DESENVOLVIMENTO DA RESPIRAÇÃO AQUÁTICA EM CRIANÇAS DE 3 A 4 ANOS PRATICANTES DE NATAÇÃO

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1 DESENVOLVIMENTO DA RESPIRAÇÃO AQUÁTICA EM CRIANÇAS DE 3 A 4 ANOS PRATICANTES DE NATAÇÃO Laise Cordeiro Vaz 1 Prof. Dr. José Fernandes Filho 2 Resumo: O objetivo deste estudo foi analisar o desenvolvimento da respiração aquática em crianças de 3 a 4 anos praticantes de natação na CIA ATHLETICA. Para isto foram comparadas duas avaliações trimestrais de 32 crianças de ambos os sexos, alunos de natação inseridos na turma de adaptação da academia Cia Athlética. Nas avaliações foram considerados os itens relacionados à respiração, sendo eles: imergir a cabeça, inspirar pela boca, expirar pela boca e nariz, realizar a expiração prolongada e realizar com facilidade e autonomia. A análise dos dados foi feita através da comparação do gráfico de cada avaliação e de uma tabela que inclui os dados de cada uma destas. Houve uma diminuição de 34%, da primeira avaliação, para 3%, na segunda avaliação, de alunos que não conseguiram realizar corretamente a respiração aquática. Ficou evidente então a importância do ensino e aprendizagem da respiração aquática nas aulas de natação durante a infância, já que foi grande o desenvolvimento desta em três meses de aulas. Palavras-chave: Respiração aquática. Natação. Crianças. DEVELOPMENT OF AQUATIC BREATHING IN CHILDREN SWIMMERS FROM 3 TO 4 YEARS OLD Abstract: The objective of this study was to analyze water breath s development on 3 children from 3 to 4 years old who practice swimming at CIA ATHLETICA. For this 2 quarter evaluations of 32 children of both sex were compared, all of them students at the gym CIA ATHLETICA inserted on the swimming adaptation class. On these evaluations items concerning breathing were considered such as: submerging the head, inhaling through the mouth, exhaling through the nose and mouth, prolonged exhaling the performance of these with ease and autonomy. The data analysis was done though a comparison of each 1 Graduando em Educação Física e Desporte - EEFD UFRJ. 2 Professor da Escola de Educação Física e Desporte - EEFD UFRJ. 1

2 evaluation s charts and another table that included the data in each one of them. There was a decrease from 34% on the first evaluation to 3% on the second on the percentage of students that could not perform the aquatic breathing correctly. The importance of teaching and learning of aquatic breathing in swimming lessons during childhood was evident, since the development shown on these in three months was great. Key-words: Aquatic Breathing. Swimming. Children. 2

3 INTRODUÇÃO Ao longo da história da humanidade ocorreram diversos significados específicos para a relação do homem com a água, por isso é impossível datar o surgimento da natação. Atualmente, há diversos motivos que levam as pessoas a procura desta atividade, sendo os mais comuns a prática relacionada ao alto rendimento buscando resultados, o prazer gerado pela prática e os benefícios para a saúde, gerando uma melhor qualidade de vida. Segundo Keberj (2002) a natação é diferente dos quatro estilos. Ela deve ir muito além disso, buscando sempre valorizar a adaptação, aprendizagem, aperfeiçoamento e treinamento, aproveitando as propriedades da água e os benefícios que esta é capaz de gerar ao homem. Portanto é possível entender que a prática da natação deve atingir a todos os indivíduos, em qualquer idade, incluindo pessoas com deficiência, em processo de reabilitação, gestantes, e de diversos grupos de risco. Na maioria das academias, o maior número de alunos matriculados na natação é de crianças. Apesar dos pais buscarem tal atividade para a aprendizagem da natação e o desenvolvimento psicomotor da criança através do meio líquido, estas geralmente demonstram que vão as aulas a procura de diversão e alegria. Para Ramaldes (1997), a atividade física mais completa é a natação, pois trabalha a harmonia, a flexibilidade, a potência, o ritmo e a coordenação. Quando praticada com regularidade trás para a criança diversos benefícios no mecanismo fisiológico, como o equilíbrio, o desenvolvimento da coordenação, o sistema cardiovascular e a capacidade pulmonar. Hoje a natação é uma atividade que não só visa a sobrevivência e a subsistência, mas proporciona o prazer e ajuda o desenvolvimento integral do aluno (MANSOLDO, 1986, p.35). A respiração aquática deve ser voluntária, até a aquisição do automatismo. Os músculos respiratórios devem ser trabalhados intensamente para vencer a resistência da água. No meio terrestre a respiração é inconsciente, porém no meio aquático há dificuldades para realizar a troca metabólica, até acontecer a sua automação, e posteriormente a aquisição de precisão e ritmo. A inspiração deve ser feita rapidamente pela boca antes da imersão da cabeça, já a expiração é feita dentro d água e deve ser prolongada, podendo ser feita pela boca e/ou pelo nariz. A respiração é considerada a alma do aprendizado da natação, pois, quando o aprendiz consegue dominá-la, ele se torna capaz de concretizar a etapa de iniciação dos estilos e daí evolui no aprendizado destes. (GALDI e col., 2004, p.94). As vias respiratórias ficam submersas durante o nado, já que através do equilíbrio e da flutuação o corpo deve se manter na horizontal, o que causa problemas para o iniciante, por 3

