Perspectiva de um Emitente Soberano República de Portugal

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1 Perspectiva de um Emitente Soberano República de Portugal 31 de Janeiro de 2011 Alberto Soares

2 IDENTIDADE FUNDAMENTAL DA MACROECONOMIA ECONOMIA ABERTA Poupança Interna + Poupança Externa Captada = Investimento + Défice Orçamental A poupança externa captada permite financiar a soma do investimento e do défice orçamental em excesso da poupança interna 2

3 IDENTIDADE FUNDAMENTAL DA MACROECONOMIA ECONOMIA ABERTA A existência de défice na balança corrente e de capital, como no caso da economia portuguesa, tem como contrapartida a entrada (líquida) de capitais externos O financiamento externo é, por sua vez, intermediado pelos sectores público e privado da economia 3

4 FINANCIAMENTO INTERNO E EXTERNO DO ESTADO IGCP Intermediários Financeiros (Mercado por Grosso) Investidores Residentes Investidores Não Residentes OT, BT Retalho Investidores Residentes CA, CT 4

5 FINANCIAMENTO INTERNO E EXTERNO DO ESTADO Instrumentos de financiamento da República: MERCADO POR GROSSO Obrigações do Tesouro (OT OT) valores mobiliários de médio e longo prazo, utilizados como instrumento principal da satisfação das necessidades de financiamento do Estado Bilhetes do Tesouro (BT BT) valores mobiliários de curto prazo, emitidos com prazos até um ano, colocados a desconto e reembolsáveis no vencimento pelo seu valor nominal 5

6 FINANCIAMENTO INTERNO E EXTERNO DO ESTADO Instrumentos de financiamento da República: DISTRIBUIÇÃO A RETALHO Os produtos de aforro, Certificados de Aforro (CA) e Certificados do Tesouro (CT), são instrumentos de financiamento do Estado dirigidos às famílias, sendo distribuídos a retalho Os CA e os CT apresentam características de remuneração adequadas a diferentes perfis de aforradores 6

7 FINANCIAMENTO INTERNO E EXTERNO DO ESTADO Instrumentos de financiamento da República: OUTROS INSTRUMENTOS Repos, ECP, Linhas de Crédito instrumentos de muito curto prazo, utilizados na gestão da tesouraria EMTN (Medium Term Notes) instrumentos emitidos numa base oportunística, ou para beneficiar de melhores condições de financiamento ou com o objectivo de alargar a base de investidores 7

8 O EURO E O FINANCIAMENTO EXTERNO Dívida directa do Estado em EUR milhões Valor % Dívida Interna % Dívida Externa % Total % 1998 EUR milhões Valor % Dívida Euro % Dívida Não Euro % Total % A redenominação em euros fez com que a dívida externa passasse de 25 para 5% 8

9 O EURO E A EVOLUÇÃO DA ESTRUTURA DA DÍVIDA Estrutura actual da Dívida directa do Estado Dívida directa do Estado (antes swaps) EURO milhões 31-Dez-10 Valor % Dívida e m EURO / EURO debt % Transaccionável / Tradable % ECP 394 0% BT % OT / Fixed rate Treasury Bonds % Outras Obrigações / Other Bonds 51 0% MTN % Retail-Bonds 13 0% Não Transaccionável / Non Tradable % Certif ic. Af orro / Saving Certif icates % Certif ic. Tesouro / Treasury Certif icates 685 0% CEDIC % Outros / Others % Dívida em Não EURO / Non EURO debt % Transaccionável / Tradable % ECP 404 0% Outras Obrigações / Other Bonds 165 0% MTN % Não Transaccionável / Non Tradable 0 0% Dívida Total / Total Debt % Nota: após swaps, a exposição da dívida a moedas não euro é nula 9

10 O EURO E O CUSTO DO FINANCIAMENTO Taxas de juro e spreads antes do euro ( ) OT spreads face ao Bund (10 anos) Títulos de dívida pública OT (10 anos) , ,0 8,0 p.b % 7,0 6,0 5, ,0 3,0 0 2,0 Jun-96 Nov-97 Abr-99 Set-00 Fev-02 Jul-03 Nov-04 Abr-06 Set-07 Fev-09 Jul-10 A convergência nominal para o euro determinou uma descida muito substancial dos níveis absoluto e relativo das taxas de juro Jun-96 Nov-97 Abr-99 Set-00 Fev-02 Jul-03 Nov-04 Abr-06 Set-07 Fev-09 Jul-10 10

11 O EURO E O CUSTO DO FINANCIAMENTO Taxas de juro e spreads com o euro ( ) OT spreads face ao Bund (10 anos) Títulos de dívida pública OT (10 anos) , ,0 8, ,0 p.b. 200 % 6,0 5, ,0 3,0 0 2,0 Jun-96 Nov-97 Abr-99 Set-00 Fev-02 Jul-03 Dez-04 Mai-06 Out-07 Mar-09 Ago-10 Jun-96 Nov-97 Abr-99 Set-00 Fev-02 Jul-03 Dez-04 Mai-06 Out-07 Mar-09 Ago-10 Com o euro, e até ao início da crise financeira, as taxas de juro e os spreads mantiveram-se relativamente estáveis 11

