Utilização de Ferramentas de Análise Financeira nas Micro e Pequenas Empresas da Região Sul de Santa Catarina como apoio a Tomada de Decisão

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1 MARCOS KOITI NISHIOKA Utilização de Ferramentas de Análise Financeira nas Micro e Pequenas Empresas da Região Sul de Santa Catarina como apoio a Tomada de Decisão Criciúma, Maio de 2004

2 2 MARCOS KOITI NISHIOKA Utilização das Ferramentas de Análise Financeira nas Micro e Pequenas Empresas da Região Sul de Santa Catarina como apoio a Tomada de Decisão Monografia apresentada a Diretoria de Pós- Graduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, para a obtenção do título de especialista em Gerência Financeira. Criciúma, Maio de 2004

3 3 Dedico este trabalho a minha esposa Edi Luiza e meu filho Marquinhos, meus amores, que sempre estiveram ao meu lado, proporcionando-me a paz necessária para conseguir concluí-lo...

4 4 AGRADECIMENTOS A minha esposa Edi e meu filho Marquinhos, pela paciência e companheirismo durante este período. A meus pais, Koya e Leiko, pela minha vida e pelo incentivo incondicional aos meus estudos. A meus amigos empresários Márcio, Giovani, Marcos, Ricardo, Sebastião, João, Célio, Rainor, Juarez, Jacira, Aldori, Suzy, Pedro (in memorian), Pedrinho, Albertina, Vilmar, Jane, Antônio, Vera, Fábio, Fabrício, Cláudio, Guilherme, Maria Cláudia, Rangel, Laura, Wolmar, Eliege, Paulo, Edivane, Nivaldo, que me proporcionaram o convívio, as informações e a experiência necessária para o meu crescimento profissional. Aos colaboradores Gilmara, Gislaine, Fernando, Moacir e Márcia que muito auxiliaram nas informações de suas empresas. A todas as empresas visitadas, que tiveram a gentileza de participar da pesquisa, possibilitando um retrato fiel do perfil da região Sul de Santa Catarina. Ao SEBRAE/SC, através das agências de atendimento de Criciúma, Araranguá e Tubarão que muito contribuíram para a conclusão da pesquisa. Aos coordenadores Isabel e Euclides, que tiveram grande competência nas ações durante o curso. Aos colegas de curso, pela companhia e pela experiência trocada durante esta jornada. Aos amigos, que direta ou indiretamente contribuíram para a conclusão desta caminhada. A Deus... O meu OBRIGADO!!!

5 5 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO Definição do Trabalho Objetivos Objetivo Geral Objetivos Específicos Justificativa Metodologia Métodos Predominantes Amostragem Plano de Coleta e Análise dos Dados Estrutura do Trabalho Limitações FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Pequenas Empresas Controladoria como Instrumento de Gestão Financeira Planejamento Financeiro Indicadores Financeiros Lucratividade Rentabilidade Controle de Caixa Liquidez Corrente Capital de Giro Necessidade de Capital de Giro (NCG) Demonstrativo de Apuração de Resultados Estrutura Patrimonial... 35

6 6 3. LEVANTAMENTO, ANÁLISE E CONCLUSÕES DA PESQUISA PROPOSTA DE FERRAMENTA DE AUXÍLIO NO CONTROLE DOS RECURSOS FINANCEIROS RESULTADOS OBTIDOS COM A FERRAMENTA Empresa de Confecções Comércio de Combustíveis, Mercado e Loja de Confecções Empresa Metalúrgica Empresa Moveleira Comércio e Prestação de Serviços de Telecomunicações CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES BIBLIOGRAFIA ANEXOS... 70

