GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO TRIÂNGULO MINEIRO CAMPUS UBERABA

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1 GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO TRIÂNGULO MINEIRO CAMPUS UBERABA GOMIDES, J.E. 1 ; SCHENKEL, C.A. 2 ; SOUSA, J.S. 3 1 Acadêmica do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental IF Triângulo Mineiro, Campus Uberaba; bolsista de Iniciação Científica PIBIC/FAPEMIG; 2 Professor do IF Triângulo Mineiro, Campus Uberaba e Coordenador do projeto. M.Sc. em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade; 3 Professora do IF Triângulo Mineiro, Campus Uberaba e colaboradora do projeto. M.Sc. em Engenharia Civil; RESUMO O presente artigo apresenta os resultados do diagnóstico realizado para a elaboração de um Programa de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos - PGIRS, em implantação no Instituto Federal do Triângulo Mineiro, Campus Uberaba. Para tanto, identifica os setores geradores, os tipos e a quantidade de resíduos gerados. Apresenta também, em linhas gerais, as características do PGIRS. O diagnóstico qualitativo e quantitativo foi realizado com o uso de formulários, aplicado junto aos responsáveis de cada setor identificado, com a realização do monitoramento dos resíduos pelo método da composição gravimétrica, acompanhado da tomada de imagens in loco. Considerando as características, volume e tipos de resíduos gerados, bem como, com a identificação de pontos vulneráveis e fragilidades, foi elaborado o PGIRS, com vistas a dar encaminhamento para equacionar os problemas relativos à geração, coleta e disposição final dos resíduos sólidos na Instituição e às atividades de sensibilização e educação ambiental favoráveis ao êxito do programa. Palavras-chave: Programa de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, Sensibilização e Educação Ambiental. 1 INTRODUÇÃO O artigo tem como foco de estudo a geração e o destino dado aos resíduos sólidos no Instituto Federal do Triângulo Mineiro Campus Uberaba (antigo CEFET Uberaba), com vistas ao planejamento e implantação de um Programa de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos PGIRS adequado às necessidades e particularidades da instituição. O objetivo é apresentar os resultados dos diagnósticos realizados quanto à geração de resíduos no Campus, a identificação dos setores geradores e dos tipos de resíduos encontrados; bem como, apresentar em linhas gerais o PGIRS elaborado com base nesses diagnósticos e em fase de implantação. A importância deste trabalho reside, de um lado, na necessidade da instituição, que oferece o Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental, em servir de exemplo para a comunidade acadêmica e regional quanto ao destino correto a ser dado aos resíduos sólidos

2 gerados em suas atividades diárias. De outro, enquanto instituição de ensino, pesquisa e extensão, contribuir para a geração de conhecimentos sobre o assunto, os quais certamente abrem perspectivas para melhorar os processos pedagógicos, do ponto de vista científico e prático, e, também, para reforçar o compromisso com a renovação científico-tecnológica. Podem ser acrescentadas ainda as exigências legais, com as quais coopera de forma crítica e afirmativa. 2 GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS Segundo a NBR , da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, os resíduos sólidos são definidos como resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição [...] (apud ARRUDA, 2004, p. 38). A expressão mais usual para representar os resíduos sólidos é a de lixo. Entende-se, de forma geral, que lixo seja composto pelo conjunto de materiais descartados pelas pessoas em suas atividades cotidianas. A percepção predominante é que os resíduos não têm mais qualquer utilidade para as pessoas ou para o sistema de produção; isto é, todo o uso possível do material já fora realizado, restando-lhe simplesmente o descarte. Para Arruda (2004, p. 40), [...] o mesmo é tratado como algo que não tem valor, assumindo conotação negativa. Segundo Calderoni (1998 apud AZAMBUJA, 2002, p. 21), o conceito de lixo e resíduo varia conforme a época e o lugar, e também depende de fatores econômicos, jurídicos, ambientais, sociais e tecnológicos, sendo que o termo lixo, na linguagem corrente, é sinônimo de resíduo. Recentemente essa concepção acerca dos resíduos tem sofrido mudanças profundas. As razões disso se devem a um conjunto de fatores, dos quais se destacam: a matéria prima e a energia, escassas, necessárias para produção de novos produtos; a conversão do lixo em matéria prima para a produção de novos produtos (substituindo os recursos naturais como fonte); a energia contida no lixo e que pode ser reaproveitada; a degradação ambiental ocasionada pela disposição do lixo no ambiente, com conseqüências desastrosas para a saúde pública quando disposta de forma inadequada. O lixo passa a ser percebido como fonte de recursos materiais e energéticos; e o seu desperdício é entendido como parte dos padrões insustentáveis do modo de vida e de produção desses tempos. Da mesma forma, ganham destaque os programas relativos ao gerenciamento dos resíduos, à coleta seletiva e à educação ambiental. Nesse contexto, entende-se por gestão integrada de resíduos sólidos todas as normas e leis relacionadas à coleta, acondicionamento e destinação final dos mesmos.

