TRAVESTIS EXPLORADAS SEXUALMENTE: NECESSIDADES DE POLÍTICAS DE ENFRENTAMENTO

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1 TRAVESTIS EXPLORADAS SEXUALMENTE: NECESSIDADES DE POLÍTICAS DE ENFRENTAMENTO Alan de Loiola Alves Resumo: O presente artigo tem como temática uma das expressões da questão social presente na realidade social brasileira: a exploração sexual comercial de adolescentes travestis. A exploração sexual comercial infanto-juvenil é uma violência sexual e conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT) é uma das formas mais aviltantes de trabalho infantil. Esta violação dos direitos humanos encontra-se circunscrita numa atividade lucrativa do mercado do sexo, consistindo num crime globalizado, sendo as travestis juvenis prezas fáceis para a rede de exploração, pois subvertem a lógica inteligível do gênero, sendo vítimas de transfobia e estigmatizadas pela sociedade. Este trabalho tem como objetivo apresentar a vivência das adolescentes travestis no mercado do sexo na cidade Rio de Janeiro. Desse modo, a comercialização sexual de travestis juvenis no município carioca encontra-se organizado, existindo uma rede de exploração com agenciadores-aliciadores e clientes, os programas sexuais são tabelados, existe uma jornada regular de trabalho. Ademais, as travestis não são protegidas pela rede de proteção a criança e adolescente. Assim sendo, faz-se necessário proteger as adolescentes travestis, incluindo-as nas políticas de proteção a infância e juventude. Palavras chaves: Travestis Adolescentes. Exploração Sexual Comercial. Gênero. Violência. Introdução Este artigo tem como tema a exploração sexual comercial de adolescentes travestis na cidade do Rio de Janeiro. A Declaração aprovada durante o I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes, Estocolmo 1996, definiu que: (...) a exploração sexual comercial de crianças é uma violação fundamental dos direitos da criança. Esta compreende o abuso sexual por adultos e a remuneração em espécie ao menino ou menina e a uma terceira pessoa ou várias. A criança é tratada como um objeto sexual e uma mercadoria. A exploração sexual comercial de crianças constitui uma forma de coerção e violência contra crianças, que pode implicar o trabalho forçado e formas contemporâneas de escravidão (LEAL e LEAL, 2002, p. 42). A inserção de crianças e adolescentes no mercado do sexo consiste num comércio ilegal e altamente lucrativo e globalizado. Ele é articulado em redes e rotas nacionais e internacionais com o tráfico de drogas e de pessoas, com a corrupção e a pedofilia. Mesmo que a negociação do sexo não esteja organizada, sendo construída através dos arranjos informais, isto é, por situações isoladas e esporádicas é considerada no âmbito do comercio ilegal. 1

2 Nesse sentido, a população infanto-juvenil é duplamente explorada, uma vez que gera lucro econômico para a rede de exploração sexual, como também é fonte de prazer sexual para os consumidores desse comércio. Desse modo, crianças e adolescentes no mercado do sexo são submetidas a uma forma de trabalho, exercendo uma atividade danosa e perigosa para seu desenvolvimento físico, mental, espiritual, moral ou social, interferindo na sua educação e formação pessoal e social. De acordo com Eva Faleiros (2000), existe uma caracterização do mundo do trabalho na exploração sexual comercial de criança e adolescentes distinguindo-se em três diferentes tipos de trabalho: o formal, o informal e o escravo. A primeira forma é representada não pelo aspecto legal, isto é, reconhecido através de registro, mas sim pela relação definida entre patrão trabalhador, onde do contrato de trabalho está bem definido, constando a atividade exercida, assim como a paga pelo trabalho e carga horária trabalhada. A segunda forma, o trabalho informal, se dá pela não contratação, ou seja, a atividade é exercida por conta própria na prostituição de rua, incluindo meninos e meninas de rua, ou através da oferta individual de