ESCRITÓRIO FISCO-CONTÁBIL DE CONSULTORIA FINANCEIRA E TRIBUTÁRIA ÀS MICROS E PEQUENAS EMPRESAS 1 RESUMO

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1 v.5, Jan. Jul ISSN ESCRITÓRIO FISCO-CONTÁBIL DE CONSULTORIA FINANCEIRA E TRIBUTÁRIA ÀS MICROS E PEQUENAS EMPRESAS 1 RESUMO Geraldino Lúcio Leite de Souza 2 Janaína Estêvam Vieira 3 A sobrevivência das empresas atualmente está cada vez mais ligada a capacidade destas em se adaptarem as constantes mudanças do mundo globalizado. Não é diferente para as micros e pequenas empresas, principalmente porque esses empreendimentos dispõem de menos recursos financeiros. Muitas dessas empresas por não terem uma assessoria contábil enfrentam muitas dificuldades financeiras e gerenciais. O Escritório Fisco-Contábil de Consultoria Financeira e Tributária pretende assessorar as pequenas e médias empresas, não só nas habituais práticas fiscais e contábeis, mas também no planejamento financeiro e tributário, com o objetivo de produzir informações gerenciais ao processo decisório para pequenos empresários. Com esta ferramenta, as pequenas organizações poderão se manter competitivas e bem sucedidas no mercado. Palavras-chave: Informações gerenciais. Tomada de decisão. Sucesso empresarial. ABSTRACT The survival of businesses today are increasingly linked their ability to adapt the everchanging globalized world. There s no difference between the micro and small enterprises, mainly because these enterprises have fewer financial resources. Many of these companies don t have an accounting advice, facing many financial and managerial difficulties. The Office of Accounting Financial Consultancy and Tax intends to assist small and medium companies, not just the usual tax and accounting practices, but also in financial planning and taxation, in order to produce management information to decision-making process for small business. With this tool, small organizations can remain competitive and successful in the market. Keywords: Managerial information. Getting decision. Sucess interprise. 1 Trabalho de conclusão do curso de Pós-graduação em Administração Financeira da Faculdade de Ciências de Administração de Pernambuco FCAP, em 2011, e selecionado para Prêmio FCAP Projeto Empresarial de Sucesso Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE, pós-graduado em Administração Financeira pela Faculdade de Ciências de Administração de Pernambuco FCAP. 3 Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE, pós-graduada em Administração Financeira pela Faculdade de Ciências de Administração de Pernambuco FCAP. 1

2 1 INTRODUÇÃO Muito tem se discutido sobre as micros e pequenas empresas, denominadas MPEs. Estas entidades vêm ganhando representatividade no cenário econômico e social, tanto em nível nacional quanto internacional. Esta representatividade diz respeito à quantidade de empresas existentes, pois as MPEs representam a grande maioria das empresas brasileiras, conforme mostra o quadro a seguir: Região Quantidade Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul Fonte: SEBRAE (2008) QUADRO 1 Número de MPEs por Região Com esse crescimento, as MPEs exercem um papel importante na geração de empregos, dando oportunidade de trabalho a grande parte dos trabalhadores da iniciativa privada. Além disso, essas empresas têm participação relevante na geração de riquezas, inclusive com o crescimento de suas exportações, contribuindo com uma parcela significativa para o Produto Interno Bruto - PIB brasileiro, desempenhando importante papel na economia do país, uma vez que colaboram para o desenvolvimento econômico e social. Por outro lado, cabe ressaltar um problema grave: o fato das altas taxas de mortalidade dessas empresas, o que compromete a grande parte da geração de riqueza e de empregos para o país. Em Pernambuco, as MPEs também apresentam bons números pelos respectivos segmentos da economia, conforme mostra o quadro a seguir: 2