7 7 RESUMO Este trabalho contempla o levantamento de informações realizado nos últimos dois anos em trabalhos de consultoria e assessoria empresarial em micro e pequenas empresas da região sul do estado de Santa Catarina. Constatou-se com este a dificuldade com que os empresários de micro e pequenas empresas possuem para controlar os recursos financeiros disponíveis, bem como de planejar adequadamente a utilização destes para minimizar os impactos negativos de tomadas de recursos de terceiros para o equilíbrio financeiro da empresa. Desta forma, constatou-se então a necessidade de criação de uma ferramenta de auxílio nos controles financeiros ao empresariado, facilitando desta forma a administração de seus negócios e conseqüentes tomadas de decisão. O trabalho contempla ainda a criação deste instrumento de auxílio, condicionando sua utilização ao manuseio de computador, mais especificamente do aplicativo Microsoft EXCEL, versão 5.0 ou versões mais avançadas. A forma de pesquisa utilizada na confecção do trabalho foi interdisciplinar, tentando focar a administração financeira sob diversos aspectos, desde sua utilização como controle para diminuição dos desperdícios, a fonte de informações para tomadas de decisão, gerando conhecimentos para a aplicação prática no cotidiano das mesmas, através de uma ferramenta de auxílio nos controles financeiros essenciais, direcionando o mesmo à solução de problemas específicos como controle de caixa, controle de contas a pagar e a receber e confecção do fluxo de caixa.

8 8 Finalmente, este levantamento constata uma triste realidade da economia brasileira, ou seja, a fragilidade da administração financeira nas micro e pequenas empresas, refletida nas estatísticas levantadas pelo SEBRAE/SC, onde há uma grande taxa de mortalidade das empresas em seus três primeiros anos de existência.

9 9 1. INTRODUÇÃO Este estudo teve origem nas experiências vivenciadas na prestação de serviços de consultoria e assessoria empresarial realizadas pela empresa MK Consultoria e Treinamento Ltda, entre o período de Setembro de 2002 e Março de 2004 em micro e pequenas empresas da região sul do estado de Santa Catarina, mais precisamente nas regiões onde se situam as cidades de Criciúma, Araranguá e Tubarão. Neste período verificou-se a precariedade de informações com que os empresários destas empresas trabalham, aumentando os riscos de insucesso nas tomadas de decisão, baseando-se muitas vezes em sua experiência cotidiana, ao invés de adotar critérios analíticos, obtendo informações estratégicas e tomando as decisões baseadas nestes critérios. Constatou-se então a necessidade de se criar uma ferramenta de auxílio para estas empresas de pequeno porte, utilizando-a como fonte de informação, auxiliando-as nas tomadas de decisão. Utilizou-se como base de dados para este trabalho 51 empresas de pequeno porte assistidas pela empresa de consultoria, numa região de aproximadamente empresas de pequeno porte. Nestas foi apresentado um questionário com 13 perguntas, cujo conteúdo pretende determinar o perfil das empresas de pequeno porte da região, identificando as características da administração financeira das mesmas e tentando determinar, a partir destas características, as principais causas de falência e de fechamento destas empresas. Concluindo, poder-se-á sugerir alternativas para diminuir a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas com a adoção de medidas no intuito de melhorar seus controles e, consequentemente, suas tomadas de decisão.

10 Definição do Trabalho 1.2. Objetivos A pesquisa teve como objetivos identificar o perfil das micro e pequenas empresas da região Sul do estado de Santa Catarina, trazendo informações básicas sobre os controles financeiros das micro e pequenas empresas e procurando formas de auxiliá-las na minimização de seus problemas de administração financeira, utilizando-se de uma ferramenta de controle financeiro, integrando os processos rotineiros (controle de caixa e de bancos), com os processos de planejamento financeiro (contas a pagar, contas a receber e fluxo de caixa) Objetivo Geral A finalidade principal desta pesquisa foi desenvolver e apresentar uma proposta em forma de planilha eletrônica no Microsoft Excel, para auxiliar os empresários de micro e pequenas empresas a utilizarem as ferramentas de análise financeira em seu cotidiano, conscientizando-os da importância da utilização destas ferramentas nas tomadas de decisão, contribuindo desta forma para o aumento de sua competitividade, e consequentemente, de seu sucesso em um mercado cada vez mais competitivo e exigente.

