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1 / / A CONQUISTA DO TERRITÓRIO Até a metade do século XVI, navegantes franceses frequentavam o nordeste brasileiro e se davam muito bem com os nativos: trocavam quinquilharias pelo pau-brasil, de cuja casca extraíam um pigmento vermelho muito utilizado para colorir tecidos em toda a Europa. No início de 1574, devido a conflitos entre os indígenas Potiguara e colonizadores portugueses tornou-se urgente garantir o monopólio do açúcar e o poder econômico da Capitania de Pernambuco, principal centro produtivo da colônia, como também iniciar o avanço sobre as terras ao norte. Assim, no mesmo ano de 1574, o jovem Rei D. Sebastião resolveu desmembrar a Capitania de Itamaracá, criando a Capitania Real da Paraíba a partir de Igarassu, no sentido norte, até a Baía da Traição. Ocorre que grande parte dessa área era habitada pelos Potiguara, povo de índole guerreira, e isso foi um complicador que atrasou em 11 anos a conquista do território. Somente após 5 expedições, e com o apoio dos índios Tabajara, os portugueses conseguiram derrotar os Potiguara, expulsar os franceses e fundar a Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, no dia 05 de agosto de O marco zero de fundação da cidade foi escolhido 18 km acima da embocadura do Rio Paraíba, numa colina que domina todo o atracadouro na margem direita do Rio Sanhauá, afluente do Paraíba. Além do cuidado com a defesa da povoação o local visava facilitar o comércio e o apoio militar à vizinha Capitania de Pernambuco. A povoação, por estar sob domínio da União Ibérica desde 1580, teve as primeiras ruas edificadas dentro de uma geometria de traçados regulares obedecendo aos padrões encontrados nas demais colônias espanholas do continente americano, diferentes das povoações fundadas pelos portugueses. Disponível em: <http://paraibanos.com/joaopessoa/historia.htm>. Acesso em: 26 fev Glossário: Quinquilharias objeto de adorno, sem valor; miudeza. Monopólio comércio exclusivo. Capitania antiga divisão administrativa do Brasil Colonial. O Brasil foi dividido em Capitanias Hereditárias em Índole natureza; caráter; temperamento. Embocadura foz de um rio; saída para o mar. Atracadouro lugar onde se atracam as embarcações; onde as embarcações ficam amarradas.

2 A FORTALEZA DE SANTA CATARINA Em 1586, o governo de Frutuoso Barbosa reconheceu a necessidade urgente de se construir um forte para a defesa da Cidade de Nossa Senhora das Neves. Escolheu-se a ponta de terra à margem direita do Rio Paraíba, no local denominado Cabedelo, que significa ponta de areia ou pequeno cabo. O Forte do Cabedelo foi construído em madeira e taipa na parte mais extrema do cabo, dominando toda a embocadura do rio que dá acesso à cidade edificada,18 km rio acima. A primeira estrutura do forte foi destruída pelos indígenas Potiguara e reconstruída em Essa nova construção, em homenagem a D. Catarina Duquesa de Bragança, aspirante preterida ao trono português, recebeu a denominação de Forte Santa Catarina e uma capela interna dedicada à Santa. Em 1597, o forte teve seu primeiro teste de resistência. Uma armada francesa (13 navios) desembarcou 350 homens e investiu contra o forte que contava com um minguado grupo de 20 soldados, um capitão e apenas 5 canhões. A bravura da guarda local conseguiu imprimir, com rapidez, tantas baixas aos invasores que estes partiram sem saber que o forte estava praticamente desguarnecido. Aquela foi a última tentativa francesa no sentido de abocanhar um pedaço do nosso território. Em 1631, a primeira grande invasão holandesa ocorreu no dia 03 de dezembro, quando a Companhia das Índias Ocidentais (Holanda), partindo do porto do Recife, iniciou um grande ataque à fortaleza com 26 naus e 26 barcaças transportando homens. A armada desembarcou em Cabedelo, no dia 05, acreditando na tomada da fortaleza sem muita resistência. O governador, Antônio de Albuquerque Maranhão, soube da invasão dos holandeses alguns dias antes, o que permitiu a melhoria da defesa da fortificação com muralhas e paliçadas e reforço do contingente humano. Assim, no desembarque holandês, a defesa da capitania contava com cerca de 700 homens, entre brasileiros, portugueses e espanhóis, mais inúmeros índios. O cerco à fortaleza durou 6 dias, com lutas de assalto e corpo a corpo, finalmente, os invasores bateram em retirada. Em dezembro de 1634, o general (holandês) Van Schkoppe comandou uma armada com homens, em 29 naus com 500 canhões, desembarcando 600 homens na enseada do Bessa, os quais varreriam toda a praia na direção norte até o Cabedelo; enviou 3 navios para a enseada de Lucena e iniciou um ataque frontal à fortaleza de Santa Catarina que, juntamente com os fortes de Santo Antônio e São Bento, formava o tripé de defesa da foz do Rio Paraíba e do acesso à Cidade 2

