BIBLIOTECA ESCOLAR E O ATENDIMENTO A ALUNOS DEFICIENTES VISUAIS

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1 BIBLIOTECA ESCOLAR E O ATENDIMENTO A ALUNOS DEFICIENTES VISUAIS Ilane Coutinho Duarte Lima 1 Rosany Azeredo 2 RESUMO Objetivando ampliar as possibilidades de inclusão dos alunos deficientes visuais no ambiente escolar, elaborou-se este estudo visando analisar a relação da biblioteca escolar com os mesmos. Com esse estudo pretende-se coletar informações que poderão orientar à escola a implementar ações de modo que a biblioteca ofereça aos alunos com deficiência visual tratamento igualitário, porém com atendimento diferenciado em situações que favoreçam o seu desempenho escolar e a sua inclusão social. 1 CESAT Centro de Ensino Superior Anísio Teixeira Pós Graduação em Ciência da Informação Biblioteca Escolar 2 CESAT Centro de Ensino Superior Anísio Teixeira Pós Graduação em Ciência da Informação Biblioteca Escolar

2 1 INTRODUÇÃO A biblioteca escolar, espaço mediador entre o aluno e a informação, vem ultimamente sendo alvo de constantes debates sobre seus objetivos e funções dentro do ambiente educacional. O importante, nos parece, é disseminar e sedimentar entre todos os componentes dessa estrutura, a consciência de que a biblioteca pode se constituir num recurso básico para o cumprimento de diferentes propósitos de leitura, ensino, e pesquisa beneficiando, por isso mesmo, o processo ensino-aprendizado. Dentro deste contexto ela passa a existir como um órgão de ação dinamizadora, função para a qual deve sempre ser criada. Nesse sentido ações administrativas devem ser direcionadas as bibliotecas, no intuito a promover soluções cabíveis para que se reverta este quadro. Segundo Nery (1989, p. 11) Entre os diversos meios educativos, encontra-se a biblioteca, recurso indispensável para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizado e formação do educando. Pode-se afirmar que uma escola sem biblioteca é uma instituição incompleta, e uma biblioteca não orientada para o trabalho escolar dinâmico torna-se um instrumento estático e improdutivo dentro desse contexto. E para Macedo (2005, p. 192) A biblioteca escolar não pode ser entendida como apenas um lugar físico onde se encontram livros ou outros suportes de informação, chamados de meios passivos, mas algo mais atraente e aberto aos meios quentes de reconstrução de conhecimentos e lazer dirigido. 2 A BIBLIOTECA ESCOLAR Dessa forma, para que a biblioteca escolar possa ser parte do processo educativo, atingindo objetivos para o desenvolvimento dos atos de leitura, entre outros pontos, faz-se necessário que o bibliotecário escolar seja, antes de tudo, um leitor. É importante que ele possa avaliar os critérios e a natureza do trabalho educacional e de informação de maneira segura, tendo condições de selecionar e indicar informações que possam ser exploradas pelo professor em suas práticas de ensino. Citando Modesto (apud Macedo 2005, p.193) Complementando a questão da leitura como objetivo, ressalte-se o trabalho do bibliotecário, crescendo de importância diante da valorização de programas de leitura vindos do processo de ensino-aprendizagem, retrabalhando-os com atividades especiais para tal intento.