serviços sexuais, o contrato da atividade é realizada entre o cliente e o adolescente ou a criança. Já a terceira forma, é caracterizada pelo trabalho escravo, que possui como característica a relação de propriedade e servidão, não tendo contrato de trabalho nas relações sexuais comerciais. Vale ressaltar que esse contrato de trabalho envolvendo crianças e adolescentes no mercado do sexo é relativo, não sendo formalizado e sim estabelecido verbalmente, na qual o preço é determinado pelo adulto (cliente e agente), por ato sexual, ficando assim a população infantojuvenil sujeita a determinação de outrem. Neste contexto, o preço estabelecido na relação sexual está organizado em função da qualidade dos serviços e dos produtos ofertados, como também pelo nível da clientela, o espaço urbano aonde são oferecidos os serviços e a aparência das crianças e adolescentes, existindo uma rotatividade dos mesmos nos espaços do mercado do sexo. Como observa Faleiros (2000, p.34), como qualquer outro ramo de negócios este está sujeito à oferta e à demanda, ou seja, às "leis" do mercado. A exploração sexual comercial infanto-juvenil consiste numa atividade sexual com base no valor de uso e de troca, pois a prática sexual envolvendo crianças e adolescentes é utilizada pelos jovens como forma de troca para conquistar algo, exercendo essa atividade em longas jornadas de trabalho, mantendo várias relações sexuais em locais insalubres, não possuem contrato de trabalho e nem renda fixa e estável. Além disso, são usadas para gerar lucro para o proprietário, 2

3 movimentando milhões de dólares de todo o mundo como aponta Paiva e Pereira (1996, p. 231). Araújo (1996) afirma que a inserção de crianças e adolescentes no mercado do sexo corresponde ao terceiro comércio mundial ilegal em termos de lucratividade, ficando atrás do comércio de armas e do narcotráfico. A exploração sexual comercial de travestis adolescentes juvenis é um fenômeno complexo, visto que os mesmos mantêm relações homoeróticas na prática sexual no mercado do sexo e, ainda possuem identidade de gênero feminina, sendo consideradas pela sociedade como desviantes e marginais, são culpabilizadas por vivenciarem esta violência, sofrendo forte preconceito e estigma. 1- Travestis adolescentes: uma questão de gênero As adolescentes travestis 1 identificadas neste trabalho são jovens do sexo masculino com idade entre 12 a 17 anos e 11 meses 2, que possuem identidade de gênero feminina, provocando alterações corporais para adquirirem aparência feminina, que adotam nomes femininos. Segundo Benedetti, as travestis são: aquelas que promovem modificações nas formas do seu corpo visando a deixá-lo o mais parecido possível com o das mulheres; vestem-se e vivem cotidianamente como pessoas pertencentes ao gênero feminino sem, no entanto, desejar explicitamente recorrer à cirurgia de transgenitalização para retirar o pênis e construir uma vagina (BENEDETTI, 2000, p.18),. Contudo, é importante destacar que não pretende-se enquadrar as travestis num formato ou único modelo, pois reconhece as multiplicidades envolvidas nas identidades e na sexualidade humana, na qual existe dentro da travestilidade 3 não é diferente. Todavia, a travesti não busca ser mulher, sabe que não é uma mulher e também não se identifica como uma, ela procura a aparência da mulher que existe no seu imaginário. Parafraseando Benedetti (2000), a aparência corporal feminina é importante para as travestis na sua percepção corporal e formação como sujeito, em função disso realizam transformação no 1 Vale destacar que a utilização do artigo a travesti se dá por compreender a perspectiva de Silva (2007, p.16) que salienta: ainda que no universo travesti não haja consenso sobre qual é o gênero da palavra, uso o artigo feminino para me referir às travestis não só por uma posição política (uma vez que o tratamento no gênero feminino é uma das reivindicações dos movimentos sociais), mas também para estar mais de acordo com a forma como elas se tratam. Entre si, os artigos, pronomes e substantivos para se auto-referirem, ou para tratarem aquelas que lhes são próximas, estarão sempre no feminino. 2 Segundo o Estatuto da Criança e Adolescente, adolescente no Brasil é considerado a partir dos 12 anos. 3 O termo travestilidade é usado no mesmo sentido proposto por William Peres (2004) apud Silva (2007, p.18) uma vez que não só para marcar a heterogeneidade de possibilidades identitárias das travestis, como também em substituição ao sufixo ismo, que remete a doença e a patologia. 3

