A MORTE SERVIDA NA HORA DO ALMOÇO: O PAPEL DA TELEVISÃO NA BANALIZAÇÃO DA MORTE E NA DESVALORIZAÇÃO DA VIDA

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1 A MORTE SERVIDA NA HORA DO ALMOÇO: O PAPEL DA TELEVISÃO NA BANALIZAÇÃO DA MORTE E NA DESVALORIZAÇÃO DA VIDA Enzo De Lisita* Resumo: O presente artigo reflete sobre a banalização da violência na televisão brasileira. Tem como referencial a Rede Globo que ao mostrar a execução de um assaltante pela PM do Rio de Janeiro sem exibir cenas de sangue ou vísceras, busca vender a ideia de respeito ao telespectador, mas na verdade também contribui para a banalização da morte e a desvalorização da vida e para a criação de um tribunal de exceção virtual. Palavras-chave: Televisão, violência, vida, morte, tribunal de exceção.

2 * Enzo De Lisita. Mestrando em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento pela PUC-Goiás. Especialista em Direito das Obrigações e Contratos pela UFG. Graduado em Direito e em Comunicação Social (R/TV) pela UFG. Professor da PUC. Bolsista CNPQ (Criminalidade, Violência e Mídia). 1- INTRODUÇÃO No dia 25 de novembro de 2009, moradores da Rua Pereira Nunes, no Bairro da Tijuca viveram uma manhã de violência, já comum para quem mora em algumas regiões da cidade do Rio de Janeiro. Na oportunidade, um rapaz após a tentativa frustrada de um assalto fez uma mulher como refém e arrastou-a até a rua. Ele a manteve neutralizada com uma das mãos e com a outra ameaçava detonar uma granada. De acordo com a Polícia Militar, após tentativas frustradas de negociação o rapaz foi eliminado com um tiro na cabeça e a refém resgatada com segurança. Tudo isto acompanhado por uma equipe da Rede Globo. O objetivo primordial da presente análise não é interpretar a ação da polícia, que talvez pudesse ter agido com mais cautela, ou de desconsiderar o pânico da mulher, da família dela e de milhares de brasileiros que são vítimas diárias da violência nas grandes cidades. O propósito é refletir sobre a banalização da violência na televisão brasileira, e, no caso específico, a Rede Globo que tradicionalmente adota uma conduta mais discreta, reservada, asséptica quando se trata de mostrar imagens de violência que choquem o telespectador. No propósito de manter este padrão clean o Manual de Telejornalismo da Rede Globo determina que sejam tomados certos cuidados na hora de mostrar imagens violentas. No tópico sobre questões éticas o manual afirma que a A Central Globo de Jornalismo não noticia: cenas de extrema violência tipo fuzilamento, enforcamento etc (Rede Globo, 1984, p. 18). Ao se observar a reportagem uma primeira análise conclui-se que o manual foi seguido. Exibiu-se uma morte limpa, sem sangue, imagens feitas à distância. Não foram mostrados pedaços do cérebro rolando pelo asfalto. Também não foi editada uma repetição da cena que registrou o momento em que a bala atingiu a cabeça do rapaz e o matou. Tudo diferente do que costumam fazer os programas exibidos por âncoras/paladinos da moral e da justiça no final da tarde em outras emissoras. Com isto, vende-se uma aparência de respeito ao telespectador que não se sentiria agredido com sangue e vísceras sendo derramados na sua tela. Mas a realidade é outra. 2

