EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA ULBRA TERCEIRA IDADE ULBRATI CAMPUS GUAÍBA.

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1 396 EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA ULBRA TERCEIRA IDADE ULBRATI CAMPUS GUAÍBA. RESUMO *Luciano Leal Loureiro **Jéssica Finger O presente texto busca explicar o projeto ULBRATI, mais especificamente o que diz respeito às atividades recreativas de ginástica e dança que são desenvolvidas pelo professor Luciano Leal Loureiro, responsável pela ginástica e a aluna Jéssica Finger, que desenvolve as atividades de dança. Os objetivos que as atividades desenvolvidas pelos professores do curso de Educação Física busca atingir, vão além do corpo físico, procurando desenvolver atividades corporais que tragam um momento de prazer para o grupo ULBRATI. Para apresentar o projeto, devemos ter uma visão ampliada do que é o envelhecimento, passando pelo envelhecimento populacional, cronológico e psicológico, apresentando as perdas relacionadas com a idade, e os benefícios que as práticas recreativas e de ginástica e dança podem trazer para este grupo. No futuro, pretendemos dar continuidade ao trabalho realizado, proporcionando aos participantes um momento de integração e realização, fazendo com que as práticas corporais sejam um meio de tornar a qualidade de vida destas pessoas algo real. PALAVRAS CHAVE: Terceira Idade, Saúde e qualidade de vida. INTRODUÇÃO O trabalho como grupo ULBRATI (Ulbra Terceira Idade) visa atingir o público da terceira idade do Município de Guaíba. Ele vem sendo desenvolvido desde o segundo semestre de 2006, com importante participação do curso de Educação Física no desenvolvimento das atividades, que incluem a dança, recreação e a ginástica. O grupo ULBRATI é um grupo de convivência, que tem em seus encontros palestras sobre assuntos diversos, realização de passeios, organização de almoços, participação em eventos do município como a feira do livro, multi-feira, semana farroupilha, e possui também outro fator fundamental, que é o caráter devocional da instituição, que é feito sempre com o capelão da instituição Marcelo Muller, que sempre abre as atividades com um ato devocional. * Acadêmico do curso de Educação Física da Universidade Luterana do Brasil. **Docente do curso de Educação Física da Universidade Luterana do Brasil e orientador deste trabalho.

2 397 Cabe ao curso de Educação Física desenvolver atividades de recreação, dança e exercícios físicos, além de algumas palestras sobre assuntos relacionados à saúde e qualidade de vida e a importância dos exercícios físicos para a saúde das pessoas que praticam. Ele justifica-se pela importância e necessidade de se reforçar o trabalho que vem sendo realizado desde 2006/2, com atividades físicas para terceira idade, de maneira recreativa, através de esportes e de exercícios de ginástica, que são de fundamental importância, pois trazem benefícios significativos para seus praticantes. Desta forma, podemos destacar o ULBRATI, como sendo uma atividade de cunho social, que apresenta como objetivo principal: resgatar a auto-estima e bem estar dos participantes, através de atividades corporais que oportunizem a redescoberta do corpo e o contato social prazeroso. DESENVOLVIMENTO Para compreendermos melhor a importância deste tipo de atividade de extensão, devemos ter um entendimento amplo sobre o grupo com o qual estamos trabalhando, pois a terceira idade é um fenômeno mundial, e o Brasil vem acompanhando este crescimento da população de idosos. São inúmeros os fatores que levam ao aumento do número de idosos, entre estes fatores podemos destacar a diminuição das taxas de natalidade e mortalidade infantil, as melhorias no tratamento das doenças infecciosas e condições de saneamento básico e o acesso aos serviços de saúde para uma quantidade maior de indivíduos (MOREIRA, 2001). Sendo assim, tendo em vista os fatores anteriormente descritos, (CARVALHO, 1999, p. 95) destaca que se observa o aumento significativo da esperança média de vida, que é acompanhando pela redução progressiva das taxas de natalidade, itens que têm se traduzido no envelhecimento populacional. Outro fator a ser salientado é a preocupação que se tem hoje em relação à saúde e à qualidade de vida, estas preocupações levam o idoso a ficar cada vez mais

