Conferência Europeia de Minerais. Declaração sobre Matérias-Primas de Madrid em Nota de Imprensa

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1 Conferência Europeia de Minerais Declaração sobre Matérias-Primas de Madrid em 2010 Nota de Imprensa Os minerais proporcionam-nos tudo o que nós apreciamos na sociedade em que vivemos, trabalhamos, relaxamos e viajamos. Existem três tipos principais de minério: inertes (brita, areia e cascalho), minerais industriais (usados, por exemplo, em produtos de vidro, argila e cerâmica) e minérios de metal (usado para a fabricação de automóveis, comboios e aviões). As matérias-primas para todos esses minerais têm que ser extraídas do solo em pedreiras e minas. Na Europa, temos mais de milhões de toneladas de matérias-primas a cada ano. A indústria europeia de minerais emprega mais de um milhão de pessoas nas actividades extractivas e muitos mais na fabricação de produtos. Apesar da actual recessão, prevê-se o aumento, em larga medida, Da procura por essas matérias-primas, ao longo dos próximos 5-10 anos, mesmo com o aumento da reciclagem. A disponibilidade de matérias-primas é fundamental para o futuro da indústria de minerais. Algumas matérias-primas são importadas, uma vez que simplesmente não há depósitos geológicos na Europa e, portanto, o seu fornecimento pode estar em risco de ruptura. Outros estão geologicamente presentes na Europa, mas o acesso a estes depósitos é cada vez mais difícil devido a outras utilizações dos solos, a medidas de conservação e, infelizmente, à opinião pública adversa ou mesmo má informação sobre o assunto. Por estas razões, a Comissão Europeia lançou a sua comunicação em 2008: "A Iniciativa das Matérias-Primas Satisfação das necessidades vitais para o crescimento e o emprego". A indústria dos minerais acolheu muito bem esta Iniciativa e tem cooperado activamente com a Comissão e com os Grupos de Trabalho na elaboração da estratégia para alcançar os objectivos essenciais de vida em comunidade. 1

2 Os resultados provisórios deste trabalho são a causa principal da importante Conferência Europeia de Minerais patrocinada pela Presidência Espanhola em Madrid, de 16 a 18 Junho de Os pontos de vista do sector são descritos em detalhe, na Declaração de Madrid, cujos pontos principais se resumem, a seguir: o A nível europeu é necessário promover uma Política de Matérias-Primas que defina uma estratégia para garantir que a Europa, no futuro, tenha um fornecimento de matérias-primas importadas, bem como o acesso adequado às suas próprias matérias-primas naturais. o Os Estados-Membros devem desenvolver políticas adequadas a todas as matérias-primas, a nível nacional, regional e local para garantir um acesso adequado às matérias-primas geologicamente presentes: em particular para os inertes, devido ao seu tamanho e peso, por razões económicas e ambientais, para garantir o acesso aos recursos locais perto dos mercados mais importantes. o Os Estados-Membros devem desenvolver Politicas Associadas de Ordenamento do Território assegurando que o aproveitamento dos recursos minerais, onde estejam presentes geologicamente, tenha um tratamento preferencial. o Cada Estado-Membro deve rever os Procedimentos para a Concessão de Autorizações de acesso a depósitos de matérias-primas, uma vez que a maioria destes procedimentos são complexos e requerem um compromisso a longo prazo, embora os Estados-Membros tendam a ter diferentes sistemas, por razões históricas, todos devem adoptar as melhores práticas, que são contrastantes com outros Estados-Membros, a fim de garantir a eficácia do licenciamento e a seu tempo, solicitar períodos de exploração que justifiquem grandes investimentos de capital necessários. A indústria de minerais pede à Comissão a adopção destas propostas e a incorporá-las na declaração final sobre a iniciativa prevista para finais de Devido à crescente importância do acesso às matérias-primas, a indústria de minerais aponta também que a iniciativa seja revista, sucessivamente, nos próximos cinco anos e que faça parte da Agenda e da Estratégia da Comissão para