4 corpo, tomando hormônio feminino, fazem ingestão ou aplicação de medicamentos que contenham progesterona e estrogênio para desenvolver os seios, arredondar os quadris, diminuir os pêlos. Além disso, fazem aplicações de silicone industrial ou prótese, usam roupas femininas, fazem uso de maquiagem e utilizam os artigos femininos. Como apontam Silva (2007) e Fábregas-Martinez (2000) as travestis estão marcadas pelo estigma. Silva (2007) salienta que isso ocorre em função do embaralhamento do gênero, isto é, a identidade do gênero feminino não corresponde ao sexo biológico, que é masculino, mas elas realizam a construção do feminino em corpos masculinos, sendo percebidas com a sexualidade exacerbada, desregrada e problemática. Todavia, a construção da identidade de gênero conta também com a participação dos sujeitos, que estão implicados no processo plural e permanente deste processo (Louro, 1999). Afinal cada indivíduo poderá escolher o seu gênero, estando em conformidade ou não com o sexo biológico ou com as formas atribuídas estruturalmente ao masculino e feminino. Entretanto, essa escolha de viver e usar o corpo de acordo com um estilo consiste em interpretar, reproduzir e reorganizar as normas de gênero. Além disso, a adoção do gênero pode transitar entre o masculino e o feminino e vice-versa (Butler, 1988 apud Saffioti 2001). As travestis possuem identidade gênero feminino, não seguindo a lógica inteligível do gênero. Conforme define Butler, 1990 apud Saffioti (2001, p.6), o gênero inteligível é aquele que de alguma forma, instituem e mantém relações de coerência e continuidade entre sexo, gênero, práticas sexuais e desejo. Desse modo, as travestis desobedecem aos papéis sexuais e sociais estabelecidos pela sociedade, que os definem através do sexo biológico. Em decorrência disso, as travestis são percebidas como desviantes, marginais, sendo discriminas. Neste sentido, está presente a discriminação entre as identidades sociais dominantes, tidas como normais, com as identidades sociais dominadas, consideradas anormais e desviantes, como aponta Guimarães (2004). Este processo é produto da divisão do trabalho, que determinou a identidade social, como positiva ou negativa. Assim sendo, as travestis juvenis que estão construindo e desenvolvendo sua identidade sexual e de gênero, são prezas fáceis para o mercado do sexo, em função do preconceito vivido. 2 Exploração sexual comercial de travestis juvenis no Rio de Janeiro 4

5 A cidade do Rio de Janeiro chamada por cidade maravilhosa, em função das belezas naturais e belezas arquitetônicas, que possui como por exemplo: as praias de Copacabana e Ipanema, a Lagoa Rodrigo de Freitas, a Floresta da Tijuca, o Cristo Redentor e o Teatro Municipal, entre outras, assim como por ser reconhecida sua população como hospitaleira, divertida e sensual.. Este é um dos principais municípios do país e como salienta Evangelista (2003) é uma das mais ricas também e responsável por 62% do Produto Interno Bruto PIB do estado do Rio de Janeiro. Todavia, não é só por seus encantos que a cidade maravilhosa é conhecida, pois ela também tem índices altos de violência urbana, como assaltos, narcotráfico e homicídios. Em amostragem do IBGE nos anos de 2007 e 2008 foram notificados respectivamente e 2,336 casos de homicídios dolosos 4. De acordo como o IBGE (2000) aproximadamente pessoas moram em aglomerados subnormais, espalhados por toda região do