Convênio 76541/2011 TERMO DE REFERÊNCIA Nº 0001/2013

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1 Convênio 76541/2011 TERMO DE REFERÊNCIA Nº 0001/2013 Apresentação Dados disponibilizados pelo IBGE em 2002 estimaram a coleta de aproximadamente toneladas de resíduos domiciliares por dia no Brasil (PNSB, 2002). O volume de resíduos que descartamos periodicamente tem sido objeto de trabalho de um elevado contingente de pessoas atuantes na reciclagem. Estas sobrevivem da coleta, seleção e comercialização de materiais recicláveis e, em muitos casos, organizam-se em grupos, visando a maior eficácia produtiva e política na disputa por direitos. O projeto Desenvolvimento Social: perspectivas para a formação de catadores e para a consolidação da rede de comercialização solidária tem como objetivo dar visibilidade aos catadores, bem como incluí-los em dinâmicas formativas que visem qualificação para o trabalho, formação de um espírito crítico, noções de economia solidária, trabalho colaborativo e organização de uma rede de comercialização conjunta que englobe tanto os catadores organizados em cooperativas e associações bem como os catadores individuais. JUSTIFICATIVA O ano de 2010 foi um ano marcante para a Gestão de Resíduos no Brasil, devido fundamentalmente pela sanção da Lei Federal nº /2010 que institui a Política Nacional de Resíduos, bem como sua regulamentação pelo Decreto Federal nº 7.404/2010. Estes novos instrumentos legais visam mudar o quadro caótico da Gestão de Resíduos no Brasil, principalmente quanto à gestão dos resíduos domiciliares.

2 Uma das grandes marcas na Política Nacional é a integração das cooperativas e associações de catadores como peças fundamentais dentro da cadeia de reciclagem, principalmente no que tange a segregação de resíduos sólidos. Assim, a aproximação das entidades ligadas à área de ensino e pesquisa e ações sociais, entes públicos e sociedade se tornam fundamentais para qualificação e profissionalização desses grupos. A qualificação das cooperativas de catadores é um assunto que governo federal trabalha com muito emprenho e entende de forma tão clara a sua importância que publicou o Decreto Federal 7.405/2010 que institui o Programa Pró- Catador, com o objetivo de criar programas e incentivos para o desenvolvimento das cooperativas. Atualmente os Municípios de Canoas, Esteio e Nova Santa Rita contam com sete (Unidades de Triagem) UTs, a partir do ano de 2010 apresenta-se um novo panorama na relação entre o Poder Público e os coletivos de catadores. Neste ano, a Prefeitura Municipal de Canoas estabelece um convênio com as UTs onde estas tornam-se responsáveis pela coleta e triagem dos resíduos domiciliares recicláveis, recebendo por este serviço prestado. Contudo, esta experiência pode ser compreendida como um plano piloto, pois nem o Poder Público, tampouco os coletivos de catadores, tinham experenciado tal forma de trabalho. Devido a isto, mais precisamente no que tange a gestão (coleta, triagem, comercialização), ainda encontramos inúmeras debilidades. Dentre elas, podemos destacar a invisibilização dos catadores individuais, pois estes não foram incluídos na coleta seletiva compartilhada. O presente termo de referência expressa o que levantamos no diagnóstico socioeconômico dos catadores nos três municípios. Entre as questões explicitadas pelos catadores destacamos o desconhecimento da cadeia produtiva e dos valores de comercialização, a desarticulação entre os grupos organizados e os catadores informais, o trabalho precário e insalubre, o armazenamento inadequado dos resíduos coletados. Tendo em vista o exposto, incluí-los em dinâmicas formativas que visem a qualificação para o trabalho, a formação de um espírito crítico, noções de economia solidária e trabalho colaborativo e a organização de uma rede comercialização conjunta que englobe tanto os catadores organizados em cooperativas e associação bem como os catadores individuais, faz-se imprescindível para que estes sujeitos tornem-se agentes de suas próprias conquistas tanto laborais quanto pessoais. OBJETO:

3 Contratação de entidade para ministrar oficinas de capacitação aos catadores individuais, cooperativados e/ou associados, tendo como perspectiva a organização interna e externa, o aumento da renda e a qualificação do trabalho. PÚBLICO ALVO: Catadores individuais, cooperativados e/ou associados. 1) OBJETIVO GERAL Capacitar catadores individuais e catadores organizados em cooperativas e associações nas temáticas de economia solidária, cooperação no trabalho, logística e comercialização, bem como organizar e implantar a rede de comercialização solidária de resíduos sólidos que atenderá os Municípios de Canoas, Esteio e Nova Santa Rita, no estado do Rio Grande do Sul. 2) OBJETIVOS ESPECÍFICOS 2.1) Oportunizar ao catador formação dialógica e crítica nas temáticas abordadas; 2.2) Auxiliar no incremento da renda dos catadores por meio da formação teórica e prática; 2.3) Promover a troca de experiência sobre os temas com outras entidades e grupos de catadores, através de viagens e ou visitas; 2.4) Articular com o comitê gestor nas várias instâncias parceiras; 2.5) Fomentar o trabalho junto às cooperativas, associações e outras organizações que visem dar visibilidade ao trabalho do catador; 2.6) Contribuir com a reflexão do cuidado com o meio ambiente; 3) ABRANGÊNCIA As atividades objeto deste Termo de Referência terão como âmbito geográfico os municípios de Canoas, Esteio e Nova Santa Rita, região metropolitana de Porto alegre, no Rio grande do Sul. 4) METAS 4.1) Realizar 216 Oficinas de Trabalho Colaborativo, formatados em 2 horas cada, abordando aspectos teóricos e práticos relacionados ao tema, com 2 saídas de campo. 4.2) Realizar 108 Oficinas de Educação Financeira, formatados em 2 horas cada, abordando aspectos teóricos e práticos relacionados ao tema.

4 4.3) Realizar 180 Oficinas de Prática e Vivência em Educação ambiental, formatados em 2 horas cada, abordando aspectos práticos e vivenciais relacionados ao tema, com 4 saídas de campo. 4.4) Realizar 150 Oficinas de Economia Solidária formatados em 4 horas cada, abordando aspectos teóricos e práticos relacionados ao tema. 5) METODOLOGIA As capacitações poderão acontecer nos três turnos, dependendo da realidade do público ou da comunidade envolvida, trabalharemos em oficinas com aulas expositivas, debates, dinâmicas de grupo, vivências e outras metodologias. Os momentos de capacitação devem servir como estímulo para o estudo e a criticidade sobre os processos e a construção de alternativas. Para tanto, fará parte da equipe de formadores, em pelo menos 30% (trinta por cento) das oficinas, um catador (a) devidamente qualificado que será selecionado pela contratada para ministrar oficinas. Tomando por base o item METAS, deve ser considerado a infra-estrutura necessária e o número de turmas e participantes determinado por modalidade de capacitação, bem como número de participantes, equipamentos, materiais gráficos, didáticos e pedagógicos. As oficinas devem seguir a metodologia do planejamento participativo 1, proporcionando ao catador ser protagonista do trabalho desenvolvido 6) CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: 6.1) Trabalho Colaborativo: tratar de questões sobre cooperativismo, associativismo, empreendedorismo social e trabalho colaborativo, enfatizando as diferenças entre esses modelos e os da sociedade de consumo. Abordar com o grupo de catadores, através da metodologia do planejamento participativo os vários problemas enfrentados no dia a dia que envolvem o trabalho do catador. Buscando dialogar com as possíveis alternativas para o desenvolvimento do trabalho, de forma a qualificar e aumentar a renda. Criando um plano de trabalho que possa atender e corroborar com a melhoria do trabalho. 1 Por Planejamento Participativo compreendemos o conjunto de ações que visa a democratização dos processos de formação e que implicam em um protagonismo por parte dos educandos dos seus processos de aprendizagem. Para tanto, espera-se que as tomadas de decisão quanto aos conteúdos, dinâmicas, entre outros itens relevantes, sejam sempre realizadas em conjunto com os catadores.

5 Propor aos catadores conhecer experiências em cooperativas, associações, entrepostos e outros, que possam contribuir para o desenvolvimento e alternativas de trabalho. Abrindo espaço para o debate e a construção de meios que visem, se houver interesse, organizar os catadores individuais em empreendimentos solidários. 6.2) Educação Financeira: abordar questões relacionadas ao preço, à venda do material coletado e triado, bem como as finanças pessoais do catador. Fazendo com que tenham noções básicas do mercado de trabalho onde estão inseridos e aos processos que interferem na comercialização. Trabalhar questões de controle de seus gastos e ganhos, com anotações e outros meios de registros, para que os catadores comecem a ter controle, em números, de seu trabalho. Demonstrar que tal controle pode representar menos perda financeira e mais controle, tanto no momento da venda de seu material, como para a realização de um planejamento para melhorar seu trabalho. Abordar as questões práticas do cotidiano do catador como ferramenta, fazendo com que sejam levantadas e construídas possíveis soluções a partir das discussões realizadas com o próprio grupo. Tendo como perspectiva a construção de um plano de negócios para o catador. 6.3) Prática de Vivência em Educação Ambiental: partindo da realidade de cada comunidade atendida pelo projeto e dos levantamentos socioeconômicos, a oficina deverá abordar questões relacionadas a problemáticas socioambientais locais através da experiência dos catadores vivenciada em seu contexto em uma perspectiva interpretativa. Tais experiências podem referir-se, por exemplo, à forma de catação do material, à triagem, ao armazenamento, ao destino dado ao rejeito, ao espaço utilizado para o trabalho, às leis que regem o trabalho do catador: lei de resíduo sólido, as leis de proteção aos animais, as leis de cada município referente à fiscalização e utilização da carroça para o trabalho etc. Fazendo com que o catador possa ser um agente multiplicador para a comunidade, potencializando o próprio trabalho e, conseqüentemente, a preservação e cuidado com o meio ambiente. 6.4) Formação em Economia Solidária: baseando-se nas experiências coletadas durante a oficina de trabalho colaborativo, proporcionar aos catadores formas de vivenciarem e debaterem os princípios da economia solidária. Outrossim, esta oficina pode ocorrer paralelamente às oficinas de vivência em educação ambiental, trabalho colaborativo, articulando as temática com vistas a não fragmentar os saberes e fazeres durante as oficinas.

