RELATO DE EXPERIÊNCIA: ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA) NAS SÉRIES INICIAIS DE ESCOLA PÚBLICA NO MUNICÍPIO DE ITUIUTABA-MG

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1 RELATO DE EXPERIÊNCIA: ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA) NAS SÉRIES INICIAIS DE ESCOLA PÚBLICA NO MUNICÍPIO DE ITUIUTABA-MG Acacio Mariano Ferreira Neto 1 Edmilson Agápeto de Medeiros 2 Henrique Faulkner de Paula Silva 3 Willian de Abreu dos Santos 4 RESUMO As discussões propostas nesse trabalho provêm da disciplina de estágio supervisionado I, ministrada no 5º período do curso de Geografia da Faculdade de Ciências Integradas do Pontal, campus em expansão da Universidade Federal de Uberlândia e realizado em duas turmas de EJA (Educação de Jovens e Adultos) nas séries iniciais da Escola Estadual Manoel Alves Vilela, com sede na cidade de Ituiutaba-MG no período entre 05 de maio e 22 de junho de A prática do estágio foi dividida em duas partes: Observações feitas em sala de aula que foi realizado em duplas e uma oficina que envolvia as duas classes do EJA observadas sendo que todos os estagiários participaram em conjunto dessa etapa, além da parte teórica que foi ministrada nas dependências da FACIP. PALAVRAS-CHAVE: Estágio, EJA, Escola pública INTRODUÇÃO A disciplina de Estágio Supervisionado I tem como objetivo desenvolver estratégias que possibilitem os alunos a relação teoria-prática com foco na sala de aula assim como diagnosticar a realidade escolar nos Anos Iniciais (1ª a 4ª) do Ensino Fundamental da Educação Infantil e sua importância para a construção da cidadania. As atividades realizadas na disciplina de Estágio Supervisionado 1 são para muitos o primeiro contato do futuro professor com a sala de aula, onde se pode observar na prática o processo de ensino-aprendizagem nos dias de hoje e a metodologia utilizada pelos professores para transmitir o conteúdo e possibilitar a absorção do conhecimento por parte dos alunos. O estágio supervisionado é imprescindível na formação de futuros docentes, pois de maneira alguma as teorias relacionadas ao saber estudadas na universidade devem ser a única

2 base de um professor, é impossível relacionar toda subjetividade de um aluno em uma teoria por mais complexa e ao mesmo tempo plausível que seja. É imprescindível, assim, a imersão nos contextos reais de ensino, para vivenciar a prática docente mediada por professores já habilitados, no caso, os orientadores dentro das universidades em parceria com os professores que já atuam nas salas de aula, essa é a maneira mais efetiva de proporcionar aos estagiários um contato com o ambiente em que irão atuar. (PIMENTA, 1999) Desta forma é de suma importância a presença do professor receptor e também do professor orientador do estágio regendo a forma com que o estagiário irá se portar perante os alunos e assim como orientar RELATO DAS OBSERVAÇÕES No dia 05 de maio foi o primeiro dia de observação na Escola Municipal Manoel Alves Vilela, onde percebemos a professora que nos recebeu (professora número 1) um pouco nervosa, provavelmente se sentindo ameaçada com a possibilidade de criticarmos a sua forma de ministrar a aula. Logo de início nos disse que em séries iniciais não eram ministradas aulas de Geografia, mas após apresentarmos nossa proposta, ficou evidente o real motivo a que fomos. Fomos bem recebidos, porém não nos deram muita atenção. A professora número 1 tem uma didática um tanto quanto tradicional, pois ao chegar à sala de aula a mesma divide o quadro em quatro partes, colocando seu nome e a data antes de passar o conteúdo do dia. A professora passa algumas questões de gramática para os alunos iniciantes e alguns problemas matemáticos simples para os que já estão um pouco mais avançados, respondendo tudo em seguida e explicando simultaneamente, sem muito diálogo. Uma das grandes dificuldades encontradas pelos professores do EJA séries iniciais é a chegada de novos alunos, que acontece durante todo o ano fazendo com que o docente tenha que lidar com um aluno que entra no meio do ano, por exemplo, ao mesmo tempo que trabalha com outros que estão na classe dês de o início do ano e naturalmente com processo de alfabetização já encaminhado, esta prática acaba sobrecarregando o professor e prejudicando os alunos que estão mais adiantados. A professora número 1 encontrou uma saída para este problema, a mesma divide o quadro em quatro partes, sendo cada uma delas dedicada a um nível de conhecimento, passa quatro conteúdos distintos conforme o desenvolvimento. Os alunos por sua vez já entendem seu modo de conduzir a aula, então quando chegam à classe se formam quatro filas de cadeiras visando à divisão que será feita por ela. A professora trabalha sempre com livros didáticos, de onde retira os conteúdos a serem ministrados, foi possível notar que não são livros atualizados, nos evidenciando mais uma vez sua pedagogia tradicional. Uma coisa interessante que observamos na sala de aula é a solidariedade mútua entre os alunos, ou seja, os que já estão mais avançados ajudam os que possuem dificuldades,

