INFORME TRIMESTRAL SOBRE A RAIVA

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1 ESTADO DE ALAGOAS SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE ALAGOAS SUPERINTENDÊNCIA DE VIGILÂNCIA À SAÚDE SUVISA DIRETORIA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DIVEP INFORME TRIMESTRAL SOBRE A RAIVA Ano I nº 1 Edição: Trimestral Mês: Julho/2014 EDITORIAL Este informe tem como objetivo fornecer informações trimestrais sobre a situação epidemiológica da raiva. É de circulação geral e tem como população-alvo profissionais da saúde que necessitam ter acesso a estas informações, sendo disponibilizado por meio eletrônico na página da Secretaria de Saúde do Estado de Alagoas. As informações aqui disponibilizadas têm como fonte de dados três meios de informação: Sistema de Informação de Agravos de Notificação SINAN; Planilha de resultados da campanha de vacinação antirrábica canina e felina; Informações fornecidas através do Informe Mensal (Ficha VE7) pelos municípios. Figura 1. Ciclos epidemiológicos de transmissão da raiva. SINTOMATOLOGIA CONCEITO A raiva é uma doença causada por um vírus neurotrópico, que se desloca, através do sistema nervoso periférico, até o cérebro provocando encefalite e letalidade de aproximadamente 100%. MODO DE TRANSMISSÃO É uma doença transmitida ao homem por animais mamíferos, principalmente cães (90%), gatos, macacos, sagüis, raposa, morcegos etc( figura 01). Em situações especiais, os morcegos podem alterar esses percentuais (surto epidêmico do Pará em 2004/2005 que, pela primeira vez, superou o percentual de casos de raiva humana com transmissão canina) no Brasil, alcançando 86% de óbitos humanos transmitidos por morcegos ). A transmissão ocorre através de mordeduras (90%), lambeduras e arranhaduras ( 10% ) de animais infectados com o RABDOVÍRUS. O período de incubação (tempo que decorre desde a penetração do vírus no organismo até o aparecimento dos principais sintomas) varia de 10 dias até 02 anos, dependendo do local, da profundidade e da quantidade de mordidas, que podem ser leves, moderadas ou graves. Mordeduras na cabeça, extremidade dos dedos, ou profundas em qualquer parte do corpo e lambedura de mucosas, são sempre consideradas muito graves. Os sintomas típicos da denominada Raiva Furiosa são: febre; mal estar generalizado; formigamento a partir do local de penetração do vírus; dificuldade para deglutir; fotofobia; aerofobia e agressividade, resultante da agressão de cães e gatos. A Raiva Paralítica ocorre através das agressões por morcegos, apresentando como principais sintomas: formigamento no local da mordida, febre e paralisia ascendente. Em ambas situações o quadro sintomático evolui para óbito em decorrência de paralisia da musculatura do esôfago e da faringe provocando morte por asfixia. 1

