Efeitos da economia do carbono na economia nacional e europeia. Luís Fernão Souto

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1 Efeitos da economia do carbono na economia nacional e europeia Luís Fernão Souto

2 As alterações climáticas são uma evidência Os 10 anos mais quentes desde sempre ocorreram após o ano de 1990! O dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O) foram os primeiros gases identificados como responsáveis pelo aumento do efeito de estufa!

3 Dióxido de Carbono na atmosfera: as concentrações aumentam Fonte: Keeling and Whorf 2001 in Global Environment Outlook 3 (UNEP/Earthscan Publications 2002)

4 as previsões não são animadoras Fonte: IPCC, Climate Change 2001

5 O Protocolo de Quioto O Protocolo de Quioto surgiu de uma reunião conhecida oficialmente pela Terceira Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (CQNUAC) e teve lugar de 2 a 11 de Dezembro de 1997 em Quioto no Japão. Esta conferência, onde participaram cerca de 160 entidades governamentais de todo o mundo, teve como principal objectivo a adopção de um protocolo legalmente vinculativo, em que 39 países se comprometeram a limitar durante o período de as suas emissões de gases com efeito de estufa na atmosfera. Em termos globais, a redução deverá ser de cerca 5%.

6 e os seus mecanismos de cumprimento Para que exista uma maior flexibilização no cumprimento das metas de redução de emissões, foram estabelecidos alguns mecanismos de mercado, designadamente: - Comércio de Emissões (CdE), transacção internacional (entre países do anexo B) de quotas de emissão convertidas em licenças/direitos de emissão; - Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) que são transacções de certificados de redução de emissões entre entidades através de projectos de investimento (por países do anexo I da CQNUAC) em países em vias de desenvolvimento; - Implementação Conjunta (IC), ou seja, a transacção de unidades de redução de emissões mediante projectos de investimento entre empresas ou países do anexo B, de tal forma que as unidades de redução de emissões assim geradas sejam adicionadas à quota do país investidor e subtraídas à quota do país beneficiário.

7 OBJECTIVO? REDUZIR O CRESCIMENTO DE GASES DE EFEITO DE ESTUFA CRESCIMENTO ECONÓMICO SUSTENTÁVEL

8 NECESSIDADES ENERGÉTICAS QUE SUSTENTEM O CRESCIMENTO ECONÓMICO MEIOS PARA COMBATER O IMPACTO DAS FONTES DE ENERGIA NA EMISSÃO DE CO2 Desenvolvimento de Tecnologias mais eficientes na utilização de combustíveis fósseis Maior utilização das novas fontes novas fontes de Energia: Hídrica Bio massa Solar Hidrogéneo Bio-combustíveis Nuclear Enquadramento Europeu

9 Procura de energia por produto energético (dados 2000) e previsões para 2030

10 Produção

11 PROCURA

12 DEPENDÊNCIA ENERGÉTICA EUROPEIA A dependência energética externa da União Europeia (UE) está em contínuo aumento. - As necessidades energéticas da UE são cobertas em 50% com produtos importados e, se nada se fizer, dentro de 20 a 30 anos, este número aumentará para 70%. Tal dependência externa implica riscos económicos, sociais, ecológicos e físicos para a UE. - A importação de energia representa 6% do total de importações e, em termos geopolíticos, 45% das importações de petróleo provêm do Médio Oriente e 40% das importações de gás natural provêm da Rússia. Ora, a União Europeia não dispõe ainda de todos os meios para modificar as tendências do mercado internacional. Esta sua fraqueza esteve claramente patente quando do forte aumento dos preços do petróleo no final do ano Fonte: Comissão Europeia, 2002, Let us overcome our dependance

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15 PRINCIPAIS DESAFIOS ENERGÉTICOS PARA A UE: 1. Necessidade urgente de investimento só na EU, para dar resposta à procura energética prevista e substituir uma infraestrutura envelhecida, serão necessários investimentos de cerca de 1 bilião de Euros nos próximos 20 anos 2. Dependência das importações está a aumentar - se a produção interna de energia não se tornar mais competitiva, nos próximos 20 a 30 anos, cerca de 70% contra os actuais 50% das necessidades energéticas da UE serão cobertas por produtos importados 3. As reservas estão concentradas num pequeno número de países - cerca de metade do consumo de gás da UE provém de apenas 3 países (Rússia, Noruega e Argélia). A persistirem as tendências actuais, as importações de gás poderão atingir os 80% nos próximos 25 anos. 4. Está a aumentar a procura global de energia - prevê-se que a procura energética mundial e as emissões de CO2 aumentem cerca de 60% até O consumo global de petróleo aumentou 20% desde 1994 e prevê-se que a procura global de petróleo cresça 1,6% ao ano. 5. Os preços do petróleo e do gás estão a aumentar - quase duplicaram na UE nos dois últimos anos, e os preços da electricidade têm acompanhado esta tendência. Com o aumento da procura global de combustíveis fósseis, cadeias de abastecimento alongadas e uma maior dependência das importações, os preços elevados do petróleo e do gás vieram provavelmente para ficar. Esta situação é difícil para os consumidores a curto prazo mas poderá, contudo, vir a desencadear um aumento da eficiência energética e da inovação.

