EXCELÊNCIA EM. Ano II nº 03 Outubro 2010 ÉTICA EMPRESARIAL

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1 EXCELÊNCIA EM gestão Ano II nº 03 Outubro 2010 ÉTICA EMPRESARIAL

2 Excelência em gestão: estratégia para responder aos desafios globais 05 Ética: da teoria à prática Editorial 07 Entrevista De olhos bem abertos Eduardo Giannetti ÍNDICE Faça parte. Filie-se à FNQ Conheça o Programa de Excelência em Gestão (PEG) O PEG oferece uma visão sistêmica da sua empresa e traz resultados para promover a melhoria da gestão. O processo pode ser aplicado em uma organização, em um grupo setorial ou uma cadeia de valor. A busca da excelência por uma organização é o que constrói seu verdadeiro valor. folie comunicação Comitê Contexto Ética em alta Comitê Temático de Ética Empresarial da FNQ Seminário Dimensões da Ética Empresarial 18º Seminário Internacional em Busca da Excelência Pesquisa Um retrato das grandes, micro e pequenas Um raio X da ética no setor empresarial Entrevista Histórias para o aprendizado Leigh Hafrey Não à corrupção Movimentos pela ética nas relações comerciais

3 expediente EDITORIAL Nossa capa: A asa da libélula lembra transparência e rede, ou seja, a maneira que deve ser disseminada a cultura da ética. Em seu significado simbólico, a libélula anuncia boas novas, delicadeza e boa sorte. Excelência em Gestão Publicação anual da Fundação Nacional da Qualidade Ano II - Número 3 Outubro de 2010 Coordenação Geral Ricardo Corrêa Martins Diretoria-executiva Coordenação Editorial Mariana Assis e Caterine Berganton Produção Folie Comunicação Editora Marisa Meliani - MTb Colaboração Mirian Meliani Nunes Redação Antonio Graça e Marisa Meliani Direção de Arte e Foto/capa PaulaLyn de Carvalho Assistente de Arte Ricardo Veneziani Impressão Stilgraf Tiragem: 5 mil exemplares FNQ. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos desta publicação sem prévia autorização da FNQ. ética: da teoria à prática Nesta terceira edição da revista Excelência em Gestão, apresentamos um novo projeto gráfico, em um formato maior e mais alinhado às outras publicações da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). Após dois números experimentais, acreditamos ter alcançado uma linguagem moderna e um conteúdo consistente, com informações aprofundadas sobre temas relevantes à causa da excelência em gestão. Neste número, abordamos as Dimensões da Ética Empresarial, tema central do 18º Seminário Internacional em Busca da Excelência, realizado em junho de 2010 pela FNQ, com programação e escopo desenvolvidos com o apoio de nosso Comitê de Ética Empresarial. Os trabalhos deste Comitê, que visam ao compartilhamento de conceitos, princípios e melhores práticas de ética nas empresas, compõem o corpo da revista. A partir de duas importantes pesquisas realizadas sob a orientação do Comitê, traçamos um retrato da conduta ética adotada pelas organizações em nosso País. Na primeira, o Ibope ouviu pessoalmente a opinião de executivos e empresários de 25 grandes corporações, escolhidas entre as Maiores e Melhores da revista Exame. Na segunda, o SENAC/RS enviou um questionário online para 15 mil Micro e Pequenas Empresas (MPEs) de todo o Brasil, obtendo uma amostra com 989 respostas. Os dados obtidos demonstram um vigoroso patamar de evolução na aplicação de códigos de conduta e programas de compliance, bem como no desenvolvimento da cultura da ética no ambiente corporativo das grandes empresas. Nas MPEs, por sua vez, detectou-se o reconhecimento da importância da ética na condução dos negócios: elas consideram que a prática traz resultados tangíveis para o negócio e buscam formas simples de implantação, compatíveis com a dimensão de suas organizações. Um panorama geral do 18º Seminário Internacional realizado pela FNQ e alguns dos casos das organizações participantes, além de entrevistas esclarecedoras com os professores Eduardo Giannetti, do Insper, e Leigh Hafrey, do MIT Sloan, complementam o conteúdo desta edição. De um lado, as apresentações dos representantes das empresas sobre suas práticas de gestão e, de outro, as análises de nossos entrevistados jogam luz ao tema da ética empresarial e contribuem para tornar esta revista uma valiosa fonte de pesquisa e conhecimento. Esperamos que esta abordagem sobre as Dimensões da Ética Empresarial contribua para aprofundar o entendimento de que sem ética nos negócios não é possível a busca da Excelência em Gestão, levando mais organizações e pessoas a refletirem sobre as práticas que devem prevalecer no mercado brasileiro e global. Estamos certos de que esse é o caminho para alcançar o grau de desenvolvimento e competitividade desejado por todos nós. Boa leitura! 4 patrocínio Este material foi impresso com papel oriundo de floresta certificada e outras fontes controladas, o que demonstra preocupação e responsabilidade com o meio ambiente. Ricardo Corrêa Martins Diretor-executivo da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ)

4 ENTREVISTA Os homens tornam-se arquitetos construindo e tocadores de lira tangendo seus instrumentos. Da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos. Aristóteles, em Ética a Nicômaco DE OLHOS BEM ABERTOS cinoby/ istockphoto 6 A introdução de uma cultura ética nas organizações no Brasil avançou no discurso e na percepção, mas ainda há muito a conquistar na prática e no comportamento. Para que isso aconteça, é preciso acertar o foco de nossa visão. Miopia ou hipermetropia são metáforas usadas por Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, filósofo e professor do Insper São Paulo, para exemplificar distorções comuns que colocam em risco os parâmetros éticos dentro de uma empresa ou em nossas escolhas individuais. Veja como isso faz muito sentido nesta entrevista concedida pelo estudioso, que foi um dos palestrantes do 18º Seminário Internacional em Busca da Excelência - As Dimensões da Ética Empresarial, realizado pela FNQ. A ética por Eduardo Giannetti da Fonseca