4 isto é necessário a aprendizagem correta da respiração aquática, que facilitará a aprendizagem dos nados posteriormente. Para muitas pessoas a respiração aquática defeituosa se tornará um obstáculo imenso. Lotufo (s.d.), citado por Rossi e col. (s.d.) acredita que um grande número de pessoas se afogam, ou se vêem em perigo pela falta do domínio da respiração. OBJETIVO GERAL O objetivo deste trabalho é analisar o desenvolvimento da respiração aquática em crianças de 3 a 4 anos praticantes de natação na CIA ATHLETICA. METODOLOGIA O presente estudo testou 32 crianças de ambos os sexos alunos de natação inseridos na turma de adaptação da academia Cia Athlética localizada na cidade do Rio de Janeiro, com idades de 3 e 4 anos, e praticantes de natação há no mínimo três meses. A gerente da academia foi esclarecida sobre o estudo e autorizou a análise das fichas de avaliações trimestrais preenchidas pelos professores da academia. Então, para este estudo foi utilizada tal avaliação trimestral da Cia Athlética que segue a metodologia Gustavo Borges. O desenvolvimento completo da respiração aquática foi considerado quando a criança conseguia cumprir todos os itens da avaliação relacionados à respiração, sendo eles: Imergir a cabeça, inspirar pela boca, expirar pela boca e nariz, realizar a expiração prolongada e realizar com facilidade e autonomia. As crianças durante as avaliações deveriam realizar a respiração aquática, inspirando o ar pela boca e expirando o ar dentro d água pela boca e pelo nariz e o professor deveria avaliar a forma de execução de tal respiração, registrando se a criança imerge a cabeça, inspira pela boca, expira pela boca e nariz, realiza a expiração prolongada e executa com facilidade e autonomia. O estudo comparou a execução da respiração aquática da criança durante a primeira avaliação com a sua execução na segunda avaliação, após três meses. A análise dos dados foi feita através da comparação do gráfico de cada avaliação e de uma tabela que inclui os dados de cada avaliação. 4

5 RESULTADOS Na análise dos resultados, para uma melhor visualização, os dados foram representados em forma de gráficos e tabela que organizam os dados obtidos nas avaliações aplicadas aos alunos. A tabela 1 abaixo mostra o número de crianças que conseguiram realizar de forma incompleta e de forma completa a respiração aquática em cada uma das avaliações, relacionando tais números com a sua respectiva porcentagem perante o total de alunos que participaram das avaliações. Tabela 1 Resultados da respiração aquática Respiração aquática 1ª avaliação % 2ª avaliação % Completa Incompleta Conforme ilustrado no gráfico 1, na primeira avaliação, 66% dos alunos conseguiram realizar a respiração aquática de forma completa, ou seja, realizaram corretamente todos os itens propostos pela avaliação, sendo eles: imersão da cabeça, inspiração pela boca, expiração pela boca e nariz, realização da expiração prolongada e execução com facilidade e autonomia. Enquanto 34% dos alunos não conseguiram realizar de forma completa a respiração aquática, realizando incorretamente um ou mais itens propostos pela avaliação. Gráfico 1 Respiração aquática durante a primeira avaliação 34% Completa Incompleta 66% 5