16 PRINCIPAIS DESAFIOS ENERGÉTICOS PARA A UE: 6. O nosso clima está a aquecer - de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), as emissões de gases com efeito de estufa já fizeram aumentar de 0,6 C a temperatura do globo. Se nada se fizer, haverá um aumento de 1,4 a 5,8 C até ao final do século. Todas as regiões do mundo incluindo a UE terão de enfrentar graves consequências para as suas economias e ecossistemas. 7. A Europa ainda não desenvolveu mercados energéticos plenamente competitivos - só quando esses mercados existirem é que os cidadãos e empresas da UE tirarão todos os benefícios da segurança do aprovisionamento e de preços mais baixos. Para atingir este objectivo, devem ser desenvolvidas interconexões, estabelecidos e plenamente aplicados na prática quadros legislativos e regulamentares eficazes, e devem ser rigorosamente aplicadas as regras de concorrência comunitárias. Além disso, a consolidação do sector da energia deve ser orientada para o mercado se a Europa quiser responder com êxito aos muitos desafios que se lhe colocam e investir correctamente para o futuro.

17 PRINCIPAIS OBJECTIVOS DA POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA Sustentabilidade i) desenvolver fontes de energia renováveis competitivas e outras fontes de energia e vectores com baixa produção de carbono, nomeadamente combustíveis alternativos para os transportes, ii) reduzir a procura de energia na Europa e iii) liderar os esforços globais para travar as alterações climáticas e melhorar a qualidade do ar local. Competitividade i) assegurar que a abertura do mercado da energia traga benefícios aos consumidores e à economia em geral, incentivando ao mesmo tempo o investimento na produção de energia limpa e na eficiência energética, ii) atenuar o impacto do aumento dos preços internacionais da energia na economia comunitária e nos seus cidadãos e iii) manter a Europa na vanguarda das tecnologias energéticas. Segurança do aprovisionamento combater a crescente dependência comunitária da energia importada graças a i) uma abordagem integrada redução da procura, diversificação do cabaz energético da UE com uma maior utilização de energias autóctones e renováveis competitivas e diversificação das fontes e rotas de aprovisionamento de energia importada, ii) criação do quadro que incentivará investimentos adequados para fazer face ao aumento da procura energética, iii) melhor equipamento da UE para dar resposta a situações de emergência, iv) melhoria das condições de acesso aos recursos globais para as empresas europeias e v) garantia do acesso à energia para todos os cidadãos e empresas.

18 ESTRATÉGIA ENERGÉTICA EUROPEIA A LONGO PRAZO O objectivo principal de uma estratégia energética deve ser procurar assegurar, tendo em vista o bem-estar dos cidadãos e o bom funcionamento da economia, a disponibilidade física e contínua dos produtos energéticos no mercado, a um preço acessível a todos os consumidores, respeitando as preocupações ambientais e a perspectiva do desenvolvimento sustentável. Não se trata de maximizar a autonomia energética nem de minimizar a dependência, mas sim de reduzir os riscos associados a esta última.

19 QUAL O IMPACTO DAS RESTRIÇÕES DE EMISSÃO NA ECONOMIA

20 EQUILÍBRIO AS POLÍTICAS AMBIENTIAIS SUSTENTABILIDADE ECONÓMICA DE LONGO PRAZO O CUSTO DAS LICENÇAS O CUSTO DA ENERGIA

21 VARIÁVEIS QUE INFLUENCIAM O PREÇO DAS LICENÇAS DE EMISSÃO Preço das commodities relacionadas ( petróleo, carvão e gás natural) Políticas (Planos Nacionais de Atribuição de licenças de Emissão) Geopolítica ( Irão, Gasoduto da Ucrânia) Projectos JI e CDM (geradores de créditos) Macro economia ( Crescimento económico, Taxa de Juro, Inflação, produção industrial Meteorologia

22 EVOLUÇÃO DO PREÇO DO PETRÓLEO ( )

23 EVOLUÇÃO DO PREÇO DO PETRÓLEO ( ) (DEFLACCIONADA)

24

25 IMPACTO DO PROTOCOLO DE QUIOTO NA ECONOMIA EUROPEIA Modelo utilizado PRIMES Energy System Model (modelo de equilíbrio parcial) Objectivo cumprimento do protocolo de Quioto 8% de redução de CO2 Estimativa de custos/proveitos [-0,4% ; -0,1%] ] +0,1%]

26 CUSTO DA EU EM ATINGIR A META DE QUIOTO EM 2010 (valores em biliões de euros) No trading among EU Member States EU-wide trading among energy suppliers EU-wide trading among energy suppliers and energy intensive industries EU-wide trading among energy suppliers Modelo E3M Lab Prof. P. Capros

27 INCERTEZAS DOS CUSTOS DAS POLÍTICAS DE CUMPRIMENTO Magnitude das emissões futuras face ao baseline Crescimento económico Crescimento da população Desenvolvimento de novas tecnologias e sua implementação Procura de combustíveis fósseis POLÍTICAS Eficiência das políticas de redução de emissões de GEE Métodos para obter o melhor rácio custo/eficiência das medidas Qual o nível óptimo de redução A FORMA MAIS EXACTA PARA MEDIR ESTES IMPACTOS SERÁ NO AUMENTO DO PREÇO PARA O CONSUMIDOR E O SEU IMPACTO NA SUA RIQUEZA

28 DIFICULDADE EM VALORIZAR OS IMPACTOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS Como é que a crescente concentração de gases de efeito de estufa vai realmente afectar o aquecimento global. Como se vão distribuir os efeitos pelas diferentes regiões do globo Com que rapidez se vão fazer sentir esses efeitos Qual o preço que os consumidores estão dispostos a pagar para manter estes bens DIFICULDADE EM MEDIR OS BENEFÍCIOS DAS POLÍTICAS IMPLEMENTADAS

29 CONCLUSÃO Custo no curto prazo o qual é virtualmente impossível mensurar quanto ao benefício a longo prazo Elevado grau de incertezas científico/económicas para aferir do real custo/benefício Elevado grau de dependência das combustões fósseis Quioto promove uma troca de tecnologia energética intra indústria e entre países (equilíbrio mundial)

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