A extensão dos efeitos das causas interruptivas da prescrição na responsabilidade solidária: imprescritibilidade das dívidas fiscais?

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1 A extensão dos efeitos das causas interruptivas da prescrição na responsabilidade solidária: imprescritibilidade das dívidas fiscais? Andréa Medrado Darzé Doutora PUC/SP e Conselheira CARF

2 Causas interruptivas da prescrição Art. 174 do CTN Art A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I - pela citação pessoal feita ao devedor; I pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) II - pelo protesto judicial; III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor.

3 Efeitos da solidariedade Art. 125 do CTN Art Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I - o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais.

4 Citação da Pessoa Jurídica REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO PARA O SÓCIO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. ART. 174 DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP /SP, DJ 23//03/2009. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543-C DO CPC. [...] 2. O redirecionamento da execução contra o sócio deve dar-se no prazo de cinco anos da citação da pessoa jurídica, sendo inaplicável o art. 40 da Lei 6.830/80 que, além de referir-se ao devedor, e não ao responsável tributário, deve harmonizar-se com as hipóteses do art. 174 do CTN, de modo a não tornar imprescritível a dívida fiscal. 3. Desta sorte, não obstante a citação válida da pessoa jurídica interrompa a prescrição em relação aos responsáveis solidários, decorridos mais de 05 anos após a citação da empresa, ocorre a prescrição intercorrente inclusive para os sócios. [...] (AgRg no Ag /SP, Rel. Min Luiz Fux, 1T, DJe 05/03/10)

5 Citação da Pessoa Jurídica EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. SÓCIO-GERENTE. ART. 135, III, DO CTN. PRESCRIÇÃO. CITAÇÃO DA EMPRESA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO. 1. O redirecionamento da execução fiscal contra o sócio-gerente precisa ocorrer no prazo de 5 anos da citação da sociedade empresária, devendo a situação harmonizar-se com o art. 174 do CTN para afastar a imprescritibilidade da pretensão de cobrança do débito fiscal. 2. A jurisprudência desta Corte não faz qualquer distinção quanto à causa de redirecionamento, devendo ser aplicada a orientação, inclusive, nos casos de dissolução irregular tardia da pessoa jurídica. 3. Assim, tratandose de suposta dissolução irregular tardia, não há como se afastar o reconhecimento da prescrição contra os sócios, sob pena de manter-se indefinidamente em aberto a possibilidade de redirecionamento, contrariando o princípio da segurança jurídica que deve nortear a relação do Fisco com os contribuintes. 4. Recurso especial não provido. (REsp /MG, Rel. Min Castro Meira, 2 T, DJe 26/08/10)

6 Actio Nata DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA.MARCO INICIAL DA PRESCRIÇÃO. "ACTIO NATA". 1. A jurisprudência do STJ é no sentido de que o termo inicial da prescrição é o momento da ocorrência da lesão ao direito, consagração do princípio universal da actio nata. 2. In casu, não ocorreu a prescrição, porquanto o redirecionamento só se tornou possível a partir da dissolução irregular da empresa executada. (AgRg no REsp /RS, Rel. Min. Humberto Martins, 2 T, DJe 18/09/09) VOTO: Assim, ainda que entre a citação da empresa e a do sócio tenha transcorrido mais de 5 anos, deve-se levar em consideração a "actio nata (dissolução irregular caracterizada em ), e a interrupção da prescrição com a citação editalícia (em ), não ocorrendo a prescrição.

7 Despacho: inclusive para ações em curso [...] 4. O redirecionamento da execução contra o sócio deve dar-se no prazo de cinco anos da citação da pessoa jurídica, sendo inaplicável o disposto no art. 40 da Lei n.º 6.830/80 que, além de referir-se ao devedor, e não ao responsável tributário, deve harmonizar-se com as hipóteses previstas no art. 174 do CTN, de modo a não tornar imprescritível a dívida fiscal. 5. Não obstante a citação válida da pessoa jurídica interrompa a prescrição em relação aos responsáveis solidários, decorridos mais de 5 anos após a citação da empresa, ocorre a prescrição intercorrente inclusive para os sócios. [...] 11. A LC 118/05, alterou o artigo 174 do CTN para atribuir ao despacho do juiz que ordenar a citação o efeito interruptivo da prescrição. 12. Destarte, consubstanciando norma processual, a referida LC é aplicada imediatamente aos processos em curso, o que tem como consectário lógico que a data da propositura da ação pode ser anterior à sua vigência. Todavia, a data do despacho que ordenar a citação deve ser posterior, sob pena de retroação da novel legislação. (AgRg no REsp /PR, Rel. Min. Luiz Fux, 1 T, DJe 22/02/11)

8 Despacho: retroage ao ajuizamento RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADQUIRENTE. PRESCRIÇÃO. DESPACHO DE CITAÇÃO DO ANTIGO PROPRIETÁRIO - INTERRUPÇÃO.[...] 3. O despacho de citação do contribuinte interrompe a prescrição com relação ao responsável solidário, nos termos do art. 125, III, e 174, único, I, do CTN. 4. Esta Corte, no julgamento do REsp /SP, submetido à sistemática do art. 543-C do CPC, decidiu que os arts. 174 do CTN e 219, 1º, do CPC, devem ser interpretados conjuntamente, de modo que, se a interrupção retroage à data do ajuizamento da ação, é a propositura, e não a citação, que interrompe a prescrição. 5. Recurso especial provido. (REsp /RS, Rel. Min. Eliana Calmon, 2ª Turma DJe 24/10/13)

