Laudo Técnico de Condições de Segurança do Trabalho e Higiene Ocupacional do Edifício da Alfândega do Porto de Manaus.

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1 Laudo Técnico de Condições de Segurança do Trabalho e Higiene Ocupacional do Edifício da Alfândega do Porto de Manaus. 1

2 SUMÁRIO DADOS TÉCNICOS PRELIMINARES APRESENTAÇÃO...05 RELATÓRIO DE INSPEÇÃO...07 Condições gerais de circulação Condições do mobiliário Avaliação preliminar dos postos de trabalho verificando aspectos ergonômicos...08 Iluminação geral e local por posto de trabalho Ventilação...09 Verificação do estado das instalações elétricas...09 Verificação do estado das instalações sanitárias...10 Verificação do estado de conservação de forros e pisos...11 Acessos e saídas de emergência...11 Instalação de sistema de combate a incêndio fixo e portátil...12 Verificação de riscos adicionais...12 CONCLUSÃO Legislação e Normas técnicas consultadas e aplicadas APÊNDICE 1.Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) APÊNDICE 2.Levantamento Fotográfico ANEXO. Mídia digital (CD) 2

3 DADOS TÉCNICOS PRELIMINARES Título: Laudo técnico de condições de Segurança do Trabalho e Higiene Ocupacional do edifício da Alfândega do Porto de Manaus. Local/endereço do objeto do serviço: Edifício da Alfândega do Porto de Manaus-AM Rua Marquês de Santa Cruz, s/n Centro Manaus-AM. CEP Descrição resumida do serviço: Avaliação sobre as condições de Segurança do Trabalho e Higiene ocupacional nas dependências do edifício da edifício da Alfândega do Porto de Manaus, com emissão de laudo técnico. Técnicas utilizadas: Inspeção in loco; Entrevista com trabalhadores da alfândega do porto de Manaus; Registro fotográfico; Mídia digital (CD). Condições encontradas: Todas as não conformidades encontradas estão descritas no relatório de inspeção que é parte integrante deste documento. Propostas/ Diagnóstico: As propostas, bem como o diagnóstico técnico estão contempladas na conclusão deste documento. Informações Adicionais: O levantamento das condições de Segurança e Higiene Ocupacionais existentes nas instalações do edifício da edifício da alfândega do porto de Manaus foi acompanhado por uma servidora indicada pelo SINDIRECEITA e as informações adicionais foram obtidas por meio de relatos dos servidores que se encontravam no local durante a inspeção. Documento de registro: Art. nº /2011 3

4 Responsável Técnico: Francisco Paulo Almeida da Rocha Eng. Ambiental Eng.Segurança do Trabalho CREA D 4

5 APRESENTAÇÃO A Alfândega do Porto de Manaus é responsável pelo controle das operações de comércio exterior que em função das peculiaridades locais, advindas do regime aduaneiro aplicado à área especial da Zona Franca de Manaus, faz com que o trabalho executado seja singular. Essas atividades são exercidas basicamente em três frentes de atuação: A fiscalização dos recintos alfandegados, Vigilância e Repressão, a qual compete inibir os ilícitos por meio de ações específicas, normalmente realizadas fora da zona primária e o próprio Serviço de Controle Aduaneiro, onde são analisados os pedidos de utilização de regimes especiais, reconhecimento de isenção, redução, suspensão e imunidade do imposto de importação, controle do cumprimento dos prazos dos regimes; instrução e análise de processos sobre alfandegamento e pedidos de habilitação de empresas transportadoras, entre outras atividades. Para desenvolver tais atividades, a alfândega do porto de Manaus conta com 141 (cento e quarenta e um) servidores regidos pela Lei de 1990 e 22 (vinte dois) funcionários terceirizados regidos pela CLT. Além desse contingente fixo circulam diariamente pelo edifício da alfândega em média 100 (cem) pessoas em busca dos serviços ali ofertados. O conjunto arquitetônico da Alfândega e Guardamoria foram tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1987, junto com o Complexo Portuário, inaugurados oficialmente em O edifício da Alfândega é constituído de estrutura metálica, blocos cerâmicos e tijolos. Sua cobertura é feita em tesouras metálicas e as telhas são planas. Dispõe de instalações elétricas, hidráulicas e telefônicas, esquadrias de madeira, revestimento comum, pavimentação em tábuas, mosaicos e cimento, pintura a óleo e caiação. Suas medidas físicas são aproximadamente: 19 metros de altura, 23,4 metros de largura (frente) e 30,5 metros de comprimento (fundo). Considerando as características da edificação e a sua ocupação, o Sistema de Segurança contra Incêndio e Pânico em Edificações e Áreas de Risco, instituído pela Lei n.º de 17 de março de 2.004, do Estado do Amazonas, a classifica da seguinte forma: Classificação das edificações e áreas de risco quanto à ocupação. Ocupação/Uso - Serviço profissional; 5

