PROJETO TREZE HORAS: Uma Proposta Para o Ensino Médio Integrado ao Ensino Técnico

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1 PROJETO TREZE HORAS: Uma Proposta Para o Ensino Médio Integrado ao Ensino Técnico Vanessa Lopes da Silva 1 Leandro Marcon Frigo 2 Resumo A partir do problema dicotômico vivenciado pelo Ensino Técnico Integrado, que se caracteriza pela dificuldade de integração entre os conhecimentos, a proposta intitulada Projeto Treze Horas, foi concebida. As atividades consistem em um ciclo de atos didáticos com temas e metodologias livres, que estão sendo realizadas inicialmente nas quartas-feiras por alunos do Pibid do Curso Superior de Licenciatura em Química, do Instituto Federal Farroupilha Campus São Vicente do Sul com discentes de todas as séries dos cursos técnicos integrados, onde, no mesmo ambiente, esses estudantes experimentam a troca de conhecimentos simultaneamente. Palavras-chave: Ensino Integrado, Pibid Química, Aprendizagem Significativa. Introdução Sabemos que a educação no ensino médio permanece separada da realidade do aluno e, infelizmente não é difícil perceber a falta de compreensão da finalidade da maioria dos assuntos abordados. O currículo é conteúdista, o conhecimento essencialmente acadêmico e a metodologia enfatiza a memorização de conceitos, fórmulas e regras que parecem só servir para o vestibular. Como observa Schnetzler & Aragão (1995, p.27) o ensino de química e outras disciplinas ainda hoje continua sendo: Uma prática de ensino encaminhada quase exclusivamente para a retenção, por parte do aluno, de enormes quantidades de informações passivas, com o propósito de que essas sejam memorizadas, evocadas e devolvidas nos mesmos termos em que foram apresentados na hora dos exames, através de provas, testes, exercícios mecânicos repetitivos... (Schnetzler & Aragão 1995, p.27). 1 Bolsista do Pibid Química - Campus São Vicente do Sul do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha; 2 Coordenador da Área de Química - Pibid Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha Campus São Vicente do Sul;

2 Neste contexto, encontramos professores desvalorizados, desmotivados e, até certo ponto, despreparados para trabalhar em sala de aula. Há professores que não têm formação e autonomia suficiente para idealizar sua própria metodologia, limitando a reproduzir as aulas tradicionalmente com repetição de técnicas pedagógicas simplistas que lhes exigem muito pouco conhecimento da área. Por outro lado, consideremos apenas a bagagem de informações que nossos alunos trazem hoje à escola. Precisamos reconhecer que eles superam os professores nas possibilidades de acesso às fontes de informações. Há situações nas quais temos docentes desligados dessa era, fazendo com que a escola e o professor percam o papel de referência do saber. A proletarização dos profissionais da educação os faz excluídos dos meios que transformam o planeta, onde a quantidade e a velocidade de informações o fazem parecer cada vez menor. Esse é o lado trágico em não poucas das contemplações da escola hoje (Chassot, 1998). Sem dúvidas, há a necessidade de superarmos esse rompimento do atual ensino com a vida do aluno. Objetivo O subprojeto Ressignificando às Práticas Educativas na Formação de Professores de Química do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência), por meio dos acadêmicos/bolsistas do curso de Licenciatura em Química do Instituto Federal Farroupilha Campus São Vicente do Sul, tem como objetivos principais desenvolver ações nas escolas vinculadas a este de modo a aumentar o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e propor novas formas de mediar os processos de ensino/aprendizagem nos níveis de ensino fundamental e médio, nas modalidades regular e de educação profissional técnica de nível médio. Desta forma, o Projeto Treze Horas desenvolvido nas quartas-feiras no Instituto durante o turno da tarde, às 13 horas, abrange os discentes de todas as séries dos cursos técnicos integrados, visto que nesse horário os mesmos ficavam ociosos por não terem aula, em virtude das reuniões pedagógicas dos professores. No ambiente da sala de aula, esses estudantes trocam saberes de uma forma contextualizada e dinâmica, obtendo assim uma melhor concepção de conceitos relacionados a temas atuais e diversos. Convém ressaltar que o mesmo não é obrigatório e nem direcionado para os que têm rendimento considerado satisfatório e os que têm dificuldade, mas sim para os que realmente buscam conhecimento. Espera-se interesse dos educandos, inclusive daqueles que geralmente não participam, pois o que é bom às pessoas ficam sabendo e querem.

