JANELAS EPISTEMOLÓGICAS: Um Recorte Teórico sobre a Pluralidade presente na Construção do Conhecimento em Turismo no Brasil

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1 LUCIENE CRISTINA IMES BAPTISTA JANELAS EPISTEMOLÓGICAS: Um Recorte Teórico sobre a Pluralidade presente na Construção do Conhecimento em Turismo no Brasil BALNEÁRIO CAMBORIÚ (SC) 2013

2 UNIVALI UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ Vice-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura Programa de Pós-Graduação em Turismo e Hotelaria - PPGTH Curso de Mestrado Acadêmico em Turismo e Hotelaria LUCIENE CRISTINA IMES BAPTISTA JANELAS EPISTEMOLÓGICAS: Um Recorte Teórico sobre a Pluralidade presente na Construção do Conhecimento em Turismo no Brasil Dissertação apresentada ao colegiado do PPGTH como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre Orientadora: em Turismo Profa. Dra. e Yolanda Hotelaria Flores área e Silva de concentração: Planejamento e Gestão do Turismo e da Hotelaria (Linha de Pesquisa: Planejamento e Gestão dos Espaços para o Turismo) Orientadora: Dra. Yolanda Flores e Silva BALNEÁRIO CAMBORIÚ (SC) 2013

3 UNIVALI UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ Vice-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura Programa de Pós-Graduação em Turismo e Hotelaria - PPGTH Curso de Mestrado Acadêmico em Turismo e Hotelaria CERTIFICADO DE APROVAÇÃO LUCIENE CRISTINA IMES BAPTISTA JANELAS EPISTEMOLÓGICAS: Um Recorte Teórico sobre a Pluralidade presente na Construção do Conhecimento em Turismo no Brasil Dissertação avaliada e aprovada pela Comissão Examinadora e referendada pelo Colegiado do PPGTH como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre em Turismo e Hotelaria. Balneário Camboriú (SC), 30 de setembro de Membros da Comissão: Presidente: Membro Externo: Membro Interno: Dr. Paulo dos Santos Pires Dr. Mario Carlos Beni (USP) Dr. Dr. Luciano Torres Tricárico

4 AGRADECIMENTOS Ao Divino Inspirador, Sumo Belo e Verdadeiro Bem, que nutri em todos nós o amor à Sabedoria, à Natureza, à Humanidade, grata sou e graças dou. Agradeço a financiadora desta pesquisa, á qual esta Dissertação é dedicada, aquela que foi minha primeira professora, minha mãe, Dirce Imes: seria impossível sem você, Obrigada Mãe! À minha orientadora, Dra. Yolanda Flores e Silva, por ter acreditado, arriscado, e ficado ao meu lado, guiando meus passos, trocando conhecimento, me dando asas para voar... Ao corpo docente da UNIVALI, que com seriedade trata do Turismo, enriquecendo todos aqueles que adentram seus arcos em busca do Conhecimento. Em especial, agradeço aqueles que foram meus professores durante as disciplinas cursadas: Dra. Raquel Maria F. A. Pereira; Dra. Josildete P. Oliveira; Dr. Francisco dos Anjos; Dr. Miguel Verdinelli e Dr. Josemar Sidinei Soares. Ao Presidente da Banca de Defesa, Dr. Paulo dos Santos Pires, que esteve ao meu lado durante todo o curso, nos trabalhos com a Revista (RTVA), na Qualificação e na Defesa. Professor, esta publicação é nossa conquista! Ao Dr. Luciano Torres Tricárico, que levantou profundos questionamentos, tanto na Qualificação quanto na Defesa, dedicou-se a leitura e trouxe contribuições metodológicas, filosóficas e literárias únicas. Muito Obrigada! Ao Grande Mestre Dr. Mario Carlos Beni, pela honra e privilégio proporcionados em tê-lo na Banca de Defesa. Acompanho seu trabalho desde a graduação, sua contribuição é inestimável, e a emoção em tê-lo como colaborador em meu crescimento acadêmico e pessoal é inenarrável. À minha Professora e Grande Mestre Dra. Doris Van de Meene Ruschmann, coordenadora do curso no ano de meu ingresso, minha professora nas disciplinas, participante em nossa pesquisa, minha Mentora na área de Planejamento. Palavras

5 faltam para descrever minha admiração. Com orgulho, sou Turismóloga da Escola Ruschmann. Ao Dr. Luiz Gonzaga de Godoy Trigo, participante em nossa pesquisa, nossos agradecimentos são infindos. Espero que encontre nestas páginas a retribuição por sua dedicação e trabalho. Sonhos, possíveis ou impossíveis, sonhos livres! Ao Dr. Luiz Octávio de Lima Camargo, participante em nossa pesquisa, por ter proporcionado um dialético encontro. A transformação no encontro com o outro, a educação em sua práxis histórica e social. Muito Obrigada Professor! Ao Dr. Alexandre Panosso Netto e a Dra. Marutschka Martini Moesch, pela imensa colaboração, tanto em entrevista e reflexões, que em breve serão publicadas, quanto no fornecimento de material bibliográfico. Faço minhas as palavras de Agnes Heller quando diz que a Filosofia nos convida para descobrirmos a verdade juntos! Aos colegas de Mestrado, pelos meses de caminhada juntos. Em especial, aqueles que se tornaram amigos. Tardes de muitas reflexões regadas a acolhedores sotaques, meus companheiros: Sâmea Rocha, Leia Pacheco, Felipe Siqueira, e minha grande amiga, que me acompanhou em viagens de pesquisa Janaina Blanco de Lima. Obrigada meus amigos! Também agradeço a todos os autores, pesquisadores, turismólogos, educadores, filósofos, psicólogos, pensadores, músicos e poetas que direta ou indiretamente contribuíram na composição desta pesquisa. O Conhecimento é produzido sobre os ombros de gigantes. Por fim, humildemente agradeço a você que me lê. É longo ainda o caminho a ser trilhado. Faço minhas as palavras de Carl Sagan, em um Universo de múltiplas possibilidades, é um privilégio dividir este espaço-tempo com cada um de vocês.

6 Esta Dissertação é dedicada à minha Mãe, Dirce Imes.

7 INSPIRAÇÃO Arranca o couro cabeludo, Arranca caspa, arranca tudo, Deixa entrar sol nesse porão! Em qualquer dia, por acaso, Desfaz-se o nó, rompe-se o vaso E surge a luz da inspiração! Deixa seus anjos e demônios, Tudo está mesmo é nos neurônios, Num jeito interno de pressão... Talvez se possa, como ajuda, Ter uma amante manteúda, Ou um animal de estimação! Pega a palavra, pega e come, Não interessa se algum nome Possa te dar indigestão... O que se conta, e se aproveita, É se a linguagem já vem feita, Com sua chave e seu chavão! A porta se abre é de repente Como se no ermo do presente Se ouvisse a voz da multidão. E o que tem força, o que acontece É como um dia que estivesse Sem calendário ou previsão! Fica à espera, de tocaia, Talvez um dia a casa caia E fique tudo ao rés-do-chão! Fica a fumaça no cachimbo, Fica a semente no limão, Fica o poema no seu limbo, E na palavra... um palavrão! Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede

8 BAPTISTA, Luciene C. Imes. JANELAS EPISTEMOLÓGICAS: Um Recorte Teórico sobre a Pluralidade presente na Construção do Conhecimento em Turismo no Brasil f. Dissertação de Mestrado (Pós Graduação Stricto Sensu em Turismo e Hotelaria Mestrado Acadêmico) - Centro de Ciências Sociais Aplicadas: Comunicação, Turismo e Lazer, Universidade do Vale do Itajaí, Balneário Camboriú, RESUMO A pesquisa realizada foi norteada pela relevância e necessidade de ampliar os debates, reflexões epistemológicas e filosóficas acerca do Turismo e a produção do conhecimento científico. O objetivo geral foi o de caracterizar as influências epistemológicas e teóricas na construção do conhecimento do Turismo no Brasil, a partir de unidades de leitura de pesquisadores e autores brasileiros selecionados pela pesquisa. O percurso metodológico adotado para analisar estes pesquisadores e autores foi de natureza qualitativa, com pressupostos baseados no Materialismo Histórico Dialético. Estes pressupostos filosóficos foram aprofundados durante o desenvolvimento da fundamentação teórica, e a perspectiva epistemológica da abordagem dialética se fez presente durante toda a pesquisa. Ao analisarmos os pressupostos teóricos e epistemológicos dos autores-pesquisadores selecionados, efetuamos um recorte teórico e abrimos uma Janela Epistemológica sobre o conhecimento em Turismo no Brasil, evidenciando sua interdisciplinaridade. No total foram três informantes entrevistados, e esta participação veio a enriquecer nossa compreensão sobre o desenvolvimento dos Programas de Pós Graduação em Turismo no Brasil, bem como do conhecimento até então desenvolvido. A pesquisa revelou os diferentes caminhos epistemológicos traçados pelos autores em suas respectivas produções, em um diálogo intenso e interdisciplinar com suas áreas de formação. Além disso, dentre os resultados alcançados, pudemos perceber a riqueza da interface entre o Turismo e outras áreas do conhecimento, trazendo impactos positivos sobre a produção científica, que se dinamiza entre as múltiplas temáticas que podem ser abordadas. Desta forma, nossa pesquisa não busca esgotar a análise, mas sim levantar o debate e a discussão, suscitar novas investigações na temática, que efetuem uma constante reflexão sobre sua própria epistemologia, podendo assim contribuir para o avanço do Turismo como campo do conhecimento. Palavras chave: Turismo; Epistemologia; Conhecimento; Educação; Dialética.

9 BAPTISTA, Luciene C. Imes. EPISTEMOLOGICAL WINDOWS: A Theoretical Reflection on the Plurality that exists in the Construction of Knowledge in Tourism in Brazil f. Master s Degree Dissertation (Postgraduation Stricto Sensu in Tourism and Hotel Management Master s Degree) Center for Applied Social Sciences: Communication, Tourism and Leisure, University of Vale do Itajaí, Balneário Camboriú, ABSTRACT This research was guided by the importance and need to widen the debates and epistemological and philosophical reflections on Tourism and the production of scientific knowledge. The overall objective was to characterize the epistemological and theoretical influences in the construction of knowledge in the area of Tourism in Brazil, based on units of reading of Brazilian researchers and authors selected for the study. The methodological approach used to analyze these researchers and authors was a qualitative one, with premises based on Dialectic Historical Materialism. These philosophical premises were investigated in more depth during the development of the theoretical basis, and the epistemological perspective of the dialectic approach was present throughout the research. By analyzing the theoretical and epistemological premises of the selected authors and researchers, we provide a theoretical reflection and open an Epistemological Window to knowledge in the area of Tourism in Brazil, demonstrating its interdisciplinary nature. Three informants were interviewed, and their participation enriches our understanding of the development of Postgraduate Programs in Tourism in Brazil, as well as the knowledge developed so far. The research revealed the different epistemological paths outlined by the authors in their respective works, in an intense, interdisciplinary dialog with their areas of training. Also, among the results obtained, we can see the richness of the interface between Tourism and other areas of knowledge, bringing positive impacts on scientific production, which is dynamized among the multiple themes that can be addressed. Our research, therefore, does not seek to be an exhaustive analysis, but rather, to encourage debate and discussion, prompting further studies on the theme that offer a constant reflection on their own epistemology, thereby contributing to the advancement of Tourism as a field of knowledge. Keywords: Tourism; Epistemology; Knowledge; Education; Dialectic.

10 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ABNT ANPTUR ARENA CAPES CNPQ EACH ECA EMBRATUR IES MDB MEC MHD MTUR PPG RTVA SNPG TCLE UAM UCS UECE UEL UF UFRN UNB UNIVALI UNOPAR USP Associação Brasileira de Normas Técnicas Associação Nacional de Pós-graduação e Turismo Aliança Revolucionária Nacional Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Escola de Artes, Ciências e Humanidades Escola de Comunicação e Artes Empresa Brasileira de Turismo Instituição de Ensino Superior Movimento Democrático Brasileiro Ministério da Educação e Cultura Materialismo Histórico Dialético Ministério do Turismo Programa de pós-graduação Stricto Sensu Revista Turismo Visão e Ação Sistema Nacional de Pós-Graduação Termo de Compromisso Livre e Esclarecido Universidade Anhembi Morumbi Universidade de Caxias do Sul Universidade do Estado do Ceará Universidade Estadual de Londrina Unidade da Federação Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade de Brasília Universidade do Vale do Itajaí Universidade Norte do Paraná Universidade de São Paulo

11 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Quadro 01 Resultados de Busca na Base de Dados SCIELO Quadro 02 Exemplos de Reflexões no Método Dedutivo Quadro 03 Critérios de seleção dos Autores/Pesquisadores para a pesquisa Quadro 04 Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação ECA USP Quadro 05 - Programas de Pós-Graduação Ciências Sociais Aplicadas Turismo Quadro 06 Mestrados Profissionais em Turismo reconhecidos pela CAPES Quadro 07 Cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu em Turismo reconhecidos pela CAPES e selecionados pela pesquisa Figura 01 Exemplo de Reflexões do Método Dedutivo Figura 02 Exemplo de Reflexão na dinâmica do Método Indutivo (Empirismo) Figura 03 Dinâmica do Método Hipotético-Dedutivo (Método Científico) Figura 04 Dinâmica do Método Materialista Histórico Dialético Figura 05 - Página de Busca de Currículo Lattes Figura 06 - Fluxograma Geral da Comunicação Humana Figura 07 - Placa de Bronze ofertada pela Touring Club do Brasil a São Paulo SP em Figura 08 Comparativo por Geografia, Instituição de Vínculo e Área de Atuação Gráfico 01 Divisão de Cursos de Graduação em Turismo por tipologia da IES em Gráfico 02 Divisão dos Cursos de Graduação em Turismo por Região em Gráfico 03 Evolução por ano de Programas Acadêmicos Stricto Sensu no Brasil Gráfico 04 Programas de Pós-Graduação no Brasil em Turismo Gráfico 05 Progressão Linear dos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu em Turismo no Brasil Gráfico 06 Distribuição de Programas Stricto Sensu por Tipologia Gráfico 07 - Distribuição de Programas Stricto Sensu por Tipologia 2013/

12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO: OS CAMINHOS DA PESQUISA PROBLEMATIZAÇÃO DA PESQUISA OBJETIVOS JUSTIFICATIVA REFERENCIAL TEÓRICO METODOLÓGICO O CONHECIMENTO HUMANO Epistemologia: Teorias do Conhecimento Contribuições de Jean Piaget: O Sujeito Epistemológico DA METAFÍSICA A CIÊNCIA MODERNA EMPIRISMO (MÉTODO EXPERIMENTAL) POSITIVISMO Positivismo de Augusto Comte Positivismo Lógico Funcionalismo FENOMENOLOGIA O Método Dialético Estruturalismo METODOLOGIA: PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS TIPO DE PESQUISA AMOSTRAGEM DA PESQUISA TÉCNICAS E ESTRATÉGIAS DE COLETA DA PESQUISA ANÁLISE DOS DADOS ENSINO SUPERIOR NO BRASIL: DAS PRIMEIRAS LETRAS À UNIVERSIDADE A TRANSIÇÃO REPUBLICANA A Revolução de 1930 e a Década de Turismo e o Regime Militar (1964 a 1985) TURISMO: DO ENSINO PROFISSIONAL A UNIVERSIDADE A Pós-graduação Brasileira e o Parecer SUCUPIRA Peculiaridades da Pós Graduação Stricto Sensu No Brasil RELATO DE EXPERIÊNCIA - DRA. DORIS VAN MEENE RUSCHMANN O DOUTORADO EM COMUNICAÇÃO SOCIAL - USP ECA ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação - USP Estrutura do PPGCOM USP ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: TEORIA E PESQUISA EM COMUNICAÇÃO ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: ESTUDO DOS MEIOS E DA PRODUÇÃO MEDIÁTICA

13 5.4 ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: INTERFACES SOCIAIS DA COMUNICAÇÃO OS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM TURISMO NO BRASIL UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - UNIVALI Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Turismo e Hotelaria UNIVALI Área de Concentração: Planejamento e Gestão do Turismo e da Hotelaria UNIVERSIDADE CAXIAS DO SUL UCS Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Turismo - UCS Área de Concentração: Desenvolvimento Regional do Turismo UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI UAM Programa de pós-graduação stricto sensu em hospitalidade UAM Área de Concentração: Planejamento e Gestão Estratégica em Hospitalidade UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE UFRN Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Turismo UFRN Área de Concentração: Turismo, Desenvolvimento e Gestão PANORAMA DA PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM TURISMO NO BRASIL REFLEXÕES SOBRE O ESTADO DA ARTE REFLEXÕES SOBRE O ESTADO DA ARTE EM TRIGO O AUTOR: Luiz Gonzaga de Godoi Trigo Seleção da Unidade de Leitura Análise Temática: TRIGO, Peculiaridades da Entrevista Janela Epistemológica: Luiz Trigo REFLEXÕES SOBRE O ESTADO DA ARTE EM CAMARGO O AUTOR: Luiz Octávio de Lima Camargo Seleção da Unidade de Leitura Análise Temática Peculiaridades da Entrevista Janelas Epistemológicas: Luiz Octávio de Lima Camargo Considerações Finais REFERÊNCIAS ANEXOS APÊNDICES

14 13 1 INTRODUÇÃO: OS CAMINHOS DA PESQUISA O caminho do conhecimento se une aos passos do ser humano durante a história, na construção de saberes e ciências. Todas as atividades humanas, de algum modo, são formas de aquisição de conhecimento. Seja no senso comum, nas tradições, nas regras sociais, o desejo de conhecer é inerente ao ser humano, é inerente a sociedade. (ARISTÓTELES, 1984) Inicialmente o conhecimento baseava-se em uma única matriz complexa, que unia em si interpretações de todos os fenômenos da natureza e sociedade. A filosofia e as ciências gregas são os mais significativos representantes desta visão integrada de mundo. As transformações sociais e históricas e suas relações de produção, tornando-se progressivamente complexas, trazem a necessidade de acompanhamento e estudo diferenciado de tão grandes mudanças, nos mais diferenciados contextos (RICHARDSON, 2008; GARCIA, 1988). A ciência, assim, emerge da escolha de objetos e fenômenos particulares de estudos, compondo-se em um conjunto de conhecimentos sobre fatos e aspectos de uma dada realidade, expressos através de uma linguagem precisa. Esta característica em especial possibilita sua continuidade. O conhecimento é solidificado sobre os ombros de gigantes. Um novo conhecimento é produzido a partir de algo anteriormente desenvolvido. Nega-se, reafirma-se, descobrem-se novos aspectos, assim a ciência avança, caracterizando-se como um processo dialético de construção. Sendo a ciência também um fenômeno histórico, é propriamente um processo. O conceito de processo traduz a característica de uma realidade sempre volúvel, mutável, contraditória, nunca acabada, em vir a ser. Não há estação final onde esse trem poderia parar; não há porto seguro onde esse navio ancoraria em definitivo. Não há ponto de chegada onde não tivéssemos que partir. Em ciência estamos sempre começando de novo. (DEMO, 1985, p. 29) Considerando esta perspectiva, esta dissertação de mestrado foi concebida enquanto um processo de construção científica do conhecimento. No ano de 2002 ingressei no curso de Psicologia na Universidade Estadual de Londrina UEL, onde permaneci até o ano de 2005, aprofundando estudos nas áreas de Psicologia e Metodologias de Pesquisa, inclusive atuando como monitora de instrumentação científica na graduação e em outros cursos. Aliado ao interesse filosófico, aprofundei

15 14 os estudos em fundamentos epistemológicos da psicologia e da psicanálise. Após esse período, ingressei na graduação em Turismo na Universidade Norte do Paraná UNOPAR, onde me deparei com uma realidade acadêmica e teórica muito diferente. Durante a graduação sempre me questionei sobre: quais seriam os fundamentos epistemológicos que, até então, nortearam a construção do saber em turismo. Porque se discutiria tão pouco sobre a teoria, e até mesmo a filosofia que embasam conceitos amplamente difundidos na academia? Em 2010 apresentei meu trabalho de conclusão de curso sob a temática Epistemologia do Turismo, orientada pelo professor e Dr. Leonardo Sturion, com quem tive a oportunidade, também, de aprofundar estudos no campo da Estatística e Metodologias de Pesquisa Social. Este veio a se tornar meu pré-projeto para ingresso no Programa de Pós Graduação Stricto sensu do Mestrado Acadêmico em Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI. Visando à carreira docente, sou acadêmica do Programa de Pós-graduação em Docência na Educação Superior pela UEL, curso que no momento se encontra paralisado em virtude da conclusão do Mestrado. Esta pesquisa constituiu-se então em uma tentativa de aprofundar reflexões sobre o Campo Teórico do Turismo. Considerando as lacunas de reflexão epistemológica ainda existentes, as questões a seguir foram parte do que buscamos discutir e refletir em nossa pesquisa: Qual a importância de um estudo epistemológico do turismo? Este tipo de estudo de natureza filosófica pode ser agente transformador da prática do turismo, e, ao mesmo tempo, trazer subsídios para a elaboração de teorias que auxiliem no entendimento do que se realiza no turismo? Para Demo (2000, p.111) [...] teoria que nada tem a ver com prática, nunca foi sequer teoria, e prática que jamais volta à teoria desanda em ativismo cego. Considerando esta afirmação, é possível perceber que o diálogo entre a prática e a teoria é imprescindível na construção do saber-pensar e do saber-fazer, e a prática que não revisita a teoria cai sob o jugo do tecnicismo e reducionismo. Paiva (2001, p.14), nos alerta para o seguinte: A teoria que trata do turismo ainda é muito fragilizada, embora os esforços que estejam sendo feitos por professores ou não, já demonstrem o empenho no sentido de impulsionar o conhecimento sobre essa temática.