município, tanto nas zona sul, norte, oeste e centro A cidade maravilhosa como toda grande metrópole vive um diversificado serviço sexual em todo território, existindo um complexo mercado do sexo, incluindo homens, mulheres, travestis, jovens, idosos e inclusive crianças e adolescentes como prestadores desse serviço. Neste quadro encontram-se as adolescentes travestis, que são exploradas sexualmente em todo território municipal, como mostra a tabela abaixo. Tabela 1: Travestis Adolescentes Exploradas Sexualmente na Cidade do Rio de Janeiro 5 Nº Pontos de Prostituição Zona Total 1 Av. Augusto Severo (Glória) Sul 01 2 Estrada do Pau Ferro (Jacarepaguá) Oeste 02 3 Quinta da Boa Vista (São Cristóvão) Norte 14 4 Praça do Ó (Barra da Tijuca) Oeste 02 5 Rua da Regeneração (Bonsucesso) Norte 03 Total de Adolescentes do Sexo Masculino em Situação de Exploração Sexual Comercial 22 4 Segundo o Código Penal Brasileiro no Art 18, diz-se que o crime é doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. 5 Fonte: Pesquisa Garotos sem Programa: estudo sobre a exploração sexual comercial de adolescentes do sexo masculino na cidade do Rio de Janeiro. Diário de Campo (junho a dezembro de 2008). 5

6 Esses cinco pontos 6 possuem características semelhantes com certos matizes peculiares, na qual as adolescentes travestis, são chamados e se identificam como travinhas, tendo um número expressivo na Quinta da Boa Vista. Este termo é utilizado no meio em função da pouca idade, pouca transformação no corpo e na fase de iniciação no mercado do sexo. Neste caso, o termo possui semelhanças com o que Silva (2007, p.55) chamou de ninfetinha, pois valem-se da precocidade com que começaram a ingerir hormônios femininos para legitimar sua permanência naquela região. Os programas sexuais nessas localidades são realizados geralmente diariamente, com jornada destinada à exploração sexual comercial longa, permanecendo até nove horas, cobrando pela atividade sexual entre R$ 10,00 e R$ 30,00, arrecadando em média R$ 150,00 pela prática de seis programas numa noite. Os clientes são em sua maioria homens casados com idades entre 20 a 60 anos. Esta organização está pautada na organização da prostituição de travestis adultas. É importante destacar que violência na exploração sexual comercial não está somente na realização de programas sexuais, mas também na exposição, na disponibilidade e o não recebimento por esses serviços, caracterizando da mesma forma a violência, a exploração. O lucro dos comerciantes do sexo e da rede de exploração sexual como um todo é certo, visto que é cobrado do adolescente uma taxa para o exercício dos programas. No mercado do sexo tudo tem um preço, inclusive a rua, assim as adolescentes para ficarem expostas nos lugares para realizar programas sexuais, geralmente pagam uma taxa ao dono do local, em que alguns pontos como na Quinta da Boa Vista é cobrado R$ 120,00 (cento e vinte reais) semanalmente pelo ponto na rua e pelo local de moradia, republica de travestis. Ainda, as travestis sofrem com as agressões físicas e verbas, assim como pelos furtos praticados pelos clientes, pelos transeuntes, pelas colegas que vivenciam a situação de prostituição, pelos donos dos pontos e pelos policiais. A primeira atividade sexual comercial das adolescentes travestis ocorreu na faixa etária entre 10 e 14 anos, em alguns casos antes do processo de transformação no corpo. As pesquisas sobre meninas em situação de exploração sexual comercial indicam a predominância da primeira atividade sexual comercial com idade entre 12 e 14 anos, porém existem crianças com idades mais precoces exploradas sexualmente no Brasil, na qual a gravidade desta situação deve ser considerada na medida em que, anteriormente ao desenvolvimento dos caracteres 6 Vale salientar, a existência de outros pontos de prostituição de adolescentes travestis disseminadas na cidade, como por exemplo, Av. Atlântica em Copacabana, mas sendo possível a realização da pesquisa nesta área. 6