2 % Ano I nº 1 Edição: Trimestral Julho/2014 SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA RAIVA NO BRASIL No Brasil, a raiva é endêmica, em grau diferenciado de acordo com a região. Sendo a região nordeste responsável pelo maior percentual de casos.(gráfico 1). Gráfico 1. Percentual de casos de raiva humana no Brasil, segundo regiões, No período de 1999 a ,0 100,0 PROFILAXIA Em caso de exposição ao vírus da raiva, é imprescindível a limpeza do ferimento com água e sabão ( ou outro detergente ) e o encaminhamento do paciente para a unidade de saúde mais próxima, onde serão realizados os procedimentos indicados: assepsia da ferida, profilaxia do tétano e principalmente a profilaxia da raiva humana, que consiste na aplicação de uma série variável de 02 a 05 doses de vacinas, acompanhadas ou não de soro antirrábico, e constituise no único instrumento capaz de impedir a progressão do vírus no organismo evitando a ocorrência de óbitos. Pessoas agredidas por mamíferos silvestres (principalmente morcegos) é preconizado indicação de tratamento completo: Soro + 5 doses de vacinas. Pará (região norte) e no Maranhão (região nordeste), provocados pela agressão de morcegos. SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA RAIVA EM ALAGOAS No período de 1999 a 2009, foram notificados 07 casos (óbitos) por raiva humana em Alagoas; 90% desses óbitos decorreram da agressão de cães, em geral vadios, sem donos e não vacinados. De acordo com o gráfico 2, no período de 1999 a a média de óbitos/ano foi de 7,5, com dois grandes picos (13 óbitos em 1980 e 11 em 1990) em decorrência das baixas coberturas vacinais de cães (sempre abaixo de 80%). Com a evolução da cobertura vacinal, a partir de 1990, alcançando e ultrapassando 80% da população canina, a média de óbitos humanos/ano foi reduzida para 1, significando evolução positiva para o controle da doença. Lembrando que o último caso de raiva humana provocado por agressão de cão ocorreu em 2003 no município de Marechal Deodoro, e em Porto de Pedras no ano de 2006 ocorreu o último óbito decorrente da mordedura de morcego. Gráfico 2. Cobertura Vacinal Canina e Número absoluto de óbitos por Raiva Humana no período de 1989 a Alagoas ,0 50 0, Ano Nº casos % Cobertura Norte Sudeste Centro-oeste Nordeste Sul Dados Sujeitos a revisão Fonte: COVEV/CSDT/DEVEP/SVS/MS Nos anos de 2004 e 2005, o morcego foi o principal responsável pelos casos de raiva humana, com 86,5% dos casos nesses dois anos, passando pela primeira vez a superar os casos com transmissão canina devido a ocorrência de surtos de raiva humana nos estados do A distribuição geográfica dos casos de raiva humana em alagoas demonstra que a maior incidência encontra-se nos dois municípios de maior concentração populacional, atingindo todas as regiões sem causas específicas determinantes. 2

3 Ano I nº 1 Edição: Trimestral Julho/2014 Mapa 1. Número absoluto de óbito por raiva humana, no período de 1986 a Alagoas. Sem registro de óbitos 3 óbitos > 5 óbitos > 10 óbitos ATENDIMENTO ANTIRRÁBICO EM ALAGOAS COVEV/CSDT/DEVEP/SVS/MS. 590 (13.3%) interromperam 323 (54.0%) por abandono 253 ( 78%) foram procuradas pela U.S (91%) iniciaram tratamento 174 (29%) por indicação da U.S pessoas procuraram atendimento (27.0%) ignorado quanto a interrupção 401 (8,3%)não tiveram indicação de tratamento (86.6%) concluíram o tratamento 93 (15%) por transferência de domicílio O atendimento Antirrábico Humano, descentralizado e de boa qualidade, é fundamental para evitar a ocorrência de óbitos humanos decorrentes da Raiva. No período de 1980 a 1990, 23 pessoas foram a óbito por RAIVA em decorrência de prescrição incorreta de tratamento. Com a capacitação de médicos e enfermeiros, realizada anualmente a partir de 1982, esse problema foi resolvido. O diagrama ao lado sintetiza o curso do atendimento antirrábico humano de janeiro a Junho de 2014 no estado de Alagoas, demonstrando alto percentual de pessoas que necessitaram do tratamento e evidenciando o número de incompletitude quanto as informações no campo referente interrupção do tratamento. 3

4 Ano I nº 1 Edição: Trimestral Julho/2014 Gráfico 3. Proporção dos casos de atendimento antirábico segundo tipo de ferimento no período de 2000 a Alagoas. Gráfico 5. Proporção dos casos de atendimento antirábico segundo espécie do animal agressor de menor frequência no período de 2000 a Alagoas. 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0, * 100% 80% 60% 40% 20% 0% ferimento profundo ferimento Dilacerativo ferimento Superficial Quiróptera (morcego) Raposa Primata (macaco) Herbívoro Doméstico O gráfico 3 evidencia a predominância de ferimentos profundos, variando de 60 a 70%, declinando para uma média de 65% a partir de Os ferimentos superficiais oscilam de 20 a 25%. Gráfico 4. Proporção dos casos de atendimento antirábico segundo espécie do animal agressor no período de 2000 a Alagoas. 2010* Discrimina os atendimentos decorrentes de acidentes de menor frequência (5%). Dentre eles, destacam-se a maior proporção de acidentes provocados por raposas e primatas e aumento significativo de acidentes provocados por morcegos. FICHAS UTILIZADAS NO ACOMPANHAMENTO DAS ATIVIDADES DE MONITORAMENTO E CONTROLE DA RAIVA ,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 Ign/Branco Felina Primata (macaco) Canina Quiróptera (morcego) Raposa O gráfico 4 demonstra a predominância dos atendimentos decorrentes da agressão de cães (80%) e gatos ( 10 a 15% ). Ficha de Notificação da Raiva (VE6): Preenchida na ocorrência de óbitos decorrentes da Raiva Humana. Utilizadas como roteiro na investigação dos casos. Informe Mensal (VE7): A ficha ve7 é enviada pelos municípios para área técnica estadual e é dividida em três partes: 1. Profilaxia da Raiva Humana: atividades desenvolvidas pós exposição de pessoas a possível transmissão do vírus da Raiva. 2. Diagnóstico: diagnóstico laboratorial ou clínico da Raiva Humana ou Animal. 3. Profilaxia da Raiva Animal: atividades desenvolvidas quando houver focos de Raiva Animal ou quando houver envio de amostra de animais, com sintomatologia compatível com a raiva, para diagnóstico.

