Centro de Epidemiologia. Período de chuvas pode colaborar para aumentar os casos de Leptospirose

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1 SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE Centro de Epidemiologia Data: 23/12/2014 Nome do agravo: Leptospirose Semana epidemiológica: 52 1-Introdução: Período de chuvas pode colaborar para aumentar os casos de Leptospirose O Centro de Epidemiologia (CE) alerta os serviços de saúde para o período de chuvas, pois pode aumentar o número de casos da Leptospirose. Trata-se de uma zoonose causada pela bactéria Leptospira, presente na urina de ratos (ratazanas), que com as chuvas, se mistura à água de enchentes, valetas, lagoas, cavas e em especial na lama. A bactéria penetra no corpo humano através de pequenos ferimentos na pele, ou pela pele que esteve muito tempo em contato com a água. Eventualmente também pode ocorrer a infecção ingerindo alimentos ou água contaminados. Após a infecção, o período de incubação da doença é em média de sete a 14 dias após o contato com a água contaminada. A doença só poderá ser confirmada com a realização de exames laboratoriais feitos uma semana após o início dos sintomas. Estes exames deverão ser realizados pelo Laboratório Central do Estado LACEN. Embora 90% dos casos tenham evolução benigna, a doença pode levar a morte se não for tratada de modo correto e precocemente. Importante: A Leptospirose pode ser confirmada tanto em áreas urbanas (mais freqüente) como nas áreas rurais. Em 2012 foram confirmados 232 casos e 24 óbitos em todo o Paraná, com uma letalidade de 10%. Ano passado, foram 295 pessoas com a doença e 46 óbitos com 15,6% de letalidade. Sintomas : Os primeiros sintomas da doença são: febre alta, mal-estar, dores de cabeça constantes e intensas, dores pelo corpo, principalmente na panturrilha (barriga da perna), cansaço e calafrios. Também são freqüentes dores abdominais, náuseas, vômitos, diarréia e desidratação. Em algumas pessoas os sintomas reaparecem após dois ou três dias de aparente melhora podendo apresentar hiperemia conjuntival e icterícia (icterícia rubínica), podendo evoluir para um quadro grave de insuficiência renal, respiratório e hemorrágico.

2 Os serviços de Vigilância em Saúde bem como Atenção Primária e Unidades de Pronto Atendimento devem ficar atentos ao diagnóstico diferencial de vírus respiratório (influenza), hantavirose, dengue e eventualmente febre Chikungunya. Controle de roedores: Orientações técnicas sobre controle de roedores podem ser obtidas no Centro de Controle de Zoonoses (Curitiba). Cuidados importantes antes e depois da enchente: Não jogar lixo ou objetos nos rios e bueiros. Isso represa as águas e com a chuva pode causar enchentes; Guardar os alimentos em lugares secos e dentro de recipientes fechados;. Solicitar água da Sanepar ou Prefeitura no caso de falta de água; Não usar água de poço ou reservatório inundado, antes da desinfecção; Lavar e desinfetar utensílios e a caixa de água; Usar hipoclorito de sódio a 2,5% (água sanitária), na seguinte medida: 2 (duas) gotas para cada litro de água e esperar no mínimo 15 minutos antes de consumir ( seguir orientações da Vigilância Sanitária); Não brincar ou nadar em lagos, cavas e córregos nem nas águas de enchente; Evitar contato com água e lama, usando sempre botas e luvas de borracha, ou sacos plásticos amarrados nos pés e nos braços; Inutilizar alimentos naturais ou preparados assim como medicamentos que entraram em contato com a água da enchente;. Promover limpeza nos brinquedos que tiveram contato com água de enchente; Manter os quintais sempre limpos, evitando acumular entulhos que favoreçam o esconderijo de ratos. 2-MANEJO EPIDEMIOLÓGICO: 2.1-Caso suspeito: Indivíduo com febre, cefaleia e mialgia + VÍNCULO EPIDEMIOLÓGICO ou Indivíduo com febre, cefaleia e mialgia + SINAIS OU SINTOMAS DE DOENÇA GRAVE renal, hepática ou vascular ou Indivíduo com febre, cefaleia e mialgia + VÍNCULO EPIDEMIOLÓGICO + SINAIS OU SINTOMAS DE DOENÇA GRAVE renal, hepática ou vascular 2.2- Investigação epidemiológica: Indivíduo com febre, cefaleia e mialgia, que atenda, a pelo menos, um dos seguintes critérios:

3 Critério 1 Presença de antecedentes epidemiológicos sugestivos nos 30 dias anteriores à data de início dos sintomas, como: exposição a enchentes, alagamentos, lama ou coleções hídrica; exposição a fossas, esgoto, lixo e entulho; atividades que envolvam risco ocupacional como coleta de lixo, catador de material para reciclagem,limpeza de córregos, trabalho em água ou esgoto, manejo de animais, agricultura em áreas alagadas; vínculo epidemiológico com um caso confirmado por critério laboratorial; residir ou trabalhar em áreas de risco para a leptospirose. Áreas de risco áreas determinadas pela vigilância epidemiológica a partir da análise da distribuição espacial e temporal de casos de leptospirose, bem como dos fatores de risco envolvidos. Critério 2 Apresente, pelo menos, um dos seguintes sinais ou sintomas: sufusão conjuntiva; sinais de insuficiência renal aguda;icterícia e/ou aumento de bilirrubinas; fenômeno hemorrágico Amostra biológica: Em pacientes com até 7 dias de sintomatologia deverão ser coletados 3 tubos de sangue (identificar com etiqueta nome do paciente e data da coleta: Um tubo para PCR - sangue total em EDTA (tubo com tampa roxa, utilizado para hemograma). A amostra de sangue precisa ser mantida sob refrigeração. Um tubo para isolamento da bactéria - sangue total com HEPARINA (tubo com tampa verde). Manter em temperatura ambiente até o envio ao LACEN-PR. Não colocar gelo reciclável na caixa de envio. Um tubo para sorologia ou soroaglutinação (Elisa IgM e MAT) - sangue total em um tubo para sorologia (tubo com ou sem gel, tampa vermelha/vinho). A amostra de sangue deve ser mantida sob refrigeração. Em pacientes com mais de 7 dias de sintomatologia, coletar apenas sorologia (Elisa IgM e MAT). Casos com primeira sorologia negativa deverão coletar uma segunda amostra de sangue para sorologia após 15 dias. 2.4 Reforçar: sinais de alerta, importância do uso correto do antibiótico e do retorno em 24h ou em caso de piora.

4 3-Perguntas freqüentes sobre a leptospirose: 1. O que é leptospirose? É uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Leptospira presente na urina do rato. 2. Como se pega a leptospirose? Em situações de enchentes e inundações, a urina dos ratos, presente em esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama das enchentes. Qualquer pessoa que tiver contato com a água ou lama contaminada poderá se infectar. A Leptospira penetra no corpo pela pele, principalmente se houver algum ferimento ou arranhão. Na época de seca, oferecem riscos à saúde humana o contato com água ou lama de esgoto,lagoas ou rios contaminados e terrenos baldios onde existem ratos. Portanto, deve-se evitar o contato com esses ambientes. 3. Quais os sintomas? Os sintomas mais freqüentes são parecidos com os de outras doenças, como a gripe. Os principais são: febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, principalmente nas panturrilhas (batata da - perna), podendo também ocorrer icterícia (coloração amarelada da pele e das mucosas). Nas formas mais graves são necessários cuidados especiais, inclusive internação hospitalar. 4. O que fazer ao manifestar esses sintomas? Se você apresentar febre, dor de cabeça e dores no corpo, alguns dias depois de ter entrado em contato com as águas de enchente ou esgoto, procure imediatamente o Centro de Saúde mais próximo. Não se esqueça de contar o seu contato com água ou lama de enchente. 5. Quanto tempo demora para a doença aparecer? Os primeiros sintomas podem aparecer de um a 30 dias depois do contato com a enchente. Na maior parte dos casos, aparece 7 a 14 dias após o contato. 6. Como é feito o tratamento da leptospirose? O tratamento é baseado no uso de antibióticos, hidratação e suporte clínico, orientado sempre por um médico, de acordo com os sintomas apresentados. Os casos leves podem ser tratados em ambulatório,mas os casos graves precisam ser internados. 7. Como evitar a doença? Evite o contato com água ou lama de enchentes e impeça que crianças nadem ou brinquem em ambientes que possam estar contaminados pela urina dos ratos. Pessoas que trabalham na limpeza de lamas, entulhos e desentupimento de esgoto devem usar botas e luvas de borracha (se isto for possível,usar sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés). Também são necessárias medidas ligadas ao meio ambiente, tais como o controle de roedores, obras de saneamento básico (abastecimento de água, lixo e esgoto) e melhorias nas habitações humanas. 8. E se o contato com água contaminada for inevitável, como proceder? Neste caso, a única forma de reduzir riscos à saúde é permanecer o menor tempo possível em contato com essas águas. Se a enchente inundar as residências, após as águas baixarem será necessário lavar e desinfetar o chão, as paredes, os objetos caseiros e as roupas atingidas com água sanitária, na proporção de 4 xícaras de café deste produto para um balde de 20 litros de água. Depois, enxaguar o ambiente e objetos com água limpa. Todo alimento

