Percursos históricos e modos de produção: uma análise sobre a emissora T V Uruguaiana no Rio G rande do Sul 1

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1 1 Percursos históricos e modos de produção: uma análise sobre a emissora T V Uruguaiana no Rio G rande do Sul 1 EMERIM, Cárlida (Doutora) 2 OLIVEIRA, Gabriella Souza de (Graduanda) 3 SOLARES, Márcia Martins (Graduanda) 4 UFSC (SC) e UNIPAMPA (RS) Resumo: O presente artigo constitui-se na apresentação de alguns resultados iniciais sobre uma pesquisa maior que se propõe a restabelecer a história da mídia televisiva no interior do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina integrando os objetivos de dois grupos de pesquisa: o Grupo de Pesquisa História da Mídia (GPHM) da Universidade Federal do Pampa (RS) e o Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Telejornalismo (GIPTELE) da Universidade Federal de Santa Catarina (SC). Em específico, neste trabalho, objetiva-se esboçar os primeiros levantamentos sobre a implantação histórica da emissora de televisão RBS TV Uruguaiana, localizada na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, relacionando a suas rotinas produtivas e buscando dados históricos recentes para compreender as relações que estabelece com os modos específicos de produção que podem ser resultado de sua trajetória política e econômica. Para tanto o trabalho intercala estratégias empregadas pelos métodos da História Orla, centrando nas entrevistas temáticas e nas entrevistas de história de vida bem como lança mão das técnicas de pesquisa propostas pela análise de conteúdo e da semiótica discursiva aliadas, eventualmente, com o conhecimento da prática produtiva em televisão. As reflexões aqui apresentadas são fruto de um ano de investigação sobre esta temática que seguirá até dezembro de 2011 para o seu fechamento final. Palavras-chave: história, mídia televisiva, telejornalismo, mercado de interior 1 Trabalho apresentado no GT de História da Mídia Visual e Audiovisual, integrante do VIII Encontro Nacional de História da Mídia, Orientadora do Trabalho, Mestre em Semiótica e Doutora em Processos Midiáticos, é professora e pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), líder do GIPTELE, desenvolveu pesquisa sobre o telejornalismo na fronteira oeste do RS, na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) até dezembro de Desde janeiro de 2011 atua na UFSC seguindo o foco de investigação na mídia televisiva regional, com pesquisa atual sobre os telejornais em Florianópolis e o ensino de telejornalismo em Santa Catarina. F: (48) Acadêmica do 7º semestre do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), bolsista de Iniciação Científica PBDA desde 2008 e integrante dos Grupos de Pesquisa História da Mídia (GPHM) da Unipampa/RS e Interinstitucional de Pesquisa em Telejornalismo (GIPTELE) da UFSC (SC). cel: (55) Acadêmica do 7º semestre do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), bolsista de Iniciação Científica PIBIC 2010 e integrante do Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Telejornalismo (GIPTELE) da UFSC (SC). cel: (55)

2 2 1. Introdução A história da televisão no Brasil e, por conseqüência, do telejornalismo, é um percurso recente na academia. Durante muitos anos, a televisão era considerada mídia menor e não se constituía em objeto de pesquisa sobre suas histórias e seus modos de produção. Os poucos que se dedicavam a estudar a televisão!"#$!#!%!&"'(&(")("&!*"+(",-'.*(/0" '.1(" '(2#34+(" &!256.*!#7$5(" 3" 5+3(*785'(" 6$31.+5'!%!" (" +3,32%(*%5&32#(" crítico e intelectual das massas populares. Mas esta crença vem sofrendo transformações ao longo do tempo. Mesmo reconhecendo suas limitações, a televisão está se consolidando como um objeto importante na pesquisa acadêmica e muitas investigações a tem tratado com mais lucidez, analisando-a sobre suas especificidades, possibilidades e restrições. É nesta perspectiva que este artigo se insere e, portanto, propõe contribuir com a análise dos modos de produção da mídia televisiva tentando compreender as relações que esses estabelecem com o percurso histórico e mercadológico das emissoras. Para tanto, o artigo apresenta uma etapa de imersão histórica em duas direções, a de implantação e a de um passado mais recente, na tentativa de compreender o percurso de implantação da emissora RBS TV Uruguaiana, localizada na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, há 700 km da capital Porto Alegre, integrante da Rede Regional de Emissoras montada pelo Grupo RBS no final dos anos 70 no interior do estado gaúcho e como este percurso interfere no modo de produção de telejornalismo. 2. História e tecnologia: possibilidades e restrições A implantação da televisão no Brasil iniciou tarde em relação a outros países, como aponta (REZENDE: 2000), projetando-se em 1950 com a TV Tupi, sendo que seus programas eram integralmente produzidos em suporte fílmico e, muitas emissões, ao vivo que não foram registradas em arquivo. Mesmo assim, obteve uma grande aceitação e já em 1965 consolidou-se como um hábito do brasileiro, quando havia em torno de quatro grandes emissoras no país que emitiam programação para as principais capitais e algumas cidades do interior através de antenas repetidoras. Em 1970, a televisão avança nos seus modos produtivos numa mudança tecnológica fundamental