3 Indicador Valor Unidade Medida Fonte Referência Número de MPE Quantidade RAIS/MTE 2008 Número de MPE - Comércio Quantidade RAIS/MTE 2008 Número de MPE - Serviço Quantidade RAIS/MTE 2008 Número de MPE - Indústria e Construção Civil Quantidade RAIS/MTE 2008 Número de Empreendimentos Rurais Quantidade IBGE 2006 Número de MPE com Empregados Quantidade RAIS/MTE 2008 Número de Empregados com Carteira Assinada Quantidade RAIS/MTE 2008 Número de Empreendimentos Informais Quantidade IBGE 2003 Número de MPE Exportadoras 117 Quantidade SECEX/MDIC 2009 Valor Exportado pelas MPE 19,19 US$ milhões SECEX/MDIC 2009 Taxa de Sobrevivência das MPE 77,3 Taxa SEBRAE 2005 Municípios com a Lei Geral Regulamentada 87 Quantidade SEBRAE 31/01/2011 Percentual de Municípios com a Lei Geral regulamentada 47,03 Percentual SEBRAE 31/01/2011 Número de MPE Optantes pelo Simples Quantidade Receita Federal do Brasil 31/01/2011 Número de Empreendedores Individuais Quantidade Receita Federal do Brasil 31/01/2011 Saldo de Empresas Registradas Quantidade DNRC/MDIC 2009 Compras Governamentais das MPE 1.150,42 R$ milhões SLTI/MPOG 2009 Percentual das Compras Governamentais das MPE 66,9 Percentual SLTI/MPOG 2009 Fonte: SEBRAE (diversos anos em análise, conforme coluna "Referência") QUADRO 2 Indicadores Pernambuco O que acontece hoje para essas empresas é um cenário cada vez mais favorável. Isto se deve a criação de novas legislações que beneficiam o desenvolvimento dessas empresas no mercado brasileiro. Em contrapartida, observa-se que muitos empresários não sabem gerir seus negócios por falta de informações gerenciais, comprometendo a sobrevivência de seus empreendimentos. Neste contexto de expansão dos negócios de médio e pequeno porte, observase a existência de potencial mercado para as empresas que prestam serviços contábeis. Pela própria característica legal da atividade, as empresas são obrigadas a apresentarem ao final de cada exercício social os relatórios econômico-financeiros pertinentes às atividades, conforme dispõe artigo da Lei de 2002, que instituiu o Código Civil de 2002: Art O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Poucos são os escritórios que vão mais além, principalmente quando se trata de médias e pequenas empresas, abrangendo também serviços importantes para a manutenção e sobrevivência das empresas no mercado, sejam eles de cunho 3

4 financeiro, tributário e gerencial. Muitas organizações buscam formas de planejamento para se manterem competitivas no mercado. É neste sentido que o presente trabalho se apóia: criar uma empresa que forneça serviços fiscais e contábeis, abrangendo também serviços contábeis gerenciais, de planejamento financeiro e tributário, dando subsídios aos seus clientes de tomarem decisões cada vez mais coerentes com a realidade econômico-financeira da empresa e com a conjuntura econômica do mercado. O presente estudo também é relevante na medida em que proporciona aos autores a identificar o atual panorama das empresas que prestam serviços contábeis, visto a formação acadêmica de ambos ser na área das ciências sociais aplicadas, conhecida também como as empresas empresariais. 4

