CARTA DE SÃO PAULO 5º CONGRESSO BRASILEIRO SOBRE O USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS O USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS E A SEGURANÇA DO PACIENTE

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1 CARTA DE SÃO PAULO 5º CONGRESSO BRASILEIRO SOBRE O USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS O USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS E A SEGURANÇA DO PACIENTE A realização do I Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos em Porto Alegre - RS, no ano de 2005, deu início a uma nova estratégia para a promoção do uso racional de medicamentos (URM) no Brasil. A importância desta estratégia foi reconhecida pelo Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Organização Panamericana de Saúde/OMS no Brasil, promovendo, em 2007, a realização do II Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos em Florianópolis-SC como um evento institucional, cujo tema foi Incorporando o uso racional de medicamentos na agenda da saúde do Brasil. Seguindo esta lógica e, conforme recomendação da Carta de Florianópolis, o III Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos foi realizado em 2009, em Fortaleza - CE, com o tema Incorporando o uso racional de medicamentos às práticas profissionais em saúde. Dando continuidade a estas exitosas experiências, realizamos em Salvador - BA, em 2012, o IV Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos com o tema Incorporando o Uso Racional de Medicamentos no contexto da atenção à saúde. E agora em 2014, realizamos o V Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos (V CBURM), na cidade de São Paulo - SP, com o tema O uso racional de medicamentos e a segurança do paciente. O V CBURM contou com 1542 inscrições, sendo 15% destas de estudantes de graduação e pósgraduação. Dentre os profissionais de saúde, participaram farmacêuticos, enfermeiros, médicos, cirurgiões dentistas, agentes comunitários de saúde entre outros. Estiveram presentes também Conselheiros de Saúde. É importante destacar que este congresso registrou um expressivo aumento na participação de prescritores. A programação abordou o processo de formação na graduação e na pós-graduação, com visão multiprofissional, os avanços das estratégias de promoção do URM no Brasil e nas Américas, a contribuição das listas de medicamentos, dos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas assim como da farmacovigilância e do gerenciamento de riscos, visando o

2 URM e a segurança do paciente. A importância da integração multiprofissional para a segurança do paciente em uso de medicamentos, o consenso que coloca o paciente em primeiro lugar e a personalização do tratamento para a promoção do uso racional. As atividades pré-congresso foram organizadas em seis cursos e cinco oficinas que trataram de temas sobre o uso racional de medicamentos e sua relação com a segurança do paciente na atenção primária e no âmbito hospitalar, assim como entre as populações de risco (crianças e idosos) e a conciliação de medicamentos. Houve também a abordagem do tema para os agentes comunitários de saúde e para os conselheiros de saúde. Nessa edição, os congressistas tiveram a oportunidade de aprofundar esses temas em sessões de conversas com os palestrantes intituladas Café Científico. Proporcionando uma maior troca de experiências entre os congressistas ocorreu a tradicional exposição de trabalhos científicos, sendo que 235 foram apresentados na forma de pôsteres e 30 selecionados para apresentação oral. Destes, nove trabalhos foram selecionados para o recebimento de menções honrosas. Coroando tão rica discussão, o conjunto de participantes do V Congresso Brasileiro sobre Uso Racional de Medicamentos oriundos de todas as regiões do país, bem como de 15 outros países, apresenta à sociedade brasileira as recomendações a seguir, na perspectiva de que sejam incorporadas pelas diferentes entidades e instituições, públicas ou privadas, e, em particular, pelas diferentes instâncias de governo e de gestão do Sistema Único de Saúde e instâncias de seu Controle Social: Que a promoção do URM e da segurança do paciente seja parte integrante e estratégica das políticas públicas nacionais, observada a sua característica multiprofissional e intersetorial. Incorporar os temas URM e segurança do paciente nos currículos dos cursos de graduação e pós-graduação da área da saúde. Incentivar a maior interação entre saúde e educação, com inclusão do tema Segurança do Paciente nos currículos dos cursos da saúde. Que os gestores do SUS implementem programas regulares de capacitação dos profissionais em URM, em segurança do paciente e na produção de informações de

3 qualidade, permitindo que o profissional tenha um olhar integral do paciente e, dessa forma, consiga uma efetividade e segurança do tratamento por meio de uma atuação multiprofissional. Incentivar a inclusão de disciplina em cursos de graduação e pós-graduação lato sensu (especialização e programas de residência multiprofissional) em Odontologia sobre o tema Uso Racional de Medicamentos e segurança do paciente. Que haja a constante atualização dos profissionais e que estes desenvolvam a capacidade de analisar criticamente os estudos publicados, utilizando como base a medicina baseada em evidências, para que a tomada de decisão garanta a promoção do URM, Implementar metodologias ativas de ensino para o desenvolvimento do Programa Nacional de Segurança do Paciente, a partir da discussão de casos, desencadeando uma mudança na cultura de formação para o alcance da interdisciplinaridade. Viabilizar a capacitação em serviço dos profissionais e as condições necessárias para a realização do cuidado farmacêutico, assim como a inclusão nos currículos dos cursos de farmácia de disciplinas que capacitem os futuros farmacêuticos para o cuidado em saúde. Desenvolver estratégias para criar padrão de embalagens, rótulos e nomes de medicamentos que os diferenciem uns dos outros, principalmente para aqueles que possuem maior risco para saúde no caso de troca indevida. Incentivar o desenvolvimento de pesquisas clínicas e formas farmacêuticas voltadas para medicamentos pediátricos como forma de reduzir o uso off label. Fortalecer o conceito de segurança do paciente nas pesquisas clínicas. Elaborar Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas para utilização de medicamentos em nível hospitalar, hoje restritos a algumas terapias ambulatoriais especializadas. Criar Critérios de risco considerando a realidade brasileira, para utilização em protocolos clínicos e formulários terapêuticos, e reforçar a utilização de ferramentas disponíveis evitando assim a utilização de medicamentos inapropriados tanto para população pediátrica como para a idosa, em especial os que fazem uso da polifarmácia. Valorizar a assistência farmacêutica no Brasil com foco no cuidado ao paciente, no qual o farmacêutico assume um papel mais ativo na gestão clínica da farmacoterapia, a fim de