3 3 passando a utilizar-se da fita magnética em detrimento do filme para capturar suas imagens do mundo. O processo de finalização também ganha agilidade, pois não é mais necessário revelar os filmes e as edições são operacionalizadas com as imagens direto das fitas. Quem mais lucra com esse processo são os programas puramente noticiosos, ou seja, os telejornais, visto que o ganho de tempo permitiu que as notícias pudessem ser relatas com mais proximidade à sua ocorrência, embora, é claro, ainda com larga defasagem do tempo real. Esta evolução tecnológica, porém, traz uma conseqüência negativa para a preservação imagética da história, pois, se os filmes não permitiam a sua reutilização, sendo necessário sempre um negativo novo para a gravação, as fitas magnéticas, ao contrário, eram passíveis de reutilização, estabelecendo, em todas as emissoras, a prática de regravação. A regravação obrigava aos profissionais da ativa selecionar as imagens e/ou reportagens que considerassem mais importantes para arquivar, porém, o material restante era desgravado, ou seja, a fita era reutilizada e gravavam-se imagens novas por cima das antigas. Esta era prática comum empregada no mercado pelas emissoras de televisão sediadas no interior no Rio Grande do Sul nos anos 70, 80 e boa parte dos 90, pois não só lhes faltava espaço físico adequado para o armazenamento como também o preço das fitas era alto, assim, o reaproveitamento era, também, uma medida de economia. Parece ser contraditório dizer que a história de uma emissora de televisão não possa ser recuperada através de imagens, mas infelizmente é o que a pesquisa empreendia tem mostrado que acontece, principalmente, em emissoras de pequeno porte e localizadas em regiões fora do eixo das grandes cidades. Segundo alguns entrevistados, a RBS TV Uruguaiana tinha o hábito de gravar imagens por sobre as outras para reaproveitar as fitas de vídeo. O não arquivamento das fitas impede o acesso a importantes dados que poderiam contribuir com a pesquisa. A partir do advento da tecnologia digital, essas emissoras passaram a se preocupar em organizar estes materiais e a disponibilizar, via site, os arquivos aos telespectadores. Porém, as imagens tratam de fatos recentes, os mais antigos ainda são raros e de difícil acesso. Outra situação que a pesquisa verificou foi em relação a documentos e registros escritos em emissoras do interior do Rio Grande do Sul. Com a rotatividade natural de profissionais, ocorria que muitos documentos não recebiam o arquivamento necessário restando nessas emissoras, na maioria das vezes, apenas um registro burocrático do setor de recursos humanos com dados mais objetivos, tais como, endereço, função na

4 4 qual fora admitido, ano de contratação e data de nascimento. Para uma pesquisa maior sobre o desenvolvimento deste profissional, as características de trabalho da época e o modo com o qual desenvolvia a sua produção na emissora bem como sua trajetória, não são passíveis de recuperação. E, segundo os relatos, muitos destes profissionais levavam consigo seus materiais e, com isso, de certa forma, os registros históricos, porém, se assim não o fizesse este material seria desgravado ou inutilizado. Diante do exposto, considerando que: 1) a documentação sobre o surgimento da emissora em questão é de difícil acesso, 2) a existência de poucos materiais de arquivos: os produtos gravados em fita magnética (analógica) veiculados pela emissora ao longo de 20 anos foram sendo desgravados, pois as fitas eram reutilizadas e, por fim, 3) muitos dos registros imagéticos existentes encontram-se em poder de terceiros que precisam ser cuidadosamente mapeados, o percurso metodológico escolhido para se tentar restabelecer a história de implantação da emissora de televisão RBS TV Uruguaiana recorreu a História Oral e ao emprego de duas técnicas de entrevista temática e de entrevista de história e vida. Os materiais empregados para esta primeira fase de coleta de informações constituíram-se em dois tipos: 1) documentos, registros oficiais e bibliografia direcionada ao tema (livros, publicações impressas, jornais, revistas e documentos existentes na emissora); 2) gravação de entrevistas em mídia digital (gravados em vídeo HD) realizadas com profissionais que atuaram mais recentemente na emissora (para posterior mapeamento dos mais antigos) e, por fim, 3) a observação empírica das produções que são exibidas pela emissora na programação cotidiana com vistas a compreender as relações que o produto final da atualidade estabelece com os modelos empregados ao longo dos anos. Nesta direção, para o primeiro tipo de material, o método de trabalho incluiu a sistematização dos dados, o exame e o recorte por nomes de profissionais e datas significativas, a seleção de material a ser digitalizado para arquivo da pesquisa e, por fim, o mapeamento das entrevistas com a busca pela localização dos próximos entrevistados. Nas entrevistas, utilizou-se de dois tipos: 1) a aberta, para compreender o próprio profissional (num primeiro encontro) e seu lugar de fala e a 2) direcionada: com perguntas organizadas a partir da primeira entrevista/fala do entrevistado e outras de interesse da pesquisa e complementares à investigação. Diante do exposto, a próxima secção propõe-se a recuperar alguns dados apurados que se constituem, em sua maioria,