5 2 DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE É importante esclarecer o conceito de serviço para facilitar a caracterização das Empresas de Serviços Contábeis - ESC. Lyra (2003, p. 21) destaca que: Serviço é um conjunto de ações e interações que, sem necessariamente assumir a forma de um bem tangível, deve satisfazer as necessidades do cliente. O cliente é visto como o elemento principal desta relação, pois são as suas necessidades que devem ser satisfeitas. Sendo os clientes os elementos principais da relação, neste trabalho representados pelas MPEs, estes portanto clientes das ESCs, devem ser atendidos de forma satisfatória, por meio da prestação de serviços de qualidade. Em função da representatividade das MPEs, observa-se a necessidade de que estas empresas se mantenham em operação, e também que ocorra a diminuição da taxa de mortalidade. Diante desse contexto, entende-se como essencial que sejam desenvolvidos estudos que contribuam para a continuidade destas empresas e a conseqüente diminuição das altas taxas de mortalidade. Ressalta-se, dessa forma, o papel das ESCs, já que, no Brasil, normalmente, estas são as responsáveis pela geração das informações contábeis e fiscais das micros e pequenas empresas. Nesse sentido, destaca-se às possíveis utilidades e à importância das empresas de serviços contábeis para as micros e pequenas empresas, sendo as ESCs elemento fundamental na gestão do negócio, buscando os melhores resultados. As ESCs têm a função de auxiliar as MPEs na confecção de declarações de tributos, solicitações de captação de recursos e avaliação dos ativos e passivos, para que estas empresas possam verificar a situação real de seu negócio e em que direção seguir, visando gerenciar de maneira eficiente e conseguir maximizar seus lucros. Com o intuito de atender às necessidades de informações para o suporte à gestão das MPEs, a empresa de serviços contábeis proposta neste trabalho prestará três grandes serviços: 5

6 Fisco-Contábil: serviços fiscais relativos às operações industriais, comerciais e de serviço das empresas (clientes) a exemplo de recolhimentos de tributos federais, estaduais e municipais. Elaboração dos relatórios contábeis e financeiros; Planejamento Financeiro: serviços relacionados às operações financeiras das empresas (clientes), tais como alternativas de investimentos de renda fixa e variável, análise da situação econômico-financeira da empresa visando maximizar os ganhos financeiros e minimizar os custos, proporcionando alavancagem financeira, e análise financeira dos relatórios gerenciais (indicadores econômico-financeiros); Planejamento Tributário: serviços de elisão fiscal através de um planejamento tributário, visando minimizar os custos e despesas tributárias com impostos, taxas e etc. Analisar alternativas de regimes tributários dispostos na legislação que viabilizem o menor custo para as empresas (clientes) coerente com momento e a realidade desta no mercado. 6

7 3 ANÁLISE EXTERNA 3.1 Geral No ambiente externo acredita-se no mercado potencial existente das pequenas e médias empresas que representam pelo menos 84% dos empreendimentos no país (Departamento Nacional de Registro do Comércio DNRC, 2010) o que revela um ambiente bastante favorável aos escritórios de contabilidade. A conjuntura econômica mostra elevada participação das MPEs no Produto Interno Bruto - PIB do país. As legislações específicas que norteiam as MPEs também favorecem a redução da informalidade e o desenvolvimento destas no mercado. No âmbito tecnológico, o desenvolvimento de novas tecnologias ajuda a identificar as reais necessidades das médias e pequenas empresas corroborando para o sucesso dessas organizações. Em contrapartida, a limitação de recursos financeiros desses clientes para investimento em tecnologia da informação dificulta o gerenciamento das informações. No que tange o aspecto sócio-cultural, a conjuntura atual de constantes fraudes no âmbito corporativo leva aos empresários a uma nova postura. Além disso, aspectos cognitivos de empreendedorismo e a percepção dos sócios em relação ao ambiente competitivo interferem diretamente na tomada de decisão das empresas. Os profissionais de contabilidade devem analisar todos esses aspectos do ambiente geral em que estão inseridos não só seus clientes (pequenos e médios empresários), como também o próprio escritório de contabilidade. 7

