Francisco José Simões Roque, nº9 11ºA

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1 Estudo da composição dos solos A turfa Francisco José Simões Roque, nº9 11ºA

2 INTRODUÇÃO Os solos são sistemas trifásicos pois são constituídos por componentes sólidos, líquidos e gasosos. Cerca de 50% da sua composição são partículas minerais e orgânicas, mas muitas vezes as partículas orgânicas não ultrapassem os 5% em solos minerais e os 30% em solos orgânicos correspondendo a restante percentagem à água e ao ar. A parte correspondente à matéria mineral compreende fragmentos de rocha de formas e dimensões variadas de minerais primários (feldspatos, quartzo) e de minerais secundários (argilas), por vezes tão finos que apresentam propriedades coloidais. Os minerais de argila são talvez os mais importantes no que diz respeito à fertilidade dos solos, pois apresentam-se carregados negativamente e portanto fixam as moléculas de água no solo. As proporções relativas dos diferentes elementos minerais permitem definir a textura do solo. A matéria orgânica do solo é rapidamente invadida por microrganismos, alterando as suas propriedades. É particularmente rica em nutrientes fundamentais das plantas, como o azoto e o enxofre. Designa-se por mineralização o processo que leva à desorganização da estrutura dos resíduos e à sua transformação em compostos mais simples. Existe também outro processo que conduz à formação de compostos coloidais resistentes à decomposição paralelamente à mineralização a humificação. O teor de matéria orgânica do solo pode ser determinado calcinando uma amostra de solo a 500 ºC e verificando a perda de peso. Os solos com mais de 30% de matéria orgânica (se for de textura média ou fina) ou com mais de 20% (se for de textura grosseira) designam-se por solos orgânicos e os restantes por solos minerais. O ar do solo localiza-se nos espaços intersticais entre as partículas do solo e a sua quantidade está dependente da quantidade de água que ocupa os mesmos espaços. Qualquer variação no teor de água provoca uma variação inversa do teor de ar. É um constituínte de grande importância pois é responsável pela intensidade das reacções químicas e biológicas que se originam no solo. Além disso, como na sua constituição entra oxigénio, controla directamente a vida vegetal e a dos microrganismos aeróbios. O ar do solo tem uma composição semelhante à do ar atmosférico, mas o primeiro apresenta uma maior quantidade de CO 2 devido à respiração das plantas e outros organismos. Mediante a determinação do volume de ar libertado de uma amostra de solo quando se preenchem os seus espaços com água podemos avaliar o seu teor de ar. O teor de água de um solo determina-se colocando amostras na estufa a 105 ºC, pesando a intervalos regulares até o peso estabilizar. A diferença entre o peso inicial do solo e o peso de solo seco corresponde à

3 água contida no solo. Esta temperatura é suficiente para provocar a evaporação da água que esteja livre sem queimar a matéria orgânica. Assim podemos facilmente calcular o peso de água contida no solo sem contar com alguma que possa conter, na constituição de alguns minerais. O objectivo desta experiência vai ser determinar a percentagem da fracção líquida, sólida e gasosa da turfa. MATERIAL - Estufa - Mufla - Balança analítica - Cadinho - Espátula - 2 provetas 50 ml. - Exsicador - Vareta - Sílica desidratada - Papel de limpeza - Amostra de solo (turfa) MÉTODOS A - Determinação da fracção gasosa do solo 1. Coloca 25 cm 3 de turfa numa proveta de 50 ml. 2. Verte 25 ml de água para a proveta, evitando que as partículas entrem em suspensão e aguarda até que a água atinja a base da proveta. Para facilitar a deslocação da água remexe a turfa, cuidadosamente, com uma vareta. 3. Verifica o volume final lido na proveta quando deixares de observar a libertação de bolhas de ar. B - Determinação da fracção líquida do solo 1. Pesa um cadinho.