4 promover o uso racional de medicamentos, a melhoria dos resultados em saúde em termos de efetividade e segurança, assim como a qualidade de vida do paciente. Que a conciliação medicamentosa, ocorra numa perspectiva interprofissional, estimulando a comunicação profissional-profissional e profissional-paciente, objetivando reduzir discrepâncias, riscos à saúde e erros de medicação, contribuindo para a resolutividade dos serviços de saúde e aumentando a segurança e efetividade do uso de medicamentos. Incentivar o uso dos sistemas de notificação de eventos adversos, como o NOTIVISA, junto às instituições de saúde, por meio de projetos de educação permanente. Nas universidades, incentivar o uso do sistema por meio de plataforma-teste para simulação de notificação. Desenvolver programas de qualificação no âmbito da farmácia hospitalar, com foco na execução de projetos de implantação de acompanhamento farmacoterapêutico, desenvolvimento de protocolos e sistema informatizado público de apoio ao cuidado, além do monitoramento das ações. Propor metodologia a ser aplicada pelos Núcleos de Segurança do Paciente (NSP) no desenvolvimento de estratégias e ações, com foco na segurança da prescrição, do uso e da administração de medicamentos, para uma qualificação integral do cuidado na Atenção à Saúde em todos os níveis. Incentivar a participação dos Agentes Comunitários de Saúde em espaços e atividades com a temática do URM. Que o Conselho Nacional de Saúde estimule os Conselhos Estaduais de Saúde e os Conselhos Municipais de Saúde a criar comissões de Assistência Farmacêutica e pautar o URM e a segurança dos pacientes como temas transversais. Ampliar o acesso da sociedade às informações relativas ao URM e a segurança do paciente através de rádios e tvs comunitárias, sítios e blogs na internet. Elaborar estratégias de comunicação entre profissionais de diferentes níveis de atenção a saúde, públicos e privados, objetivando a melhoria dos cuidados em saúde e a segurança do paciente. Tratar a ocorrência de erros que levem danos aos pacientes como um problema dos serviços e dos trabalhadores de modo a permitir o desenvolvimento de estratégias para

5 o aprimoramento da prestação dos serviços e da correção dos erros e não simplesmente com foco em punições individuais. Divulgar o URM como boa prática profissional na Odontologia junto ao Conselho Federal de Odontologia e outros órgãos de entidade de classe (Associação Brasileira de Odontologia ABO, Associação Paulista de Cirurgiões-dentistas APCD dentre outras). Viabilizar difusão de fontes de informações isentas, confiáveis e atualizadas sobre medicamentos indicados em Odontologia aos cirurgiões-dentistas e os outros profissionais de saúde. Orientar aos cirurgiões-dentistas sobre uso indiscriminado de antimicrobianos e sobre o uso racional do flúor. Orientar aos médicos acerca de efeitos adversos importantes decorrentes do uso de bisfosfonatos, como a osteonecrose de ossos maxilares. Incluir medicamentos específicos indicados em Odontologia (anestésicos locais de uso odontológico, por exemplo) e temas relacionados em futura edição do Formulário Terapêutico Nacional. Este congresso reconhece e valoriza o papel da Anvisa na coordenação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e na regulação dos produtos e serviços sujeitos a vigilância sanitária, conforme suas competências legais. Neste sentido, entendemos que a ação regulatória da Agência é estratégica para garantir o uso racional de medicamentos e a segurança do paciente e da sociedade brasileira. Recomenda também que o futuro quadro diretivo da Agência continue contando com profissional de saúde. Este congresso reconhece e valoriza também a criação do Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica no SUS Qualifar-SUS como estratégia de qualificação e estruturação dos serviços farmacêuticos em desenvolvimento no âmbito do SUS.

6 O congresso destaca ainda, os avanços obtidos para a promoção do uso racional de medicamentos e para a segurança do paciente no novo conceito da farmácia enquanto estabelecimento de prestação de serviço de saúde, definido pela Lei nº /14, em vigor a partir de hoje (25 de setembro de 2014). Reconhece a importância de iniciativas que visem o uso racional de medicamentos e a segurança do paciente como a Portaria nº 986/2014 da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, que regula a prescrição e dispensa do medicamento metilfenidato para transtorno e déficit de atenção e hiperatividade. Aponta-se a necessidade de que, na próxima edição do Congresso Sobre Uso Racional de Medicamentos, haja esforços institucionais para a ampliação da participação de outros atores importantes para a promoção do URM, tais como os gestores, representações dos diferentes segmentos do setor produtivo, representações do setor de mídia e comunicação, usuários e suas representações, operadores do Direito, bem como dos trabalhadores em saúde, entre outros. São Paulo/SP, 25 de setembro de 2014, 125º ano da República; 37º ano da publicação da 1ª Lista de Medicamentos Essenciais; 36º ano da Conferência de Alma-Ata; 29º ano da Conferência de Nairobi sobre Uso Racional de Medicamentos e 10º ano da Política Nacional de Assistência Farmacêutica. Carta aprovada por aclamação no Ato de Encerramento do V Congresso Brasileiro sobre Uso Racional de Medicamentos.

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