8 3.1.1 Econômica A economia brasileira não vive somente da participação das grandes empresas. As pequenas e as médias empresas desempenham papel importante no cenário econômico brasileiro, já que respondem por boa parte das ocupações geradas e contribuem para grande percentual do PIB brasileiro. Em 2010, as micros e pequenas empresas venderam para o governo federal R$ 15,9 bilhões em bens e serviços. O valor nominal representa cerca de 30% dos R$ 57,3 bilhões em aquisições feitas por parte da administração direta, autarquias e fundações. O resultado é R$ 1,3 bilhão maior do que os R$ 14,6 bilhões comprados pelo governo em 2009 e R$ 13,9 bilhões acima dos R$ 2 bilhões registrados em O crescimento da participação das MPEs nas compras governamentais é conseqüência da aprovação, em 2006, da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (Lei Complementar 123 de 2006). O capítulo V da lei cria mecanismos que possibilitam maior acesso dos pequenos negócios às compras públicas, como a exclusividade em compras de até R$ 80 mil. De acordo com o Ministério do Planejamento, em 2010, em valores corrigidos pelo IPCA do mesmo ano, os pequenos negócios participaram de 67% - R$ 2,3 bilhões das compras efetuadas até R$ 80 mil. A maior participação dos pequenos negócios nas compras públicas federais se deu via pregão eletrônico, respondendo por R$ 12,8 bilhões do total adquirido por essa modalidade. Conforme o ministério, dos R$ 7 bilhões economizados pelo poder público federal com o uso do pregão eletrônico, quase a metade, R$ 3,4 bilhões, deve-se aos micros e pequenos negócios. (SEBRAE, 2010) Barros apud Lacerda (2006, p. 42) ainda revela outras contribuições das MPEs para a economia do país: a. A significativa contribuição na geração do Produto Nacional; b. A excelência na absorção de grande contingente da mão-de-obra a baixo custo; c. A sua alta flexibilidade locacional, desempenhando importante papel na interiorização do desenvolvimento; d. A capacidade de gerar uma classe empresarial nacional, através da absorção de uma tecnologia gerencial produzida em seu próprio ambiente; 8

9 e. A possibilidade de atuação no comércio exterior, proporcionando uma salutar diversificação na pauta de exportações; f. A sua condição de ação complementar aos grandes empreendimentos. Diante do exposto observa-se a grande participação dos pequenos empreendimentos na economia e a sua devida importância, uma vez que representam fonte de renda para geração de riqueza do país. Assim, contribuem diretamente para o desenvolvimento da nação. De fato as legislações que beneficiam as atividades dessas empresas são responsáveis por esta evolução econômica. É neste contexto que os escritórios de contabilidade se enquadram, um mercado de constante evolução, responsável por grande participação do PIB do Brasil Político-legal Diante do cenário tributário brasileiro observa-se um tratamento diferenciado para as MPEs quanto ao regime de tributação. É assim que define a Constituição Federal de 1988 no artigo 179: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresa e às empresa de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei. Neste contexto foi instituído o Simples Nacional, Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte. Esta norma geral de tributação das micros e pequenas empresas vigora desde julho de 2007, mediante a Lei Complementar n 123 de 2006, assim denominada como Lei Geral. Esta lei simplificou as contribuições federais e os impostos federais, estaduais e municipais: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ; Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL; 9

10 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS; Contribuição para o PIS/Pasep; Contribuição para a Seguridade Social INSS (Patronal); Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS; Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISS. A Lei Geral prevê tratamento jurídico diferenciado, simplificado e favorecido para as micros e pequenas empresas. A lei também estabelece normas relativas aos incentivos fiscais, inovação tecnológica e educação empreendedora, associativismo e regras de inclusão, geração de empregos, formalização de empreendimentos, unicidade do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas, criação de um banco de dados com informações, orientações e instrumentos para os usuários. Em todo o país, dos municípios (50,1%) já aprovaram suas leis. Eles concentram 68,7% da população brasileira e 68,9% das empresas registradas no Simples Nacional. Mato Grosso e o Espírito Santo estão com 100% dos seus municípios com a lei regulamentada. Em Santa Catarina (97,9%), Rio de Janeiro (94,5%), Paraná (79,7%), Tocantins (74,8%) e Rio Grande do Norte (70,6%) o cenário também é promissor. (SEBRAE, 2010) Na ótica do escritório fisco-contábil de consultoria empresarial e tributária, analisando às modalidades de tributação constantes das legislações vigentes, observase que o segmento de consultoria do escritório não poderá optar pelo Simples Nacional - Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, por expressa vedação legal emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), através do artigo 17 da Complementar n 123 de 2006, incisos XI e XIII: 10

