar a densidade - a quantidade de bits por área - de armazenamento das memória flash. Quentin Stainer e seus colegas do Laboratório Spintech, na França, acreditam ter encontrado uma solução para isso. Eles apresentaram um novo paradigma de armazenamento multi-bit nas memórias magnéticas, com potencial para rivalizar com as memórias flash e até superá-las. O aumento da densidade de memória pode ser obtido através de uma variedade de métodos. A maneira mais simples e mais usada é através da redução das dimensões dos bits individuais, o que leva a um aumento do número de células de memória por unidade de superfície. Nessa nova abordagem, o adensamento é feito aumentando a capacidade de armazenamento de cada célula individual, ou seja, colocando mais de um bit em cada uma delas - um armazenamento multi-bit. "O armazenamento multi-bit é tipicamente obtido na tecnologia MRAM medindo os múltiplos níveis de tensão correspondentes a várias configurações magnéticas," explica Stainer. Para isso, a equipe empregou uma tecnologia chamada Unidade Lógica Magnética, que permite controlar remotamente um sensor para detectar essas configurações magnéticas. "Identificando características-chave das respostas elétricas que obtemos, tipicamente conhecidas como 'pontos extremos', pode-se inferir a informação armazenada," disse Stainer. Os pesquisadores demonstraram a técnica multi-bit inserindo até quatro bits por célula de memória magnética de 110 nanômetros. O próximo passo será desenvolver um protótipo de memória multi-bit para demonstrar a viabilidade industrial da técnica, o que será feito pela Crocus Technology, que detém a patente da nova técnica de armazenamento. "Novos paradigmas de memória derivados deste trabalho também estão em desenvolvimento - com capacidades potenciais de até 8 bits por célula multi-bit individual," anunciou Stainer.

6 VEÍCULO: Fapesp EDITORIA: Notícias Pesquisa detecta bactérias e fungos em 62,5% de passarinhos traficados As campanhas educativas para desestimular a compra de animais silvestres comercializados ilegalmente ganharam um reforço em seus argumentos com um estudo concluído recentemente na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa Caracterização da microbiota intestinal bacteriana e fúngica em passeriformes silvestres confiscados do tráfico que serão submetidos a programas de relocação, desenvolvida com Auxílio à Pesquisa da FAPESP, encontrou microrganismos com potencial patogênico que podem apresentar risco à saúde humana e animal em 62,5% de 253 amostras de material coletado na cloaca (órgão por onde as aves eliminam as fezes e a urina e põem os ovos) de 34 espécies de passarinhos silvestres resgatadas do tráfico de animais e encaminhadas ao Departamento de Parques e Áreas Verdes de São Paulo (Depave) para avaliação, reabilitação e relocação no ambiente. Segundo dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), as aves são o principal alvo do comércio ilegal de animais. Os passeriformes silvestres (pássaros nativos com pequenas dimensões como sabiás, canários, curiós, entre outros) são os mais traficados, seguidos por papagaios, araras e demais gêneros. Estima-se que 90% das aves capturadas para tráfico morram antes de chegar ao destino final. Quando resgatadas por órgãos fiscalizadores, muitas já se encontram com a saúde debilitada por causa de condições sanitárias inadequadas na captura, no transporte e na manutenção em cativeiro. A pesquisa de alguns microrganismos como Salmonella spp., Cryptococcus spp. e Candida spp. é prevista na lista de exames sanitários recomendados pela Instrução Normativa 179 do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis], disse Priscilla Anne Melville, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da FMVZ, responsável pelo estudo. No entanto, quisemos fazer um estudo mais abrangente para descobrir quais outros patógenos podem ser carreados por esses animais. O trabalho contou com a participação dos pesquisadores da FMVZ/USP Nilson Roberti Benites, Paulo Eduardo Brandão, André Becker Simões Saidenberg, Patrícia Braconaro e Eveline Zuniga e das veterinárias do Depave Adriana Joppert da Silva, Thaís Sanches e Ticiana Zwarg. De acordo com os pesquisadores, o material coletado na cloaca das aves é mais preciso como indicador da microbiota intestinal do que as fezes, já que, em condições normais, os microrganismos presentes ali são oriundos somente do trato intestinal. Já a análise das fezes pode levar a falsos resultados pela contaminação do material por bactérias presentes no ambiente. Segundo Melville, exames de verificação de ocorrência e frequência de fungos e bactérias mostraram que em 158 (62,5%) das 253 amostras havia presença de microrganismos. Em 123 delas (77,84%) havia somente bactérias; em outras quatro somente fungos; e em 31 fungos e bactérias. Foram isolados ao menos 15 gêneros de bactérias, três gêneros de leveduras e quatro gêneros de fungos filamentosos. Alguns deles apresentam potencial zoonótico, ou seja, podem causar doenças em humanos e em animais e alguns desses apresentaram resistência a determinados antimicrobianos, disse Melville à Agência FAPESP. Foram encontradas 13 espécies de Staphylococcus spp. em 38 amostras. O gênero Micrococcusspp. foi localizado