12 A CRISE MUNDIAL E O CUSTO DO FINANCIAMENTO Anatomia da crise da dívida soberana Crise imobiliária/bancária Crise económico-financeira Programas públicos de suporte Aumento de défice orçamental Subida da dívida pública Mercados começam a pôr em causa a sustentabilidade das finanças públicas Crise da dívida soberana 12

13 p.b. A CRISE MUNDIAL E O CUSTO DO FINANCIAMENTO Taxas de juro e spreads com a crise ( ) Títulos de dívida pública OT (10 anos) OT spreads face ao Bund (10 anos) % 10,0 9,0 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 Jun-96 Nov-97 Abr-99 Set-00 Fev-02 Jul-03 Dez-04 Mai-06 Out-07 Mar-09 Ago-10 A crise financeira provocou uma reavaliação muito acentuada e num curto período de tempo do risco-país Jun-96 Nov-97 Abr-99 Set-00 Fev-02 Jul-03 Dez-04 Mai-06 Out-07 Mar-09 Ago-10 13

14 INDICADORES DE CUSTO DO FINANCIAMENTO Alteração da base de investidores Os investidores em dívida pública eram tradicionalmente investidores de taxa de juro. Com a crise financeira, a dívida soberana periférica passou a ter uma componente significativa de risco de crédito soberano, levando ao desinvestimento de alguns desses investidores tradicionais, motivando o emitente a procurar penetrar noutras bases de investidores 14

15 INDICADORES DE CUSTO DO FINANCIAMENTO Alteração da base de investidores Esse novo espaço ainda está em formação, pelo que, no imediato, o impacto da crise para o emitente é claramente no sentido de uma redução da sua base de investidores. Para um emitente pequeno esta redução tem um impacto menor quando comparado com um emitente maior 15

16 INDICADORES DE CUSTO DO FINANCIAMENTO Comportabilidade da dívida 16 Juros em 2010 (em % da receita orçamental) e 6 Juros em 2010 (em % do PIB) e % Receita total Finlândia Eslovénia Eslováquia Holanda França Espanha Alemanha Áustria 6,5 área do euro 6,9 Portugal Bélgica Irlanda Itália Grécia Finlândia Eslováquia Eslovénia Espanha Holanda Alemanha França Áustria 2,9 2,9 Em termos de debt affordability, Portugal não se afasta de forma significativa da média da área do euro % PIB área do euro Portugal Irlanda Bélgica Itália Grécia 16

17 INDICADORES DE CUSTO DO FINANCIAMENTO Taxa de juro implícita na dívida 5 Taxa de juro implícita em 2010 e 4 3,4 3,5 Juros / Dívida (%) Finlândia Espanha França Irlanda Alemanha Holanda Eslováquia área do euro Portugal Bélgica Eslovénia Itália Áustria Grécia O custo médio pago no stock da dívida está, também ele, muito próximo da média da área do euro 17

18 INDICADORES DE CUSTO DO FINANCIAMENTO Taxa de juro implícita na dívida Teste de Stress Admitindo a manutenção das actuais condições financeiras muito adversas, e que todo o financiamento em OT é feito na maturidade de 10 anos, a taxa implícita na dívida seria em 2013, ainda assim, inferior a 5%. O efeito da subida das taxas de juro demora tempo a ter impacto completo, algo que resulta da maturidade média da dívida ser relativamente alta (aproximadamente, 6 anos) 18

19 PROGRAMA DE FINANCIAMENTO 2011 Estratégia de Gestão O Programa de Financiamento anual visa assegurar o financiamento requerido pela execução orçamental, atendendo aos objectivos de minimização dos custos da dívida numa perspectiva de longo prazo e a não exposição a riscos excessivos 19

20 PROGRAMA DE FINANCIAMENTO 2011 Estratégia de Gestão O financiamento será obtido através da implementação de estratégias definidas para a emissão de instrumentos de dívida pública, limitando e controlando os riscos, incluindo de refinanciamento, crédito e taxa de juro 20

21 PROGRAMA DE FINANCIAMENTO 2011 Estratégia de Gestão O financiamento líquido concentrar-se-á na emissão de OT. As emissões brutas deste instrumento ascenderão a um valor entre EUR 18 e 20 mil milhões O financiamento líquido resultante da emissão de BT deverá ser marginalmente positivo 21

22 PROGRAMA DE FINANCIAMENTO 2011 Estratégia de Gestão A República recorrerá ainda ao financiamento de muito curto prazo, através da contratação de operações de reporte, de linhas de crédito ou da emissão de papel comercial, por forma a aumentar a flexibilidade do programa de financiamento Poderão ainda ser realizadas emissões no âmbito do programa EMTN, em função das oportunidades de mercado 22

23 ESTRATÉGIA DE FINANCIAMENTO DE MÉDIO E LONGO PRAZO Linhas Orientadoras Num contexto de previsível redução das necessidades de financiamento ao longo dos próximos anos, as linhas orientadoras de actuação assentam na manutenção da confiança dos investidores na República Portuguesa, sob o compromisso de transparência na actuação, comunicação atempada da estratégia/actuação e partilha de informação relevante 23

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