DELIMITAÇÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EM TOPO DE MORRO. ESTUDO DE CASO: SUB-BACIA DO RIO CANOAS, MONTES CLAROS - MG

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1 DELIMITAÇÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EM TOPO DE MORRO. ESTUDO DE CASO: SUB-BACIA DO RIO CANOAS, MONTES CLAROS - MG Felipe Aquino Lima 1, Diego Brito de Oliveira 2, Rodrigo Praes de Almeida 3, César Vinícius Mendes Nery 4 1 Engº Ambiental, Analista em Geoprocessamento, FUNDASA, Montes Claros-MG, 2 Engº Ambiental, Analista em Geoprocessamento, FUNDASA, Montes Claros-MG, 3 Engº Ambiental, Analista em Geoprocessamento, FUNDASA, Montes Claros-MG, 4 Professor Msc. das Faculdades Santo Agostinho, Doutorando em Geografia, PUC Minas, Belo Horizonte-MG, RESUMO: A legislação ambiental brasileira que dispõe sobre os parâmetros, definições e limites referentes às áreas de preservação permanente (APP) baseia-se na Resolução nº 303 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), de 20 de março de 2002 e, na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, de modo que estes foram criados com o objetivo de proteger e limitar o uso e ocupação nessas áreas. A presença de vegetação protetora na APP em topo de morro permite um maior amortecimento do volume de água no solo, visto que, essa vegetação aumenta a estruturação do solo e, consequentemente, maior infiltração de água. Em decorrência disto ocorre à recarga lenta dos aquíferos. Objetiva-se com o presente trabalho delimitar as APP em de topo de morro na sub-bacia do Rio Canoas, por meio de técnicas de geoprocessamento utilizando dados de radar por interferometria, dados estes do Projeto TOPODATA. Após processamento dos dados no Sistema de Informações Geográficas (SIG), SPRING, foram identificadas 12 (doze) áreas caracterizadas como APP em topo de morro, o que corresponde a 3,61 % do total da sub-bacia. PALAVRAS-CHAVE: SPRING, TOPODATA, CONAMA 303 Introdução: A inexistência da demarcação oficial das APP em topo de morro, para impedir o licenciamento ambiental indevido nessas terras e, a deficiência estrutural do Estado, o que inviabiliza a efetiva fiscalização ambiental, são os principais fatores responsáveis para que a legislação não seja implementada eficientemente (RIBEIRO et al., 2005), visto que, a legislação ambiental brasileira é rigorosa, porém não é conhecida e tampouco praticada pela população. O desconhecimento da importância, paralelo ao sentimento de impunidade, aliado a carência de fiscalização, contribuem para o uso impróprio destas terras e com consequente devastação das mesmas, que na grande maioria das vezes se deve a expansão das atividades agropastoris. Nessa perspectiva, o Geoprocessamento tem sido apresentado como opção na realização de tarefas que necessitam do monitoramento e mapeamento dos recursos naturais, devido principalmente ao seu relativo baixo custo e eficiência nos resultados apresentados, visto ainda que em um país de dimensões continentais como o Brasil, existe ainda carência de informações adequadas para a tomada de decisões sobre problemas urbanos, rurais e ambientais (CAMARA et al., 2001). Hoot et al. (2005) e Nascimento et al. (2005), acreditam que a delimitação da APP por meio de métodos analógicos, incluindo a interpretação visual, é subjetiva, pois os critérios de delimitação com base na topografia exigem o envolvimento de pessoas especializadas e de informações detalhadas da unidade espacial em análise, estando condicionada à experiência do analista sendo passível de contestação, uma vez que o monitoramento das APP tem sido um grande desafio sob o aspecto técnico e econômico. MATERIAL E MÉTODOS: A sub-bacia do Rio Canoas está situada na mesorregião norte do Estado de Minas Gerais, localizado entre as coordenadas '' W e 43 44'00'' W e, 16 39'00'' S e 16 32'00'' S, Figura 1, como uma área aproximada de 95,67 km². A área de estudo apresenta características físicas e socioeconômicas semelhantes ao Nordeste Brasileiro. A sua vegetação varia entre o cerrado e a caatinga, com clima tropical, alternando do semiúmido para o semiárido, o que explica a irregularidade pluviométrica durante o período da seca (GUIMARÃES, 2010).