11 Objetivos Específicos a) Demonstrar a importância da utilização das ferramentas de análise financeira nas tomadas de decisão para as micro e pequenas empresas da região sul de Santa Catarina, tendo possibilidade de identificar os seus pontos críticos com antecedência; b) Conscientizar os empresários das vantagens que os mesmos irão obter com a utilização das ferramentas na sua rotina diária de trabalho, possibilitando tomadas de decisão com mais subsídios e diminuindo desta forma os riscos de decisões equivocadas; c) Desenvolver uma planilha eletrônica no software Microsoft Excel para auxiliar as micro e pequenas empresas no controle e acesso a informações estratégicas, melhorando assim a qualidade e a velocidade do fluxo de informações existentes na empresa; d) Capacitar os gestores das micro e pequenas empresas para a utilização da planilha eletrônica; e) Apresentar os resultados obtidos em empresas da região sul de Santa Catarina, assistidas durante o período de assessoria técnica na área administrativo-financeira, após a implementação dos controles financeiros e dos relatórios gerenciais, além de outras micro e pequenas empresas que foram assistidas durante o processo de desenvolvimento da pesquisa;

12 Justificativa A grande relevância das micro e pequenas empresas reside no fato das mesmas possuírem um importante papel sócio-econômico no país. As micro e pequenas empresas não somente geram riquezas, mas pode-se evidenciar como mais importante o seu papel na geração de empregos e o seu desempenho nas cadeias produtivas, em forma de fornecedores terceirizados ou quarteirizados de grandes empreendimentos produtores de bens intermediários e finais, ou mesmo como fornecedores de pequenos lotes de produção em nichos de mercado, ou em mercados especializados. Em pesquisas realizadas pelo SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (2000), demonstrou que estas empresas representam 95% das empresas industriais, 98% das comerciais e 99% das prestadoras de serviços. Destaca-se ainda que, segundo ALVIM (1998): As empresas de pequeno porte no Brasil são responsáveis por cerca de 4 milhões de empresas constituídas, 60% da oferta total de empregos formais, 42% dos salários pagos, 21% da participação no PIB (Produto Interno Bruto), 96,3% do número de estabelecimentos. Um dos grandes problemas enfrentados pela economia mundial é a escassez de trabalho. Sabemos que as micro e pequenas empresas são responsáveis pela maior parte do empregos. Segundo CUNHA (2002:23): De 1995 a 2000 as empresas formais no Brasil com mais de 100 funcionários criaram apenas empregos. No mesmo período, as empresas de até 100 funcionários, consideradas pequenas, criaram 1,9 milhão de empregos. Traduzindo em percentuais, o crescimento do emprego nas pequenas empresas foi de 19,2%. Nas médias e grandes, 0,6%. Neste ritmo, estas precisariam de pelo menos 100 anos para criar o mesmo número de empregos gerados nos últimos cinco anos pelas pequenas.

13 13 Pode-se dizer ainda que, embora as micro e pequenas empresas tenham significativa importância na economia mundial, no Brasil estas empresas ainda carecem de apoio técnico gerencial, contando apenas com o apoio de órgãos como SEBRAE, SENAI e SENAC. Segundo MORAES (apud DEMORI, 1991:36): A formação e o desenvolvimento destas empresas proporcionam oportunidades para a dinamização da economia, descentralizando o capital, criando novos empregos e regionalizando a produção industrial. Poder-se-á identificar a importância desta pesquisa através de um levantamento elaborado pelo SEBRAE (1999), sobre a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas no Brasil entre os anos de 1997 e 1999: Tabela 01: Taxa de Mortalidade das Micro e Pequenas Empresas Taxa de Mortalidade das MPE s criadas no início de 1997 ANO SC Brasil % 61% % 67% % 73% Fonte: SEBRAE/SC Verificou-se neste levantamento que, das empresas de pequeno porte que foram abertas no estado de Santa Catarina no início de 1997, 49% destas fecharam antes do final do mesmo ano. Ao final de 1998, o número acumulado de empresas que abriram no início de 1997 e fecharam antes do final de 1998 já aumentara para 58% e, ao fim de 1999, o número já alcançara expressivos 63%. Com relação à média brasileira, que é de 61%, 67% e 73%, respectivamente, as taxas de mortalidade do estado de Santa Catarina são inferiores, porém ainda muito