5 5 dos resultados de pesquisa empreendida pelo Grupo de Pesquisa História da Mídia (GPHM) desde 2006 como, também, os resultantes da articulação e do confrontamento das entrevistas gravadas nos últimos dois anos. 3. Uma primeira parte da história No Rio Grande do Sul, a televisão surgiu em 1961, com a inauguração da TV Piratini, mas foi a TV Gaúcha, que surgiu no final de 1962, que inicia com uma forte programação local e vai se expandindo com emissoras regionais e sucursais pelo interior do Estado. Em 1969, quando se desvincula da TV Excelsior do Rio de Janeiro e passa a operar com a Rede Globo de Televisão 5, também uma empresa carioca, a TV Gaúcha inaugura duas emissoras no interior do estado gaúcho, a TV Caxias em 22 de fevereiro e a TV Imembuí, em Santa Maria, no dia 13 de dezembro. Dois anos depois, em 1972, a TV Gaúcha apresenta mais duas empresas regionais localizadas em cidades diferentes, por coincidência, ambas tinham o mesmo nome quando de sua fundação, TV Tuiuti, uma fundada em 30 de abril em Erechim e a outra na cidade de Pelotas, em 05 de julho. Em abril de 1974, surge a TV Uruguaiana e mais tarde, em 1977 a TV Gaúcha começa a integrar o estado no projeto Rede Regional de Emissoras, inaugurando neste mesmo ano a TV Bagé, em 19 de janeiro e a TV Rio Grande em 26 de outubro. Esta Rede integraria, ainda, já com o nome RBS TV, as emissoras de Passo Fundo, em 25 de maio de 1980; Cruz Alta em 22 de dezembro de 1987; Santa Cruz, em 28 de setembro de 1988 e Santa Rosa em 28 de agosto de Segundo SEIBT e SILVEIRA (2004): Em 1979, o Rio Grande do Sul superava São Paulo em termos de canais televisivos, com 13 emissoras, enquanto o outro estado detinha 11 emissoras. [...] Já em 1977, o Brasil contava com 75 emissoras de televisão e o cenário mais promissor da América Latina em termos de televisão local. (2004: p. 03) Não só esta interiorização promovida pela TV Gaúcha ajudou a consolidar a televisão como um espaço de produção regional no Rio Grande do Sul como também fortaleceu a programação exibida pela Rede Globo que, através destas emissoras 5 Quando surgiu, em 1962, a TV Gaúcha (hoje RBS TV), exibia programação local-regional e a programação da TV Excelsior, depois, em 1969, passou a retransmitir a da Rede Globo de Televisão, parceria que mantém até os dias atuais, tornando-se, ao longo dos anos, a afiliada mais produtiva da emissora carioca.

6 6 regionais e as antenas repetidoras, conseguia atingir uma grande audiência num largo espaço geográfico no estado. Esta grande audiência, durante muito tempo, não recebia outros sinais, ou seja, por longos anos, era a única emissora que emitia programação para essas regiões, pois as outras redes não tinham emissoras regionais e nem antenas repetidoras. Em tempo, mesmo a TV Gaúcha tinha dificuldades em manter suas antenas repetidoras em condições, pois se localizavam nos altos dos morros, locais de difícil acesso e sujeito a intempéries. Outra questão importante refere-se aos modos de produção, visto que, para muitas pessoas, a televisão era um instrumento de lazer, talvez o único, sendo que essa audiência acabava se tornando fiel/ cativa por falta de opção. Nesse contexto, paulatinamente, os modos de fazer televisão da TV Gaúcha e da própria Rede Globo consolidavam-se como hegemônicos, educando muitas gerações e construindo um padrão que era compreendido e aceito. A pesquisa bibliográfica empreendida também mostrou que a interiorização da TV Gaúcha no Rio Grande do Sul ocorre com mais força nos anos mais duros da ditadura militar que dominaram o Brasil de 1964 até meados dos anos 80. Como remonta a história recente, de 1969 a 1974, no governo de Emílio Garrastazu Médici, foram os anos de maior cerceamento da liberdade de imprensa, ocorreram inúmeros fechamentos de veículos de comunicação e a perseguição ideológica sobre muitos jornalistas. É no período mais acirrado, de 70 a 74, de certa forma, que ocorre esta interiorização compactuando com uma idéia de governo vigente que pretendia integrar todas as regiões do país e da qual a Rede Globo se beneficiou consolidando-se como grupo hegemônico de comunicação no Brasil. E, ao seu turno, a expansão da TV Gaúcha foi fundamental neste processo no território gaúcho, permitindo não só o crescimento da Rede Globo como também o seu próprio aliado ao fato de que ambas ajudaram!" &!2#3$"!" 5+-5!" +3" )52#38$!9:(" 2!'5(2!*/" propagada pela ditadura militar. Mas, este paper não se deterá a este tema, como bem aponta o resumo, sendo assim, na próxima secção tratar-se-á de apresentar um relato comentado sobre a história de implantação da TV Uruguaiana. 4. Levantamentos sobre a RBS T V Uruguaiana Até esta etapa da pesquisa, com o material coletado, foi possível recuperar uma parte da história de surgimento da emissora que, do ponto de vista investigativo,