5 ENTREVISTA Excelência em Gestão O que diferencia os conceitos de moral e ética? EG - O que determina esse juízo reflexivo sobre o acordo moral? Giannetti Existem várias tradições na História da Filosofia. Desde o início da análise da ética, feita por Sócrates no mundo grego, surgiram várias maneiras de avaliar criticamente as práticas humanas. A Filosofia Moderna introduz uma tradição utilitarista e uma fundamentada em Kant, entre outras. A História da Filosofia oferece um panorama rico de possibilidades para avaliar com juízo reflexivo aquilo que prevalece como prática de vida em diferentes sociedades. Isso é natural, pois há uma tensão, muitas vezes, entre a ética e a moral. Há coisas que no passado eram perfeitamente toleráveis e aceitas e que hoje não são mais. EG Muitos afirmam que a ética nasce como convicção no campo individual para depois refletir na sociedade. O que é ética pessoal? Giannetti - Na História da Filosofia, existem duas grandes preocupações pertinentes à ética. Uma delas é o grande tema levantado por Sócrates que diz respeito à ética pessoal, de como viver, o que fazer da vida, como chegar a uma vida que mereça ser vivida. Todos nós estamos implicitamente respondendo a essas perguntas: quais são os valores que presidem uma vida humana bem vivida? O que pode trazer realização pessoal a um indivíduo? Existe uma melhor vida que todos deveriam abraçar ou não? Mas esses valores serão revelados pelas ações de cada um. Nós não vivemos sozinhos em uma ilha, vivemos em uma sociedade. E precisamos compatibilizar nossos projetos individuais de forma razoavelmente harmoniosa com os da sociedade, para que ela possa ser pacífica e próspera. Isso é a ética cívica. As perguntas da ética cívica são: quais são as regras que devem pautar a convivência humana, a vida em sociedade no campo da política ou da economia? Em que consiste a boa sociedade? Quais são as instituições, normas, regras de compatibilização que devem ordenar os agrupamentos humanos para que a sociedade seja florescente e os indivíduos possam desenvolver as melhores vidas ao seu alcance? A Filosofia Política e a Ética Cívica discutem exaustivamente essas questões. Uma sociedade que perde essas normas de convivência torna-se palco de uma guerra de todos contra todos. 8 Eduardo Giannetti Normalmente, esses dois termos são usados de forma quase equivalente, mas é preciso demarcar as diferenças entre eles. A palavra moral deriva do termo latino mores e tem o significado de costume. A moral é a percepção de um determinado agrupamento humano sobre o que é certo ou errado, proibido ou permitido, obrigatório ou facultativo. É construída por todas as sociedades humanas, mas com variações, às vezes, significativas. Em diferentes épocas e culturas, observamos acordos morais de conteúdo muito diferenciado, embora existam algumas interdições que parecem universais como, por exemplo, o tabu do incesto ou o canibalismo. Já a ética introduz um elemento crítico, um juízo reflexivo sobre o acordo moral da sociedade. Ela submete aquilo que é aceito como prática humana a algum tipo de crivo, avaliando se é o caso, ou não, de manter essa regra. Então, a ética introduz um elemento de distanciamento e de reflexão crítica sobre o acordo moral em vigor. Demanda um tipo de justificação racional, uma consistência para que aquilo que é comumente aceito, mereça de fato aceitação. A ética busca definir princípios que validem ou não os nossos juízos acerca do obrigatório ou facultativo, do certo ou errado. Normalmente, um filósofo da ética busca entender se o acordo moral é dotado de consistência, se é bem fundamentado. fotos: rogério assis EG - Pode nos dar alguns exemplos? Giannetti Existem vários, como a punição física de alunos rebeldes nas escolas, a escravidão por dívidas, o apedrejamento de adúlteras, a mutilação de corpos de devedores inadimplentes, a prisão e o tratamento médico do homossexualismo, entre outros. A própria escravidão no século 19 no Brasil era uma prática perfeitamente corrente e com amparo legal. Houve todo um trabalho de reflexão ética, de condenação e mudança de percepção em relação a isso e, atualmente, a escravidão não tem qualquer tipo de suporte ou adesão. Uma pergunta interessante que podemos nos fazer é: da mesma maneira que tantas coisas praticadas corriqueiramente no passado nos parecem condenáveis hoje, o que nas nossas práticas contemporâneas parecerá igualmente condenável aos olhos dos nossos descendentes? Costumes aceitos hoje do ponto de vista moral, a partir de uma nova reflexão ética e de um amadurecimento serão terrivelmente condenáveis daqui a décadas ou séculos. Acho que na área da relação homem X natureza nós estamos cometendo aberrações e atrocidades que serão quase que incompreensíveis pelas gerações futuras, se é que elas terão a sorte de sobreviver. Eduardo Giannetti da Fonseca EG - Esse tipo de raciocínio não advém da percepção de que no futuro os valores serão melhores? Há de fato uma evolução nesse campo? Giannetti - As sociedades humanas alteram-se a partir de um debate amplo daquilo que consideram aceitável ou, pelo menos, alvo de tolerância. Eu só tomaria cuidado no uso do termo progresso para inserir a ética. Em algumas áreas temos critérios bem objetivos do que é progresso e retrocesso, como no campo da tecnologia e da ciência, por exemplo. Mas no campo da ética, esse tipo de comparação é mais complexo. Agora, se nos ativermos à dimensão das relações do trabalho, podemos afirmar que evoluímos muito. Na Grécia Antiga, em que ainda prevalecia a escravidão, essa prática era tida como natural. Já no mundo contemporâneo, isso se torna uma aberração. Hoje, temos a proteção de direitos dos trabalhadores, um amparo, com limites e parâmetros que estabelecem o que é permitido e o que não é. Na relação homem X natureza, estamos cometendo atrocidades que serão quase que incompreensíveis pelas gerações futuras. EG É isso que acontece em momentos de crises institucionais e catástrofes? Giannetti Sim, esse tipo de fenômeno é recorrente na história da humanidade. Quando acontecem grandes catástrofes, calamidades e situações de comoção social há um colapso nas regras de convivências civilizadas. Isso ocorre com razoável frequência em situações de guerra ou de desastres naturais. Há uma magnífica descrição de um fenômeno desse tipo feita pelo historiador grego Tucídides, contando o que aconteceu com a vida em Atenas durante a peste. Ele descreve com muita riqueza de detalhes o colapso das regras de convivência civilizada sob o efeito dessa epidemia. Quando isso ocorre é mais ou menos como o pânico que toma conta das pessoas em uma sala de cinema quando alguém grita fogo!.