14 14 preocupantes e retratam uma triste realidade, ou seja, há grandes problemas de gestão nas micro e pequenas empresas. Pode-se então identificar algumas causas que justifiquem o problema: Falta de planejamento financeiro, causando como conseqüência a falta de capital de giro, necessitando desta forma tomada de recursos de terceiros; Desequilíbrio entre os prazos de pagamento e de recebimento, ou seja, prazos de pagamento menores que os prazos de recebimento, causando um aumento demasiado na necessidade de capital de giro, trazendo necessidade da busca de recursos de terceiros; Tomada de recursos financeiros sem planejamento, buscando-se recursos pelos meios menos burocráticos, em função da urgência dos recursos, porém mais onerosos, diminuindo desta forma a lucratividade da empresa; Tributos elevados, diminuindo a competitividade de produtos e serviços frente à concorrência externa, que possuem produção em maior escala e preços bastante competitivos; Falta de capacitação (técnica, administrativa, empreendedora, estratégica e de liderança), dos empreendedores nas respectivas áreas de atuação; Para CAVALCANTI, FARAH e MELLO (1981:14): É de vital importância oferecer conhecimentos gerenciais para o pequeno e médio empresário, sobretudo, quando se considera que, nestas organizações, muitas vezes, o fator se encontra confundido com a direção dos negócios.

15 15 Ao se efetuar uma comparação entre as pequenas empresas e as grandes corporações, verifica-se que as pequenas têm menos capital humano, menor tecnologia e uma gestão na maioria das vezes familiar. Segundo MORAES (apud ALTRÃO, 2001:33): Em uma pequena empresa quase sempre os problemas recaem sobre os sócios ou proprietários, e a eles cabe buscar soluções para problemas de diversas áreas da empresa, tais como: pessoal, materiais, manutenção, finanças, propaganda. Isso acontece pelo fato de numa pequena empresa não haver departamentos distintos para cada área de atuação, e isso por si só já é um problema, pois o sócio ou proprietário não é especialista em todas as áreas, e acaba buscando as soluções à sua maneira que nem sempre são as mais adequadas; isso porque para uma pequena empresa é inviável, e, às vezes, até impossível ter departamentos específicos para cada uma destas áreas. Pode-se acrescentar ainda que no período de atuação da empresa MK Consultoria e Treinamento Ltda, assistindo micro e pequenas empresas em parceria com o SEBRAE/SC na área administrativo financeira, nenhuma das empresas assistidas (cerca de 100), possuía todas as ferramentas de controle e análise financeira implementadas. Em sua maioria, as empresas possuem somente os controles financeiros básicos (Contas a Pagar, Contas a Receber e Movimento de Caixa). Outros controles básicos como o controle de estoques e o fluxo de caixa não existiam, verificando os resultados de suas empresas somente pela situação momentânea do caixa da empresa. Assim, a solicitação por uma profissional da área financeira (consultor), para resolver seus problemas financeiros foi inevitável. Com a complementação dos controles financeiros básicos, somados a inclusão de outros controles na empresa (Administração de Custos, Demonstrativo de Resultados e Balancete de Verificação), constata-se uma significativa mudança de posicionamento dos empresários, compreendendo desta forma a importância dos controles recém implementados nas suas empresas.

16 16 Assim, pretende-se conscientizar os empresários das micro e pequenas empresas da região sul do estado de Santa Catarina, com este trabalho, da importância em se possuir controles financeiros eficazes e de se utilizar as ferramentas de análise financeira nas suas decisões. Que a utilização de uma ou outra ferramenta de controle não é suficiente para avaliar corretamente a empresa, sendo necessária à utilização de conjunto de ferramentas para que a análise traga subsídios consistentes para a correta tomada de decisão Metodologia A metodologia indica o caminho a ser seguido para se atingir o objetivo proposto. Segundo MORAES apud ANDRADE (1997:18): O método é o caminho que se percorre na busca do conhecimento. Etimologicamente, método é uma palavra que vem do grego methodos (meta + hodós), que significa: caminho para se chegar a um fim. Levando-se em consideração as características e os propósitos desta pesquisa, adotou-se o método de pesquisa-ação de caráter explicativo, utilizando-se como fonte de coleta de dados, a observação participante, entrevistas e questionário. Estima-se que a amostragem da pesquisa (51 empresas de um total de cerca de ), seja suficiente para construir o perfil da situação da administração das micro e pequenas empresas da região sul do estado de Santa Catarina.

