Provo Krahô-Kanela: Emfim, uma solução?

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1 Criança do povo Krahô-Kanela Foto Cimi GO/TO ISSN Ano XXVI N Brasília-DF Dezembro-2005 R$ 3,00 Provo Krahô-Kanela: Emfim, uma solução? Grandes projetos Há espaço para os povos na integração sul-americana? Página 4 Bolívia O caminho e as pedras para Evo Morales Página 12 Acordo com governo é comemorado como vitória. Páginas 10 e 11

2 Opinião Porantinadas R osilene Kaiowá Guarani, em meio a policiais fortemente armadas, e vendo um helicóptero passar rasante à sua cabeça, passou mal. Ela estava grávida. Mais tarde foi levada ao hospital no município de Antonio João (MS). A criança nasceu prematura, com seis meses. Viveu apenas umas horas e morreu. Ela talvez seja apenas a primeira vítima de mais uma brutalidade cometida contra essa comunidade indígena de Nhanderu Marangatu. Provavelmente outras crianças morrerão de fome e desnutrição, alguns jovens, sem horizonte, verão no suicídio a única saída. Este é apenas uma das dramáticas conseqüências de mais de uma centena famílias despejadas por um aparato de guerra montado pela Polícia Federal. Vem como se fossemos bandidos, traficantes, terroristas, com armas, bombas, cães e cavalos...e o que nós queremos é apenas um pedaço da nossa terra para viver livre e em paz. Essa declaração de uma das lideranças demonstra a indignação e revolta contida em cada Kaiowá Gurani presentes na celebração da resistência, diante da força da prepotência. MARIOSAN Natal indígena: dor e esperança Léia, professora indígena e mãe, na véspera de mais uma ação absurda contra seu povo, após ter-lhes sido até negado o acesso ao juiz de Ponta Porã, para uma busca de diálogo e entendimento, ligou angustiada ao Conselho Indigenista Missionário pedindo: por favor, falem com a imprensa e com nossos amigos e peçam que venham até as seis horas da manhã (do dia 15 de dezembro) para ver o que vai acontecer... Queremos que o Brasil e o mundo fiquem sabendo da nossa luta e o que vai se passar aqui. E muita gente da imprensa e amigos compareceram e puderam ver. Uma jornalista da televisão educativa holandesa, que acompanhou a expulsão dos Guarani Kaiowá perguntou: não consigo entender porque com tanta terra, se vem brigar e expulsar os índios de seu pedaço de chão?. A jornalista foi impedida pela polícia de fazer o seu trabalho. Por volta de 2006 anos atrás, José e Maria, não tendo para onde ir, acabaram num abrigo do gado. E aí Jesus nasceu. Os Kaiowá Guarani, do Nhanderu Marangatu foram expulsos de sua terra, as plantações destruídas e seus barracos queimados pelo fogo dos fazendei- ros. Mas não desanimaram. Armaram barracos com lonas pretas à beira da estrada. Ali Jesus vai nascer. E como dizia um dos cartazes ostentados por uma das muitas crianças da escola de guerreiros desta terra, que carregaram suas mensagens e gritos de indignação, Queremos desejar um Feliz Natal para o Brasil e o Mundo. O que nos desejam agora? Neste ano, as celebrações das homologações de duas Terras Indígenas marcaram a dura luta indígena por suas terras: em março, Nhanderu Marangatu e, em abril, Raposa Serra do Sol. Parecia que finalmente algumas comunidades poderiam viver um pouco mais tranqüilas em suas terras. Os Kaiowá Guarani foram expulsos. Qual é a segurança que podem ter os demais povos indígenas com relação às suas terras. Jesus nascerá para todos, mas certamente terá um lugar especial sob as lonas pretas nas beiras da estrada desse Mato Grosso do Sul e país afora. E da esperança nascerá um novo Brasil e um mundo diferente. Egon Heck Cimi MS Agora vai? Foi definitivo, apesar de todas as evidências no estudo do antropológico comprovando, a presidência da Funai não reconheceu como terra indígena Krahô-Kanela como sendo terra tradicional. Mas, desta vez, a pressão do povo e seus aliados forçaram o órgão indigenista a encontrar uma solução, que deve ser a criação de uma reserva no mesmo local onde estão os limites do território tradicional. Fora do Ar Paulo Lustosa não é mais presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa. No entanto ele não deixou o cargo devido a grande insatisfação do movimento indígena, que cansou de ocupar prédios públicos e denunciar o colapso no atendimento Lustosa foi deslocado da presidência da Funasa para presidência da Agência Nacional de Telecomunicações a partir de um pedido político do ministro das comunicações, Hélio Costa, e seu partido, o PMDB. Agora resta saber se o ex-presidente da Funasa entende mais de saúde, comunicação ou política de bastidores? Ciranda eleitoral 2006 O Porantim escolheu a figura de Dom Luiz Cappio, que fez greve defome contra a transposição do Rio São Francisco, para neste Natal homenagear todos os que dedicam e oferecem a sua vida em amor ao próximo Daqui até fevereiro, a ciranda do jogo político vai começar a rodar. Quem é candidato sai do governo, Quem não é já pode entrar. Determinará o assento, O arranjo da coligação Os amiguinhos entram na roda Os que tiverem projeto: não! Assim é o ano eleitoral O governo faz acordos escusos Esquecendo sua origem política Usando na cara uma mascara de pau 2 ISSN Edição fechada em 16/12/2005 Publicação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão anexo à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). APOIADORES UNIÃO EUROPÉIA O jornal Porantim circula em algumas bancas de jornais do Distrito Federal, ao custo unitário de R$ 3,00. Na língua da nação indígena Sateré-Mawé, PORANTIM significa remo, arma, memória. Dom Gianfranco Masserdotti PRESIDENTE Paulo Maldos ASSESSOR POLÍTICO Cristiano Navarro EDITOR RP 32374/144/35/SP Priscila D. Carvalho REDATORA CONSELHO DE REDAÇÃO Antônio C. Queiroz Benedito Prezia Egon Heck Nello Ruffaldi Paulo Guimarães Paulo Maldos Paulo Suess Editoração eletrônica: Licurgo S. Botelho (61) Revisão: Leda Bosi Impressão: Gráfica Terra (61) Administração: Dadir de Jesus Costa Redação e Administração: SDS - Ed. Venâncio III, sala 310 Caixa Postal CEP Brasília-DF Tel: (61) Fax: (61) Cimi Internet: Registro nº 4, Port , Cartório do 2º Ofício de Registro Civil - Brasília Permitimos a reprodução de nossas matérias e artigos, desde que citada a fonte. As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores. Faça sua assinatura, enviando cheque ou vale postal em nome de CIMI-PORANTIM PREÇOS: Ass. anual: R$ 30,00 Ass. de apoio: R$ 50,00 América latina: US$ 25,00 Outros Países: US$ 40,00

3 Conjuntura Um ano em que a política indigenista foi da tempestade à paralisia Foto: Navarro No sentido em que vinha a política indigenista oficial, com redução de terras indígenas, o não reconhecimento das identidades étnicas e o propósito de mexer nos direitos constitucionais, a paralisia do governo Lula pode até ser festejada pelo movimento indígena. Cristiano Navarro Editor do Porantim C om uma bancada antiindígena na Câmara e no Senado articulada, coesa e disposta a rever os direitos conquistados na Constituição de 1988, o movimento indígena começou o ano de 2005 sob fortíssima pressão, buscando interlocutores e formas de reverter este quadro. O ataque no Congresso vinha de todos os lados. Desde os tradicionais partidos inimigos dos povos indígenas, até os mais progressistas. A ofensiva não dependia de coloração partidária. A exceção foi uma pequena bancada que resistia na trincheira da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Indígenas que na sua formação contou 93 assinaturas, e que hoje não conta, efetivamente, com mais do que dez parlamentares. As propostas de revisão dos direitos constitucionais incidiam principalmente sobre a demarcação de terras e a exploração de minérios em terra indígena. Para parar o rolo compressor que acelerava em direção contrária, as organizações indígenas e indigenistas apostaram em duas frentes estratégicas: a das mobilizações e a do diálogo com o Governo. Abril foi um mês em que se pode notar bem esta estratégia. Cinco anos depois da Marcha Indígena por outros 500 em 2000, em Coroa Vermelha (BA), o movimento indígena teve sua maior mobilização. O segundo Acampamento Terra Livre realizado as portas do Congresso, na última semana do mês de abril, contou com a participação de mais de 700 lideranças indígenas de 89 povos vindos de todos os cantos do Brasil. Enquanto as manifestações se desenrolavam dentro do acampamento na Esplanada dos Ministérios, propostas iam sendo formuladas para que, ao término, fossem apresentadas ao governo. Estas propostas estavam baseadas principalmente em três pontos: reconhecimento, homologação e desintrusão das terras indígenas; apoio da base do governo no Gongresso contra os projetos de lei e às propostas de emenda à Constituição que ameaçam os direitos indígenas; e a criação de um Conselho Nacional de Política Indigenista que servisse como instância para tomada de decisões. O Acampamento Terra Livre conquistou o compromisso dos Ministros da Justiça, Márcio Thomas Bastos, da Casa Civil, José Dirceu e da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci de implementar o Conselho Nacional de Política Indigenista. Já o líder do PT no Senado, Delcídio Amaral, o Senador Eduardo Suplicy e o Deputado Eduardo Valverde, coordenador da Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas deram sua palavra de que fariam o possível para segurar o rolo compressor das propostas e emendas no Congresso Nacional. Se os pontos apresentados demonstraram a disposição de diálogo, a queima de um boneco do senador por Roraima, Mozarildo Cavalcanti principal articulador das propostas antiindígena no Senado no encerramento do Acampamento, simbolizava que, por outro lado, o movimento estava atento e pronto para o embate sempre que preciso. Enfim a bonança Mas o que realmente fez frear as ameaças aos direitos indígenas foram as denúncias de corrupção da oposição contra o Governo. A criação das CPI s que provocaram a crise política, monopolizou a agenda política do País barrando qualquer outro tipo de discussão. Assim, a frente antiindígena se desagregou e perdeu o compasso de sua ofensiva. Fora do foco das atenções parlamentares, o movimento indígena ganhou tempo para respirar, articular-se com seus aliados e se fortalecer para enfrentar outras batalhas como a construção da Usina Hidroelétrica de Belo Monte, a transposição do rio São Francisco, a invasão de empresas multinacionais de celulose, o sucateamento do serviço de saúde, o reconhecimento de sua identidade e a imobilidade da Funai com relação à demarcação das terras indígenas, através das campanhas e retomadas. Em meio a tantas lutas foi possível contabilizar como saldo do movimento a homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol, bandeira da resistência de todos os movimentos populares no Brasil. A paralisia das forças políticas antiindígenas em Brasília pode continuar por mais um bom tempo, já que as apurações das CPI s, as cassações de deputados e o início das campanhas eleitorais devem continuar monopolizando a agenda política até Dois mil e seis é um ano importantíssimo para os povos indígenas. Três conferências estão previstas: a Conferência Nacional de Saúde Indígena (programada para março), Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena (ainda sem data) e Conferência Nacional dos Povos Indígenas (provavelmente em abril). Paralela às conferências, o Conselho Nacional de Política Indigenista instância que deve sugerir políticas públicas indigenistas deve ser criado. Alguns momentos, como o Fórum Social Mundial, em janeiro; a celebração dos 250 Anos do martírio de Sepé Tiaraju, em fevereiro; o Terceiro Acampamento Terra Livre, em abril, são boas oportunidades para pensar o futuro em consenso entre lideranças, organizações indígenas e indigenistas. 3