3 2- A REPORTAGEM A cena da morte do assaltante naquela sexta-feira fez parte do cardápio de muitas famílias na hora do almoço. O Jornal Hoje, da Rede Globo, apresentado por volta das 13 horas noticiou o episódio. A Apresentadora Sandra Annemberg anunciou a reportagem com o seguinte texto: E agora um assalto com refém, na Zona Norte do Rio de Janeiro, que terminou com a libertação da vítima e a morte do bandido. A nossa equipe acompanhou a toda a negociação da policia. A morte do bandido veio por último, representando a ideia de que era de menor importância. O tempo de VT da reportagem foi de 1 minuto e 29 segundos. O nome da repórter não foi falado pela apresentadora e nem apareceu nos caracteres. As imagens são de Luiz Júnior e Roberto Mello. De forma resumida a reportagem apresentou as seguintes informações: (Off) Afirmou que o rapaz tentou roubar um carro dos Correios, que policiais cercaram uma farmácia para onde ele fugiu, que o bandido fez uma refém e estava com uma granada. Várias pessoas acompanhavam o episódio enquanto policiais tentavam acalmá-lo. Um atirado de elite estava escondido em um prédio vizinho. Muito tensa, a refém se abaixou e o policial atirou, atingindo-o na cabeça. A cena do tiro foi gravada de certa distância, mas suficiente para que os protagonistas fossem identificados. (Passagem) A repórter contou que foi mais de uma hora de tensão e teve a preocupação de mostrar que o tiro que acertou o bandido atingiu também um portão de um prédio. (Entrevista) Em seu gabinete o comandante do 6º Batalhão da PM disse que o objetivo era sair de lá com o assaltante preso, mas este demonstrou estar cada vez mais agressivo e afirmou: nos decidimos neutralizar e assim o fizemos com sucesso, concluiu. Não foi mostrada nenhuma repetição do disparo e da queda do assaltante. A imagem exibida não derramou uma gota de sangue, foi uma morte limpa, para não chocar e nem atrapalhar o almoço de ninguém. Já o programa Brasil Urgente, apresentado por José Luiz Datena, na Band, no final da tarde, exibiu cenas feitas de outro ângulo, também à distância, que mostram o corpo do rapaz já caído e uma poça de sangue no chão. Na reportagem da Globo o rapaz acusado do crime foi nominado três vezes como bandido e outras três como assaltante. A vítima, quatro vezes como refém. Em 3

4 nenhum momento foram apresentados os nomes dos dois e nem esclarecido se o rapaz possuía antecedentes criminais. Uma informação pouco relevante dentro do contexto da televisão brasileira, afinal, como já afirmara Pierre Bourdieu, nomear é fazer ver, é criar, levar à existência (Bourdieu, 1997, p. 26). Para aqueles que entendem ser a televisão um meio imediatista, pouco afeto a reflexão, é irrelevante o nome de cada um dos personagens de mais uma história da vida real, o importante é levar a notícia de imediato, dar um furo, mostrar antes da concorrência. O bandido, o heroi e a refém eram apenas personagens de uma novela urbana exibida no início da tarde e que para muitos, vale a pena ver de novo. Um enredo folhetinesco com uma narrativa dramática, fechada, com personagens definidos: o vilão (o assaltante), a vítima (a refém), o heroi (o PM) e a plateia aplaudindo (populares). Para saciar o público, em especial a manipulável e assustada classe média, vítima preferida de crimes materiais, cria-se um júri virtual. A televisão cumpre um falso papel de praça pública intermediando conflitos e temores privados em um espaço público e não necessariamente plural e democrático. De uma forma sutil, a partir da força da imagem, tornou-se desnecessário existirem mil palavras. Estava decido, o rapaz era um bandido, a morte dele era um alívio para a sociedade, provavelmente não seria chorada por ninguém. O enredo maniqueísta estava composto. A acusação vem servida com seus ingredientes já demarcados por um olhar moralizante e maniqueístas; o campo do mal destacado do campo do bem, anjos e demônios em sua primeira aparição inconfundíveis (Batista, 2003, p. 14). 1 Neste sentido foi criado um tribunal de exceção rápido, imediato sem a morosidade do Poder Judiciário que julgou, condenou e executou a sentença: a pena de morte. A maior preocupação foi mostrar a execução de mais um bandido que não vai fazer mal à sociedade. Princípios elementares do jornalismo no sentido de construir uma reportagem completa, com todas as informações necessárias para o telespectador foram esquecidos. 1 Na mesma obra Batista trata com propriedade a relação do sistema penal brasileiro com a mídia, em especial o programa Linha Direta da Rede Globo. Aborda os júris virtuais sem contraditório, onde a televisão interfere no papel de Estado, dentro do contexto neoliberal de diminuição do Estado. 4