5 que teve contato com água contaminada deve ser jogado fora, pois pode transmitir doenças. Também é importante limpar e desinfetar a caixa d água com uma solução de água sanitária, da seguinte forma: a) Esvazie e lave a caixa d água, esfregando bem as paredes e o fundo; b) Após acabar de limpar, adicionar 1 litro de água sanitária para cada litros de água no reservatório; c) Depois, abra a entrada principal da água e encha a caixa d água com água limpa; feche o registro após o enchimento da caixa; d) Após 30 minutos, abra as torneiras por alguns segundos para que essa água misturada com água sanitária entre na tubulação; e) Aguarde uma hora e trinta minutos para que se faça a desinfecção; f) Abra novamente as torneiras, para drenar toda a água. A água que sai pelas torneiras pode servir para a limpeza de chão e paredes. g) Encha novamente a caixa com água limpa. 9. Por quanto tempo a leptospira sobrevive no meio ambiente? As leptospiras podem sobreviver no ambiente até semanas ou meses, dependendo das condições do ambiente (temperatura, umidade, lama ou águas de superfície). Porém, são bactérias sensíveis aos desinfetantes comuns e a determinadas condições ambientais. Elas são rapidamente mortas por desinfetantes, como o hipoclorito de sódio, presente na água sanitária, e quando expostas à luz solar direta. 10. É possível determinar se as águas de córrego, lagoa ou represa estão contaminadas por leptospira? Pode ser que animais infectados, principalmente ratos, tenham acesso a estas águas, contaminado-as regularmente com leptospiras. Desta forma, é impossível afirmar que estas águas estejam livres da bactéria. Se coletarmos uma amostra dessa água para análise, o resultado irá representar apenas aquele momento e aquele local. O resultado da análise sendo negativo, não significa que toda a área esteja livre da presença da bactéria. Em caso de dúvida, solicite orientação das autoridades sanitárias locais indagando sobre a ocorrência de casos humanos da doença nesses locais. Lembrar que nunca deve ser indicado o uso de desinfetantes em grandes coleções de água, pois além de não matarem as bactérias, contaminariam o ambiente e alterariam as condições ecológicas do local. 11. Se o contato com águas suspeitas já ocorreu, qual o risco da pessoa se contaminar? Nesta situação, a contaminação da pessoa dependerá de alguns fatores, como a concentração de leptospiras na água, o tempo que a pessoa ficou em contato com a água e a possibilidade ou não da penetração da bactéria no corpo humano, entre outros fatores. Deve-se ficar atento por alguns dias e, se a pessoa adoecer, deve procurar o médico o mais breve possível, não esquecendo de relatar ter sido provavelmente exposto a contrair leptospirose. 12. Quais são as principais medidas para evitar ratos? Manter os alimentos armazenados em vasilhames tampados e à prova de roedores; Acondicionar o lixo em sacos plásticos em locais elevados do solo, colocandoo para coleta pouco antes do lixeiro passar;