4 Grandes projetos Há espaço para os povos na integração sul-americana? Fotos: Geertje Van der Pas Priscila D. Carvalho Repórter D oze governos da América do Sul planejam a realização de um conjunto de obras para a interligação física da região. Foram selecionados 31 projetos para serem financiados inicialmente, de uma lista inicial de mais de 300 obras de hidrovias, ferrovias, estradas e hidrelétricas, construídas com o objetivo de aumentar a produção de energia, ampliar a estrutura de telecomunicações e de transportes para o escoamento da produção sobretudo da agroindústria e recursos naturais. Os projetos serão financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e por outras instituições internacionais. Questionamos a lógica deste projeto de integração: mais uma vez, uma integração comercial, que aponta para o exterior. As obras previstas passam por áreas sociais sensíveis e estas áreas são vistas como espaço para produção agrícola para exportação, que tem baixo valor comercial e alto impacto social e ambiental, afirma Carlos Tautz, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). A infra-estrutura criada pretende facilitar a exportação de gás natural e petróleo, de frutas e grãos, de gado, papel e celulose, entre outros produtos. Para Guido Mantega, presidente do BNDES, as obras para a integração física latino-americana trarão ampliação do comercio no bloco regional e aumento da competitividade das empresas nacionais, além de atração de investimentos nacionais e estrangeiros. As obras planejadas para integração ocorrem em espaços que concentram recursos naturais, localizadas em sistemas agro-ecológicos sensíveis e com evidente importância geopolítica, questiona Carlos Tautz, que relaciona alguns dos locais onde há obras previstas e as bases militares norte-americanas na América Latina Em novembro, Tautz participou da primeira reunião sobre este projeto com a presença de representantes de grupos que não são dos governos ou do setor empresarial. Na avaliação das entidades presentes, entre elas a Rede Brasil, o projeto vê a América do Sul como plataforma de exportação de recursos naturais ou como produtora de materiais que os estados ricos transferiram para os países pobres pelo alto custo ambiental, como o caso da energia e da celulose. Esta primeira reunião ocorreu cinco anos depois do início do planejamento deste conjunto de projetos, que leva o nome de IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul Americana). E a presença das entidades e redes não governamentais na reunião só existiu depois de meses de pressão e de mais de dois anos em busca de informações. A falta de clareza desse processo e a dificuldade de acesso a informações públicas foi um dos pontos criticados pelos grupos que participaram do encontro. A participação de grupos sociais apenas agora impede que, em um projeto que diz pretender integrar a América do Sul, sejam ouvidas as expectativas de setores que não têm uma visão meramente econômica do tema. Não somos contra a integração entre os países. Mas a infra-estrutura não é neutra. Ela tem poder modelador, ela define o que será produzido. E, neste projeto, são construídos caminhos desconectados dos mercados regionais e internos. É um aprofundamento do modelo que temos hoje, afirma Luis Fernando Novoa, da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip). ONGs e movimentos sociais como a Rede Brasil, o Movimento dos Atingidos por Barragens, Inesc e Rebrip - formaram um Grupo de Trabalho para discutir a Integração da América Latina. O Grupo deverá, entre outros objetivos, avaliar os impactos da Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA) no meio ambiente e nos povos da região e aprofundar os debates sobre formas de integração que levem em conta as populações. Integração para quem? 4 P Geertje Van der Pas Repórter orto Velho, Rio Branco, Assis Brasil e Puerto Maldonado. São algumas cidades onde o projeto IIRSA no futuro deve deixar seus rastros. Estas cidades formam o triângulo Brasil, Peru e Bolívia e por isso um bom exemplo da integração que o projeto IIRSA tem como objetivo. Este também foi a razão para um grupo de pesquisadores da Holanda visitar esta região no fim de outubro deste ano, em companhia de nossa reportagem. Os pesquisadores queriam ver como o projeto IIRSA está sendo realizado e quais podem ser as conseqüências para a região. Pitou van Dijck foi um dos participantes da viagem. Ele é professor de economia (políticas macro-econômicas e de comércio) no CEDLA, Centro para Estudos e Documentação da América Latina, em Amsterdã (Holanda), com interesse específico em reformas estruturais na liberação de comércio. O argumento do projeto IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul Americana) é o de fazer uma reforma estrutural com o intuito de mudar as relações econômicas do mundo para surgir uma outra geografia econômica diferente dentro da América Latina. Também é possível que aconteçam grandes efeitos negativos na área social e ecológico. Para mim é um desafio ver como governos poderiam conviver com estas políticas, com a consciência das grandes limitações da capacidade e vontade política para enfrentar estes problemas, critica Pitou van Dyck. Charles Falcão, coordenador do Cimi Amazônia Ocidental, acompanhou o grupo numa parte da viagem. Ele explica que as obras planejadas pelo IIRSA em sua região são voltados para um conjunto de obras estratégicas visando à ligação do Brasil com o Oceano Pacífico. Diante deste projeto de desenvolvimento os indígenas já estão sendo atingidos diretamente e indiretamente, como é o caso dos Katukina que têm sua terra cortada ao meio pela BR364, onde recentemente houve um assassinato bárbaro de uma liderança do povo, bem como invasão de terras e agora também o risco de exploração madeireira em áreas de entorno das terras indígenas ou até mesmo de retirada ilegal de madeira, causando um processo de desestruturação social muito grande a estas populações, tendo em vista que poucas ações são desenvolvidas para amenizar estes impactos. Na prática... Durante a viagem visitamos a Terra Indígena Apurinã BR 317-KM124. O nome da Terra Indígena já mostra a importância desta estrada. A BR317 é a estrada que conecta no sul do Acre a cidade Rio Branco com Assis Brasil e desde a Ponte da Integração, também com Peru. Ao norte de Rio Branco a BR317 segue para o estado do Amazonas, aonde termina na Boca do Acre, ali o Rio Purus fará a conexão com Manaus. Fomos avisados que a estrada só estaria asfaltado parcialmente. E realmente na fronteira do estado do Acre com Amazonas o asfalto parou, tendi pela frente uma estrada de terra vermelha com muitos buracos. Depois de duas horas viajando passando paisagens tristes de pastagens, pastagens e mais pastagens, com as vezes uma arvore solitária queimada, vimos o verde se aproximando. Naquele momento Alcan-

5 Impactos das hidrelétricas são exemplo dos motivos de preocupação Os projetos implementados pelo IIRSA, que buscam uma integração econômica latino americana, tem ignorado totalmente as comunidades indígenas que estão em seu caminho. Assim, projetos, de grande impacto, têm sido levados adiante sem a consulta das comunidades como determina a legislação. A necessidade de planejamento do impacto deste conjunto de obras sobre as populações de toda a América Latina, entre elas os povos indígenas, também foi colocada pelos participantes não governamentais da reunião realizada em novembro. Até este momento, não se sabe quais ou quantas obras propostas serão construídas em terras indígenas no Brasil e no exterior, ou mesmo próximas a elas. Apesar de um discurso dos promotores da IIRSA sobre a preocupação social e ambiental, pouco se fala sobre o impacto das obras nas populações locais. O discurso do governo brasileiro, apresentado por Marco Aurélio Garcia, assessor da presidência da República, é de que a IIRSA abre a possibilidade de presença econômica mais competitiva do Brasil, interiorização do desenvolvimento e desenho de uma nova geografia econômica, com diminuição dos obstáculos ao desenvolvimento e criação de empregos. Apesar das promessas de desenvolvimento das regiões que poderão ser fisicamente integradas, as entidades que debatem a IIRSA questionam se os supostos benefícios deste desenvolvimento alcançarão as populações ou se apenas as necessidades das empresas nacionais e transnacionais serão atendidas. Os eixos da IIRSA são recortes das áreas dinamizadas nos últimos 20 anos, e vão otimizar os enclaves e são sistemas voltados para o mercado externo, desconectados dos mercados regionais, avalia Luis Fernando Novoa, da Rebrip. A preocupação com a relação entre os grandes projetos e as populações locais vem da experiência. Carlos Tautz lembrou que a construção da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, trouxe centenas de trabalhadores para aquela região e, depois do final da obra, eles não encontraram mais trabalho, o que provocou aumento de taxas de desemprego e da pobreza na cidade. Sem planejamento para receber a população que aumentou, também as favelas cresceram sem condições de moradia e higiene. Números do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) provam que as hidrelétricas não geram muitos empregos diretos. O objetivo de obras como as barragens não é gerar eletricidade para a população, mas abastecer indústrias que consomem muita energia e que foram exportadas dos países ricos para os países pobres, por causa dos seus grandes impactos ambientais, como é o caso das empresas de alumínio e de celulose. Em relação aos impactos destas obras sobre as populações ribeirinhas, o MAB contabiliza que, nos 40 anos de construções de barragens no Brasil, 1 milhão de pessoas já foram expulsas de suas terras e, de cada 100 famílias, 70 não receberam compensações. Ainda segundo o movimento, estão previstas cerca de 480 grandes barragens nos próximos anos e, em quatro ou cinco anos, 100 mil famílias poderão ser expulsas de suas casas e de suas plantações pelas obras. çávamos a terra Apurinã e aí a floresta felizmente está inteira. A liderança Rocky Yamanawá nos recebeu e explicou que na década de oitenta, quando a Terra Indígena Apurinã da BR317- Km 124 foi demarcada, a demarcação deixou de fora uma área localizada às margens do rio Acre, todavia esta área era considerada tradicional para os Apurinã. Naquela ocasião os Apurinã não questionaram a Funai. Agora esta mesma área está sendo ocupada por posseiros que sem autorização dos órgãos responsáveis, estão sistematicamente fazendo derrubadas para retirada de madeira. Nos últimos, anos. Desta forma, para resolver o problema de invasão e assegurar sua terra tradicional os Apurinã resolveram reivindicar esta área. Antônia Apurinã relata sobre a estrada que corta a terra indígena. Em principio uma estrada não precisa ser ruim. Nós não somos contra, porque uma estrada pode facilitar o acesso aos médicos na cidade, ou possibilita o comércio dos nossos produtos na feira. Nós crescemos com a estrada que sempre passou pela nossa terra. Mas quando a estrada for asfaltada, a influência da cidade vai ser muito maior. Vai ter mais acidentes, porque nossas crianças não estão acostumadas com carros correndo muito rápido. Além disso, as animais vão ser atropeladas, especialmente a noite, e isso vai fazer a caça mais difícil e vamos ficar com menos comida. As conseqüências negativas têm que ser pensado e nós queremos que sejam tomados medidas para proteger a gente. Um outro problema que pode se agravar com o asfaltamento da estrada é o uso do álcool. Quando se leva só uma hora para chegar na cidade e seu carro não sofre com a estrada ruim é mais fácil ir para a cidade e visitar um bar, como já aconteceu com outros povos que tiveram sua terra cortada por rodovias. Antônia explica ainda que seu tem um convívio de muito tempo com a estrada Tem povos indígenas que quase não têm contato nenhum com a sociedade. Quando uma estrada passa por estas terras, poderia fazer desaparecer mais uma cultura. Consultar para escolher O economista holandês Pitou van Dyck explica que um projeto infra-estrutural deste tamanho as pessoas em questão precisam ser muito bem informadas e consultadas. O Cimi historicamente tem o papel de estar juntamente com os indígenas, acompanhando as discussões e denunciando quando necessário às irregularidades existentes neste processo, o IISRA é um caso onde as informações, até mesmo porque com as populações tradicionais pouco é discutido sobre este projeto de desenvolvimento sustentável. Este procedimento contraria a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho que trata de populações indígenas e da qual o Brasil é signatário. Charles do Cimi concorda acredita que projetos infra-estruturais podem ter vantagens, Acre é um estado distante dos grandes centros econômicos e com regiões bastante isoladas, então nós não podemos ignorar a utilidades destas obras para o estado do Acre. Porém não podemos analisar só na visão capitalista, onde prevalece o interesse dos grandes investidores, desrespeitando os principais atores deste processo que são as populações impactadas, tendo em vista que estas populações são as detentoras do maior patrimônio ambiental do planeta. 5