3 Nesse sentido, fica claro o objetivo da biblioteca escolar como espaço educacional. Todavia, para que tal objetivo logre êxito há necessidade de exaltar o seu papel e comprometimento, como parte do processo pedagógico. No Manifesto UNESCO/IFLA para Biblioteca Escolar (Macedo, 2005, p. 425) A biblioteca escolar promove serviços de apoio à aprendizagem e livros aos membros da comunidade escolar, oferecendo-lhes a possibilidade de se tornarem pensadores críticos e efetivos usuários da informação, em todos os formatos e meios. A biblioteca escolar deve objetivar um ambiente que favoreça a formação e desenvolvimento de hábitos de leitura e pesquisa, colaborando no processo educativo, oferecendo aos professores e alunos condições de constante atualização de conhecimento, em todas as áreas do saber. Dentro deste contexto o Manifesto UNESCO/IFLA para Biblioteca Escolar (Macedo, 2005, p. 426) Os serviços das bibliotecas escolares devem ser oferecidos igualmente a todos os membros da comunidade escolar, a despeito de idade, raça, sexo, religião, nacionalidade, língua e status profissional. Serviços e materiais específicos devem ser disponibilizados a pessoas não aptas ao uso dos materiais comuns da biblioteca. Sendo nosso objeto de pesquisa os deficientes visuais, a Organização das Nações Unidas, em texto referente à Declaração dos Direitos do Deficiente afirma que deficiente é toda pessoa em estado de incapacidade de prover por si mesma, no todo ou em parte, as necessidades de uma vida pessoal ou social normal, em conseqüência de uma deficiência congênita ou não, de suas faculdades físicas ou mentais. Miranda (2006, p. 23) nos informa que: De fato, as alternativas direcionadas ao deficiente visual, indicam que, na Biblioteca, ele poderá ter um convívio que irá auxiliá-lo a desenvolver seus próprios recursos de integração social. Tais alternativas indicam também, que a condição necessária de sua realização é a aceitação do indivíduo cego, dentro de suas limitações. Além disso, a Biblioteca e os bibliotecários deverão estar preparados para satisfazer as exigências de um trabalho que leve em conta estratégias de atendimento e quebra de paradigmas compatíveis com as necessidades específicas de leitura, aprendizagem e do convívio que um deficiente traz consigo. Nada proíbe o deficiente físico de se integrar ao sistema social, incluindo sua possibilidade de freqüência regular às escolas e bibliotecas. O processo de inclusão deste aluno a este meio vem sendo muito discutido ultimamente. As escolas de educação especial reabilitam o deficiente, mostrando formas de acesso à informação. Possuem, igualmente, salas equipadas com recursos para que estes aprendam a viver em sociedade.

4 Fernandes (1999, p.5) salienta que, Um dos princípios fundamentais das escolas inclusivas é de que todos os alunos possam aprender juntos, devendo se adaptar aos diferentes estilos de aprendizagem, necessitando então de currículos adequados e de estratégias pedagógicas de cooperação entre comunidades. Não basta incluir o aluno, mas as raras iniciativas para sua integração configuram-se, na maioria dos casos, como soluções paternalistas, medidas assistencialistas, retirando do indivíduo o seu direito de conviver em igualdade de condições com os outros. Na literatura, as abordagens sobre a pessoa deficiente visual tratam das dificuldades de convivência dessa pessoa em sociedade. Como ressalta Borges (1996) [...]a formação da criança e do jovem cego é muito prejudicada por falta de acesso a recursos, tecnologia e cultura. Tais ausências criam barreiras para a integração do deficiente visual à sociedade[...]. A biblioteca escolar enquanto mediadora da aprendizagem, agente facilitador do processo educativo e espaço democrático onde sem discriminação crianças e jovens podem exercitar a construção coletiva do saber, precisa estar atenta ao atendimento especializado ao aluno com deficiência visual.

5 REFERÊNCIA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e documentação citações em documentos apresentação: NBR Rio de Janeiro, Informação e documentação referências elaboração: NBR Rio de Janeiro, BORGES, José Antônio.DOS VOX um novo acesso dos cegos à cultura e ao trabalho. Benjamin Constant, Rio de Janeiro, n.3, maio Disponível em : Acesso em: 20 maio FERNANDES, Edicléa Mascarenhas. Educação para todos: a urgência da adoção de um paradigma multidiciplinar nas políticas públicas de atenção a pessoas portadoras de deficiências. Benjamin Constant, Rio de Janeiro, v. 5, n. 14, p. 3-10, dez GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, MACEDO, Neusa Dias de. Biblioteca escolar brasileira em debate: da memória profissional a um fórum virtual. São Paulo : Senac, p. NERY, Alfredina; CAMPOS, Cláudia de Arruda; CARVALHO, Eva Lina de. Biblioteca escolar : estrutura e funcionamento. São Paulo : Loyola, p. SILVA, Chirley Cristiane Mineiro; TURATTO, Jaqueline; MACHADO, Lizete Helena. Os deficientes visuais e o acesso à informação. Disponível em : Acesso em : 09 de out SILVA, Theodoro da. Leitura na escola e na biblioteca. São Paulo : Campinas, p. SILVA, Waldeck Carneiro da. Miséria da biblioteca escolar. São Paulo : Cortez, p.

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