6 Divisão D1: Local para prestação de serviço profissional ou condução de negócios como escritórios administrativos ou técnicos, instituições financeiras (que não estejam incluídas em D-2), repartições públicas, cabeleireiros, centros profissionais e assemelhados. Classificação das edificações quanto à altura. Tipo - IV Denominação - Edificação de Média Altura Altura - 12,00 m < H 21,00 m Este laudo tem como objetivo avaliar as condições de salubridade ocupacional a que estão expostas as pessoas laboram no edifício da alfândega do porto de Manaus, bem como verificar o cumprimento das normas técnicas e a legislação vigente quanto às questões relativas à Segurança do Trabalho e Higiene Ocupacional, de forma a classificar o ambiente como seguro e próprio ou inseguro e inadequado à atividade laboral. 6

7 RELATÓRIO DE INSPEÇÃO Durante Inspeção de segurança realizada no edifício da alfândega do porto de Manaus foram observados vários aspectos que contribuem para o aumento da condição de exposição de riscos e de prejuízo à saúde ocupacional. Condições gerais de circulação. O prédio não possui condições razoáveis de circulação, conforme prevê a NBR9050/2004 relativa à Acessibilidade em edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, o que compromete o acesso de pessoas portadoras de necessidades especiais (fotos nº 01 e nº 02); Há uma quantidade considerável de mobiliário armazenado no edifício principalmente nos andares superiores, bloqueando extintores portáteis e saídas que poderiam ser utilizadas como alternativas em uma situação de emergência, contrariando o disposto no item 23.2 e item da NR 23, portaria nº 3.214, do Ministério do Trabalho e Emprego MTE (fotos nº 03 e nº 04); Os locais de trabalho deverão dispor de saídas, em número suficiente e dispostas de modo que aqueles que se encontrem nesses locais possam abandoná-los com rapidez e segurança, em caso de emergência; Os extintores não poderão ser encobertos por pilhas de materiais. Todas as portas têm seu sentido de abertura direcionado para o interior dos ambientes laborais (foto nº 05), contrariando o disposto no item da NR 23, portaria nº 3.214, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); O sentido de abertura da porta não poderá ser para o interior do local de trabalho. 7

8 Condições do mobiliário Na maioria dos ambientes inspecionados a disposição do mobiliário não favorece uma boa circulação interna, e que existe uma quantidade muito grande de acessos bloqueados pelos mesmos, em uma necessidade de evacuação haveria muita dificuldade de remover com segurança a população desse ambiente (foto nº 06). Avaliação preliminar dos postos de trabalho verificando aspectos ergonômicos Aparentemente não há planejamento lógico com relação à distribuição dos postos de trabalho, ficando claro que as pessoas estão acomodadas no espaço disponível sem a devida observância dos aspectos ergonômicos (fotos nº 07, 08 e nº 09). Iluminação geral e local por posto de trabalho Faltam proteções em todas as calhas com lâmpadas fluorescentes, podendo as mesmas se desprender dos conectores e caírem sobre os trabalhadores (fotos nº 10, 11 e nº 12). Há uma grande quantidade de lâmpadas apresentando vazamento, o que pode ser considerado de extremo prejuízo para a visão dos trabalhadores. Não é observado um padrão na tonalidade das lâmpadas, o que pode provocar uma variação de intensidade de luminosidade, prejudicial à visão do trabalhador, pois cria pontos de intensa luz e penumbra no mesmo ambiente (foto nº 13). Deve ser observado o item Iluminâncias em lux, por tipo de atividade (valores médios em serviço) da NBR da ABNT. 8