6 ENTREVISTA EG - Fazendo um paralelo com a crise econômica mundial de 2008, o que aconteceu naquele momento com a ética? Giannetti O mercado financeiro possui características peculiares que o tornam difícil de ser devidamente regulamentado. São mercados que envolvem muita inovação e ideias originais de especulação e de novos produtos financeiros. É recorrente na história econômica o surgimento de excessos especulativos. O que tivemos em 2008 foi o desfecho de um enredo desse tipo. Foram cometidos tremendos excessos de alavancagem especulativa. O grosso do problema não foi uma questão de descumprimento de normas legais ou algum tipo de violação de códigos, mas o excesso de especulação e um desconhecimento das implicações do acúmulo de posições de risco, como depois foi explicitado. Formou-se uma bolha. E a bolha é muito fácil de ser identificada somente depois que ela estoura e não quando está em formação. Não é nada muito diferente do que vem ocorrendo na história financeira dos últimos dois, três séculos. Tivemos, sim, problemas de ordem legal e também da ética. Cito o exemplo, do caso do investidor Bernard Madoff, ex-presidente da Bolsa Eletrônica Nasdaq e réu confesso de uma fraude de US$ 65 bilhões no mercado financeiro, que envolveu ilegalidades passíveis de sanção penal, o que de fato ocorreu com uma pena de 150 anos de prisão. Agora, podemos ter uma crise financeira perfeitamente dentro da lei, de parâmetros e regras razoáveis de relacionamento. É preciso lembrar que a vida econômica, assim como a vida política, pressupõe regras de convivência. E o mercado, bem como a democracia, é uma solução que a humanidade encontrou e vem aprimorando para permitir uma convivência econômica e política razoavelmente harmoniosa e próspera, que não gere situações de conflito ou de pressão. Mas a crise financeira recente mostrou que o mercado financeiro não prescinde de uma regulamentação mais exigente para impedir situações de excesso e de colapso de confiança. EG - Você afirma que o prejuízo e a falência das empresas não são situações de imoralidade e que no Brasil há uma tendência de confundir isso com a reputação. Pode explicar melhor? Giannetti Uma das regras do mercado é a seguinte: uma empresa que faz algo socialmente desejado obtém retorno, inclusive financeiro. Ela consegue vender o que produz por um preço que supera o custo de produção. Uma empresa que produz bens ou serviços que não são socialmente desejáveis será deficitária e terá prejuízo. Essa empresa pode tomar uma série de decisões: ou melhora o que está produzindo, ou altera seus meios de produção, ou simplesmente desaparece. E não há nada de imoral ou eticamente condenável nisso. O mercado é um sistema de tentativa permanente em que novos investimentos são feitos e testados por esse critério da aceitação ou não pelos consumidores. É perfeitamente natural e bem-vindo, inclusive, que nem todos os investimentos sejam bem-sucedidos. O importante é que os não bem-sucedidos sejam rapidamente revistos e liberem recursos para outras tentativas de investimento. E o melhor é que esse processo ocorra da maneira mais desimpedida e transparente possível. É raro encontrar nos EUA ou em países mais dinâmicos, empresários que não tenham fracassado em algum momento. O importante é que tiveram a chance de tentar de novo e acabaram acertando. No Brasil, isso é mais complicado, por conta da nossa complexidade tributária e trabalhista, que enreda o empresário pelo resto da vida. Ele não consegue se libertar do erro que cometeu, que não é um erro moral, é um erro natural da vida. E passa a administrar um legado de pendências geradas numa tentativa empresarial, quando poderia recomeçar e obter sucesso em um novo empreendimento. 10 mikadx istockphoto EG - Você fala na escolha do tempo, exemplificando que há questões que precisam ser enfrentadas no presente para não comprometer o futuro. Como isso se aplica às empresas e ao mercado? Giannetti - Toda ação humana, de certa maneira, está explicitando alguma preferência em relação ao tempo. Nós estamos sempre medindo as possibilidades entre desfrutar o momento ou cuidar do amanhã, tanto na vida individual quanto organizacional, coletiva, nacional ou mesmo internacional. Veja a questão da mudança climática. Coletivamente, a humanidade está fazendo uma aposta muito temerária de desfrutar o presente, consumindo os recursos e emitindo gases nocivos na atmosfera que podem comprometer seriamente o nosso futuro. As empresas precisam trabalhar essa estratégia do tempo sempre avaliando as suas práticas e procurando antecipar consequências de ação ou omissão. Esse é um processo permanente, em que corremos o risco de sacrificar em demasia o presente em nome do futuro, ou o contrário. Existem excessos nessas duas direções. Chamo uma delas de miopia temporal, quando você vê com muita força e nitidez o que está perto e acaba prejudicando o que está longe. O reverso disso é a hipermetropia temporal, em que você mira com muita força o futuro e acaba sacrificando em demasia o presente. Esses dois riscos são concretos e a todo o momento é preciso reavaliar se a organização está incorrendo em excessos em uma ou outra direção. A exploração de petróleo em grande profundidade é um campo novo que envolve a ética nas relações entre o homem e o meio ambiente. EG - O lucro pelo lucro faz parte dessa visão míope? Giannetti Depende. Se for obtido sacrificando valores futuros, pode derrubar uma empresa. Foi o que aconteceu no caso recente da British Petroleum, no Golfo do México. O afã de produzir petróleo de qualquer maneira, sem o devido cuidado em relação aos riscos, arruinou o patrimônio de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo. Claramente houve um erro grave ligado à percepção do tempo e à ética. Foi cometido um crime ambiental muito sério que afeta o modo de vida e um patrimônio natural de toda a humanidade. Não tenho a menor dúvida que, além de um erro e de todo o aspecto técnico, existe uma dimensão ética de imprudência, de descaso e de falta de zelo no tratamento de uma área tão sensível quanto essa de exploração de petróleo em grande profundidade. Esse é um campo muito novo que envolve a ética nas relações entre o homem e o meio ambiente. A crise financeira recente mostrou que o mercado exige uma regulamentação mais eficaz. EG Muitas das MPEs são fornecedoras das grandes empresas, consideradas benchmarks na questão ética. Como introduzir a cultura da ética também no dia a dia das micro e pequenas? Giannetti - A partir da percepção de que esse compromisso com padrões mais exigentes de conduta resultará em benefícios para a própria organização. A ética não foi feita para tolher, inibir ou cercear. É feita para que uma organização possa funcionar da melhor maneira possível tanto internamente quanto na relação com outros fornecedores, clientes, comunidade e até com o planeta. A ética é um compromisso com a excelência nos relacionamentos humanos e também na relação entre homem e natureza. Ela existe para buscar as melhores práticas e os melhores comportamentos para que tudo transcorra da melhor maneira possível.

7 ENTREVISTA a ética introduz um elemento de reflexão crítica sobre o acordo moral em vigor. Demanda um tipo de justificação racional para que aquilo que é comumente aceito, mereça de fato aceitação. rogério assis 12 EG Como implantar a cultura da ética no dia a dia de uma organização? Giannetti Não adianta ter um código de ética que não esteja devidamente amparado em três pilares: submissão, identificação e internalização. O código de ética precisa ter algum nível de fiscalização, contar com um sistema de monitoramento, acompanhamento e eventual sanção com punição dos infratores. O outro pilar é a identificação, ou seja, a ética precisa estar no DNA dos membros da organização. As pessoas precisam se sentir bem quando estão à altura do código e se sentir mal quando não estão. E, por fim, é necessária a internalização, que é o entendimento da razão de ser desse código, que é fruto de um acordo que resultará em benefícios para todos. Num horizonte de tempo adequado, aquele código expressa as melhores regras definidas para que tudo possa transcorrer da melhor forma. Então, basicamente, são três os mecanismos de adesão às normas: a submissão, calcada em fiscalização; a identificação, formada por sentimentos morais; e a internalização, um processo mais sofisticado e reflexivo de compreensão da razão de ser dessas normas. EG Qual é a sua percepção sobre o estágio da ética no meio empresarial no Brasil? Giannetti Avançou muito no discurso e na percepção, mas ainda há muito a avançar na prática e no comportamento.

8 COMITÊ ÉTICA EM ALTA No mundo inteiro, há um movimento capitaneado pela ONU para combater a corrupção nos governos e no mercado. A FNQ contribui com esta causa por meio do Comitê Temático de Ética Empresarial. Criado em 2009, os resultados deste trabalho comprovam o interesse crescente das organizações em adotar boas práticas e disseminá-las entre seus públicos. alexandre sampaio 14 Comitê Temático de Ética Empresarial da FNQ Nunca se falou tanto de ética como nesta primeira década do século 21, no País e no mundo, talvez por se constatar sua ausência em setores fundamentais da vida coletiva. Na política, a palavra é constantemente lembrada quando nos deparamos com o descumprimento das leis, regras e valores compartilhados. Isso não é diferente no meio corporativo. Quem não se lembra do escândalo da Enron, gigante norteamericana do setor de energia, que envolveu fornecedores e até uma grande empresa de auditoria na maquiagem de números contábeis a fim de turbinar suas performances? A partir dessa fraude, foi instituída nos EUA, em 2002, a lei Sarbanes Oxley ou SarbOx, as iniciais dos sobrenomes dos dois senadores americanos que a idealizaram. Ela cobra auditoria independente de dados, mais rigor na governança corporativa e resultados financeiros transparentes (veja pág. 25). Como consequência, acentuou-se um movimento mundial liderado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e acatado por vários países, entre eles o Brasil, para buscar comportamentos alinhados às legislações e à transparência nos negócios. Mas se a ética é essencial para garantir boas práticas na política e nos negócios, é no plano individual que ela se fundamenta, antes de reverberar pelas demais esferas da sociedade. E é na responsabilidade da pessoa que precisamos depositar confiança para que a ética se torne regra e não exceção.

