TEORES FOLIARES DE N, P E K EM MELANCIA FERTIRRIGADA COM DOSES DE NITROGÊNIO E FÓSFORO

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1 TEORES FOLIARES DE N, P E K EM MELANCIA FERTIRRIGADA COM DOSES DE NITROGÊNIO E FÓSFORO M. S. Souza 1 ; J. F. de Medeiros 2 ; S. W. P. Chaves 2 ; M. V. T. Silva 3 ; O. M. P. Silva 4 ; A. P. F. Santos 4 RESUMO - O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de doses de N e P 2 O 5 via água de irrigação na absorção de N, P e K pela cultura da melancia. O experimento foi realizado na Fazenda Santa Luzia, localizada no município de Baraúna RN ( S e W). O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, no esquema fatorial com o dezesseis tratamentos e três repetições. Os tratamentos consistiram na aplicação de quatro doses de N(0; 48;121; 218 kg ha -1 ) combinadas com doses de fósforo P 2 O 5 (0; 88; 220; 397kg ha -1 ). Em nenhum dos tratamentos foi encontrado deficiência de N, P e K nas folhas da melancia. As doses de N e P 2 O 5, bem como as suas interações proporcionaram efeito significativo sobre os teores dos macronutrientes nas folhas da melancia. PALAVRAS-CHAVES: Citrullus lanatus,análise foliar, macronutrientes. LEAF LEVELS OF N, P AND K IN WATERMELON FERTIRRIGACION WITH DOSES NITROGEN AND PHOSPHORUS ABSTRACT - The objetive of this work was to evaluate the effect of doses of N and P 2 O 5 through irrigation water on the absorption ofn, P and K by watermelon cultivation. The study was conducted at the farm Santa Luzia, in Mossoró, in the State of Rio Grande do Norte, Brazil ( S e W). The experimental design was completely randomized blocks with sixteen treatments and three repetitions. The treatments consisted in the application of four doses of N (0; 48;121; 218kg ha -1 ) combined with four doses of P 2 O 5 (0; 88; 220; 397 kg ha -1 ). No deficiency of N, P and Kin the watermelon leaves was found in any treatment. The doses of N and P 2 O 5, as well as the interaction provide significant effect on contents of macronutrients in the watermelon leaves. KEY WORDS: Citrullus lanatus,leaf analysis, macronutrients 1 Estudante Doutorado; Departamento de Ciências Ambientais e Tecnológicas; Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), BR 110 Km 47, Bairro Costa e Silva, Mossoró, RN, CEP fone (84) Pr0f. doutor, Dr. Departamento de Ciências Ambientais e Tecnológicas, UFERSA, Mossoró, RN. 3 Estudante graduação em Agronomia, UFERSA,Mossoró, RN 4 Estudante de Mestrado, UFERSA, Mossoró, RN