11 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: XI - que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; XIII - que realize atividade de consultoria. Dessa forma, por configurar a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou assemelhados, o segmento de negócio de consultoria deverá optar por um dos regimes de tributação abaixo: A) Lucro Real: É o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações estabelecidas em nossa legislação. Este sistema é o mais complexo de todos; entretanto, dependendo de uma série de fatores a serem avaliados, o lucro real pode ser opção vantajosa para o segmento. Alíquotas: - IRPJ - 15% sobre a base de cálculo (lucro líquido). Haverá um adicional de 10% para a parcela do lucro que exceder o valor de R$ ,00, multiplicado pelo número de meses do período. O imposto poderá ser determinado trimestralmente ou com opção do Lucro estimado mensalmente e apuração anual; - CSLL - 9%, determinada nas mesmas condições do IRPJ; - PIS - 1,65% - sobre a receita bruta total, compensável; - COFINS 7,6% - sobre a receita bruta total, compensável. B) Lucro Presumido: É o lucro que se presume através da receita bruta de vendas de mercadorias e / ou prestação de serviços. Trata-se de uma forma de tributação simplificada utilizada para determinar a base de cálculo do Imposto de Renda - IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro - CSLL das pessoas jurídicas que não estiverem obrigadas à apuração do lucro real. Nesse regime a apuração do imposto será feita trimestralmente. 11

12 A base de cálculo para determinação do valor presumido IRPJ e da CSLL é de 32%, sobre a receita bruta, para a atividade de escritório de consultoria. Sobre o resultado da base de calculo (Receita Bruta x 32%), aplica-se as alíquotas de: - IRPJ - 15% sobre a base de cálculo (após a aplicação do percentual sobre a receita bruta). Haverá um adicional de 10% para a parcela do lucro que exceder o valor de R$ ,00, multiplicado pelo número de meses do período. O imposto poderá ser determinado trimestralmente ou anualmente; - CSLL - 9%, determinada nas mesmas condições do IRPJ; - PIS - 0,65% - sobre a receita bruta total; - COFINS 3% - sobre a receita bruta total. Vale salientar algumas considerações: As pessoas jurídicas exclusivamente prestadoras de serviços em geral, cuja receita bruta anual seja de até R$ ,00, poderão utilizar, para determinação da base de cálculo do Imposto de Renda mensal, o percentual de 16% (dezesseis por cento). Já no caso das contribuições previdenciárias (tanto para o lucro real quanto para o lucro presumido): - INSS - Valor devido pela Empresa - 20% sobre a folha de pagamento de salários, prólabore e autônomos; - acordo com a atividade da empresa, de 1% a 3%; - Valor devido pelo Empresário e Autônomo - A empresa também deverá descontar e reter na fonte, 11% da remuneração paga devida ou creditada a qualquer título no decorrer do mês, ao autônomo e empresário (sócio ou titular), observado o limite máximo do salário de contribuição (o recolhimento do INSS será feito através da Guia de Previdência Social - GPS); 12