7 em 29 amostras, enquanto Klebsiella spp. e Escherichia coli estavam em 27 amostras, cada. Em testes de suscetibilidade a diferentes antibióticos e quimioterápicos, essas bactérias apresentaram multirresistência a determinados antimicrobianos. Foram encontradas ainda as bactérias Enterococcus spp. (em 11 amostras); Enterobacter spp. (10); Streptococcus spp. (8) ecitrobacter spp. (7). Cada microrganismo tem suas peculiaridades e causa doenças específicas. As bactériasescherichia coli, por exemplo, podem estar associadas a distúrbios gastrointestinais. Espécies destaphylococcus podem estar associadas a infecções cutâneas, sinusites, artrites e pneumonias. A transmissão se dá principalmente por meio do contato com as fezes do animal, com posterior ingestão acidental ou mesmo inalação de material contaminado, afirmou a pesquisadora. Alguns microrganismos encontrados no estudo ainda não haviam sido mencionados em trabalhos semelhantes. Entre eles, há a Rhodotorula spp. (levedura oportunista que pode causar doença em paciente imunossuprimido), Edwardsiella (bactéria associada a meningites e gastroenterites, entre outras) e Pasteurella multocida (agente associado à cólera aviária). O estudo confirmou a presença de fungos filamentosos e leveduras encontrados em estudos anteriores, de outros autores, tais como Candida spp. (fungo associado a distúrbios gastrointestinais e respiratórios), Penicillium spp. (fungo associado a doenças como ceratites, endocardites, entre outras), Mucor spp. (fungo que pode acometer pacientes imunossuprimidos, causando infecções no trato respiratório e gastrointestinal, no sistema nervoso ou na pele),aspergillus spp. (fungo que acomete principalmente o trato respiratório de aves), e Trichosporonspp. (patógenos oportunistas que podem acometer pacientes imunossuprimidos). A pesquisa revelou ainda que é baixo o risco de transmissão de microrganismos sugeridos para investigação pela Instrução Normativa do Ibama como Salmonella spp., Cryptococcus spp. (ausentes nas amostras) e Candida spp. (baixa ocorrência). Também é baixo o risco de transmissão para humanos, pelas aves avaliadas, de bactérias E.colicomo a Escherichia coli enteropatogênica (EPEC), Escherichia coli patogênica aviária (APEC) eescherichia coli uropatogênica (UPEC). Por outro lado, há risco de transmissão intra ou interespécies ou introdução no ambiente de E.coli multirresistentes a antimicrobianos. A investigação da microbiota intestinal das aves antes do processo de soltura é importante, pois pode esclarecer sobre possíveis riscos relativos à presença de resistência bacteriana aos antimicrobianos. Ao serem eliminadas no ambiente, as bactérias multirresistentes a antimicrobianos podem se multiplicar e infectar diferentes hospedeiros, disseminando a resistência antimicrobiana entre as bactérias, explicou Melville. Isso pode levar ao desencadeamento de doenças de difícil tratamento, já que a resistência antimicrobiana reduz as possibilidades terapêuticas. Por outro lado, muitas bactérias podem se tornar resistentes a um antimicrobiano, mesmo sem nunca terem tido contato com o mesmo, disse a pesquisadora. O alerta deve ser considerado principalmente quando se leva em conta que grande parte dos indivíduos que adquirem animais traficados mantém as aves como animais de estimação em suas residências. As pessoas devem ter ciência que podem ser contaminadas por determinados agentes bacterianos, virais e fúngicos transportados pelos animais traficados, especialmente os grupos de risco idosos, crianças e pessoas imunossuprimidas ou que são submetidas a algum tratamento imunossupressor, disse Melville.