9 Ventilação Não existe ventilação natural no interior do prédio. Durante a inspeção foi observado que somente em duas salas dos andares superiores pode-se abrir parcialmente uma janela, mesmo assim num ângulo que não favorece a circulação plena do ar (fotos nº 14 e nº 15). Na grande maioria das salas de trabalho foi verificada a presença de ventiladores particulares (fotos nº 16 e nº 17). Não estava disponível no edifício o Plano de Manutenção, Operação e Controle PMOC para o sistema de climatização, o que afronta a Portaria nº 3.523/GM, de 28 de agosto de 1998 do Ministro de Estado da Saúde em seu artigo 6º, alínea a. Art. 6º - Os proprietários, locatários e prepostos, responsáveis por sistemas de climatização com capacidade acima de 5 TR ( kcal/h = BTU/H), deverão manter um responsável técnico habilitado, com as seguintes atribuições: a. implantar e manter disponível no imóvel um Plano de Manutenção, Operação e Controle PMOC, adotado para o sistema de climatização. Este Plano deve conter a identificação do estabelecimento que possui ambientes climatizados, a descrição das atividades a serem desenvolvidas, a periodicidade das mesmas, as recomendações a serem adotadas em situações de falha do equipamento e de emergência, para garantia de segurança do sistema de climatização e outras de interesse, conforme especificações contidas no Anexo I deste Regulamento Técnico e NBR 13971/97 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. Verificação do estado das instalações elétricas. Durante a inspeção de segurança foram verificadas várias irregularidades relacionadas às instalações elétricas, dentre elas destacamos como de maior gravidade as seguintes: Disposição inadequada e insuficiente de tomadas elétricas, sendo observado em todos os ambientes inspecionados a presença de extensões e adaptadores para múltiplas tomadas, o que acarreta uma concentração excessiva de carga em um mesmo ponto, criando condições propicia adequadas para um princípio de incêndio (foto nº 18); Cabos elétricos e de informação lógica compartilhando o mesmo espaço físico. O campo eletromagnético gerado pelos cabos elétricos (devido ao uso de corrente alternada) induz corrente nos cabos de rede, o que gera interferência na transmissão, causando corrupção dos dados e, dependendo da qualidade de isolamento e os tipos de carcaça dos equipamentos 9

10 podem gerar vazamentos de corrente perigosas para as pessoas e provocando condição propicia para um principio de incêndio (fotos nº 19, 20 e nº 21); Foi verificada a presença de emendas improvisadas e mal isoladas em vários pontos das instalações, favorecendo a ocorrência de curtos circuitos aumentando o risco de acidentes de trabalho e princípios de incêndio (foto nº 22); Existe uma grande quantidade de condutores elétricos e de cabos de rede de dados expostas sem proteção (foto nº 23). Todas as irregularidades listadas neste item se encontram em desacordo com a NBR 5.410/2004 da ABNT. Verificação do estado das instalações sanitárias Durante a inspeção foi verificado as seguintes irregularidades: Durante a realização da inspeção 50% das instalações sanitárias encontravam-se interditadas por motivo de manutenção (banheiros femininos). O restante estava sendo dividido entre funcionários e funcionárias, não sendo destinado nenhum para o público (fotos nº 24 e nº 25); As instalações sanitárias disponíveis na edificação possuem um piso com diferença de nível na entrada e não atendem ao disposto na NBR 9050/2004 e na Lei nº , de 8 de novembro de 2000, relativa a Acessibilidade a edificações (foto nº 26); A condição de conservação de louças sanitárias, ralos, torneiras e pias apresentam deficiências (foto nº 27); A condição de privacidade é quase inexistente. As portas principais têm sido mantidas abertas e existem janelas que dão para fora do prédio que permitem visualização interna. Essa condição pode causar constrangimento aos funcionários, principalmente ao sexo feminino, durante a utilização dos mesmos (fotos nº 28 e nº 29); Foi observada a presença de baratas nesses ambientes (foto nº 30). 10