16 15 Muitos conceitos apregoados e dispostos a legitimar a tão conhecida indústria do turismo, limitam e compõem um saber dirigido, utilizando-se muitas vezes de termos inadequados, como, por exemplo, a apresentação do Turismo como uma indústria sem chaminés. Mesmo estes sendo conceitos que atendem a necessidade do trade turístico e das demais organizações, que medem seu desenvolvimento econômico, ele tem origem e forte influência de determinadas escolas do pensamento, em um conhecimento meramente técnico, e que hoje têm se alterado e voltado seus olhos para a dimensão científica, teórica e social do turismo. Estes conceitos refletem uma das facetas do Turismo, que tem seu desenvolvimento e crescimento enquanto atividade econômica no berço do capitalismo. (MEIRA; MEIRA, 2007) Mas, assim como em outras áreas do conhecimento, existem diferentes abordagens e visões acerca do turismo e de seu desenvolvimento no âmbito social, cultural e humano, que se renovam à medida que a área amadurece e contempla temáticas que antes não haviam sido observadas. O turismo, sob novos olhares, passa a extrapolar a abordagem unicamente mercadológica. Embora ainda alguns círculos vejam o turismo apenas como indústria de viagens e prazer, trata-se de algo mais complexo do que um simples negócio ou comércio, [...] o turismo é uma amálgama de fenômenos e relações, fenômenos estes que surgem por causa do movimento de pessoas e sua permanência em vários destinos. (BARRETTO, 2000, p.12) Ao tentar explicar um fenômeno tão complexo como o turismo, apenas em seus aspectos econômicos, se exclui a verdadeira essência do turismo: a experiência humana. Claro que devemos salientar a importância dos estudos acerca do turismo em sua faceta mercadológica. Afinal, aspectos políticos e econômicos são variáveis imprescindíveis na compreensão dialética de um fenômeno tão intenso e dinâmico. E por se tratar de dinamismo, de movimento, que novas abordagens e paradigmas são construídos, a fim de compreender o turismo em suas mais variadas manifestações e aspectos. O homem está em constante mudança; a sociedade está em constante mudança. Ele é construído por suas experiências, aprendizado, vivências. O homem é um ser histórico e social, e não há como pesquisar o social sem a perspectiva histórica. Quando olhamos para o turismo sob uma perspectiva exclusivamente mercadológica, industrial, muitas vezes excluimos as pessoas e suas subjetividades

17 neste processo, visando aspectos quantitativos e esquecendo os aspectos qualitativos deste. 16 Compreende-se, no âmbito da presente investigação, que ao vislumbrar o turismo como indústria corre-se o risco de desconsiderar as questões culturais, sociais, históricas, ambientais e políticas nas quais ele está envolto, esboçando-se, então, uma simplificação do fenômeno. Essa é, portanto, uma forma reducionista de compreender o turismo, que privilegia apenas valores quantitativos, reconhecendo apenas as implicações econômicas e empresariais do turismo. (SOUZA, 2011, p.48) Portanto, o Turismo visto como fenômeno social deve ser pensado e pesquisado considerando todos os elementos que o integram e isto significa entender o Turismo como uma área Inter e Multidisciplinar. A pesquisa nas ciências sociais, conforme salienta Goergen (1979), não pode excluir de seu trabalho a reflexão sobre o contexto conceitual, histórico e social que forma o horizonte mais amplo, dentro do qual as pesquisas isoladas obtêm o seu sentido. Assim, a pesquisa em turismo não pode desconsiderar o histórico, movimentos e processos através dos quais a sociedade se transforma, e o individuo, operante nesta sociedade, também é transformado por ela. A estratégia utilizada em qualquer pesquisa científica fundamenta-se em uma rede de pressupostos ontológicos e da natureza humana que definem o ponto de vista do pesquisador frente ao mundo que o rodeia. Estes pressupostos fundamentam as bases do trabalho científico e a interpretação do pesquisador. É absolutamente necessário que se possam identificar estes pressupostos em relação ao homem, a sociedade e ao mundo em geral. Fazendo isso, pode-se identificar a perspectiva epistemológica utilizada pelo pesquisador. Esta perspectiva orientará a escolha do método, metodologia e técnicas a serem utilizadas na instrumentação da pesquisa. (RICHARDSON, 2008) Assim, o presente estudo tem seus pressupostos baseados na metodologia do Materialismo Histórico Dialético, propondo uma discussão dialética na investigação sobre fundamentos epistemológicos identificados na construção do conhecimento em turismo. Estes pressupostos filosóficos foram aprofundados durante o desenvolvimento da fundamentação teórica, e a perspectiva epistemológica da abordagem dialética se fez presente durante toda a pesquisa. Apontando múltiplas posições e reforçando a investigação enquanto descoberta, diálogo e transformação. A construção do conhecimento sendo uma contínua

18 17 elaboração. (PIAGET, 1971) 1.1 PROBLEMATIZAÇÃO DA PESQUISA A problematização desta pesquisa iniciou-se a partir da observação da realidade concreta, a realidade que está aparente, e as reflexões acerca da pesquisa científica em turismo e seus caminhos. Sabemos que a construção do conhecimento atinge certo nível de maturidade durante a formação Stricto Sensu. Refletindo sobre a ciência e o conhecimento enquanto processos de construção social e humana, esta construção atinge o nível de consolidação em especial no Doutorado, onde existe uma maior autonomia intelectual por parte do investigador. (PIAGET, 1971; SAVIANI, 2000). Colocado este pressuposto, observamos na realidade concreta que a pesquisa em turismo no mundo, e particularmente no Brasil, está em construção, uma vez que seu único doutorado em turismo ainda está por começar 1 e os demais cursos oferecidos no Brasil que possuíam linha de pesquisa em Turismo, na prática não preenchiam as lacunas epistemológicas de construção de um conhecimento próprio do turismo. A fim de traçar um panorama sobre a pesquisa e a construção do conhecimento em turismo, se fez necessário conhecer os programas de formação Stricto Sensu em turismo reconhecidos no Brasil. Identificar a que instituições de ensino estavam ligados, e quais seriam estes espaços de construção científica. Quais os objetivos, área de concentração e linhas de pesquisa existentes nestes programas. Assim, foi possível levantar variáveis que nos proporcionasse uma maior dimensão da realidade observada e a sua influência na construção científica do turismo brasileiro até o presente momento. Com a complexidade que o fenômeno toma, à medida que novas questões e problemáticas ligadas ao turismo surgem, cresce a necessidade de construção de um referencial epistemológico. Poucas e limitadas são as obras que tratam dessa temática ainda. Mas existem pesquisadores e autores que possuem a Epistemologia 1 A seleção para a primeira turma de um Doutorado em Turismo ocorreu dia 18 e 19/02/2013 no Programa de Pós-Graduação Stricto sensu em Turismo e Hotelaria da UNIVALI. Outros doutores que atuam na área, em sua maioria, possuem Doutorado em Comunicação pela USP, Doutorado em Administração e Turismo pela UNIVALI, Doutorado em Turismo pela Espanha e Portugal e Doutorado em outras áreas.

19 18 enquanto tema e assunto de suas pesquisas, relacionados ao turismo e a pesquisa em ciências sociais, ou que tomam fundamentos epistemológicos específicos, que fundamentam sua produção, visão de mundo, pensar e agir social. Reconhecemos que, no mundo científico, existem paradigmas dominantes. Paradigmas estes que norteiam a pesquisa científica (KUHN, 1988). No âmbito do turismo, os estudos empíricos tem tido, até então, maior espaço no debate da temática. Mas seria o conhecimento construído apenas através do método empírico? A reflexão filosófica seria mesmo somente um elemento de abstração? Por fim, o objetivo geral da pesquisa realizada foi o de caracterizar as influências teóricas e epistemológicas presentes na reflexão e discussão de pesquisadores brasileiros acerca da construção do conhecimento científico do turismo. Este objetivo nasceu a partir dos questionamentos abaixo: a) Quais são os fundamentos epistemológicos presentes nas pesquisas do Turismo brasileiro? b) Quais os referenciais teóricos metodológicos identificados na obra dos pesquisadores brasileiros, que trabalham a questão epistemológica em suas pesquisas no Turismo? c) Quais as diferenças de caminhos epistemológicos traçados entre os pesquisadores brasileiros? 1.2 OBJETIVOS Objetivo Geral Caracterizar as influências teóricas e epistemológicas presentes na reflexão e discussão de pesquisadores brasileiros acerca da construção do conhecimento científico do turismo.

20 19 Objetivos Específicos a) Descrever contextualmente os Programas de Pós Graduação Stricto Sensu em Turismo, incluindo área de concentração e linhas de pesquisa, e suas relações com a construção do conhecimento em Turismo no Brasil; b) Identificar e selecionar pesquisadores brasileiros que atuam no Turismo, com produção bibliográfica que faça uma reflexão ou discussão acerca da construção do conhecimento científico em Turismo no Brasil; c) Analisar os referenciais teóricos metodológicos e os possíveis diferentes caminhos epistemológicos traçados entre os pesquisadores brasileiros selecionados pela pesquisa. 1.3 JUSTIFICATIVA Mas, afinal, para que discutirmos a construção do conhecimento em turismo? Qual a relevância desta investigação? Ora, o conhecimento está intrinsicamente ligado à prática do turismo. Podemos fazer uma analogia muito interessante. No espetáculo circense um dos shows executados é o do trapezista. Seu show exige muitas horas de treino e claro uma preocupação grande com a segurança dos artistas. Por isso, o show é executado com uma rede de proteção. Em caso de quedas, o artista não se machucará. Ao mesmo tempo, esta rede de proteção dá mais liberdade e segurança ao trapezista para executar seus saltos, tentar novas manobras, pois sabe que existe uma rede para segura-lo caso algo aconteça. A teoria, o conhecimento, é como a rede de proteção do trapezista, ela é a segurança do pesquisador. É o que permite ao pesquisador alçar novos voos, enfrentar obstáculos, pois ela fornece o embasamento e segurança necessária para que possam ser desenvolvidos novos conceitos, novos saltos científicos no campo teórico e prático. Ou seja, a prática depende do conhecimento, e a partir dessa

21 20 prática o caminho do conhecimento encontra novos desafios. Desafios estes que nos leva a buscar novos conhecimentos e desenvolver novas práticas. Assim, discutir a construção do conhecimento em turismo se torna relevante na medida em que esse conhecimento possui capacidade de transformação na atividade turística. Conhecer os caminhos que fundamentam epistemologicamente a construção do conhecimento científico em turismo é vislumbrar novas possibilidades, descobrir visões de mundo, de homem e sociedade. É necessário conferirmos desdobramento filosófico ao turismo e seus conceitos, de forma a construir conhecimento científico e teórico. Por exemplo, o turista na visão econômica, é público alvo do mercado e será turista apenas no momento do consumo. Em uma abordagem filosófica e humanista, este mesmo turista passa a ter um papel social e uma abrangência muito maior, como coloca Rozisca (2008, p.5): Do ponto de vista filosófico, surgem outros desdobramentos deste mesmo turista, e pode-se conceber que este busca satisfazer uma necessidade e que suas peculiaridades, seu ser, sua cultura, seu conhecimento acumulado vai interagir com o polo receptor, fruto de seu desejo, mesmo muito antes do consumo, durante o consumo, e com certeza o acompanhando nas suas experiências, por toda a vida. Trazendo como exemplo a influência deste pensamento para o plano prático, podemos, através da razão, inferir que as ações, derivadas desta linha de pensamento, se estendem para além do turista consumidor, direcionando ações antes, durante e após a viagem, bem como ações ligadas às comunidades receptoras, para além da simples capacitação e qualificação de serviços ligados aos equipamentos do turismo. Toda prática necessita de retorno à teoria, é quando se reflete e descobre-se que toda prática é sempre incompleta. Uma área de conhecimento que não reconhece seus processos históricos, sua construção e os fundamentos presentes na produção do saber não se constituem nem como técnica, e nem como ciência. É preciso lançar mão da epistemologia para tentar entender melhor a construção do conhecimento na área do Turismo e vislumbrar as novas possibilidades que diferentes posicionamentos epistemológicos podem trazer para compreender um fenômeno tão complexo, e tão intrínseco a natureza humana e social.

22 21 2 REFERENCIAL TEÓRICO METODOLÓGICO Neste capítulo apresentamos o referencial teórico e metodológico que fundamenta a ancoragem teórica desta dissertação, sobre quais fontes e autores o nosso discurso se constrói. O conhecimento é construído dialeticamente, ou seja, durante a interação com as fontes pesquisadas e no encontro com o outro, é possível que surjam novos conceitos e subsídios para uma análise e reflexão dialéticas sobre o objeto de estudo. (PIAGET, 1971; VYGOTSKY, 1989) A revisão bibliográfica envolve em seu material de análise bibliografias primárias e secundárias que visam verificar a fundamentação teórica utilizada no desenvolvimento de pesquisas relacionadas à nossa temática de estudo, possibilitando uma visão panorâmica dos estudos desenvolvidos. Além das Bibliotecas da UNIVALI e UEL, se faz imprescindível a busca de bibliografia recente, atualizada, comunicações acerca dos últimos estudos realizados. Para tal, a academia usa como principal mecanismo de comunicação científica periódicos, compostos em artigos científicos, resenhas, paper position, além das dissertações e teses de Mestrado e Doutorado, comunicações científicas no nível Stricto Sensu, disponível na base de dados CAPES 2 e também nos sítios eletrônicos dos Programas de Pós-graduação. Para fins iniciais deste estudo, a fim de evidenciar a relevância e originalidade da temática, detalhamos as fontes secundárias encontradas na Base de Dados SCIELO, bem como as entradas de busca no quadro abaixo: Quadro 01 - Resultados de Busca na Base de Dados SCIELO. BASE DE DADOS - BUSCA SCIELO Último Acesso em 20/10/2012 Palavra-Chave / Assunto EPISTEMOLOGIA Local Todos os índices - Brasil Total de Registros Encontrados 207 Registros Relevantes 13 Artigos selecionados 11 Principais áreas de produção Fonte: Dados da Pesquisa. Educação; Física; Saúde; Psicologia; Meio Ambiente. A pesquisa na base de dados SCIELO para a temática retornou 207 artigos, 2 Anexo a esta proposta podem ser encontrados resultados de pesquisa realizada no Banco de Teses e Dissertações da CAPES (ANEXO A).

23 22 dentre eles, apenas 11 artigos realmente faziam uma discussão relevante da temática epistemológica nos mais diversos campos de estudo. A principal área de produção é Educação, Docência e Pedagogia, demonstrando o intenso diálogo entre a temática epistemológica e a produção do conhecimento, a aprendizagem e aquisição de conceitos. Dentre as disciplinas mais referenciadas encontra-se a Física, o que nos permite inferir que, mesmo se tratando de um dos mais antigos continentes do conhecimento, consolidado, conhecido como ciência dura, a física não deixa de discutir suas bases epistemológicas. Em se tratando da produção em Turismo, foi encontrado apenas 01 Artigo, que tece considerações acerca do Turismo como campo do conhecimento em formação, apoiando sua análise nos discursos de Pierre Bordieu e Jafar Jafari, datado de 2007, e que foi publicado em um Periódico Online com foco na área de Administração, patrocinado pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas 3. Essa busca nos revela a necessidade de se discutir a temática epistemológica aplicada ao turismo de forma mais relevante, visto que uma área que pretende alcançar (ou não) o status de ciência, não pode desconsiderar a reflexão filosófica. E que esta reflexão seja no âmbito do turismo enquanto atividade humana, e também enquanto campo do conhecimento. 2.1 O CONHECIMENTO HUMANO A busca pelo conhecimento acompanha a humanidade desde seus primórdios. Todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer (ARISTÓTELES, METAFÍSICA, 1984, p.11 [Livro I A: Cap. 1]). E como dito anteriormente, muitas são as formas de conhecer e interpretar o mundo que nos rodeia. O encanto pelo desconhecido, pelo Universo, pelo Cosmos. Se na antiguidade as questões acerca dos fenômenos da natureza tinham na mitologia suas explicações, a filosofia e as ciências gregas surgem como tentativa de compreensão do mundo, versando suas preocupações sobre o universo, a divindade, a vida, a virtude e o Conhecimento. David Hume, em seus Ensaios 3 A linha editorial do Cadernos EBAPE.BR almeja a constituição de um espaço de livre acesso para o debate acadêmico por meio da publicação de ensaios teóricos e artigos qualitativos relacionados à área de Administração. O público-alvo dos Cadernos EBAPE.BR inclui professores, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação em Administração e áreas afins, e profissionais da administração, no Brasil e no exterior.

24 Morais, Políticos e Literários, coloca de forma platônica a contemplação do Homem em relação ao universo, e a preocupação com a virtude do conhecimento. 23 A mais perfeita felicidade deve indubitavelmente derivar da contemplação do mais perfeito objeto. Mas qual o objeto mais perfeito que a beleza e a virtude? E onde se pode encontrar beleza igual à do universo? Ou virtude que possa comparar-se à benevolência da Divindade? Se alguma coisa é capaz de diminuir o prazer desta contemplação, só pode ser a limitação de nossas faculdades, que ocultam de nós a parte mais importante dessas belezas e perfeições, ou a brevidade de nossa vida, que não dá tempo suficiente para delas nos instruirmos. (HUME, p. 212, 1973) Conhecer implica em aprender. E quando dizemos aprendizado, o dizemos em todos os níveis. Aprendemos a reconhecer objetos, pessoas, lugares. Aprendemos a nos comportar em diferentes ambientes, entre família, amigos, trabalho. O aprendizado e o conhecimento caminham juntos, e muitas são as possibilidades de conhecer e interpretar o mundo ao nosso redor. Como coloca Bernard Charlot, Docente em Ciências da Educação na Universidade de Paris, Nascer é ingressar em um mundo onde se está submetido à obrigação de aprender. Ninguém pode escapar dessa obrigação, pois o sujeito só pode tornar-se apropriando-se do mundo (CHARLOT, 2000, p. 59). Assim, o conhecimento se dá em um processo de aprender e apreender o mundo que nos rodeia. E por este mundo que rodeia o ser social ser tão vasto e tão complexo, que muitas são as formas de conhecer parcelas da realidade. São vários os níveis de conhecimento: o senso-comum, a religião, a filosofia, a ciência, a arte. Cada um com suas características específicas, propondo-se a objetivos diferentes, muitas vezes por caminhos diferentes. A religião motiva o homem a trilhar o seu caminho, qualquer que seja, e encetar seu aperfeiçoamento e não deve ser analisada à luz do volume e do rigor das informações apresentadas, mas sob a inspiração da fé em seus mistérios essenciais; o senso-comum orienta e capacita a viver seu cotidiano, seu universo sensível; a Filosofia e a Ciência, embora cada qual tenha as suas características próprias e suas preocupações primárias, não devem ser entendidas como abordagens antagônicas do real, mas sim como diferentes ângulos de incidência sobre um mesmo fenômeno, completando uma as descobertas da outra, corroborando mesmo, mutuamente, os dados apresentados aqui e ali. (GARCIA, 1988, p. 23) Nosso foco nesta discussão é o conhecimento científico, mas em se tratando de conhecimento, é válido discorrer um pouco sobre os outros níveis, e que fazem parte do nosso desenvolvimento enquanto sujeitos epistemológicos (PIAGET, 1971).

25 24 O Senso-Comum, assim conhecido, orienta e capacita o homem a viver seu cotidiano, a reconhecer os fenômenos que se inter-relacionam com a sua realidade, dá suporte para a solução de problemas. Este é considerado também um conhecimento ametódico, assistemático, embora saibamos que, por mais simples que sejam as relações estabelecidas neste nível de conhecimento, elas também possuem uma razão interna. Ele se desenvolve a partir das relações de similaridade estabelecidas entre eventos, fenômenos e objetos, sem exigir uma atividade mediadora, uma metodologia, ou uma técnica que amplie o grau de confiabilidade das conclusões. (GARCIA, 1988) O conhecimento do senso-comum se completa após múltiplas observações, e é quase sempre transmitido oralmente, sendo fonte rica de informações sobre a cultura, tradições e estruturas sociais de um povo, de uma comunidade, de uma etnia. De pai para filho, do mais velho ao mais jovem, assim o conhecimento vai sendo transmitido de geração a geração. Quando trabalhava no Parque Estadual Mata dos Godoy 4, vivi uma situação muito interessante. Nosso guarda parque sempre sabia se iria chover ou não. Um dia perguntei: Zé da Mata, como você sabe quando vai chover ou não aqui no parque?. Ele respondia apontando na direção das nuvens: Quando a nuvem vem de São Luís, é chuva na certa! E eu, sempre curiosa sobre tanto conhecimento que ele possuía sobre a natureza, perguntava: Mas porque Zé da Mata?. Ele em sua simplicidade respondia: Não sei, só sei que é assim!. Maior era meu espanto, ao ver que em todas as ocasiões, Zé da Mata estava certo. Claro que o encadeamento de eventos, ligados por sua simples similaridade pode trazer interpretações errôneas, mas não deixam de ser formas de interpretação da realidade, como o comportamento supersticioso, que possui um nível de relação correlacional extremamente particular e singular. (SKINNER, 2000) Assim, o senso-comum é uma forma de conhecimento que se amplia e se aperfeiçoa de geração a geração, em algumas culturas ele serve admiravelmente no controle e predição de determinados fenômenos, solução de problemas imediatos e urgentes, tratamento de doenças e dores com os mais variados tipos de ervas e raízes, avaliar a qualidade da colheita, o tempo certo de plantar e de colher. 4 O Parque Estadual Mata dos Godoy é uma Unidade de Conservação, classificada como Reserva Particular do Patrimônio Natural, pertencente ao governo do estado do Paraná, localizado na cidade de Londrina, entre os distritos de São Luis e Patrimônio Regina. São desenvolvidas atividades de Preservação, Educação Ambiental e Ecoturismo. A visitação é gratuita.