9 COMITÊ A origem da palavra A contribuição da FNQ A palavra ética deriva de ethos, em grego, que significa costume. Esta, por sua vez, vem dos termos em latim mos, mores, que significa moral. Nesta rápida análise etimológica, logo percebemos que o debate sobre o tema pode ser acalorado, pois se trata de um conceito impregnado de influências culturais. Justamente por seu caráter conflituoso, a ética vem sendo objeto de estudo desde a filosofia clássica. Ainda assim é possível afirmar, de maneira genérica, que ela trata dos valores que regem a convivência de um determinado grupo. Segundo Aristóteles, as regras de convivência são éticas quando visam ao bem comum, ou seja, ser ético é agir para o bem comum. No caso do mundo corporativo, outra afirmação livre de contrapontos é que a sobrevivência de qualquer organização, hoje, exige uma gestão que estimule, crie e dissemine a cultura da ética nos negócios e em todos os relacionamentos com públicos interessados. A boa notícia é que não há saída. Todas as empresas que desejam garantir seu lugar ao sol no futuro devem adotar uma postura ética hoje. Na sociedade da informação, a empresa é observada e avaliada diuturnamente e, por isso mesmo, precisa zelar por sua reputação. A pressão da sociedade pelo comportamento ético não é mais uma ameaça no horizonte, é realidade tangível. Basta um deslize em valores cada dia mais caros, como o respeito à comunidade, aos consumidores, ao meio ambiente, ao trabalho e à diversidade, para que uma organização tenha sua reputação destruída, avalia Ricardo Corrêa Martins, diretor-executivo da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). Não há dúvidas sobre isso. Além de gerar empregos, riqueza e resultados que garantem fidelidade e lucratividade, as empresas estão sendo chamadas a exercer ativamente o seu papel de agentes de transformação, contribuindo com sua parte para o aperfeiçoamento da sociedade e a melhoria na qualidade de vida das pessoas. Afinal, as organizações não vivem isoladas. Fazem parte de ecossistemas, no qual interagem e do qual dependem e, por isso mesmo, são mais sensíveis à questão da ética. Elas mantêm um contrato tácito com a sociedade, que hoje está dizendo: empresas não podem poluir o meio ambiente ou causar doenças, senão as pessoas param de comprar o seu produto, manifestam-se e podem até mesmo comprometer o futuro do negócio, exemplifica Corrêa Martins sem qualquer exagero. Estão aí as redes sociais para comprovar. Uma simples postagem individual, por exemplo, pode fazer progredir geometricamente uma queixa, uma denúncia ou um boicote a qualquer organização que infrinja os valores da sociedade onde atua. E não basta mais explicitar boas intenções em position papers ou materiais de marketing. É obrigatório praticar o comportamento ético de maneira transversal no cotidiano da empresa, e isso só é possível ao incorporá-la à gestão organizacional. A FNQ atua como um dos elos de conexão de uma grande rede de organizações. O seu papel é catalisar o conhecimento gerado pela equipe de especialistas, acadêmicos e executivos das empresas que integram este ecossistema, para estruturá-lo e disseminá-lo, promovendo o benchmarking na busca da excelência em gestão, informa Corrêa Martins. Há dois tipos de conhecimento que a FNQ necessita elaborar para cumprir a sua missão. O primeiro deles é técnico, voltado a questões relacionadas à evolução dos Critérios e Fundamentos da Excelência em Gestão, que compõem a metodologia do Modelo de Excelência da Gestão (MEG), e que dão suporte à avaliação e autoavaliação das organizações em busca do aperfeiçoamento da gestão. Com essa função, foram criados os Comitês Técnicos (veja abaixo). Comitês Técnicos Promovem a atualização dos Critérios de Excelência em Gestão, mantendo um fórum permanente de atualização do MEG de acordo com as mudanças no mercado e características setoriais. As revisões podem ser incorporadas aos produtos da FNQ ou aos componentes do modelo, que podem ser teóricas (aplicadas aos Critérios e Fundamentos) ou de processos, que permitem a autoavaliação das empresas, treinamento e capacitação. Os Fundamentos são mais perenes e constantes. Já os Critérios mudam aproximadamente a cada dois anos. O outro tipo de conhecimento é mais empírico, engloba os grandes temas transversais aos Critérios e Fundamentos e é abordado nos Comitês Temáticos. O objetivo é estudar e debater questões pertinentes à gestão, para buscar o estado da arte do tema e promover o relacionamento entre as organizações filiadas à FNQ e convidados. Também visa à produção e disseminação de conteúdos e materiais de referência sobre o tema estudado. Já foram realizados comitês sobre Liderança, Capital Intelectual e, mais recentemente, Ética Empresarial. Ao contrário dos Comitês Técnicos, que são permanentes, os Temáticos têm começo, meio e fim, com data para conclusão dos trabalhos. 16 André CONTI

10 COMITÊ stevecoleccs/ istockphoto A ética no mundo dos negócios Os resultados do Comitê 18 Em 2009, a FNQ elegeu a Ética Empresarial como objeto de estudo. Em primeiro lugar, porque o conceito está expresso nos Fundamentos da Excelência em Gestão que formam a base do MEG. Em segundo, porque o tema é recorrente nos debates de outros comitês, sempre como desafio e resposta à crise de valores não só do universo empresarial, mas do País e da sociedade global. Para coordenar o Comitê de Ética Empresarial, a FNQ convidou Izilda Capeletto, ex-diretora de Ética e Compliance da AES Brasil. Os desafios propostos foram promover o compartilhamento de experiências entre os membros da FNQ e parceiros estratégicos, além de produzir materiais para disseminar as boas práticas no exercício da ética nas organizações. Iniciamos o trabalho com o envio de um questionário a todas as organizações associadas e outras que apresentavam boas práticas na área, explica Izilda, que é pós-graduada em Direito Empresarial Internacional pela Universidade de Paris I e bacharel em Direito e História pela Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa procurou identificar o estágio de implementação da gestão de Ética e Compliance nas empresas e o interesse delas em participar de um grupo de estudos sobre o tema junto com a FNQ. Após uma seleção e convite formal, em julho de 2009, foi criado o Comitê de Ética Empresarial da FNQ, com a participação de 17 empresas, todas associadas à Fundação e com representantes em cargos executivos na área ou sócios que lidam com o tema no dia a dia. As reuniões mensais foram sediadas de forma rotativa nas organizações participantes. Nos encontros, em que eventualmente havia a presença de convidados acadêmicos ou especialistas, foram apresentados e debatidos conceitos históricos, filosóficos, abstratos, a visão ética das empresas, o estágio em que se encontram e as boas práticas. Entre os objetivos do grupo estavam: realização de pesquisas para levantar a percepção de empresários sobre o tema; apoio na elaboração do conteúdo do 18º Seminário Internacional em Busca da Excelência 2010; inserção de casos de sucesso de ética no Banco de Boas Práticas da FNQ; elaboração de uma obra coletiva resultando em uma publicação sobre o tema; e, ao final, envio de sugestões ligadas à ética para análise e resolução do Comitê Técnico Critérios de Excelência, com vistas à evolução do MEG. Organizações participantes do Comitê de Ética Empresarial AES Eletropaulo - Banco Itaú Unibanco - Brystol - Eletronorte - Companhia Paranaense de Energia - CPFL Energia - Editora Abril - Elektro Eletricidade e Serviços - Fibria Celulose - FURNAS Centrais Elétricas - IBOPE - Rhodia Poliamida América do Sul - SENAC/RS - SENAI/DN - Siemens - Suzano Papel e Celulose - TozziniFreire Advogados Como todo Comitê Temático da FNQ, o de Ética Empresarial foi criado com data para encerrar os trabalhos, mas já se estuda sua continuidade e o convite a mais oito empresas para renovar as experiências. Izilda Capeletto atribui esse sucesso ao planejamento e estrutura criados para conduzir as atividades. Organizamos Grupos de Trabalho (GTs) como forças-tarefa para conduzir e executar cada um dos projetos, sempre alinhados à missão do Comitê, explica a coordenadora. Aliás, definir com clareza a missão do Comitê foi o primeiro passo para os trabalhos: MISSÃO DO COMITÊ DE ÉTICA EMPRESARIAL DA FNQ Contribuir para uma sociedade mais ética, disseminando e compartilhando conceitos, princípios e melhores práticas de ética nas empresas. Outro projeto foi realizar uma ampla pesquisa quantitativa com Micro e Pequenas Empresas (MPEs) e outra qualitativa com grandes organizações escolhidas entre as Maiores e Melhores da revista Exame, a fim de traçar um retrato do atual estágio de Ética e Compliance das organizações em nosso País (veja matéria na página 28). Os resultados surpreendem e demonstram, por exemplo, que as Micro e Pequenas Empresas, as MPEs, já identificam a ética como um dos pilares estratégicos para alcançar bons resultados no negócio. O 18º Seminário Internacional em Busca da Excelência - Dimensões da Ética Empresarial também contou com a participação do Comitê na elaboração dos conteúdos e definição dos palestrantes (veja matéria na página 42). A ideia foi ressaltar a importância de inserir a ética nas estratégias, estruturas organizacionais e práticas das empresas, dando ao tema uma nova dimensão, exigida especialmente após os efeitos colaterais da recente crise econômica.