2 M. S. Souza et al. INTRODUÇÃO No Estado do Rio Grande do Norte, mas especificamente no pólo agrícola Assu - Mossoró, onde se encontra a maior área irrigada do Estado, nos últimos cinco anos a área cultivada com melancia tem aumentado significativamente principalmente da melancia híbrida, sem semente. Os híbridos não possuem a mesma necessidade nutricional que as cultivares de melancia mais antigas, que não eram hibridas. Assim, a nutrição dessas novas cultivares devem ser diferenciada e baseada em estudos com plantas e sistemas de cultivo específicos.porém, os produtores da região não possuem informações sobre as doses necessárias de adubos para alcançar o máximo rendimento da melancia e melhorar a qualidade dos frutos, principalmente em relação aos novos híbridos introduzidos na região, por isso esses produtores estão aplicando altas quantidades de fertilizantes, maiores que as necessárias para o rendimento máximo, aumentando dessa forma os custos de produção e os danos causados ao meio ambiente podendo tornar essa prática agrícola insustentável. A análise foliar é uma importante ferramenta para o bom desenvolvimento de um pacote nutricional; através dela, pode-se saber se determinado nutriente está sendo absorvido na quantidade necessária ou se está havendo deficiência ou toxicidade dele em situações não diagnosticadas visualmente (Malavolta et al., 1989). Na melancia, as faixas críticas mais utilizadas para os teores foliares são as propostas por Trani & Raij (1996), com variações em g kg -1 : N - 25,0 a 50,0; P 3,0 a 7,0; K - 25,0 a 40,0; Ca 25,0 a 50,0; Mg 2,0 a 12,0; S - 2, a 3,0; em mg kg -1 : B,0 a 80,0; Cu 10,0 a 15,0; Fe 50,0 a 0,0; Mn 50,0 a 200,0; Zn 20,0 a 60,0 e considerando a coleta da a quinta folha a partir da ponta, excluindo o tufo apical, da metade até 2/3 do ciclo da planta, em 15 plantas. Raij et al. (1997), Locascio (1996) e Malavolta et al. (1997) também fazem citações às faixas adequadas ou suficientes para a melancia. Assim, o objetivo do estudo foi ode verificar o efeito de adubações com doses crescentesde N e de P 2 O 5, via fertirrigação,nosteores de N, P e Kna cultura da melancia. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido na Fazenda Santa Luzia, distrito de Juremal, localizada no município de Baraúna - RN, nas coordenadas geográficas S e W, e altitude de 125 m em relação ao nível do mar.o solo da área experimental foi classificado como Cambissolo (Embrapa, 1999).O delineamento experimental utilizado foi em blocos inteiramente casualizados em arranjo fatorial com cultivo em faixas (4 x 4 x 2), resultando em 32 tratamentos, com 3 repetições, totalizando 96parcelas na área do experimento. Os tratamentos foram formados por quatro doses de nitrogênio N (0; 48;121; 218 kg ha -1 ) combinadas com quatro doses de fósforo P 2 O 5 (0; 88; 220; 397kg ha -1 ) com duas cultivares de melancia (Olímpia e Leopard). O fator principal em faixas, foi composto pelas doses de N e P 2 O 5. Para essas doses de fósforo, 59% desses valores foram aplicados em fundação antes do transplantio, e os 41% restantes via fertirrigação. As doses de nitrogênioforam totalmente aplicadas via fertirrigação. O sistema de irrigação utilizado no experimento foi por gotejamento.

3 M. S. Souza et al. Para a determinação dos teores de nutrientes foliares da cultivar Olímpia e Leopard, foi coletada a quinta folha completa (limbo + pecíolo), a partir da ponta da rama, excluindo o tufo apical (Trani & Raij 1996). As folhas foram coletadas em todas as plantas da parcela de todos os tratamentos, aos 38 DAT, período de floração/frutificação Os teores de N total foram determinados pelo método semimicro Kjeldahl (Malavolta et al., 1997). Os teores de P foram determinados pelo método do complexo fosfo-molíbdico em meio redutor, adaptado por Braga e Defelipo (1974). O K por fotometria de emissão de chama. Os resultados das variáveis obtidos foram submetidos à análise de variância e regressão realizadas com o auxílio do software SISVAR, cujas equações foram ajustadas em função das doses N e de P 2 O 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO Pela análise de variância, verificou-se efeito isolado de doses de N e P 2 O 5 nos teores foliares de P e interação N x P 2 O 5 para os teores foliares de N e K. A figura 1A expõe a relação entre os teores de fósforo nas folhas de melancia e as doses utilizadas de P 2 O 5. É possível observar um efeito depressivo no teor absorvido de fósforo pelas folhas, com a aplicação de P 2 O 5 até a dose de 200,0 kg ha -1,onde o teor na folha alcança o valor mínimo de 3,58 mg kg -1 de P. A partir daí, o teor de fósforo aumentou com o aumento das doses de P 2 O 5. Provavelmente,esse decréscimo no teor de P nas folhas ocorreu porque houve efeito de diluição da concentração de P na planta, em função do maior crescimento das plantasaté a dose 200,0 kg ha -1, de P 2 O 5 a partir dessa dose a produção de matéria seca diminui causando assim, um novo incremento na concentração de P nas folhas.petrilli (2007) trabalhando com doses de fósforo incorporado ao solo, em feijão, observou resultado semelhante. Já, as doses de N afetaram a concentração de P nas folhas de forma quadrática, onde a dose de 117,0 kg ha -1 de N proporcionou o máximo acúmulo de P nas folhas, 4,01 mg kg -1 (Figura 1B). Os teores de fósforo (Figura 1A e B), nas folhas de melancia, encontraram-se dentro da faixa adequada de 3,0 a 7,0g kg -1 (Trani & Raij 1996) e 2,0 a 6,0g kg -1 (Locascio, 1996). Desdobrando as doses de P 2 O 5 dentro das doses de N, observa-se na figura 2A, que a concentração de K nas folhas de melancia teve uma tendência adiminuir nas doses 0,0 e 218,0kg ha -1 de N alcançando um valor mínimo de 20,8 e 23,58 g kg -1 nas doses de 156,5 e 214,0 kg ha -1 de P 2 O 5, respectivamente. Para as outras doses de N, o teor de K nas folhas praticamente manteve-se constante, não respondendo a aplicação de P 2 O 5. No desdobramento das doses de N dentro das doses de P 2 O 5 (figura 2B), para a dose 220kg ha -1 de P 2 O 5 ocorreu efeito positivo da adubação nitrogenada até a dose 203kg ha -1 de N alcançando o valor máximo de 32,51 g kg -1 de K na folha, partir desse ponto ocorreu redução nos teores com o aumento das doses de nitrogênio.na dose 88kg ha -1 de P 2 O 5 ajustou-se um modelo cúbico onde tem-se um ponto de máxima e mínima concentração de K nas folhas nas doses 58 e 190 kg ha -1 de N, para as doses 0,0 e 396kg ha -1 de P 2 O 5 os teores foliares de K não responderam a adubação nitrogenada. Desdobrando as doses de P 2 O 5 dentro das doses de N, pode-se observar pela figura 3A que não houve uniformidade de resposta da aplicação das doses de N na concentração de nitrogênio detectada nas folhas. Para as dose 0,0 e 218kg ha -1 de N a concentração de nitrogênio nas folhas foi de 47,3 e 51,2 g kg -1 em média, respectivamente, sendo que nenhum modelo de regressão