7 7 apontou para diferentes versões. A primeira delas, encontrada em livros como o de SCHIRMER (2002) e manuscritos/textos da própria emissora narra sobre a existência de uma campanha de arrecadação de fundos a Fundo Comum de Garantia de Serviço e Crédito da Rádio e Televisão São Miguel Ltda, iniciada em 1969, pelo representante da Mitra Diocesana de Uruguaiana, Bispo dom Augusto Petró em parceria com o diretor da Rádio São Miguel, professor João Antônio Souto. A promoção, que envolvia o comércio da cidade, cobrava 100 cruzeiros novos e o comprador tinha direito a um desconto na compra de um aparelho de televisão nas casas de eletrodomésticos conveniadas. A Rádio São Miguel, de propriedade da Igreja Católica e, por conseqüência, quem detinha a concessão de televisão, pretendia construir um prédio onde funcionaria a Rádio São Miguel, o Jornal Cidade e a Televisão Quero-Quero, como havia sido batizada a emissora. Com a idéia de organizar a construção deste prédio é que foi promovida essa campanha de arrecadação de recursos que mobilizou toda a sociedade da época. Apesar de a arrecadação ter sido bem sucedida, houve um atraso na estruturação e no funcionamento da emissora devido, segundo SCHIRMER (2002), à crise financeira vivida no estado e no país. Para fechar o capital que faltava, o grupo de empresários de Uruguaiana negocia com Maurício Sirotsky Sobrinho que completa a verba que faltava para concretizar a implantação da emissora. Porém, para o historiador Ramão Aguilar, ex-funcionário da RBS TV Uruguaiana, a história era outra. Ele afirma, no livro de EMERIM & PIPPI (2007) que a Rádio São Miguel fundou em Uruguaiana a Televisão Quero-Quero que deveria ser uma emissora moderna que atendesse toda a região e, para isso, contratou o engenheiro Moacir Ramos Martins bem como foram adquiridos os equipamentos necessários para o seu pleno funcionamento. Porém, como somente esta parte do projeto já havia desembolsado uma grande soma, para manter a emissora, na época, a saída mais eficaz era arrecadar fundos através da venda de títulos abertos a qualquer interessado. E, para AGUILLAR (2007), a entrada da TV Gaúcha no negócio televisivo em Uruguaiana deve-se muito mais às dificuldades de manutenção de uma emissora local, sem a logística necessária para tal proposta, do que a ampliação ou a própria potencialização da emissora, como mostra a primeira versão. A TV Uruguaiana foi então inaugurada em 03 de abril de , exibindo uma programação local/regional e outra nacional, já 6 Alguns autores apontam o dia 02 de abril, porém, a divergência de datas ocorre somente entre o dia 02 e

8 8 repetindo a grade da Rede Globo em programas como Jornal Nacional, as novelas e as coberturas dos eventos esportivos. Segundo BERGUESCH (2010) e SCHIRMER (2002), as dificuldades tecnológicas eram muitas, pois a emissora não tinham link entre ela e a cidade de Santa Maria, a mais próxima geograficamente e a segunda emissora do grupo a ser criada no interior gaúcho em dezembro de A rotina fazia com que os profissionais gravassem o Jornal Nacional, as novelas, shows musicais e eventos esportivos em videotape e os exibissem um dia depois na cidade e região. Repetindo a história do meio televisivo no mundo e no Brasil, a TV Uruguaiana formou a sua primeira equipe e programação com base não só nos profissionais do rádio e do jornal impresso que atuavam na cidade e na região como também a estrutura de programas que já eram conhecidos no rádio gaúcho. Em relação aos profissionais, o primeiro diretor foi Francisco Soler, um uruguaio naturalizado brasileiro e na equipe de atuação direta no vídeo regional despontam como nomes destes primórdios da televisão em Uruguaiana os radialistas Antônio Souza, Mário Dino Papaléo, Marques Acunha, Milton Souza, Paulo Santana e Paulo Soares. Entre as peculiaridades da TV Uruguaiana está o embrião do programa tradicionalista mais conhecido do sul do país, o Galpão Crioulo, que a pesquisa mostra ter surgido a partir da matriz do programa Quando os Povos Cantam, na época produzido por Juarez Bittencourt e Antônio Augusto Fagundes, apresentado, inicialmente por Milton Souza. Este programa não só trazia a interlocução entre as diferentes culturas da fronteira oeste do RS como apresentava atrações internacionais da América Latina com músicos e artistas da Argentina, do Uruguai e do Paraguai sendo considerado o primeiro programa bilíngüe na história da tevê gaúcha, pois era apresentado com dois apresentadores: um brasileiro e outro argentino, segundo aponta EMERIM & PIPPI (2007) 7. Nos primeiros anos, a TV Uruguaiana não tinha muito alcance regional e os municípios da região só poderiam acompanhar as notícias de sua cidade se fossem à cidade de Uruguaiana para acompanhar a programação. Eventualmente, eram exibidas reportagens com informações das cidades próximas, mas, somente, os temas mais diferenciais, polêmicos e de catástrofes. Foi somente nos anos 80 que as cidades maiores da região de cobertura da TV Uruguaiana passaram a contar com as sucursais 03 de abril. 7 Informações contidas num texto escrito enviado por aos alunos pesquisadores do GPHM em 2007, pela própria Televisão Uruguaiana.