11 COMITÊ 20 O Seminário obteve aprovação de 99,1% de 260 pessoas presentes que foram entrevistadas em uma pesquisa realizada ao final do encontro. Foi gratificante para toda a equipe do Comitê verificar que o tema desperta grande interesse e teve sua abordagem no evento muito bem avaliada. É um estímulo para a continuidade dos trabalhos, comemora Izilda Capeletto. Em mais uma iniciativa, os estudos e conclusões do Comitê estão sendo registrados na publicação Ética nos Negócios. A visão e a Prática das Empresas no Brasil, construída de forma coletiva e com lançamento previsto para novembro de Segundo Regina Ribeiro do Valle, da TozziniFreire Advogados, coordenadora do Grupo de Trabalho da publicação, a obra consolida a missão do Comitê de Ética. É uma visão acadêmica e sistemática do tema aplicado aos negócios, complementada por uma orientação prática para implementação de programas de Compliance. O objetivo é contribuir com a adoção de códigos de conduta e programas de Compliance nas organizações interessadas, define. Entre os temas abordados no livro estão Consciência Ética, Ética nos Negócios no Brasil e as Dimensões da Ética Empresarial. A obra também traz um Manual de Ética e Compliance Empresarial, com um passo a passo para que as empresas não só criem seus próprios códigos de conduta e instâncias para a gestão da ética, mas também invistam na criação de uma cultura corporativa e em ações práticas. Outra particularidade da publicação, no capítulo das Dimensões, é a abordagem das relações entre ética e responsabilidade social, sustentabilidade (ver pág. 22), comunicação, cadeia de suprimentos, relações governamentais, licitações, governança corporativa, gestão de RH, vendas e marketing e sociedade da informação, entre outros tópicos. Regina destaca que a obra esclarece a diferença entre Ética e Compliance, este último ainda um termo novo no Brasil. São programas que foram introduzidos nos EUA a partir de campanhas pela transparência e ética nas empresas, além de governança corporativa, como resposta aos escândalos de fraude e corrupção do final do século 20 (ver pág. 23) e à necessidade de as empresas preservarem a sua reputação, pontua. É crescente a mobilização no País para que as práticas de transparência e governança corporativa, já presentes em companhias de capital aberto, englobem o combate à fraude e à corrupção. A ética já aparece como valor mais identificado nas empresas e, em futuro próximo, constará não só de um conjunto de valores praticados pelas empresas e identificados na visão e missão, mas como atitude do cotidiano, afirma. Ela reforça que os programas de Compliance fortalecem a reputação e a condição de sobrevivência das organizações, gerando negócios sustentáveis no mundo global. A ética já aparece como valor mais identificado nas empresas e, em futuro próximo, constará não só de um conjunto de valores praticados pelas empresas e identificados na visão e missão, mas como atitude do cotidiano. paulalyn carvalho Passo a passo para incorporar práticas éticas nas organizações* Desenvolvê-las, por meio da criação de um Programa de Ética e Compliance, com a ajuda de especialistas e o envolvimento da alta direção. Disseminar e manter as práticas internamente, por meio de educação e treinamento, certificações, auditorias específicas, risk assessment, políticas mediante o envolvimento de todos os níveis da organização, estendendo-se para a cadeia de valor. O programa deve ser revisto e atualizado periodicamente, e todos os novos colaboradores devem ser treinados na cultura ética da empresa. Ser consistente: manter coerência entre o discurso e a prática. O exemplo, principalmente quando vem das mais altas camadas de liderança da organização, é um dos meios mais eficazes para disseminar a ética nas empresas. *Fonte: Izilda Capeletto

12 COMITÊ CONTEXTO Ética e sustentabilidade O desafio da sustentabilidade requer uma nova forma de pensar, novas tecnologias e novos modelos de negócios. Para Izilda Capeletto, não há como dissociar esse desafio da questão ética. A partir do momento em que a sociedade passa a ter consciência de que é necessário conviver com os recursos naturais respeitando limites, reforça-se a importância de incorporação da ética nas estratégias empresariais, defende. A ética relacionada à sustentabilidade vem ganhando importância nas empresas brasileiras, especialmente porque os consumidores estão menos tolerantes com os impactos negativos das atividades empresariais. Mas temos muito a fazer, ressalta a coordenadora do Comitê de Ética Empresarial da FNQ. Ela diz que é de suma importância medir o progresso alcançado, no que se refere a construir um mundo mais inclusivo e sustentável, e corrigir rumos. Ética está ligada à consciência humana. Da mesma forma que um indivíduo possui uma imagem social que mostra se é um cidadão de bem, o comportamento ético da empresa define a sua reputação, um dos seus ativos mais preciosos. Não à corrupção A sociedade brasileira e a mundial estão menos tolerantes com a corrupção nos setores público e privado. Prova disso é a significativa movimentação que busca cercear atos ilícitos por meio de pactos entre as nações, novas legislações e punições exemplares. Movimentos pela ética nas relações comerciais Inovar é derrubar 22 Ainda dentro da ética, há questões relacionadas à sustentabilidade que são estratégicas dentro de qualquer gestão empresarial: a gestão eficaz dos recursos naturais, o respeito aos direitos humanos, a interação com os stakeholders e os resultados econômico-financeiros, essenciais para o crescimento sustentável e a perenidade dos negócios. O empresário que não incorporar esses grandes temas na gestão da empresa, certamente terá problemas. Sem cidadania, não há sustentabilidade, assim como não há sustentabilidade com altos níveis de corrupção. Aqui entra a figura fundamental da liderança, que precisar se armar de boa dose de visão de futuro e energia, para capitanear mudanças e conciliar sustentabilidade e resultados, esteja ele atuando em organizações públicas, privadas ou da sociedade civil, conclui Izilda. zilli/ istockphoto

13 CONTEXTO A corrupção ameaça a boa governança, o desenvolvimento sustentável, o processo democrático e as práticas justas de negócio. Ao mesmo tempo em que a sociedade se debruça sobre as questões do setor público, o movimento pela ética alcança o setor empresarial por meio da criação de novas legislações e iniciativas globais. Várias procuram deter atos ilícitos nos negócios que envolvem governos e corporações. Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é líder global no combate à corrupção, adotando uma abordagem multidisciplinar por meio da Convenção contra a Corrupção, que contribui com o desenvolvimento e governança para os países membros e outros. Nesse campo, a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (UNCAC), de 31 de outubro de 2003, da qual o Brasil é signatário juntamente com mais 172 países, é considerada o primeiro instrumento internacional anticorrupção legalmente vinculante. A UNCAC obriga os Estados participantes a implementar uma vasta e detalhada gama de medidas anticorrupção, afetando leis internas, instituições e práticas. Tais medidas têm como objetivo promover a prevenção, a criminalização, a aplicação da lei, a cooperação internacional, a recuperação de ativos, a assistência técnica, a troca de informações e os mecanismos para sua implementação. Iniciativas nos EUA, por exemplo, datam de 1977, quando começou a vigorar o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), uma legislação anticorrupção criada como resposta à descoberta de pagamentos ilegais efetuados por empresas do país a funcionários públicos estrangeiros, na década de Especialmente a partir de 2004, essa lei tem acarretado a aplicação de penalidades graves a empresas com condutas ilícitas, em especial com multas milionárias. Na década de 1990, também em decorrência do FCPA, foram realizadas várias convenções internacionais contra a corrupção. Entre elas, a Convenção Interamericana contra a Corrupção, da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 1996; a Convenção sobre o Combate à Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais, da OCDE, em 1997; e a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, aprovada pela Assembléia Geral da ONU, em 2005, além de outras iniciativas da Comunidade Europeia. A Lei SarbOx O caso de fraude da Enron é emblemático quando abordamos o tema da ética empresarial. Gigante norteamericana do setor de energia, ela envolveu bancos, diretores, funcionários, acionistas e até mesmo uma conceituada empresa de auditoria em um dos casos de fraude mais importantes da atualidade. A companhia pediu concordata em dezembro de 2001, com uma dívida de US$ 13 bilhões e um prejuízo econômico que resultou em grande número de desempregados, suicídios, prisões e pessoas que viram as economias de toda uma vida desaparecerem nos fundos de pensões geridos por ela. O caso gerou a pior crise de confiança enfrentada pelos EUA desde a quebra da bolsa em 1929, somente superada pela crise do setor imobiliário, em O caso Enron foi um divisor de águas e provocou mudanças radicais contra fraudes financeiras nos EUA, com o intuito de recuperar a confiança dos investidores. Para isso, foi criada a Lei Sarbanes Oxley ou SarbOx, que impõe mecanismos de auditoria e normatiza o sistema financeiro por meio da criação de comitês e comissões encarregadas de supervisionar as atividades e operações de modo a diminuir significativamente os riscos aos negócios. Atualmente grandes empresas brasileiras com atuação no exterior seguem a Lei Sarbanes-Oxley. Ainda assim, em 2008, o mundo assistiu estarrecido à grave crise mundial provocada pela fraude no mercado hipotecário nos EUA, que refletiu no mercado de crédito no geral, gerando a quebra de várias instituições financeiras num efeito dominó. No cerne da crise que afeta o mercado até hoje, mais uma vez, está a falta de ética no trato dos bens de cidadãos que depositam sua confiança em instituições financeiras pouco afeitas aos valores que regem o bem comum. 24 Iniciativas no país O Instituto Ethos, organização não-governamental, e instituições parceiras da entidade possuem diversas iniciativas para ajudar as empresas no combate à corrupção. Destaque para a criação do Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção, lançado em 2005, e diversas publicações como A Responsabilidade Social das Empresas no Combate à Corrupção (2009), A Responsabilidade Social das Empresas no Processo Eleitoral (2010), Combate à Corrupção nas Prefeituras do Brasil (2003), e os recém-lançados projetos do site Ficha Limpa (www.fichalimpa.org.br) e do Cadastro de Empresas Pró-ética. Mais informações nos site do Instituto Ethos - DNY59/ istockphoto