26 25 Mas, à medida que a sociedade cresce, se expande e se subdivide, as informações básicas que serviam de orientação se perdem em meio as tantas novas técnicas, às complexidades das relações sociais, aos bens cada vez mais provisórios. Assim, o conhecimento também se transforma com base nessas modificações sociais e históricas. (RICHARDSON, 2008) O Conhecimento Filosófico, embora muitas vezes nos pareça completamente abstrato, tem seu alicerce de investigação no mundo tangível. E de certa forma, o abstrato se relaciona direta ou indiretamente com o concreto, pois só imaginamos o invisível por cortejar o visível, só entendemos o infinito a partir do finito. Assim, o que diferencia o conhecimento filosófico do senso-comum é a reflexão. Reflexão esta pautada na atividade de observação e constatação de relações funcionais e estruturais de um fenômeno qualquer e que se relaciona em particularidades com outro fenômeno. Reflexão esta que leva o homem a tecer teorias, elaborar conceitos, em busca da verdade ou verdades sobre o mundo e o Universo. Na máxima Socrática Só sei, que nada sei, a condição para conhecer é o desconhecer. E partir do pressuposto de que nada se sabe, é aceitar a condição de que existe um mundo inteiro a se conhecer. (SILVA, 2003) O conhecimento filosófico não pretende controlar um fenômeno, prevê-lo, este não é seu objetivo. O conhecimento filosófico busca explicar o fenômeno, esclarecer eventos, justificar um SER OU DEVER-SER qualquer. Ele tece múltiplos olhares, pensamentos sobre a realidade social, a história, o ser humano. Possibilita a abstração da realidade concreta a partir da reflexão, mesmo que não sejam seguras e prontamente aparentes as causas reais que esse conhecimento levanta sobre dado fenômeno. Por ter a tarefa de tecer múltiplos olhares sobre a realidade, ou a suposta realidade, é que o conhecimento filosófico pode e deve integrar as várias especialidades e saberes sobre as mais diversas áreas, e assim propor novos campos e novas áreas de investigação. (JAPIASSU, 1979) Sobre o conhecimento religioso, não vamos nos prolongar. Basta salientar que ele é dado pela fé, sendo fé a certeza daquilo que não se vê. A religião é a crença no sobrenatural, no sagrado, em muitas vezes considerado o Criador de todas as coisas, criador do próprio universo, onde reside o Dogmatismo. Esse ser superior deve, pois, ser adorado e reverenciado segundo liturgias e rituais específicos, que são os Cultos. E cultuar e adorar a esse ser criador, ou energia

27 26 criadora, consiste em princípios éticos claramente estabelecidos, a Moral. A Teologia seria um grande representante da interação entre o conhecimento religioso e a filosofia. Durante muitos anos, alguns filósofos só puderam desenvolver seus estudos ligados à igreja, através da Teologia. Ou seja, o filósofo mascarado pela fé. O conhecimento religioso, ou teológico, se preocupa com a explicação de algumas questões básicas que tem acompanhado o homem durante toda a sua história. O principal problema é a existência: De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos? Alguns teóricos defendem que a religião surge em resposta ao respeito e admiração do homem primitivo frente ao desconhecido, e este desconhecido detectado no mundo sensível. (GARCIA, 1988) A Religião possui uma função sociológica, e possui influência na história, política e sofre influência das transformações sociais, das revoluções ideológicas. Ela nasce e evolui como qualquer outra forma de conhecimento. Experimenta transformações profundas ao longo da história da humanidade, dogmas e ritos se alteram, e também seus preceitos morais. E assim como o senso-comum, ela não nos propicia qualquer forma de controle sobre nossa realidade, estabelecendo relações funcionais que condicionam, desta forma, a manutenção de comportamentos considerados, como dito anteriormente, supersticiosos. (SKINNER, 2000) Devemos também tecer algumas considerações sobre a Arte. Talvez uma das expressões mais sublimes, e mais nobres da experiência humana com o mundo externo, material, objetivo; e o mundo interno, sensível, subjetivo. Poetas, pintores, músicos e as mais diferentes formas de expressão artística estão presentes na história da humanidade, e não deixa de ser uma forma, específica e particular de entender e conhecer a realidade. No seu capítulo: Introdução a uma estética marxista, Lukács diz: Esse problema da humanidade da arte é indissoluvelmente ligado ao da sua objetividade e subjetividade. (LUKÁCS, 1992, p. 190 apud CIAVATTA, 2009, p.132) Ciavatta cita Lukács ao dissertar sobre a arte e as diferentes formas e linguagens em que se manifestam o conhecimento humano: Lukács explicita a presença da objetividade e da subjetividade no conhecimento e, especificamente, na obra de arte, através da categoria da particularidade, que é o campo das mediações históricas da totalidade social, ou do contexto social onde o sujeito se situa e produz pensamentos, ciência, obras de arte etc. Tanto o mundo interior do sujeito quanto o mundo

28 exterior, onde os objetos se situam e/ou são produzidos, estão presentes no ato de conhecer e de representar o conhecimento em uma das diversas linguagens (línguas, ciências, técnicas, artes, etc.) criadas pelo ser humano. (CIAVATTA, 2009, p.132) 27 Há quem diga que poetas passaram muito antes por caminhos que filósofos e cientistas demorariam anos para chegar. A fim de encerrarmos esta temática por agora, referenciamos, de forma dialética e poética, Professor Mario Beni, que publicou em sua página pessoal recentemente uma releitura lírica: Aquilo que não se pode dizer o que é, mas sabe-se que é, e que não se pode dizer como é, porque imaginamos como é. Aquilo que sabe-se sempre, mas de quem nem sempre se vale. Aquilo anterior a toda a anterioridade, posterior a toda posterioridade. Aquilo que não é na dimensão do tempo e cujo efeito é o próprio tempo. Aquilo bem e mal, vau de saudade - Aquilo plural e toda singularidade. Aquilo mar, aquilo sal e toda salinidade. Aquilo singular, por ser plural, virtual... Aquilo de que se sabe sempre pouco. Por saber-se sempre mais. Aquilo meio, aquilo inteiro. Aquilo esfera, aquilo reta, aquilo côncavo, aquilo convexo - Aquilo que se adora aquilo que se rememora. Aquilo que se odeia porque encarcera. Aquilo que se ama, porque liberta. Aquilo que se conhece sem os sentidos, de que se pode falar sem as palavras, aquilo que se pensa sem ideias e que pode amar, sem emoções. Aquilo que ninguém sabe o que é, mas que se sonha o que seria se fosse. Aquilo de ouvir e ler. Aquilo mudo a falar tudo. Aquilo paz, aquilo dor, aquilo que já existia antes de ser. Aquilo que será depois que for... (BENI, 2012) Explícitas as diferentes linguagens do conhecimento humano, voltamos nossos olhos para o nível de conhecimento que abordaremos neste trabalho: o Conhecimento Científico. Ora, o que o difere das outras formas de conhecimento? O Conhecimento Científico se caracteriza, essencialmente, pela presença do método. (DESCARTES, 1616; DEMO, 1985) Inicialmente abordaremos o conhecimento científico em termos gerais, dando características que o diferencia das outras formas de conhecimento, posteriormente, discorreremos sobre a ciência, métodos e o conhecimento científico de forma mais significativa. O Conhecimento Científico pretende predizer e controlar a ocorrência de determinados fenômenos, além de descrevê-los de forma minuciosa, localizando-os dentro de categorias específicas e classificando características. (GARCIA, 1988) Para tal, se faz necessário um método. Este pode ser definido como o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar os objetivos, ou seja, os conhecimentos válidos e verdadeiros. (DEMO, 2000)

29 28 Assim, o método científico, ajuda a traçar o caminho a ser seguido pela atividade do conhecimento científico, que é a pesquisa, detectando erros, levantando variáveis, auxiliando nas decisões do pesquisador. Além disso, é a existência de um método, e a descrição minuciosa deste e de sua aplicabilidade sobre o objeto que possibilita sua transmissão, através da linguagem científica. (RICHARDSON, 2008) O método trouxe a transição do mundo do aproximado, mundo do relativo que é o mundo humano, sensível, para o universo da precisão, que é o universo científico, que se tem essa preocupação com a comprovação dos fatos. Pode-se dizer que o método passa a ser a principal característica que diferencia o conhecimento científico dos demais, vindo de outras fontes, como, por exemplo, o senso comum. (ARISTÓTELES, 1984; DEMO, 1985) A análise histórica mostra claramente que estes núcleos interagiam na construção de novos conhecimentos, mesmo que seus pressupostos fossem contraditórios entre si. As crises que a história da humanidade (ocidental) passou em seu desenvolvimento geraram saltos do conhecimento, em alguns momentos regressão, Trevas e Luz. Cada tipo de conhecimento humano, do senso-comum ao conhecimento científico, gera níveis explicativos diferentes, que se inter-relacionam, dialogam, complementam-se, negam-se, renegam-se, nos dando a dimensão da construção do conhecimento, e das múltiplas relações estabelecidas ao longo da história. (PIAGET, 1971; DEMO, 1985) Dadas algumas considerações acerca de nosso objeto de estudo, conhecimento científico, se faz necessário tecer algumas considerações sobre nossa temática central, a Epistemologia. Como coloca Rubem Alves (1981, p. 139): O discurso científico tem a intenção confessada de produzir conhecimento, numa busca sem fim da verdade. Assim, ao entrar no mundo constituído pela linguagem da ciência, descobrimo-nos, repentinamente, cercados de todos os lados por questões epistemológicas. Em outras palavras: o que é decisivo, aqui, é a relação entre o discurso e o objeto sobre que ele fala. Porque é nesta relação que a verdade existe. (grifos do autor) Ao falarmos de ciência, ou daquilo que não é ciência, surgem muitas dúvidas. À medida que a própria ciência avança em seus caminhos, tornam-se ainda mais complexas estas dúvidas. Como se dá a construção do conhecimento? Por quais

30 29 caminhos pensadores e teóricos desenvolvem suas teorias? Como são verificadas as relações entre o seu discurso e o seu objeto de estudo? Nessas questões reside a preocupação epistemológica. Eis que reside aí a necessidade e dinâmica da Epistemologia como temática de estudo, e como disciplina aplicada ao conhecimento Epistemologia: Teorias do Conhecimento Mas afinal: O que é Epistemologia? Primeiramente, tentar defini-la única e exclusivamente seria simplifica-la e, portanto, ir na contramão de nossa visão de mundo, e nossa visão sobre a própria Epistemologia. Assim trabalhamos não no sentido de defini-la, mas sim de conceitua-la para fins de nosso estudo. Segundo coloca Panosso Netto (2011, p.43) em seu livro Filosofia do Turismo: A origem etimológica de epistemologia está no grego, em que episteme = conhecimento, ciência; logia = estudo, discurso ordenado. Platão fazia uma distinção entre episteme (conhecimento saber, conhecimento verdadeiro baseado em uma explicação) e doxa (a pura e simples opinião) A Epistemologia que se conhece hoje nos círculos acadêmicos nasceu junto com a ciência moderna, no século XVI, e mudou muito desde então. Já para Centeno (2003, p. 10): A epistemologia ou Teoria da Ciência ensina como criar teoria científica por meio de duas de suas ramificações: a teoria do conhecimento e da lógica. A Teoria do conhecimento ou Teoria do pensamento verdadeiro se divide, para seu estudo, em duas partes: geral e particular. Para Figueiredo (2008, p.17): É importante ressaltar que a Epistemologia é a Filosofia da ciência, num sentido exato, não se trata de um estudo dos métodos científicos, que é objeto da metodologia científica, nem é tão pouco uma síntese das leis científicas. A epistemologia consiste no estudo crítico dos princípios, das hipóteses e dos resultados das várias ciências existentes em nosso sistema, determinando sua origem lógica, o seu valor e a sua objetividade. Já para Richardson (2008, p. 32): rede de pressupostos ontológicos e da natureza humana que definem o ponto de vista que o pesquisador tem do mundo que o rodeia. Muitos são os conceitos utilizados, e muitos são os autores que versam sobre

31 30 a temática. Mas, existe um ponto comum em todas as abordagens acerca da Epistemologia e suas variantes, existe uma matriz comum a todos estes conceitos: O Conhecimento. Como coloca Japiassu (1979, p.38) O conceito de Epistemologia é, pois, empregado de modo bastante flexível. Segundo os autores, com seus pressupostos filosóficos ou ideológicos, e em conformidade com os países e os costumes, ele serve para designar quer uma teoria geral do conhecimento (de natureza mais ou menos filosófica), quer estudos mais restritos interrogando-se sobre a gênese e a estrutura das ciências, tentando descobrir as leis de crescimento dos conhecimentos, quer uma análise lógica da linguagem científica, quer, enfim, o exame das condições reais de produção dos conhecimentos científicos. Escolhemos a conceituação de Japiassu (1979, p.24), que diz: [...] caracterizaremos Epistemologia como um discurso sobre o qual o discurso primeiro da ciência deveria ser refletido. Ele se dá de forma ambígua, pois, encontra na filosofia seus princípios, e na ciência seu objeto. Para que fique claro, e prossigamos, tomamos a seguinte conceituação: Essencialmente a Epistemologia é o estudo crítico dos princípios, das hipóteses e dos resultados das diversas ciências. Semelhante estudo tem por objetivo determinar a origem lógica das ciências, seu valor e seus alcances objetivos. (JAPIASSU, 1979, p. 25) Neste viés, podemos colocar que, para todas as ciências, ou áreas do conhecimento que primam pela linguagem científica e confiabilidade de métodos justificados, a epistemologia é importante porque estabelece uma revisão do conhecimento de determinado assunto e oferece critérios para a aceitação desse conhecimento. Assim, o pesquisador deveria refletir intensamente sobre sua epistemologia de pesquisa, ou seja, os caminhos seguidos por ele para alcançar resultados, tecer considerações, elaborar teorias. A aplicação da epistemologia nos estudos turísticos é de suma importância, uma vez que ela pode auxiliar na explicação do fenômeno, ao mesmo tempo fornecer subsídios teóricos para a construção de bases científicas em turismo. A epistemologia tem adquirido cada vez mais importância na produção do conhecimento hoje, e com o turismo não é diferente. Entre os causadores deste fato estão: a necessidade de novas pesquisas na área que respondam a novos problemas criados pela prática do turismo; o aumento da importância do fazer turismo em todo o mundo, em virtude de fatores ligados ao estresse diário, problemas familiares, globalização, competitividade acirrada nos campos de atuação profissional; o aumento

32 das publicações na área de turismo mundialmente; o aumento de cursos superiores e técnicos em turismo. (PANOSSO NETTO, 2011, p. 36) 31 Assim, qualquer que seja a concepção adotada por epistemologia, ela não pretende, e não deve, impor dogmas aos cientistas, ditando o que deveria ser o conhecimento científico, seu papel é estudar a gênese e a estrutura dos conhecimentos científicos (JAPIASSU, 1979, p. 38). Esta produção deve ser estudada sobre múltiplas dimensões, sob os mais diversos pontos de vista, daí seu caráter de ser uma disciplina INTERDISCIPLINAR. Para Japiassu (1979) existiriam três tipos básicos de classificação da Epistemologia. Uma epistemologia Globalizada, que trata do saber globalmente considerado, seja este de origem especulativa ou científica. Por outro lado a Epistemologia Particular, quando se trata de levar em conta um campo particular do saber, geralmente este já possui um certo grau de epistemologia previamente construído. E ainda a epistemologia específica quando leva em conta uma disciplina intelectualmente constituída, em uma unidade bem definida do saber. Para Piaget, assim como para Japiassu, os saberes se relacionam com présaberes para a construção e elaboração de conhecimento ou novas estruturas do saber anteriormente constituído. O mesmo para Bachelard, e Michel Foucault, que faz uma espécie de arqueologia das ciências humanas. (JAPIASSU, 1979) Existem assim, algumas categorias epistemológicas com as quais trabalhamos tanto quando elaboramos conhecimento, quanto no momento em que se estuda de maneira epistemológica determinado assunto, autor ou temática no campo do saber. Como já delimitado nosso foco é no saber científico. A primeira delas trata dos obstáculos epistemológicos, ou seja, momentos críticos no campo do saber onde se instaura uma situação problema que requer superação para que o conhecimento avance. Esse conflito que se dá no obstáculo epistemológico pode ser superado com a dissolução do problema ou com a cisão do conhecimento. O que originaria novas linhas e novas formas de incidência sobre o mesmo objeto. É o que Jean Piaget chamaria de fase de equilíbrio progressivo, onde em contato com novos objetos o sujeito tem de assimilar e acomodar novos conhecimentos para adaptá-los em novas ou antigas estruturas do saber. (JAPIASSU, 1979) Para que seja possível o avanço científico é de suma importância nutrir uma vigilância epistemológica, ou seja, uma atitude reflexiva sobre o objeto de estudo e

33 32 metodologias que estão sendo adotadas na abordagem do fenômeno. Esta vigilância auxilia para que possamos nos libertar ao máximo de nossas ideologias, opiniões pré-formadas, crenças e certezas imediatas. A vigilância não pretende submeter a objetividade do cientista, pelo contrário, reconhece em sua subjetividade campo vasto, mas é necessária uma atitude científica intersubjetiva. (JAPIASSU, 1979) Para Japiassu, assim como para Piaget, para construirmos e elaborarmos conhecimento através de uma postura epistemológica é necessário recorrermos à própria epistemologia do conhecimento, que para Piaget se dá de forma Multi e Interdisciplinar. É a categoria da recorrência epistemológica que nos dá o cepticismo na medida certa para a reflexão, ao passo que coloca: Em face da necessidade de explicar o devir de uma ciência, ligando o conhecimento do seu passado à analise de seu estado presente, e fazendo depender este estado presente de todos os elementos que constituíram sua possibilidade, devemos fazer apelo a categoria de recorrência epistemológica. (Japiassu, 1979, p.20) Para Jean Piaget a história do sujeito, e o meio em que se desenvolveu tem peso essencial na construção do ser cognoscente, ou seja, aquele que elabora conhecimento válido. Ainda em tempo, é importante salientar que o turismo não se constitui como ciência isolada, independente, com corpo teórico, conceitos e paradigmas definidos, pelo contrário, o Turismo se constitui como um campo de estudo em amadurecimento, em desenvolvimento, em construção. E é justamente neste intenso momento de construção que o debate epistemológico se faz necessário, tecendo estudos interdisciplinares na temática. (TRIGO; PANOSSO NETTO, 2003) Contribuições de Jean Piaget: O Sujeito Epistemológico A Epistemologia Psicogenética de Jean Piaget pode ser considerada como uma epistemologia global, e se liga em especial às ciências humanas, o que não impede de utilizarmos dela em outras áreas. Foi fazendo uso de sua própria epistemologia que Piaget chegou aos avanços no campo das ciências humanas (JAPIASSU, 1979) Muito conhecido por suas contribuições no campo dos estudos do

34 33 desenvolvimento infantil, e pelas descobertas do Arco Reflexo, que modificaram as bases da educação e metodologias de ensino em todo o mundo, a Teoria de Aprendizagem de Jean Piaget ficou conhecida como Construcionista, e alguns o classificam como trans-positivista, mas na verdade Piaget forma um novo núcleo, uma nova escola na Psicologia e Pedagogia Escola Cognitivista. (SCHULTZ e SCHULTZ, 1992) O estudo do desenvolvimento do ser humano é uma das áreas com as quais se preocupa a psicologia, concentrando-se na compreensão do homem em todos os seus aspectos. Assim, engloba fases que vão desde o nascimento até o seu mais completo grau de maturidade e estabilidade. Muitas são as Teorias que tentam, através da história, reconstruir os passos do desenvolvimento e do conhecimento humano. Podemos citar como exemplo Sigmund Freud, que desenvolveu sua teoria sobre a psicossexualidade através das fases de desenvolvimento infantil. Partindo de diferentes metodologias e visões de homem e de mundo, estas teorias tentam trazer condições de produção da representação do mundo e de suas vinculações com o homem em cada momento histórico e social. Pois assim como o mundo muda, esse homem também muda perante o mundo. (SCHULTZ e SCHULTZ, 1992) Para Piaget a epistemologia pode ser definida como: o estudo da constituição dos conhecimentos válidos, e suas condições de acesso a novos conhecimentos. Ou seja, como passamos de um conhecimento para um nível mais elevado de conhecimento. Dentre as teorias, a escolhemos para nosso trabalho por alguns motivos: primeiro pelo domínio teórico; segundo porque sua epistemologia adere ao objeto e temática de estudo; e terceiro porque acreditamos que foi quem mais se aproximou da construção do conhecimento enquanto desenvolvimento humano. (JAPIASSU, 1979; PIAGET, 1971) Assim como as demais teorias, ela busca compreender o desenvolvimento humano, por conseguinte o ato de conhecer, mas ela vai além quando inclui uma terceira visão: a interacionista. Na visão de Piaget, existe um terceiro vetor que uni as visões materialista mecanicista e o idealismo. Estas duas tendências são extremamente contrárias, e se dissociaram completamente dentro do campo da psicologia. Através de Piaget, elas encontram um chão comum, um ponto de convivência. (PIAGET, 1971) Piaget foi muito bem recebido no campo das ciências. Postulava que seu estudo era de fundo biológico, científico, utilizando-se do método empírico, como nos

35 34 testes com crianças, por exemplo. Assim, a história tem muito peso para Piaget, e não fica delimitada a segundo plano, pelo contrário, são as estruturas mais primitivas que possibilitam o desenvolvimento de estruturas mais avançadas, que propiciam a aquisição e posterior elaboração do conhecimento. (SCHULTZ e SCHULTZ, 1992) Não vamos entrar no mérito do desenvolvimento infantil, pois não é esse nosso foco neste trabalho, mas, nos cabe saber que Piaget partiu das observações e testes feitos com crianças em várias faixas etárias. A partir da formação do conceito de número, desenvolveu as fases do desenvolvimento cognitivo, e as comparou com os caminhos do pesquisador ao fazer sua pesquisa. Suas contribuições ficaram conhecidas como Epistemologia Genética ou Psicogenética. (JAPIASSU, 1979) Epistemologia Genética porque Piaget considerava que o conhecimento só pode ser viável em condições iniciais para tal, e caso essas não existam o conhecimento acontece de forma diferenciada. Um Exemplo: sem as faculdades mentais seria impossível sobreviver e aprender. Ou ainda, sem aprender o que é o número 1 e o que ele representa, seria impossível resolver qualquer formulação matemática. É por isso que antes eu preciso aprender a somar e subtrair para depois aprender a multiplicar e dividir. Sem aprender o B+A=BA, como poderia eu proceder a escrita de um texto, ou de um ditado? O homem possui estruturas cognitivas que possibilitam o saber, e essas são construídas durante o desenvolvimento infantil, amadurecendo e se consolidando na fase adulta, onde se espera que o indivíduo adquira autonomia intelectual necessária para elaborar novos conhecimentos. A contribuição de Piaget para a Epistemologia foi imensa. A primeira delas é evidenciar estruturas cognitivas no desenvolvimento humano que, interagindo com o meio social, leva ao aprendizado e produção do conhecimento. E a segunda visão, de que o ser humano, sendo tão complexo, só poderia ser estudado em sua totalidade de forma multidisciplinar e interdisciplinar. (PIAGET, 1971) A Teoria de Piaget busca compreender como o individuo se constitui como sujeito cognoscente, através das fases do desenvolvimento, se transformando em um elaborador de conhecimentos válidos. Mais do que isso, Jean Piaget desenvolveu uma Epistemologia Psicogenética, multidisciplinar e Construcionista. Com a introdução do Interacionismo, Piaget reuniu esse homem, que havia sido recortado pela ciência, em um Arco, ou seja: o objetivo, biológico poderia

36 35 conviver e interagir com o subjetivo, social, na construção de um ser cognoscente, que elabora conhecimentos válidos. A Psicologia objetivista (Análise Experimental do Comportamento), privilegiava o dado externo, afirmando que todo conhecimento provém unicamente da experiência, do empírico; e a Psicologia subjetivista (Psicanálise ou Psicologia Humanista), em contraste, entendia que todo conhecimento é anterior à experiência, pressupondo a existência do inconsciente, por exemplo. (JAPIASSU, 1979; PIAGET, 1971) Considerando insuficientes essas duas posições na explicação do processo de construção do conhecimento humano, Piaget formulou o conceito de psicogênese, argumentando que o conhecimento não procederia nem da experiência única dos objetos, e nem de uma programação inata, mas de construções sucessivas com elaborações constantes de novas estruturas. Assim sendo, o processo evolutivo da filogênese humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação e interação do organismo com o meio ambiente - físico e social - que o rodeia, significando entender com isso que as formas primitivas da mente, biologicamente constituídas, são reorganizadas pela psique socializada, ou seja, existe uma relação de interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. Esse processo, por conseguinte, se dá por meio de um mecanismo autorregulador que consiste em: processo de equilíbrio progressivo do organismo em relação ao meio em que o está inserido. (PIAGET, 1971; SCHULTZ E SCHULTZ, 1992) Assim, Piaget (1971) divide o processo de conhecimento em algumas fases, baseado no desenvolvimento em suas pesquisas empíricas e observações: a) Assimilação (Aquisição de Conceitos): ao entrar em contato com o mundo, com os objetos, o sujeito adquiri alguns conceitos sobre o objeto, ainda não organizados. b) Acomodação: o sujeito entra em um estágio de desequilíbrio de saberes, onde ele é impelido a acomodar os saberes através de um processo de adaptação, que pode ser também conhecido como equilibração. c) Adaptação (Equilibração): no contato com o mundo, com os objetos o indivíduo se transforma, e organiza os novos conceitos

37 36 em novas estruturas, atingindo um novo equilíbrio; São adquiridas assim novas estruturas que ao entrarem em contato com o mundo, com os objetos, e com os outros reformula-se novamente visando à nova acomodação, que leva o sujeito a elaborar novos conhecimentos, de maneira cíclica. (PIAGET, 1971) Ele montou um Bureau em Genebra, com grandes pesquisadores, das mais diversas áreas, e as teorias por ele criadas ganharam força, por ter sido desenvolvida com base biológica. Deu o nome a sua epistemologia de genética, mas na verdade deveria se chamar ontogenética, uma vez que leva em conta tanto a interação com o meio social, quanto a história de vida do sujeito como fatores que se envolvem e interagem na construção do conhecimento. Ele considera o Biológico, ou seja: estruturas cognitivas que possibilitem o conhecimento. Social: a interação com o meio social e a socialização como um forte fator determinante no aprendizado e no conhecimento, interagindo na formação das estruturas cognitivas; Psicológicas: sentimentos, emoções que também tem sua importância para Piaget, se relacionando com a cognição. Estes elementos compõe o sujeito epistemológico mas esse sujeito é ideal, ele existe para além do sujeito, o sujeito epistemológico seria a essência do sujeito cognoscente. (SCHULTZ e SCHULTZ, 1992) Piaget vai utilizar de um método que ele denomina psico-genético, ou seja, se localiza numa ponte entre a psicologia e a biologia (psicobiologia), interagindo com o método histórico e crítico. Como coloca Japiassu, o método utilizado por Piaget também é um método histórico crítico: Assim, o estudo comparado das estruturas mentais que intervêm no desenvolvimento científico pode organizar-se no que Piaget chama de o método histórico-crítico. (JAPIASSU, 1979, p.46) Assim, o método histórico crítico de Jean Piaget aplicado ao conhecimento ficou conhecido como epistemologia genética, alterando a paisagem do conhecimento e da educação. Alguns dos fundamentos por ele desenvolvidos foram utilizados tanto na fundamentação teórica, quanto nas análises que foram demandadas e realizadas nesta pesquisa.