6 Povos sem Contato Encontro Internacional debate indígenas isolados 6 Gunter Kromer e Luiz Cláudio Cimi Norte I e Cimi Norte II A idéia de progresso responsável pelo genocídio dos povos originários deste continente, hoje conhecido com América, ainda coloca em risco povos inteiros. As vítimas mais indefesas desta idéia são os povos que se mantêm sem contato. Assim, o 1º Encontro Internacional sobre Povos Indígenas Isolados da Amazônia realizado nas margens do rio Guamá, na cidade de Belém do Pará, teve como propósito discutir a situação de risco em que se encontram os povos indígenas isolados ou com pouco contato com a sociedade envolvente, que vivem nos países Amazônicos ou no Chaco Paraguaio. O encontro contou ainda com a presença de antropólogos, juristas e médicos da França, Inglaterra, Itália, Paraguai e os Amazônicos Peru, Venezuela, Bolívia, Equador; Colômbia e teve o apoio da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e CGII (Coordenação Geral de Índios Isolados) da Funai. Com trabalhos sob a coordenação do CGII, a Funai apresentou os dados que indicam a existência de 42 grupos indígenas isolados, sendo que 22 já têm sua existência confirmada, e outros 20 estão ainda por ser confirmados. A convenção 169 da OIT foi apresentada como um instrumento legal válido para todos os países que a ratificaram. Dos países presentes neste encontro, o Brasil foi o último a ratificar a convenção. Embora ainda praticamente ignorada pelo Estado brasileiro, os próprios representantes da Funai ressaltaram a importância do artigo na convenção que garante o direito à auto-identificação dos povos. Tal reconhecimento afetaria diretamente a vida dos povos resistentes que lutam por sua identidade. A situação jurídica dos povos indígenas isolados foi um dos principais temas, principalmente quanto ao direito dos povos em se manterem isolados das sociedades nacionais. Alguns conceitos foram debatidos para se saber se o isolamento a que estes povos estavam submetidos era ou não voluntário ou mesmo a possibilidade do retorno ao tutelamento institucional, no caso do Brasil. A mesa temática mais importante foi Contato ou não-contato, com discussões sobre a proteção legal e seus dispositivos jurídicos e a proteção física (proteção territorial, preservação ambiental e saúde), todos foram unânimes pelo não-contato. O antropólogo John Hemming apresentou um painel sobre o histórico dos contatos realizados no Brasil sob o patrocínio Estatal no século XX e suas conseqüências dramáticas para os povos. Entre os muitos casos expostos estavam os do Xicrim do rio Cateté, Xavante, Txucarramãe, Kararaô; Mekranotire; Suyá; Txicão ; Waimiri-Atroari; Krenakore entre tantos outros, sempre contatos traumáticos motivados por interesses econômicos e militares que resultaram em graves danos a estas comunidades. Todas essas sociedades antes de serem contatadas debateram intensamente a conveniência ou não de permitir estes contatos e de como iriam reagir às campanhas de atração; os resultados pós-contato foram em geral desfavoráveis com a morte de muitos devido às epidemias e ao roubo de seus territórios. Interessante foi a análise socioeconômica, cultural e política, identificando como grave ameaça para os povos isolados, o neoliberalismo com seus megaprojetos (hidrovias, mineração, agropecuária, desmatamentos, privatização de recursos naturais, colonização) e outros agentes externos como por exemplo os antropólogos e missionários. Destaque foi dado a um vídeo sobre a situação de um grupo de índios isolados que vivem no parque Yasuní no Equador e que sofrem pressão econômica de empre- Fotos: Arquivo Cimi Fotos dos primeiros contato com os Suiá, povo que sofreu muito com impacto da chegada do branco sas petrolíferas que exploram campos de petróleo dentro da área do parque. Dentre essas empresas, encontra-se a Petrobrás que pressiona de todas as formas o governo equatoriano para permitir que ela faça uma estrada cortando o parque a fim de facilitar a sua exploração. Para realizar esta obra o Estado brasileiro mobilizou sua diplomacia para interceder junto ao governo equatoriano em favor da empresa brasileira, pendência que até agora não foi resolvida. O encontro encerrou com a produção de um documento a ser encaminhado às autoridades constituídas dos países que fazem parte da Amazônia Legal e do Chaco Paraguaio, onde se pretende divulgar a existência dos povos indígenas isolados e fazer valer seus direitos no âmbito das nações para constituir instrumentos legais que possam garantir a sobrevivência destes povos, através da proteção territorial, do meio ambiente e da biodiversidade. A carta, provisoriamente denominada de Carta de Belém, refere-se à Declaração Universal dos Direitos Humanos. A declaração universal sobre diversidade cultural da UNESCO; a convenção de Paris (UNESCO) sobre proteção do patrimônio intangível; a Convenção sobre diversidade biológica (Rio, 1992); a Resolução sobre povos indígenas que vivem em isolamento voluntário na região Amazônica e no Chaco Paraguaio da União Mundial para Conservação da Natureza (Bangkok, 2004); e a proposta do grupo de trabalho encarre-

7 gado de elaborar o projeto de declaração Americana sobre os direitos dos povos indígenas na OEA, aprovada em sua última sessão (Guatemala; 2005). O documento exige dos governos o reconhecimento dos direitos e proteção dos índios isolados, do território, a garantia de sua integridade e continuidade física e cultural, a aplicação e implementação dos direitos internacionais, de leis específicas para políticas públicas e medidas administrativas. A carta finaliza propondo a suspensão imediata de projetos de desenvolvimento de desmatamento, colonização, extração de recursos naturais, de minérios em áreas habitadas por índios isolados. O problema não é somente a proteção de território ou a suspensão de projetos. Trata-se de rever o modelo de desenvolvimento que cada Estado Nacional tem adotado com base nos preceitos do neoliberalismo, em flagrante desrespeito aos direitos destes povos, como foi visto no exemplo do Parque Yasuní no Equador e no Brasil. Para os participantes ficou a preocupação maior e urgente de defender com rigor o mais inalienável direito destes povos que é o direito à vida. A ameaça dos invasores O s povos sem contato no Brasil estão concentrados no Norte, em estados como Amazonas, Acre, Rondônia, Pará e Mato Grosso. Neste último, vivem 15 destes povos, e seu direito mais fundamental, o de continuarem vivos, está ameaçado pela aproximação de interessados em suas terras. Madeireiros e garimpeiros são as ameaças mais conhecidas. Mas projetos do Estado brasileiro, como hidrelétricas e estradas, também se opõe à demarcação de terras que garantam o espaço para sua vida. Ao mesmo tempo, o Estado não cria as estruturas necessárias para garantir proteção das terras e dos povos. O setor da Funai responsável pelos índios isolados reclama de falta de verbas e de equipes para vigilância. Sidney Posuelo, da Coordenação Geral de Índios Isolados, afirma que, na administração do setor e nas seis frentes de proteção etnoambiental que o compõem, há apenas 9 servidores da Funai e outros cerca de 50 funcionários que não são diretamente ligados ao órgão. Para ele, com esta equipe não é possível avançar na identificação e na vigilância das mais de 50 áreas onde há notícias de povos isolados. Quando há indígenas sem contato o processo de demarcação começa com a interdição da terra, um ato provisório para garantir a sobrevivência dos grupos enquanto se conhece melhor o lugar onde vivem. Enquanto o órgão oficial segue sem estrutura para localizar os grupos e não interdita as áreas, o espaço fica aberto para os invasores. A equipe de Rondônia questiona, por exemplo, a desinterdição, pela Funai, da terra Muqui, onde vive o povo sem contato Jururei, no final de Os fazendeiros foram se aproximando, devastaram a região e empurraram o grupo para dentro da terra Uru-Eu-Wau-Wau. A Funai visitou a região, disse que índios isolados estavam vivendo nesta outra terra e desinterditou a terra Muqui, apesar de haver fotografias deste povo na sua terra. Uru-Eu-Wau-Wau é uma terra homologada, mas com ameaça de madeireiros, e tem mais três povos isolados. Os Ivypiracuara, por exemplo, não fogem, são guerreiros. Se os madeireiros chegarem perto deles, ou vão matar ou vão morrer. Eles tanto são conhecidos como guerreiros que nem mesmo os Uru-Eu-Wau-Wau se aproximam, relata Bavaresco. O problema se agrava também quando há casos em que só um ou dois sobreviventes do grupo sem contato. O Cimi acredita que em qualquer situação é preciso interditar a área e protegê-la, para que os invasores não se aproximem. Apesar do consenso sobre não fazer contato a Funai afirma que, quando os grupos são reduzidos, a única forma de garantir a vida dos índios é o contato. A Funai tem forçado contato com índios. Querem acabar com índios e deixar a terra para os fazendeiros. Exemplo é o chamado índio do buraco que, pelas informações, sobreviveu a um massacre na Fazenda Modelo, região de Corumbiara. Em 1995, sabíamos da existência de três famílias. Agora, o contato com ele serviria para deixar a terra de prêmio ao matador dos índios, questiona Volmir Bavaresco, do Cimi em Rondônia. Histórico sobre o contato com os índios do Rio Pardo Equipe Rio Pardo Cimi-MT D esde 1987 ouvimos falar de índios baixinhos que ao serem percebidos pela nossa sociedade, se afastam correndo. Temos várias testemunhas, registradas em documentário elaborado a partir de pessoas pobres, índios, peões do mato, lavradores e que, de modo geral, tem medo de se expor porque anteriormente receberam ordens de não falar que existem índios ou vestígios de índio por onde andam. Estas pessoas são mais sensíveis e solidárias, dispostas a defender a vida. Em diversos episódios elas nos narraram desta presença sempre relâmpago, e sempre em fuga, ocorrendo em locais diferentes, mas abrangendo a região abaixo do Paralelo Dez, nos vales dos rios Guariba e Branco que é afluente do rio Aripuanã e até mesmo dentro das Áreas Indígenas Arara e Cinta Larga ao noroeste do Mato Grosso no municípios de Aripuanã e de Colniza. Nos últimos dois anos isto não aconteceu devido ao intenso desmatamento e à penetração de invasores. Por exemplo, no assentamento Conselvan, iniciado há cinco anos, e que se localiza próximo de onde ocorreu o contato com a Funai, estão morando mais de pessoas, o que transformou totalmente a paisagem natural existente. No rio Guariba próximo à atual TI Rio Pardo na fazenda Capa, em dois anos entraram mais de 500 famílias que formaram três comunidades. Isto tudo sem f alar do grande avanço das frentes econômicas madeireiras e latifundiárias. Esta realidade traz como conseqüência maior risco de vida para esta população indígena isolada. Taperis encontrados no norte do Mato Grosso comprovam a existência de povos isolados Providências Ainda nos anos 80, a FUNAI constituiu a Frente Etno- Ambiental Madeirinha para atuar nesta região. Mas foi uma mulher muito simples, migrante e residente no assentamento Guariba, que nos repassou a conversa escutada de peões, na parada de ônibus na sede da Fazenda Capa na rodovia MT 206, que levou a pista mais forte para o contato. O teor da conversa assinalava a presença de índios que vieram em grupo, pintados e portando arcos e flechas e que se posicionaram diante de um trator madeireiro que vinha adentrando na mata. Percebendo os indígenas, o tratorista e seus acompanhantes ficaram apavorados e voltaram imediatamente. O local indicado era a 25 km acima direção norte do ponto de parada de ônibus referido acima. De posse destes dados, a Frente Etno Ambiental Madeirinha delimitou 10 quilômetros quadrados no local indicado e passou o pente fino. Quase no final da expedição o próprio coordenador Paulo Welke encontrou debaixo de um grande emaranhado de cipó o primeiro sinal de fogo e acampamento. Logo em seguida foi encontrado o primeiro taperi seguido de muitos outros. Na época da demarcação em 2001 foram plotados no croqui da interdição 17 taperis e hoje, pela informação da expedição de primeiro encontro com os índios, já somam mais de 30. Terra Interditada Pela Portaria nº 447/11/05/2001 expedida pela FUNAI, esta terra foi interditada por três anos e, após este período, pela Portaria nº 521/04/2005 continua interditada. Mas apesar da interdição oficial houve muita penetração de invasores nesta área, abrindo estradas, picadões e encaminhando ações e recursos especiais na justiça contra essa demarcação. Essa interferência dificultou o trabalho de campo da FUNAI e criou um clima de indiferença e até de menosprezo dos índios que estavam protegendo. Como sempre, os interessados na terra originária deste povo indígena continuam negando a existência de seres humanos naquela parte da floresta. Muitas vezes os indigenistas são ridicularizados, porque é comum que autoridades digam Vocês estão enganados! Estes barracos qualquer um faz. Ali não há índio. Já para os servidores da Funai costumam afirmar Vocês estão plantando índios ali. Estão trazendo índios de fora só para pegar terra para vocês. Muitas vezes as informações sobre todos os artefatos e alimentos preparados e estocados, como somente os índios costumam armazenar, são praticamente ignoradas. Por exemplo, castanhas em xiris, montes de pontas de flecha de um metro ou mais amarradas, mel guardado em recipientes de castanha cuidadosamente lixados e vedados com cera de abelha, peixe moqueado ou em farofa de castanha, pilões, redes, esteiras e muito mais coisas próprias desta cultura nativa da floresta amazônica não eram provas suficientes para garantir a proteção deste povo. A expectativa agora é de que com a filmagem que comprova a presença de um índio desconhecido e as duas mulheres que o acompanhavam, encontrados pelos Rikbaktsa e alguns membros da Funai, seja assegurada a proteção e demarcação definitiva desta terra para que se evite mais um massacre nesta região Amazônica. 7