3 398 informado sobre aspectos que podem trazer benefícios para que tenham uma vida mais saudável. Hoje podemos afirmar que o envelhecimento populacional é uma tendência mundial, não apenas dos países desenvolvidos, mas é também um fenômeno que ocorre em países em desenvolvimento como o Brasil. Países do Velho Continente apresentam dados como, por exemplo, que a Europa sempre teve maior fluxo de sujeitos idosos em relação aos outros continentes, onde a expectativa de vida é de 77 anos. O número de indivíduos com mais de 60 anos em países como a Itália, é maior do que os de jovens com menos de 20 anos, fenômeno observado na Grécia, na Espanha, e na aldeia de Alfer, próximo a Berlim, onde não vive uma única criança, e o casal mais jovem está comemorando Bodas de Prata (GUEDES, 2001). Estes aspectos do envelhecimento, não são mais exclusividade apenas dos países da Europa e da Ásia, como a China, que apresenta um número muito grande de idosos (GUERRA, 2002), o Brasil, é também um país no qual o envelhecimento da população é um fato. E, ao contrário do que ocorre na Europa, o crescimento da população de idosos no Brasil ocorreu de maneira muito rápida. Considerando-se este aspecto (GUEDES, 2001), destaca que o envelhecimento da população brasileira impressiona pela rapidez com que tem ocorrido. Poucos países do Mundo apresentam índices iguais ou superiores, entretanto, nos países desenvolvidos a população envelheceu lentamente durante todo o século (p. 139). O aumento no número de pessoas com mais de 60 anos no Brasil vai fazer com que o país se torne o sexto mais envelhecido no Mundo em 2025 (ESTEVES, 1998), o que é um dado significativo para um país em desenvolvimento e que até o ano de 2020, um em cada três brasileiros será idoso e até o ano de 2025 o Brasil vai ter em torno de 34 milhões de idosos (IBGE, PNDA 1999). Para que possamos ter uma melhor compreensão, devemos conhecer os tipos e conceitos de envelhecimento. Na compreensão do envelhecimento cronológico (MOREIRA, 2001), caracteriza como sendo a idade baseada em uma escala numérica,

4 399 levando em consideração a idade calendário, que é baseada na data de nascimento, isto é, dia mês e ano. Assim, presume-se, neste conceito uma idade constante na certidão de nascimento que não pode ser negada ou alterada. Então, a idade cronológica é o número de anos que se vive a partir do dia em que se nasce. Desta forma, de acordo com a Classificação Etária do Desenvolvimento proposta por (GALLAHUE, 2001), a idade Terciária inicia-se a partir dos 60 ou mais anos, e é dividida em início da terceira idade, dos 60 aos 70 anos; período intermediário da terceira idade, dos 70 aos 80 anos e senilidade, a partir dos 80 anos ou mais. Assim, a idade cronológica fornece uma estimativa aproximada, que pode ser determinada por outras formas dentre as quais destacam-se o conceito biológico, as modificações fisiológicas, os músculos e as articulações. (GALLAHUE, 2001). Outro tipo de idade é a idade biológica, (MOREIRA, 2001), entende como conceito biológico a idade que o organismo demonstra tomando como referência a condição biológica de órgãos e tecidos, outras idades são efetuadas para a determinação da idade biológica, entre elas encontramos as idades menta, óssea, morfológica, neurológica, sexual e dental. (p. 25). Carvalho Filho e Papaleo Neto (2000, p. 1), destacam que de fato, o envelhecimento pode ser como um processo dinâmico e progressivo onde há modificações tanto morfológicas, como funcionais, bioquímicas e psicológicas que determinam progressiva perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos [...]. A idade biológica de um indivíduo registra o índice de seu progresso em direção a maturidade, ela corresponde aproximadamente à idade cronológica e pode ser determinada. Ao analisarmos o envelhecimento populacional e cronológico, no mundo e no Brasil, podemos observar que este fenômeno é algo que já está acontecendo. Desta forma, os profissionais da saúde, área na qual podemos incluir os professores de

5 400 Educação Física, devem ter uma atenção muito especial para com este público, pois eles apresentam características muito individuais. Sofrem com várias perdas como diminuição de suas capacidades físicas, motoras, psicológicas, o que pode trazer prejuízos importantes para este grupo. Além da importância dos aspectos físicos e motores do envelhecimento, podemos destacar as perdas relacionadas a estas pessoas, perdas com a aposentadoria, parentes próximos que venham a falecer, entre outros. O convívio com o grupo que pratica atividades físicas, uma caminhada ao ar livre, entre outros pode ajudar a amenizar estas perdas, e tornar a vida do idoso mais interessante. Os idosos normalmente estão aposentados, passaram por diversas perdas, e têm uma forte tendência a ficarem deprimidos. (MOREIRA, 2001), relata que aspectos psicológicos e sociais desempenham um papel importante nesta fase da vida, destaca que um convívio saudável com grupos de familiares e amigos retarda o envelhecimento além de evitar os quadros depressivos tão comuns na terceira idade (p. 94). Durante esta fase da vida outras mudanças devem ser observadas, pois podem afetar o aspecto psicossocial do idoso, entre elas estão as diminuições da visão, da audição, da força e da precisão manual, da robustez da flexibilidade, da rapidez na execução de tarefas, da memória, da imaginação e da criatividade, da adaptação, da atenção, da energia, da iniciativa e da sociabilidade (CARVALHO FILHO ; PAPALEO NETTO, 2000). Idosos que participam de grupos de convivência, e que costumam praticar atividades físicas regulares nestes grupos referem sentirem-se mais felizes, com melhorias nas dores articulares, depressão, angústia, no controle da pressão arterial. Os participantes parecem mais alegres e comunicativos com a atividade física: seus relacionamentos familiares são relatados como mais tolerantes e afetuosos (AZAMBUJA, 2002). Desta maneira, é muito importante para uma boa manutenção da saúde mental, que o ser humano, de uma maneira geral, e em especial o idoso tenha uma vida ativa