14 ENTREVISTA CONTEXTO A corrupção é maléfica à sociedade, compromete a legitimidade política e credibilidade das instituições, ameaça a competitividade do mercado e afugenta novos investimentos. 26 Como resultado do compromisso assumido com essas organizações, diversos países, entre eles o Brasil, criaram dispositivos na legislação, configurando os crimes de corrupção ativa e tráfico de influência em transações comerciais internacionais. Mais recentemente, em 8 de abril de 2010, o Reino Unido criou o Bribery Act 2010, responsabilizando as empresas no caso de pagamento de propina, ainda que por meio de colaboradores, consultores, organizações associadas ou subsidiárias. Também pune pagamentos a título de facilitação de negócios, suborno ou corrupção de funcionários públicos estrangeiros, mesmo se realizados entre a empresa e outras pessoas físicas ou jurídicas, em ambiente doméstico ou estrangeiro. Ainda nesse movimento, a Controladoria Geral da União (CGU) a OCDE realizaram, em julho de 2010, em São Paulo, a Conferência Latinoamericana sobre Responsabilidade Corporativa na Promoção da Integridade e no Combate à Corrupção. O evento se propôs a discutir com o setor privado e outros membros da sociedade civil os riscos associados à corrupção nas transações comerciais, assim como debateu o aprimoramento da legislação dos países latinoamericanos quanto à responsabilização das empresas por atos de corrupção. Ao mesmo tempo em que procura adaptar a sua legislação às novas exigências globais, o Brasil se depara com a péssima percepção da opinião mundial sobre o nível de corrupção existente em suas instituições. Em pesquisa de 2009 da Transparência Internacional, uma ONG sediada em Berlim, o Brasil ocupou o 75º lugar do ranking em um universo de 180 participantes, marcando 3,7 em uma escala que vai de zero (países vistos como muito corruptos) a dez (considerados bem pouco corruptos). Números da corrupção no Brasil O impacto financeiro da corrupção nas atividades do País foi estimado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em março de No Relatório Corrupção: custos econômicos e propostas de combate, a entidade divulgou que o custo médio anual da corrupção no Brasil representa de 1,38% a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, de R$ 41,5 bilhões a R$ 69,1 bilhões. No seu relatório, a FIESP destaca: o custo extremamente elevado da corrupção no Brasil prejudica o aumento da renda per capita, o crescimento e a competitividade do País, compromete a possibilidade de oferecer à população melhores condições econômicas e de bem-estar social e às empresas melhores condições de infraestrutura e um ambiente de negócios mais estável. caracterdesign/ istockphoto Mais mudanças por aí Em nosso País, temos organizações que são ilhas de excelência convivendo com baixos níveis de valores, tanto nos setores públicos como privado. Mas há um esforço conjunto das duas esferas da sociedade para criar iniciativas capazes de transformar consciências e inibir comportamentos inadequados, avalia Regina Ribeiro do Valle, do Comitê de Ética Empresarial da FNQ. O Brasil já conta com a Lei de Improbidade Administrativa, efetuou modificações em seu Código Penal, inserindo artigos relacionados à corrupção de funcionários públicos estrangeiros, e agora o governo propôs o Projeto de Lei 6.826/2010, em fase de tramitação. Esta legislação pretende responsabilizar pessoas jurídicas pela prática de atos ilícitos contra a Administração Pública, em especial corrupção e fraude em licitações e contratos administrativos, independentemente de o ato ter sido praticado por indivíduo ligado à organização. Um poderoso instrumento de controle da corrupção nos Poderes Executivo e Legislativo é o voto. E é nesse âmbito da cidadania que, em 2010, os brasileiros passaram a contar com um aliado valioso: o Ficha Limpa, como ficou conhecido o projeto que resultou na Lei Complementar nº 135/2010, sancionada em 4 de junho de 2010 pelo Congresso Nacional e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o projeto, os políticos que estão sendo processados por atos ilícitos ficam impedidos de se candidatar a qualquer cargo público. Esta foi uma vitória da sociedade brasileira, que se articulou e circulou o projeto por todo o País, coletando mais de 1,3 milhão de assinaturas, ou seja, cerca de 1% dos eleitores brasileiros, o que garantiu sua apreciação pelo Congresso Nacional. Uma prova de que a consciência individual e pequenos gestos podem adquirir força suficiente para transformar o mundo. Basta querer.

15 PESQUISA UM RETRATO DAS Grandes, micros e pequenas sebastian julian/ istockphoto 28 Um raio X da ética no setor empresarial Para cumprir uma de suas metas de atuação, o Comitê de Ética Empresarial da FNQ promoveu duas pesquisas: uma com dirigentes de 25 grandes organizações, realizada pelo Ibope, e outra com representantes de 989 Micro e Pequenas Empresas, as MPEs, feita pelo Senac-RS. Nos dois cenários, o objetivo foi detectar o estágio da conduta ética na rotina das organizações no Brasil. Confira os resultados.