9 9 que funcionavam mais como escritórios comerciais visto que não tinham repórter ou cinegrafistas sediados nas cidades, sendo enviada uma equipe a cada localidade para fazer cobertura dos eventos. As equipes passavam um dia inteiro gravando diferentes materiais que eram exibidos, então, de forma paulatina, na programação em Uruguaiana. O que se pode apreender, objetivamente, do ponto de vista histórico ou de implantação, é que os direitos de transmissão da Televisão São Miguel, pertencente a um grupo de empresários e a Cúria Metropolitana de Uruguaiana, que era o maior acionista, foram comprados pela Rádio e TV Gaúcha e que esta implantou, de fato, a televisão na cidade, sendo que a programação local/regional já partiu das proposições de programação e de formatos que a TV Gaúcha vinha construindo em suas outras emissoras e, com mais força em Porto Alegre, porém, a equipe local passou a construir propostas que refletiam os interesses e as características do gosto do povo regional. Apreende-se, também, que estes programas não permaneceram na programação diante da enorme dificuldade de custos de produção na época bem como os programas de grande repercussão nas emissoras regionais passavam a ser cooptados para fazer parte da programação que era exibida para todo o estado, mudando sua estrutura para a sede na capital, sendo produzidos e gravados direto de Porto Alegre para o restante do estado. No percurso de mercado da TV Gaúcha, em 1979 ela passou a ser denominada de RBS TV Porto Alegre e todas as emissoras de sua rede pelo interior passaram-se a se chamar RBS TV mais o nome da cidade sede. 5. Um pulo na História: de 1996 a 2001 Como se apontou anteriormente, os percursos da presente pesquisa têm seguido a História Oral e tem apurados muitos de seus dados através do método de entrevista. Estas entrevistas não têm seguido uma ordem cronológica de participação na história de implantação desta emissora, visto que muitos profissionais não habitam mais a região, alguns outros falecidos e muitos não tem os endereços facilmente localizados. Por isso, a pesquisa tem recorrido frequentemente aos profissionais cuja história mais recente auxilia a compreender os processos de produção e a própria evolução histórica da emissora e não eventualmente tem sido eles que indicam os caminhos para o desenvolvimento dos objetivos de pesquisa. Assim sendo, a presente secção apresenta