38 DA METAFÍSICA A CIÊNCIA MODERNA Como anteriormente citado, o conhecimento humano engloba suas diversas manifestações: senso-comum, teologia, artes, filosofia, ciência. O conhecimento de que tratamos nesta dissertação é o conhecimento científico, ou seja, temos um recorte específico dentro do campo do conhecimento. Fez-se então necessário uma recorrência epistemológica das principais correntes que influenciaram na constituição das ciências no Ocidente. É a categoria de recorrência epistemológica que, segundo Japiassu (1979, p.20): [...] torna possível o desenvolvimento de uma história teórica ou de um conhecimento teórico da história das ciências. É ele que nos permite compreender o devir real de uma ciência, que é objeto da epistemologia histórica. Assim sendo, iniciamos então nossa jornada a partir das reflexões de René Descartes 5. Penso, logo existo. Um tão disseminado aforismo que tantos usam e poucos sabem qual foi o real significado e suas contribuições. Descartes em suas meditações e descobertas influenciaria uma época. Talvez ele seja o maior representativo para aquela que passaria ser conhecida como a Ciência Moderna. (SCHULTZ E SCHULTZ, 1992) Descartes, assim como a maioria dos seus contemporâneos no séc. XV e XVI teve sua formação ligada a tradição escolástica. Dentre os ensinamentos Teologia, Filosofia em especial a lógica aristotélica, e as conhecidas como ciências gregas, que já havia feito considerados avanços no campo da matemática, geometria, física (astronomia). O ensino, o conhecimento era controlado pela Igreja Cristã, e disseminado e censurado quando lhe era conveniente. As mesmas espécies de interrogações feitas atualmente sobre a natureza, a natureza humana e o homem em sua relação com a natureza também o eram séculos atrás, o que demonstra uma continuidade vital entre o passado e o presente em termos de seu objeto de estudo. (SCHULTZ E SCHULTZ, 1992, p. 17) Um exemplo são as Cartas de Copérnico, que através das suas descobertas de que a Terra não era quadrada ou retangular possibilitou o desenvolvimento das 5 Este capítulo foi desenvolvido com base em estudos, reflexões e discussões realizados na Disciplina de Metodologia de Pesquisa, bem como das leituras acumuladas durante a pesquisa bibliográfica, com aprofundamento em questões de cunho filosófico e epistemológico.

39 38 cartas de navegação, responsáveis pelo processo de expansão marítima. Mas não sem antes enfrentarem a fúria da Igreja, que censurou o material durante séculos. (ALVES, 1981) Foi com as teorias e as cartas de Copérnico que Galileu Galilei desenvolveu a teoria Heliocêntrica, que deslocaria a Terra do centro do Universo. Deslocar a Terra do centro do Universo, é mudar o homem de lugar, é mudar sua orientação geográfica. Suas descobertas abalaram as estruturas da matemática e geometria e das sciencias de tradição escolástica. Abalariam a instância reguladora do conhecimento na época: A Igreja Católica. Esta, através do Dom Papa Bento XVI pediu desculpas a Galileu em 1992, se retratando pelo tratamento que fora dispensado. Uma das perguntas iniciais e principalmente utilizadas pela Igreja diziam que, as observações de Galileu eram infundadas, e ele não teria como provar as afirmações feitas, ao passo que não existiriam instrumentos possíveis de medição, não havia tecnologia suficiente, seria fácil refutar suas colocações. Naquela época pairavam dúvidas sobre as teorias desenvolvidas pelos estudiosos, principalmente porque, em sua maioria, descendiam de sonhos, visões, reflexões e não tinham apoio no mundo material, não era um conhecimento empírico, passível de experimentação ou verificação. E também não se pautava em uma reflexão metódica definida, dado que os caminhos para as descobertas se dava no mundo sensível. Havia especulações e reflexões, mas se desconheciam estruturas que possibilitassem a cognição. (PIAGET,1971) Voltando a Descartes, talvez o primeiro contato que tenhamos com suas descobertas seja na escola básica, em especial na disciplina de matemática. Quantos se lembram do Plano Cartesiano? E dos estudos de Álgebra? Descartes se dedicou a matemática, geometria, teologia, filosofia, física, química, biologia. O conhecimento não possuía um corpo definido e específico, ele era abrangente, não era um conhecimento estratificado, saberes estratificados, o que formava doutos com conhecimento abrangente nas diversos campos das sciencias. (CHAUÍ, 2000) É Rene Descartes o responsável pela célebre frase: Penso, logo sou!. Este foi o cogito de Descartes Cogito ergo sum. Mas quais seriam as implicações de suas descobertas no mundo scientífico por volta dos anos 1600 a 1700 d.c.? Ao escrever o Discurso sobre o Método, Descartes, influenciado pelas descobertas recentes, porem censuradas pela Igreja, de Galileu Galilei, constrói um

40 39 processo metodológico, em etapas. Procedimentos que descreviam os caminhos pelos quais ele próprio construía sua ciência, suas pesquisas, suas descobertas; construía conhecimento. Descartes descrevia seu modo de conhecer o mundo, de conhecer determinado objeto ou temática de pesquisa. Assim meu propósito não é ensinar aqui um método que cada um deve seguir para bem conduzir sua razão, mas apenas mostrar de que maneira procurei conduzir a minha. [...] Fui nutrido nas letras desde a minha infância, e, convencido de que por meio delas podia adquirir um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à vida, eu tinha um desejo extremo de aprendê-las. (DESCARTES, 2007, p. 39). Escrevendo em francês, René vem dividir as descobertas que fez acerca da razão, do pensamento, da ciência com o público em uma época onde apenas os doutos tinham acesso às obras filosóficas, que em sua maioria eram escritas em latim. Na segunda parte de seu discurso, Descartes descreve as etapas seguidas por ele para conduzir sua razão na construção do método, a saber: O primeiro era não aceitar jamais alguma coisa como verdadeira que eu não o conhecesse evidentemente como tal; isto é, evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção, e nada incluir em meus julgamentos senão o que se apresentasse de maneira tão clara e distinta a meu espírito que eu não tivesse nenhuma ocasião de coloca-lo em dúvida. (DESCARTES, 2007, p. 55). Assim, Descartes lança as bases do que conhecemos por Racionalismo, ou seja o conhecimento se dá a partir de uma proposição Verdadeira, que deve se colocar de maneira clara e distinta, ou seja, ela deve ser concebida, através do pensamento, do raciocínio lógico, da razão. Posteriormente ele apresentará como chegou a seu cogito durante o Discurso. Mas em Meditações Metafísicas concernentes a Filosofia Primeira, ele coloca com clareza seus princípios e Verdades. E a Verdade parte da ação de duvidar, como coloca: [...] consegui um repouso assegurado numa pacífica solidão, aplicar-me-ei seriamente e com liberdade em destruir em geral todas as minhas antigas opiniões. Ora, não será necessário, para alcançar tal desígnio, provar que todas elas são falsas, o que talvez nunca levasse a cabo; mas, uma vez que a razão já me persuade que não devo menos cuidadosamente impedir-me de dar crédito as coisas que não são inteiramente certas e indubitáveis, do que as que nos parecem manifestadamente ser falsas, o menor motivo de dúvida que eu nelas encontrar bastará para levar a rejeitar todas elas. (DESCARTES, 1641, s/p. Grifo nosso)

41 40 O que é verdadeiro para Descartes é o que pode ser concebido clara e distintamente unicamente pela razão. Em suas meditações ele descreve que, na busca pela verdade, põe-se a duvidar da existência de tudo e concebe um ser supremo como Gênio maligno, cuja intencionalidade não é outra senão a de enganar o sujeito, através do engano dos sentidos, do mundo sensível. Esse Divino enganador faz parte da dúvida hiperbólica de Descartes. Ao colocar toda existência em suspenso e anular todo o saber atinge seu ápice em um único ponto de certeza: o pensamento. Uma coisa é pelo menos certa para ele: de que está pensando. [...] encontro aqui que o pensamento é um atributo que me pertence; só ele não pode ser destacado de mim. Sou, existo isto é certo, mas por quanto tempo? O tempo que eu pensar, pois, talvez, se eu deixasse de pensar eu poderia deixar de existir. Não admito agora nada que não seja necessariamente verdadeiro: não sou senão uma coisa que pensa. (Descartes apud, QUINET, 2001, p.15) Assim, a construção do método de Descartes não poderia se pautar no subjetivo, no mundo sensível, nos sentidos, na experiência, nem em sonhos, visões inconscientes, inspirados por um Supremo benevolente. O conhecimento deveria se pautar na razão. E essa razão deve ser pura, não sofrendo interferência de preceitos, certezas anteriores, pré-conceitos. Assim, o homem seria dotado de Razão mediante o pensamento. E esse pensamento só poderia ser considerado válido, se ele viesse de algo maior, de uma perfeição suprema. A perfeição do Saber. A seguir, refletindo sobre o que eu duvidava, e que, portanto meu ser não era todo perfeito, pois eu via claramente que havia maior perfeição em conhecer do que em duvidar, ocorreu-me investigar de onde eu aprendera a pensar em algo mais perfeito do que eu era; e compreendi com evidência que devia ser de uma natureza que fosse, de fato, mais perfeita. (...) Assim restava apenas que ela tivesse sido posta em mim por uma natureza que fosse verdadeiramente mais perfeita que a minha, e mesmo que tivesse em si todas as perfeições que eu podia conceber, isto é, para explicar-me numa palavra que fosse Deus. (DESCARTES, 2007, p.73). Assim, para Descartes o homem é uma coisa cuja substância é pensamento. E esse pensamento é válido para Descartes por que ele é dotado da perfeição. Se é dotado de perfeição, é uma proposição verdadeira. Para Descartes, a certeza da razão é uma verdade absoluta. Essa seria uma das bases do Iluminismo. O Iluminismo foi também um movimento de fé; fé na razão, no futuro, na flecha de um tempo, no comércio entre os homens e, finalmente, fé na educação.

42 41 (BOTO, 2010, p.282) Na segunda colocação sobre a forma como ele construiu seu método, Descartes coloca que partindo de observações gerais e verdadeiras, poderia se atingir a verdade da coisa que se pretende conhecer. Ele vem a ser muito influenciado pelos estudos da fisiologia, e tem importantes contribuições com as descobertas de Harvey, fisiologista Inglês, sobre a circulação do sangue no corpo humano. Essas descobertas foram feitas com base na dissecação e estudo de animais vivos. Harvey era um fisiologista, e utilizava da dissecação de animais, que era completamente aceitável, visto que animais não seriam dotados de alma, eles funcionariam de forma autômata, como máquinas. A dissecação de cadáveres (prática básica nos cursos que se ligam a área de biologia e saúde), para fins de estudos da anatomia humana, era uma grave heresia na visão dos filósofos cristãos e de teólogos, que tinham como preocupação central existencial o homem uma visão Existencialista e Humanista. (BOTO, 2010) Para a Teologia Cristã, a dissecação humana envolvia a profanação da obra divina, o homem, que possuía uma alma e assim sendo não era uma máquina, não poderia ser recriado. Implica que estender as descobertas feitas em animais aos seres humanos, seria igualá-lo a animais, logo igualar o homem a máquina uma visão Mecanicista. Assim, só seria possível se os animais funcionassem fisiologicamente como o ser humano, mas não dotados de alma, não dotados de pensamento, não dotados de razão. Os animais são seres Irracionais na visão de Descartes, e que, portanto, funcionariam como máquinas, não tendo assim sentimentos, possíveis somente aos seres humanos, dotados de razão. Assim acontece uma cisão entre o homem que pesquisa e o objeto que é pesquisado, eles são diferentes. Nesse momento histórico e social, não existiam direitos animas e nem direitos humanos. (CHAUÍ, 2000) Descrevi depois disso a alma racional, e fiz ver que ela não pode de maneira alguma ser obtida do poder da matéria, assim como as outras coisas de que falei, mas que deve ser necessariamente criada; e não basta que ela esteja alojada no corpo humano, como um piloto em seu navio, senão talvez para mover seus membros, mas que é necessário que esteja junta e unida mais intimamente com ele para ter, também, sentimentos e apetites semelhantes aos nossos, e assim compor um verdadeiro homem. (DESCARTES, 2007, p.98) Os animais na visão colocada por Descartes são criaturas, que possuem o

43 42 mesmo funcionamento da criação humana, mas dotados de pensamento irracional, sendo desprovidos de razão. O que possibilita que os estudos em animais possam ser extensos ao estudo da anatomia e fisiologia humana. A partir de organismos mais simples, poderíamos chegar a organismos mais complexos, no caso, o Homem. Assim, parte do método de Descartes reside no corte da coisa que se quer conhecer, um recorte do objeto de estudo. O segundo, dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas possíveis e que fossem necessárias para melhor resolvê-las. O terceiro, conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir aos poucos, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros. (DESCARTES, 2007, p.55) Descartes concebe a complexidade do conhecimento, ou seja, a necessidade de recortá-lo para um melhor estudo. Ele estrutura um método que vai do simples ao composto. Do geral para o particular, sem exceder suas premissas básicas, sem excluir a ordem entre os objetos. Um Método Dedutivo. O Método Dedutivo consiste em um recurso metodológico em que a racionalização ou combinação de ideias em sentido interpretativo vale mais do que a experimentação de caso por caso. Ou seja, partindo de uma proposição verdadeira, que no caso de Descartes se coloca como auto evidente, a razão, desenvolve-se o método dedutivo, que utiliza, inicialmente, de recursos do raciocínio lógico para alcançar o conhecimento. Para este método são dadas as premissas verdadeiras, e chega-se a uma conclusão que deverá ser correta. Porém esta conclusão já estava subentendida nas premissas, mas ela precisa ser exposta de maneira clara e distinta. O método dedutivo sacrifica a ampliação do conhecimento, para que se revele a Verdade sobre o objeto ou temática pesquisada. Muitas pessoas colocam que este método parte do geral para o particular, ou do particular para o geral, essa é uma visão simplista do método. O essencial no método dedutivo é partir de premissas verdadeiras, que levem a um conhecimento real do objeto pesquisado. Essa premissa verdadeira pode ser um fato observável ou da própria lógica, desde que seu conteúdo seja verdadeiro. Ela dá margem a apenas duas possibilidades estatísticas : ou o resultado das premissas é verdadeiro, ou falso. Vamos ver alguns exemplos:

44 43 Quadro 02 Exemplos de Reflexões no Método Dedutivo 6 Todo o Homem é Mortal Todo o Mamífero tem um Coração ORA, Sócrates é Homem OU ORA, Todos os cães são Mamíferos LOGO, Sócrates é Mortal. LOGO, Todos os cães tem um coração Fonte: Da Pesquisa. Descartes parte daquilo que pode ser observado, daquilo que pode ser exemplificado, traduzido pela lógica. Descartes via na Matemática a pureza das Ciências, e a linguagem universal que poderia traduzir os conhecimentos produzidos, ele também participará de algumas incursões empíricas, com Harvey, por exemplo, mas o método cartesiano é, em essência, dedutivo. (SCHULTZ E SCHULTZ, 1992) Cruz e Ribeiro (2003) colocam que o método dedutivo levaria o pesquisador do conhecido ao desconhecido com pouca margem de erro; por outro lado, o alcance do conhecimento obtido seria limitado, pois, o resultado deste não pode exceder as premissas. Richardson (2008) reforça a ideia de que, aplicando-se o método dedutivo o pesquisador avança do conhecimento prévio para uma explicação do fenômeno, ou do objeto observado. Vamos observar mais um exemplo, aplicado a geometria analítica. Figura 01 Exemplo de Reflexões do Método Dedutivo Fonte: Da Pesquisa. Como podemos observar a partir de sua Biografia, René Descartes se 6 Os quadros apresentados neste capítulo foram desenvolvidos com base nos materiais disponibilizados na Disciplina de Metodologia de Pesquisa, lecionada pelo Professor Doutor Josemar Sidinei Soares.

45 44 relacionava com muitas pessoas e viajava muito pela Europa. Sendo francês, morou em Paris, e em outras cidades da França. Alistou-se como voluntário em exércitos de diversos países, como a Holanda, onde passou alguns anos, Bavária e Hungria. Era um excelente espadachim, gostava de jogos, e, segundo consta, era um ótimo dançarino. (SCHULTZ E SCHULTZ, 1992) Descartes ficou conhecido como aventureiro, gostava de viajar. Segundo contam conheceu os vícios, virtudes e prazeres humanos. Descartes tinha interesse em aplicar seu conhecimento a questões práticas. Pesquisou técnicas que evitassem o embranquecimento de cabelos e realizou experimentos sobre o uso de cadeira de rodas por pessoas com necessidades especiais de locomoção (SCHULTZ E SCHULTZ, 1992, p. 38). Descartes coloca a importância de não ter uma moradia fixa, ou casa própria, ao passo que passava tempos em tempos, viajando e trabalhando pela Europa. E enfim, como não basta, antes de começar a reconstruir a casa onde se mora, derrubá-la, ou prover-se de materiais e arquitetos, ou adestrar-se a si mesmo na arquitetura, nem, além disso, ter traçado cuidadosamente o seu projeto; mas cumpre também ter-se provido de outra qualquer onde a gente possa alojar-se comodamente durante o tempo em que nela se trabalha; assim, para não permanecer irresoluto em minhas ações, enquanto a razão me obrigasse a sê-lo, em meus juízos, e de não deixar de viver desde então de o mais felizmente possível, formei para mim mesmo uma moral provisória. (Descartes, 2007, p. 63) Na Terceira parte o autor expõe sua moral provisória, constituída de máximas por ele seguidas, para nortear seus pensamentos Como devo pensar?, e atos Como devo agir? A primeira consiste em respeitar as leis e costumes de cada país, evitando excessos, desde que a liberdade não fosse suprimida, condição fundamental na busca da verdade. Guiando-se distanciado dos excessos, atento as práticas que fossem comumente realizadas pelos mais sensatos daqueles com os quais ele teria de conviver. (DESCARTES, 2007) A segunda proposição de sua moral provisória, coloca que devemos ser firmes e resolutos em nossas ações e escolhas, assumindo os riscos que a busca pelo conhecimento nos empreende, sem hesitar. As decisões tomadas devem ser encaradas com coragem e determinação. Como possibilidades de se conhecer, tendo uma trajetória de orientação. Ele compara o manter-se firme em suas proposições e caminhos, em uma analogia entre o viajante e a viagem (viajem).

46 Imitando nisso os viajantes que, vendo-se extraviados nalguma floresta, não devem errar volteando, ora para um lado, ora para outro, nem menos ainda deter-se num sítio, mas caminhar sempre o mais reto possível para um mesmo lado, e não muda-lo por fracas razões, ainda que no começo só o acaso talvez haja determinado a sua escolha: pois, por este meio, se não vão exatamente aonde desejam, ao menos chegarão no fim a alguma parte, onde verossimilmente estarão melhor do que no meio de uma floresta. (Descartes, 2007, p.64) 45 A terceira moral provisória postula o autocontrole, vencer antes a si mesmo. Acostumar-me a crer que nada está inteiramente em nosso poder a não ser nossos pensamentos. (DESCARTES, p.63, 2007). Descartes discursa sobre o inclinar de nossa vontade naturalmente para as coisas que nos são possíveis conhecer, que nos são possíveis possuir. Ao passo que coloca: [...] se considerarmos todos os bens que se acham fora de nós como igualmente afastados de nosso poder, não lamentaremos mais a falta daqueles que parecem dever-se ao nosso nascimento, quando deles formos privados sem culpa nossa, do que lamentamos não possuir os reinos da China ou do México; e que fazendo, como se diz, da necessidade da virtude, não desejaremos mais estar sãos, estando doentes, ou estar livres, estando na prisão, do que desejamos ter agora corpos de uma matéria tão pouco corruptível quanto os diamantes, ou asas para voar como as aves. Mas confesso que é preciso um longo exercício e uma meditação amiúde reiterada para nos acostumarmos a olhar por este ângulo todas as coisas; e creio que é principalmente nisso que consistia o segredo dos filósofos. (DESCARTES, 2007, p. 63) Em suma a moral implica em escolha de vida, na qual a liberdade é essencial no exercício do pensamento, e a busca da verdade, ou das verdades, de forma metódica, questionadora e aberta às transformações. Descartes assim esboça alguns preceitos em seus textos, que poderiam se comparar a uma Ética na pesquisa científica. Durante seu discurso, o autor também coloca a disciplina, a linguagem o conhecimento do qual ele iria se valer para compor seu saber. E qual seria linguagem que dotada de perfeição, possibilitaria a suspenção das dúvidas, tornando claro e preciso o conhecimento produzido? Para Descartes, a linguagem universal dos números, a Matemática. Com suas contribuições, a álgebra descende das descobertas de Descartes, bem como a Geometria analítica. A última etapa do método colocado por Descartes é o registro das informações. E o último, fazer em toda parte enumerações tão completas, e revisões tão gerais, que eu tivesse a certeza de nada omitir. (DESCARTES, 2007, p. 55).