16 PESQUISA Muito além do discurso O processo de criação de uma cultura da ética nas grandes organizações segue com força e começa a sair dos códigos de conduta e programas de compliance para a prática no dia a dia. Perfil da pesquisa Objetivo Identificar a visão de empresários sobre o conceito de ética em geral e ética empresarial, investigando sua percepção sobre procedimentos e ações afirmativas no cotidiano das empresas Metodologia Qualitativa, face a face, com entrevistas em profundidade Amostra 25 presidentes ou diretores de grandes empresas Período Janeiro e fevereiro de 2010 Setores econômicos Sede das empresas Os mais variados, do automotivo à construção civil, de saúde a telecomunicações, do farmacêutico à siderurgia Região Sudeste 30 Se o processo de discussão, implantação e consolidação de um comportamento ético nas grandes empresas no Brasil é mais ou menos recente, ele chegou para ficar. E veio com toda a força. Esta é uma das conclusões da pesquisa qualitativa realizada pelo Ibope com 25 empresas selecionadas entre as classificadas como Maiores e Melhores pela revista Exame e apresentada no 18º Seminário Internacional em Busca da Excelência, promovido em junho pela FNQ. Os resultados são positivamente surpreendentes e fornecem muitos subsídios, tanto para orientar como para reorientar o processo mediante o qual as grandes empresas assumem um código de conduta e operam de fato com transparência e responsabilidade social. Na percepção dos entrevistados sobre o mundo corporativo em geral, o padrão de conduta atual das empresas é heterogêneo, mas reflete um momento de ruptura, de transição para a mudança de paradigma. Trata-se de uma cultura que está se instalando, desejável para alguns e questão de sobrevivência para outros, comenta Nelson Marangoni, diretor-executivo do Ibope Solution. Não basta parecer ético, é preciso de fato ser ético, disse um dos entrevistados. A frase sintetiza o quanto as empresas estão perseguindo um autêntico comportamento ético real, e não virtual ou marqueteiro. Como disse outro entrevistado, não há jeito certo de fazer a coisa errada. Um aspecto que a pesquisa captou é o que se pode chamar de transcendência, ou seja, os dirigentes dessas empresas, embora não percam de vista o lucro como condição essencial de sobrevivência, acreditam que é preciso ir além. A empresa deve ter também como objetivo a busca pela sustentabilidade em suas vertentes econômica, ambiental e social, contribuindo para o aperfeiçoamento da sociedade e o desenvolvimento do País. É uma revelação da pesquisa da maior importância, até pela relação que faz com outro resultado: ao argumentar sobre as principais motivações da prática ética, os executivos usam como referência muito mais a pressão externa do mercado e da sociedade e as exigências de sustentabilidade do que uma vocação interna. No contraponto desta aparente distância entre discurso e prática, eles identificam uma nova geração de gestores com uma cultura ética já internalizada e atribuem à liderança o papel de inspirar e dar substância aos programas, como modelos a ser seguidos. Mas não basta ser um líder visionário. Essa postura é fundamental no início do processo, mas a continuidade exige a implementação de uma cultura da ética a longo prazo, com vida própria e independente de seus criadores. Nesse mesmo sentido, não bastam Códigos de Conduta. Eles são importantes balizadores, mas nada substitui o bom senso, a sensibilidade e a autovigilância, resume Marangoni. Veja a seguir as principais conclusões da pesquisa. Os principais vetores de conduta ética nas corporações, segundo a pesquisa, são: o compromisso dos funcionários e dirigentes, e a palavra empenhada na observância dos códigos da empresa (compliance); a noção de transparência acima de tudo (nada a esconder); a transcendência, em que se acredita que é preciso ir além do lucro, gerando valor para a sociedade e contribuindo para o desenvolvimento do País. Os participantes da pesquisa acreditam que a ética aponta para uma prática, um comportamento orientado por normas e princípios de conduta, acordados como corretos pela sociedade em geral e pelas empresas, em particular. Os princípios da ética, para eles, são regidos pelas noções de justiça, transparência, integridade e dignidade. Sobre a diferença entre ética pessoal e ética empresarial, os executivos acreditam que o conceito permeia a conduta do indivíduo em todos os âmbitos de relacionamento, seja ele pessoal ou social (e profissional). Segundo eles, é difícil separar o que é convicção de foro íntimo do que é a simples observância de códigos de conduta vindos de fora. Neste ponto, a pesquisa mostra um paralelo que os respondentes fazem entre ética e honestidade, em que a pessoa se orienta por esta ou outra inclinação. Ou seja, não há meio termo. Contudo, eles mostram confiança na possibilidade de aprendizado e aperfeiçoamento do comportamento adequado.

17 PESQUISA 32 fotografia Os empresários entendem que a ética não é um adereço para a empresa ficar bonita na foto. Ela tem de ser uma prática de gestão. Vários citam a identidade de valores e coerência entre discurso e prática como razões para atrelar seu projeto profissional às organizações onde trabalham. Os entrevistados expressam a percepção de que o padrão de conduta das empresas é heterogêneo e que também é uma cultura que apenas está se instalando. Grandes empresas e grupos globalizados estariam na ponta do processo, em razão da pressão global e local, interna e externa à empresa, da fiscalização e da internet como observatório do comportamento. Em síntese, os entrevistados mencionam cinco fatores motivadores para a instalação de uma cultura ética nas empresas: a competição do mercado, que impulsiona para a constante superação; o compromisso com a sustentabilidade, com a perenidade; a pressão das redes sociais, com poder de boicotar condutas reprovadas; a globalização, que impõe padrões normativos, nivelados pelos mercados mais desenvolvidos; a ampliação das consciências, com a cultura ética exercendo fator de atratividade na retenção de talentos. gestão Para os entrevistados, ética nos negócios é uma das prioridades da empresa. Eles acreditam que a gestão responsável deve, necessariamente, incorporá-la como fundamento. Apesar de muitas dessas empresas ainda não terem disseminada plenamente uma cultura ética, praticamente todas têm pelo menos um documento formal, seja um código de conduta, de compliance ou de ética mesmo. É rara a presença de uma área específica para a gestão da ética e o mais comum é a formação de um comitê, geralmente formado pela alta diretoria, áreas de RH e Jurídica. A pesquisa indica ainda que a iniciativa de criar instâncias ou documentos de conduta partem quase sempre de cima e de fora para dentro do ambiente corporativo, surgindo comumente como um pacote ético quase pronto para os funcionários, vindo da matriz ou da alta direção. Na maior parte das vezes, a área de RH ou outras subordinadas a ela são fontes de consulta em casos de dúvidas sobre o código de conduta. Os gestores também exercem a função de esclarecer dúvidas, receber denúncias e garantir a aplicação dos códigos de conduta ou compliance. Há ênfase na cultura de valores institucionais, para que o conhecimento não fique concentrado nas lideranças, gerando descontinuidade pelo turn over. São poucos os casos entre os entrevistados de uma hot line na matriz para denúncias anônimas. ecossistema Segundo os relatos da pesquisa, há uma tendência crescente de vincular a submissão aos princípios éticos da organização para a continuidade de contratos de trabalho com funcionários e outros stakeholders. Algumas percepções foram detectadas: há uma intolerância clara contra os infratores e a práticas como assédio moral e sexual. Os entrevistados identificam as principais vulnerabilidades na relação com os fornecedores, porque não há vínculo de obrigatoriedade, e nos colaboradores, passíveis de falhas humanas, entre outros fatores. Para a solução, apostam em treinamento, aprendizado e mudança de mentalidade. Rotina de divulgação e atualização dos Códigos de Conduta e Compliance Todo novo funcionário recebe treinamento presencial ou online Por determinação de ISO, os funcionários precisam confirmar a certificação Os comitês de ética se reúnem periodicamente ou sempre que houver necessidade Usualmente, as empresas organizam workshops e seminários para os níveis gerenciais Não há uma rotina de atualização constante dos códigos, embora algumas organizações façam isso anualmente A gestão da ética, a ambiental e a social são, para os empresários entrevistados, responsabilidades inseparáveis e até indistinguíveis. mediaphotos/ istockphoto