5 Ano I nº 1 Edição: Trimestral As informações encontradas na ficha VE7 são indispensáveis ao monitoramento das ações de controle da Raiva no Estado, destacando que as mesmas não são encontradas no SINAN. No entanto, apenas 42% dos municípios preenchem e enviam a referida ficha. Julho/2014 Ficha de notificação/investigação: Utilizadas no momento do atendimento na unidade, devem ser preenchidas por completo obedecendo rigorosamente os campos obrigatórios VIGILÂNCIA E CONTROLE DA RAIVA A Vigilância epidemiológica é fundamental para o controle da Raiva. Consiste na Capacidade de cada município de detectar e debelar focos da Raiva Animal em tempo hábil que permita o bloqueio dos mesmos, interrompendo a cadeia de transmissibilidade animal homem. A detecção de focos verifica-se através de informações colhidas pelos agentes de saúde nas comunidades, do monitoramento das fichas VE7 e do atendimento Antirrábico Humano. O bloqueio de focos efetiva-se na vacinação da totalidade de cães suspeitos e no encaminhamento de pessoas agredidas por mamíferos (não tratadas) nos últimos 6 meses. O encaminhamento de fragmentos de material encefálico de mamíferos suspeitos é de fundamental importância para o monitoramento da circulação do RABDOVIRUS. A evolução positiva da cobertura vacinal canina (a partir de 1990), a descentralização e o aperfeiçoamento do tratamento profilático Antirrábico Humano, contribuíram decisivamente para o controle relativo da Raiva em Alagoas. No entanto, a dificuldade da maioria dos municípios de detectar focos de Raiva e bloqueá-los em tempo hábil, impede a passagem de Alagoas da condição de área epidemiológica (parcialmente silenciosa) de risco, para área sob controle efetivo da RAIVA. Passo decisivo para superar a referida dificuldade é a sensibilização de 100% dos municípios para a necessidade de detectar e bloquear 100% dos possíveis focos e enviar amostras para diagnóstico objetivando monitorar a circulação do vírus. Expediente Campanha de Vacinação Antirrábica Canina e Felina As campanhas de vacinação constituem o principal instrumento para o controle de Raiva. Na medida em que ultrapassam a meta preconizada pelo Ministério da Saúde, de vacinar no mínimo 80% da população canina e felina, imunizam praticamente 100% dos cães e gatos domiciliáveis dificultando a transmissão do vírus rábico para o ser humano. Em 2013 a campanha teve início no dia 30 de novembro dia D na zona urbana e no período de 01 a 05 de Dezembro na zona rural. Neste período a campanha ultrapassou a meta vacinando (92%) cães e gatos (70%) abrangendo 100% dos Municípios do Estado. O Informe Trimestral sobre Raiva é uma publicação oficial da Gerência de Agravos não Transmissíveis de Fatores Ambientais (GATVZFA) da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVEP) da Secretária Executiva da Saúde de Alagoas. Governador do Estado: Teotônio Vilela Filho Secretário de Estado da Saúde: Jorge Villas Boas Superintendente de Vigilância à Saúde: Sandra Tenório Accioly Canuto. Diretor de Vigilância Epidemiológica: Cleide Maria da Silva Moreira. Gerência de Agravos não Transmissíveis de Fatores Ambientais: Marina de Abreu Accioly Canuto. Editoração Eletrônica: Silvana Tenório Evangelista e Laiza Granja de Souza. Endereço para correspondência: Disponibilizado na pagina 5

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