10 10 um breve relato sobre duas entrevistas realizadas que ajudaram a mapear e a organizar investigação a ser seguida. Entre 1996 e 1999 quem esteve à frente da Coordenação de Jornalismo da RBS TV Uruguaiana foi o jornalista Paulo de Tarso. Neste período, a empresa passava por um momento de crise econômica e operou uma redução no seu quadro de funcionários. Na emissora de Uruguaiana a redução foi de 50 por cento, restringindo sua equipe de repórteres em apenas quatro pessoas que, em vários momentos desta trajetória, ficou restrita a três profissionais. Em tempo, a RBS TV Uruguaiana recobre oito municípios da fronteira oeste do estado gaúcho (Itaqui, Barra do Quarai, São Borja, Maçambará, Alegrete, Manoel Viana e Quarai e, eventualmente, as cidades argentinas e uruguaias que fazem fronteira com alguns dos municípios), atinge 360 mil habitantes, num total de 120 mil domicílios com televisão e cerca de 850 clientes ativos, segundo dados obtidos em BORTOLON (2001). Neste cenário, Paulo de Tarso vivenciou a implantação de um modelo de atividade profissional muito utilizado no mercado americano, mas incomum no Brasil: o videorrepórter ou, como popularmente é chamado, o repórter abelha. Tal denominação deve-se ao fato de que este profissional condensa quatro atividades da estrutura produtiva em televisão: pauteiro, produtor, cinegrafista e repórter e, muitas vezes, também alia a função de editor. Para dar conta da agilidade necessária e da necessidade de cobertura dos oito municípios que são distantes entre si geograficamente, o repórter abelha foi inserido em!*8.&!," +!,",.'.$,!5," +!," '5+!+3," +3"!;$!28<2'5!" +!" )Reativamos nessa época a sucursal de Alegrete, inaugurando os abelinhas. Depois de trazer para!"#$%#&#'#((#')*+#"*,'-*)#./)*('/'0%*+123%'#)'45*'6*%7/8 (TARSO, 2010). Nesta época, a televisão profissional de Uruguaiana utilizava-se de um equipamento quase amador para a produção de seus materiais, o Super VHS, em fita magnética, o que limitava a qualidade da imagem visibilizada pela emissora local, quando em exibição com as outras grades de programação, da própria RBS Porto Alegre e da Rede Globo. As reportagens produzidas nestas cidades, especialmente, São Borja e Alegrete, eram realizadas em apenas um dia, com uma pré-produção via telefone. Mas antes de se ter um profissional em cada sucursal, eles ficavam sediados em Uruguaiana e se deslocavam para fazer uma cobertura em dias definidos. Devido à falta desses profissionais nestas cidades e o reduzido número da equipe em Uruguaiana, a emissora reduziu a demanda, 9/'#)3((*%/'0/%*1'+#'0%*+123%'0/%/'*'6*)':3/';3*'<%/=+#,'>1#'

11 11 antes tinha o bloco local que foi, praticamente, desativado. Tínhamos que trabalhar )13&*,'-*)'0*1-/'$#=&#8 (TARSO, 2010). Somente em 1999 é que a emissora passa por uma evolução tecnológica como conta Roni Padilha (2010), coordenador entre 1999 e 2001: Nesse período houve também uma transformação tecnológica muito grande, foi exatamente a fase de mudança de formatos de gravação. A RBS TV Uruguaiana sai do formato que eles utilizavam o Super VHS, uma fita próxima do VHS, com qualidade um pouco melhor, e passa para um sistema digital, no caso o DVCAM. (PADILHA, 2010) Os coordenadores tinham que trabalhar com a precária estrutura como, por exemplo, a geração de imagens, na época, utilizava canais da CRT, a antiga companhia Rio-grandense de Telecomunicações. Foi entre 1999 e 2000 que iniciou a implantação de equipamentos para que isso fosse melhorado: Começaram a instalar dentro da própria emissora o sistema para geração de imagens, ficou mais fácil e a praticidade ajudou muito. Porque antes disso tínhamos que fazer os )stand-ups/, os famosos boletins, as entradas ao vivo, na frente da CRT, na calçada. A partir das transformações, isso começou a mudar, começamos a fazer na frente da emissora, isso passa mais credibilidade ao telespectador, ver!" &!$'!" +!" 3&6$3,!" 2(" )!(" %5%(/. (PADILHA, 2010) Além das dificuldades com infra-estrutura, a empresa enfrentava uma crise de mercado. Apesar da grande oferta de cursos de comunicação no interior do Estado, em cidades como Bagé, Santa Cruz, Ijuí, Cruz Alta, etc, existia o obstáculo de levar profissionais, recém formados para Uruguaiana, devido à distância da cidade dos grandes centros, como enfatiza PADILHA (2010): 9/3=+/' &3=?/' /' >1#(&5*' +*' que era baixo realmente e não cobria nem o custo de vida. Ninguém queria vir para a A%*=&#3%/8. Nas cidades de cobertura como São Borja e Itaqui, por exemplo, o serviço de imagens era feito por alguém contratado, como um serviço terceirizado, isso acontecia também na parte comercial, onde essas imagens eram vendidas para a emissora. Em outros locais como Quarai e Barra do Quarai, era feito um agendamento periódico, em determinado espaço de tempo, 10 em 10 dias, deslocava-se uma equipe para fazer as matérias locais, abrindo exceções quando um acontecimento de grande importância