17 Métodos Predominantes Do ponto de vista dos procedimentos técnicos, optou-se, nesta pesquisa, pelo Método de Pesquisa Ação, pois a mesma é concebida e realizada em estreita associação com a resolução de um problema coletivo. Tanto pesquisadores como participantes representativos do problema estão envolvidos de modo participativo, ou seja, todos estão envolvidos com a pesquisa, atuando para a solução do problema. Com relação aos objetivos da pesquisa, a mesma é de caráter explicativo, pois se tem a intenção de identificar as características da administração financeira das micro e pequenas empresas da região sul do estado de Santa Catarina, procurando as causas das altas taxas de mortalidade das micro e pequenas empresas Amostragem Devido ao tipo de pesquisa, ou seja, pesquisa-ação, e pela assistência a empresas situadas na região em questão, optou-se por escolher a amostra intencionalmente, ou seja, a amostra pré-determinada para a pesquisa, utilizando-se desta forma as empresas assistidas pela MK Consultoria e Treinamento Ltda Plano de Coleta e Análise dos Dados Na coleta de dados foram abordadas as técnicas de: a) Observação participante, onde através de várias visitas, identificou-se as causas dos problemas financeiros das empresas assistidas;

18 18 b) Entrevistas, onde foram entrevistados os colaboradores responsáveis pela área financeira das empresas, muitos destes os próprios proprietários; c) Questionário, coletando as informações iniciais das empresas sobre as informações disponíveis para as tomadas de decisão; 1.5. Estrutura do Trabalho O texto está organizado em seis capítulos a serem comentados a seguir: No primeiro capítulo, faz-se a definição do trabalho, apresentando-se a contextualização, o tema e a sua problemática, os objetivos do trabalho, as justificativas pela escolha do tema, a estrutura do trabalho, sua metodologia e suas limitações; O segundo capítulo aborda a literatura sobre as características das pequenas empresas, administração financeira, planejamento financeiro e indicadores financeiros; O terceiro capítulo aborda o levantamento, os resultados obtidos na pesquisa efetuada em 51 empresas da região sul do estado de Santa Catarina e algumas conclusões sobre os resultados obtidos; O quarto capítulo aborda a ferramenta proposta para auxiliar as micro e pequenas empresas nos controles financeiros; O quinto capítulo aborda os resultados obtidos em algumas empresas após a utilização da ferramenta de auxílio nos controles financeiros; O sexto capítulo trata das considerações finais e recomendações;

19 Limitações As limitações encontradas neste trabalho foram: o Embora haja grande variedade de setores entrevistados e assistidos, a amostragem não conseguiu atingir todos os segmentos da economia local; o Todas as empresas que foram entrevistadas e que foram assistidas pela empresa MK Consultoria e Treinamento Ltda, possuíam algum tipo de problema administrativo/financeiro. Assim excluiu-se uma minoria de micro e pequenas empresa bem geridas, que são exceção nesta categoria, das análises deste trabalho; o As análises dos resultados obtidos nas empresas após a implementação da ferramenta de auxílio foram baseados em apenas cinco empresas, não havendo disponibilidade de tempo para a conclusão nas outras empresas entrevistadas. Anteriormente, foi instalado o arquivo em 15 das 51 empresas entrevistadas; o A conclusão nas cinco empresas foi realizada em um espaço estreito de tempo, em termos de análises financeiras (cerca de quatro meses). Há entre os casos relatados apenas uma empresa com mais de seis meses de implementação do arquivo. Melhores resultados são esperados nas análises com um prazo maior de comparação (aproximadamente 01 ano); o Embora tenha sido desenvolvida a ferramenta de auxílio nos controles financeiros, há a necessidade de conhecimento profundo do Microsoft Excel, havendo grandes dificuldades para os usuários que não tem familiaridade com o aplicativo;