4 M. S. Souza et al. ajustou-se aos dados, evidenciando que a adubação fosfatada não obteve resposta nos teores foliares de nitrogênio quando se aplicou essas doses de N. Já, na dose 48kg ha -1 de N ajustou-se um modelo quadrático, onde a máxima concentração de nitrogênio foi de 54,53 g kg -1 na dose 320kg ha -1 de P 2 O 5. Para a dose 121kg ha -1 de N ajustou-se ummodelo cúbico com um ponto de máxima e mínima concentração foliar de nitrogênio de 47,82 e 45,26 g kg -1 nas doses 250 e 98kg ha -1 de P 2 O 5, respectivamente. No desdobramento doses de N dentro das doses de P 2 O 5 (figura 3B), observa-se que para as doses 88 e 220kg ha -1 de P 2 O 5 ajustou-se modelos quadráticos. Pode-se observar um efeito depressivo no teor absorvido de nitrogênio pelas folhas, na dose 88kg ha -1 de P 2 O 5 com a aplicação de N até a dose de 100kg ha -1,onde o teor na folha alcança o valor mínimo de 45,44 mg kg -1 de N,a partir aí, o teor de nitrogênio foliar aumentou com o aumento das doses de N. Já para a dose 220kg ha -1 de P 2 O 5 a teor máximo de N nas folhas 53,44 mg kg -1 foi observado na dose 135 kg ha -1 de N. As doses 0,0 e 396kg ha -1 de P 2 O 5 não houve efeitoda adubação nitrogenada na concentração de nitrogênio nas folhas. Kikuti et al. (2006) verificou que os teores de N, P e K nas folhas de feijão foi influenciado pelas doses de N e somente os teores de K pelas doses de P, não havendo interação entre doses de N e P. Os teores de potássio (Figura 2A e B)e nitrogênio (Figura 3A e B)nas folhas de melancia, encontraram-se dentro da faixa adequada segundo Trani & Raij (1996)e Locascio(1996). CONCLUSÕES 1- Em nenhum dos tratamentos foi encontrado deficiência de N, P e K nas folhas da melancia. 2- As doses de N e P 2 O 5, bem como as suas interações proporcionaram efeito significativo sobre os teores N e K nas folhas da melancia, e apenas efeito isolado para o fósforo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS BRAGA, J. M.; DEFELIPO, B. V. Determinação espectofotométrica de fósforo em extratos de solos e planta. Revista Ceres, Viçosa, v.21, n.113, p.73-85, EMBRAPA-EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos. Manual de métodos de análise de solo. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema brasileiro de classificação de solos. Rio de Janeiro: CNPS, p. KIKUTI, H., ANDRADE, M.J.B., CARVALHO, J.G. MORAIS, A.R. Teores de macronutrientes na parte aérea do feijoeiro em função de doses de nitrogênio e fósforo. Bragantia, Campinas, v.65, n.2, p , 2006 LOCASCIO, S.J. Cucurbits: cucumber, muskmelon and watermelon. In: BENNETT, W. Nutrient deficiences & toxicitieis in crops plant. Minnesota: APS Press, p , MALAVOLTA, E., VITTI, G.C.; OLIVEIRA, S.A. Avaliação do estado nutricional de princípios e aplicações. Piracicaba: Potafos, p. plantas: MALAVOLTA, E., VITTI, G.C.; OLIVEIRA, S.A. Avaliação do estado nutricional de plantas: princípios e aplicações. Piracicaba: Potafos, p. MALAVOLTA, E. Manual de nutrição mineral de plantas. Ed. Ceres, São Paulo, 638p., 2006.