7 sexuais secundários, ou seja, maturação biológica, a partir do qual podemos supor a maturação psicológica (Libório, 2003, p.212). As travestis juvenis relatam que a motivação para a realização do programa sexual comercial se deu pelo desejo de vivenciar a travestilidade, habilidade natural, desejo de ser profissional do sexo e pela possibilidade de ganhar dinheiro. No que tange as relações familiares, as adolescentes apontam como boas ou razoáveis, pois em alguns casos são provedoras ou contribuem no orçamento familiar. A contribuição financeira atenua a orientação e identidade sexual travesti, como também a inserção no mercado do sexo. Ainda, chama-se atenção para a existência da influência direta e/ ou indireta de familiares na exploração sexual comercial, em alguns casos primos, irmãs e/ou vizinhos levam-as para realizar programas sexuais, inserindo-as no mercado do sexo. Sobre a vida escolar, as travestis juvenis destacaram que estão fora da rede educacional a mais de um ano, apontando para a não frequência escolar a pouca motivação, pois vivenciavam situações de bullying, em função da orientação sexual e da transformação do corpo. Além disso, pela necessidade de exercer alguma atividade de trabalho e/ ou a inserção na exploração sexual comercial, sendo incompatível desenvolver essa atividade e frequentar a escola. A respeito da rede de proteção a criança e ao adolescente e as políticas de enfrentamento a exploração sexual comercial infanto-juvenil na cidade do Rio de Janeiros, as travestis informam que nunca foram atendidas pelo Conselho Tutelar, nem pelas abordagens policiais de combate a comercialização sexual da população infantil, assim como as escolas não notificaram aos órgãos competentes a evasão escolar. Contudo, as travestis juvenis destacam a necessidade de medidas de enfrentamento a exploração sexual comercial infanto-juvenil, ressaltando que não concordam com a esta situação vivenciada por elas, na qual destaca como possíveis medidas de proteção a repressão policial e criação de um espaço para os homossexuais adolescentes. Considerações Finais Este artigo mostrou a vivencia das adolescentes travestis no mercado do sexo, na qual a exploração sexual comercial dessas jovens na cidade do Rio de Janeiro encontra-se de forma organizada, pautada na organização da prostituição de rua de travestis adultas, na qual as jovens adotam a linguagem e as denominações dos territórios, assim como realiza jornada de trabalho regular, programa sexual tabelado e ainda são obrigadas a pagar pelo ponto de prostituição e pelos 7

8 investimentos no corpo, como por exemplo, estimulantes sexuais, silicone, hormônio feminino, entre outros artigos estéticos e/ou farmacêuticos. Os pontos de prostituição e os investimentos no corpo geralmente são cobrados pelos aliciadoresagenciadores. A denominação travinha que é dada para as travestis juvenis, as descaracterizam enquanto adolescentes, tirando o caráter de pessoas em desenvolvimento e sujeitos de direitos, coisificando e rotulando dentro de uma lógica perversa, a lógica do mercado. Além disso, destaca-se a invisibilidade das travestis juvenis na rede proteção a criança e o adolescente, assim como nas políticas de combate a exploração sexual comercia, pois não tiveram passagem por nenhum órgão de proteção, isto é, existindo esquecimento deste grupo, na qual seus direitos não tem sido garantidos. Assim sendo, nota-se a necessidade de prosseguir e ampliar as medidas para enfrentar esta problemática. Acreditando no processo de protagonismo dessas jovens, deve-se assumi-los como principal personagem da sua história, trabalhando e estimulando-os nas suas potencialidades e desejos, com propósito de construir alternativas e formas de enfrentamento, vislumbrando outras formas de trabalho, sobrevivência e diversão, que não seja a exploração sexual. Desse modo, fazer valer as vozes das travestis juvenis, transformando-os em sujeitos de direitos. Para isto, precisa-se compreender