20 20 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Muito se tem falado nos últimos anos em controlar despesas e reduzir custos. Com a abertura do mercado para a iniciativa externa no início dos anos 90, grandes corporações internacionais instalaram-se no país, aumentando a competição entre as empresas e contribuindo para o aumento nos índices de mortalidade das micro e pequenas empresas no Brasil. Com o advento do Plano Real em 1994, a inflação que atingia níveis absurdos de dois dígitos mensais, reduziu-se a níveis de menos de um dígito anual. Consequentemente, muitas deficiências e ineficiências das empresas, que anteriormente eram escondidas pela simples elevação de preços de seus produtos e serviços, começaram a ter grande dificuldade em repassar os aumentos aos mesmos, pois os consumidores começaram a ter maior noção do valor do dinheiro e puderam assim efetuar comparações entre produtos e serviços concorrentes. Assim, houve a necessidade das empresas em começar a tratar seus custos com maior atenção, procurando diminuir os desperdícios e melhorando suas ineficiências. Em face deste ambiente globalizado, a sobrevivência das organizações torna-se cada dia mais difícil, sendo disputado cada milímetro de espaço no mercado. Desta forma, a administração financeira eficaz em uma empresa tornou-se de vital importância no seu sucesso ou no seu fracasso, quer estas sejam pequenas, médias ou grandes corporações. TUNG (1993:31): Podemos definir a Administração Financeira de uma empresa conforme

21 21 Pode-se definir a administração financeira como sendo a responsabilidade por obter e utilizar eficientemente os recursos necessários ao bom funcionamento da empresa Pequenas Empresas Muitos são os fatores que caracterizam as micro e pequenas empresas. A sua classificação em micro e pequenas empresas não é tão simples. Segundo MATIAS e JÚNIOR (2001:01): empregados: Podem ser utilizados vários critérios. Entidades governamentais, bancos e entidades de classe usam critérios diferentes. Alguns dos critérios mais utilizados para classificar as empresas de pequeno porte: número de empregados, faturamento, investimento (ativo permanente), capital registrado e quantidade produzida. A primeira está diretamente relacionada à questão fiscal e legal; já a segunda é, em termos gerais, a mais usada, inclusive pelo SEBRAE e por outras instituições de amparo a pequena empresa. A Tabela 02 apresenta as classificações das empresas pelo número de Tabela 02: Classificação de Porte por Número de Empregados Porte da Empresa Indústria Comércio e Serviços Micro Até 19 empregados Até 09 empregados Pequeno Porte De 20 a 99 empregados De 10 a 49 empregados Média De 100 a 499 empregados De 50 a 99 empregados Grande Maior que 500 empregados Maior que 100 empregados Fonte: SEBRAE/SP, 1997 Verifica-se que na indústria, as empresas de pequeno porte são as que possuem menos de 100 empregados em seu quadro de colaboradores. Já no comércio e na prestação de serviços, este número diminui para menos de 50 colaboradores para serem enquadradas empresas de pequeno porte. Este é o foco de nossa pesquisa, ou seja, micro e pequenas empresas.

22 22 A Tabela 03 traz outra forma de classificação para o porte das empresas. Esta faz a classificação de acordo com seu faturamento: Tabela 03: Classificação de Porte por Faturamento Porte da Empresa Faturamento Anual Micro Até R$ ,00 Pequeno Porte Acima de R$ ,00 até R$ ,00 Média e Grande Acima de R$ ,00 Fonte: SEBRAE/SC, 2003 Esta classificação está de acordo com a lei nº 9.317/96 que institui a Lei do Simples, ou seja, das empresas que poderão se beneficiar de pagamento simplificado de impostos. Para tanto, devem se enquadrar na faixa de faturamento descrita na Tabela 03. Caso a empresa fature acima de R$ ,00 anuais, a mesma fica impossibilitada de usufruir da Lei do Simples. As pequenas empresas (micro e pequeno porte) caracterizam-se pela forma de administrar e pelas deficiências de recursos, tanto financeiros, técnicos, quanto estratégicos. Segundo MORAES apud ALTRÃO (2002): A administração normalmente é centralizada na pessoa do proprietário, que tem um lado positivo, torna-se ágil o processo, com decisões rápidas e desburocratizadas. Mas tem o lado negativo, que é a sobrecarga, que pode trazer o esgotamento tanto físico quanto mental, o que pode causar erros na solução dos problemas. A afirmação mostra uma realidade: embora torne o processo mais ágil e dinâmico, sobrecarrega o gestor da empresa, que centraliza todas as tomadas de decisão da empresa em todos os níveis, ou seja, desde o nível operacional até o nível estratégico. Assim, há carência de tempo para traçar adequadamente o planejamento estratégico da empresa, para administrar os recursos financeiros, para