3 Metodologia Inicialmente, para os alunos e até mesmo os professores terem noção do projeto, realizou-se visitas prévias dos acadêmicos/bolsistas nas turmas onde os convidamos para participarem, destacando o dia, o horário e como as aulas seriam desenvolvidas no decorrer do mesmo. Notou-se então que os alunos demonstraram bastante interesse e curiosidade com a ideia proposta. Fez-se o cronograma das aulas de apoio e, a partir de um diálogo entre os acadêmicos/bolsistas e coordenador da Área de Química Pibid decidiu-se que a primeira aula seria ministrada por todos os bolsistas e teria como tema gerador a Química das Drogas, enfatizando o conteúdo de Funções Orgânicas, conforme previsto no plano de aula elaborado pelos envolvidos. Figura 1 Horário de Divulgação. Org.: SILVA,V.L., 2015 A dinâmica de ensino deu-se de acordo com os momentos pedagógicos propostos por Delizoicov e Angotti (1994): problematização inicial, organização do conhecimento e aplicação do conhecimento. Como estavam presentes alunos de todas as séries e levando em consideração que alguns não tiveram esse conteúdo, usufruiu-se de recursos didáticos como

4 data-show, modelos moleculares, tabela periódica e reportagens atualizadas acerca do tema proposto do município de São Vicente do Sul veiculadas na internet, construindo assim uma aula expositiva-dialogada. Resultados Segundo Chassot (1995, p. 85), toda escola também deve no primeiro momento, se questionar a respeito do por que ensinar química no ensino médio. O autor salienta que infelizmente as respostas de muitos professores a esta questão não são justificativas aceitáveis. Aliás, ainda é possível perceber a ênfase na transmissão de conteúdos, com a excessiva preocupação de cumprir o que está na ementa ou preparar os alunos para o vestibular. Baseando-se neste questionamento há a possibilidade de uma reflexão mais crítica a respeito da necessidade e da importância da educação no ensino médio ser trabalhada de maneira contextualizada, relacionando com o cotidiano dos discentes, tornando assim o aprendizado mais atrativo. Considerando esses aspectos, o processo de ensino/aprendizagem constitui uma alternativa que visa á formação do cidadão, e isso pode ser desenvolvido através de temas diversos. Santos e Schnetzler (1997, p. 113), colocam que: O ensino para a cidadania não se restringe ao fornecimento de informações essenciais ao cidadão, tarefa necessária, mas não suficiente. Aliada á informação química, o ensino aqui defendido precisa propiciar condições para o desenvolvimento de habilidades, o que não se dá por meio simplesmente do conhecimento, mas de estratégias de ensino muito bem estruturadas e organizadas. Assim o ensino para o cidadão precisa levar em conta os conhecimentos prévios dos alunos. O que pode ser feito por meio da contextualização dos temas sociais, na qual se solicita a opinião dos alunos a respeito do problema que o tema apresenta, antes de o mesmo ser discutido do ponto de vista da química (Santos e Schnetzler 1997, p. 113). Portanto, a partir do Projeto Treze Horas, buscou-se suavizar o problema dicotômico vivenciado pelo Ensino Técnico Integrado, que se caracteriza pela dificuldade de integração entre os conhecimentos. Percebeu-se a satisfação, interesse e aprendizagem significativa em todos os envolvidos com o projeto, salientando a importância desta experiência e convívio profissional no futuro ambiente de trabalho dos acadêmicos/bolsistas. Conclusão

5 Neste trabalho pôde-se relatar a forma como o Projeto Treze Horas concebeu-se e foi desenvolvido juntamente com os acadêmicos/bolsistas do PIBID Química e educandos, onde os mencionados puderam ser instigados através da curiosidade a usufruir dessa proposta e, com isso, tornar prazeroso a troca de saberes de uma forma contextualizada e dinâmica. Á frente de tais proposições pode-se completar que, o projeto, acrescentou-se somente pontos positivos na vida profissional dos discentes do Ensino Médio, fazendo a diferença tanto no perfil investigativo quanto na aprendizagem dos mesmos e, dos acadêmicos/bolsistas que a implementaram, os quais puderam, de maneira autônoma, inserir as atividades didáticas com temas e metodologias livres. Referências DELIZOICOV, D. & ANGOTTI, J. A. Metodologia do Ensino de Ciências. 2ª ed. São Paulo, SP: Editora Cortez, CHASSOT, A. Para que(m) é útil o ensino? Canoas: ULBRA, CHASSOT, A., (1998). Presenteismo: uma conspiração contra o passado que ameaça o futuro. Espaço da Escola, ano 4, nº 28, p SCHNETZLER, R. P.; ARAGÃO, R. M. R. Importância. Sentido e Contribuições de Pesquisa para o Ensino de Química. Revista Química Nova na Escola, pesquisa n.1, maio/1995, p

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