8 Rede Social Inventário de uma infâmia VIOLÊNCIA CONTRA OS POVOS INDÍGENAS NO BRASIL Paulo Maldos Assessor Político do Cimi A o tomarmos contato com os dados relativos às diversas formas de violência praticadas contra os povos e comunidades indígenas no Brasil, em 2005, somos tomados pela sensação de que a invasão colonial continua em pleno Século XXI. Essa sensação torna-se ainda mais perturbadora quando lembramos que tais violências ocorrem quase vinte anos depois da aprovação de uma Constituição (1988) que mudou a orientação da relação do Estado e sociedade brasileiros com relação aos povos indígenas e ocorrem no terceiro ano de um governo federal que prometia aplicar esta nova orientação constitucional na sua plenitude. Sobre o Método As informações sobre as quais trabalhamos para elaborar a análise foram produzidas por uma variedade de fontes: relatos das próprias vítimas; relatos das comunidades indígenas atingidas; denúncias das organizações indígenas (documentos, manifestações públicas); depoimentos de missionários do Cimi que atuam nas áreas indígenas; depoimentos de agentes do poder público que atuam nas áreas indígenas; matérias da imprensa local e nacional. Essas informações chegaram ao Secretariado Nacional do Cimi, enviadas pelos Regionais da entidade, incluídas em planilhas temáticas, cada uma correspondendo a um determinado tipo de violência. Para integrar a sistematização final, no quadro geral consolidado, cada informação teve sua fonte e veracidade checadas pelas Equipes de área do Cimi. No entanto elas não dão os números totais. Está totalização estará em nosso relatório de violência a ser publicado em Mortalidade Infantil Foram relatados 34 casos de morte de crianças, de zero a 12 meses incompletos, sendo as causas imediatas principalmente desnutrição e pneumonia. Fica evidente nos relatos a falta de atendimento médico, de recursos humanos e materiais, de cuidados com as gestantes e com os recém-nascidos, por parte do sistema de saúde. As áreas de maior incidência da mortalidade infantil, nos primeiros doze meses de vida, foram a região amazônica e o estado do Mato Grosso do Sul. Foram relatados 44 casos de morte de crianças, de zero a três anos de idade, sempre por desnutrição, sendo 31 casos referentes ao Mato Grosso do Sul. Foram também relatados 37 casos de morte, de crianças e adultos, por absoluta falta de atendimento médico, sendo 21 crianças, sem idade definida. Daquele total, 31 casos ocorreram na região amazônica. Suicídios Foram relatados 23 casos de suicídio, todos no estado do Mato Grosso do Sul. As idades variam de 12 a 53 anos, sendo mais da metade, 13 casos, suicídios de adolescentes de 12 a 18 anos. Chama a atenção o fato da totalidade dos casos ter ocorrido em um mesmo povo, Guarani-Kaiowá, e num mesmo estado, no Mato Grosso do Sul. Isto revela a situação de confinamento e de ausência de perspectivas de vida a que vêm sendo submetidas as comunidades Guarani-Kaiowá naquele estado, com seus territórios brutalmente invadidos por fazendeiros e com a total paralisia da ação demarcatória pelo governo federal. Mais graves ainda são as características culturais e de faixa etária com as quais se revestem os casos de suicídio. Neste sentido, são freqüentes tais casos durante a adolescência e tendo como detonantes situações cotidianas de discussão ou pequenos conflitos interpessoais ou, ainda, a partir da ocorrência de suicídios de pessoas próximas e familiares. Uma certa decisão íntima, determinada e nunca demonstrada por nenhum sinal externo, parece fazer parte de um padrão entre tais suicídios, o que aumenta a surpresa, a dor e a sensação de impotência frente a este desafio que se constitui para a comunidade indígena. O contexto geral, no entanto, que envolve a todos os casos, é o da absoluta falta de horizonte para a vida daquelas comunidades indígenas. Assassinatos de Indígenas Foram relatados 33 casos de assassinatos de indígenas. Chama a atenção o fato de, novamente, o estado do Mato Grosso do Sul ser onde ocorreu a ampla maioria desses casos, 23 casos. Muitos casos estão relatados como de autoria desconhecida, o que reforça a percepção da impunidade e do acobertamento dos assassinos e mandantes. Em alguns casos, o assassinato foi feito por bandos armados por fazendeiros invasores dos territórios indígenas. É importante destacar o caso do assassinato de uma liderança do povo Truká e de seu filho adolescente, em Pernambuco, por policiais militares vestidos à paisana. Foto: Navarro Tabela de violências Causa Nº de Vítimas Assassinatos 33 Suicídios 23 Tentativas de Assassinatos 22 Ameaças de Morte 12 Violência Sexual 17 Atropelamentos 11 Disseminação de bebida alcoólica 8 Tortura 10 Abuso de Autoridade 9 Trabalho Escravo 3 Mortes por desassistência à Saúde 37 Total de Mortes de Indígenas Registradas até Set/ Esta liderança tinha um lugar de destaque nas retomadas e na defesa do território da comunidade, inclusive na resistência atual ao projeto de Transposição do rio São Francisco. As circunstâncias em que ocorreu o duplo assassinato indicam premeditação, planejamento e apoio aos assassinos por parte do poder local. É importante, também, destacar a ocorrência freqüente de casos de assassinatos de indígenas por outros indígenas, geralmente como fruto de desavenças familiares ou na comunidade, diversas vezes numa circunstância de consumo de bebida alcoólica. Foto: Arquivo Cimi NE Tentativas de Assassinato Foram relatados 22 casos de tentativas de assassinato, sendo que 18 casos somente no estado do Mato Grosso do Sul. Alguns casos envolvem várias vítimas, em grupos de 5 até 20 pessoas que sofreram tentativas de assassinato. Aqui, repete-se a existência de autoria desconhecida, de bandos de pistoleiros a serviço de fazendeiros invasores de territórios indígenas e de casos onde tanto vítimas como agressores são da mesma comunidade e, não raro, da mesma família. Em termos das circunstâncias nas quais estes últimos casos ocorreram, não raro existe a presença de bebida alcoólica. É importante destacar que dois dos casos de tentativas de assassinato de grupos de indígenas, o contexto, sempre no Mato Grosso do Sul, era o da retomada das terras tradicionais pelas comunidades Guarani-Kaiowá e Guarani-Nhandeva, e os