23 23 administrar a produção. Comparativamente, em uma grande organização, há pessoas específicas para cada uma das atividades, tendo assim vantagem com relação às micro e pequenas que centralizam todas as atividades em uma única pessoa. Segundo MATIAS e JÚNIOR (2001:03): O pequeno empresário geralmente é um empreendedor. O empreendedor tem uma visão do futuro e faz de tudo para transformar o presente em um futuro de sucesso. O empreendedor, na maioria dos casos, é uma pessoa que consegue antecipar acontecimentos em suas empresas, procurando planejar de forma adequada sua empresa para que os acontecimentos gerem situações favoráveis ao seu negócio, e monitorando estes acontecimentos para efetuar as correções necessárias para que os efeitos negativos sejam minimizados. MATIAS e JÚNIOR identificam os pontos fortes e fracos das micro e pequenas empresas. Pontos fortes: Flexibilidade, obtida através de sua estrutura menor; Pouca Burocracia e Administrativo reduzido, trazendo agilidade em suas decisões, podendo alterar situações que poderiam ser desastrosas para a empresa em prazo muito inferior as grandes corporações; Maior integração entre pequenos empresários, empregados, clientes, fornecedores e comunidade (cadeia produtiva), criando um ambiente colaborativo maior que os encontrados nas grandes corporações; Atendimento diferenciado aos clientes devido a sua maior integração, administrando suas necessidades;

24 24 Pontos fracos: Dificuldade na obtenção de recursos financeiros (crédito, financiamentos e investimentos). Os investidores têm pouco interesse em empresas de menor porte devido ao longo prazo para o retorno dos investimentos; Falta de resistência a momentos de instabilidade e dificuldade da empresa devido ao capital de giro limitado; Visão de curto prazo da maioria dos empresários de pequenas empresas; Falta de profissionais bem qualificados nas pequenas empresas; Inexistência de políticas de segurança, incentivos, benefícios, treinamento e desenvolvimento dos colaboradores, visando sua motivação e satisfação; Burocracias legais; Ter de se sujeitar às imposições de preços de grandes fornecedores e/ou grandes clientes, limitando-se assim as negociações de valores e de margens; Concorrência das grandes corporações; A pequena empresa é muito sensível a desentendimentos entre sócios e a eventos pessoais como doenças, morte; Pouca organização política, não defendendo os interesses das pequenas empresas no que tange às decisões relacionadas ao governo; Desinformação sobre os acontecimentos econômicos, sociais e políticos; Falta de disciplina e de organização;

25 25 As pequenas empresas, por questões de recursos, normalmente, não têm condições de ter em suas linhas de produção, a mesma tecnologia em equipamentos e o mesmo nível de planejamento que as médias e grandes empresas, dificultando assim a obtenção de produtos de qualidade exigidos pelo mercado com a produtividade solicitada. A maioria das pequenas empresas têm pouca ou nenhuma tolerância com relação aos desperdícios. Assim, o controle de custos e despesas é considerado um ponto crítico para as micro e pequenas empresas. Para MORAES apud RESNIK: A administração de uma pequena empresa é a arte do essencial. É tirar o máximo do mínimo Controladoria como Instrumento de Gestão Financeira Com o aumento da concorrência entre as empresas e o aumento da complexidade das organizações empresariais, a função de controle passa a ser de essencial importância para o desenvolvimento e o sucesso das organizações. Segundo PIAI apud KANITZ (1976): Mas a controladoria não é apenas administrar o sistema contábil da empresa. Por isso os conhecimentos de contabilidade ou finanças não são mais suficientes para o desempenho da função de controladoria. Atualmente o controlador se cerca de um verdadeiro batalhão de administradores organizacionais, psicólogos industriais, analistas de sistemas, especialistas em computação, estatísticos e matemáticos que têm a tarefa de analisar e dirigir, à luz de cada um dos seus campos de conhecimento, um imenso volume de informações necessárias ao cumprimento da função de controladoria. Estes profissionais que assessoram o controlador não se limitam às informações quantitativas.

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