11 Verificação do estado de conservação de forros e pisos O forro de todos os andares apresenta falha na fixação das lâminas metálicas de sua constituição e em virtude da vibração produzida pelo movimento de pessoas e objetos nos andares superiores, cujos pisos são constituídos, por tábuas de madeira, desprendem-se com freqüência e se projetam sobre a cabeça dos trabalhadores. O forro nessas condições representa uma condição grave e iminente de acidente do trabalho (fotos nº 31, 32 e nº 33); Entre os andares existe um espaço de aproximadamente 50 cm onde circulam livremente ratos e uma grande quantidade de baratas. Como medida paliativa de contenção dos excrementos desses animais e insetos, foi feita a instalação de um plástico preto, que é ineficiente para esse fim e sua presença aumenta a condição favorável à ocorrência de incêndios (foto nº 34 ); O piso é constituído por tábuas de madeira extremamente secas o que favorece a condição de risco de incêndio. Algumas tábuas apresentam ressaltos, o que durante uma possível evacuação pode ser fator contribuinte para acidentes (fotos nº 35, 36 e nº 37). Acessos e saídas de emergência Com relação aos acessos foi encontrado o seguinte: O acesso principal da edificação não atenda o disposto na NBR9050/2004 e a Lei nº , de 8 de novembro de 2000 relativa à Acessibilidade. Os corredores e escadas não são dotados de sinalização de segurança (fotos nº 38 e nº39); Não foi encontrada nenhuma saída de emergência (NBR 9077); Todas as janelas do térreo são gradeadas, não sendo possível serem usadas como rota de fuga em caso de sinistros (foto nº 38); A maiorias das janelas dos andares superiores encontram-se lacradas (foto nº 40); Não existe instalado na edificação, escadas de emergência (NBR 9077); Não existe instalado nenhuma porta do tipo corta fogo (NBR 11742); 11

12 Instalação de sistema de combate a incêndio fixo e portátil. O sistema de combate a incêndio fixo apresentou as seguintes anormalidades: Existe instalado um hidrante de 2 ½ por andar, todos inoperantes devido o sistema encontrar-se desligado por motivo de vazamento (foto nº 41); Foi encontrado nas caixas de mangueiras de incêndio, mangueiras de 30 metros, enroladas na posição de lançamento, o que as torna inadequadas devido ao peso e a falta de espaço físico para desenrolar (foto nº 42); De acordo com a Norma ABNT NBR , toda mangueira de incêndio deve ser inspecionada a cada seis meses e ser submetida a ensaio hidrostático e manutenção a cada 12 meses. Esses serviços requerem condições e equipamentos adequados e deverão ser realizados por empresa capacitada. Não foi encontrada nenhuma comprovação do atendimento dessa norma ); A edificação não possui proteção contra incêndio por chuveiro automático (NBR A edificação não possui sistema de detecção de fumaça, cujo modelo é definido pela NBR 9441; A edificação não possui sistema de sinalização e alarmes de incêndio ( NBRs 9.077, , e , todas da ABNT); O layout encontrado não contribui para a correta instalação do sistema de combate a incêndio portátil, os quais estão distribuídos nos diversos ambientes sem a observância da NR 23 (fotos nº 05, 06,07 e nº 08); Não existe brigada de incêndio em funcionamento na edificação (NBR /99); Não existe um plano de emergência implantado e treinado pelos trabalhadores da instalação. 12

13 Não existem na edificação macas para transporte de acidentados e nem caixa com material de primeiros socorros (Artigo 5º e 196 da Constituição; - Artigo 135 do Código Penal Brasileiro; - Resolução nº 218/97 do Conselho Nacional de Saúde). Verificação de riscos adicionais Os principais riscos e condições adicionais observados são os seguintes: A grande presença de baratas evidencia o risco de transmissão de doenças nos trabalhadores tais como: febre tifóide, hepatite A e B, verminoses intestinais, amebíase, giardíase, helmintíase, entre muitas outras que podem ser adquiridas nos alimentos, onde elas passam, além de intoxicação pelo veneno aplicado para seu controle (fotos nº 43 e nº 44); A presença de ratos da mesma forma que as baratas também aumenta o risco do aparecimento de doenças nos trabalhadores tais como: Leptospirose, peste bubônica, Tifo Murino, Febre por Mordedura de Rato, Salmonelose e Cólera, entre muitas outras que podem ser adquiridas através do consumo de alimentos contaminados pelo contato com fezes ou urina de rato, por mordidas durante contato físico acidental com esses animais e pela inoculação através de pulgas, além do risco de intoxicação pelo veneno aplicado para seu controle; Na maioria dos ambientes foi verificada a utilização de paredes divisórias constituídas de material de fácil inflamabilidade (foto nº 45); As escadas instaladas entre os andares são de madeira recoberta em sua área central por uma passadeira de tecido, em caso de sinistro entrarão em combustão facilmente; Em várias salas encontramos instaladas estufas para papel que graças a um bom nível de consciência dos funcionários são desligadas no fim do experiente. No entanto, durante sua operação normal representam fontes térmicas importantes com potencial risco de iniciarem incêndios em função das condições existentes no local ; Em todos os pavimentos existem locais que são utilizados como depósito de material e arquivos com predominância de papel. Esses ambientes podem ser considerados de alto risco 13

