Sistema de Administração da Produção

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1 Sistema de Administração da Produção (Extraído do livro Planejamento, Programação e Controle da Produção Enrique Correa e Irineu Gianesi e Mauro Caon Ed Atlas, 2001) 1. Definição São sistemas de Informação para apoio à tomada de decisões táticas e operacionais, referentes às seguintes questões lógicas básicas: a) O que produzir e comprar; b) Quanto produzir e comprar; c) Quando produzir e comprar; d) Com que recursos produzir. Para que sejam atingidos os objetivos estratégicos da organização. 2. Técnicas e Lógicas utilizadas: a) Sistema MRPII/ERP: Cálculo de necessidades de recursos frente às necessidades futuras; b) Sistema just in time: Técnica japonesa; c) Sistema de programação da produção: Técnicas de simulação em computador; 3. Importância estratégica do SI de Administração da Produção Devem fornecer ao gestor: a) Meios de planejar necessidades futuras de capacidade produtiva (Decisões hoje para inércias futuras); b) Meios de planejar materiais comprados (Ver Exemplo de um carro); c) Planejar estoques e produtos acabados (evitar o estoque zero); d) Programar atividades de produção (prioridades de máquinas ociosas qual o critério?); e) Saber a situação corrente dos recursos (atualização constante dos indicadores); f) Saber cumprir prazos aos clientes (pedidos com prazos iniciais, acompanhamento); g) Conseguir reagir eficazmente (o que fazer quando algo não ocorre como o planejado?) 4. Produção e Competitividade Capacidade de superar as concorrências naqueles aspectos de desempenho que os nichos de mercado visados mais valorizam. 5. Aspectos de desempenho que podem influenciar a escolha do cliente: Veja alguns aspectos: 1

2 A. Custo percebido pelo cliente: Não é só o preço, mas todo o gasto envolvido. Conceito de Global Sourcing (buscar fornecedores com menor preço); B. Velocidade de Entrega: Tempo de chegada (visão do cliente). Fornecedores com menor tempo de antecedência para a colocação de pedidos C. Confiabilidade de Entrega: Capacidade do fornecedor em cumprir os prazos de entrega (Pontualidade, Quantidade e Qualidade); D. Flexibilidade das Saídas: Mede a capacidade do Sistema produtivo em mudar o que faz (mudar muito ou mudar rapidamente/facilmente); E. Qualidade dos Produtos: Produtos livres de defeitos, em conformidade às especificações. É necessário, mas não suficiente; F. Serviços prestados ao Cliente: Componentes oferecidos aos clientes que não são bens físicos (informação técnica, garantia de qualidade, assistência técnica, montagem, etc). 6. Planejamento Definição 01: Planejar é entender como a consideração conjunta da situação presente e da visão de futuro influencia as decisões tomadas no presente para que se atinjam determinados objetivos no futuro. Definição 02: Planejar é projetar um futuro que é diferente do passado, por causas sobre as quais se tem controle. Observações importantes: a) Um bom processo de planejamento depende de uma visão adequada do futuro; b) É necessário o conhecimento fiel sobre a situação presente; c) Modelo lógico que traduza a situação presente; d) É necessário que os objetivos a serem atingidos estejam bem claros. 7. Dinâmica do Processo de Planejamento O processo de planejamento deve ser contínuo (situação presente, visão futura, objetivos pretendidos e a relação entre estes elementos nas decisões presentes). Os seguintes passos devem ser estabelecidos: a) Levantamento da situação presente: foto da situação presente das atividades e dos recursos; b) Desenvolvimento da visão de futuro: Considerar visão de futuro para influenciar decisões; c) Presente e visão futura em informações decisórias: Transformação dos dados em informações para tomada de decisões; d) Tomada de decisões: O que, quando, quanto e com que recursos produzir; e) Execução do Plano (Volta-se ao passo 1 se necessário): 2