6 Na segunda avaliação, 97% dos alunos avaliados executaram de forma completa a respiração aquática, e somente 3% executaram de forma incompleta, isto pode ser observado no gráfico 2. Gráfico 2 Respiração aquática durante a segunda avalição 3% Completa Incompleta 97% CONCLUSÃO Os resultados obtidos neste estudo puderam mostrar a importância do ensino e aprendizagem da respiração aquática nas aulas de natação durante a infância. Já que é visível o desenvolvimento desta em três meses de aulas, pois da primeira avaliação para a segunda houve uma queda de 34% para 3% de crianças que não sabiam executar corretamente a respiração aquática. Ou seja, as aulas, o provável empenho dos professores e a metodologia utilizada, foram capazes de levar a este desenvolvimento. Porém o estudo ainda ficou necessitando de maiores informações sobre a forma como as aulas foram dadas e as condições de avaliação. Portanto, o ensino da respiração aquática nas aulas é eficaz no desenvolvimento desta, o que gera benefícios para o aprendizado de outras etapas da natação, já que somente a partir do domínio da respiração aquática é que os alunos poderão prosseguir para o aprendizado dos quatro nados. Além de gerar também diversos benefícios para o organismo, já que segundo Catteau e Garoff (1988) a natação assume um papel fisiológico relacionado com a atividade corporal e a necessidade de efetuar trocas gasosas. Este estudo tem sua importância aumentada quando relacionado ao estudo de Santos e Mafra (s.d.), já que este após uma pesquisa com 49 professores de natação, conclui que o conteúdo de ensino mais aplicado nas aulas de natação é o da respiração. Por isto, fica claro, 6

7 que as crianças tem maior capacidade de progredir rapidamente no aprendizado da respiração aquática devido a tal ênfase na aplicação deste conteúdo nas aulas de natação. Pardi e Gonçalves (s.d.) mostraram através de seu estudo que a prática da natação fortalece os músculos inspiratórios, pois trabalham contra uma grande resistência da água, e esta por sua vez comprime o tórax. Provaram isto, através da constatação da diferença significativa que encontraram entre a pressão inspiratória máxima e a pressão expiratória máxima de atletas de natação e indivíduos sedentários. Portanto concluímos que o trabalho intermitente da respiração aquática nas aulas de natação irá gerar aos alunos não só o desenvolvimento da correta execução desta, mas também poderá gerar a eles um importante fortalecimento dos músculos inspiratórios, porém para que tal afirmação possa ser correta se faz necessários estudos afim de tal comprovação. O desenvolvimento da respiração aquática também é de grande importância para crianças com problemas respiratórios, principalmente a asma, como comprova o estudo de Contreira et. al. (2010). Tal estudo verificou que a prática da natação e da ginástica respiratória apresentaram melhora principalmente no estilo de vida de crianças e adolescentes asmáticos, mas também houve uma discreta melhora do fluxo expiratório. Ou seja, o desenvolvimento da respiração aquática trás benefícios a todas as crianças, mas principalmente pode ser fundamental para crianças com asma, e provavelmente com outros problemas respiratórios. Entretanto, poucos estudos relacionados diretamente a este assunto foram encontrados, portanto fica evidente a necessidade de pesquisas mais aprofundadas sobre tal assunto, com amostragens maiores e que esclareçam os resultados obtidos. 7

8 REFERÊNCIAS KEBERJ, F. C. Natação: algo mais que 4 nados. Barueri. Manole, RAMALDES, A. M. 100 Aulas: Bebê a Pré-escola. Sprint, MANSOLDO, A. C. Estudo Comparativo da Eficiência do Aprendizado da Natação (estilo crawl) entre crianças de três a oito anos de idade Dissertação (Mestrado) Faculdade de Educação Física, USP, São Paulo, GALDI, E.H. e col. Aprendendo a nadar com a extensão universitária. Ipes Editorial, ROSSI, A. M. Fatores que influenciam no processo de iniciação ao aprendizado da natação para adultos. s.d.. 9f. Artigo (Pós-graduação) Faculdade de Educação Física, UGF. CATTEAU, R. e GAROFF, G. O ensino da Natação. São Paulo: Editora Manole, SANTOS, M. A. e MAFRA, J. M. Metodologia da natação: analisando os métodos, princípios e conteúdos de ensino. Disponível em: <http://www.cbce.org.br/cd/lista_area_12.htm> Acesso em: 09 jun PARDI, A.C. e GONÇALVES, T.M. Avaliação da influência da atividade física regular por intermédio da natação sobre a força muscular respiratória de atletas jovens do sexo masculino. Disponível em: <http://www.unimep.br/phpg/mostraacademica/anais/6mostra/4/197.pdf> Acesso em: 09 jun CONTREIRA, A. R. et. al. O efeito da prática regular de exercícios físicos no estilo de vida e desempenho motor de crianças e adolescentes asmáticos. Revista Pensar a Prática, Goiânia, v. 13, n.1, p.1-16, jan./abr

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