8 Saidenberg esclareceu que, mesmo em liberdade, aves podem hospedar microrganismos com potencial para causar doenças na própria espécie, em outros animais e em humanos. No entanto, em geral, observa-se um equilíbrio entre o microrganismo e o hospedeiro como parte de um processo de coevolução e que também atua sobre o controle populacional. A presença de determinado microrganismo não representa obrigatoriamente que a doença se manifeste. No entanto, quando são traficadas, esse equilíbrio pode ser alterado em razão dos elevados níveis de estresse, das péssimas condições de higiene e alimentação inadequada a que são submetidos os animais, o que pode acarretar o desencadeamento de doenças infecciosas causadas por microrganismos com os quais estavam anteriormente em equilíbrio, disse Saidenberg. Embora a legislação brasileira determine que animais silvestres só possam ser criados se adquiridos de criadores autorizados e que possuam documentação de comprovação de origem, somente em São Paulo, a Polícia Militar Ambiental apreendeu ou resgatou mais de 187 mil animais silvestres do tráfico de animais nos últimos 10 anos. De 2006 a 2012, 82% dos animais confiscados do tráfico eram aves. Segundo dados do Ibama, a maioria dos pássaros silvestres comercializados ilegalmente vem das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e os estados com o maior mercado consumidor estão na região Sudeste: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. As espécies apreendidas em maior quantidade no período do estudo foram pixarro (Saltator simillis), canário-daterra (Sicalis flaveola), galo-de-campina (Paroaria dominicana), coleirinho-paulista (Sporophila caerulescens), azulão (Cyanoloxia brissoni) e pássaro-preto (Gnorimopsar chopi), segundo os pesquisadores.

9 VEÍCULO: Fapesp EDITORIA: Notícias FAPESP sedia Brazilian Meeting on Research Integrity, Science and Publications A FAPESP receberá, nos dias 14 e 15 de agosto, pró-reitores de universidades, pesquisadores, editores de periódicos científicos, representantes de agências de fomento e membros de entidades científicas para o 3º BRISPE Brazilian Meeting on Research Integrity, Science and Publications. O evento tratará da conduta responsável em pesquisa e das práticas institucionais para a promoção da integridade científica, cuja promoção é política sistemática da FAPESP, evidenciada em seu Código de Boas Práticas Científicas. A programação conta com a participação dos pesquisadores estrangeiros Nick Steneck, da University of Michigan, nos Estados Unidos; Rüdiger Klein, da University of Beijing, na China; Mark Frankel, da American Association for the Advancement of Science (AAAS); Sergio Litewka, da University of Miami, nos Estados Unidos; e Charlotte Haug, do Committee on Publication Ethics (Cope). Do Brasil participam Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, Luiz Henrique Lopes dos Santos, membro da Coordenação Adjunta de Ciências Humanas e Sociais, Arquitetura, Economia e Administração da FAPESP, e Edson Watanabe, Sônia Vasconcelos e Débora Foguel, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao final serão feitas projeções para ações de integridade na pesquisa em São Paulo e em universidades de todo o Brasil. A íntegra da programação pode ser conferida em As apresentações serão feitas em inglês. As inscrições são gratuitas, mas há limite de vagas. Interessados em participar podem se inscrever pelo site O evento ocorrerá na sede da FAPESP, na Rua Pio XI, 1500, Alto da Lapa, em São Paulo. Mais informações pelo telefone (11) ou pelo

10 VEÍCULO: O Globo EDITORIA: Sociedade Estresse durante a gravidez é passado para filha, neta, bisneta O estresse da mãe pode afetar o bebê. E não para por aí. Na verdade, os problemas relacionados ao estresse se propagam, inclusive, pelas gerações seguintes. A descoberta foi relevada num estudo publicado nesta quinta-feira no periódico BMC Medicine. Pesquisadores queriam investigar como bebês prematuros são influenciados pelo estresse, já que o parto prematuro é uma das principais causas de morte e pode provocar problemas ao longo da vida. Para isso, fizeram testes com gerações de ratos, divididos entre estressados e não estressados. As filhas de ratos estressados tinham gestações mais curtas do que as do outro grupo. Surpreendentemente, até as netas de ratos estressados tiveram gestações encurtadas, mesmo que suas mães não fossem estressadas. Também tinham níveis mais altos de glicose do que os do outro grupo. E ainda pesavam menos. Mostramos que o estresse ao longo das gerações é forte o suficiente para encurtar a gravidez em ratos afirmou Gerlinde Metz, autora principal do estudo pela Universidade de Lethbridge, no Canadá. Uma descoberta surpreendente foi que estresse leve e moderado durante a gravidez tiveram efeito cumulativo ao longo das gerações. Os pesquisadores acreditam que estas mudanças ocorrem devido à epigenética os efeitos do ambiente sobre a expressão dos nossos genes. Quando tivermos uma melhor compreensão sobre os mecanismos das assinaturas epigenéticas herdadas poderemos prever e reduzir o risco de doenças comentou Gerlinde, que acrescentou. Partos prematuros podem ocorrer por vários fatores. No nosso estudo damos novas perspectivas sobre como o estresse em nossas mães, avós e além podem influenciar no risco de complicações na gravidez e no parto. A descoberta tem implicações para além da gravidez e sugere que as causas para muitas doenças complexas poderiam ter raiz nas experiências de nossos ancestrais.