5 Potássio (g kg -1 ) Potássio (g kg -1 ) Teor de fósforo (g kg -1 ) Teor de fósforo (g kg -1 ) M. S. Souza et al. PETRILLI, L.R.T.C. Doses e modos de aplicação de fósforo na nutrição e produção do feijoeiro cultivar Pérola.Dissertação (Mestrado) -Universidade Estadual Paulista,Faculdade de Ciências Agronômicas, Botucatu,58 f RAIJ, B. van; CANTARELLA, H.; QUAGGIO, J.A.; FURLANI, A.M.C. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. 2 ed. Campinas: Instituto Agronômico e Fundação IAC, p. (Boletim técnico, 100). TRANI, P. E; RAIJ, B. van. Hortaliças, In: RAIJ, B. van; CANTARELLA, H; QUAGGIO J. S; FURLANI, A. M. C. Recomendações de adubação e calagem para o Estado dasão Paulo. Campinas:IAC, p , ,6 4,4 4,2 4,0 3,8 3,6 3,4 3,2 3,0 A P = 0,00001*x2-0,004nsx + 3,986 = 0,78* Dose de P 2 O 5 (kg ha -1 ) 4,6 4,4 4,2 4,0 3,8 3,6 3,4 3,2 3,0 B P = -0,00003*x2 + 0,007nsx + 3,609 = 0,99* Dose de N (kg ha -1 ) Figura 1 - Teores foliares de P em plantas de melancia em função das doses de N (A) e P2O5(B) aplicadas. N = 0 N = 48 P2O5 = 0 P2O5 = 88 P2O5 = 220 P2O5 = N = 121 N = Dose de P 2 O 5 aplicada (kg ha -1 ) A B Dose de N aplicada (kg ha -1 ) y (0) = 0,00023 * x 2-0,072 ns x + 26,51 0,99 * y (0) = 26,0 y (48,46) = 25,5 y(88,35) = 0, * x 3-0,002 ** x 2 + 0,231 ns x + 22,01 1,0 * y (121,15) = 25,7 y (220,92) = -0,000 ** x 2 + 0,122 ns x + 20, ,99 * y (218,07) = 0,00007 ** x 2-0,0 ns x + 26,8 0,97 ** y (396,84) = 24,4 Figura 2 Teores foliares de K em plantas de melancia em função da adubação com fósforo e diferentes níveis de N (A) e da adubação nitrogenada e diferentes níveis de P2O5 (B)

6 Nitrogênio (g kg -1 ) Nitrogênio (g kg -1 ) M. S. Souza et al N = 0 N = 48 N = 121 N = 218 A Dose de P 2 O 5 aplicada (kg ha -1 ) P2O5 = 0 P2O5 = 88 P2O5 = 220 P2O5 = 396 B Dose de N aplicada (kg ha -1 ) y (0) = 47,3 y (0) = 48,7 y (48,46) = -0,0001 ** x 2 + 0,0641 ns x + 44,26 0,91 * y (88,35) = 0,0004 ** x 2-0,0772 ns x + 49,16 0,93 * y(121,15) = -0, * x 3 + 0,001 * x 2-0,138 ns x + 51,0 1,0 ** y (220,92) = -0,0005 * x 2 + 0,133 ** x + 44,60 0,78 * y (218,07) = 51,2 y (396,84) = 50,1 Figura 3 Teores foliares de N em plantas de melancia em função da adubação com fósforo e diferentes níveis de N (A) e da adubação nitrogenada e diferentes níveis de P2O5 (B)

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