13 - ISS - Calculado sobre a receita de prestação de serviços, varia conforme o município onde o segmento estiver sediado. Orienta-se ao empreendedor que atente ao tópico Exigências legais especificas, que inclui as normas e regulamentos que devem ser atendidos para operacionalização dessa atividade Tecnológico Em que pese a importância das MPEs no processo de geração de emprego e na descentralização do desenvolvimento, constituindo-se numa relevante fonte de renda, sua fragilidade, caracterizada pelas suas altas taxas de mortalidade, tem sido um fator de grande preocupação para àqueles que operam no setor, sejam como empresários / empreendedores, instituições patronais, governos, instituições de apoio etc. Os impactos sócio-econômicos representados pela mortalidade das MPEs são bastante expressivos. Estudo do SEBRAE (2010), Fatores Condicionantes e Taxa de Mortalidade de Empresas no Brasil, indica que a extinção de empresas, com até quatro anos da data de sua constituição, resultaram na perda de ocupação para 2,4 milhões de pessoas. Na mesma linha, o trabalho aponta para uma perda de R$ 19,8 bilhões das inversões na atividade econômica, oriundos das empresas encerradas, com até 4 anos de constituição, considerando os anos de 2000 a Em contrapartida, o estudo do SEBRAE (2010) também destaca como um dos fatores de sucesso, segundo a logística operacional, o acesso a novas tecnologias. Nesse sentido, a questão tecnológica foi apontada por 17% dos empresários participantes da pesquisa que fundamentou o trabalho. Estes elementos ajudam a revelar a importância de se compreender melhor as micros e pequenas empresas, suas características, necessidades, dificuldades e 13

14 fragilidades, justificando os esforços consistentes e focados na questão do desenvolvimento tecnológico e na inovação Sócio-cultural Fraudes empresariais Conforme já foi explicado, muitos são os fatores responsáveis pela causa do insucesso das pequenas empresas. Somado a estes fatores, existem outros socioculturais que afetam diretamente a sobrevivência das empresas no mercado. Alguns empresários não dão importância a mecanismos essenciais de controles internos. Empresários de médio e pequeno porte vivem com a crescente ameaça de fraudes e erros presentes na realidade empresarial dos dias atuais. A principal característica das últimas décadas é velocidade das mudanças que ocorrem em todas as áreas, sejam elas econômicas, sociais, culturais, científicas, tecnológicas, institucionais e de capital humano. (DAVIS, 2006) Desta forma, esses empreendedores que administram seu próprio negócio estão sujeitos a deterioração de seu patrimônio frente a esta realidade. Segundo Davis (2006, p. 54): Ao contrário do que possa parecer, por não ter o mesmo destaque na mídia que as grandes corporações, as pequenas e médias empresas não estão imunes às fraudes. Na realidade estão mais suscetíveis a fraudes, praticadas por empregados ou por terceiros estranhos à empresa, seja na manipulação de relatórios financeiros ou no desvio de ativos. Na verdade o que ocorre nas pequenas e médias empresas é a ausência de controles internos básicos, cultuado por um alto nível de confiança dentro da organização e por isso são essas empresas são pouco auditadas. (DAVIS, 2006) 14

15 A NBC T 11 IT 03 (Fraude e Erro) disposta na Resolução CFC nº 836 de 1999, conceitua fraude como o... ato intencional de omissão ou manipulação de transações, adulteração de documentos, registros e demonstrações contábeis. Ainda caracteriza fraude por: a) manipulação, falsificação ou alteração de registros ou documentos, de modo a modificar os registros de ativos, passivos e resultados; b) apropriação indébita de ativos; c) supressão ou omissão de transações nos registros contábeis; d) registro de transações sem comprovação; e e) aplicação de práticas contábeis indevidas. Já o erro, segundo a mesma Resolução:... refere-se a ato não-intencional na elaboração de registros e demonstrações contábeis, que resulte em incorreções deles, consistente em: a) erros aritméticos na escrituração contábil ou nas demonstrações contábeis; b) aplicação incorreta das normas contábeis; e c) interpretação errada das variações patrimoniais. Davis (2006, p. 58) mostra os principais esquemas de fraudes:... roubo de dinheiro e cheques da empresa; pagamento de cheques para empregados fantasmas e por horas extras excessivas; contas de fornecedores inexistentes; aceitação de subornos de consumidores e fornecedores; desvio de dinheiro de vendas antes de serem registradas; desvio de material e emissão de reembolsos fictícios. Diante do exposto observa-se que fraudes e erros são fatores que afetam diretamente as empresas, sejam elas grandes corporações ou pequenas e médias empresas. Os empreendedores devem estar atentos a controles rígidos que inibam atividades fraudulentas. Além disso, os próprios executivos devem praticar a ética e integridade, conforme dispõe Davis (2006, p. 59) Os exemplos de integridade e ética devem vir de cima. Os executivos devem demonstrar a integridade pessoal no controle de seu negócio com clientes, fornecedores, agências reguladoras e empregados. 15