47 46 Ou seja, parte do método desenvolvido por Descartes consistia em registrar todas as observações e descobertas, para que se pudesse ter certeza de que dados não fossem omitidos, subtraídos. Esta é assim a forma pela qual o cientista, o estudioso transmite suas descobertas. É assim que ele divide com os outros pesquisadores os resultados de seus estudos, de suas pesquisas. O registro já acontecia, muito antes de Descartes, mas muito dos materiais ao longo do tempo foram se perdendo. A Biblioteca de Alexandria é um exemplo, que depois de incendiada, foram perdidos muitos dos manuscritos filosóficos e das ciências gregas (matemática, geometria, astronomia). Assim o registro dos resultados descobertos através da aplicação do método, ao passar do tempo, seriam chamados de Pesquisa. Como coloca Pedro Demo: Pesquisa é a atividade científica pela qual descobrimos a realidade. Partimos do Pressuposto de que a realidade não se desvenda na superfície. Não é o que aparenta à primeira vista. Ademais, nossos esquemas explicativos nunca esgotam a realidade, porque esta é mais exuberante que aqueles. (DEMO, 1985, p.23) Ou ainda como coloca Figueiredo (2009, p. 53) os trabalhos científicos são de suma importância para a vida acadêmica, e para o crescimento profissional de cada indivíduo. Através da comunicação dos dados resultantes, ou dos dados recolhidos a pesquisa é formatada, como a principal comunicação do pesquisador. Nos dias atuais já contamos com outras modalidades de comunicação científica (periódicos, eventos, monografias e livros) Quando pensamos na Arte, em especial a música, a composição de uma peça musical, de uma sinfonia, ela é a Arte do Músico. Quando refletimos sobre a beleza da poesia, a literatura é a Arte do Escritor. Quando olhamos para uma escultura, ou uma pintura, estamos admirando a Arte, o trabalho desenvolvido pelo Artista. Assim, as descobertas resultantes do trabalho realizado pelo pesquisador, ao serem simbolizadas, transcritas para uma linguagem decifrável, caracteriza a Pesquisa. A Pesquisa é a Arte do Pesquisador. Como em tudo na vida, a ciência não é ensinada totalmente, porque não é apenas técnica, É igualmente uma Arte. E na Arte vale a máxima: é preciso aprender técnica, para termos base suficiente; mas não se pode sacrificar a criatividade à técnica; vale precisamente o contrário: o bom artista é aquele que superou os condicionamentos da técnica e voa sozinho. Quem segue excessivamente as técnicas, será por certo medíocre, porquanto onde há demasiada ordem, nada se cria. (DEMO, 1985, p. 22)

48 47 Dividimos do mesmo posicionamento de Pedro Demo (1985), quando a técnica e a metodologia se sobrepõe em demasiado, ela encerra uma ordem tão delimitada sobre a temática de estudo, que encarcera a Arte do Pesquisador. Esse foi um dos pontos negativos das colocações de Descartes. Até os dias atuais se exige uma coerência e linha de raciocínio lógico que influencia demais na redação sobre a pesquisa, ela limita, de certa forma, a Arte da Pesquisa. Ao descrever as etapas que utilizou para encadear a razão, sendo possível conhecer o mundo e a natureza, ou seja, tornando possível o conhecimento através da racionalidade visão racionalista, Descartes constrói o seu Método, o Método Cartesiano. Mais do que criar um método lógico e racional para atingir o conhecimento, ele libertou a pesquisa dos rígidos dogmas teológicos e tradicionais que a haviam controlado durante séculos (SCHULTZ E SCHULTZ, 1992, p. 38). Ele simboliza, junto com muitos outros pensadores e estudiosos, a transição entre a Renascença para a iluminada ciência moderna. Claro que suas colocações foram ousadas para a época, outras teorias ainda mais impactantes seriam desenvolvidas a partir dos tabus que foram quebrados, dos paradigmas que foram alterados. Ele também sofreria censura, principalmente por suas ligações com o mecanicismo, já existente, embora ainda tímido, que se dedicava a construção de máquinas, para alcançar ou aplicar alguns dos conhecimentos obtidos. Se comparado à tecnologia hoje a nós acessível, seria colocar uma lupa infantil ao lado do telescópio Hubble. Quase todas as suas obras foram escritas durante os seus anos na Holanda, onde a liberdade de pensamento era garantida. No entanto, foi vítima de certa perseguição religiosa. Num dado momento, os livreiros foram proibidos de vender suas obras, e ele foi levado diante dos magistrados para responder às acusações feitas por Teólogos de duas cidades holandesas, de ser ateu e libertino, acusações sérias para um católico devoto. (SCHULTZ E SCHULTZ, 1992, p. 38). Quanto a Teologia, esta se preocupa com o Homem, que seria a máxima criação da natureza divina, o que justificaria o poder investido por Deus. Dos filósofos considerados cristãos e teólogos surgiu a linha humanista, que tinha o Homem como centro de seus estudos. Já haviam sido tecidas muitas discussões teológicas e filosóficas sobre a divindade e humanidade da espécie humana. Filósofos e grandes Teólogos, anteriores a Descartes, como os filósofos Aristóteles e

49 48 Platão, que trouxeram grandes contribuições acerca da existência humana, e os teólogos Tomás de Aquino e Santo Agostinho, sendo o segundo um contraponto a visão de Tomás. Assim o homem, como parte da natureza, também poderia ser estudado. Estas reflexões sobre o homem viriam a se dividir posteriormente em Ciências Humanas, mas até esse momento existia um núcleo que reunia as reflexões a cerca da natureza e do homem. Estamos falando de uma só ciência, um só campo, as Ciências Naturais. Questionamentos só são possíveis em meio a um ambiente propício, que não coloquem em risco a vida de seus questionadores, ou então, poderia acabar como Sócrates, descrevendo sua morte lenta ao beber cicuta. Os avanços do Iluminismo propiciaram um ambiente crítico, questionador. Assim, o conhecimento produzido por Descartes foi aceito por muitos, mas rejeitado por vários. O método proposto por Descartes, embora tenha exercido influência, e bem aceito até certo ponto, suscitou debates, discussões, tais como: Seria o conhecimento dado pela razão? Somente pela razão? Poderia o homem ser comparado a uma máquina? E quanto à linguagem universal ser a matemática? O que é verdade? O que é Ciência? E o que não é Ciência? São dúvidas que se instalam a respeito do conhecimento produzido, e de como ele seria possível. São dúvidas filosóficas e teóricas, que tratam do conhecimento. São questões epistemológicas acerca das Teorias do Conhecimento. Ela se preocupa com o desenvolvimento e resultados obtidos pela pesquisa, ou seja, com a Arte do Pesquisador. São dúvidas no que concerne a temática de nosso trabalho, Epistemologia. Como coloca JAPIASSU: Essencialmente, a epistemologia é o estudo crítico dos princípios, das hipóteses, e dos resultados das diversas ciências. Semelhante estudo tem por objetivo determinar a origem lógica (não psicológica) das ciências, seu valor e seu alcance objetivos. (1979, p. 25) As influências do pensamento de Descartes se espalharam e promoveram avanços, iniciando uma corrente que ficou conhecida como Racionalismo. Até o momento falamos das Ciências que tem como base o raciocínio lógico. Já existiam alguns instrumentos de medição, e esse desenvolvimento aumentou bastante neste período. Galileu já havia utilizado de alguns instrumentos para chegar a suas descobertas, Kepler também havia utilizado o que contribui para que se desenvolva uma corrente baseada na fé na razão e na experimentação, através dos

50 49 instrumentos desenvolvidos. Um corrente Racionalista Empirista. Estão lançadas as bases iluminadas de uma nova estruturação do saber, que ao ser colocado como possibilidade de conhecer, altera a paisagem do conhecimento. Cada vez que a sociedade passa por um processo de mudança, a economia, as relações sociais, e políticas também mudam, em ritmo e intensidades variados. (SANTOS M., 1986, p. 37) Estamos imersos no século das Luzes, no Iluminismo, a crítica é latente a sua existência. Um dos métodos que ganhou forças a partir dos novos conceitos adquiridos, em um contraponto ao do Racionalismo Lógico é o método baseado na experimentação: Empirismo. (RICHARDSON, 2008; DEMO, 1985) 2.3 EMPIRISMO (MÉTODO EXPERIMENTAL) O empirismo foi a primeira corrente que, em nível e gradação variados, se opôs ao racionalismo lógico. Empirismo é uma Escola de Pensamento, que descendeu de uma visão mecanicista sobre o conhecimento, ou seja, o conhecimento se dá de forma mecânica, através de mecanismos, de instrumentos. Os avanços no campo do desenvolvimento de instrumentos ( tecnologia ), ou seja, aparelhos e mecanismo que nos propicie alcançar determinado conhecimento, se colocava como uma possibilidade. Galileu já havia utilizado de instrumentos, embora ainda arcaicos, e imprecisos. Suas descobertas foram essenciais, embora extremamente criticadas no momento em que se deram. Somente aceitando como verdadeira a Teoria de que Sol seria o ponto central da existência terrena, seria possível desenvolver a Teoria sobre o Movimento de Elipses, ou seja, a forma que a Terra se moveria ao redor do sol. (ALVES, 1981) Como seria possível provar tais questões naquela época? Kepler desenvolveu uma equação simples, e três leis (Teoria das Cordas), mas ainda não havia convencido definitivamente, era um pensamento lógico racional, com experimentação ínfima. Abria margens para muitas dúvidas, margens de erro. E ao mesmo tempo, demonstrava para as gerações seguintes a criatividade dos pensadores, filósofos e cientistas mais remotos. (ALVES, 1981; GURGEL E PIETROCOLA, 2011) Surge, na contramão, o Método Experimental, que utilizava de mecanismos,

51 50 instrumentos e experimentação como mediação do conhecimento que se quer alcançar, fazendo parte da corrente que chamamos de Empirismo. Como coloca Pedro DEMO: O Empirismo tem por origem a procura de superação da especulação teórica. No lugar dela, coloca-se a observação empírica, o teste experimental, a mensuração quantitativa como critérios do que seria ou não seria científico. Busca-se reproduzir em ciências sociais as mesmas condições ou muito aproximadas do laboratório, onde se pretende construir um ambiente propício capaz de superar subjetivismos, incursões de valores, influências ideológicas, e assim por diante. (1985, p.101) Os conhecimentos seriam construídos através da razão e da fé na experimentação, em experimentos, dados em situações controláveis. Em termos gerais, um experimento é uma ou mais atividades levadas a cabo em condições muito específicas. O experimento é uma manipulação intencional. Os elementos manipuláveis são as variáveis, e sempre existe um elemento não manipulado (elemento controle). (RICHARDSON, 2008, p. 28) O método experimental busca levantar elementos e dados, variáveis e invariáveis, através da experimentação. Assim, preza pela medição e controle, com a maior exatidão, de seus objetos de estudo. O relógio talvez tenha sido uma das grandes invenções. O Homem passa a medir, mais do que os dias, semanas e luas. O Homem passaria medir suas horas, seus minutos, seus segundos. O relógio era a metáfora perfeita do século XVII, tendo sido justamente considerado uma das maiores invenções de todos os tempos. [...], não muito diferente do que os computadores são para o nosso século. (SCHULTZ E SCHULTZ, 1992, p. 34) Se os métodos quantitativos e experimentais poderiam contribuir no desenvolvimento de mecanismo que auxiliassem o homem a controlar, a prever seus próximos passos, porque não utilizar destes métodos para estudar o Homem como Objeto? Esse foi um dos primeiros obstáculos epistemológicos da história das Ciências: a definição de um objeto de estudo e a neutralidade científica. Acontecerá uma progressiva diferenciação de conhecimento, em suas diferentes Escolas e Países, sofrendo influências, mas se consolidando de maneira diferenciada. Por exemplo, na França e Alemanha os estudos na área de biologia e anatomia humana haviam feito alguns avanços no campo da Medicina:

52 51 Em 1748 o médico francês Julie de la Metrrie (que morreu de overdose de faisão e tufas) afirmou: Tenhamos a coragem de concluir que o homem é uma máquina. Isso se tornou uma propulsora do Zeitgeist, não só na Filosofia, mas em todos os aspectos da vida, e alterou drasticamente a imagem da natureza humana vigente até então. (SCHULTZ E SCHULTZ, 1992, p.36) As ideias colocadas por Descartes anteriormente influenciaram as tendências e os caminhos que tomam o ser humano como objeto de estudo. As principais contribuições de Descartes no campo das ciências humanas são a concepção mecanicista do corpo; a noção da ação reflexa; teoria da interação mente corpo que vem possibilitar o estudo realizado em animais; a localização de funções mentais no cérebro, e a Doutrina das ideias inatas. O Empirismo tem a base do desenvolvimento de suas teorias, pesquisas, ciências na observação da realidade. Sendo esses fatos observáveis passíveis de verificação. A realidade para os empiristas é concreta (real), material, e imediata. Para o método experimental não existem fenômenos, existem fatos e dados. E só podem ser obtidos fatos dessa realidade através da experimentação. Os Empirismo sustenta a antítese do racionalismo. Afirma que a única causa do conhecimento humano é a experiência; a consciência cognoscível não obtêm seus conceitos da razão, se não exclusivamente da experiência. O racionalismo se baseia na ideia determinada pelo conhecimento ideal e o empirismo se origina nos fatos concretos. (CENTENO, 2003, p.06, grifo nosso) Em um clima de intenso debate teórico, na descrição de cada tópico de organização do saber, a experimentação surge como um grande atrativo para os cientistas da época. Assim, dois métodos se colocaram como possibilidade de alcance do conhecimento: o método lógico dedutivo Racionalismo Lógico e o método experimental - Empirismo. O método experimental pode ter ênfase no método dedutivo, se consolidando como um conhecimento exato, passível de verificação, como a matemática, por exemplo. Pode também se caracterizar por suas ligações com o Método Indutivo. Onde, a partir da experiência se pode chegar a conclusões mais amplas, que contêm as premissas iniciais. A partir da experimentação, instrumentação, posso recolher dados experimentais observáveis, que podem auxiliar na compreensão dos fatos que eu não posso observar. Mas a generalização tem de partir de fatos observáveis, ou seja, fatos passíveis de experimentação, de testes, de medições.

53 Fatos possíveis de serem analisados, por exemplo, em laboratórios. Observe a dinâmica do método indutivo na figura. (SKINNER, 2000; RICHARDSON, 2008) Figura 02 Exemplo de Reflexão na dinâmica do Método Indutivo (Empirismo) 52 Fonte: Da Pesquisa. Neste exemplo, a partir da experimentação e observação de um número (x) de quadrados, o pesquisador induz sua descoberta a (n) quadrados, na generalização de que todos os quadrados são vermelhos. Em termos gerais, um experimento é uma ou variadas atividades, levadas a cabo em condições extremamente específicas. Assim, o método indutivo parte de premissas dos fatos observados para chegar a uma conclusão que contem informações sobre fatos ou situações não observadas. [...] A conclusão é geral, usando o pronome indefinido todo. (RICHARDSON, 2008, p. 36) Portanto, para a escola Empírica, o conhecimento se dá por meio da técnica, por meio da experiência. Embora nos pareça uma visão extremamente limitada, ela veio a desempenhar uma grande importância. A técnica, a visão empírica coloca o conhecimento de forma objetiva, através da matéria. Como coloca Demo: Não se pode subestimar os méritos do empirismo, porque foi historicamente um santo remédio, conta um vezo acadêmico excessivamente filosofante, perdido na especulação gratuita. Criou inúmeras técnicas de coleta e mensuração de dados, acumulou fatos e dados, trouxe para as ciências sociais o uso da computação, e assim por diante. Seu método básico é muitas vezes descrito como o da Indução. Significa aceitar a generalização somente após ter constatado os casos concretos. (DEMO, 1985, p.101) Colocam-se então algumas questões epistemológicas, algumas questões de

54 53 vigilância epistemológica sobre o método: quando o objeto de estudo, ou assunto que se quer estudar é simples, como um metal ou pedras, inanimados, eu posso levar a um laboratório, fazer medições e experiências, essa posição pode ser válida. Mas, quando o objeto de estudo, ou assunto é mais complexo que um ser inanimado? Estas perguntas que nos fazemos neste instante, também foram feitas naquela época. Vamos retomar um trecho da citação de David Hume, no inicio do nosso primeiro capítulo: Se alguma coisa é capaz de diminuir o prazer desta contemplação, só pode ser a limitação de nossas faculdades, que ocultam de nós a parte mais importante dessas belezas e perfeições, ou a brevidade de nossa vida, que não dá tempo suficiente para delas nos instruirmos. (HUME, 1973, p.212) David Hume, retomando Platão, coloca algumas questões: Estaríamos privados do conhecimento pela limitação dos sentidos, ou da razão que leva-nos consigo na brevidade do tempo? Seriam os sentimentos humanos apenas uma abstração e nada além? Como explicaríamos a Arte e o que ela provoca? Ou ainda como explicaremos a Cultura como sendo importante na vida do ser humano, do ser social? Este posicionamento se opõe à perspectiva nativista e simplificada por Descartes, que afirma que algumas ideias seriam inatas. Alguns dos principais Empiristas que podemos aqui destacar: John Locke, George Berkeley, David Hume, David Hartley, James Mill e John Stuart Mill. (SCHULTZ E SCHULTZ, 1992, p.44) David Hume foi um grande filósofo representante da Escola Empirista. Para ele a experiência era a via de acesso do homem com o mundo, que somente pelo mundo sensível poderia o homem produzir conhecimento, somente na sua experiência com o mundo concreto. Ele exerceu muita influência sobre os pensadores da época, inclusive com Immanuel Kant, da Prússia, que teve contato com a filosofia de Hume, sofrendo algumas de suas influências. Hume coloca em sua obra a divisão que sofre a Filosofia e as Ciências, diante dos métodos e posições da época a respeito do estudo do homem e da natureza humana. A primeira delas, da qual ele faz parte, leva em conta o homem em seus sentimentos e relações, como coloca: A Filosofia Moral, ou Ciência da Natureza Humana, pode ser tratada de duas distintas maneiras, cada uma das quais tem o seu mérito particular e pode contribuir para o entretenimento, a instrução e a reforma da humanidade. Uma delas considera o homem, acima de tudo, como nascido para agir e como sendo influenciado em suas decisões pelo gosto e pelos

55 sentimentos; buscando este objeto e evitando aquele outro de acordo com o valor que parecem possuir e com a luz sob a qual se apresentam. (HUME, 1973, p.129) 54 Por outro lado, existe a visão do homem como um ser racional, diminuindo a importância dos sentimentos e das motivações humanas, ao passo que coloca a segunda posição filosófica: A outra espécie de filósofos encara o homem mais como um ser racional do que como um ser ativo, e antes procura formar-lhe o entendimento do que cultivar-lhes o costume. Para eles, a natureza humana é objeto de especulação; e a examinam detidamente a fim de encontrar os princípios que regem nosso entendimento, excitam nossos sentimentos e nos levam a aprovar ou censurar este ou aquele objeto, esta ou aquela ação ou linha de conduta. (HUME, 1973, p.129) Na defesa de sua visão de mundo, de sua Filosofia, Hume diz que ela se adere mais ao ser humano, a humanidade, por se inter-relacionar com o cotidiano do homem, com a vida comum, pois considera o homem além dos números, considera o homem em sua complexidade de relações internas e externas. É certo que a Filosofia fácil e clara conta com a preferência da Humanidade em geral contra a Filosofia exata e abstrusa; e será recomendada por muitos, não só como mais agradável, mas também como mais útil que a outra. Ela se encaixa melhor na vida comum; molda os corações e o afeto, e, tocando nos princípios da conduta humana, reforma-a e aproxima-a do modelo de perfeição que essa filosofia descreve. (HUME, 1973, P.129) A filosofia ou ciência que prezava pela dificuldade de linguagem exacerbadamente científica, exata, dedutiva, sofre severas críticas feitas por Hume. Ele dizia que a Filosofia ou ciência exatas, tendo a dedução como principal método, e utilizando-se muitas vezes de linguagem matemática, se esvaneceria com o passar do tempo, à medida que o filósofo sai das sombras e se mostra a luz do dia. Ao criticar ele coloca que nossas paixões, e veemência de nossos afetos dissipamlhe todas as conclusões, e reduzem o filósofo profundo ao nível de um simples plebeu. (HUME, 1973, p.129) George Berkeley também possui um olhar interessante sobre o conhecimento que é produzido através da experiência e observação do mundo sensível, introduzindo, de certa forma, as ideias de abstração dos objetos. Ele coloca que a complexidade das especulações realizadas na época conduziriam a inúmeras dúvidas e erros epistêmicos, dificuldades inúmeras em todos os campos do

56 conhecimento. Acredita que o Empirismo poderia sanar muitas dessas possibilidades, mas não concorda inteiramente com Hume: 55 E foi a opinião de que o individuo pode construir ideias abstratas ou noções de coisas. Quem não for de todo alheio a obras e discussões de filósofos reconhecerá que não pequena parte delas se trava acerca de ideias abstratas. Elas passam especialmente por objeto das ciências denominadas Lógica e Metafísica e de quanto se tem pelo mais abstrato e sublime estudo, onde, entretanto raro, se encontra uma questão posta de modo que não suponha sua existência no espírito e que isso é bem conforme com elas. (BERKELEY, 1973, p. 12) Ele retoma a doutrina da abstração de Locke, conservando certo ar platônico sobre as ideias. Locke defendia nas ideias abstratas o diferencial entre humanos e animais. A Abstração se parece muito com o método indutivo, ela se caracteriza pela interpretação dos fatos, mas voltaremos nesse aspecto depois. Assim, poderíamos dizer que a ciência trabalha com generalizações, mas estas podem dar uma maior ênfase a aspectos quantitativos, através do método dedutivo, ou dá maior ênfase a aspectos qualitativos, ligados mais a lógica indutiva. É diferente obter as generalizações de fatos constatados, ou obtê-las a partir de um pressuposto teórico. O método que visa a análise teórica e matemática, citado anteriormente, a dedução, aceita como partida um enunciado geral e deve ser verdadeiro, posteriormente contrapõe se a casos particulares. Na Indução esse processo se inverte. (DEMO, 1985) Segundo coloca Pedro Demo (1985) o Empirismo seria a metodologia mais simples, uma vez que acredita que a verdade se dá na realidade, se dá através da observação e constatação de fatos observáveis. Nós reconhecemos sua importância, e o empirismo é com certeza, uma das formas de acesso ao conhecimento, seja este conhecimento científico ou não. Todas as possíveis técnicas de mensuração da realidade não podem colocar-se com a pretensão de superar sua constituição ideológica interna, mas com o propósito de salvaguardar, sempre mais, as condições favoráveis de manipulação mais objetiva. Não se ganha nada apenas imitando as ciências naturais; muito menos vale a pena naturalizar as ciências sociais. Ganha-se, contudo, muito, se soubermos aproveitar criticamente condutas das ciências naturais e vice-versa. (DEMO, 1985, p. 18) O Behaviorismo, a primeira linha de Psicologia que foi considerada ciência natural se utilizando do método experimental, do método empírico de forma

