Pesquisa sobre o perfil dos alunos com deficiência da PUC/SP Dezembro/2010

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1 Pesquisa sobre o perfil dos alunos com deficiência da PUC/SP Dezembro/2010 As Instituições de Ensino Superior se vêem, cada vez mais, diante do desafio de criar estratégias eficazes que promovam a inclusão, por meio da oferta de serviços específicos para as demandas identificadas no cotidiano. Segundo o Projeto de Desenvolvimento Institucional da PUC/SP PDI ( ), o grande desafio que se coloca para a PUC/SP é a definição e implementação de programas e serviços principalmente de apoio psicopedagógico e psicossocial que possam responder às diferentes necessidades dos estudantes com necessidades educacionais especiais. Foi pautado neste contexto que o Setor de Atendimento Comunitário PAC desenvolveu, sob as diretrizes da Pró-reitoria de Cultura e Relações Comunitárias PROCRC a Política de Inclusão e Diversidade, que tem por objetivo favorecer a construção de uma política de educação inclusiva que promova a discussão, elaboração e o estabelecimento de ações que garantam o acesso e permanência de pessoas com necessidades educacionais especiais, para que possam expandir as suas potencialidades, bem como, partilhar diferentes experiências. Como parte integrante do Projeto aqui mencionado o PAC/PROCRC organizou, entre os meses de setembro e outubro de 2010, uma pesquisa junto aos alunos com deficiência com objetivo de identificar e mapear os relevantes elementos constitutivos do perfil destes alunos, tendo por bases perspectivas sócio-econômica, acadêmica e comunitária, com vistas a criar as ações pertinentes e condizentes com as necessidades locais e cotidianas. De 32 alunos com deficiência, matriculados nos campi da Universidade, 15 aceitaram participar da pesquisa, pautada em uma entrevista individual estruturada, com aplicação de questionário com 11 perguntas abertas e 11 perguntas fechadas, divididas em 05 eixos: a) dados pessoais do estudante/família; b) reconhecimento da situação/recursos/dificuldades; c) recursos que facilitam o processo de aprendizagem/ necessidade de acompanhamento/serviços institucionais/ recursos do aluno e da instituição; d) barreiras que limitam a acessibilidade/tecnologias assistivas/ sugestões; e) participação da política de inclusão e acessibilidade.

2 Seguem abaixo alguns dados relevantes da pesquisa: Tipos de deficiência dos alunos participantes da pesquisa Os conceitos dos tipos de deficiência utilizados na pesquisa foram embasados pelas definições do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP, apresentadas a seguir: Cegueira - perda total ou o resíduo mínimo de visão que leva a pessoa a necessitar do sistema braile como meio de leitura e escrita. Baixa visão - comprometimento do funcionamento visual de ambos os olhos, mesmo após tratamento ou correção. A pessoa com baixa visão possui resíduos visuais em grau que lhe permite ler textos impressos ampliados ou com uso de recursos ópticos especiais. Surdez perda auditiva acima de 71 db. A pessoa terá dificuldades para desenvolver a linguagem oral espontaneamente. Há necessidade do uso de AASI e/ou implante coclear, bem como de acompanhamento especializado. A pessoa com essa surdez, em geral, utiliza naturalmente a linguagem de sinais. Deficiência auditiva - perda total ou bilateral de 25 decibéis (db) ou mais, resultante da média aritmética do audiograma, aferida nas freqüências de 500Hertz (Hz), Hz, Hz, Hz, Hz; variando de acordo com o nível ou acuidade auditiva. Deficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando comprometimento da função física, abrangendo, entre outras condições, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desenvolvimento das funções. Tipo de deficiência 2 46% 2 Física Auditiva Visual Deficiência e Processo de Aprendizagem Referente à deficiência interferir no processo de aprendizagem, 60% dos alunos informaram que não apresentam dificuldades, entretanto, ao observarmos esta questão,