16 Os profissionais da área contábil devem estar atentos a essa realidade, pois precisam evidenciar nos relatórios econômico-financeiros a real posição patrimonial das empresas Estilo cognitivo dos empreendedores Para entender o funcionamento de pequena empresa no mercado, faz-se necessário uma análise psicológica do estilo cognitivo dos empreendedores. Kirton apud Gimenez (1998, p. 28) define estilo cognitivo como... as diferenças individuais estáveis na preferência por modos de obter, de organizar e utilizar a informação na tomada de decisões. Quando se fala em estratégia competitiva, pouco se fala em estilo cognitivo, que tem impacto direto no estilo de gestão dos administradores de uma empresa. E não é diferente nas micros e pequenas empresas. As razões que levam os dirigentes a determinadas escolhas estratégicas, feitas pelos próprios sócios no caso das pequenas empresas, ainda não são claramente entendidas. Em contrapartida, a escolha de uma direção estratégica qualquer pode ser associada à avaliação que os dirigentes fazem do seu ambiente competitivo. Entendese por estratégia um conjunto de diretrizes conscientemente deliberadas que orientam as decisões organizacionais. Muitas vezes as estratégias surgem como padrões percebidos em decisões passadas e passam ater caráter de plano para o futuro (GIMENEZ, 1998). Diante do exposto observa-se que as decisões gerenciais daqueles que comandam empresas de pequeno e médio porte estão diretamente relacionadas ao estilo cognitivo dos dirigentes e da percepção que estes tem em relação ao seu ambiente competitivo. 16

17 Portanto, o contabilista deve atentar aos fatores sócio-culturais existentes no mundo de hoje. Esses profissionais são responsáveis pelas informações de cunho econômico, financeiro ou tributário que subsidiam a tomada de decisão dos sócioempreendedores. Assim estão diretamente ligados ao sucesso do empreendimento. 17

18 4 ANÁLISE DO SETOR DA ATIVIDADE 4.1 Evolução do setor O mercado para escritório de contabilidade é crescente e carece bastante de contabilistas que agreguem valor à aplicação das técnicas e princípios contábeis no cotidiano das empresas, tanto na escrituração contábil quanto na orientação aos empresários, visando dotá-los de todas as informações necessárias para a tomada de decisão no dia-a-dia. Toda empresa precisa de um contabilista seja de que ramo ou segmento empresarial for. Mas é o ramo da consultoria que os escritórios de contabilidade deixam a desejar, pois a grande maioria só se preocupa com as obrigações fiscais, trabalhistas e societárias. Em contrapartida, o mercado para escritório exclusivamente de consultoria apresentou na última década um crescimento bastante expressivo. Esse crescimento se deu em grande parte pela pouca experiência do brasileiro em trabalhar com inovações tecnológicas avançadas e também com a necessidade de se encontrar novas formas de gerir melhor sua empresa, sem, contudo, ter que contratar profissionais com amplos conhecimentos e deixar aqueles colaboradores que estavam na empresa a anos relegados a segundo plano. No Brasil a grande abertura desse mercado ocorreu no início dos anos 90, fato que culminou com a ascensão da profissão de consultor terceirizado, tornando-se então uma boa opção para aqueles profissionais com amplos conhecimentos em determinada área, de forma a possibilitar tanto a prestação de serviço de consultoria quanto o de qualificar sua equipe interna com outras experiências profissionais. Segundo alguns autores, vivemos atualmente na Era da Competitividade. Nos dias atuais, em que a atividade econômica está cada vez mais globalizada, é necessário que as empresas e as pessoas concentrem seus esforços num foco de negócio específico que as tornem mais competitivas e com maiores chances de sucesso. A busca de parcerias, a obtenção de conhecimento e modelos de gestão mais avançados são essenciais para a sobrevivência dos negócios. Nessa ambiência de ebulição e de competitividade da economia é que a consultoria empresarial recebe uma longa faixa de atenção, prestando serviços diversos com grande abrangência em todos os setores econômicos - indústria, comércio e serviços, tanto nas empresas públicas quanto nos 18