57 56 dedutiva, inicialmente, e de forma indutiva posteriormente com o Behaviorismo Radical de Skinner. Mas ainda assim, é pautado na observação do comportamento humano, sendo este de alguma forma mensurável e passível de experimentação. Os precursores deste movimento utilizavam-se de animais em situações controladas, e suas descobertas eram estendidas ao comportamento humano, como foi o caso do Comportamento Reflexo descoberto inicialmente por Pavlov em animais, e organizados por Watson (Estímulo Resposta: S R), sendo este o precursor da Psicologia Comportamental ou Behaviorismo. (SKINNER, 2000) O Empirismo marca uma demissão teórica, no sentido de substituir a explicação dedutiva pela descrição empírica. Os fatos não falam por si só, mas pela boca de uma teoria, se falassem por si só, seriam desnecessárias suas explicações. Sobre os mesmos dados pode-se construir teorias até mesmo contraditórias entre si. (DEMO, 1985) A associação de mais de um método, ou de pressupostos poderia formar novos continentes do conhecimento. O mesmo objeto de estudo, por métodos diferentes, levando a conhecimentos diferentes. O Associacionismo entre conhecimentos passa a fazer parte de um novo quadro, como a Física Social e a Psicobiologia, que descendem inicialmente das ciências naturais. (SCHULTZ E SCHULTZ, 1992) Não teremos tempo de, por agora, trabalhar com todas as correntes epistemológicas que descendem da estratificação do conhecimento científico, mesmo porque seria necessário uma Tese para cumprir tão árdua tarefa. Vamos nos concentrar apenas em algumas correntes e escolas de pensamento que exerceram certa influência nas ciências humanas e sociais, e por conseguinte, exerceram influência também no conhecimento em Turismo. Quando passamos a falar em ciências sociais, os métodos e técnicas, bem como as metodologias se tornam cada vez mais variadas. Em nosso trabalho focamos as principais. Embora pareça que as ciências sociais ainda discutam metodologia em demasiado, isso demonstra a riqueza da área, visto que uma vez que discutimos a metodologia, ela pode ser adotada em outros objetos de estudos, para além das ciências sociais. (DEMO, 1985) Também gostaríamos de lembrar de que acreditamos no conhecimento como um processo de construção, assim sendo, os métodos e esquemas explicativos são encarados de forma dinâmica, e nem sempre um método é puro. Assim como em

58 57 uma corrente, Escola de Pensamento, podem conviver ou não linhas diferentes, posicionamentos diferentes sobre um mesmo objeto ou temática de estudo. Mesmo assim, todas elas são importantes, pois são singulares expressões humanas sobre o mundo, que se encontram em determinados pontos coletivamente. 2.4 POSITIVISMO A Ècole Polythecnique França estava cumprindo seu papel de formar uma elite intelectual, bem como outros institutos espalhados pela Europa, Alemanha e mais recentemente nos Estados Unidos. Um dos alunos da Ècole iniciou uma das correntes mais influentes na considerada ciência moderna até os dias atuais: O Positivismo Positivismo de Augusto Comte Esta escola de pensamento reunirá dois métodos anteriormente descritos. Inicialmente, o método indutivo e, posteriormente, o método dedutivo. Ao reunir mais de um método, o Positivismo é considerada uma Escola que, reunindo mais de uma metodologia, se diversifica entre as áreas do conhecimento. O termo Positivismo foi criado por Augusto Comte, e, embora fora rechaçado por seus contemporâneos, teve uma influência muito grande na concepção, ou seja no conceito de ciência como o temos hoje. Infelizmente, devido à brevidade de nosso tempo, não vamos nos aprofundar, mas se faz necessário e interessante que conheçamos um pouco mais sobre o contexto em que essa obra foi desenvolvida. Segundo consta na Biografia de Augusto Comte, disponível na versão brasileira da Obra: Discurso Preliminar sobre o Espírito Positivo, bem como em outras bibliografias principalmente da área de psicologia e antropologia, sendo fonte de diversas discussões literárias, visto que: Augusto Comte teria extrapolado ao sugerir uma estrutura que comportasse todos os saberes, todos os sistemas de conhecimento. Mesmo assim, é da estrutura de Comte que temos hoje o Sistema de Divisão de Conhecimentos Científicos. Excluso a metafísica que, para Comte, se referiria ainda ao período cosmológico do qual não se poderia desenvolver

59 58 conhecimento sólido algum, ou seja, aquele conhecimento não seria aplicável, e não sendo aplicável ele não teria função funcionalismo. Ao não possuir função, ele deixa de ser relevante. Até esse momento, concordaram todos, mas, Comte na tentativa ousada de sistematizar o conhecimento, perdeu célebres alunos e admiradores. [...] foram frustradas suas tentativas de emprego acadêmico. Também sofreu críticas do mundo científico por parte de importantes figuras que o ridicularizavam pela sua pretensão de submeter ao seu sistema todas as ciências. A mágoa agravou seu estado psicológico. [...] decidiu-se, em 1838, a não ler mais uma linha de qualquer trabalho científico, limitando-se a leitura de ficção e poesia. (COMTE, 1978, p.10) Um de seus primeiros empregos foi o de secretário do Conde Henri de Saint- Simon, filósofo e teólogo que viu claramente a importância da organização econômica na sociedade moderna, baseando-se no Socialismo. Comte aprendeu muito, absorveu os pontos principais, sistematizou com um estilo próprio, estruturou e derivou disciplinas desse sistema - Positivismo. Da corrente positivista descendem outras linhas de pesquisa e outras escolas de pensamento. Antes de apresentarmos o método que pertence a essa Escola de Pensamento, um fato interessante. Segundo consta na história de Comte existiu uma mulher muito especial, o nome dela era Clotilde de Vaux. Augusto Comte afirma que nada pode ser mais eficaz para o bem pensar que o bem querer, e se tornou um abrasado feminista. Afirmava que a mulher encarnava o sentimento e, portanto, em última análise, a própria Humanidade. Buscou então seriamente associar o sexo feminino, na pessoa de Clotilde, à obra de renovação social e moral que se impôs a completar. (COMTE, 1978, p.10) Clotilde não poderia se casar com Comte, pois havia sido abandonada pelo marido, e segundo a religião cristã e o sistema histórico político vigente na época, o divórcio não era permitido. Clotilde tentou ajudar Comte e começou a escrever um romance filosófico que se chamaria Wilhemine, mas veio a adoecer e falecer antes de concluí-lo. Traduzimos um trecho de um de seus poemas, direto do Francês para o português, uma tradução livre contextualizada, assim, poderão ser encontradas outras traduções discrepantes. Para evitar possíveis enganos, o original em francês está disponível em nota de rodapé.

60 59 Os Pensamentos de uma Flor 7 [...] Eu tenho o primeiro olhar do rei da natureza Eu beijo o seu fogo, esplendor como adorno Eu tenho a jovem Aurora como irmã, a me sorrir toda manhã Eu nasci brisa e sabor doce, Desde a queda eu observava, ao lado de meu cálice Eu toco o limiar e precipicio o raio, Tenho a tabela da magia, sem parelelo em magnitude O universo está abrindo as portas da vida novamente [...] (VAUX, CLOTILDE, s/d, tradução livre) Para Comte, o mundo histórico social já havia passado tempo demais sobre a égide da dureza do intelecto masculino. Ele se opôs a Henri de Saint Simon em sua obra: Sistema de Política Positiva. Mesmo se opondo, ele também institui a proposta de uma disciplina eclesiástica, como linha condutora da sociedade: a Religião da Humanidade. Reunia como membros sociólogos seculares, e seus pensamentos influenciaram muitos ingleses, que traduziram e escreveram sobre suas obras. Na França também aumentou o número de adeptos de seus ideais positivistas. Ele mantinha intenso contato postal com Comunidades Positivistas em todo o mundo moderno. (COMTE, 1978) Seu trabalho dava ênfase à hierarquia e a obediência como princípios de organização social, e rejeitava a democracia, sustentando de que o governo ideal seria constituído por uma elite intelectual, conduzindo a humanidade a uma sociedade positivista. Ele deu nova roupagem as ideias de Thomas Hobbes e Adam Smith, afirmando que os princípios da sociedade são o egoísmo individual, incentivado pela divisão do trabalho. A coesão social só seria possível através de um Governo e um Estado fortes. Comte baseou sua obra em pontos chave: Por essa razão, o sistema Comteano estruturou-se em torno de três temas básicos. Em primeiro lugar, uma filosofia da história com o objetivo de mostrar as razões pelas quais certa maneira de pensar (chamada por ele filosofia positiva ou pensamento positivo) deve imperar entre os homens. Em segundo lugar, uma fundamentação e classificação das ciências baseadas na filosofia positiva, finalmente, uma sociologia que, determinando a estrutura e os processos de modificação da sociedade, permitisse a reforma prática das instituições. (COMTE, 1978, p.16) A primeira colocação de Comte, a filosofia positiva, sintetizou o conhecimento que até então havia sido produzido no que ele denominou: Lei dos Três Estados. O 7 Le pensées d une Fleur: [...] J ai le premier regard du roi de la nature / J ai son baiser de feu, sa splendeur pour parure / J ai de la jeune Aurore un sourire de soeur / J ai la brise naissant et la douce saveur / De la goutte penchée au bord de mon cálice / J ai le rayon qui joue au seuil du precipice / J ai le tableau magique, en grandeur sans pareil / De l univers s ouvrant les portes du réveil [...]

61 60 primeiro seria um Estado Teológico, mitológico, cosmológico, onde os deuses e os mitos eram o centro das discussões sobre o conhecimento humano. O segundo estado seria considerado o Estado Metafísico, onde o homem ainda não caminha sozinho no conhecimento, se pautando em preceitos e pressupostos alheios a experimentação, dissolvendo por etapas a força da fé na Igreja e na simples razão pura. E o terceiro estado o Estado Positivo, o estado moderno, onde o homem se torna capaz de produzir conhecimento sem quimeras metafísicas, através da experimentação e observação. (COMTE, 1978) Talvez uma das maiores contribuições de Comte foi a importância que ele deu ao método científico como requisito para se fazer ciência, ou para que o conhecimento produzido fosse considerado científico, dentro da visão positivista de ciência. O Método essencial defendido por ele foi o método experimental, ou seja, empírico e indutivo. Pois nenhum fenômeno observável poderia evidentemente deixar de entrar numa das cinco grandes categorias, desde já estabelecidas: fenômenos astronômicos, físicos, químicos, fisiológicos e sociais. (COMTE, 1978, p.09) O Positivismo passa a reunir técnicas experimentais, aplicadas aos seus objetos de estudo, caracterizados em cada campo do conhecimento. Suas influências foram sentidas em todas as áreas, visto que o método empírico já figurava como possibilidade em diversos campos das ciências. Surgiu na atmosfera do sucesso das ciências naturais (a teoria evolucionista de Darwin; o sistema Kant-Laplace de explicação da formação do sistema solar e a descoberta das leis térmicas de J. Joule e H.F. Lenz) mostrando assim a fé absoluta no poder da investigação experimental. (RICHARDSON, 2008, p. 32) As descobertas atraiam cada vez mais cientistas, inclusive cientistas sociais que viram nos métodos experimentais a possibilidade de solução de todos os problemas, inclusive os de ordem social e humanas. Comte era um sintetizador de linhas de pesquisa, e como dito, até os dias atuais, exerce influência na pesquisa científica, principalmente nas ciências exatas e naturais. (DEMO, 1985) Mas, como vimos, ele não agradou a todos, principalmente pela inclusão escolástica em sua obra, de uma Religião da Humanidade. No Brasil em transição, carente de ideologias, encontrou fiéis súditos. Inclusive, existem muitos estudos que

62 61 ligam teoricamente e historicamente Comte a Kant, na Prússia e John Dewey nos Estados Unidos com Anísio Teixeira no Brasil, e idealistas da República Brasileira. (HENNING, 2012) O método escolhido por Comte pelo qual a ciência positiva deveria se deslocar era o método indutivo experimental. A maior crítica a esse método foi de Karl Popper, que ao criticar o método exposto por Comte, mostra a face mais radical das ideias positivistas, o Positivismo Lógico. O Positivismo é uma metodologia extremamente mais complexa que a anterior (Empirismo) e está geralmente mais ligado a sua expressão lógica. Tem de comum com o empirismo a desconfiança contra a filosofia e a especulação. Mas, na sua versão mais lógica, desinteressa-se pela problematização do relacionamento entre sujeito e objeto e agarra-se as condições lógicas do enunciado científico. (DEMO, 1985, p.103) O Positivismo encontrou fortes ligações como modelo das ciências naturais e exatas, dando ênfase mais na realidade do que em seus conteúdos. O Positivismo pressupõe uma objetividade e neutralidade por parte do pesquisador, e todos os objetos devem ser tratados da mesma maneira, rejeitando as metodologias próprias das ciências sociais. (DEMO, 1985; RICHARDSON, 2008) Comte diferenciou o conhecimento, estratificando-o e negando o conhecimento produzido nas etapas teológicas e metafísicas do conhecimento, que a partir da filosofia positiva, o conhecimento poderia se desenvolver de forma científica (positiva). Segundo Comte, o espírito positivo estabelece as ciências como investigação do real, do certo, do indubitável e do determinado. (RICHARDSON, 2008, p. 33) A imaginação, a criatividade, a argumentação ficam subordinadas a observação, que deve ser descrita de forma objetiva, sem inferências. Ele considera que a observação é limitada, e o conhecimento poderia apenas apreender fatos isolados. Por isso, a necessidade de dividir as ciências, segundo seus objetos de estudos. Em termos gerais o Positivismo enfatiza as ciências e o método científico como única forma de validade na produção do conhecimento. Ele revela certa hostilidade com a teologia e a metafísica, mas institui uma matéria eclesiástica que norteará o desenvolvimento do conhecimento e viver humanos. Teve um importante papel na inclusão da mulher como parte da humanidade, e não como um ser sem alma, da qual vinha o desastre do pecado no mundo desde os tempos de Eva.

63 62 O Positivismo de Comte tem como modelo fundamental a lógica da matemática, exata e supra-histórica, acreditando no real progresso científico, considerando algumas ciências como já amadurecidas em seus campos de estudo, atingindo resultados definitivos. Não aceita a ciência como um processo contínuo. Como coloca Pedro Demo: A finalidade da ciência é estabelecer a verdade, compreendida como algo factível e definitivo. Embora não insista muito em evidências empíricas, preocupa-se mais com a tessitura lógica da linguagem científica, que procura evidenciar-se em transparência explicativa e no seu fluxo dedutível sem contradições. (DEMO, 1985, p.103) Mas o Positivismo também traz em seu bojo algumas vertentes, ele não é puro, ele abriga linhas diversas, uma delas, o mais recente e utilizado, é o Positivismo Lógico Positivismo Lógico As considerações de Comte sobre qual seria o método científico a ser adotado pelas ciências trouxe algumas controvérsias. A mais significativa delas foi feita por Karl Popper. O Positivismo não é unitário, é claro. A linha de Popper, por exemplo, recusa a indução e somente aceita a dedução como método válido. Com isso, não se interessa pela acumulação de dados e pela observação sistemática. E acaba instituindo a provisoriedade das teorias como condição normal científica, bem como a crítica metodológica como procedimento básico de depuração científica. (DEMO, 1985, p. 103) O Positivismo lógico coloca que a ciência nos forneceria todas as formas de conhecer e que a metafísica deveria ser renegada e levada ao absurdo, excluídas todas e qualquer tipo de abstrações. Esse movimento filosófico se caracterizou já no Século XX, após o que ficou conhecido como Círculo de Viena, entre meados da Década de 1920 e 1936, que buscava rever os métodos empíricos e científicos. As reflexões do período metafísico seriam infundadas visto que não havia possibilidade de comprová-las empiricamente. Assim o enunciado básico do Positivismo Lógico é: o significado de uma proposição é seu método de verificação. (RICHARDSON, 2008, p. 34)

64 Richardson (2008, p. 34) dá um exemplo sobre a linha de pensamento positivista lógico: 63 Assim, podemos afirmar que uma proposição é empiricamente significativa para qualquer pessoa apenas quando se conhece a forma de verifica-la, isto é, se o autor da proposição conhece as observações a serem feitas que conduzam a aceitar a proposição como verdadeira, ou rejeitá-la como falsa. Ao se posicionar contra a indução como único método das ciências, Popper levanta objeções que recaem sobre todas as áreas do conhecimento. Para que se pudesse afirmar que, todos os cisnes são brancos, em nível de lei natural, deveria de ter se observado os cisnes de hoje, ontem e garantir que não existiria outras cores de cisnes no amanhã. Ou seja, observação de todos os casos concretos, o que seria impossível. Ele também não vê na probabilidade avanço científico, e não aceita esse posicionamento na composição do método científico positivista lógico. (DEMO, 1985) Para Popper, era impossível verificar teorias porque, por mais que se acumulassem dados e fatos concretos, isso não acrescentaria certeza. Eis o porquê a história deixa de ser importante nesse sistema positivo lógico. E se não nos é possível verificar, nos é possível falsear, ou seja, demonstrar a falibilidade do conhecimento previamente construído, demonstrando através de linguagem matemática precisa seus erros e acertos. A presença de um único fato concreto diferente poderia falsificar as informações obtidas através da indução. Como a figura que mostramos quando falamos do método indutivo. A existência de um único quadrado que não fosse vermelho, e sim azul, desmonta toda a teoria de que: Todos os Quadrados são vermelhos a generalização passa a ser uma falha, um erro. (RICHARDSON, 2008) A falsificabilidade passa a ser o critério básico de cientificidade, no sentido de que uma teoria é científica apenas provisoriamente, enquanto não se encontra caso concreto negativo. Ademais, não interessa encontrar casos que apoiem a teoria, já que por aí não conseguimos certeza alguma. O que interessa é a busca de casos negativos. É assim que institui a crítica metodológica como cerne de seu método. (DEMO, 1985, p.104) Popper propõe um método de auto-refutação, de falseamento da pesquisa como dever do pesquisador científico. Ele se vale do método dedutivo, que, ao se associar com o método empírico (experimental) demonstra seu potencial hipotético.

65 64 Assim, caracteriza-se o método colocado por Popper, em especial, como Método Hipotético Dedutivo 8. O Método hipotético-dedutivo consiste, a partir de fatos e dados observáveis, formular um problema; a partir do problema, construir hipóteses para a solução do problema de pesquisa; a partir das hipóteses formular teorias nas quais residam a solução do problema; imerso em um processo de falseamento, de vários testes de medição da abrangência da teoria, ou do saber concebido através do método hipotético-dedutivo. É um método de tentativas, acerto e erro. Figura 03 Dinâmica do Método Hipotético-Dedutivo (Método Científico) Fonte: Da Pesquisa. A partir de uma lacuna percebida no conhecimento são formuladas hipóteses que visem à construção de novos conhecimentos, ou melhores explicações de conhecimentos já observados. A partir destas hipóteses se constroem teorias que são testadas através da inferência dedutiva, testando a predição da teoria formulada frente ao problema exposto. Assim as hipóteses levantadas podem ser rejeitadas ou não serem rejeitadas, existiria apenas estas possibilidades, conferindo certa falibilidade ao conhecimento produzido. (POPPER, 1980) De acordo com o princípio de falseabilidade exposto por Popper: Um conhecimento só é considerado válido se pode ser verificável e não refutado. (RICHARDSON, 2008) 8 Também conhecidos por alguns teóricos como método Abdutivo, embora esta nomenclatura traga algumas confusões.