3 Hoje Horizonte de Planejamento Estado Atual DECISÃO Amanhã Previsões Horizonte de Planejamento Tempo Estado Atual Replanej. DECISÃO Previsões Tempo Tempo Horizonte de Planejamento: O tamanho do tempo sobre o qual se tenha interesse em desenvolver uma visão. O horizonte ideal é o ponto no futuro que deixe de ter influencia relevante nas decisões tomadas no presente. 8. Período de Replanejamento Intervalo de tempo que decorre entre dois pontos em que se disparem processos de replanejamento. Isso é feito para que a realidade não desgarre muito em relação ao último plano. O período de replanejamento depende diretamente do nível de dinâmica ambiental da situação em análise. O Período de Replanejamento pode ser dividido em: a) Curto: Ambientes dinâmicos: Replanejamentos diários ou semanais. (indústria têxtil) i. Lead times curtos; ii. Demanda instável; iii. Processo pouco confiável; iv. Fornecedores pouco confiáveis Ex: Indústria têxtil (Fábrica de meias): Eventos podem ocorrer com mais freqüência, requerendo assim, replanejamentos mais freqüentes. Ex: Estaleiro. b) Longo: Ambientes estáveis: Replanejamentos quinzenais ou mensais. (estaleiros) i. Lead times longos; ii. Demanda estável; iii. Processo confiável; iv. Fornecedores confiáveis. Obs: lead times: Tempo de processamento de um pedido, desde que colocado na empresa até o momento que é entregue ao cliente. O grande desafio é torná-lo ZERO. 3

4 9. Gestão de Estoques Um dos principais conceitos dentro do escopo dos Sistemas de Administração da Produção é o conceito de ESTOQUES. O ideal não é o Estoque Zero, mas o Estoque Mínimo necessário para suprir a necessidade estratégica da produção. Conceito de Estoques: Estoques são todos os bens e materiais mantidos por uma organização para suprir demandas futuras. Pode ser entendido também como Acúmulo de recursos materiais entre fases específicas de processos de transformação. Esses acúmulos proporcionam independência às fases dos processos de transformação entre as quais se encontram. Quanto maior o estoque entre duas fases de transformação, maior o nível de independência entre elas. A interrupção de uma não acarreta na interrupção da outra. A função dos estoques reguladores é Regular taxas diferentes de suprimento e consumo de determinado item. Ex: Chuva -> represa -> Cidade O Controle ou Gestão de Estoques compreende todas as atividades, procedimentos e técnicas que permitem a qualidade correta, no tempo correto, de cada item do estoque ao longo da cadeia produtiva: dentro e fora das organizações. Tipos de Estoques Os Estoques podem ser encontrados na forma de: Estoques de Matéria-Prima; Para regular diferentes taxas de suprimento pelo fornecedor e demanda pelo processo de transformação. As taxas diferentes ocorrem por vários motivos: fornecedor pouco confiável; taxa de consumo do processo pode se elevar inesperadamente, etc. Estoque de Produto em Processo (em elaboração/produção); Para regular possíveis diferentes taxas de produção entre dois equipamentos subseqüentes, seja porque os equipamentos tenham velocidades diferentes, seja porque um deles tenha quebrado. Estoque de Produtos Acabados; Para regular diferentes taxas de produção do processo produtivo (suprimento) e de demanda do mercado. Essas diferenças podem decorrer de decisões gerenciais ou por ocorrências inesperadas (incertezas do processo ou da demanda: equipamento quebrado numa demanda alta). Quais as razões para o surgimento dos estoques? i. Incerteza de previsões de suprimento e/ou demanda; Em casos em que as taxas futuras de consumo ou suprimento não são previsíveis, temos a situação de incertezas. Significa que elas não são tão previsíveis 4