19 estabelecimentos privados. A maioria das empresas bem sucedidas está constantemente em mudanças, oferecendo oportunidades e enfrentando ameaças. Identificar e conhecer quem são seus futuros clientes, quais são seus projetos em andamento, orçamento de investimento, áreas de interesse, suas carências e necessidades, assim como, o tempo em que estas demandas se materializarão é essencial o sucesso de seu negócio. Uma visão clara do capital intelectual da empresa e uma análise do próprio mercado em que a empresa vai atuar é essencial para sucesso no mercado de consultoria. (SEBRAE, 2010) Segundo o Sebrae (2010), existem alguns fatores gerados pelo aumento da demanda de consultoria que são: a) Busca de novos conhecimentos e de inovações para enfrentar a globalização da economia; b) Necessidade de consolidar vantagem competitiva; c) Necessidade de questionamento progressivo da realidade da empresa visando um processo de melhoria contínua e sustentada; d) Proporcionar metodologias, técnicas e processo que determinem a garantia para os executivos das empresas tomarem suas decisões com qualidade. É neste setor de evolução para os profissionais de contabilidade que o escritório em questão se apóia. É agregando a técnica contábil ao serviço de consultoria financeira e tributária que o escritório proposto pretende contribuir para o sucesso dos seus clientes, pois estes munidos de informações úteis ao processo decisório, em consonância com a conjuntura fiscal, econômica e financeira do mercado, mantêm-se cada vez mais competitivos. 4.2 Mortalidade das micros e pequenas empresas no Brasil No Brasil, as pequenas e médias empresas constituem boa parte do universo dos empreendimentos, segundo SEBRAE (2010), mais de cinco milhões e meio de entidades, dados de Apesar da alta representatividade das micros e pequenas empresas no mercado brasileiro, observa-se que também é alta a taxa de mortalidade 19

20 dessas empresas. De acordo com SEBRAE (2010), a taxa de mortalidade das pequenas empresas vem diminuindo, mas ainda é alta, conforme mostram os quadros a seguir: TAXA DE MORTALIDADE BRASIL 59,90% 56,40% 49,40% 35,90% 31,30% 22,00% NORTE 53,40% 51,60% 47,50% 27,80% 28,40% 29,90% NORDESTE 62,70% 53,40% 46,70% 38,60% 29,00% 18,90% CENTRO-OESTE 53,90% 54,60% 49,40% 37,50% 34,60% 21,60% SUDESTE 61,10% 56,70% 48,90% 39,10% 28,10% 16,10% SUL 59,90% 60,10% 52,90% 36,30% 36,60% 23,90% Fonte: SEBRAE (2008) QUADRO 3 Índice de mortalidade das MPEs Estado Taxa Alagoas 81,3 Bahia 82,4 Ceará 78,0 Maranhão 77,6 Paraíba 80,8 Pernambuco 77,3 Piaui 84,0 Rio Grande do Norte 83,5 Sergipe 85,3 Região Taxa Centro-Oeste 78,4 Nordeste 81,1 Norte 70,1 Sudeste 83,9 Sul 76,1 Fonte: SEBRAE (2005) QUADRO 4 - Taxa de sobrevivência das MPEs nos 2 primeiros anos de vida 20

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