18 PESQUISA Marylb/ istockphoto Criando cultura Os dirigentes acreditam que obedecer à legislação não é suficiente. É necessário discutir amplamente os códigos de conduta e internalizar as normas no cotidiano da empresa. Alguns mencionam que uma das mais fortes barreiras para isso são os fatores culturais relacionados ao caráter ambíguo do brasileiro, que se expressa, por exemplo, na lei de Gerson (levar vantagem em tudo), nos deslizes da classe política, no segregacionismo do você sabe com quem está falando? e na oscilação entre a compaixão e a justiça, presente no senso comum do aos amigos tudo, aos inimigos a lei. Pegando carona nessa plasticidade da cultura do jeitinho, os entrevistados propõem tirar proveito da abertura moral do brasileiro, para construir relações éticas genuínas, com bom senso e fugindo do radicalismo do politicamente correto. Defendem a punição dos desvios de forma exemplar, mas com grandeza, justiça e sabedoria. Assim, acreditam, será possível fazer da empresa um lugar onde os homens de bem desejarão trabalhar, comprar, cultuar, guardar na memória e nos afetos. rumo à excelência Apesar de operarem em ambiente muitas vezes adverso à ética, as Micro e Pequenas Empresas, as MPEs, estão dispostas a dar exemplos de boa conduta. E já relacionam o comportamento responsável ao sucesso empresarial. Responsáveis por 20% do PIB brasileiro, as MPEs geram 57,1% dos empregos formais e têm uma capilaridade na economia que vai do agronegócio à indústria, do comércio aos serviços. Das cerca de 5,8 milhões de empresas registradas de todos os portes, 99% são micro ou pequenas, segundo o Anuário do Trabalho nas MPEs divulgado em setembro de 2010 pelo SEBRAE. O estudo mostra ainda que 53% delas atuam no comércio, 32,2% no setor de serviços, 11% na indústria de transformação e 3,8% na construção. Estima-se, contudo, que a representatividade dos pequenos empreendedores na economia formal, atualmente, seja ainda maior, pois os números mais novos datam de A partir da opinião dos entrevistados* é possível identificar quatro estágios em que as grandes empresas podem estar em relação à ética: Não éticas Iniciantes Legalistas Convictas burlam a lei começam a se preocupar seguem à risca as normas e a legislação ética há muito incorporada e já presente no DNA da empresa, que busca padrões de excelência *As organizações participantes da pesquisa, segundo os entrevistados, enquadram-se nos perfis Legalistas ou Convictas. deeppilot/ istockphoto

19 PESQUISA Embora enfrentem adversidades de todo tipo, de problemas de gestão à falta de capital de giro, que fazem 59,9% delas morrerem em até quatro anos, elas têm um papel da maior importância tanto no âmbito econômico quanto no social. Um dos aspectos mais interessantes dessas empresas é que, embora sejam vizinhas de suas similares informais, elas valorizam a ética. Segundo pesquisa realizada pelo Senac-RS a pedido do Comitê de Ética Empresarial da FNQ, com 989 dessas MPEs de todas as regiões do Brasil (de um conjunto de aproximadamente 15 mil MPEs endereçadas), 79% delas dizem que a ética é estratégica para os negócios. A pesquisa revelou também que, para estas empresas, a ética não é apenas um conjunto de princípios teóricos traduzidos num elenco de normas de conduta. É principalmente uma conduta internalizada e cotidiana, embora 73% dos entrevistados afirmam ser preponderantemente praticada de maneira informal. Ariel Fernando Berti, gerente da Assessoria de Planejamento do SENAC-RS, acredita que a pesquisa reforçou uma percepção de que as relações éticas entre as empresas estão diretamente determinadas pelo ambiente competitivo. A desenfreada competição conduz, muitas vezes, as empresas a abrir mão de seus princípios e valores. Mas é neste âmbito do comportamento que também surge a saída para ganhar competitividade por meio da postura ética, e as MPEs estão percebendo que o investimento na conduta gera resultados, avalia. Não é à toa que 74,9% dos entrevistados acreditam que conduta ética sempre traz resultados tangíveis, como lucro e reconhecimento por parte do mercado e da sociedade. Para 44,2% dos respondentes, na maioria das vezes, as empresas preocupam-se em ter uma postura ética na gestão dos negócios, devendo considerar as dimensões da sustentabilidade, um dos temas transversais aos Critérios e Fundamentos da Excelência em Gestão da FNQ. São resultados animadores. Até porque a trajetória das MPEs na consolidação de uma ética acontece dentro de um ambiente em certa medida adverso. Ao mesmo tempo em que o Brasil convive com ilhas de excelência na questão ética, tanto no setor público quanto no privado, a sociedade brasileira ainda é tolerante com comportamentos não éticos e isso influencia os negócios. Há sinais de que essa tolerância começa a diminuir, mas ainda há muito por fazer. Confira a seguir os principais resultados da pesquisa com as MPEs. Perfil da pesquisa Método Público Questionário estruturado com questões fechadas Micro e Pequenas Empresas Período de coleta 28/04/2010 a 21/05/2010 Abrangência Amostra Realização Nacional 989 empresas (de um conjunto de aproximadamente 15 mil MPEs endereçadas) Via web Tipo de Empresa: 92% das empresas são do tipo Matriz Em relação ao enquadramento, a proporção geral de microempresas é 62,2% 11% 16% 16% 26% 31% Comércio Serviços Indústria Serviços de II Outros 36 mediaphotos/ istockphoto Perfil dos entrevistados 79,8% dos respondentes são proprietários 13,7% são gerentes das empresas 44,5% possuem o tempo de atuação na empresa maior que 10 anos

20 PESQUISA Discordo totalmente Em relação a três conceitos de ética, os entrevistados se identificaram mais (80,9%) com a alternativa que afirma que A ética é um conjunto de práticas que podem ser representadas pela honestidade e integridade de conduta em todas as áreas da nossa vida O maior percentual (80,9%) de opção pela primeira formulação conceitual deve-se em parte ao fato de ela apresentar um sentido mais pragmático do que o das outras duas. O próprio emprego dos termos honestidade e integridade, fortemente associados às questões morais e de comportamento, certamente levaram a uma maior identificação com este conceito. As outras duas formulações eram as seguintes: a ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta da sociedade e seus grupos (77,7%); a ética é uma teoria que apresenta conceitos, como moral e princípios, e pode ser aplicada no dia a dia da sociedade (63,5%) ,9% 0,6% 3,9% 12,7% 80,9% Concordo totalmente 82,2% dos entrevistados afirmam que a disseminação dos processos relativos à ética envolve a todos os funcionários indistintamente. O percentual mostra que a introdução de um padrão ético nas empresas, inclusive as grandes, que começou há cerca de dez anos, está se ampliando e se expandindo para a base das empresas. Não é um processo circunscrito aos níveis da alta direção e gerência. Ao contrário, conta com participação efetiva dos funcionários. 73% dos entrevistados afirmam que a questão ética faz parte do seu cotidiano, mas de maneira informal. O resultado revela que o processo de estruturação de um código de conduta das MPEs ainda está no início e que, na maioria delas, não existe um documento formal nesse sentido. Apenas 5,2% declaram ter. 2% Ao serem questionados se Ética e Ética Empresarial são a mesma coisa, 54,8% concordaram plenamente. Por outro lado, para a grande maioria dos entrevistados (76,2%) a ética é um conceito que engloba tanto os valores da vida pessoal quanto os da atuação empresarial. 17% 3% 5% Existe Código de Conduta/Compliance Existe Área/Equipe para tratar do tema Discordo totalmente ,9% 5,1% 14,8% 21,4% 54,8% Concordo totalmente 73% Existe Código de Conduta e Área responsável Existe tratamento informal do tema Ética Não responderam 38 Do total de respondentes, 96,9% acreditam que existem empresas éticas e empresas não éticas no ambiente de negócios em que trabalham. Considerando essa diferenciação, 74,5% acreditam ser um processo consciente. E 74,9% afirmam que empresas que adotam postura ética em seus negócios tendem a ter maior retorno do que outras que não consideram questões éticas em suas rotinas. Esta é uma das grandes percepções da pesquisa. As MPEs já identificam na ética um dos principais ativos do patrimônio de uma organização e a consideram estratégica para alcançar bons resultados. O comportamento mais ético das empresas é em 59,7% dos casos ditado mais por pressão social (externa) do que por mecanismos internos (37,8%). Esses dados demonstram que, pelo fato mesmo de a adoção de uma conduta ética ainda não estar consolidada e ser preponderantemente informal, a questão ainda não está internalizada, nem está no DNA da maioria dessas empresas.

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