2 Figura 1 - Localização da Área de Estudo. A base de dados foi construída em um SIG, o SPRING (Câmara et al.,1996), contendo os dados provenientes do Projeto TOPODATA, de onde obteve-se os dados das variáveis geomorfométricas da área de estudo, ou seja, os dados para a geração do Modelo Digital de Elevação (MDE). Esses dados foram importados para o software no sistema de coordenadas UTM, Datum SAD 69; utilizando-se como máscara de corte o perímetro da sub-bacia do Rio Canoas. A metodologia utilizada para a execução do mapeamento das APP foi baseada em fundamentos legais. Para tanto, para delimitação destas áreas no presente trabalho, foi considerado objeto de estudo as APP definidas pela Lei Federal nº 4.771, de 1965 que instituiu o Código Florestal Brasileiro e, a Resolução CONAMA nº 303, de 20 de março de Considerou-se três possibilidades para áreas passiveis de se extrair topo de morro, conforme (DEPRN, 2012), que destaca: a) Forma de relevo isolada. b) Forma de relevo que faz parte de um divisor d águas ou linha de cumeada. c) Forma de relevo que faz parte de um conjunto de morros e montanhas cujos cumes estão separados entre si por distâncias inferiores a 500 m. Diante das condições supracitadas, foi considerado a base de um morro ou montanha a cota de depressão mais próxima ao seu cume da qual pode se apresentar numa planície, denominada por Cortizo (2007), de ponto de sela, ver na figura que se segue (Figura 2). Figura 2 - Representação ponto de sela. (a) Isolinhas com equidistância de 10 m criadas a partir da grade altimétrica (b) Forma geométrica típica de um ponto de sela (c) Perfil mostrando a variação altimétrica na direção AA.

3 No processamento dos dados foram extraídas a partir da hipsometria, as curvas de nível com equidistância de 10 metros, a grade altimétrica e a grade de declividade. Delimitou-se as APP de topo de morro seguindo os seguintes critérios: Seleção das áreas em que a relação topo e base do morro apresente uma diferença de altura entre cinquenta e trezentos metros; e encostas com declividade superior a 30% (aproximadamente 17 ) na linha de maior declividade. Como subsidio para estas interpretações utilizou-se: grade altimétrica, curvas de nível e mapa de declividade, além da rede de drenagem, sendo os dois últimos gerados através do fatiamento dos mesmos. Criou-se um plano de informações no para cada item dessa interpretação, além de outro plano de informações, para receber os polígonos gerados pela ferramenta de extração de topo de morros do SPRING (Câmara et al.,1996). Utilizou-se da ferramenta extração de topo de morro do SPRING (Câmara et al.,1996) para a delimitação do 1/3 superior dos topos de morros, área esta a ser considerada como APP em topo de morro. As áreas das APP delimitadas na região de estudo foram calculadas utilizando as ferramentas métricas do software SPRING (Câmara et al.,1996). Os mapas foram gerados por meio do aplicativo SCARTA. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A sub-bacia do Rio Canoas estende-se por uma área de 95,67 km², os resultados mostraram que desta área total, 3,45 km² são APP em áreas de topo de morro, correspondendo a 3,61 % da área total do estudo. Dentre os critérios definidos pela legislação para classificação de topo de morro, as possíveis APP passiveis de serem delimitadas na área de estudo são caracterizadas como topo de morro em forma de relevo isolada, uma vez que não foram verificadas situações de linhas de cumeada ou agrupamento de cumes. Aplicando a metodologia proposta, delimitou-se as APP em Topo de Morro, Figura3, identificando-se um total de 12 (doze) áreas em condições de serem classificadas como topo de morro na sub-bacia do Rio Canoas. Markus (2003), que também utilizou metodologia semelhante, mensurou um total de 9 (nove) topos de morro em trabalho realizado, ressaltando que a metodologia desenvolvida em seu trabalho é de execução simples, e mesmo sem o apoio de um software como o ArcGIS, é possível executar todo o trabalho no SPRING (Câmara et al.,1996). Figura 3 - Áreas de preservação permanente em topos de morros situadas na sub-bacia do Rio Canoas. A seguir, na Figura 4, são apresentadas todas as APP em topo de morro na área de estudo, bem como os elementos avaliados para a delimitação das mesmas.