14 de incêndio. Na maioria deles não há nenhum tipo de equipamento de combate a incêndio instalado (fotos nº 45, 46,47,48,49,50 e nº 51); Foi observado em um dos banheiros inspecionados sinas claros de um processo de corrosão em uma das vigas metálicas de sustentação do piso superior comprometendo a estrutura da edificação (foto nº 52); Os funcionários não receberam nenhum tipo de treinamento relacionado a situações de emergência; desconhecem a operacionalidade do sistema fixo de combate a incêndio existente; não dominam técnicas de utilização de extintores e não possuem noções básicas de primeiros socorros e transporte de acidentados. 14

15 CONCLUSÃO De acordo com as não conformidades detectadas durante a inspeção de segurança, à luz das normas técnicas e à legislação vigente aplicável, emitimos o seguinte parecer: Tendo em vista a preservação da integridade física e a saúde dos servidores, empregados terceirizados e público em geral que laboram ou fazem uso dos serviços ofertados nessa edificação e considerando que: O edifício não possui uma adequada circulação de ar; Todas as pessoas que ali desenvolvem suas atividades laborais estão sujeitas a contaminação e a adquirirem uma série de enfermidades devido à presença em todos os ambientes de dejetos de ratos e baratas; O edifício não atende a nenhum normativo técnico ou legal sobre Acessibilidade; Encontra-se no local uma grande quantidade de material combustível, em especial, papel armazenado de forma inadequada em quase todos os pavimentos; Todas as janelas do térreo possuem grades que inviabilizam seu uso como rota de fuga; Não existem saídas de emergência; A fixação das lâminas metálicas de composição do forro na maioria dos pavimentos encontra-se em estado precário; Não existe um padrão de iluminação, bem como proteção contra quedas em nenhuma luminária instalada no edifício; O estado das instalações elétricas não apresenta segurança devido a um grande número de concentração de carga e a presença de inúmeras emendas isoladas precariamente; A maior parte do piso dos pavimentos é constituído por tábuas de madeira secas e entre o forro e os assoalhos dos andares superiores foram instalados um material plástico altamente inflamável com alto poder tóxico, em caso de combustão; Os extintores alocados no edifício não atendem a um critério técnico de distribuição, ficando áreas de maior risco de incêndio, como os arquivos e depósitos, sem a devida cobertura; Não existe na edificação pessoa treinada e com conhecimento da operacionalidade dos sistemas fixo e portátil de combate a incêndio; 15

16 Os lavabos disponíveis no edifício possuem janelas para área externa comprometendo a privacidade dos usuários; Não há macas para transporte de acidentados, material para primeiros socorros e pessoa treinada para atuar em situações dessa natureza; O sistema fixo de combate a incêndio encontra-se inoperante; Há bloqueio de grande parte dos acessos aos ambientes internos e todas as portas abrem num sentido desfavorável para serem usadas em uma situação emergencial. A área do edifício da alfândega do porto de Manaus é de 713,7 m 2 por pavimento, perfazendo uma área total de 2854,8m 2, sem contabilização da área utilizada como estacionamento, é necessário para o pleno atendimento do Sistema de Segurança contra Incêndio e Pânico em Edificações e Áreas de Risco, instituído pela Lei n.º de 17 de março de do Estado do Amazonas que a edificação seja adotada as seguintes medidas de segurança contra incêndio: Acesso de Viatura na Edificação (Recomendado); Segurança Estrutural contra Incêndio; Compartimentação Horizontal ou sistema de detecção de incêndio e chuveiros automáticos; Compartimentação Vertical ou sistema de controle de fumaça, detecção de incêndio e chuveiros automáticos; exceto para as compartimentações das fachadas e selagens dos shafts e dutos de instalações; Controle de materiais de acabamento; Saídas de emergência; Brigada de Incêndio (somente para as áreas de depósitos superiores a 750m²); Iluminação de emergência; Alarme de incêndio; Sinalização de emergência; Extintores; Hidrante e Mangotinhos (mangueiras). 16