5 quanto as inércias de decisão (tempo entre a decisão e seus efeitos reais) demandariam. Ex: Falta de entrega inesperada de determinado fornecedor. ii. Impossível coordenar suprimento e demanda; Pode ser impossível coordenar as fases de um processo de transformação industrial. Veja o exemplo da chuva-represa-cidade: É impossível alterar as curvas de chuva de forma que elas ocorressem, regularmente em uma quantidade equivalente ao consumo da cidade. É inviável alterar a curva de consumo da cidade para que se conformasse com as curvas de chuva, já que os moradores teriam que usar a água na proporção da ocorrência de chuvas (tomar vários banhos por dia, quando chovesse muito ou deixar o carro sujo em épocas de pouca chuva). iii. Especulação Intenção de criar valor e correspondente realização de lucro. Isto se dá através da especulação com a compra e venda de materiais. Às vezes as empresas se antecipam a ocorrência de escassez de oferta de determinado item e compra quantidades além do necessário para o seu consumo enquanto os preços ainda estão baixos. Quando vem a escassez e alta dos preços, a empresa consegue se suprir e ainda vender para outras por preços maiores, obtendo lucro. Sistemas de Gerenciamento de Estoques A forma de determinação do momento de resuprimento e a quantidade a ser ressuprida são o que diferencia os diversos sistemas de gestão de estoques disponíveis. Os Sistemas básicos utilizados na Administração de Estoques são: i. FMS (Flexible Manufacturing System Sistema de Fábrica Flexível) Nesse sistema, os computadores comandam as operações das máquinas de produção e, inclusive, comandam a troca de ferramentas das operações de manuseio de materiais, ferramentas, acessórios e estoques. Pode-se incluir no software módulos de monitoração do controle estatístico da qualidade. Normalmente, é aplicado em fábricas com grande diversidade de peças de produtos finais montados em lotes. Podemos destacar, entre as vantagens do FMS, as seguintes: Permite maior produtividade das máquinas, que passam a ter utilização de 80% a 90% do tempo disponível; Possibilita maior atenção aos consumidores em função da flexibilidade proporcionada; Diminui os tempos de fabricação; Em função do aumento da flexibilidade, permite aumentar a variedade dos produtos ofertados. 5

6 ii. OPT (Optimezed Production Tecnology) O sistema OPT foi desenvolvido com uma abordagem diferente dos sistemas anteriores, enfatizando a racionalidade do fluxo de materiais pelos diversos postos de trabalho de uma fábrica; os pressupostos básicos do OPT foram originados por formulações matemáticas. Nesse sistema, as ordens de fabricação são vistas como tendo de passar por filas de espera de atendimento nos diversos postos de trabalho na fábrica. O conjunto de postos de trabalho forma então, uma rede de filas de espera. O sistema OPT usa um conjunto de coeficientes gerenciais para ajudar a determinar o lote ótimo para cada componente ou submontagem a ser processado em cada posto de trabalho. Muita ênfase é dedicada aos pontos de gargalo da produção. iii. MRP (Material Requirement Planing) O MRP é um sistema completo para emitir ordens de fabricação, de compras, controlar estoques e administrar a carteira de pedidos dos clientes. Opera em base semanal, impondo, com isso, uma previsão de vendas no mesmo prazo, de modo a permitir a geração de novas ordens de produção para a fábrica. O sistema pode operar com diversas fórmulas para cálculo dos lotes de compras, fabricação e montagem, operando ainda com diversos estoques de material em processo, como estoque de matérias-primas, partes, submontagens e produtos acabados. A maior vantagem do MRP consiste em utilizar programas de computadores complexos, levando-se em consideração todos os fatores relevantes para conseguir o melhor cumprimento de prazos de entrega, com estoques baixos, mesmo que a fábrica tenha muitos produtos em quantidade, de uma semana para outra. Um ponto fundamental para o correto funcionamento do sistema é a rigorosa disciplina a ser observada pelos funcionários que interagem com o sistema MRP, em relação à informação de dados para computador. Sem essa disciplina, a memória do MRP acumulará erros nos saldos em estoques e nas quantidades necessárias. Considerações Finais sobre a Gestão de Estoques Os estoques representam um dos ativos importantes do capital circulante e da posição financeira da companhia. A sua correta determinação no período (mês, trimestre, semestre ou ano) é essencial para apuração do resultado. A conferência tem por objetivo assegurar-se de que os estoques contábeis existem fisicamente. O sucesso de uma boa gestão de estoques dependerá do apoio da alta gestão da empresa, da redução no número de itens comercializados, em ajustes nos lead-time de fornecedores e na utilização de ferramentas e conceitos para a gestão. O gerenciamento dos estoques nas empresas é fundamental para a diminuição dos custos. Estoques elevados e precariamente administrados são fatores que oneram o preço final dos produtos, bem como uma aplicação indevida do capital de giro das empresas. A competitividade das empresas no mundo globalizado exige uma correta manutenção desse ativo, sendo fundamental manter apenas as quantidades necessárias para a produção. A correta gestão de estoques na cadeia de suprimentos não pode ser efetuada isoladamente, algumas medidas de controle de produção podem ser implementadas pela empresa. 6

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