4 2. Coloca 10g de turfa no cadinho. 3. Coloca o cadinho na estufa a 105 ºC, durante 30 minutos. 4. Efectua pesagens dos cadinhos com a turfa em intervalos de 30 minutos até que, entre duas pesagens consecutivas, o peso não varie. 5. Coloca o cadinho no exsicador para, posteriormente, precederes à determinação da matéria orgânica. C - Determinação da fracção sólida do solo 1. Coloca o cadinho, anteriormente guardado no exsicador, na mufla, a uma temperatura não inferior a 500º, durante 8 horas. 2. Deixa arrefecer o cadinho com o solo num exsicador e, seguidamente, procede à sua pesagem. RESULTADOS A - Determinação da fracção gasosa do solo O volume lido após ter vertido a água (25cm 3 ) e a turfa (25cm 3 ) na proveta foi de 35 cm 3. B - Determinação da fracção líquida do solo Pesagens 1ª 10.00g 2ª 9.04g 3ª 8.67g 4ª 8.50g 5ª 8.43g 6ª 8.41g 7ª 8.41g Peso da turfa C - Determinação da fracção sólida do solo Peso do solo antes de ir à mufla 8.41g Peso do solo após ida à mufla (calcinado) 0,20g

5 DISCUSSÃO A - Determinação da fracção gasosa do solo - O volume final marcado na proveta é de 35cm 3 - O teor de ar do solo é: % ar = ((Vsolo + VH20) Vfinal) / Vsolo x 100 % ar= (( ) 35) / 25 x 100 = 60%* Ao adicionar água à turfa observou-se libertação de bolhas de ar. Quando a água é misturada com a turfa, as duas ocupam 35cm3. Ocupam menos volume do que habitual, pois se juntarmos a 25cm3 de turfa 25cm3 de água deveria perfazer um total de 50cm3. A turfa é um solo muito poroso, portanto a sua percentagem de ar é elevada. Mas isto não justifica os 60% que apresenta, pois como vamos ver mais à frente, a turfa não poderá ter tal percentagem de ar. B - Determinação da fracção líquida do solo - O valor final do peso do solo foi de 8.41g - O teor de água do solo é : % água= (Psolo - Psolo seco) / Psolo x 100 % água= ( ) / 10 x 100 = 15.9% À medida que se efectuou as pesagens, constatou-se que o aumento da temperatura vai resultar na diminuição do peso da turfa pois a água contida na turfa vai evaporando até um dado momento em que o peso estabiliza. A turfa apresenta pouca percentagem de água. C - Determinação da fracção sólida do solo Psolo calcinado 0.2g - Teor do solo em matéria orgânica (m.o.) % m.o.= 100 x (Psolo desidratado - Psolo calcinado) / Psolo % m.o.= 100 x ( ) / 10 = 82.1%

6 - Teor da fracção mineral % fracção mineral= (%água + %ar + %m.o.) % fracção mineral= ( ) % fracção mineral= * *-Estes valores não estão corretos, isto dever-se-á à elevada dificuldade de achar o teor em ar da turfa, visto que ele continua a flutuar após embebida em água. O meu grupo verificou os cálculos e as pesagens várias vezes e não encontrou mais nenhuma explicação para este facto. Talvez haja uma experiência alternativa para a verificação do teor de ar da turfa. Entretanto não podemos achar a percentagem de fracção mineral pois iria dar um valor negativo. Talvez fazendo as actividades experimentais nº 2 e 3 do 2º livro da bibliografia, poderíamos chegar a uma conclusão correcta. A turfa é um solo orgânico pois tem mais de 20% de matéria orgânica, visto ser um solo de textura grosseira. CONCLUSÃO Em relação à fracção gasosa do solo pode-se concluir que a turfa é um solo muito poroso porque não retém a água e possui uma grande percentagem de ar. Em relação à fracção líquida do solo constatou-se que com o aumento da temperatura o peso da turfa diminui até um dado momento em que o peso estabilizou. Pode-se concluir que a turfa apresenta uma pequena percentagem de água. Ainda podemos concluir que a turfa é um solo orgânico porque apresenta uma grande percentagem de matéria orgânica, nomeadamente, mais de 20%. BIBLIOGRAFIA 1- Soares, R. e outros; Técnicas Laboratoriais de Biologia Bloco II; págs. 9 e 10, 24, 25 e 26; 2000; Porto; Porto Editora 2- Gonçalves, Salomé e Amaral, Carla; A vida ao microscópio Bloco II; 2000; Porto; Porto Editora 3- Nápoles, A. e outros; Técnicas Laboratoriais de Biologia Bloco II; 2000; Amadora; Didática Editora

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