ORÇAMENTO DA ORDEM DOS ADVOGADOS

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1 ORÇAMENTO DA ORDEM DOS ADVOGADOS PARA 2009 MENSAGEM DO BASTONÁRIO O orçamento da Ordem dos Advogados para 2009 e que agora se divulga é um orçamento de rigor, de contenção e de responsabilidade que assenta numa articulação entre as receitas e as acções necessárias ao cumprimento das finalidades estatutárias da OA. Os diversos órgãos da Ordem e os seus titulares terão de conter as respectivas despesas nos limites das suas receitas estatutárias, sem prejuízo de, pontualmente, o Conselho Geral poder, com as suas próprias receitas, apoiar acções que se mostrem relevantes para a consecução dos objectivos superiores da OA. A breve prazo nenhum órgão da OA poderá gastar mais do que a receita que o EOA lhe atribui, com excepção de situações pontuais que, pela sua natureza e relevância justifiquem despesas extraordinárias. Mas a última palavra sobre a relevância e/ou necessidade dessas acções caberá sempre ao Bastonário e ao Conselho Geral. O orçamento para 2009 resulta dos orçamentos apresentados pelos conselhos distritais (e abrangem os conselhos de deontologia e as delegações das respectivas áreas), bem como o do Conselho Geral (que engloba também as receitas e despesas do Conselho Superior, dos institutos e das comissões). Assim, prevê-se que em 2009 a OA vá efectuar despesas no montante global de ,15 euros e obter receitas num total estimado de ,49 euros. Os conselhos distritais (incluindo os conselhos de deontologia e as delegações) apresentaram, no seu conjunto, orçamentos cujas despesas eram de ,25 euros, enquanto as receitas totalizavam apenas ,32 euros.

2 Sublinhe-se que só 82 delegações apresentaram despesas que ultrapassam em ,75 euros as receitas a que estatutariamente têm direito e que 136 delegações apresentaram despesas inferiores em ,98 euros às verbas a que tinham direito. Há delegações que pagam de renda mais de 1.600,00 mensais por instalações próprias além das que possuem nos tribunais das respectivas comarcas. Outras há que chegam a ter dois e três funcionários, cuja justificação assentava na necessidade de proceder às notificações do apoio judiciário. Como se vê, a relação entre as receitas e as despesas dos órgãos distritais representava um défice orçamental de ,93 euros em relação às receitas estatutárias. Ou seja, estávamos perante deficit que correspondia a quase 50% das receitas. Ora, de acordo com os serviços financeiros (e como é fácil de ver), a OA não suporta um défice desta grandeza, pelo que se tornou imperativo proceder a cortes nas despesas correntes dos órgãos distritais, até ao montante do seu deficit (deficit que resulta, como se disse, da agregação dos orçamentos dos Conselhos Distritais, das Delegações e dos Conselhos de Deontologia), de modo a que as despesas se equilibrem com as receitas. No entanto, os órgãos distritais e delegações, poderão, se assim o entenderem, proceder à transferência de verbas entre rubricas quando tal se tornar necessário ou recorrerem aos saldos que se prevê transitarão do ano de 2008 para o ano de O montante do corte é de ,79 euros e deve ocorrer em 100% em rubricas como «despesas de representação», «ornamentação e decoração», «artigos para oferta» e «não especificados» e em 75% na rubrica «honorários». Há outras rubricas em que os cortes serão de 50% e 25%. Nas «despesas com pessoal» não são considerados prémios, nem qualquer aumento das remunerações. Refira-se que só em honorários os órgãos distritais propunham-se gastar, em 2009, ,00, isto para além das despesas com pessoal que totalizam ,28, das quais ,57 são relativos apenas às remunerações e os restantes

3 referentes a encargos diversos tais como complementos de reforma, seguros de saúde e de trabalho, entre outros. De salientar que quase todos os conselhos têm saldos positivos em bancos e que há casos em que o saldo é de centenas de milhar de euros. Por tudo isso é necessário proceder a uma racionalização das despesas, para o que se torna urgente introduzir em todos os órgãos da OA uma nova cultura, que tenha em conta as realidades orçamentais, nomeadamente, que as despesas tendem a aumentar e as receitas a diminuir. Tudo (trabalho, serviços, bens de consumo, etc.) fica mais caro de ano para ano, enquanto as receitas tendem a diminuir. Na verdade as receitas da OA estão a decrescer e irão decrescer ainda mais, devido fundamentalmente, ao fim da procuradoria, à previsível diminuição do número de Advogados e às resistências em pagar as elevadas quotas que são cobradas. Refira-se, a propósito, que as quotas da OA são as mais elevadas de todas as profissões liberais em Portugal. Os Advogados pagam três vezes mais do que os médicos. Só entre 1991 e 2003 as quotas dos Advogados foram aumentadas em mais de 700%. Por isso, entendemos que está fora de questão qualquer novo aumento das quotas. O que há a fazer, o que urge fazer, é cortar nas despesas, é limitar as despesas às acções que sejam necessárias à realização das atribuições da Ordem, acabando com gastos supérfluos ou sumptuários e proceder a uma reforma das estruturas da OA. Sublinhe-se que a informatização do novo modelo de apoio judiciário veio permitir uma poupança de centenas de milhares de euros uma vez que eliminou as notificações postais para as respectivas nomeações, bem como as necessidades em pessoal para efectuar essas notificações. É necessário proceder também a reformas nas estruturas da OA. Não se compreende nem se pode admitir a duplicação, triplicação e até quadruplicação de estruturas