9 Foto: Priscila Carvalho Infâmia - Em sentido horário, Guarani Kaiowá protestam em frente ao Ministério da Justiça contra falta de terra e a desnutriçao infantil; O centro de formação Surumu dos Povos da Raposa Serra do Sol ficou totalmente destruído depois do ataque dos fazendeiros. Povo Truká chora a dor do assassinato de duas lideranças durante seus enterros. Outros casos ocorreram com comunidades em luta pela retomada de suas terras tradicionais. Violências Sexuais Foram relatados 17 casos de violência sexual, sendo 7 casos no estado do Mato Grosso do Sul. É importante ressaltar que 12 casos se referem a vítimas com idades de 8 a 16 anos de idade. Aqui também notamos a recorrência de agressores indígenas, por vezes parentes das vítimas e de agressores não-indígenas, mas que atuam como prestadores de serviço em instituições do Estado. É importante destacar a agressão sexual sofrida por uma adolescente de 15 anos, no estado do Acre, grávida e com dores de parto e cujo agressor foi o próprio médico que deveria atendêla. Este médico já tinha antecedentes como agressor, nas mesmas circunstâncias, de mulheres e adolescentes indígenas, em instituições do Estado, e mesmo assim continuava trabalhando nelas normalmente. Devemos destacar também as agressões sexuais sofridas por crianças e adolescentes, dos povos Guarani e Kaingang, da Terra Indígena Rio das Cobras, no estado do Paraná, cortada pela BR-277. Motoristas que trafegam na BR-277 estão induzindo as menores indígenas que vendem artesanato na beira da estrada a se prostituírem. Violências Contra o Patrimônio São inúmeras as denúncias de invasão dos territórios indígenas por fazendeiros, empresas nacionais e estrangeiras, para fim de desmatamento; extração de madeira, inclusive de espécies em extinção; formação de pastos; atividade garimpeira; expansão do agronegócio do arroz e da soja; despejo de esgoto; expansão de fazendas; apropriação de conhecimentos tradicionais; apropriação de artesanato para comercialização; formação de loteamentos por prefeitura municipal e por particulares; construção de hidrelétricas; construção de hidrovias; pesca de peixes ornamentais para exportação; pesca predatória para comercialização; caça de animais silvestres e para comercialização de peles. As denúncias são generalizadas, em todas as regiões do país. Nas informações sistematizadas pelo Cimi, pelo menos 70 povos foram atingidos pelas diferentes formas de violência contra o patrimônio da comunidade. O imponderável se dá devido ao fato de muitas denúncias abrangerem toda a realidade de um estado, por ex. Mato Grosso; por abrangerem um número indeterminado de povos, por ex. falsas autorizações para manejo de florestas expedidas pela Funai; por abrangerem índios isolados, de diferentes povos; por abrangerem mega-projetos, cujas obras mesmo de preparação atingem muitos povos em toda sua extensão: hidrelétricas, hidrovias, Transposição do rio São Francisco. Outra forma de violência contra o patrimônio são os despejos judiciais e extra-judiciais. Houve 8 denúncias deste tipo de violência ter ocorrido, todas no Mato Grosso do Sul, envolvendo os povos Guarani- Kaiowá e Terena. Em todos os casos tratase de retomadas realizadas pelas comunidades indígenas, de seus territórios invadidos por fazendeiros. Mesmo com a terra sendo reconhecida pelo Ministério da Justiça, o Poder Judiciário toma decisões favoráveis aos fazendeiros invasores; determina a reintegração de posse e a retirada da comunidade, através do uso da força, pela Polícia Federal e Polícia Militar. Por vezes, policiais militares realizam operações violentas de expulsão, mesmo sem autorização judicial. Os despejos chegaram a abranger 3 fazendas de invasores, por um lado, e até dois mil índios em processo de retomada, por outro. Conclusão agressores, pistoleiros a mando de fazendeiros invasores e policiais militares em ações para a reintegração de posse para os fazendeiros. Ameaças de Morte Foram relatados 12 casos de ameaças de morte, sendo 7 casos na região amazônica, 1 no estado da Bahia e 4 casos no estado do Mato Grosso do Sul, sendo este o que mais concentrou casos de ameaça. Foram recorrentes os casos de ameaças de morte a comunidades indígenas inteiras, a lideranças ou a grupos da comunidade por parte de pistoleiros e fazendeiros invasores de suas terras. Três desses casos ocorreram no estado de Roraima, no contexto dos conflitos em torno da homologação da Área Indígena Raposa Serra do Sol. A partir das informações aqui organizadas, por tipo de agressão às comunidades indígenas, durante o ano de 2005, podemos perceber a multiplicidade de formas que a violência continua assumindo para aos povos indígenas no Brasil. Esta violência tem como agentes: Os invasores dos territórios indígenas, geralmente fazendeiros e seus pistoleiros, madeireiros, garimpeiros, comerciantes, caçadores, pescadores, organizados em bandos armados que invadem, assassinam, ferem, ameaçam, estupram e roubam; A Polícia Militar e a Polícia Federal que, a partir de decisões do Poder Judiciário, realizam ações de reintegração de posse, onde não raro são praticadas violências graves contra comunidades inteiras em processos de retomada de territórios, muitas vezes com vítimas fatais; Servidores públicos e membros da sociedade envolvente, ainda impregnados de uma visão preconceituosa e discriminatória com relação às comunidades indígenas e seus direitos; O próprio Estado brasileiro, ao não garantir aos povos indígenas o direito ao território e à vida, à saúde e ao atendimento médico específico, à defesa frente aos agressores, à defesa do patrimônio material e cultural. Pelas informações coletadas, destacamos com preocupação a incidência de violências praticadas pelos próprios indígenas contra outros indígenas, claramente um processo de internalização da violência circundante e fruto de uma desagregação do modo de vida comunitário devido à falta de território tradicional e à falta de perspectivas mínimas de existência. Destacamos também, com muita preocupação, a situação do povo Guarani-Kaiowá no estado do Mato Grosso do Sul, cujo registro de presença - e de presença intensa - de praticamente todas as formas de violência perpetradas contra as comunidades indígenas, nos leva a pensar que estão consolidadas as características clássicas de etnocídio, naquele povo indígena e naquele estado da federação. Por fim, queremos sublinhar que as informações e análises feitas neste breve trabalho devem nos fazer refletir sobre a imensa dívida que o Estado e a sociedade brasileiros possuem com os povos indígenas, sob todos os pontos de vista. Está claro que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que os povos indígenas no Brasil tenham assegurados os seus direitos constitucionais e, principalmente, tenham garantido o seu direito básico à vida e à existência com autonomia e dignidade, de acordo com seus diversos modos de ser. 9

10 Resistência Luta pela terra impulsiona movimento indígena em Tocantins Fotos: Cimi Go/To Kariny T. de Souza Cimi GO/TO N o Estado do Tocantins o movimento indígena vem ganhando impulso a partir das mobilizações realizadas em prol da regularização fundiária da Terra Mata Alagada, área reivindicada pelo povo Krahô-Kanela. Mata Alagada, situada entre os rios Formoso e Javaé, município de Lagoa da Confusão, a cerca de 300 km de Palmas, é a terra tradicional do povo Krahô-Kanela, pois ele a ocupou e a apropriou segundo seu modo tradicional de se relacionar com a terra coletivamente, com o sistema de produção baseado no trabalho familiar, relacionando-a simbolicamente a seus mitos e ritos ou seja, segundo seus usos, costumes e tradições. Até então as reivindicações e atuações das lideranças indígenas deste estado aconteciam de forma mais isolada: cada povo, com suas estratégias próprias, buscava alternativas para solucionar seus problemas. Este ano, porém, o sofrimento do povo Krahô- Kanela e a dimensão de sua luta tornaramse visíveis aos povos Apinajé, Karajá- Xambioá, Krahô, Xerente e Javaé, que se uniram, indignados com o tratamento desrespeitoso e preconceituoso dispensado aos parentes Krahô-Kanela pelo órgão indigenista oficial Funai. Para legitimar esta união a recém-criada Organização Indígena do Tocantins, OIT, assumiu esta causa como bandeira de luta e prioridade em suas ações. Também a sociedade civil organizada reconheceu sua responsabilidade e sua dívida histórica para com este povo. Através da criação do Comitê Pela Demarcação da Terra Indígena Mata Alagada, as entidades que o compõem: Cimi, Centro de Direitos Humanos de Palmas, Prelazia de Cristalândia, Casa 8 de Março, Movimento dos Atingidos por Barragem, Arquidiocese de Palmas e de Porto Nacional, Igreja Anglicana, Organização Indígena do Tocantins, Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Centro de Educação Popular, CEBs, Eco-Terra, APA-TO, Centro Acadêmico da UFT buscam levar esta reflexão para o público com as quais atuam e apoiar concretamente a luta dos Krahô-Kanela. Assim, podemos ressaltar dois importantes momentos decorrentes desta articulação entre o movimento indígena e a sociedade: Mobilização em Palmas De 26 a 28 de outubro, representantes indígenas de todos os povos que vivem no estado, bem como representantes das entidades que compõem o Comitê, estiveram reu- nidos em Palmas a fim de cobrar providências imediatas do Ministério Público Federal, sensibilizar a sociedade e lançar a Campanha Pela Demarcação da Terra Mata Alagada. Para tanto, além de acamparem em frente ao prédio da Procuradoria da República, foi realizada uma manifestação pelas ruas da capital e uma Audiência Pública onde se esperava a presença do presidente da Funai, mas, sua ausência levou as lideranças Krahô-Kanela à conclusão de que o objetivo do referido órgão não seria a de proteção aos direitos indígenas, e sim, de protelação dos direitos. Várias foram as conquistas obtidas após este evento. Além de conseguir total cobertura da mídia e, conseqüentemente, uma repercussão positiva junto à sociedade tocantinense, foi encaminhada à Comissão de Direitos Humanos do Senado o pedido de convocação de uma Audiência em Brasília. Apontamos ainda, como resultado desta mobilização, a Ação Civil Pública impetrada pelo Ministério Público Federal no dia 7 de novembro, onde foi pedida a antecipação da Tutela, visando garantir o retorno imediato do povo a sua terra tradicional; uma indenização à comunidade Krahô-Kanela pelos danos morais sofridos; a avaliação das Lideranças reunidas para criação da Organização Indígena do Tocantins benfeitorias existentes na terra indígena para futura indenização; e a paralisação de todas as atividades predatórias na área. A Procuradoria da República do Tocantins entende que, diante da omissão da Funai e da União em efetuar a demarcação da Terra Indígena Mata Alagada, cabe ao Poder Judiciário assegurar o direito do povo à posse de seu território. Também foi impetrado pelo povo Krahô-Kanela um Mandato de Segurança contra a Funai e a União exigindo a imediata publicação do relatório antropológico da área reivindicada para que se dê continuidade ao processo de regularização. POVO PANKARARÉ: 26 ANOS DA MORTE DA MORTE 10 Benedito Prezia Toponimista N uma das reuniões de articulação dos indígenas de São Paulo, onde compareceram vários representantes Pankararé, originários da Bahia, encontramos com Renato Ângelo Pereira, filho do importante cacique Ângelo Pankararé, assassinado em 1979, a primeira liderança indígena morta, com repercussão nacional. O importante grupo Pankararé, de trajetória sofrida, está espalhado não só na capital, como também em Osasco e Guarulhos, cidades da Grande São Paulo. Para obter mais informações sobre Ângelo e a situação atual da área Pankararé, a reportagem foi ao encontro de Renato, na zona norte de São Paulo, e por mais de uma hora conversou sobre o líder que deixou uma mensagem de luta para esse povo. A comunidade Pankararé, localizada no nordeste da Bahia, não é muito conhecida já que conta com apenas 1300 pessoas. É formada pelas aldeias: Brejo do Burgo que inclui o núcleo do Chico, na desértica região do Raso da Catarina Batida, Pedras e Quixaba. Fotos: Arquivo pessoal Filho e pai: Renato Ângelo Pereira carrega a memória do pai, o líder Ângelo Pankararé Os Pankararé fazem parte da grande nação Pankararu, tendo se dispersado talvez no final do século 19, quando foi extinto o aldeamento de Brejo dos Padres, em Pernambuco. O resgate da memória Na ocasião do assassinato de Ângelo, Renato tinha 35 anos. Era casado e estava em São Paulo internado para tratamento de saúde, quando soube da morte do pai pela televisão. Com a serenidade de uma liderança, curtida pela vida, Renato começou a falar do assassinato. Meu pai foi assassinado por causa da situação da aldeia. Depois que ele começou a ficar à frente, enfrentando os problemas, ficou muito mal visto, ficou jurado de morte. O pessoal do município de Nova Glória (BA) queria que ele saísse disso para a aldeia não ir pra frente. Quando entrou nessa luta, a coisa mudou muito, pois era um homem de muito respeito. Conta que era um médio proprietário, com quatro ou cinco roças, vários empregados, com carro para levar as coisas pra feira, animais, boa casa de moradia, boa casa de farinha. Como diz Renato, ele não precisava entrar naquela luta, mas ficou revoltado, vendo tanta coisa errada, tanta exploração contra o índio. Ele era índio, mas antes não se mexia muito, pois tinha seus afazeres. O problema começou quando um político da região ganhou para prefeito de Nova Glória. Essa cidade veio substituir a antiga povoação, desaparecida nas águas da represa de Paulo Afonso. A situação piorou muito e Se alguém tinha um pedacinho de terra, um branco vinha e tomava aquela terra. Quando ia reclamar, enrolavam, enrolavam... e a justiça sempre apoiava o branco. Renato lembra que foram feitas três reuniões com os interessados nas terras dos índios que ofereciam dinheiro para convencer o pai a largar aquela luta. Diziam que se seu pai não desistisse o negócio ia ser duro e que ia morrer gente.