5 Na reportagem da Rede Globo, e de outras TVs também, não se verificou junto à polícia se a granada era de verdade, se havia conteúdo explosivo. Não foi realizado nenhum questionamento sobre a necessidade de atirar na cabeça. Atirar na cabeça significa atirar para matar. Trata-se de uma execução, seja a pessoa criminosa ou não. Se o assaltante fosse um alucinado jovem branco da Zonal Sul que subiu o morro em busca de drogas, haveria o mesmo tratamento dispensado pela polícia e pela mídia ao morto? A falta deste e de outros questionamentos são também características do telejornalismo brasileiro, estruturado na velocidade, nas notícias rápidas, no desprezo pela reflexão e no pré-julgamento. 3- IMAGEM x TEXTO O manual de redação da Rede Globo trata de uma possível hierarquização entre a imagem e o texto dentro da televisão. O papel da palavra é enriquecer a informação visual. Quem achar que a palavra pode competir com a imagem está completamente perdido (Ibid, p.11). Aplicando tal princípio para o caso em estudo, torna-se desnecessário fazer perguntas e questionar, as imagens mostraram tudo. O bandido é bandido, ele estava com uma granada na mão e ameaçava matar uma cidadã de bem. Vera Íris Paternostro, nascida e criada na Central Globo de Jornalismo, após admitir que a televisão é superficial por natureza e imediatista, que deixa a desejar quando se trata de analisar a informação de forma mais aguda, justifica que tais desvantagens têm o lado positivo: A TV pode abrir o apetite dos receptores da mensagem e estimular a investigação, a busca diversificada da informação, uma vez que seu público, tendo tomando conhecimento da dimensão do fato, pode não se sentir satisfeito de forma total. É diante desse raciocínio que podemos entender um poder motivador da TV enquanto meio de comunicação. (Paternostro, 1987, p. 35) (grifo nosso) Esta é uma da muitas argumentações para justificar a televisão como um meio de comunicação superficial, pouco voltado para o pensamento. No melhor estilo fast-food, a televisão serviria apenas para abrir o apetite, para provocar o telespectador que teria que ir atrás da informação completa em outra mídia, ou restaurante. A velocidade e o pensamento reflexivo não conseguem produzir um diálogo eficiente, Bourdieu (Ibid, 1997) aborda com propriedade tal incompatibilidade. Por isto, como a televisão é imediatista, acaba por dificultar o ato de pensar. A urgência e o 5

6 pensamento não correm juntos, na urgência torna-se mais difícil pensar e pensar pode se tornar um ato subversivo. A morte do assaltante continuou repercutindo nos telejornais da Rede Globo. Na versão do dia seguinte, sábado, 26 de setembro, o Jornal Hoje mostrou com muito choro e emoção, a visita que o policial/atirador realizou à casa da refém. Ela o qualificou como heroi. Em relação ao assaltante nada foi mencionado. O bandido continuou sendo bandido. 4- AUDIÊNCIA A continuação da narrativa do episódio tem também outro matiz, o da busca de audiência. O sucesso de um programa (ou telejornal) é medido por esse índice: quanto maior o público, maior o sucesso (Paternostro Ibidem, p. 37). A autora foi sincera, assumiu a postura de quem opta pela quantidade em detrimento da qualidade. Exibir as imagens de um assaltante levando um tiro na cabeça gera audiência. E mais ainda se a sociedade, grosso modo, sentir-se saciada, justiçada com a morte de mais um bandido. É o que Bourdieu denomina de violência simbólica, que se exerce com a cumplicidade tácita dos que a sofrem e também, com a frequência, dos que a exercem, na medida em que uns e outros são inconscientes de exercê-la ou de sofrê-la (Ibidem, 1997, p. 22). Muitas pessoas que aplaudiram ao vivo, ou vibraram diante da tela de televisão com a execução podem também ser vítimas de um episódio semelhante no futuro, principalmente se fizeram parte da senzala e não da casa grande. Comparando-se a televisão com outras mídias, é possível perceber que devido ao imediatismo, ela é mais propensa, pelo menos na primeira veiculação, a não divulgar as informações completas de um fato prejudicando o bom esclarecimento do episódio. A título de comparação, na data do episódio, 25 de novembro, a versão virtual do jornal O Globo noticiou o fato às 20h57, texto assinado por Ronaldo Braga já contendo os nomes do assaltante, da vítima, do PM que atirou e mais detalhes sobre os envolvidos no episódio. RIO - A comerciante Ana Cristina Garrido, de 48 anos, que passou cerca de 40 minutos em poder de um bandido na Rua Pereira Nunes, na Tijuca, contou que chegou a desmaiar durante a ação, na manhã desta sexta-feira. A dona de uma farmácia, que prestou depoimento durante quase uma hora na 20ª DP, em Vila Isabel, disse ainda que ao tentar sair da farmácia, o criminoso deu uma gravata nela e disse que ela era a única pessoa que poderia tirá-lo dali. 6