4 para realizar tarefas que poderiam e deveriam ser realizadas por uma única estrutura. É necessário, por exemplo, que os serviços de informática e de contabilidade de todos os órgãos da OA sejam efectuados por uma única estrutura nacional. Dentro da política de contenção de despesas, o orçamento para 2009 não contempla aumentos com as remunerações do pessoal. A OA tem 228 funcionários, sendo 46 dos serviços centrais, os quais prestam serviço ao Conselho Geral, ao Conselho Superior, às comissões e aos institutos. Os restantes 182 pertencem aos conselhos distritais e delegações, sendo que mais de metade desses pertence aos conselhos distritais de Lisboa e do Porto. Mesmo depois dos cortes efectuados, as despesas com remunerações (ordenados e honorários) totalizarão em 2009 a quantia de ,45 euros, sendo ,53 euros de conta dos órgãos distritais e delegações. Por isso é necessário também uma rigorosa política de gestão de pessoal. Como se disse, em 2009 não haverá aumentos. Mas isso não chega. É necessário reduzir drasticamente o número de funcionários. Assim, para além de outras medidas, o Conselho Geral, irá abrir um processo de rescisão amigável de contratos de trabalho, mediante o pagamento de uma compensação financeira superior à prevista na lei para o despedimento colectivo. Se mesmo assim, subsistir um número de funcionários superior ao necessário, recorrerse-á a outras soluções legais. Manter 228 funcionários com remunerações e regalias bastantes superiores às que se praticam no sector privado e na administração pública tornar-se-á a breve prazo absolutamente incomportável para a Ordem. Sublinhe-se que só o complemento de reforma se tornará incomportável dentro de 15 a 20 anos, se não se diminuir o número de funcionários.

5 Por outro lado, a estrutura da OA é absolutamente irracional. A Ordem tem mais de 260 órgãos (entre órgãos unipessoais, delegações, conselhos, comissões e institutos), de que são titulares quase 880 Advogados. Ou seja, a OA tem 878 dirigentes, o que faz com que em cada 30 Advogados, um seja dirigente da Ordem. Queremos que 2009 seja o ano da reforma da formação, tal como 2008 foi o ano a reforma do apoio judiciário. Por isso iremos proceder a uma profunda alteração do sistema de formação em vigor na Ordem. Independentemente das alterações legislativas necessárias (e que não dependem da OA), aquela reforma assentará nos seguintes parâmetros. A Ordem deve dar formação profissional e não ensinar direito. O ensino do direito é uma actividade científica que cabe por inteiro às universidades, enquanto a formação profissional dos Advogados é uma tarefa que pertence em exclusivo à OA. A formação deverá assentar sobretudo na deontologia profissional e na prática forense. É altura de pôr termo a um modelo de formação que assenta num ensino teórico e escolástico, estruturado numa relação do tipo professor aluno. Ora, a OA só poderá titular como profissionais da Advocacia os licenciados que venham devidamente preparados das universidades. A Ordem não quer avaliar nem discriminar os vários cursos de direito, mas também não abdicará de se certificar previamente de que os licenciados que pretendem seguir a profissão de Advogados estão devidamente habilitados do ponto de vista académico e científico para tal. E isso é tanto mais actual quanto é certo que o próprio Governo tem vindo a encerrar universidades devido à alegada má qualidade do ensino nelas ministrado. Portanto, pelo menos enquanto não estiver plenamente em actividade a Agência de Acreditação e Validação do Ensino Superior, a OA tem o direito, que é simultaneamente um dever, de proceder a uma verificação do nível de conhecimentos científicos possuídos pelos licenciados que pretendam ingressar na Ordem. Ao conceder a um licenciado em direito a cédula profissional de Advogado, a OA está a emitir uma certificação pública de que esse licenciado está apto a exercer a

6 Advocacia, nomeadamente, a exercer a função constitucional do patrocínio forense. Ou seja, está a dizer a todos os cidadãos que podem confiar nesse profissional porque ele está devidamente preparado para exercer a função de Advogado. Ora, para poder emitir essa certificação profissional, é preciso que a OA saiba o nível de conhecimentos científicos desse licenciado, sendo certo que tem de se ter em conta que para se poder ser Advogado não basta saber direito nem dominar a técnica jurídica. É também necessário estar devidamente preparado no domínio da deontologia, ou seja, é preciso possuir também uma noção rigorosa das exigências deontológicas, principalmente dos deveres perante os clientes, perante os Colegas, perante os Tribunais e os Magistrados, bem como perante o Estado e a sociedade. Para que tudo isso seja possível é necessário aprovar o orçamento na Assembleia Geral que está marcada para o próximo dia 26, pelas 18 horas na sede da OA, em Lisboa. A presença dos Advogados é importante, pois o orçamento é o instrumento privilegiado para realização do programa do Bastonário e do Conselho Geral. Sublinha-se, no entanto, que aqueles que não puderem estar presentes poderão votar por procuração nos termos do artigo 36.º do EOA, o qual permite «o voto por procuração a favor de outro advogado com inscrição em vigor». Para tanto, a procuração deverá constar de «comunicação digital certificada ou de carta dirigida ao bastonário com a assinatura do mandante autenticada* pela forma referida no n.º 5 do artigo 12.º». Sublinha-se, por fim, que os advogados residentes nas Regiões Autónomas podem exercer o direito de voto por correspondência em todas as Assembleias Gerais ordinárias (art. 36º, nº 4). Lisboa, 6 de Novembro de 2008 A. Marinho e Pinto (Bastonário) * Art. 12º, nº 5: «As assinaturas dos advogados proponentes devem ser autenticadas pelo conselho distrital, pelas delegações da área do respectivo domicílio profissional ou pelo tribunal judicial da respectiva comarca e ser

7 acompanhadas pela indicação do número da cédula profissional e respectivo conselho emitente, bem como do número, data e entidade emitente do respectivo bilhete de identidade».

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