11 Encontro dos Indígenas Durante a realização do Encontro dos Indígenas, nos dias 24 e 25 de novembro, no município de Gurupi, onde os Krahô-Kanela encontram-se confinados, privados de liberdade e das condições mínimas para sua sobrevivência física e cultural, lideranças Apinajé, Karajá-Xambioá, Krahô, Xerente, Javaé e Tapuya reiteraram o apoio incondicional aos parentes expulsos de sua terra tradicional. Na ocasião, refletiram sobre a conjuntura; discutiram sobre o retrocesso da política indigenista; recordaram o exemplo da demarcação da terra Apinajé, que só foi efetuada depois de muita luta, porque contou com o apoio de outros povos; mas, principalmente, explicitaram a posição firme e unânime de se partir para a solução do problema. Certo que dias melhores virão na luta de seu povo Argemiro Krahô-Kanela afirmou, A lei mandando ou não, nós vamos voltar pra nossa terra. DE SEU LÍDER Renato procurou o seu pai só para contar a história, e a resposta foi: Jamais aceito isso! Voltaram a procurá-lo, oferecendo um carro e dobrando a quantia em dinheiro. Mas a resposta continuou a mesma. Este grupo era ligado ao prefeito que na época acumulava muito poder e terra naquela região. Com a recusa ao dinheiro, Renato afirma que seu pai ficou marcado. Tudo que fazia era denunciado. Nessa época ele não podia andar só. Se andasse só, podia aparecer morto. Naquela época a Funai não deu nenhum apoio para os índios... sempre devagar, como ainda é hoje. Meu pai ia a Salvador, a Recife pedir um posto policial, e a Funai ficava enrolando, dizendo que ia amanhã, que ia depois... A Funai só chega atrasada... Como já disse, sou índio porque meu pai era índio, minha avó era índia. Então sou índio, na aldeia, aqui em São Paulo, no inferno... independente de Funai, Funasa... Mesmo sem apoio, eu vou ser índio. Se na época a Funai tivesse criado um posto policial lá, Reserva indígena é proposta para povo Krahô Kanela O presidente da FUNAI, Mércio Pereira Gomes, decidiu não considerar a terra reivindicada pelos Krahô-Kanela como território tradicional deste povo. Com isto, a criação de uma reserva indígena no mesmo local onde fica a terra reivindicada pelos Krahô-Kanela foi a solução encontrada para garantir terra para a vida deste povo, que há mais de 30 anos luta por seu território tradicional. A criação de uma reserva indígena é uma vitória dos Krahô-Kanela em um cenário em que a direção da Fundação Nacional do Índio (Funai) já havia negado sua responsabilidade sobre o destino deste povo. Pelo acordo firmado esta semana, a constituição da reserva indígena deverá ser feita em duas etapas. Até no máximo 31 de janeiro de 2006, a Funai deverá adquirir, em caráter emergencial, duas fazendas que serão vistoriadas pelo Incra, com superfície de cerca de sete hectares. O Incra dispôs-se a repassar à Funai recursos orçamentários para a aquisição das terras desta primeira fase. O restante da área (...) deverá ser implementado mediante dotação orçamentária extraordinária à Funai. Para tanto, esse pleito será encaminhado ao Ministério da Justiça, diz trecho do documento firmado pelos indígenas e pela Funai. O senador Paulo Paim, vive-presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, comprometeu-se a apresentar emendas no Orçamento da União em 2006 para que sejam disponibilizados os recursos necessários para a constituição da reserva. A ação tem como objetivo garantir que os Krahô-Kanela tenham acesso a toda a sua terra até o final de (P.D.C.) meu pai não tinha sido morto, reclama Renato. Continuar lutando O filho do líder assassinado conta que as autoridades pouco fizeram na época do crime. Só botaram na televisão o acontecido. O rapaz que matou, ficou na região, mas ninguém fez nada... Não prenderam porque não quiseram, pois o assassino estava em Jeremoabo... A polícia não quis, ninguém se interessou. Com a morte de Ângelo, a comunidade não se intimidou. Pelo contrário, alguns ficaram até com mais força. A Funai também passou a dar mais atenção para a comunidade, colocando um Posto na área. A memória de Ângelo Pankararé anda meio esquecida, sobretudo pela nova geração indígena, mesmo que o Posto de Saúde e a escola tenham seu nome. Até entre os que estão em São Paulo, retomando a nossa organização, nem todos sabem quem foi ele, comenta Renato. E conclui: Quero mostrar o que saiu no jornal [Porantim], na época da morte do meu pai, e dar uma cópia para cada um, para o pessoal conhecer quem foi ele. Um golpe antiindígena no Congresso Paraguaio Egon D. Heck Cimi MS N o dia 3 de novembro o Congresso Nacional do Paraguai aprovou a lei que modifica e derroga a atual Lei 904 Lei das Comunidades Indígenas, de 1981 que legisla sobre os direitos indígenas neste país. Estupefatos, a maioria das comunidades indígenas e seus aliados se viram surpreendidos pela aprovação desta lei e traídos em seus direitos conquistados. Sem demora se iniciou um processo de mobilização de indígenas que se dirigiram desde suas comunidades até a capital Assunción, com o objetivo de conseguir que o presidente de República, Nicanor Frutos, vetasse integralmente o projeto de lei aprovado no Congresso. Essas mobilizações tiveram amplo apoio e foram coordenadas pela Coordenação pela Autodeterminação dos Povos Indígenas do Paraguai CAPI, que tem à frente o Guaraio da região do Chaco, Hiupolito Acevei, e o Guarani Nhandeva, Julio Martinez. A mobilização e a audiência com o Presidente da República Em poucos dias em torno de índios chegaram a Assunción. Ali, com base num ex-seminário Metropolitano, realizaram debates, rituais e manifestações pelas ruas da cidade até o palácio presidencial. Depois de uma semana de pressão conseguiram finalmente ter uma audiência com o presidente Nicanor, no final do dia 18 de novembro. Na conversa com o presidente obtiveram a promessa de que a lei não será sancionada, esperando as contribuições da comissão indígena que serão escolhidas para continuar os debates com as comunidades e depois entregá-las ao presidente da República. A partir do veto, o projeto de lei retornará ao Congresso onde terá novamente seu trâmite até ir a nova votação. Porque o projeto aprovado significa um golpe contra os índios A lei aprovada é considerada na avaliação do movimento indígena e seus aliados como um retrocesso aos direitos já garantidos na Constituição e na legislação internacional como a 169 da OIT, ratificada pelo Paraguai em Vejamos os principais retrocessos, conforme documentos distribuídos pelo movimento: No tema da terra-território não introduz nenhuma mudança para a recuperação das terras indígenas em terras privadas ficando sem procedimento algum, tendo-se derrogado o estabelecido pelo ex IBR. Conforme um dos aliados, na verdade, o que se estava pretendendo era diminuir pela metade a base de cálculo das terras indígenas, que na região Oriental passaria de 20 para 10 hectares por família, e na região do Chaco, onde a base era de 100 hectares por família passaria para 50 hectares. No capítulo sobre exploração mineral não se menciona o direito à consulta prévia, podendo-se realizar a exploração com ou sem o consentimento das comunidades indígenas. Não existe clareza sobre os procedimentos de aplicação do direito consuetudinário, direito à propriedade intelectual, direito à defesa do patrimônio territorial indígena, direito à saúde e educação, dentre outros. No título relativo à estrutura de aplicação se reforça no INDI- Instituo Nacional do Índio, seu caráter tutelar de atividades indígenas e seu perfil assimilacionista e paternalista. Existe a perda de autonomia das comunidades, na medida em que se constitui como autoridade máxima o Conselho Nacional Indígena e outros mecanismos que de alguma maneira sujeitam o movimento indígena ao controle do Estado. Além disso, a aprovação da Lei viola a Convenção 169 da OIT e também a Constituição Nacional por que atenta contra seus artigos 62 a 66. Esta nova lei das comunidades indígenas contém concepções anacrônicas e volta ao um indigenismo paternalista e assimilacionista da década de 80. O atropelo: fica a lição Ameríndia Olhando para os acontecimentos dos últimos dias no Congresso Paraguaio, uma lição de alerta se impõe quando os interesses antiindígenas se articulam fazem aprovar leis que representam retrocessos nas conquistas dos povos indígenas. No Paraguai, estava em discussão desde que o governo Nicanor assumiu em 2002 a proposta de uma nova lei das comunidades indígenas com a participação dessas comunidades. Em 2003 foi tirada uma primeira proposta de consenso, para voltar a aprofundar e consultar todas as comunidades. Esse processo estava em curso, quando repentinamente, dentro de uma semana, os congressistas elaboraram e aprovaram uma nova proposta de lei. E tudo isso sob o pretexto de se livrar umas duas dezenas de indígenas que permaneceram por um mês na praça Itália, trazidos por funcionários do órgão indigenista contrários à atual presidente do INDI, Marta Dávola. Depois de pedirem a destituição da presidente do órgão, passaram a pedir que fosse solto o ex-presidente que está no cárcere. Na seqüência, passaram a exigir a aprovação de uma nova Lei das Comunidades Indígenas. E esta proposta foi logo encampada por alguns parlamentares antiindígenas que conseguiram convencer a maioria. (confuso) 11

12 Ameríndia Chegando a presidência, Evo Morales terá um grande desafio político pela frente: mudar a história da Bolívia O caminho e as pedras para Evo Morales Cristiano Navarro Editor do Porantim H á poucos dias de um momento importante em sua história, o povo boliviano vai às urnas com grandes possibilidade de eleger como presidente da república o líder indígena Aymara, Evo Morales, candidato pelo partido Movimento Ao Socialismo (MAS). Para além do seu desempenho como candidato, Evo um sindicalista que trabalha com folha de coca, esteve perto de chegar à presidência da república nas últimas eleições e que esteve à frente de praticamente todas as revoltas populares nos últimos anos deve encontrar dificuldades para tomar posse e governar. A primeira das dificuldades será formar um parlamento forte que aprove seu nome na presidência; a segunda que este mesmo parlamento o apóie em um intenso processo de transformação do estado através de uma reforma constitucional prevista para iniciar no ano de Todas as pesquisas apontam a liderança do líder popular com seis pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado, o jovem empresário Jorge Quiroga, que já foi presidente durante o período de um ano. Analistas políticos afirmam que esta vantagem possa ser ainda maior, já que as pesquisas têm dificuldades de cobrir as áreas rurais, lugar onde nome de Evo tem grande simpatia. Apesar dos números, a vitória de Evo não é dada como certa. O sistema eleitoral na Bolívia exige que para que o candidato seja eleito ele deve obter pelo menos 50% votos quadro que parece difícil de ser alcançado por Evo. Caso o candidato eleito presidente obtenha menos da metade dos votos, então sua vitória deve ser reconhecida por 18 dos 27 senadores. Mesmo com todas as dificuldades, a expectativa pela vitória anima a luta dos movimentos sociais. Xavier Albó, antropólogo que há mais de 30 anos trabalha no apoio à luta do movimento indígena no A OUTRA CAMPANHA DO 12 Verena Glass Carta Maior* D ois anos depois do levante indígena no estado mexicano de Chiapas - que apresentou ao mundo o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), em 1996, quando se iniciaram as negociações entre os insurgentes e o governo, foi criado o braço civil do EZLN, a Frente Zapatista de Libertação Nacional (FZLN). O objetivo da Frente, segundo um de seus líderes subcomandante Marcos, era constituir uma organização política, civil e pacífica que não lutaria pelo poder e que seria, já que se pensava à época que os conflitos armados cederiam à negociação política, o canal de luta política aberta do movimento zapatista. A não implementação, pelos governos do então presidente Ernesto Zedillo e seus sucessores, do Acordo de San Andrés sobre Direitos e Cultura Indígenas, assinado em fevereiro de 1996 depois de um árduo processo de negociação, no entanto, acabou transformando a FZLN em um pólo nacional e internacional de solidariedade ao EZLN e aos seus projetos sociais e políticas nas comunidades autônomas de Chiapas. Agora, no último dia 25 de novembro, por decisão do Comando Geral do EZLN e após uma consulta aos membros da FZLN, quase dez anos depois de sua criação a Frente é extinta oficialmente. Em seu lugar, afirmou Marcos em um comunicado na semana passada, um grupo de zapatistas do EZLN sairá a fazer um trabalho político aberto, civil e pacífico na chamada outra campanha, e se abre assim uma nova etapa da luta zapatista pela democracia, a liberdade e a justiça para o México. A dissolução da FZLN é um passo que tem diversas implicações. A primeira é que, com toda honestidade, a FZLN nunca teve força para permear a sociedade mexicana como os zapatistas queriam. Sempre foi um tipo de braço civil [do EZLN], muito limitado em suas ações e muito dependente da linha política provinda de Chiapas. Em segundo lugar, e vendo justamente que a FZLN não tinha força para servir à Outra Campanha, em particular ao objetivo de Marcos de articular uma nova rede social, me parece lógico que os zapatistas peçam a sua dissolução. Ou seja, é necessário criar e recriar todas as instancias de deliberação e organização sociais à medida de todos seus participantes, háa que se trabalhar na inclusão geral e horizontal de todos, o que significa muita discussão, uma proposta diferente da realidade concreta que vivia a Frente. É como reconstruir, de alguma forma, o telhado de uma casa onde agora, por decisão geral e consensuada, vão viver muito mais pessoas, avalia o jornalista mexicano Luis Gómez. Caçadores de cabeças Algumas especulações sobre desvios de conduta de membros e grupos da FZLN, indicadas por Marcos no comunicado sobre a sua dissolução ( houve, é certo, os que usaram a FZLN e sua proximidade com o EZLN para proveito próprio, para lastimar a outros, para ilhar-se e nos ilhar, para ganhar forças em rivalidades pessoais, como plataforma para o protagonismo individual ou de grupúsculos, e para simular compromisso onde só havia uma posição cômoda ), poderiam levar a creditar-se o fim da Frente à exaustão da organização, já que a conjuntura para a qual foi criada não se apresentou. Mas esta avaliação seria simplista demais, senão equivocada. Depois de um longo período de silêncio, em julho deste ano o EZLN voltou à tona com a Sexta Declaração da Selva Lacadona, extenso documento onde os zapatistas avaliam seus dividendos políticos dos últimos 11 anos e os projetos para o futuro. Este documentou causou especial rebuliço no meio político mexicano e latino-americano por fazer duras críticas ao candidato das esquerdas para as eleições presidências de 2006, Manuel Lopez Obrador (Partido Revolucionário Democrático - PRD). Em lugar do apoio a Obrador, a quem considera um continuísta das políticas neoliberais de Vicente Fox, o EZLN conclamou os movimentos sociais a fazer uma outra campanha sem finalidades partidário-intitucionais, que apresentasse à sociedade mexicana a realidade social de um país praticamente engolido pelos EUA depois da implantação do acordo de livre comércio da América do Norte (NAFTA, criado em janeiro de 1994).