7 O criminoso, identificado como Sérgio Ferreira Pinto Júnior, de 24 anos, tinha duas passagens pela polícia. A delegada Renata Rocha, da 20ª DP, disse que as duas passagens foram nos anos de 2005 e 2008, por porte ilegal de armas e furto. O crime aconteceu por volta das 9h30m. Segundo a polícia, depois de uma hora de negociação, o bandido saiu da farmácia com a refém e andou alguns metros quando um atirador de elite, o major Busnello, chefe da 3ª Seção do 6º BPM (Tijuca), aproveitou o momento em que a refém desmaiou e fez um disparo de fuzil. O bandido foi baleado na cabeça por e morreu a caminho do hospital. O major Busnello, que foi muito aplaudido pelos moradores da região depois da ação, estava a uma distância de 40 metros do bandido. Ele contou que já estava posicionado havia uma hora e meia, em local que ele não quis informar, acompanhando o desenrolar do caso. A partir do momento que recebeu uma ordem do comandante, coronel Fernando Príncipe, ele aproveitou a oportunidade para fazer o disparo. [...] (www.oglobo.com.br) 5- OPINIÕES A partir do endereço no You Tube de onde foi extraída a reportagem para a presente análise existe um espaço para a opinião dos internautas. Os comentários são invariavelmente a favor da eliminação do assaltante e com uma profunda carga de preconceito racial e geográfico. São posicionamentos que não diferem muito daqueles vistos no Coliseu romano quando o povo pedia o sangue dos cristãos, ou dos filmes do velho oeste norteamericano nos quais o pacato populacho de um vilarejo aplaudia o enforcamento do bandido, geralmente um mexicano ou um mestiço. 2 Abaixo algumas opiniões: 3 reueloliveira (1 dia atrás) Exibir Ocultar Ah...o video do Datena tá do lado oposto, da pra ver o cara picando no chão certinho. dancastellanata (1 dia atrás) Exibir Ocultar porra, não deu nem tempo, o cabecinha de merda paraiba do caralho nem viu de onde veio, parabens, é isso ai que tem que acontecer com bandidinho de merda.. MrMarsupilami97 (1 dia atrás) Exibir Ocultar parabens cariocas, um paraiba a menos!! 2 Michael Foucault mostra nas primeiras páginas de Vigiar e Punir, que na Europa do século XVIII as execuções públicas de criminosos despertavam a atenção do povo e eram narradas com os mínimos detalhes e em tom sensacionalista pela imprensa. 3 Transcrições literais e na íntegra, desconsiderar as ofensas ao idioma. 7

8 A espetacularização de atos e fatos do cotidiano pela televisão é também uma forma de preenchimento do vácuo surgido em consequência do distanciamento entre o Estado e o cidadão, e que proporciona margem para aparentes soluções estéticas a problemas desta envergadura. Pessoas reagiram positivamente ao episódio interpretando que o tiro na cabeça do bandido era um Paraíba cabeça de merda a menos picando no chão e que não vai mais incomodar a banda boa da sociedade. A resposta dada por uma sociedade atemorizada pela violência e que tem suas dimensões ampliadas pela própria mídia, foi o tiro na cabeça. Foi instantânea, sensorial, estética e sem profundidade. Acerca da prevalência de valores estéticos e emocionais, construídos com a participação da mídia, sobre os valores éticos e racionais de matiz iluminista na busca de solução dos problemas sociais Muniz Sodré assim se posiciona: De modo análogo ao da forma vazia da lei, o fenômeno estético [...] induz à experiência de uma forma consensual esvaziada de qualquer conteúdo, acionada tão só por aspectos emocionais ou sensoriais em busca de uma universalidade plebiscitária. Nada de tensão nem de conflito, apenas a fantasia espetacularizada do consenso (Sodré, 2006, p. 190) Tal pensamento converge com o de Batista, para quem a busca de soluções estéticas e imediatas apresentadas na televisão, tem como pano de fundo o não-papel exercido pelo Estado perante a sociedade. O paradoxo de que um Estado social mínimo corresponde a um Estado penal máximo conduz às consequências concomitantes da despolitização dos conflitos sociais e politização da questão criminal (Ibidem, 2003, p. 14). 5- CONCLUSÃO Seja na visão filosófica de Sodré, ou na criminológica de Batista, o episódio do tiro na cabeça do assaltante mostra o papal mal exercido pela televisão na interlocução entre o Estado e o cidadão. Este, em consequência da inoperância do primeiro, adere a falsos consensos atraído pelo imediatismo do que vê na tela sem dar-se ao trabalho de realizar o exercício da reflexão. Estes consensos são criados também por âncoras de final de tarde que esbravejam pedindo justiça, cobrando mais rigor nas leis e até a pena de morte, que é vedada pela Constituição Federal em tempos de paz. O fazem é verdade apenas diante 8