6 7) PRODUTOS 7.1) Apresentação do plano de trabalho; 7.2) Apresentação de material didático; 7.3) Apresentação do relatório das atividades executadas, acompanhamento das atividades das oficinas, devidamente comprovados; 7.4) Avaliação das atividades e entrega do relatório final. 8) CRONOGRAMA Etapa I - Planificação Ações Atividade Prazo Elaboração do Plano de Ação Selecionar equipe Apresentar plano de trabalho 20 dias após a assinatura do contrato Aprovação do plano de trabalho Apresentar selecionada equipe Elaboração dos Materiais Didáticos Elaborar conteúdo para os materiais didáticos 20 dias após a aprovação do PT Apresentar proposta dos materiais didáticos Submeter proposta à coordenação do projeto Preparação das Oficinas Selecionar participantes 10 dias após a elaboração do material didático Definir locais para as oficinas Definir datas e horários

7 Articular com participantes Avaliação do processo Elaborar indicadores de desempenho. 10 dias após a preparação das oficinas Elaborar planilha de avaliação. Etapa II - Execução Ações Atividade Prazo Realização das Oficinas Trabalho Colaborativo 20 meses após a assinatura do contrato Educação Financeira Educação Ambiental Economia Solidária Saídas de campo Avaliação das Oficinas com a equipe Avaliar com os beneficiários Reunir com a equipe executora do projeto Mensal após a assinatura do contrato Mensal após a assinatura do contrato Etapa III - Avaliação Ações Atividade Prazo Apresentação de Listar atividades Bimestral após a relatórios desenvolvidas. assinatura do contrato Apresentar comprovação das atividades desenvolvidas (lista de

8 presença, fotografias, etc.) Relatar desenvolvidas. atividades 9) VALOR O Valor bruto total corresponde a R$ ,00 (Cem mil reais) em três parcelas, sendo duas de R$ ,00 (trinta mil reais) e uma de R$ ,00 (trinta mil reais a ser pago pelo serviço prestado mediante apresentação de notas e registros de comprovação exigidos neste termo de referência. 10) QUALIFICAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO A entidade contratada deverá: 10.1) Apresentar toda a documentação exigida pelo Unilasalle (Certidão negativa de débito Receita Federal, Fazenda do Município, Fazenda do Estado, Negativa INSS) 10.2) Comprovar experiência na área e currículo da equipe selecionada; 10.3) Ter, no mínimo, 2 (dois) anos de atuação comprovada junto à coletivos de catadores; 10.4) Contar com profissionais capacitados em seu corpo técnico; 10.5) Apresentar equipe multidisciplinar com comprovação de currículo de atuação na área. 11) SUPERVISÃO A supervisão e orientação serão realizadas pela equipe executora do projeto. 12) ATRIBUIÇÕES DA CONTRATADA 12.1) Todo o material elaborado deverá passar pelo conhecimento e aprovação da equipe executora; 12.2) A impressão dos materiais didáticos; 12.3) Lanches e coffe break para as oficinas; 12.4) Infraestrutura e logística para as visitas de campo; 12.5) Os deslocamentos dos oficineiros para a realização das oficinas. 13) DA SELEÇÃO 13.1) Os interessados deverão encaminhar documentação e proposta pedagógica para realização da mesma até o dia 03 de junho de 2013.

9 13.2) As propostas serão abertas no dia 03 de junho Conforme comunicado enviado as entidades participantes. 13.3) O resultado da entidade selecionada sairá no dia 04 de junho 2013 e será divulgado no site no Unilasallle. Tiago de Mello Cargnin Coordenador

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