4 Figura 4 - Destaque para as 12 (doze) áreas de preservação permanente em topos de morros situadas na sub-bacia do Rio Canoas. CONCLUSÃO: Os resultados mostraram que a sub-bacia do Rio Canoas apresentou 3,45 km² de APP em áreas de topo de morro. Verificou-se que os dados do Projeto TOPODATA, provenientes da missão SRTM, mostraram-se eficiente fonte de dados para geração de MDE. Os resultados obtidos pelas ferramentas disponíveis no SPRING (Câmara et al.,1996), para a delimitação de topo de morro em APP foram satisfatórios, ressaltando que essa operação envolve aspectos interpretativos da legislação que dependem de situações localizadas. AGRADECIMENTOS: Os autores agradecem ao Núcleo Interinstitucional de Estudos Ambientais do Norte de Minas (NIEA - NM) e a Fundação Santo Agostinho. REFERÊNCIAS: BRASIL. Código Florestal Brasileiro. Lei Federal n Diário Oficial da União, Brasília, DF, 16 de set CÂMARA, G. SOUZA, R. C. M.; FREITAS, U. M.; GARRIDO, J. SPRING: Integrating remote sensing and GIS by object-oriented data modelling. Computers & Graphics, New York, v. 20, n. 3, p , may/jun., CÂMARA, G.; MONTEIRO, A. M.; DAVIS, C. Introdução à Ciência da Geoinformação. São José dos Campos: INPE, CONAMA (Brasília, DF) Resolução Nº 303, de 20 de março de Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 13 de maio de CORTIZO, Sergio. Artigo: Topo de Morro na Resolução CONAMA nº de Agosto de Disponível em: < Acesso em 25 jul DEPARTAMENTO ESTADUAL DE PROTEÇÃO DE RECURSOS NATURAIS (DEPRN). PROCEDIMENTO DEPRN - Delimitação de APP de Topo de Morro e Montanha e de Linha de Cumeada. SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE/SP. COORDENADORIA DE

5 LICENCIAMENTO AMBIENTAL E PROTEÇÃO DE RECURSOS NATURAIS. Disponível em:< P.pdf >. Acesso em 20 jul GUIMARÃES, M. A. A.; ALVES, C. H. S. Considerações Acerca da Estrutura Urbana das Pequenas Cidades do Norte de Minas Gerais. I Colóquio Cidade e Região: Dinâmica do Espaços Urbanos e Rurais. Montes Claros - MG, HOTT, M. C.; Guimarães, M.; Miranda, E. E. de. Um método para a determinação automática de áreas de preservação permanente em topos de morros para o Estado de São Paulo. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO (SBSR), 12., Goiânia. Anais... São José dos Campos: INPE, p MARKUS, Marília. Avaliação das Áreas de Preservação Permanente na microbacia do Ribeirão da Casa Branca - Brumadinho MG. Belo Horizonte, viii. 33 f, il. Monografia (Especialização) Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Geociências, NASCIMENTO, M.C et. al. Uso do geoprocessamento na identificação de conflito de uso da terra em áreas de preservação permanente Bacia Hidrográfica do Rio Alegre, Espírito Santo. Ciência Florestal, Santa Maria. V.15, nº.2, p , RIBEIRO, C. A. A. S et. al.. O desafio da delimitação de áreas de preservação permanente. Rev. Árvore, Viçosa, v. 29, n. 2, p , VALERIANO, M. M. ; ALBUQUERQUE, P. C. G.. Topodata: processamento dos dados SRTM. São José dos Campos, SP: INPE: Coordenação de Ensino, Documentação e Programas Especiais (INPE RPQ/854). 79p., 2010.

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