66 Popper abandona a repulsa a filosofia, porque não importa o ponto de partida da teoria, desde que se submeta ao teste negativo. Procura instituir uma espécie de democracia metodológica, no sentido de que cada teoria deve ter sua chance de apresentar-se como explicação da realidade, desde que aceite as regras do jogo, ou seja o contraste impiedoso contra fatos negativos. Não os encontrando a teoria não passa a ser verdadeira, mas tão somente válida por enquanto. (DEMO, 1985, p. 104) 65 O Campo científico se torna uma Arena, e era necessário estar preparado para adentrar neste meio, e se adequar as regras. Laplace, que era da Normandia, em seu Essai philosophique sur les probabilités, projetou um sistema matemático indutivo, baseando-se em probabilidades de ocorrência de determinado fenômeno. Uma fórmula conhecida que surgiu de seu sistema foi a Regra da Sucessão. Ele supôs que um processo só tenha dois possíveis resultados, rotulados "sucesso" e "falha". Neste sistema de Laplace pouco ou nada é conhecido a priori sobre os resultados. Para que fosse um sucesso, ou seja, para que se consiga uma sucessão no conhecimento, Laplace derivou uma fórmula que ele chama de Teoria das Probabilidades, para que o processo, seja qual for, alcance sucesso. (GURGEL e PIETROCOLA, 2011) John Stuart Mil, também teceu colaborações e críticas muito importantes no que se refere ao processo de indução. Ele utilizou das descobertas de Kepler para defender que, as generalizações não são inferências, e ao pesquisador não seria possível manipular a pesquisa, porque não existe criação, baseando-se no conceito de KANT-LAPLACE: Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. (GURGEL e PIETROCOLA, 2011) [...] é clara a posição do autor contra a ideia de criação ao citar o Filósofo Willian Whewell, que considerava um papel ativo da mente no processo de elaboração de ideias. Para Mill o papel da mente seria apenas o de ter a construção conceitual prévia da ideia de elipse e isso seria suficiente para o reconhecimento do padrão das orbitas. (GURGEL e PIETROCOLA, 2011, p. 03) Kant era da Prússia, ficou conhecido por participar da escola do Criticismo, e segundo consta de sua biografia, viajou pouco, mantendo-se na Prússia e enterrado em sua cidade natal. Foi um filósofo e teve contato com as obras Francesas em especial do iluminismo francês. Em seu texto, muito conhecido: Resposta a Pergunta: O que é Iluminismo? Kant teceu críticas as sociedades que, destruíam o saber antigo, em detrimento do novo saber científico. Isso seria incorrer em um imenso erro, pois não seria possível a Humanidade chegar ao ponto científico, sem

67 66 antes passar por outros estágios do desenvolvimento, ao que Kant chama de menoridade do conhecimento. Ele via o conhecimento como um processo contínuo, daí sua ligação com a que hoje é conhecida como a Constante de KANT-LAPLACE. O que não significa que eles escreveram juntos, apenas que suas obras dialogam de forma especial. Uma época não pode se coligar e conjurar para colocar a seguinte num estado em que se tornará impossível a ampliação de seus conhecimentos (sobretudo os mais urgentes), a purificação dos erros e, em geral, o avanço progressivo na ilustração. Isso seria um crime contra a natureza humana, cuja determinação original consiste justamente neste avanço. E os vindouros têm toda a legitimidade para recusar essas resoluções decretadas de um modo incompetente e criminoso. (KANT, s/d, p.03-04) Assim, Kant desenvolveu em seu sistema filosófico o que alguns chamam de Apriorismo Kantiano, ou seja, o conhecimento parte de um conceito a priori a sua existência, baseado na intuição por parte do sujeito transcendental que recria o objeto de seus estudos, sendo somente assim possível o conhecimento. Ele elaborou diversas críticas, propiciado pelo intenso debate da época das luzes que via no criticismo uma de suas correntes, e uma das quais Kant vem a se identificar. A crítica orienta a construção de toda a arquitetônica da Crítica a razão Pura. Sabemos que o principal pilar da construção desta obra é a razão transcendental pura e a priori internamente sistematizada em juízos e categorias lógicas e orientada para o conhecimento e ordenação de fenômenos. O pensamento percorre as vias de uma dedução transcendental a priori, condição que não a permite ultrapassar os fenômenos. Dali advêm os componentes do conhecimento, a saber, pureza e transcendentalidade do eu puro e os sentidos. (WOHLFART, 2004, p. 37) Veja que Kant introduz uma categoria: fenômeno. O Homem em suas relações com a natureza e com os outros homens, na física social, se caracterizaria como um fenômeno, uma vez que ele deixa de ser objeto simples e passa a fazer parte de um contexto maior, onde são estudadas as relações que são estabelecidas. Para Kant, é o homem que dá significado ao conhecimento que se produz. [...] por intermédio, pois, da sensibilidade são nos dados os objetos e só ela nos fornece intuições; mas é o entendimento que pensa esses objetos e é dele que provêm os conceitos (KANT, 1997, p. 61) Assim, sem intuição, nenhum objeto nos seria dado e sem entendimento nenhum objeto seria pensado. (WOHLFART, 2004, p. 37) Como anteriormente citamos, já existiam correntes humanistas e

68 67 existencialistas, que tinham o homem como assunto de pesquisa. Mas como conviver com tamanhas diferenças entre o quantitativo - o homem em números e o qualitativo homem e suas relações? Essa foi uma das grandes questões epistemológicas que foram discutidas na época. Conhecimento se estratificou de acordo com seus objetos de estudo e do olhar do pesquisador sobre estes objetos. Mas não houve somente a divisão, a união também foi válida, visto que surgiram novas áreas do conhecimento, desenvolvendo novas teorias, como: sociologia, antropologia, biologia, psicologia. O Positivismo vai influenciar diretamente o campo das ciências, e as descobertas de Lamarck e Darwin revolucionaria as bases das ciências humanas. As contribuições de Comte, Kant, Durkheim foram determinantes para que passassem existir a divisão Ciências Sociais, e para a existência da Sociologia como campo de estudo. Kant colocou o pensamento filosófico como a linha de frente, componente crítico indispensável para o exercício de filosofar, e defendia que filosofar pode ser aprendido, ou seja, o ser humano pode aprender! (WOHLFART, 2004) Resumidamente, poderíamos colocar que o Positivismo segue os seguintes princípios e leis de validade: (RICHARDSON, 2008) a) Uma proposição é significativa quando é verificável, e que possa ser julgada provável a partir da experiência; b) Uma proposição é verificável se é uma proposição empírica, ou uma proposição da qual pode ser deduzida uma proposição empírica; c) A proposição é formalmente significativa se for tautológica; d) As leis da matemática e da lógica são tautológicas. e) Considerando que as leis da metafísica, não são nem verificáveis e nem tautológicas, elas são insignificantes. f) Considerando que as proposições teológicas, éticas e estéticas não são passíveis de verificação, também são insignificantes. g) Eliminadas a metafísica, ética, teologia e a estética, a única tarefa da filosofia é a clarificação e análise. A Escola Positivista sofreu críticas e em resposta as suas determinações

69 68 surgem outras escolas de pensamento, como o Neo-Positivismo, entre outras. Mas também, recebeu adesões e incentivou a criação de novas escolas. A Escola Funcionalista foi uma delas Funcionalismo Em 1850 Fechner acreditou ter desvendado o mistério do comportamento humano. Ele repentinamente descobriu que a relação que se dava entre mente e corpo poderia ser explicada quantitativamente através de uma fórmula logarítmica, utilizando-se também da geometria. Suas descobertas abalaram as bases da biologia, e mostravam que o comportamento poderia possuir funcionalidade, função (f(x)). Darwin foi o maior representante dessa Escola funcionalista. O contexto das descobertas estavam imersos entre trabalhos de grande impacto. Discutiam-se funções da consciência, as diferenças individuais, o comportamento animal. A Escola Norte-americana recebeu muito bem estes estudos, que se davam principalmente em laboratórios. Eles evoluíram bastante gerando a escola que ficou conhecida como Pragmatismo, tendo John Dewey como o principal filósofo e idealizador do pragmatismo norte-americano, com quem Anísio Teixeira estudou por volta de Foi em 1859 que Darwin publica o título original da obra magna: On the Origin of Species by Means of Natural Selection. A Teoria da Evolução nele apresentada libertou os cientistas de tradições supersticiosas, e até então inibidoras, tendo-os lançado na maturidade e respeitabilidade das ciências da vida. Essa obra impactaria principalmente a Escola Norte-Americana. A Teoria de Darwin ficou conhecida como Evolucionista. (SCHULTZ e SCHULTZ, 1992) Muitos dos princípios colocados por Darwin foram utilizados pelos governantes para legitimar a escravidão de povos considerados inferiores, inclusive por Hitler em sua fé absoluta na superioridade da raça ariana. Mas em sua grande maioria, a Teoria da Evolução fez surgir a estimulante possibilidade de uma continuidade no funcionamento mental entre os homens e os animais. Se a mente humana tinha evoluído de animais inferiores, o estudo animal e sua extensão ao ser humano torna-se possível, e mais um elemento passa a figurar

70 69 os laboratórios, as cobaias, nas quais eram feitas as experiências que possibilitavam extrapolar para o ser humano suas descobertas, baseados em uma correntes funcionalista. O estudo do comportamento animal passa a ser vital para a compreensão do comportamento humano. (SCHULTZ e SCHULTZ, 1992) A partir destas e outras descobertas acontece uma adequação das ciências, que se dividem em Ciências Naturais (matemática, física, química, astronomia); Ciências Humanas, incluindo a Genealogia como método de pesquisa histórico, e a Arqueologia como método empírico, introduzida por Darwin. (SCHULTZ e SCHULTZ, 1992) Dentre as divisão desse homem como objeto de estudo, a divisão desse sujeito em quantas partes possa ser possível examiná-lo, as correntes se divergem em vários pontos. Podemos destacar aqueles que possuíam uma visão ideal de homem, estado e ciência, como a busca pela verdade absoluta, podendo assim fazer com que o homem se desenvolva em prol de algo maior do que ele uma linha de pensamento Idealista. Mas, se esse homem é para mim falho, assim como a sociedade e a ciência, como formas de apropriação do mundo pelo homem são falhos como ele, minha visão não se pauta no ideal, se pauta na falha, no que é visível, no que é material uma linha de pensamento Materialista. Essas diferentes linhas não convivem pacificamente, pelo contrário, dentro de cada campo do conhecimento, e internamente, as discussões eram o ápice da socialização do conhecimento. A Ècole Polytechnique Francesa viu o surgimento de grandes mestres do conhecimento dentro de suas paredes, e também vislumbrou guerras científicas. 2.5 FENOMENOLOGIA Como vimos, até certo momento os conhecimentos estavam todos concentrados ao redor de um só paradigma: da Razão. Com a ampliação quantitativa e qualitativa do conhecimento, se estratificam dois métodos dedutivo e indutivo, que ao se encontrar com as linhas e pressupostos dos cientistas se diversificavam ainda mais, tornando um todo coerente, mas complexo. Fica clara a complexidade do conhecimento produzido, e somente uma disciplina não viria a dar

71 70 conta dos seus objetos mais complexos. Por exemplo, a química poderia estudar os elementos químicos, mas quem estudaria as relações dos elementos químicos com seres humanos? Ou ainda quem estudaria as relações da humanidade com a natureza, visto as mudanças de pensamentos sobre os animais? Enfim, qual seria o método para estudar tão complexas relações? A Fenomenologia. Um exemplo: O Homem é o objeto de estudo das ciências naturais ao descobrir a circulação do sangue pelas veias, esse homem precisa ser tratado como um todo ao considerar como um todo, posso compara-lo a uma máquina mas prova-se através da ação reflexa que o homem pode aprender ele deixa de ser máquina e passa a ser um ser humano que vive em sociedade que sociedade é essa? Quais relações foram estabelecidas? Veja que chegamos a um nível de complexidade, o homem passa a ser visto além do simples objeto, além do sujeito, o Homem passa a ser visto como um fenômeno. (DEMO, 1985) O Positivismo não aceita essa colocações, e as metodologias das ciências sociais não são consideradas por eles científicas, então, não dialogam. As outras ciências, já estabelecidas, incorporam alguns elementos, mas não muito significativo. Já as Ciências Humanas encontram no paradigma fenomenológico campo fértil para suas pesquisas. (RICHARDSON, 2008) A corrente ou metodologia Fenomenológica reuni mais de um método e mais de uma linha epistemológica. Um dos métodos que podemos destacar como essenciais é o método Hipotético-Indutivo, ou método de Abstração. Panosso Netto é um dos autores que trabalham com essa Escola de Pensamento em Turismo no Brasil, e coloca: Aqui já está um ponto importante da fenomenologia, qual seja, a aparência não é a realidade. A realidade, a verdade, pode estar encoberta. Kant criou o termo phenomenologia generalis, que tinha por objetivo estabelecer os limites entre o mundo sensível (experiência) e o mundo inteligível. Para Hegel, a fenomenologia seria o mais alto estágio da ciência, por meio do qual se chegaria ao saber absoluto, a fenomenologia do espirito. (PANOSSO NETTO, 2011, p. 134) Hegel acreditava no idealismo científico, no idealismo social, Hegel acreditava em sonhos, em utopias. Foi um dos maiores filósofos alemães. Sua obra magna é intitulada Fenomenologia do Espírito. Na sua obra Hegel concebe que a humanidade através da lógica e a história seguem uma trajetória dialética, onde as contradições

72 71 se transcendem, mas ao mesmo tempo dão origem a novas contradições que passam a requerer solução. Hegel possui uma visão idealista da dialética e admite que as ideias se sobrepõe a matéria, a realidade. Por exemplo: Um Governo seria uma instituição idealizada pelo povo, portanto ela seria ideal, pois partem das ideias, onde existe a perfeição. Ele retorna a Platão durante suas reflexões. (SOARES, 2009) Mas o método fenomenológico só receberia esse título a partir de Husserl, embora tenha sido utilizado anteriormente. Hegel já colocava, e Husserl salientou: A metodologia fenomenológica é o estudo sistemático ou não das essências. Como aponta Merleau-Ponty apud Panosso Netto (2011, p. 135) a fenomenologia é o estudo das essências, e todos os problemas, segundo ela, tornam a definir essências: a essência da percepção, a essência da consciência, por exemplo. Como podemos observar na Tese do Prof. Dr. Josemar Sidinei Soares, Hegel já dava ênfase a Fenomenologia anterior a Hurssel: O prefácio da própria edição da Fenomenologia do Espírito indica em algumas passagens a necessidade de se compreender esta obra como uma introdução ao sistema da ciência, ou seja, como um primeiro momento fundamental para a compreensão deste sistema, é verdade, mas ainda preliminar ao sistema, não incluso em sua lógica sistemática. Por outro lado, quando se observa a estrutura lógica da enciclopédia de conhecimento filosófico, a Fenomenologia surge já dentro da primeira parte da Filosofia do Espírito, em um momento intermediário entre a Antropologia e a Psicologia. (SOARES, 2009, p. 25) A Psicanálise vai se adequar nesta corrente, embora trabalhe com uma epistemologia pluralizada, ela adere muito da fenomenologia na concepção do método psicanalítico. Já Jung, dissidente de Freud, em especial por acreditar que o inconsciente era coletivo e não individual, encontra na fenomenologia estruturalista os caminhos para desenvolver o método analítico. A Fenomenologia é uma das Escolas que mais reúne linhas e posições teóricas, e não temos tempo para colocar todas elas aqui. Então gostaríamos de evidenciar o método pelo qual a fenomenologia se desenvolve, o principal deles, como citamos, é a Abstração. A partir de dados coletados sobre determinado fenômeno, ou seja, a partir de observações empíricas ou não de determinadas relações, são levantadas hipóteses sobre as relações observadas. Essas hipóteses podem ser contraditórias. Ao serem levantadas as hipóteses, através da inferência indutiva e dedutiva retornamos ao

73 72 objeto primeiro e suas relações, verificando, indutivamente, quais hipóteses se mantem, quais não se mantem, quais não variam, quais variam. Neste retorno o pesquisador elabora uma abstração dos fatos e dados da pesquisa, ele retira da realidade os dados que conseguiu analisar e os devolve abstraídos, em uma realidade abstrata. Esse processo pode ser considerado um processo dialético O Método Dialético O Método dialético pode ser considerado um método fenomenológico. Ao passo que trata seus objetos como sendo multideterminados e históricos. Embora encontramos em Hegel e posteriormente em Marx sua versão mais moderna, ela remonta ao período Pré-Socrático (antes de Sócrates). (BORNHEIM, 1998) A filosofia surgiu da busca do homem em entender o universo, em entender a si mesmo. Esse conhecimento acumulado é muito vasto, e, apenas para fins de estudo, os períodos são divididos, e o primeiro deles se caracterizaria pelo período pré-socrático. Heráclito de Éfeso faz parte deste período, especificamente da escola Jônica, situado uma geração após Xenófanes, ao qual se opunha, e uma geração antes de Parmênides, seu principal opositor: [...] Heráclito é por muitos considerados o mais eminente pensador présocrático, por formular com vigor o problema da unidade permanente do ser diante da pluralidade e mutabilidade das coisas particulares e transitórias. Estabeleceu a existência de uma lei universal e fixa (o Lógos), regedora de todos os acontecimentos particulares e fundamento da harmonia universal, harmonia feita de tensões, "como a do arco e da lira". (MADJAROF, 2010, s/p) Pouco se sabe sobre a história de Heráclito. Segundo consta, nascido em Éfeso, colônia grega da Ásia Menor, teria atingido o auge de sua produção filosófica por volta de A.C. Pertencia à família real de sua cidade e conta-se que teria renunciado à dignidade de se tornar rei em favor de seu irmão. A obra que deixou é constituída de uma série de frases isoladas, durante muito tempo foram consideradas fragmentos de sua obra original, que teria se perdido. Muito depois, a crítica filosófica reconheceu que se tratava, na verdade, de aforismos, muito utilizado pelos filósofos pré-socráticos. (BORNHEIM, 1998)

74 73 A apresentação aforismática do pensamento de Heráclito faz dele um dos pensadores pré-socráticos de mais difícil interpretação. Uma vez que o método de jogar suas colocações ao ar dá margem para que cada um interprete seus aforismos dentro de sua própria realidade dual. Heráclito pode ser considerado o pai da dialética. O desenvolvimento de seu pensamento era em essência dialético. Como coloca MADJAROF (2010, s/p) Heráclito concebe o próprio absoluto como processo, como a própria dialética. A dialética para Heráclito era segundo Bornheim (1998): a) Dialética exterior, um raciocinar de cá para lá e não a alma da coisa dissolvendo-se a si mesma; b) Dialética imanente do objeto, situando-se, porém, na contemplação do sujeito; c) Objetividade de Heráclito, isto é, compreender a própria dialética como princípio. Não cabe neste momento esmiuçar o pensamento de Heráclito e como ele vem a influenciar a construção da Dialética como conhecemos, assim sendo, passemos a Sócrates. O que se entende por dialética? De origem grega (dialektiké) significa argumentar, debater, dialogar. Era através do diálogo que se argumentavam nas academias na Grécia e Roma antiga. Sócrates era um grande argumentador, em seus diálogos o ato de quase sempre utilizar de uma negativa, de uma antítese, dava verdadeiros nós na cabeça de seus alunos e discípulos. Um deles, aliás, já o citamos anteriormente Platão, que absorveu muito do que aprendeu com o Mestre, tendo sido o principal responsável pela passagem dos conhecimentos de Sócrates à frente. Voltando, os diálogos eram muito utilizados como forma de representar e apresentar os conteúdos filosóficos. (BORNHEIM, 1998) Assim, finalmente, Hegel ( ) retoma Platão adotando o método dialético para as suas pesquisas. A Dialética de Hegel era idealista, não acreditava que a sociedade precisasse de uma refundação. Mas, Karl Marx ( ) interessou-se pela dialética de Hegel, mas não concordava com ela inteiramente. Marx não era Hegeliano, mas é impensável sem Hegel. O primeiro manuscrito que escreveu foi em 1843 onde ele ainda não havia clarificado as relações entre

75 74 sociedade e estado, sendo inconcluso. O segundo apenas oito meses depois, ele havia resolvido algumas questões sobre as relações entre o estado e a sociedade. Assim ele redigiu 03 manuscritos conhecidos como os Manuscritos de Paris, onde Marx se afastava de Hegel. (SOARES, 2009) Ele passa a dar ênfase a História como o tecido onde ocorrem as transformações e contradições da humanidade. A história que para Hegel não desempenhava tão relevante importância, para Marx torna-se essencial, pois ele enxerga na história o movimento e a unidade dos contrários. Outro ponto de controvérsia seria o papel da Filosofia. Marx acreditava que a filosofia tinha de ser realizada, se transformar em algo concreto, trazer as transformações do mundo das ideias, para o mundo real. Marx se aproxima mais dos diálogos de Sócrates e Hegel se aproximou mais das ideias de Platão. (DEMO, 1985; KOSIK, 2002) Nesse momento, de realização da filosofia, coincide o envolvimento de Marx com os movimentos de base operária na Alemanha. Para entendermos Marx, precisamos olhar para a sua obra com óculos alemães datados de Ele conduz uma forte influência na transição entre o socialismo utópico e o socialismo científico. Marca-se assim uma nova fase na obra de Marx, ele se torna mais politizado e tem um forte envolvimento com a causa em seu país. Nesse interim, publicou as 11 Teses contra (sobre) Feuerbach, e juntamente com Engels ( ) publicou O CAPITAL, sendo esta a obra mais conhecida de Marx no Brasil, pois é uma das poucas que foram traduzidas. Marx escreve em alemão, e muitas de suas obras estão disponíveis em Francês, mas não em Português. Nesta obra Marx aplica sua lógica dialética tendo como objeto de análise o Capital. (KOSIK, 2002) O Socialismo antes utópico, ganha caráter científico, mas não é do nosso interesse especular sobre a ideologia marxista. Geralmente, quando falamos que queremos trabalhar com a metodologia do Materialismo Histórico Dialético, nos perguntam, mas você é marxista? Comunista? Não, apenas admiramos um grande pensador e grande sociólogo. Mais do que isso, o MHD é apenas mais um método um método histórico-crítico. Marx nunca escreveu sobre sua metodologia especificamente, ele não era dado a este tipo de discussão, mas os estudos de marxistas nos auxiliam nessa caminhada, e o MHD se descortina como uma concreta possibilidade de estudo, alcançando os objetivos propostos. Por muitos, a dialética é considerada a metodologia das ciências sociais. A nosso ver, ela é extremamente importante, mas

76 75 justamente por ser dialética, vê em outras metodologias possibilidades de diálogo. No contexto das metodologias, é claro, trata-se de uma entre outras, cuja a excelência precisa ser fundamentada e não suposta. Ademais, não existe somente uma dialética, por exemplo, a marxista. Se assim fosse, já não seria dialética. E, mesmo dentro do marxismo, não há unidade em torno do que seria a dialética, a partir do próprio Marx. (DEMO, 1985, p. 85) Assim, tratamos de esclarecer os termos que compõem essa metodologia, o primeiro deles Materialismo. Como colocado, o materialismo é uma corrente, uma linha de pensamento que se opõe ao idealismo. Se tomarmos como exemplo uma flor, ela existe independente da consciência, independente da cor ou espécie que ela possua quando a imaginamos. Para compreender o Materialismo é necessário relembrar o conceito de matéria onde a realidade é objetiva, dada pelas sensações. As características fundamentais da matéria podem ser descritas como: [...] o movimento (o mundo material está em permanente movimento e mudança); o volume, dimensão, extensão espaço e tempo. Assim podemos chegar a seguinte definição de matéria: qualquer objeto ou fenômeno natural com existência e características próprias que ocupem um lugar no tempo ou no espaço. (RICHARDSON, 2008, p. 44, grifo nosso). Assim, fazem parte como elementos fundamentais do fenômeno a ser pesquisado, na linha materialista: o movimento; o volume; dimensão; extensão; espaço tempo. (RICHARDSON, 2008) Marx concebe o Estado como parte de uma sociedade de consumo, portanto, ele não seria o reino da universalidade, como coloca Hegel. Por outro lado, a sociedade civil seria o terreno das privatizações onde ela vive alienada na universalidade do estado. Essa é apenas uma breve análise que ele fez baseados em fatos do concreto. Quando falamos de concreto falamos da realidade material que se impõe ao pesquisador. (DEMO, 1985) Karel Kosik, da Tchecoslováquia, é um dos grandes estudiosos de Karl Marx, e em seu livro Dialética do Concreto vai mostrar todo o potencial da análise dialética desta realidade que é uma realidade aparente, um pseudo-concreto. A atitude primordial e imediata do homem, em face da realidade, não é a de um abstrato sujeito cognoscente, de uma mente pensante que examina a realidade especulativamente, porém, a de um ser que age objetiva e praticamente, de um indivíduo histórico que exerce sua atividade prática no trato com a natureza e com os outros homens, tendo em vista a consecução