12 12 exigia a presença da equipe que era composta por cinco repórteres, um estagiário e três cinegrafistas, entre 1999 a Até chegarmos a uma estrutura assim, demorou um pouco, cheguei em abril de 1999 na RBS TV Uruguaiana, só no final do ano consegui todo o pessoal, até contratar e treinar demorou um pouco. Vieram profissionais de Passo Fundo e Santa Maria, principalmente dessas duas cidades, porque estavam A($&!2+(" ;!,#!2#3" 1($2!*5,#!," *B0"!*-&" +!" $3!#5%!9:(" +(" 6$(13#(" )C!$!," Novas 8 /" D.3" 3$!" +!" EFG0" 3H!#!&32#3" 6$!",.6$5$" 3,,!" 23'3,,5+!+3" +3" emissoras +("52#3$5($/"IJKLMNOK0"PQRQS Depois de estruturada a equipe, o passo seguinte seria estabelecer os critérios de noticiabilidade. A emissora estabeleceu como prioridade a abrangência da notícia, a proximidade com o público de audiência, dando ênfase ao regional em detrimento do local, respeitando o que fosse de mais interessante para a comunidade na região, tanto é D.3" )às vezes a pauta aqui de Uruguaiana surgia e passava para outra cidade, São Borja, por exemplo, porque tem ainda a questão do contato com as fontes de 3=A*%)/.5*8 (PADILHA, 2010). O entrevistado refere-se ao contato que a comunidade ou fontes principais tem com a emissora. É importante para uma empresa jornalística ter um meio de contato com a população para ouvir sugestões de pauta e receber informações que são de interesse público, isso deve ser passado e instruído não só para a parte de jornalismo da empresa, mas para a parte comercial, para os técnicos, para os funcionários em geral. Vai que mandamos alguém da equipe para manutenção e um morador chega para ver o que está acontecendo, já inicia uma conversa informal, de repente ele passa algo importante para nós. É fundamental perfil de profissionais assim dentro dos meios de comunicação, que criem essa proximidade com a população local. (PADILHA, 2010). Até 2001, quando Roni Padilha estava ocupando o cargo de Ccoordenador de Jornalismo da RBS TV Uruguaiana não havia repórteres abelha. Situação que foi 8 O Projeto Caras Novas é uma estratégia criada pelo Grupo RBS no Rio Grande do Sul para suprir a carência de profissionais capacitados para atuar em televisão. Constitui-se de um curso de qualificação sobre os processos de produção da RBS TV destinado aos estudantes que se encontram no último semestre do Curso de Jornalismo ou recém formados. Estes passam por um processo seletivo e, se aprovados, estudam e exercitam-se por um ano com os profissionais da própria emissora, sendo a maioria deles absorvido pela RBS TV em diferentes praças, os mais destacados passam a atuar na sede em Porto Alegre.

13 13 revertida na gestão de Maria Helena Soares, que re-implantou esta proposta, porém, sobre esta temática, a presente pesquisa ainda não teve a oportunidade de entrevistá-la. O estúdio completo, as ilhas de edição e a Coordenação Regional continuam em Uruguaiana, atualmente apresentado por uma âncora, a jornalista Vanessa Backes, no bloco do meio dia no Jornal do Almoço e pelo atual coordenador, Cristiano dos Santos, no bloco da noite no RBS Notícias. Além destes profissionais, em seu quadro atual de telejornalismo a emissora possui um repórter que cobre São Borja e Maçambará, três em Uruguaiana que são responsáveis pela cobertura naquela cidade, além de Itaqui e Barra do Quarai e um em Alegrete que é responsável ainda por Quarai e Manoel Viana. Considerações Estes relatos permitem compreender alguns pontos desta trajetória como também apurar que eles continuam vigentes embora tenha ocorrido inúmeras mudanças tecnológicas e de marcado de televisão. A primeira consideração, do ponto de vista histórico, pode-se afirmar que a implantação da TV Uruguaiana ocorreu de forma similar a de outras emissoras da região do interior do Rio Grande do Sul pelo Grupo RBS, a compra das ações de empresários e/ou comunidade local que por inexperiência no negócio televisivo precisam vender para permanecer no mercado e potencializar as produções locais. A pesquisa mostrou que o tanto a RBS TV Porto Alegre (TV Gaúcha) como a Televisão Uruguaiana tinham um espaço considerável para a apresentação local e que foram perdendo esse espaço para as produções de rede nacional emitidas pela Rede Globo e, mais especificamente, a TV Uruguaiana, para a própria RBS TV Porto Alegre. Outra constatação que a pesquisa mostrou é que a economia impetrada pelas administrações do negócio de televisão foi o motivo para a venda das televisões regionais em poder da comunidade para os grandes grupos como também foram fator preponderante para a redução do espaço local de exibição dessas realidades específicas em detrimento de uma realidade mais homogênea e globalizada: o interior do estado gaúcho perdendo espaço para os interesses da capital Porto Alegre que, por sua vez, perdia espaço do Rio Grande do Sul para as realidades e interesses do Rio de Janeiro, cidade sede e centro de produção da maioria da programação gerada pela Rede Globo.