6 401 tanto física quanto afetiva e mental, para que se possa ter um envelhecimento bem sucedido. Com o passar dos anos temos uma série de perdas relacionadas à idade, e existe um mito, que algumas destas perdas são irreversíveis. Alguns estudos apontam que a prática de atividades físicas ou de exercícios de força pode modificar de forma significativa este quadro de degeneração que é relacionado à idade, e que na verdade estaria diretamente ligado ao sedentarismo e a falta de exercícios físicos de forma regular (FOSS E KETEYIAN, 2000). Estudos de Kemmler et. al. (2002), constataram que através do treinamento físico contínuo após 14 meses, houve aumento significativo na força isométrica e dinâmica, aumento na capacidade aeróbica, redução na perda da densidade mineral óssea, diminuição das dores, melhora da circulação sanguínea, diminuição do risco cardíaco, redução aguda da glicemia, e aumento da sensibilidade a insulina. Através destes resultados podemos afirmar que estes são indicativos fiéis que a prática de exercícios físicos regulares pode contribuir muito para a promoção da saúde e qualidade de vida do idoso. Moreira (2001), afirma que os problemas e as dificuldades geradas pelo envelhecimento não devem causar impedimentos, ao contrário, o sedentarismo está entre os fatores que põem em risco a saúde do individuo que propicia distúrbios e doenças irreversíveis. Barros e Ghorayeb (1999) analisando pessoas mais velhas observaram que a prática regular de atividades físicas é recomendada mesmo naqueles com doenças crônicas, pois proporciona um melhor desempenho. Então, a atividade física é importante tanto para quem quer evitar a doença e amenizar o processo de envelhecimento, quanto para quem está com algum problema de saúde e deseja melhorar este quadro. CONCLUSÃO Ao analisarmos os dados relatados nesta revisão de literatura, e ao compararmos com os relatos e com a satisfação de nossas alunas, pode-se verificar que

7 402 exercícios regulares, bem como o convívio social, são importantes meios para manter uma manutenção de um estado de saúde física e mental para pessoas com mais de 60 anos, pois contribui para a prevenção de doenças, dependência e solidão. Outro aspecto a ser salientado, é o aspecto espiritual, que podemos observar no devocional realizado pelo pastor Marcelo, e que também é citado como sendo de fundamental importância para a saúde da população em geral, o que não é diferente com os idosos. Desta forma, podemos considerar o grupo Ulbrati uma ferramenta saudável, que procura desenvolver aspectos da saúde física, social, mental e espiritual, sendo importante para a manutenção e aprimoramento da saúde destas pessoas. Temos a convicção da importância que esta atividade traz para a sociedade, mais especificamente para o grupo de terceira idade atingido. Desta forma, pretendemos para o futuro ampliar o projeto, colocando mais dias durante a semana, e promovendo além das práticas mencionadas, a prática de algumas modalidades esportivas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARREIROS, João. Percepção, ação e envelhecimento. IN: Guedes, Onacir Carneiro (org). Idoso, esporte e atividades físicas. João Pessoa: Idéia, BARROS, Turíbio e GHORAYEB, Nabil. O exercício: preparação fisiológica, avaliação médica, aspectos especiais e preventivos. São Paulo: Atheneu, BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), CARVALHO, Joana. Aspectos metodológicos no trabalho com idosos. IN: SEMINÁRIO A QUALIDADE DE VIDA NO IDOSO. O papel da actividade física, 1999, Porto. Acta do Seminário. Porto: Universidade do Porto, 1999.

8 403 CARVALHO FILHO, Eurico Thomas de, NETTO, Matheus Papaléo. Geriatria: fundamentos, clínica e terapêutica. São Paulo: Atheneu, FOSS, Merle L.; KETEYIAN, Fox Bases fisiológicas do exercício e do esporte. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, GALLAHUE, David L. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, GUEDES, Dartagnan Pinto; GUEDES, Joana Elisabete R. Exercício Físico na promoção da saúde. Londrina: Midiograf, GUEDES, Rosilene Maria de Lucrena. Motivação de idosos praticantes de atividades físicas. IN: Guedes, Onacir Carneiro (org). Idoso, esporte e atividades físicas. João Pessoa: Idéia, MOREIRA, Carlos Alberto. Atividade Física na Maturidade: avaliação e prescrição de exercícios. Rio de Janeiro: Shape, PAPALIA, Diane E.; OLDS, Sally W. Trad. Daniel Bueno. Desenvolvimento Humano. 7. ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

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