3 No gerenciamento, destacam-se as questões de responsabilidade e de envolvimento dos setores da sociedade em relação à geração de resíduos e está associado às medidas de prevenção e correção dos problemas ambientais, vislumbrando a preservação dos recursos naturais, a economia de insumos e energia e a minimização da poluição. (PAVAN, 2008) Já o PGIRS traça as alternativas viáveis para eliminar ou minimizar os problemas decorrentes da disposição inadequada dos resíduos sólidos, indicando as melhores formas de destinação dos mesmos. Envolve a segregação na origem, o controle e a redução dos riscos ao ambiente, a minimização da geração na fonte, o correto manuseio e o destino final. O PGIRS liga-se, portanto, aos processos de limpeza, coleta, tratamento e disposição final, bem como, às iniciativas para sensibilizar a comunidade envolvida quanto às ações individuais e coletivas que contribuem ao alcance dos seus propósitos. Tem em vista também, a melhoria da qualidade de vida da população, o asseio e a saúde pública, [...] levando em consideração as características das fontes de produção, o volume e os tipos de resíduos para a eles ser dado tratamento diferenciado e disposição final técnica e ambientalmente corretas, as características sociais, culturais e econômicas dos cidadãos e as peculiaridades demográficas, climáticas e urbanísticas locais. (MONTEIRO, 2001, p. 8) 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A elaboração do PGIRS do Instituto Federal do Triângulo Mineiro Campus Uberaba, segue as etapas indicadas por Monteiro (2001): diagnóstico inicial, composição gravimétrica, monitoramento da geração de resíduos, identificação da geração per capta e dos pontos críticos e, por fim, elaboração das propostas de ação, rotina, coleta e destinação. O diagnóstico inicial, com a identificação dos setores geradores e de sua situação, foi realizado com o uso de dois formulários (Identificação e Sugestões), os quais foram preenchidos pelos alunos participantes (bolsistas e voluntários) junto ao responsável por cada um dos setores, acompanhado de observações in loco e tomada de imagens. A composição gravimétrica foi realizada com o uso da técnica do balanço de massa e do balanço volumétrico, proposta por Barros e Möller (1995). Para tanto, foi instituído um programa provisório de coleta seletiva que separasse, na fonte de geração, os resíduos em quatro grandes grupos: lixo seco, lixo sujo, material orgânico e rejeito (ver Figura 1).

4 Figura 1. Classificação dos resíduos sólidos adotada no PGIRS. Fonte: Adaptado de Pires (2009) Para a implantação desse programa, foram realizadas reuniões de sensibilização com docentes, técnico-administrativos e alunos, bem como, com o pessoal terceirizado que presta serviços à instituição, em especial, com o grupo responsável pela limpeza e manutenção. O material passível de ser reciclado foi armazenado em um galpão cedido temporariamente pela instituição, onde, depois de separado, determinou-se o peso e volume. Para a pesagem, foi utilizada uma balança digital, tipo plataforma, com capacidade para 300 Kg e precisão de 100 g. Para a obtenção do volume, utilizaram-se recipientes de volume conhecido, procedendo ao ajuste em função da proporção de material à razão do volume total. O monitoramento focou, especialmente, o volume de material caracterizado como rejeito e recolhido pelo serviço de limpeza urbana do Município de Uberaba. Como havia dificuldades operacionais para a sua pesagem, o acompanhamento privilegiou a medição do volume desse material. A partir do diagnóstico acerca da situação dos resíduos sólidos gerados no Instituto Federal do Triângulo Mineiro Campus Uberaba, foi elaborado o PGIRS para a instituição. Neste, foi estabelecido um novo processo de coleta, transporte, armazenamento e destinação dos resíduos. Destaca-se que uma das etapas da implantação do PGIRS, é constituída pela sensibilização ambiental da comunidade acadêmica. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram identificados 46 setores geradores na Unidade I e 21 na Unidade II. Dos referidos setores, a distribuição em relação à geração de resíduos é apresentada na Tabela 1.