14 14 A economia, ou a pretexto de, implicou na redução do espaço de visibilidade local nas televisões regionais do interior do Rio Grande do Sul que desde sua implantação lutavam contra os altos custos de produção deste produto. Nos modos de produção, especificamente, os documentos pesquisados até então e as entrevistas coletadas mostram que as alternativas de manutenção do negócio precarizam a informação ou sobrecarregando profissionais com diferentes e importantes funções na estrutura produtiva T como a função repórter abelha (que tem que produzir telejornalismo diariamente exercendo as funções de pauteiro, produtor, cinegrafista, repórter, editor e motorista da unidade móvel) ou reduzindo sobremaneira os espaços locais diminuindo, desta forma, a demanda de produção (o que acarreta em diminuição das equipes de trabalho). A estrutura apresentada pelo presente artigo mostrou que a falta de memória das emissoras no interior do Rio Grande do Sul deve-se aos pequenos espaços em que funcionavam estas emissoras que além de não terem a preocupação com o arquivo histórico, também não tinham estrutura financeira para tal procedimento (ausência de espaço físico e material para arquivo (fitas)). O artigo também apontou que a economia ou as limitações financeiras foram fundamentais para a imposição de estratégias mercadológicas cujo único elemento que não se tinha pudor em diminuir era exatamente (" 6$(+.#(0",32+(" 3*3" +3" )32#$3#325&32#(" (." +3" U.",31!0"!(" +5&52.5$" equipes (implantando o repórter abelha), baratear a aquisição de equipamentos optando por tecnologia amadora (caso do SVHS) e reduzindo o espaço de visibilidade local (pois no interior há menos investimento das empresas em publicidade de televisão - que é a mais cara entre todas as mídias -), contribui-se de um lado para a homogeneização das práticas produtivas 3" +(," &(+(," +3" )$3!*5V!9:(/"3&" #3*3%5,:(" D.3"!'!;!&",38.52+("(" que as cidades grandes ou grandes capitais produzem bem como, por outro lado, desqualificam a força das comunidades locais que ou não têm espaço de tempo para se fazerem ouvidos ou quando tem são extremamente restritivos. A pesquisa histórica aliada à preocupação em compreender as práticas produtivas pode contribuir para a reflexão crítica do mercado televisivo atual bem como propor alternativas de produção que possam reconstruir um caminho de uma prática em prol do social, sem ser ideológica ou demagógica. A exemplo, as emissoras aqui tratadas, TV Gaúcha e TV Uruguaiana que começaram suas trajetórias valorizando e

15 15 significando o espaço do local na tela da televisão do Rio Grande do Sul e hoje tentam retomar esta perspectiva para dar conta de uma grande parcela do mercado que está migrando para outras mídias e/ou canais televisivos. Porém, este retorno ao local se dá pelos moldes do econômico, das estratégias mercadológicas, sem se pensar em suas especificidades e, em verdade, no quanto a sua própria trajetória histórica poderia contribuir para esta retomada de programação do local/regional para o global, buscando novas propostas de aproximação com os telespectadores não só pelos modos de interpelação bem como pela proposição de formatos televisuais diferenciados e, quem sabe, inovadores. Referências ALBERTI, Verena. Manual de História O ral. Rio de Janeiro: Ed. FGV, BERGESCH, Walmor. Os televisionários. Porto Alegre: Ardotempo, CAPARELLI, S. Ditaduras e indústrias culturais no Brasil, na A rgentina, no C hile e no Uruguai. Porto Alegre: UFRGS, CAPARELLI, Sergio et all. Enfim, sós: a nova televisão no Cone Sul. Porto Alegre: L&PM/ CNPQ, KLIPP, Suzana. Apontamentos para uma história da televisão no Rio G rande do Sul. Porto Alegre: Unisinos, MATTOS, Sérgio. História da Televisão no Brasil. Petrópolis: Vozes, PEREIRA (orgs.), Joseline PIPPI e Cárlida EMERIM Jacinto. Memórias sobre a imprensa em São Borja. Santa Maria: Ed. PROGRAD/UFSM, REZENDE, Telejornalismo brasileiro: um perfil editorial. São Paulo: Summus, RIBEIRO, Igor SACRAMENTO, Marco ROXO e Ana Paula Goulart. História da televisão no Brasil. São Paulo: Contexto, SCHIRMER, Lauro. RBS: da voz-do-poste à multimídia. Porto Alegre: L&PM, Referências eletrônicas GRUPO RBS. TV Uruguaiana, In: htpp://wp.clicrbs.com.br/rbstvuruguaiana/?topo=52,1,1,268,e268; acessado em 20 de novembro de BORTOLON, Clodovi. A percepção da comunidade sobre a contribuição econômica e social de uma empresa de comunicações para o desenvolvimento regional B o Caso da RBS TV Uruguaiana Ltda na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. In: posta_bortolon.pdf; acessado em 12 de outubro de SILVEIRA, Micheli SEIBT e Ada Cristina Machado da. O surgimento da tv local e artesanal nas Terras de Fronteira do Brasil Meridional. In: acessado em 23 de janeiro de Depoimentos PEREIRA, Paulo de Tarso. Paulo de Tarso Pereira: depoimento [setembro de 2010], Alegrete. Unipampa, Entrevista concedida ao Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Telejornalismo (GIPTELE). PADILHA, Roni César Barros. Roni César Barros Padilha: depoimento [novembro de 2010], Uruguaiana. Unipampa, Entrevista concedida ao Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Telejornalismo (GIPTELE).

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