3 em acordo com cada deficiência, ocorre uma variação, sendo destacado os deficientes físicos como o grupo que apresenta menor dificuldade. Assim, dividimos as informações referentes a esta temática, de acordo com o tipo de deficiência apresentada, conforme destacado abaixo: Dificuldades Deficientes Visuais: 14% dos entrevistados neste grupo de deficiência apresentam ter dificuldades em realizar atividades de escrita e na área da leitura quando não há computador adaptado; a decodificação fica comprometida. Já aqueles que têm visão parcial informam que, dependendo da escrita do professor na lousa, torna-se difícil a visualização; Deficientes Auditivos: 21% dos alunos que fazem leitura labial relatam que alguns professores se posicionam dentro da sala de aula de forma que impossibilita a prática desta leitura. Entre estes alunos, alguns apresentam dificuldade referente ao idioma (Língua Portuguesa), uma vez que, na sua maioria são alfabetizados em LIBRAS (Línguas Brasileira de Sinais) e na compreensão de filmes sem legendas. Deficientes Físicos: não apresentaram nenhuma interferência no aprendizado. Recursos que facilitam o processo de aprendizagem Tal pesquisa permitiu identificar os recursos facilitadores para a adaptação dos estudantes com deficiência, destacados abaixo: Deficientes Visuais: a) adaptação em sala de aula, dos filmes selecionados pelos docentes, para que sejam apresentadas somente edições dubladas; b) que os materiais didáticos sejam disponibilizados com antecedência; c) foi identificada a necessidade da aquisição de equipamentos tecnológicos acessíveis;

4 Deficientes Auditivos: a) Realizar sensibilização e informação para a comunidade universitária receber o aluno com deficiência e apresentação de filmes com legenda. Recursos que facilitam o processo de aprendizagem Filmes com legenda, me apresentar aos professores e pedir para ter atenção ao falar. 6% 6% Disponibilizar material antecipado e filme serem dublados Filmes com legenda 46% Computador adaptado, que possibilite a ampliação dos caracteres no monitor e leitura de textos Lupa Diante dos resultados obtidos nesta pesquisa concluímos que a questão estrutural não é a principal demanda dos alunos, mas sim, as relações sociais estabelecidas no espaço universitário, embora tenha sido apresentadas, em menor escala, a demanda por reformas arquitetônicas e a aquisição de equipamentos tecnológicos. Observa-se a importância de serem realizadas sensibilizações para a comunidade universitária sobre como se relacionar com as pessoas com deficiência, para que estejam mais habilitadas no atendimento deste público. Isto requer o estabelecimento de um trabalho em rede, pois as demandas apresentadas envolvem diferentes segmentos internos (e algumas vezes externos) que precisam trocar informações para favorecer um melhor atendimento ao aluno. Assim, diante da rica experiência advinda com o processo das entrevistas, dentro da perspectiva de Inclusão, realizamos as seguintes ações: a) Reuniões com a Secretaria de Administração Escolar SAE, para tratar sobre os procedimentos de cadastramento e acompanhamento dos alunos com deficiência para complementar as informações no banco de dados institucional; b) Estudo da relação dos alunos matriculados para fins de mapeamento dos docentes que irão ministrar aulas para tais alunos com objetivo de preparação no processo de adaptação a sala de aula e entrega de materiais didáticos sobre a questão da inclusão. Nos contatos com os docentes busca-se, ainda, definir estratégias conjuntas

5 para aquisição de materiais bibliográficos, com fins de digitalização a ser disponibilizada aos alunos com deficiência visual. O mapeamento dos alunos matriculados permitiu, também, estabelecer um planejamento conjunto com o Setor de Espaço Físico para definição de salas acessíveis aos alunos, conforme grau de deficiência. d) Realização de uma campanha publicitária pela Rede PUC, por solicitação do PAC, para informar a comunidade sobre o atendimento das pessoas com deficiência no respectivo setor; e) Reuniões realizadas com os responsáveis pelo Restaurante Universitário para discutir os ajustes necessários para a melhor prestação de serviço e cumprimento das leis de acessibilidade; f) Contato com a Biblioteca com a finalidade de verificar a necessidade de recursos tecnológicos para aluno com deficiência visual. É por meio das ações cotidianas que a Universidade pode caminhar no sentido de efetivamente desenvolver ações de caráter inclusivo. Isto pressupõe a interação das diferentes instâncias (acadêmica, comunitária e administrativa) para a avaliação constante das diretrizes da política inclusiva da PUC/SP.

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