6 Caso existam animais no domicílio (cães, gatos e outros), retirar e lavar os vasilhames de alimento do animal todos os dias antes do anoitecer, pois ele também pode ser contaminado pela urina do rato; Manter limpos e desmatados os terrenos baldios; Jamais jogar lixo à beira de córregos, pois além de atrair roedores, o lixo dificulta o escoamento das águas, agravando o problema das enchentes; Grama e mato devem ser mantidos roçados, para evitar que sirvam de abrigo para os ratos; Fechar buracos de telhas, paredes e rodapés para evitar o ingresso dos ratos para dentro de sua casa; Manter as caixas d água, ralos e vasos sanitários fechados com tampas pesadas. Lembre-se: Uma vez instalados num determinado local, os ratos começam a se reproduzir, multiplicando-se rapidamente, o que dificulta o seu controle e aumenta o risco de transmitir doenças. 13. Porque o controle de roedores é importante para se diminuir o número de casos de leptospirose? Porque os ratos são os principais transmissores da doença para o homem. Eliminam as leptospiras pela sua urina, contaminando o ambiente - água, solo e alimentos. Nas cidades, a aglomeração humana associada à alta infestação de ratos (principalmente ratazanas) e à grande quantidade de lixo tornam maior o risco de se pegar leptospirose. Controlar a população de ratos é a melhor forma de combater a doença. O controle de roedores deve ser feito o ano inteiro para que se obtenha resultados satisfatórios na diminuição de sua população. 14. Outros animais podem pegar a doença? Não há risco de transmissão para o homem por estes animais? Outros animais são sensíveis à leptospira e podem se infectar, ficarem doentes e até mesmo morrer de leptospirose. Bois, porcos, cães, cavalos e cabras, dentre outros, podem sofrer a doença e também transmiti-la ao homem, porém em menor escala do que os ratos. 15. Se os animais domésticos também podem transmitir a doença, o que fazer para evitar a contaminação por esta forma? Os animais domésticos quando são infectados, eliminam a bactéria através da urina assim como acontece com os ratos; portanto, deve-se tomar especiais cuidados, evitando-se o contato direto ou indireto com suas excretas (principalmente a urina, no caso da leptospirose). Os locais onde os animais permanecem e urinam devem ser higienizados diariamente, utilizando-se luvas e botas para proteção das mãos e pés, evitando o contato com a urina desses animais. 16. Quais são os sintomas da leptospirose nos cães? Os cães podem se infectar e eliminar a bactéria pela urina, mas nem sempre manifestam sintomas da doença. Estes variam desde falta de apetite, fraqueza, febre, vômitos, diarréia a icterícia e hemorragias,podendo levar o animal à morte. Portanto, sempre que o cão adoecer, deve-se procurar assistência veterinária.

7 17. Qualquer pessoa pode ter a doença? Sim, qualquer pessoa pode pegar leptospirose. Tem-se observado que a maior freqüência de casos acontece em indivíduos do sexo masculino, na faixa de 20 a 35 anos, provavelmente pela maior exposição a situações de risco, quer seja em casa, quer seja no trabalho. 18. Uma pessoa com leptospirose transmite a doença para outra pessoa? Não, a leptospirose não é contagiosa. Não há transmissão de uma pessoa para outra. É transmitida entre os animais e dos animais para o homem, sempre pelo contato da urina do animal com a pele do homem. 19. Existe o risco da pessoa contrair leptospirose bebendo líquido em latinhas de refrigerantes,sucos, cerveja ou água? Apesar da transmissão ocorrer principalmente pela penetração da leptospira através da pele ou mucosas,já foi descrita pela ingestão de água ou alimentos contaminados com a urina de ratos, ainda que raramente. Se for ingerida, a leptospira morre ao entrar em contato com o suco gástrico. A possibilidade da pessoa se infectar bebendo em latinhas contaminadas com a urina de ratos é teoricamente possível, se houver uma ferida na boca, que possa permitir a entrada da leptospira no organismo pela circulação sangüínea. Apesar desse risco teórico, até o momento não foram comprovados casos de transmissão de leptospirose por latinhas de cerveja, refrigerantes ou outras bebidas envasadas. De qualquer modo, é essencial que se lave bem com água limpa qualquer latinha ou recipiente antes de ser levado à boca, para não se correr o risco de contaminação por algum tipo de bactéria. Este hábito de higienização não deve isentar os comerciantes de verificarem as condições de armazenamento de seus estoques, das condições de acondicionamento de seu lixo e de manter implantado um sistema de controle de roedores em todas suas instalações. 20. Existe vacina contra a leptospirose? No Brasil não existe nenhuma vacina contra a leptospirose para seres humanos. Existem vacinas somente para uso em animais, como cães, bovinos e suínos. Esses animais devem ser vacinados todos os anos para ficarem livres do risco de contrair a doença e diminuir o risco de transmiti-la ao homem. Cordialmente,!"#$%&'()* ( +#%(%,%&$% -. /0&1$$2%3$4&

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