3 de Filipeia. O cerco holandês continuava forte, mas encontrava grande resistência. Após alguns dias de batalha os invasores entraram na Cidade de Filipeia de Nossa Senhora das Neves. Disponível em: <http://paraibanos.com/joaopessoa/historia-fortaleza.htm>. Acesso em: 26 fev Taipa parede feita de barro amassado e jogado contra uma armação de varas finas ou bambu. Embocadura foz de um rio; saída para o mar. Paliçadas cercas para defesa. A CIDADE SOB O DOMÍNIO HOLANDÊS No final do século XVI, a Holanda já surgia como uma potência dos mares, chegando, em meados do século XVII, a ter a maior frota mercante do mundo. Os holandeses mantinham intensa relação com Portugal e suas colônias, especialmente com o nordeste brasileiro, onde participavam de todo o ciclo da indústria açucareira: implantação de engenhos, financiamento de insumos e mão de obra, até a comercialização na Europa. Chegaram a manter usinas de beneficiamento de açúcar em Amsterdam, para onde levavam o açúcar grosso que era taxado com valor bem abaixo do açúcar branco. Assim, detinham conhecimentos e estrutura suficientes para concorrer nesse comércio com os portugueses. Em 1580, com a anexação de Portugal à Coroa Espanhola, toda essa atividade foi suspensa por Filipe II da Espanha que combatia o movimento pela independência dos neerlandeses. Para retomar o mercado os holandeses criaram, em 1621, a Companhia das Índias Ocidentais (GeoctroyerdeWestindicheCompagnie) formada em grande parte com apoio financeiro dos cristãos novos, por meio da Câmara de Comércio de Amsterdam. A Companhia patrocinaria, então, invasões ao Brasil visando monopolizar não somente o comércio açucareiro como também o de escravos, pois a ideia era controlar todo o tráfego marítimo do atlântico sul. Em 1624, invadiram a cidade de Salvador, capital da colônia, onde permaneceram por um ano, até serem expulsos pela esquadra portuguesa. Em 1630, após vários anos preparando nova ofensiva, invadiram a capitania de Pernambuco que, por não ser uma capitania com obrigações da Coroa, era dotada de pouca proteção militar, o que facilitou a tomada das vilas de Olinda e Recife. A Capitania de Pernambuco esteve sob domínio holandês até [...] Em dezembro de 1634, as forças do general Van Schkoppe, com mais de 2300 homens, sitiaram a fortaleza de Cabedelo durante 19 dias. Após muita resistência, fome, sede e doenças, nossas defesas ruíram. Os holandeses adentraram a Filipeia 3

4 de Nossa Senhora das Neves e mudaram-lhe o nome para Frederica (Friederickstadt) em homenagem a Frederico Henrique de Nassau, Príncipe de Orange. Para garantir a posse do território logo iniciaram a reconstrução da Fortaleza e confiscaram 19 engenhos da várzea do rio Paraíba. [...] Elias Herckmans governou a capitania da Paraíba de 1636 a Durante o seu governo foi criado um Conselho de Representantes da Cidade, formado por holandeses, portugueses e brasileiros, cujos membros eram denominados escabinos. O Conselho, adotado também por Maurício de Nassau, em 1637, quando chegou em Pernambuco, funcionava como uma câmara de vereadores. Herckmans, poeta e geógrafo, escreveu um relatório sobre a capitania intitulado Descrição Geral da Capitania da Paraíba (GeneraleBeschrjvinge van Capitania Paraíba), datado de 1639, o qual se tornou a principal fonte de informações sobre a Paraíba durante o domínio holandês. Herckmans foi, talvez, a melhor contribuição holandesa para a cidade. Gisberk de WithsucedeuHerckmans deixou a reputação de homem honesto, trabalhador e muito senso de humanidade. O sucessor do governo, Paul de Linge, foi derrotado em 1645 pelos Libertadores da Insurreição e se retirou para a Fortaleza de Santa Catarina em Cabedelo. Se analisarmos os 11 anos de domínio holandês ( ), veremos que eles em nada contribuíram para o desenvolvimento arquitetônico da cidade. Existia-lhes apenas o interesse pelo comércio lucrativo da cana-de-açúcar. Por serem protestantes calvinistas, sequer concluíram as edificações de igrejas e conventos que ocuparam como sede administrativa e militar. Não construíram residências porque não trouxeram famílias e as tropas permaneciam nos fortes. Entretanto, introduziram melhoramentos em todo o ciclo da produção açucareira, quando instituíram financiamento para as safras com resgate após a colheita; revestiram as moendas (que eram em madeira) com lâminas de metal para diminuir as quebras e aumentar a produtividade; nesse período os engenhos da Capitania da Paraíba exportavam, anualmente, mais de arrobas de açúcar; de acordo com o historiador Aécio Villar, citando o economista Celso Furtado, o nordeste brasileiro, durante o domínio holandês, era a região mais rica do mundo: tinha um produto interno bruto 5 vezes maior do que a Inglaterra. Sob a influência de Maurício de Nassau preocuparam-se com o meio ambiente, pois, a partir do controle da monocultura da cana-de-açúcar, instituíram o equilíbrio da produção de alimentos obrigando os proprietários de engenhos a plantar covas 4

5 de mandioca em quantidade proporcional ao número de escravos ou empregados existentes; proibiram a derrubada de cajueiros e iniciaram o controle da derrubada excessiva do pau-brasil, instruindo para o corte de árvores somente acima de 4 anos. Disponível em: <http://paraibanos.com/joaopessoa/historia-holandeses.htm>. Acesso em: 26 fev Glossário: Insumos conjunto de fatores de produção de um produto. Monopolizar ter exclusividade, privilégio. 5

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