13 O Fotos: Mídia Independente Bolívia Centro de Investigação e Promoção do Campesinato (Cipca), é um dos que vê na vitória do MAS uma grande possibilidade de mudança. Junto à candidatura de Evo estão praticamente todas as organizações populares. O próprio Evo faz parte da Confederação Sindical Única de Trabalhadores Campesinos de Bolívia, onde a maior parte dos integrantes desta confederação são Quéchua e Aymara, comenta o antropólogo que em entrevista ao Porantim analisou a conjuntura política boliviana. Além da origem popular, Albó situa Evo como uma liderança muito ligada aos movimentos de contestação latino americanos e diz que suas idéias estão ligadas ao Fórum Social Mundial, as manifestações contra Área de Livre Comércio das Américas. Ele esteve recentemente na cúpula dos povos em Mar Del Plata ao lodo do presidente Hugo Chávez e dos movimentos sociais. Representatividade e Estabilidade política Hoje, Jorge Quiroga representa a elite boliviana e os interesses de empresas e do governo estadunidense, principalmente sobre os recursos naturais, afirma Albó. Foi na defesa destes recursos, principalmente do gás natural que estava em curso de privatização, que os movimentos sociais se levantaram em De lá pra cá, quatro presidentes assumiram e renunciaram ao posto de mandatário na Bolívia devido às pressões populares. Com todo desgaste da classe política boliviana, o MAS por estar envolvido com toda a luta e até por ainda não ter chegado ao poder deve se beneficiar deste momento. As pressões das manifestações populares denunciaram a fragilidade das instituições, a venda dos recursos naturais e o não reconhecimento da representatividade política institucional, forçando o congresso e o presidente interino a assumirem o compromisso de convocar uma nova constituinte. Segundo Albó, a luta cotidiana para mostrar a falta de legitimidade dos governos que assumiram o poder fez com que a luta programática dos movimentos populares recuasse, assim os debates sobre um novo projeto para o país e uma nova Constituição ficaram um pouco de lado, os movimentos sociais terão muito trabalho na elaboração de uma nova legislação logo no início Um novo Estado Diferente do Brasil, a Bolívia é um país onde o censo demográfico aponta para uma população com 62 % de indígenas. Assim pode se dizer que os direitos dos 32 povos indígenas, que vivem neste País, são os direitos de sua população, principalmente da população mais pobre. Inverter este jogo político em sua raiz é o desejo dos movimentos sociais. Todas as instituições bolivianas devem ser pensadas de maneira intercultural, no sentido que estejam armadas para que estes indígenas, que são a maioria do país, não sejam vistos como cidadãos de segunda classe avalia Albó. Na opinião do antropólogo, para que a democracia avance na Bolívia, o Estado deve ser estruturado em um sistema intercultural, no qual todos sejam incluídos. Ele considera que o respeito às diferentes organizações sociais e a garantia de direitos elementares são passos importantes neste sentido, quando se tem de garantir terras, justiça, educação para uma população indígena como na Bolívia, você tem que mudar toda a estrutura do país. Um país que foi todo pensado sem indígenas e que, daqui pra frente, deve ser pensado como um lugar indígena, que é muito mais da metade da população. E se deve pensar que estes indígenas não querem estar ilhados de todo o resto da população. As culturas se misturam, hoje já existe música rap em Aymara, página na internet em Quéchua e assim por diante. Garantir o reconhecimento do direito à terra e o uso fruto aos povos indígenas está no centro das transformações econômicas na Bolívia. Isto porque sob as terras indígenas estão recursos naturais valiosos, hoje explorados por empresas privadas multinacionais. O projeto do MAS para reforma na constituição propõe a estatização dos recursos naturais, a demarcação das terras indígenas e o manejo e comercialização dos recursos em conjunto com as comunidades. As multinacionais já anunciam que se isto acontecer irão entrar com representações na Organização Mundial do Comércio contra o Estado boliviano pela quebra do atual contrato. Por sua vez, o movimento indígena boliviano espera se fazer valer da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho que legisla sobre povos indígenas e que afirma ser necessária a consulta dos povos quando houver qualquer tipo de exploração mineral em seu território. Mobilização Pela frente, os movimentos sociais terão um duro caminho no enfrentamento do processo eleitoral e constituinte, mas o mais importante, segundo Albó, é que o movimento popular está vivo e pronto para pressionar por mudanças verdadeiras. O povo Aymara tem como um de seus pilares fundamentais de sua formação três palavras sábias: ama sua (não seja ladrão), ama quella (não seja frouxo), ama llulla (não seja mentiroso). De certa forma, é o esperam de Evo Morales na presidência da República as forças populares da Bolívia. EXÉRCITO ZAPATISTA Agora, segundo Marcos, uma nova etapa do zapatismo civil se inicia. Faremos com aquelas pessoas que, com a atitude e o trabalho, demonstram que assim o querem, uma nova organização política zapatista, civil e pacífica, anticapitalista e de esquerda, que não lute pelo poder e que se empenhe em construir uma nova forma de fazer política. Quer dizer, o mesmo destino rumo ao que andamos até agora, por caminhos paralelos. Com um detalhe: a nova organização será coordenada diretamente por dirigentes do EZLN, e a integrarão apenas os expressamente convidados. Para a economista e doutoranda em Estudos Latino-Americanos da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), Roberta Traspadini, o ponto focal da nova etapa zapatista, a outra campanha, é uma resposta concreta ao esgotamento social e à descrença geral da sociedade mexicana e, em especial, dos movimentos sociais na institucionalidade partidária existente no país. No ano que vem, avalia Marcela, a disputa vai ser evidente entre Lopez Obrador e sua esquerda (que, segundo os zapatistas, não é mais esquerda) e os movimentos, no sentido de que os últimos, além de procurarem reorganizar o paradigma das esquerdas, pretendem fazer a disputa da sociedade através de um processo de conscientização e formação. A outra campanha será uma grande ação de esclarecimento, um instrumento que dê visibilidade às mazelas do país. Será uma campanha paralela à eleitoral, que levará à sociedade as idéias e as lutas dos movimentos. Não é, porém, uma negação da institucionalidade, é uma rejeição às opções partidárias que se apresentam. A institucionalidade atual é que os negou. É também, de certa forma, uma luta pelo poder, o poder que advém da consciência e da formação, avalia Roberta. Nessa mesma direção, o jornalista mexicano Luis Hernández Navarro, editor de Opinião do jornal La Jornada, afirma que em política não há espaços vazios. Quando uma força abandona uma franja do espectro [político] para tratar de ocupar outra, o espaço que fica é ocupado irremediavelmente por um grupo emergente. (...) Existe, pois, na esquerda do espectro político nacional, um espaço vazio. A forte crítica do EZLN ao PRD e a Lopez Obrador anuncia a sua intenção de ocupar esse território abandonado. Um espaço que não é só ideológico, mas, acima de tudo, político e social. Sua aposta, no entanto, parece querer ir muito além de sua conversão em uma corrente de esquerda alternativa e de massas, para transformar-se em uma força constituinte. Seu diagnóstico da situação nacional prevê o colapso da classe política em seu conjunto, e procura estabelecer um novo pacto social e refundar a nação desde abaixo. Internacionalismo Outro projeto proposto pela Sexta Declaração da Selva Lacadona, ao lado da outra campanha, é a realização de um novo encontro mundial de movimentos e organizações de esquerda, uma nova Intercontinental pela humanidade e contra o neoliberalismo. Primeiramente pensada para dezembro deste ano, a Intercontinental foi adiada em função de um necessário processo de organização e consulta, comunicou o subcomandante Marcos. A idéia, segundo ele, é que o encontro não seja um projeto unilateral do EZLN, mas tenha uma participação de todos os aderentes a nível mundial. Assim, a partir de 1º de dezembro próximo até 30 de junho de 2006, serão feitas consultas preparatórias presenciais ou cibernéticas sobre conteúdo, local e data, esta última indicativa para julho do próximo ano. Para a coordenação da Internacional da Sexta [Declaração da Selva Lacadona] foi nomeada a chamada Comissão Intergaláctica do EZLN, encabeçada pelo tenente-coronel Moisés e, de forma rotativa, por uma equipe de comandantes e comandantas do Comitê Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral (CCRI-CG) do EZLN, além da Comissão Sexta do EZLN, diz o último comunicado de Marcos. E avisa: para a consulta cibernética, a Comissão Intergaláctica colocará no ar, a partir de 1º de dezembro, o site zeztainternazional.ezln.org.mx ( sí, así, con z ). Esta página receberá as adesões internacionais à Sexta Declaração e as propostas e comentários para o Intercontinental. Com informações de La Jornada 13