3 Conferência Europeia de Minerais de Madrid Junho 2010 Declaração da Indústria sobre Matérias-Primas I. Futura procura por minérios e inertes na Europa Considerando o seguinte: (iii) A procura de minerais e inertes em toneladas/capita aumenta de acordo com o desenvolvimento económico de cada país, atingindo altos níveis do PIB per capita. No caso dos inertes, uma vez terminada a actual recessão económica, a procura na Europa é provável que assista a um aumento constante de pelo menos milhões de toneladas, a médio e longo prazo. Mesmo com o aumento da reciclagem nos países onde até há estava pouco desenvolvida, é pouco provável que o total de materiais reciclados ultrapasse 10% da oferta total de inertes, a médio prazo. Os inertes marinhos e os manufacturados, actualmente em conjunto representam apenas 4% da oferta total de inertes. Portanto, o futuro fornecimento de inertes na Europa (até 85%) ainda tem de vir dos recursos inertes naturais. Devido ao seu grande volume e peso, os inertes devem produzir-se perto do local de utilização para reduzir ao mínimo as distâncias de transporte, as emissões de CO2, o impacto ambiental, o congestionamento do trânsito e os custos associados. O sector exige: Que os governos nacionais promovam a melhoria da recolha de dados para estabelecer os limites da oferta e procura de inertes minerais a curto, médio e longo prazo, para as diferentes áreas de desenvolvimento, tendo em conta os futuros planos de desenvolvimento. Estes podem igualmente incluir as rotas de exportação por via ferroviária e fluvial para os mercados vizinhos que não tenham depósitos minerais. Estes planos de desenvolvimento não devem 3

4 excluir, a priori, zonas com a designação Natura 2000 ou designações semelhantes. Devem ser tomadas medidas para preencher, progressivamente, lacunas existentes no conhecimento geológico de depósitos minerais e inertes nos Estados-Membros. II. A política de produtos minerais e inertes a nível nacional e da União Europeia Considerando o seguinte: Ao nível da UE tem de ser claramente reconhecida a importância do fornecimento de minerais e inertes, num curto prazo, nos contextos económicos nacionais e europeus e todos os Estados devem garantir, a longo prazo, o fornecimento a partir de recursos nacionais e, no caso dos inertes o seu fornecimento deve ser garantido localmente. Apenas alguns Estados-Membros têm uma Política Nacional de Minerais clara e estruturada. Essa deficiência está a afectar negativamente as políticas de planeamento mineral (a nível estratégico e operacional, onde os minerais não são considerados, em grande parte, no processo de planeamento) e também os processos de licenciamento (que são muitas vezes ineficazes, ineficientes e com grande exigência de tempo gasto). O sector exige: Para os minerais e inertes nacionais, que se estabeleçam políticas concretas dos Estados-Membros. As políticas nacionais de minerais e inertes necessitam: a. Criar uma consciencialização da dependência da sociedade em relação aos minerais e a necessidade real de acesso aos recursos naturais. b. Destacar a importância para a sociedade de um fornecimento adequado de minerais e inertes, e promover um processo de avaliação equilibrada 4

5 do conflito de interesses entre o desenvolvimento da produção de minerais e inertes e outras questões problemáticas relativas ao uso dos solos. III. Políticas de planeamento de minerais e inertes a nível nacional, regional e local Considerando o seguinte: Os minerais e os inertes não são devidamente considerados no planeamento do uso da terra na maioria dos países e mesmo onde eles existem, muitas vezes há uma predisposição desproporcionada contra as actividades extractivas, que precisa ser abordada de forma clara. Tendo em conta os locais geologicamente determinados dos recursos minerais e inertes, estes merecem o mesmo estatuto na planificação do uso da terra, tais como água ou outros recursos ambientais para garantir o acesso, a longo prazo, aos recursos de minerais e inertes. Em geral, os recursos minerais e os inertes não estão assinalados nos mapas de detalhe, a menos que a indústria local tenha contribuído para planos de desenvolvimento nacional e regional e, mesmo quando isso é feito, as necessidades de acesso podem, às vezes, ser ignoradas pelas autoridades responsáveis pelo planeamento, uma situação que precisa de ser encarada e resolvida. O sector exige: Para os minerais, políticas de planeamento para abordar o planeamento estratégico de minerais e inertes (se possível, a nível nacional, ou pelo menos regional) e de exploração de minerais com base em planos de uso de solos. A nível estratégico, deve decidir-se qual será o melhor planeamento estratégico para o país. A nível regional ou local, os planos de uso de solos devem incluir minerais e inertes, tendo em conta as questões específicas dessa indústria. O horizonte de planeamento deve ser de médio a longo prazo e garantir que o 5

6 acesso aos recursos locais é feito de forma sustentável. Esta é a questão crucial da política do planeamento para os minerais e inertes. As políticas de planeamento dos minerais e inertes coordenadas a nível nacional, regional e local têm que ter em conta: a. A geologia local. No caso dos inertes que estejam ou não presentes geologicamente, procedentes de rochas duras, areia e cascalho (na superfície, dado que a extracção subterrânea normalmente não é economicamente viável para esses materiais). b. Se o depósito é ou não de qualidade adequada, com base nalgumas perfurações exploratórias. c. Se houver algum solo disponível perto dos depósitos de minerais (para as vias de acesso). d. Se os depósitos estão, ou não, em áreas potencialmente sensíveis, tais como áreas protegidas (Rede Natura 2000), têm valor paisagístico ou são de uso público, estas denominações não impedem, a priori, as actividades de mineração. e. A distância entre as áreas industriais ou de alta densidade populacional ou projectos de infra-estruturas, onde haveria uma grande procura. f. Infra-estruturas de transportes rodoviários, ferroviários e fluviais para o transporte de minerais e inertes do ponto de extracção para o ponto de utilização. IV. Procedimento eficaz para a concessão de licenças Considerando o seguinte: Apenas alguns Estados-Membros ou zonas vinculam os procedimentos de concessão de autorizações a planos de utilização de solos. A inclusão de informação sobre depósitos de minerais e inertes nas bases de dados de planeamento de uso de solos é necessária para facilitar os procedimentos para a concessão de licenças. 6