77 dos seus próprios fins e interesses, dentro de um determinado conjunto de relações sociais. (KOSIK, 2002, p.13) 76 Assim, o homem é o agente do meio. Ele se transforma e é transformado nas suas relações com o mundo material. Essa realidade que se dá ao indivíduo, porém, é apenas a aparência de uma realidade da qual ele faz parte, de um concreto no qual o homem está inserido. Esse concreto aparente possui em si a essência, mas não a revela prontamente ao sujeito. Assim, a realidade que se coloca diante de nós todos os dias são pseudo-realidades, pseudo-concreticidade. A dialética trata da coisa em si, mas a coisa em si não se manifesta imediatamente ao homem. Para chegar a coisa em si é necessário certo esforço, quando não um desvio. (KOSIK, 2002) É no trato com as coisas, na nossa vivência, na nossa prática que construímos nossa subjetividade, e ao mesmo tempo, nossa objetividade agindo no mundo concreto, transformando-o e sendo transformados por ele. Somo ao mesmo tempo produto e produtor. E é somente em nossa prática que podemos tornar real, materializar quem somos, e nos apreendermos do mundo real, simbolizando-o e dando a ele sentido para além das aparências. (KOSIK, 2002; PIAGET, 1971) É onde reside a práxis utilitária imediata, o senso comum, que possibilita nossa orientação no mundo. Não precisamos saber o que é dinheiro e de onde ele veio para comprar pão na padaria pela manhã, ninguém exigiria isso, apenas o fazemos, de forma automática, imediata. Já a reflexão pautada na práxis histórica: [...] a existência real, e as formas fenomênicas da realidade que se reproduzem imediatamente na mente daqueles que realizam uma determinada práxis histórica, como conjunto de representações e categorias de pensamento comum [...] são diferentes e muitas vezes absolutamente contrárias as leis do fenômeno, com a estrutura da coisa, e portanto, com o seu núcleo interno essencial e o seu conceito correspondente (KOSIK, 2002, p. 14) Ou seja, tomar a pseudo-concreticidade como manifestação imediata da essência do fenômeno seria desconsiderar o processo histórico a que o fenômeno está sujeito, e a que o homem, imerso no social, também é (está) sujeito como um ser histórico. Tomar a realidade imediata como apresentação do fenômeno em sua totalidade seria, tomar o falso como verdadeiro, ou como aparentemente verdadeiro. O complexo dos fenômenos que povoam o ambiente cotidiano, e a atmosfera comum da vida humana, que, com sua regularidade, imediatismo

78 e evidência, penetram na consciência dos indivíduos agentes, assumindo um aspecto independente e natural, constitui o mundo da pseudoconcreticidade. (KOSIK, 2002, p.15) 77 A forma pela qual podemos escapar da alienação imposta a nós todos os dias, seria através da práxis histórica, ou seja, utilizarmos da história como alinhamento de nossa conduta e reflexão ao ponto dela se tornar uma práxis em nossas vidas pessoais e acadêmicas, levando-nos assim a compreensão dos fenômenos que desejamos conhecer. Por este motivo Marx pode escrever que aqueles que realmente determinam as condições sociais se sentem a vontade, qual peixe n água, no mundo das formas fenomênicas desligadas da sua conexão interna e absolutamente incompreensíveis em tal isolamento. (KOSIK, 2002, p. 14) Reside aqui um dos primeiros princípios da dialética: a conexão universal dos fenômenos e dos objetos. É característica essencial a matéria seus fundamentos, portanto eles sempre se inter-relacionam com a matéria de alguma forma, por exemplo: o Peso (P) de um objeto é a relação entre a força gravitacional (g) e a massa (m) do objeto. O mesmo acontece com os fenômenos sociais, eles possuem entre si relações indissociáveis, e que se modificam ao desenrolar da história. Qual seria então a diferença entre as outras metodologias já mencionadas? Para o Materialismo Dialético a interligação dos fenômenos está relacionada por leis objetivas. Por exemplo, João não existe sem o homem, o homem não existe sem João; a Revolução cubana não existe sem a revolução, a revolução não existe sem a Revolução cubana. (RICHARDSON, 2008, p. 47) A história possui dinâmica interna essencial, baseada na polarização, na contradição. Toda a ação gera uma reação (esta lei foi muito estudada na física aplicada ao 2 grau), como os polos de um imã, que ao serem similares e semelhantes se repelem, e ao serem complementares e contraditórios se atraem. O Homem é um ser histórico, ele é construído bem como a sociedade que o cerca também o foi. Não há como excluir o histórico da pesquisa social. Segundo Demo (1985, p. 109) a dialética se refere à historicidade da sociedade e da natureza. A História não só expressa a evolução e contradição social, mas contém em si a explicação do fenômeno, partindo do pressuposto que a história não se dilui ela é construída na base dos conflitos, sejam estes contrários ou complementares. Ao aceitar a história como tendo um papel fundamental no MHD, estamos diante do

79 78 segundo princípio: O movimento permanente e o desenvolvimento. As fontes dessa energia sustentável que dá movimento ao fenômeno reside nas contradições, que propulsionam as mudanças no mundo fenomênico, e, estas, se dão em meio à história. O movimento se dá a partir de mudanças internas quantitativas que dão passagem a transformações qualitativas. A transformação de quantitativo em qualitativo, e vice versa. (RICHARDSON, 2008) O mundo da pseudo-concreticidade seria o mundo fenomênico. Mas a estrutura desse mundo fenomênico ainda não capta a relação entre sua existência e essência. O mundo da pseudoconcreticidade é um claro-escuro de verdade e engano. O seu elemento próprio é o duplo sentido. O fenômeno indica a essência, e, ao mesmo tempo a esconde. A essência se manifesta no fenômeno mas só de modo inadequado, parcial, ou apenas sob certos ângulos e aspectos. O fenômeno indica algo que não é ele mesmo e vive apenas graças ao seu contrário. (KOSIK, 2002, p.15) Assim, aquilo que temos por real, é apenas o real aparente, é o mundo fenomênico, são sombras da Caverna de Platão. Cabe a quem deseja conhecer, compreender. E Compreender o fenômeno para a dialética consiste em captar sua essência, e para captá-la muitas vezes é necessário destruir, desmontar, desconhecer para construir e reconstruir. O mundo da essência e o mundo fenomênico não estão desconectados entre si, pelo contrário, existe uma relação íntima, e nessa relação reside a explicação, ou essência do fenômeno que se apresenta para conhecimento do homem. (KOSIK, 2002) O método dialético compreende princípios, leis e categorias. O núcleo central do método dialético é composto por: TESE ANTÍTESE SÍNTESE. Essa dinâmica provêm principalmente da união e luta dos contrários, e da Lei da Negação da Negação.

80 79 Figura 04 Dinâmica do Método Materialista Histórico Dialético Fonte: Da Pesquisa. Assim, podemos exemplificar em nossa própria pesquisa, partindo da nossa observação aparente. Levantamos a possibilidade de existir pluralidade na produção do conhecimento em turismo no Brasil; a antítese dessa colocação se expressaria como a não existência de tal conhecimento no Brasil, ou ainda a existência ínfima de plurais caminhos; a partir da reflexão e confronto com dados históricos abstraímos os fatos históricos relevantes e deles tomamos uma síntese, que seria o concreto antes aparente agora pensado, abstraído, fruto da realização da pesquisa. (KOSIK,2002) Embora se pareça com o método hipotético dedutivo, ou indutivo, se diferencia destes e do estruturalismo pela importância que dá a história, aos fundamentos da matéria. Reconhece a contradição não como força externa propulsora, mas como inerente a todo o fenômeno. A bipolaridade dialética é o que mantêm o fenômeno vivo. Toda metodologia supõe uma concepção da realidade, como vimos anteriormente nas mais diversas linhas, com a dialética não é diferente. A visão de mundo é a visão de um mundo dialético. Seu pressuposto mais fundamental parece ser: toda a formação social é suficientemente contraditória para ser historicamente superável. Obviamente, nem todas as dialéticas aceitam isso; mas serve como ponto de partida e até mesmo divisor de águas. (DEMO, 1985, p.86) Marx com certeza foi quem deu uma roupagem a dialética de Hegel e

81 80 conquistou espaço nas ciências sociais, mas seu trabalho teria sido pequeno se não houvessem aqueles, que, vindo depois dele, contextualizaram a dialética em suas épocas, tempo, e espaços, construindo ótimas reflexões sociológicas e filosóficas. Um caso marcante é de seu genro, casado com Laura, Paul Lafargue. Paul Lafargue teve um fim triste, como Romeu e Julieta de Shakespeare, suicidou-se ao lado de Laura, sua amada. Mas antes foram ao teatro, bebicaram um bom vinho, e por fim, uma boa dose do chá venenoso da Doce Preguiça. (LAFARGUE, 1999) Paul Lafargue escreveu em 1880 em um folhetim com o título Direito a Preguiça, ele utilizou este título em uma sutil afronta aos preceitos cristãos, utilizados para legitimar horas desumanas de trabalho nas fábricas. Enquanto Marx escreveu sobre o trabalho, Lafargue falou do não trabalho, e da importância de nos dedicarmos a outras atividades, nos dermos o direito a preguiça. Os escritos de Lafargue só chegariam ao Brasil por volta de 1980, traduzidos inicialmente como Direito ao Ócio. ( Traduzir é trair ). Foi muito influente sobre muitos pesquisadores do Brasil na área de Ciências Sociais e do Lazer. (LAFARGUE, 1999) Como deixar de citar Milton Santos e as contribuições que sua visão dialética trouxe tanto ao país quanto a Geografia? E as contribuições de Florestan Fernandes como professor e como político, marxista, ao lado do Partido dos Trabalhadores? A ideologia e método se confundem na figura de Marx, mas os profundos benefícios de pensar a sociedade e ao refletir, transformá-la esse foi de Marx o maior legado Estruturalismo Começamos por dizer que não existe um tipo apenas de Estruturalismo. Ele descende da visão fenomenológica do objeto, ou assunto da pesquisa. Poderíamos citar alguns: Foucault, Piaget, Lévi-Strauss, dentre outros. Assim, vamos nos basear em Lévi Strauss para exemplificar um pouco mais deste método que trouxe grandes contribuições para a humanidade, principalmente no contexto histórico em que se deu. (RICHARDSON, 2008) Utilizando-se em primeira mão da linguística e da etnologia Lévi-Strauss disseminou entre as ciências humanas e sociais um novo modelo científico. Ele acreditava que a realidade estaria estruturada e, a partir da explicação, se chegaria a estruturas sociais invariantes. O Método de pesquisa na linha Estruturalista seria

82 81 dado em algumas etapas, como coloca Demo: Em primeiro lugar, começa-se pelo esforço de decomposição analítica, não de síntese, já que para entender um fenômeno é mister desmontá-lo em suas partes; e isto é precisamente análise. Em segundo lugar a decomposição analítica mostra a complexidade do fenômeno é uma percepção superficial [...] em terceiro lugar, explicar é escavar a subjacência, porquanto a superfície varia, não o fundo, que invaria. [...] Em quarto lugar, o fenômeno é simplificável em modelos estruturais, revelando a ordem subjacente, ao contrário da visão da superfície. (DEMO, 1985, p. 106) Assim, podemos citar a existência de pelo menos três tipos de Estruturalismo. O Estruturalismo fenomenológico (Merleau-Ponty); Um Estruturalismo Genético (Piaget) e um Estruturalismo de Modelos (Lévy-Strauss; Althusser). E ainda o Estruturalismo mais recente de Michel Foucault, que tem por base uma epistemologia pluralizada. (RICHARDSON, 2008) A música pode ser utilizada como um exemplo na visão estruturalista: As peças de uma sinfonia são compostas por vários instrumentos, que juntos compõe uma harmonia de sons. Mesmo que dois violinos estejam tocando notas diferentes elas conversam, pois fazem parte da mesma escala. As notas que compõem as escalas são variadas e variantes de notas musicais, que por sua vez são invariantes, ou seja, é a estrutura invariável, é a unidade. (RICHARDSON, 2008; DEMO, 1985) Na visão humanista, essa unidade básica seria o homem, paradigma este adotado pela Antropologia. Na visão sociológica esta unidade básica poderia ser considerada a família como primeiro grupo social de interação do individuo com o mundo social. Para a psicologia, existiria assim o inconsciente agindo sobre as ações do sujeito, ou ainda um mundo dentro da pele, ou ainda estruturas cognitivas que propiciassem o desenvolvimento humano. (PIAGET, 1971; SKINNER, 2000) O estruturalismo é uma das correntes mais recentes e tenta devolver ao homem e a sociedade a estrutura que ele perdeu nas guerras, na doença e no resultado do conhecimento que por ele mesmo foi construído. Vai trazer à tona a discussão acerca da moral, da extinção dos povos considerados primitivos, vai se inter-relacionar com as instâncias de poder e seu efeito sobre o homem, unidade da sociedade, do meio social. O Estruturalismo tem suas origens nos estudos linguísticos de Ferdinand Saussure Curso de Linguística Geral, 1916 e a Escola Fonológica de Praga

83 Jakobson. Ela se fundamenta em dois princípios, aplicáveis as ciências sociais: (RICHARDSON, 2008) 82 - Os fenômenos linguísticos têm como base infraestruturas inconscientes que devem ser pesquisadas e compreendidas; - Objeto da linguística não está constituído pelos termos que formam uma língua, se não pela relação entre os termos. Conforme coloca Pedro Demo (1985), a física procedeu da mesma forma, ela amadureceu como ciência quando encontrou o código dos elementos atômicos, em número restrito e finito, dentro de uma ordem estabelecida. Para o método de pesquisa estruturalista, coloca-se que: O que importa no modelo estruturalista é o estudo das relações entre os elementos. Portanto, o objetivo das ciências sociais é compreender o sistema de relações entre os elementos constitutivos da sociedade. A sociedade é interpretada em função da comunicação entre os elementos. Assim, o estudo da cultura ocupa um lugar fundamental, como conjunto de sistemas simbólicos que permitem a comunicação entre os atores sociais.(richardson, 2008, p.107) O método estruturalista pode ser considerado uma metodologia que se utiliza do método, por exemplo, semântico, onde a semântica diz respeito à relação entre os signos e a realidade, isto é, o significado de determinado objeto num determinado contexto. essa relação de significação é interpretada pelas várias correntes teóricas da linguística e da filosofia da linguagem. (FIGUEIREDO, 2008, p.25) Assim, resumidamente, a metodologia de pesquisa para que seja considerada estruturalista deve levar em conta as seguintes condições segundo Richardson (2008): a) Oferecer característica dos resultados em Sistema; b) Todo o modelo deve pertencer a um grupo de modificações; c) As condições anteriores devem fornecer critérios de previsibilidade das reações do fenômeno; d) O Sistema deve dar conta de explicar todos os casos observados.

84 83 Algumas críticas ao Estruturalismo colocam que ele diminui, de certa forma, o caráter histórico, ao chegar em estruturas invariantes, ou seja, elas independem do tempo-espaço para se formarem e reger a vida social do homem. Nesse interim, concebe-se o inconsciente como essência das ações humanas e de certa forma inapreensíveis pela consciência. Se o inconsciente era mesmo trans-histórico e trans-pessoal, a distinção entre primitivos/civilizados, nós/outros, que deu tanto sentido ao funcionalismo e à posição relativista, não apresentava mais sentido, pois o pensamento selvagem passava a possuir o mesmo estatuto do pensamento domesticado, apresentando um caráter mais totalizador, porque se fazia inscrito na lógica do sensível. Passou-se a postular um humanismo universalista, que reintegrava o outro, o diferente. O período trará muitas referências a Montaigne e Rousseau, este último sendo considerado o fundador de tal visão de mundo: visão antropológica. (DOSSE, 1994) Atualmente já existem visões pós-estruturalistas, pós-construcionistas, mas todas elas advêm do Estruturalismo, inclusive das críticas que a ele foram feitas, podemos destacar algumas destas críticas: (RICHARDSON, 2008) a) No momento que se procura estruturas invariantes, esquece-se as transformações do fenômeno; b) Considerando o inconsciente coletivo, isso faz com que todas as pessoas possuam a mesma configuração mental; c) O estudo da estrutura precede o estudo da gênese, relegando a história a segundo plano; d) O trabalho não formula uma síntese da pesquisa e sim cria modelos explicativos, que simplificam o fenômeno; e) Pode cair em um pré-determinismo negativo em relação às transformações sociais. Todas essas críticas foram válidas, e surgiram novas possibilidades de estudo a partir de Mas gostaríamos de salientar, talvez a maior contribuição da Escola Estruturalista foi de dar ao homem uma nova estrutura, uma nova referência. Ela trabalha para devolver o homem que foi sequestrado pela ciência, de volta para sua terra, para sua casa. Ela busca dar ao homem estruturas para que ele possa viver nesse mundo tão moderno, dinâmico e ao mesmo tempo arcaico e soberbo.

85 84 Podemos citar como exemplo de aplicação do método estruturalista o famoso livro do Prof. Dr. Mario Beni, Análise Estrutural do Turismo, que se constitui em uma obra de fôlego, publicada pela primeira vez no Brasil em A Teoria de Sistemas visão Sistêmica descende da corrente Estruturalista, muito utilizada na Administração e Gestão de Empresas. Também muito utilizado nos campos da Engenharia, Arquitetura, onde a montagem de estruturas se configura como básicas. Mas o Estruturalismo na visão sistêmica pode ser aplicado a quase todas as áreas do conhecimento, e tem por principal objetivo identificar e resolver conflitos que se liguem a sua estrutura básica. Um Exemplo já citado, da Análise Estrutural do Turismo, o Professor Mario Beni derivou o SISTUR Brasileiro, sendo um dos maiores representantes da Escola Estruturalista no Turismo no Brasil, além de sua grande importância para toda a área.

86 85 3 METODOLOGIA: PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 3.1 TIPO DE PESQUISA A presente pesquisa propôs uma reflexão acerca dos fundamentos epistemológicos do turismo, baseado em métodos de pesquisa social. De abordagem qualitativa, buscou responder questões muito particulares de determinada temática, que abrangem o fenômeno social, como coloca Minayo (2001, p.21): Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com um universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos a operacionalização de variáveis. Ainda, segundo Richardson (2008), a abordagem qualitativa de um problema justifica-se por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social. Assim a abordagem qualitativa esteve presente no desenvolvimento dos instrumentos de pesquisa bem como no tratamento dos dados. Esta pesquisa, além de ser de cunho qualitativo, possui caráter descritivo, com coleta de dados bibliográficos e de campo. Seu desenvolvimento caracterizouse em um processo de construção científica, que passa por fases importantes que se complementam no desenrolar da pesquisa. Na primeira etapa, denominada fase exploratória da pesquisa, dedicamos tempo na interrogação sobre o objeto de estudo, os pressupostos, as teorias pertinentes. Momento onde através de observações e leituras bibliográficas nos familiarizamos com a temática. Para Minayo (2001) esta etapa inicial nos colocou frente a frente com os objetivos traçados e os autores envolvidos com o horizonte de interesse da proposta de pesquisa. Com base nesta etapa visamos atender ao que nos propusemos nos objetivos específicos. A segunda etapa, denominada de fase de instrumentação da pesquisa, foi feito um recorte da construção teórica elaborada na primeira etapa, combinando os levantamentos bibliográficos com novas leituras de material teórico específicos, observações e entrevistas com os pesquisadores relacionados com a temática em discussão, e selecionados pela pesquisa. Nesta fase são construídos os

87 86 instrumentos e roteiros para leituras e entrevistas a serem utilizados na coleta de dados bibliográficos e de campo. Na terceira etapa, foi feita a Análise dos dados coletados pela pesquisa, com base nos objetivos específicos, observando se os mesmos foram alcançados, em que medida se obteve as respostas às questões problemas de pesquisa e como estes discursos foram analisados. Importante lembrar que nesta pesquisa os discursos foram analisados e interpretados a luz do referencial teórico históricocrítico, conduzindo a desconstrução do objeto, ou da realidade concreta aparente, e posterior reconstrução, que seria o concreto abstrato, a essência que se manifesta na aparência. O tratamento realizado com os dados coletados nos conduziu a um confronto entre a abordagem teórica anterior e o que a investigação de campo aportou de singular enquanto contribuição. (MINAYO, 2001) 3.2 AMOSTRAGEM DA PESQUISA A metodologia não só contempla a fase de exploração do campo, como também o estabelecimento de critérios de amostragem e construção de estratégias para coleta e análise dos dados. Na fase exploratória da pesquisa, durante o levantamento bibliográfico, identificamos pesquisadores que possuíam produção científica voltada à temática epistemológica do turismo. Em seguida, a fim de traçar um panorama geral destes autores, utilizamos a Plataforma Lattes no Portal do CNPQ. A Plataforma Lattes nos apresenta o currículo com o registro da vida pregressa e atual dos pesquisadores, sendo que seu formato vem sendo adotado pela maioria das instituições de fomento, Universidades e institutos de pesquisa em todo o país, em decorrência de sua agilidade, transparência e confiabilidade. Assim, torna-se uma rica fonte de informações sobre os pesquisadores, autores e suas produções. Alguns critérios foram adotados a fim de filtrar os resultados e refinar a pesquisa, estes foram: Busca por Assunto: Epistemologia Nas Bases: Doutores Formação Acadêmica: Doutorado Área de Atuação: Grande Área: Ciências Sociais Aplicadas Área: Turismo.

88 87 Figura 05 - Página de Busca de Currículo Lattes. Fonte: Plataforma Lattes, Esta pesquisa na base de dados do CNPQ teve por propósito levantar quais seriam os potenciais pesquisadores-autores selecionados como parte do escopo específico desta pesquisa; as áreas a que são vinculados (turismo, áreas afins, áreas correlatas), a produção bibliográfica (projetos de pesquisa, teses, dissertações e artigos científicos), a instituição de ensino a que estaria ligado, e se atua em programas de pós-graduação Stricto Sensu. A pesquisa preliminar nos forneceu o currículo de 47 Doutores, sendo que a frequência variou entre 48% e 100% de referência ao assunto, palavra-chave, relacionada à produção com temática concentrada em Epistemologia. Com base na análise dos Currículos Lattes apresentados, foi possível verificar a possibilidade de selecionar autores e pesquisadores que possuíam produção e publicação representativa na temática, ligados a programas de pós-graduação Stricto Sensu em Turismo, ativos, com currículos atualizados nos últimos seis meses. Foi a partir deste universo de pesquisadores elencada a amostra de dois (02) pesquisadores autores, tendo por base não uma representatividade estatística frente ao Universo da amostra pesquisada, e sim a representatividade e importância destes atores sociais e suas pesquisas na área da construção do conhecimento em turismo, sua história e desenvolvimento e posicionamentos epistemológicos. Observados os critérios acima descritos, foram escolhidos como atores sociais participantes Dr. Luiz Gonzaga de Godoi Trigo e Dr. Luiz Octávio de Lima Camargo.

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