5 Tabela 1. Geração de resíduos por setor e unidade do IF Triângulo Mineiro, em percentagem Seco Sujo Orgânico Rejeito Contaminado Eletrônico Unidade I 67,4 91,3 43,5 73,9 19,6 2,2 Unidade II 71,4 9,5 9,5 4,8 9,5 14,3 Fonte: dados do projeto A quantidade total de resíduos gerados semanalmente foi de 18,35 m 3, equivalente a 3,67 m 3 /dia e uma geração per capita de 0,17 Kg/hab/dia, considerando a população regularmente freqüente junto à Instituição. Destes, aproximadamente 3% são destinados atualmente para reciclagem e os demais 97% são recolhidos pelo serviço de limpeza urbana e dispostos no Aterro Sanitário de Uberaba. Dentre estes, encontram-se materiais recicláveis que, contudo, são desperdiçados. Os materiais são misturados uns com os outros, sujos, limpos, orgânicos e rejeitos, acarretando na perda de qualidade e da possibilidade de reuso ou reciclagem. Pequena parte do material orgânico é disposta em um pátio de compostagem localizado no próprio Campus. Os resíduos provenientes do consultório dentário e serviço de enfermagem têm destino comum aos demais tipos de resíduos (Aterro Sanitário). Os resíduos provenientes das embalagens de agrotóxicos têm destinação adequada. A partir dos resultados, é possível afirmar que não há falta de coletores na instituição. Contudo, os principais problemas decorem da má conservação dos mesmos, alocação de coletores em locais inadequados, utilização de recipientes inadequados para armazenamento dos resíduos e a falta de um padrão aos coletores, em termos de tamanho e cores. Em razão desse quadro, o PGIRS propõe: a identificação de todos os coletores da instituição, segundo a sistemática de coleta; treinamento do pessoal responsável pela coleta; e sensibilização da comunidade escolar (funcionários e alunos) para realizar a coleta seletiva. Com relação à logística, o programa estabelece a coleta dos materiais recicláveis (seco e sujo) pela equipe do projeto, em dois dias da semana. No galpão, os materiais serão identificados, separados, pesados e obtidos os volumes, para o monitoramento da composição gravimétrica. Para a destinação adequada dos resíduos, foi acordado com a cooperativa de catadores da cidade de Uberaba, o recolhimento dos resíduos seco e o sujo. O resíduo sujo deve passar por um processo de triagem na cooperativa, já que pode conter componentes que comprometem a sua reciclagem ou reaproveitamento. O lixo orgânico deve ser processado na própria instituição, com a instalação de um pátio de compostagem. O rejeito será destinado ao Aterro Sanitário de Uberaba. Para os demais resíduos as alternativas ainda estão sendo estudadas. Ao considerar que o volume de resíduos gerados na Instituição semanalmente, de 18,35m 3, e a composição gravimétrica do resíduo coletado, que contem em média 73,3% de material reciclável, estima-se que, com a implantação do PGIRS, cerca de 13,45 m 3 deixam de ser enviados ao aterro sanitário,

6 colaborando para prolongar a sua vida útil, além de contribuir para minimizar a extração de recursos naturais. 5 CONCLUSÕES Os dados apresentados permitem concluir que grande parte dos resíduos sólidos gerados no IF Triângulo Mineiro Campus Uberaba pode ser considerado material reciclável. Portanto, com o PGIRS e a destinação adequada dos resíduos, é possível reduzir em mais de 70% o envio de lixo ao aterro sanitário de Uberaba. Para o sucesso do programa, é necessário que os hábitos de separação sejam criados e a prática de coleta seletiva seja efetivamente adotada pela comunidade escolar. Para tanto, um programa de sensibilização e educação ambiental, como componente mobilizador e motivador, para a mudança de hábitos e atitudes, é fundamental. REFERÊNCIAS ARRUDA, Ana Paula Tonani Matteis de. Responsabilidade civil decorrente da poluição por resíduos sólidos domésticos. São Paulo: Método, AZAMBUJA, Eloisa Amábile Kurth de. Proposta de gestão de resíduos sólidos urbanos: analise do caso de Palhoça/SC Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Disponível em <http://teses.eps.ufsc.br/defesa/pdf/11214.pdf>. Acesso em: 05 out BARROS, Raphael Tobias de Vasconcelos, MÖLLER, Leila Margareth. Limpeza Pública. In: BARROS, Raphael Tobias de Vasconcelos et al. Manual de saneamento e proteção ambiental para os municípios. v.2. Belo Horizonte: Escola de Engenharia da UFMG, cap. 7, p MONTEIRO, José Henrique Penido et al. Manual de Gerenciamento Integrado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: IBAM, PAVAN, Margareth Oliveira. Gestão e gerenciamento de resíduos sólidos urbanos no Brasil. Revista Sustentabilidade, 24 mar Disponível em <http://www.revistasustentabilidade.com.br/sustentabilidade/artigos/gestao-e-gerenciamentode-residuos-solidos-urbanos-no-brasil/>. Acesso: 20 jul PIRES, Camila. Pausa para a coisa útil. Postado em 06 mar Disponível em <http://camilapires.wordpress.com/2009/03/06/pausa-para-coisa-util/>. Acessado em 01 jun

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