7 (iii) (iv) (v) Poucos Estados-Membros ou regiões têm sistemas de licenciamento eficientes e a seu tempo deveria haver uma forma de "fonte única para tudo." Em muitos Estados-Membros existem sistemas que permitem muitas autorizações, por múltiplas entidades, por razões históricas, muitas vezes com diferentes perspectivas e áreas de responsabilidade. O processo de licenciamento é complexo e muito lento na maioria dos países, normalmente leva 5 a 10 anos para obter a autorização para uma nova unidade de produção sendo também concedidos períodos demasiado curtos para justificar o investimento de capital. Em alguns países, os sistemas inadequados ou inconsistentes de concessão de autorizações pode permitir a invasão de operadores não autorizados: Qualquer uma destas deficiências ou contradições precisam ser corrigidas. O sector requer: Para todas as concessões de licenças, que estejam ligadas à presença de minerais e inertes e que tenham capacidade física para obter acesso. Em princípio, cada Estado-Membro deve ter um sistema de licenciamento para permitir a emissão de licenças para projectos de forma eficiente e que a seu tempo traga: a. Uma estrutura clara e adequada legislação, com a designação das autoridades e competências. b. Processo de candidatura simplificado através de uma única Entidade (como uma "fonte única para tudo"), ou pelo menos devidamente coordenada entre todas elas, se houver várias, evitando assim a duplicação de requisitos ou procedimentos. É importante que as autoridades regionais ou locais estejam incluídas neste processo, pois apesar de não ser um imperativo legal, estão incluídas, por inerência, como partes interessadas no âmbito dos processos de AIA. c. Procedimentos com um limite de tempo para o esclarecimento de todos os intervenientes das aplicações, de modo a que todo o processo seja 7

8 completado num prazo de 3 anos (actualmente há inúmeras situações que duram de 10 a 15 anos, havendo poucas empresas que o possam assumir). d. Uma abordagem razoavelmente equilibrada para preservar o meio ambiente, biodiversidade, etc. reconhecendo, também, a necessidade real de minerais e inertes com benefícios para a região. Os projectos de extracção devem ser tão importantes como outro tipo de interesses e em nenhum caso deve ser proibido a priori mesmo que a extracção seja em áreas protegidas. As decisões de tais projectos devem ser tomadas, em geral, ao mais alto nível e que a avaliação seja equilibrada e se baseie num amplo interesse público. e. Quando são concedidas as licenças para mineração ou extracção de rocha dura, devem ser, normalmente, para um período de 50 anos. Nenhuma licença deve ser inferior a 15 anos, pois de outro modo não se justifica um investimento de capital significativo. Mesmo nesses casos, as renovações por períodos similares devem estar previstas desde o início. Para as pedreiras de areia e cascalho, a duração da concessão de licenças devem ser entre 15 a 50 anos dependendo da magnitude do depósito. As licenças devem ser concedidas conforme a vida útil do depósito, uma vez que a sustentabilidade requer a extracção total dos depósitos. f. As autoridades que licenciam as concessões devem estar cientes do efeito, potencialmente esterilizante, mesmo para uma única habitação e que estejam perto de uma área de mineração ou pedreira, planeadas ou reais. g. Seja qual for o sistema de planeamento utilizado, devem ser estabelecidos calendários fixos para que as autoridades que tomam as decisões os respeitem. Nalguns países, o sistema pode ser prolongado indefinidamente levando o processo até última instância. Há necessidade de um processo de apelo ao mais alto nível, determinado por peritos, nos 8

9 domínios em causa, podendo tomar decisões objectivas e politicamente livres. h. Em cada país é útil proporcionar organigramas relacionados com as entidades que tratam do planeamento e organização do processo de concessão de licenças. Com base nisso podem-se discutir as questões de eficiência e ineficiência estruturais e melhorar o funcionamento de todo o processo. Finalmente, a indústria recomenda que: a. Todos os pedidos anteriores do sector estão incorporados nas recomendações da Iniciativa Matérias-Primas e incluídos no documento final. b. O progresso deve ser analisado por um sucessor da Iniciativa das Matérias-Primas, numa base anual durante os próximos cinco anos. 9

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