14 Os índios e o Parque Nacional Paulo Porto Indianista e Assessor de Assuntos Comunitários/Cascavel A expulsão dos 60 indígenas Guarani do Parque Nacional do Iguaçu efetuada pelo Estado brasileiro no último dia 22 deste mês, coroa uma longa e trágica história que já remonta há 500 anos: a relação dos povos indígenas com a sociedade brasileira. A decisão da justiça federal em optar pela retirada à força do grupo Guarani da reserva florestal é absolutamente harmônica e coerente com os vários séculos de conflitos inter-étnicos entre as elites brasileiras, devidamente representadas pelo aparelho repressor estatal, e as comunidades indígenas. O episódio do dia 22 de novembro vem demonstrar de maneira cabal como pouca coisa mudou nesta relação nos últimos 500 anos; em vez de bugreiros bombas de efeito moral; em vez dos feitores de escravos balas de borracha; em vez da guerra aberta de extermínio o confinamento em minúsculas reservas de terras. O juiz federal que ordenou a reintegração de posse e, consequentemente, a ação que expulsou os Guarani do Parque Nacional, jamais esteve sozinho, ele representa ainda que não saiba toda uma lógica perversa, uma engrenagem azeitada historicamente nas diversas frentes de expansão capitalista que paulatinamente vem promovendo a desintrusão dos indígenas de suas terras tradicionais. A verdade é que esta batalha não era entre o direito ambiental representado Assine o Foto: Paulo Porto As marcas da violência policial na expulsão dos Guarani do Parque Nacional do Iguaçu estão no corpo das pessoas pelo Parque Nacional e os direitos dos povos indígenas mas, entre saldar ou não uma imensa dívida histórica junto aos povos autóctones no Brasil. Ao optar deliberadamente pela reintegração por meio de força policial e, desta maneira, prescindir de uma solução negociada para impasse, o Estado brasileiro, mais uma vez, reafirmou a velha máxima da República Velha: a questão social é caso de polícia. O triste saldo desta solução para o conflito salta aos olhos: policiais internados com diversos ferimentos causados por flechas e bodurnadas e dezenas de indígenas Guarani machucados por balas de borracha. Uma perversa reedição do Brasil do século XIX, no qual os indígenas eram caçados como animais nas selvas do sertão brasileiro por agentes do governo nas chamadas guerras justas. No mais, em relação aos indígenas, nada foi resolvido, eles continuam sem terras suficientes, espremidos em 254 hectares para 680 guarani. Enfim, nesta pequena guerra justa do Estado brasileiro versus comunidade guarani, os ferimentos, tanto dos policiais como dos indígenas, servem para revelar cinco séculos de novas e velhas feridas não cicatrizadas, que somente se fecharão quando a sociedade não-índia reconhecer os direitos dos povos indígenas em sua plenitude, em especial o direito fundamental à terra. Infelizmente, no oeste do Paraná, por meio de bombas de efeito moral e balas de borracha, a justiça brasileira aprofundou ainda mais esta dívida. Para fazer a sua assinatura, envie vale postal ou cheque nominal em favor de Cimi/Porantim: (somente por meio de carta registrada) Caixa Postal CEP: Brasília-DF Inclua seus dados: Nome, endereço completo, telefone, fax e . Se preferir faça depósito bancário: Banco Real Ag: 0437 C/C: Cimi-Porantim. Envie cópia do depósito bancário para o fax (61) , especificando a finalidade do mesmo. 14 P R E Ç O S Ass. anual: R$ 30,00 *Ass. de apoio: R$ 50,00 América Latina: US$ 25,00 Outros países: US$ 40,00 * Com a assinatura de apoio você contribui para o envio do jornal a diversas comunidades indígenas do País. Faça sua assinatura pela internet:

15 Influência das Línguas Indígenas no Português E Benedito Prezia Toponimista O tronco Tupi ntre os vários troncos lingüísticos existentes no Brasil, o mais amplo deles é o tupi, pois uma de suas famílias, a tupi-guarani, é a mais difusa e a mais conhecida, como já vimos em artigos anteriores. As demais famílias que formam esse tronco são menos conhecidas, não só por serem mais limitadas geograficamente, como também por serem menos estudadas. Além da tupiguarani, há mais seis famílias arikém, juruna, mondé, munduruku, rama-rama e tupari -, além de três línguas não agrupadas em família aweti, sateré-mawé e puruborá -, estando essa última praticamente extinta. Recordando, uma família lingüística existe quando há mais de uma língua aparentada entre si, revelando que as línguas ancestrais (ou protolínguas) dessas famílias constituíram, por sua vez, num passado mais remoto, uma família com seu próprio ancestral comum (Rodrigues, 1986:41). Essa identificação é feita a partir de estudos comparativos dos cognatos, isto é, de vocábulos semelhantes. Aryon Rodrigues faz um interessante estudo sobre possíveis cognatos de várias famílias do tronco tupi (id., p ). Certas línguas hoje já estão extintas, mas foram identificadas e registradas por viajantes ou estudiosos, como é o caso dos idiomas xipaya e manitsawá, que faziam parte da família juruna. Ao contrário da família tupi-guarani, que ultrapassou as fronteiras do Brasil por conta do caráter andarilho de seus membros, as demais famílias estão localizadas ao sul do rio Amazonas e quase todas no estado de Rondônia, como é o caso das famílias mondé, rama-rama e tupari, o que leva os lingüistas a situar nessa região o berço do tronco tupi. Os falantes da família munduruku viviam e ainda vivem entre os rios Xingu e Madeira, enquanto que os falantes da língua juruna habitavam o alto Xingu, no Mato Grosso, estando hoje parte de seus remanescentes ainda nessa região, enquanto que outros, como os Xipaya, estão dispersos na região de Altamira, no Pará. Os Sateré e os Mawé eram etnias diferentes, mas com idiomas parecidos e que com o correr do tempo, devido aos casamentos interétnicos, hoje formam um único povo. Vivem hoje no baixo Tapajós, sendo chamados de Satereré-Mawé. Seu idioma foi estudado por lingüistas do Summer Institute of Linguistics (SIL), que elaboraram textos e gramática. Há também três pequenos vocabulários publicados por Nunes Pereira, tendo sido um deles recolhido por Curt Nimuendaju (In: Pereira, 1954: ). Boa parte dessas línguas foi estudada por lingüistas do SIL, em vista da tradução da Bíblia, porém a mais pesquisada é a munduruku, que conta hoje com gramática, dicionário e antologias, além da tradução do Novo Testamento. Vários desses textos estão sendo revistos pelos próprios indígenas, que hoje dominam melhor a escrita munduruku. Na família arikém há estudos da língua karitiana, feitos por David Landin, como o Dicionário karitiana-português, com verbetes (SIL, 1983). Com a formação de professores bilíngües tem aumentado a produção lingüística nesses idiomas, como é o caso da cartilha karitiana, publicada pelo Cimi-Rondônia, assim como os volumes 1 e 2 da cartilha arara (tupi-rama rama) e os volumes 1, 2 e 3 da cartilha zoró, língua da família tupi-mondé, todas publicadas pelo Cimi-Rondônia. BIBLIOGRAFIA RODRIGUES, Aryon. Línguas brasileiras. Para o conhecimento das línguas indígenas. São Paulo: Loyola, PEREIRA, Nunes. Os índios maués. Rio de Janeiro: Organizações Simões, Resenha Revista de Estudos e Pesquisas Brasília : Funai: CGEP/CGDOC Vol. 1, n.2, 2004, 292p. E ste número da Revista de Estudos e Pesquisas apresenta textos que falam sobre a política educacional indígena, a questão da demarcação de terras, a participação de povos indígenas em movimento social e na política local, bem como o complexo modo cultural de morrer entre os Kaiowá e Nhandeva, o suicídio. O artigo do prof. de antropologia da UnB, Dr. Gabriel O. Alvarez, Política Satere-Mawé do movimento social à política local, aborda a política indígena na região Norte do Brasil em especial a implementada pelos Sateré-Mawé e suas demandas por uma cidadania diferenciada. O processo é analisado em termos teóricos e etnográficos. O texto de Miguel Vicente Foti, mestre em Antropologia e consultor da Unesco para a Funasa, fala sobre o suicídio entre os Guarani, A morte por jejuvy entre os Guarani do sudoeste brasileiro. Mostra que o chamado jejuvy é mais que a simples tradução do auto-enforcamento. Trata-se de um modo cultural de morrer, relacionado ao modo de ser, às concepções que cercam a produção da identidade e a convivência. As violências associadas ao contato interétnico, ameaçam o tekoha- o lugar social onde se realiza o modo de ser Guarani. Sérgio Meira, doutor pela Universidade de Houston, Texas, EUA., escreve sobre O lingüista e a ortografia indígena: o caso da língua Bakairi. O artigo discute os problemas existentes no emprego da ortografia da língua Bakairi, devido sobretudo à existência de dois dialetos com diferenças de pronúncia bastante significativas. Concluindo, discute-se o papel do lingüista como assessor técnico no desenvolvimento de ortografias para línguas indígenas. No quesito educação indígena temos o texto de Betty Mindlin, doutora em Antropologia pela PUC/ São Paulo, A política educacional indígena no período 1995/2002: algumas reflexões. O texto reflete sobre os novos princípios de educação escolar indígena que passaram a orientar e a fazer parte integrante de leis instituídas no período estudado, como uma conquista D esde o ano de 1978, eu comecei a ler o Jornal, quando ainda estava sendo editado em Manaus, Amazonas. O jornal para mim tornou-se um curso especial de vida. Aprendi muitas coisas, com o passar do tempo sou bem informado sobre a causa indígena do Brasil e do Mundo. Vendo alguns textos e matérias importantes, repasso do movimento indígena e outros movimentos sociais, ONGs, professores e líderes indígenas, em colaboração com o Ministério de Educação, Funai e outros órgãos do governo. É destacada a análise das publicações do MEC, da interculturalidade e multilingüismo nas escolas indígenas, como fonte de afirmação dos povos indígenas desde a Constituição de Ainda dentro deste assunto temos o artigo de Maria Elisa Ladeira, Mestre em Antropologia Social e Doutora em Semiótica e Lingüística Geral, ambos pela FFLCH da USP, Desafios de uma política para a educação escolar indígena. A autora, ao analisar a educação escolar indígena, sugere que o Estado brasileiro repense suas relações com os povos indígenas, propondo algumas linhas de ação. Discute o contexto político educacional onde se move o debate da educação escolar indígena e as conseqüências da mudança no aparato institucional responsável por essa educação, considerando os desafios de uma política pública no país para os povos indígenas. A Revista ainda traz outros textos de estudiosos que valem a pena conferir. Este espaço está aberto aos leitores COMENTÁRIO para meus parentes da tribo Tukano, da região rio Negro, município São Gabriel da Cachoeira, Amazonas. Assim o meu acervo tem aumentado, tanto nos papéis, como na minha memória corporal. Através do Jornal Porantim, aprendi os conhecimentos, como funcionam as políticas do Governo do Brasil, com os indígenas. Assim muitos indígenas tornaram-se políticos e conseguimos desenvolver as comunidades indígenas. Com o tempo reivindicamos a Terra e hoje conseguimos demarcar nossas Terras. Isso significa que nós retomamos as nossas terras, que antes eram invadidas e roubadas, pelas autoridades de impérios. Com as autoridades democráticas é que nós conseguimos ser reconhecidos dentro das Leis e Decretos. Os impérios nos matavam e nada reconhecia nossos direitos. Foi assim quando o Conselho Indigenista Missionário - CIMI, se empenhou e partiu para lutar orientar, reivindicar, para conseguir demarcar as terras indígenas do Brasil. Isso foi melhor tesouro que nós indígenas tivemos: o apoio do CIMI e outros órgãos. É assim que eu vejo e sinto, quando leio o Porantim. Muito obrigado, estas são as minhas homenagens e agradecimentos especiais, que faço ao Jornal Porantim. DO LEITOR Gabriel Gentil, 52 anos, do povo Tukano Pesquisador da Fiocruz/Amazônia Manaus. 15

16 Mural da Capela do Centro de Formação Vicente Canhas. Autoria: Isabel Ramos (Brasília, julho/2005) APOIADORES UNIÃO EUROPÉIA Natal dos povos, dos pobres, dos excluídos, Esperança da causa indígena insurgente, Sepé de um novo continente, Nos caminhos da terra sem males, Tiaraju, luz de um novo amanhecer, Na causa de todos os povos da terra. Que Maria, mãe de Cristo De todos as culturas, de todas as cores, De totos os cantos da terra, Nossa Senhora de Guadalupe, Nos fortaleça na construção De um novo continente! Feliz Natal e um Próspero 2006 Conselho Indigenista Missionário - CIMI 16 16

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