3 tornando assim o ambiente escolar mais agradável, outra coisa que chamou a atenção é que os alunos em sua grande maioria são senhores e senhoras com idade entre 40 e 60 anos, e isso de certo modo acaba sendo um fator importante para a ordem da sala, pois é possível notar que os mesmos vão à escola realmente com o intuito de estudar, facilitando um pouco o trabalho por parte do professor. No dia 12 de maio, foi o segundo dia de observação, onde fomos recebidos pela professora Número 2, esta ao chegar à sala de aula nos tratou muito bem nos dando total atenção, cumprimentou a todos e dialogou um pouco com os alunos para então começar a aula. Ela sabendo que estaríamos estagiando neste dia, elaborou um material didático de geografia para que todos pudessem interagir, se tratava de um mapa do Brasil dividido em cinco partes levando em consideração as regiões segundo IBGE, onde cada um tinha que colorir cada parte, recortando-as em seguida e assim transformando em um quebra-cabeça. Foi uma aula muito produtiva, pois a professora conseguiu passar o conteúdo no tempo previsto e o mais importante, sem pressão. A didática desta professora é bem distinta da outra, pois a sua metodologia não separa a sala e sim utiliza um conteúdo passível de ser aproveitado tanto pelos alunos que estão entrando agora quanto para os veteranos. A professora se mostrou muito paciente com os alunos e eles por sua vez retribuem com respeito, fazendo com que a aula seja fluida. Na sala de aula há um aluno com deficiência auditiva onde uma monitora o auxilia com traduções simultâneas em LIBRAS do conteúdo dito pela professora. De maneira geral é possível observar um avanço maior nesta sala se comparado com a primeira, pois a interação entre professor e aluno se torna mais presente, sendo ele encaminhado por uma didática crítica e inovadora, onde trabalha também com os conhecimentos empíricos dos próprios alunos para exemplificação de conteúdo. PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO DA OFICINA Ao final das observações, marcamos uma data para a aplicação de uma oficina que é a parte prática final do estágio 1, após pedirmos sugestões às professoras tanto as receptoras quanto a orientadora do estágio decidimos tratar sobre as regiões brasileiras (foto 1), pois seria um tema já estudado pelos alunos e possibilitaria uma fluidez na dinâmica com as salas considerando que os alunos em sua maioria era natural de outras regiões.

4 Foto 1: Imagem datashow Fonte: MEDEIROS (2015) Nosso grupo de estágio era composto por cinco pessoas, sendo assim, cada um de nós ficou responsável por uma região, expondo suas particularidades seja no âmbito cultural, social e geográfico além de curiosidades e também objetos e comidas típicas a fim de ilustração, e ao final seria possível degustar cada um dos pratos expostos (foto 2).

5 Foto 2: Mesa com comidas típicas Fonte: MEDEIROS (2015) O aluno Willian Abreu foi o primeiro a se apresentar, responsável pela caracterização da Região Norte, o mesmo expôs características culturais, dados demográficos, espaciais e comidas típicas nortistas. Em seguida foi a vez do Aluno Edmilson Agápeto apresentar a Região Nordeste, Leandro Vieira, a Região Centro-Oeste, Henrique Faulkner, Sudeste e por fim Acacio Neto falou sobre a Região sul. CONCLUSÕES A experiência do estágio 1 contribuiu de maneira construtiva para nossa formação, visto que para a maioria de nós é tido como um primeiro contato com a sala de aula e assim se torna um marco em nossa formação docente, possibilitando-nos ter a certeza de que estamos no caminho certo. É um maravilhoso estar a frente de uma sala de aula e melhor ainda perceber que conseguimos alcançar o objetivo proposto, afinal, a melhor gratificação que um professor pode receber é ter a sensação de dever cumprido e perceber que foi satisfatório para as duas partes, ou seja, além de ensinar ao aluno, o professor também aprendeu com os mesmos através de suas experiências de vida e conhecimentos compartilhados. Em contrapartida ficamos cientes das dificuldades enfrentadas pelos professores dia após dia, a falta de recursos oferecidos pelo estado ou município influi diretamente na qualidade do ensino ofertado e assim consequentemente acaba comprometendo o processo de aprendizagem do aluno e cabe ao professor buscar maneiras de compensar esse déficit de apoio e renovar sua didática, é importante também estar sempre a par das atualidades, visto que o mundo muda a cada dia, sobretudo em uma disciplina tão ampla como é a Geografia, buscar a educação continuada é a melhor forma de atender às necessidades e assim fazer sua parte em busca de uma sociedade melhor.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GIL, Antônio. Metodologia do Ensino Superior. São Paulo: Atlas, 1994 PIMENTA, Selma Garrido (Org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo: Cortez, Não paginado. ZAGURY, Tania. O professor refém: para pais e professores entenderem porque fracassa a educação no Brasil. Rio de Janeiro: Record, 2006.

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