11 VEÍCULO: O Globo EDITORIA: Saúde Baixos níveis de vitamina D podem dobrar riscos de demência e mal de Alzheimer Minneapolis, EUA - Uma nova pesquisa sugere que pessoas mais velhas que não receberam a quantidade suficiente de vitamina D podem ter o dobro de chances de desenvolver demência e mal de Alzheimer. Publicado nesta quarta-feira, no jornal "Neurology" da Academia Americana de Neurologia, o estudo é considerado um dos maiores já realizados sobre o assunto. O estudo analisou os níveis de vitamina D no sangue dos pacientes, obtidos a partir de alimentos, suplementos e exposição ao sol. A vitamina D é encontrada em peixes oleosos como o salmão, atum ou cavala, além e leite, ovos e queijo, e sua síntese é feita pela exposição ao sol. Esperávamos encontrar uma associação entre os baixos níveis de vitamina D e o risco de demência e mal de Alzheimer, mas os resultados foram surpreendentes: descobrimos que a relação era duas vezes mais forte do que poderíamos esperar - disse o autor do estudo, David J. Llewellyn, PhD da University of Exeter Medical School, no Reino Unido. Para o estudo, pessoas com mais de 65 anos de idade que estavam livres de demência tiveram seus níveis de vitamina D no sangue testados. Após uma média de seis anos, 171 participantes desenvolveram demência e 102 tiveram mal de Alzheimer. O estudo descobriu que as pessoas com baixos níveis de vitamina D tinham uma propensão 53% maior em desenvolver demência, enquanto aqueles que eram severamente deficientes corriam um risco 125% maior, em comparação a participantes com níveis normais de vitamina D. Além disso, pessoas com níveis mais baixos de vitamina D eram quase 70% mais propensas a desenvolver o mal de Alzheimer e, para aqueles que tinham deficiência grave, as chances aumentavam 120%. Os ensaios clínicos são agora necessários para determinar se a ingestão de alimentos como peixes oleosos ou tomar suplementos de vitamina D pode retardar ou mesmo prevenir o aparecimento da doença de Alzheimer e demência. Precisamos ser cautelosos nesta fase inicial e os nossos últimos resultados não demonstram que níveis baixos de vitamina D causem demência. Dito isto, nossos resultados são muito encorajadores. Mesmo se um pequeno número de pessoas pudesse se beneficiar, já teríamos enormes implicações para a saúde pública, dada a natureza devastadora e cara de demência - disse Llewellyn.