9 das câmeras. Quando estão lado a lado com a autoridade que foi cobrada na véspera a eloquência é trocada pela candura. Mas, talvez pior do que um formato histriônico de retroalimentação da violência seja a forma pasteurizada, sem sangue, de aparente respeito ao estômago do telespectador como a reportagem que serviu de base para a presente análise, pois ela inocula hipodermicamente a violência sem que o telespectador perceba. A solução para situações de abuso como este ainda está longe de ser materializada, e muito menos de ser consensual no Brasil. Em uma sociedade onde imperam o esquizofrênico temor pela violência e valores individualistas da autopreservação; na qual a televisão não cumpre o seu papel constitucional de respeito a valores éticos e sociais da pessoa e da família (Art. 221 IV), e que usa como imunidade o direito constitucional da liberdade de expressão (Art.5º -IV e Art. 220) para mostrar o que bem entender, sem preocupar-se com os nãovalores que impõe ao telespectador, um caminho para amainar estes abusos seria a criação de um novo marco regulatório do audiovisual com ampla participação do Estado, da iniciativa privada, de profissionais das áreas de Comunicação, Direito, Psicologia, Educação, Sociologia, Filosofia, Antropologia, dentre outras profissões. Um cenário para o debate existe, é o Conselho de Comunicação Social, previsto no artigo 224 da Constituição e regulamento pela lei 8.389/91, mas que até hoje não disse a que veio. Art. 2º - O Conselho de Comunicação Social terá como atribuição a realização de estudos, pareceres, recomendações e outras solicitações que lhe forem encaminhadas pelo Congresso Nacional a respeito do Título VIII, Capítulo V, da Constituição Federal, em especial sobre: d) produção e programação das emissoras de rádio e televisão; i) defesa da pessoa e da família de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto na Constituição Federal; 9

10 6 - DEU NA IMPRENSA Deus iluminou o policial que fez o disparo Ana Cristina Garrido/ Vítima do assaltante Carta Capital Edição 566/ 07/10/2009 Refém de assalto na Tijuca diz que polícia fez o seu papel ao atirar em assaltante / 25/09 às 20h07 Ronaldo Braga O GLOBO 6 a -A REFÉM 6 b -O HEROI 10

11 7- AGRADECIMENTO Ao ex-aluno de Telejornalismo I e II, Rodrigo Gomes Paixão que provocou a presente análise através de sua indignação com o episódio: Olá Prof. Enzo, Vi algo na televisão ontem e lembrei imediatamente do senhor. Infelizmente não se trata de uma reportagem bem editada sobre um tema de importantíssima relevância para o público brasileiro. Trata-se de uma matéria altamente sensacionalista veiculada na hora do almoço pela Rede Globo - no jornal com a sua apresentadora favorita. Recordei-me da sua palestra Criminalidade, Violência e Mídia e de uma aula que tivemos na matéria de Telejornalismo II em que analisamos uma edição do Jornal da Record, que não mede esforços para conseguir audiência, nem que para isso tenha que exibir cenas de pessoas sendo baleadas na cabeça. Pois bem, o senhor disse que a Rede Globo era mais cautelosa ao exibir cenas de operações policiais. Na edição de ontem do Jornal Hoje, do Jornal Nacional, e de todos os telejornais da Globo News (veiculados de uma em uma hora), foi exibida a imagem - sem censura nenhuma - de um sequestrador sendo baleado na testa pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, com a emissora seguindo a linha de "bandido bom é bandido morto" a fim de conseguir - ainda mais - audiência. Trata-se de mais um descaso da Vênus Platinada com o telespectador. 11

12 8- REFERENCIAL BATISTA, Nilo. Mídia e sistema penal no capitalismo tardio Disponível em Acesso em 10 out BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir.Petrópolis: Ed. Vozes, O Globo Acesso em 09 out PATERNOSTRO, Vera Íris. O texto na TV: Manual de telejornalismo. São Paulo: Ed. Brasiliense, SODRÉ, Muniz. Antropológica do espelho. Petrópolis: Ed. Vozes, TV GLOBO Ltda. Manual de Telejornalismo. Goiânia: Gráfica O Popular, Vídeo Atirador de elite mata sequestrador no Rio: - acesso 28 set

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