que as adolescentes travestis também são violentados sexualmente, para que as incluam na agenda política. Neste sentido, sugere-se que as estratégias de enfrentamento à exploração sexual comercial infanto-juvenil, seja realizada conforme a identidade sexual e de gênero, pois as demandas e a realidade vivenciada no mercado do sexo são distintas, assim como precisa prestar a atenção nas percepções das adolescentes sobre a sua situação. Ademais, propõe-se o atendimento das famílias e das jovens dentro do paradigma de redes que implica na articulação entre os segmentos voltados para o atendimento dessa população, isto é, assistência social, educação, saúde e jurídica, permitindo melhor interação e informação acerca das necessidades apresentadas. Ainda, faz-se necessária uma medida a longo prazo, com propósito de prevenir a inserção de crianças e adolescentes no mercado do sexo. Para isto, a realização de campanhas a fim de mudar a postura e o comportamento da população em relação aos preconceitos e estigmas. Ainda é preciso que a população esteja informada sobre a importância das políticas, dos programas e das leis de proteção à criança e o adolescente. O Estado também deve assumir seu papel de proteção, garantindo condições para a família proteger seus membros criança ou adolescente, gerando emprego e renda, com intuito de enfrentar a 8

9 desigualdade social, como também, escolas públicas de qualidade e com ensino laico para todos, atendimento à saúde amplo e preventivo e que as medidas de proteção sejam efetivas e respeitadas. Assim sendo, com o propósito de proteger a infância e a juventude dos riscos sociais, é fundamental que se dê continuidade aos estudos e ao processo de investigação sobre essa temática. Referências ALVES, Alan de Loiola. Garotos sem programa: estudo sobre exploração sexual comercial de adolescentes do sexo masculino na cidade do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Serviço Social) Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, ARAÚJO, Braz. Congresso Mundial contra a Exploração Sexual de Crianças, 27 a 31 de agosto de 1996 Estocolmo, Suécia Rascunho para discussão 5 de fevereiro de In: Araújo, Braz (coord.) Crianças e adolescentes no Brasil; diagnósticos, políticas e participação da sociedade. Campinas, Fundação Cargil, BENEDETTI, Marcos Renato. Hormonizada! Reflexões sobre o uso de hormônios e tecnologia do gênero entre travestis que se prostituem em Porto Alegre. IN: FREITAS, Karen Bruck, FÁBREGAS-MARTINEZ, Ana Isabel e BENEDETTI, Marcos Rentato. Na Batalha: sexualidade, identidade e poder no universo da prostituição. Porto Alegre: Dacasa: Palmarica, EVANGELISTA, Helio de Araújo. Rio de Janeiro: violência, jogo do bicho e narcotráfico segundo uma interpretação. Rio de Janeiro: Revan, FÁBREGAS-MARTÍNEZ, Ana Isabel. A identidade masculina entre os michês de porto Alegre. IN: FREITAS, Karen Bruck, FÁBREGAS-MARTINEZ, Ana Isabel e BENEDETTI, Marcos Rentato. Na Batalha: sexualidade, identidade e poder no universo da prostituição. Porto Alegre: Dacasa: Palmarica, Traçando a batalha: breve perfil da prostituição em espaços privados de Porto Alegre. IN: FREITAS, Karen Bruck, FÁBREGAS-MARTINEZ, Ana Isabel e BENEDETTI, Marcos Rentato. Na Batalha: sexualidade, identidade e poder no universo da prostituição. Porto Alegre: Dacasa: Palmarica, FALEIROS, Eva T. Silveira. Repensando os conceitos de violência, abuso e exploração sexual de crianças e de adolescentes. Brasília: CECRIA, GUIMARÃES, Carmen Dora. O homossexual visto por entendidos. Rio de Janeiro: Garamond, LEAL e LEAL, Maria de Fátima (Org). Pesquisa sobre tráfico de mulheres, crianças e adolescentes para fins de exploração sexual comercial no Brasil. Relatório Nacional. CECRIA (Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes), LOURO, Guacira Lopes. Pedagogias da sexualidade. IN: LOURO, Guacira Lopes (org). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica,

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