12 VEÍCULO: G1 EDITORIA: Ribeirão e Franca Pessoas com medo de aranha têm área do cérebro menor, diz USP A publicitária Mariana Dechandt, de 28 anos, não esconde o pavor que sempre sentiu por aranhas. Bastava ver um animal da espécie, pequeno que fosse, em cima da mesa de trabalho, entrava em pânico. Suava frio, tremia, ficava sem ar, gritava e chorava sem parar. Perdia o controle e a noção do perigo. Só após o tratamento psicoterápico, descobriu que as sensações não eram de um medo qualquer, mas de um tipo de transtorno de ansiedade. Eu sentia muita vergonha. As pessoas me zoavam, achavam que era exagero, drama, já ouvi muito isso. Ninguém acreditava. Mariana não é a única a enfrentar esse tipo de julgamento. O psiquiatra José Alexandre Crippa, professor da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto (SP), explica que a maioria das pessoas que sofre algum tipo de fobia é mal interpretada. Uma pesquisa inédita coordenada por ele comprovou que existe uma causa fisiológica - e não só psicológica - para o problema. O estudo constatou que pessoas com fobias simples possuem uma área do cérebro menor do que aquelas que não sentem qualquer tipo de medo. Isso não é manha, não é fraqueza de caráter, não é preguiça, não é personalidade fraca. Existe uma base biológica, que parece justificar o desenvolvimento desse transtorno. Parece que existe uma causa neurobiológica que contribui para o desenvolvimento da fobia, afirmou Crippa, destacando que foram pesquisados dois grupos de voluntários com idade, escolaridade e nível socioeconômico equivalentes, um era formado por pessoas com medo de aranhas e outro sem nenhum tipo de transtorno. Na primeira parte da pesquisa, os voluntários foram colocados em plataformas muito sensíveis ao movimento, em frente a uma tela, onde eram projetadas imagens comuns, depois de situações que causam repulsa, como acidentes de trânsito, e, por fim, fotos das aranhas. Na hora em que elas viam as imagens de aranha, era como se elas quisessem fugir e o balanço delas na plataforma era muito maior, disse Crippa. Na segunda etapa, decisiva para o resultado da pesquisa, os grupos foram submetidos a exames de ressonância magnética para verificar o volume das áreas do cérebro. O resultado é que uma região chamada cíngulo anterior do córtex, localizada atrás do lóbulo frontal e responsável pelas emoções, é menos espessa em pessoas com fobia. Essa área, classicamente, está associada a processos cognitivos de medo e ansiedade, explica. O próximo passo do estudo, que recomeça em 2015, é realizar sessões de psicoterapia com os voluntários e refazer as ressonâncias magnéticas em cada um deles, para verificar se houve algum tipo de diminuição ou aumento da área do cérebro identificada menor. O grande avanço é que nós damos um passo para entender a fisiopatologia das fobias. Entender que existe uma causa biológica para o problema. Mariana se antecipou. Depois de passar pela pesquisa da USP há quatro anos, procurou uma psicóloga por conta própria e, desde então, disse que está mais tranquila em relação à fobia. Agora, quando vê uma aranha, consegue se afastar e evitar o local onde o animal está. Mesmo assim, convidada pelo G1 a fazer uma foto próxima a um mostruário de aranhas mortas, negou. Eu não entro em desespero, mas ainda fico impressionada. Estou sempre com o veneno do lado. Quando está acabando, eu já compro outro.

13 VEÍCULO: G1 EDITORIA: Natureza Atividade humana aumentou nível de mercúrio nos oceanos, diz estudo O nível de mercúrio em algumas zonas dos oceanos triplicou como consequência da atividade humana nos últimos séculos, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (6) pela revista "Nature". A partir de medições recentes nos oceanos Atlântico, Pacífico, Ártico e Antártico, os cientistas estimam que a quantidade total de mercúrio procedente de atividade humana dissolvido nos mares da Terra é de 290 milhões de mols (medida de quantidade de matéria que equivale a seiscentos e dois sextilhões de moléculas), com uma margem de erro de 80 milhões. As conclusões indicam que a intervenção humana no ciclo natural do mercúrio ocasionou um aumento de cerca de 150% do elemento na camada de água termoclina, aquela que marca a fronteira do oceano profundo, e a um aumento de mais de três vezes em águas superficiais. Segundo os pesquisadores, dois terços do mercúrio se concentram a menos de mil metros de profundidade. Os novos cálculos situam a concentração de mercúrio em um ponto médio em relação às estimativas teóricas publicadas até agora, que estimavam a quantidade desse elemento no oceano entre 36 milhões e 1,3 bilhões de mols. O mercúrio é um elemento extremamente volátil que se dispersa rapidamente pela atmosfera, onde se mantém durante meses antes de se depositar sobre os oceanos. O material metálico é liberado de forma natural em erupções vulcânicas e pela erosão de rochas devido ao vento e a água, apesar da atividade humana ter alterado este ciclo e feito com que aumentassem os níveis de mercúrio no meio ambiente. "A combustão de carvão, as extrações de ouro, a produção de cimento e a incineração de lixo contribuíram para esse aumento", explicou à Agência EFE Carl Lamborg, geoquímico da Instituição Oceanográfica Woods Hole (EUA) e responsável pelo estudo. Os compostos de mercúrio inorgânicos, que no passado eram utilizados como fungicidas, antissépticos e em remédios, deram lugar ao chamado mercúrio metílico, o composto orgânico do mercúrio mais frequente no meio ambiente e um elemento tóxico que pode se acumular na cadeia elementar. O responsável pelo estudo ressaltou que a quantificação do mercúrio total acumulado na água dos oceanos ajudará a compreender melhor o processo pelo qual se forma o mercúrio metílico e se contamina a vida marinha. "Apesar de acharmos que o mercúrio aumentou na água dos oceanos, não sabemos o suficiente sobre o processo de biomagnificação (acumulação de tóxicos na cadeia emissora trófica) para afirmar que nos peixes também aumentou e que portanto representa um perigo", afirmou Lamborg. "A hipótese inicial mais lógica é pensar que os peixes seguiram o mesmo caminho que a água do oceano, mas ainda temos que provar", acrescentou o geoquímico. EFE

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