17 Considerando, por fim, que independentemente de se tratar de um edifício tombado, o mesmo deve atender o disposto no Artigo 12, do Capítulo VII (do Cumprimento das Medidas de Segurança Contra Incêndio), do Sistema de Segurança contra Incêndio e Pânico em Edificações e Áreas de Risco, instituído pela Lei n.º 2.812, de 17 de março de 2.004, do Estado do amazonas, a saber: Art As edificações e áreas de risco existentes antes da vigência deste Regulamento, que não disponham de projeto de proteção aprovado junto ao Corpo de Bombeiros, devem adequar-se às exigências contidas nas Tabelas em anexo, respeitadas as condições estruturais e arquitetônicas que apresentem, podendo, mediante parecer da Comissão Técnica do Corpo de Bombeiros, substituir as exigências comprovadamente inexeqüíveis por outras medidas de segurança. Concluo que, em razão da gravidade das irregularidades observadas, as quais colocam em risco a integridade física e a saúde de todas as pessoas que trabalham ou circulam pelo edifício da alfândega do porto de Manaus, com ênfase no iminente risco de incêndio, que as instalações não oferecem as mínimas condições de segurança de trabalho e de higiene ocupacional necessárias para seu funcionamento. Sugerimos a imediata remoção das pessoas que ali laboram para instalações que atendam a todas as normas técnicas e legais, a fim de preservar a integridade física e saúde ocupacional das mesmas e que sejam adotadas medidas que visem o saneamento das graves irregularidades encontradas na edificação, visando à melhoria da salubridade do ambiente. Sugerimos, ainda, a adoção de programas que visem dotar os servidores de conhecimentos para atuarem em situações de emergência e que promovam a saúde e a segurança Manaus, 19 de julho de Francisco Paulo Almeida da Rocha Eng. Ambiental e de Segurança do Trabalho CREA-AM D 17

18 Legislação e Normas técnicas consultadas e aplicadas: A legislação e as normas técnicas consultadas e aplicadas para a caracterização das condições de salubridade dos ambientes analisados encontram-se apensadas no CD nº 3139MC B3SH, anexado a este documento conforme listadas abaixo: Constituição da República Federativa do Brasil; Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de Dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas Federais; Lei n.º de 23 de março de Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências; Decreto nº 6.833, de 29 de Abril de Institui o Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor Público Federal - SIASS e o Comitê Gestor de Atenção à Saúde do Servidor; Portaria nº 3.523/GM de 28 de agosto de 1998 Aprova o Regulamento Técnico contendo medidas básicas referentes aos procedimentos de verificação visual do estado de limpeza, remoção de sujidades por métodos físicos e manutenção do estado de integridade e eficiência de todos os componentes dos sistemas de climatização, para garantir a qualidade do ar de interiores e prevenção de riscos à saúde dos ocupantes de ambientes climatizados, e dá outras providências; Portaria N , 08 de Junho de 1978 do MTE - Aprova as Normas Regulamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho; NR - 8 Edificações; NR Instalações e Serviços de Eletricidade; NR Atividades e Operações Insalubres; NR Atividades e Operações Perigosas; NR - 17 Ergonomia; 18

19 NR Obras de Construção, Demolição e Reparos; NR Proteção Contra Incêndios; NR Condições Sanitárias dos Locais de Trabalho; NR Sinalização de Segurança; LEI N.º , de 17 de julho de 2003, do Governo do Estado do amazonas - Institui o Sistema de Segurança contra Incêndio e Pânico em Edificações e Casas de Risco e dá outras providências; Decreto nº , de 1º de Março de 2.004, do Governo do Estado do amazonas - Aprova o Regulamento do Sistema de Segurança contra Incêndio e Pânico em Edificações e Áreas de Risco instituído pela Lei nº de 17 de julho de 2003 e dá outras providências; NBR Execução de sistemas de detecção e alarme de incêndio; NBR Extintor de incêndio classe B Ensaio de fogo em líquido inflamável; NBR Extintores de incêndio com carga de pó; NBR Extintores de incêndio com carga de dióxido de carbono (gás carbônico); NBR Mangueira de incêndio - Requisitos e métodos de ensaio; NBR Sistemas de proteção por extintores de incêndio; NBR Inspeção, manutenção e recarga em extintores de incêndio; NBR Sinalização de segurança contra incêndio e pânico - Formas, dimensões e cores; NBR Sinalização de segurança contra incêndio e pânico, Parte 1: Princípios de projeto; NBR Sinalização de segurança contra incêndio e pânico, Parte 2: Símbolos e suas formas, dimensões e cores; NBR Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio; NBR Programa de brigada de incêndio; NBR Detectores automáticos de fumaça para proteção contra incêndio; 19

20 NBR Saídas de emergência em edifícios; NBR Sistemas de condicionamento de ar e ventilação - Execução de serviços de Higienização; NBR Instalações elétricas de baixa tensão; NBR Iluminância de interiores; NBR Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 20

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