9 Todas causas interruptivas e suspensivas REDIRECIONAMENTO CONTRA O SÓCIO-GERENTE EM PERÍODO SUPERIOR A CINCO ANOS, CONTADOS DA CITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. PRESCRIÇÃO. REVISÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. [...] 3. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que o redirecionamento não pode ser feito após ultrapassado período superior a cinco anos, contados da citação da pessoa jurídica. [...]. 9. Após a citação da pessoa jurídica, abre-se prazo para oposição de Embargos do Devedor, cuja concessão de efeito suspensivo era automática (art. 16, Lei 6.830/80) e, atualmente, sujeita-se ao preenchimento dos requisitos do art. 739-A, 1º, do CPC. 10. Existe, sem prejuízo, a possibilidade de concessão de parcelamento, o que ao mesmo tempo implica interrupção (quando acompanhada de confissão do débito, nos termos do art. 174, único, IV, do CTN) e suspensão (art. 151, VI, do CTN) do prazo prescricional. 11. Nas situações acima relatadas (Embargos do Devedor recebidos com efeito suspensivo e concessão de parcelamento), será inviável o redirecionamento, haja vista, respectivamente, a suspensão do processo ou da exigibilidade do crédito tributário.

10 Todas causas interruptivas e suspensivas 13. Trata-se, em última análise, de prestigiar o princípio da boa-fé processual, por meio do qual não se pode punir a parte credora em razão de esta pretender esgotar as diligências ao seu alcance, ou de qualquer outro modo somente voltar-se contra o responsável subsidiário após superar os entraves jurídicos ao redirecionamento. 14. É importante consignar que a prescrição não corre em prazos separados, conforme se trate de cobrança do devedor principal ou dos demais responsáveis. Assim, se estiver configurada a prescrição (original ou intercorrente), o crédito tributário é inexigível tanto da PJ como do sócio-gerente. Em contrapartida, se não ocorrida a prescrição, será ilegítimo entender prescrito o prazo para redirecionamento, sob pena de criar a aberrante construção jurídica segundo a qual o crédito tributário estará, simultaneamente, prescrito (para redirecionamento do sócio-gerente) e não prescrito (para cobrança do devedor principal, em virtude da pendência de quitação no parcelamento ou de julgamento dos Embargos do Devedor). 15. Procede, dessa forma, o raciocínio de que, se ausente a prescrição quanto ao principal devedor, não há inércia da Fazenda. (REsp SP, Rel. p/ Ac Min. Herman Benjamin, 2 T, DJe 08/10/10)

11 Síntese das principais teses STJ Causas interruptivas do prazo de prescrição do responsável solidário A citação da PJ; A realização do fato da responsabilidade (Actio Nata) O despacho que ordena a citação da PJ. O ajuizamento da execução Todas as causas do art. 174 do CTN. Matéria submetida ao rito dos Recursos Repetitivos Resp aguarda julgamento

12 Art. 121 do CTN Responsável: natureza jurídica Responsável é espécie de sujeito passivo: contribuinte: quando mantém relação pessoal e direta com o fato jurídico tributário (inciso I) é quem realiza o verbo FG; responsável: pessoa que, sem se revestir da condição de contribuinte, é eleita pela lei para satisfazer a obrigação tributária (inciso II) é quem não mantém relação pessoal e direta com o FG. Sujeito passivo é o devedor da relação tributária (C e R), não necessariamente quem suporta o ônus do tributo

13 Responsável: regime jurídico Responsável é espécie de sujeito passivo + Não existe procedimento específico para a constituição do crédito em face de contribuintes e responsáveis REGIME JURÍDICO ÚNICO CTN e Decreto n /72

14 Decreto nº 7.574/11 Art. 56 [...] 3 o No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. 4 o Na hipótese do 3 o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento.

15 Particularidade: momento do FR O fato da responsabilidade pode ser Anterior ao FG Posterior ao FG Concomitante ao FG Apenas ter-se-á suporte fático para a imputação da responsabilidade após a conjugação do FR e o FG *Problema: esta particularidade não foi tratada pela lei

16 Código Civil Art A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á: I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual; II - por protesto, nas condições do inciso antecedente; III - por protesto cambial; IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores; V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor. Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo para a interromper.

17 Conclusões FR anterior ou concomitante ao FG o fisco/particular deve constituir o crédito contra todos os devedores solidários (contribuintes e responsáveis); é da data do FG que começa correr o prazo decadencial para todos os devedores solidários; é da data da constituição definitiva do crédito que começa a correr o prazo prescricional contra todos os devedores solidários; todos os devedores solidários deverão constar na CDA; a interrupção do prazo de prescrição, por qualquer das suas causas (art. 174, CTN) contra um a todos prejudica ou beneficia; a partir do despacho que ordena a citação de 1 ou alguns devedores começa a fluir o prazo de prescrição intercorrente.

18 FR posterior ao FG XI CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS Conclusões há autorização para expedir ato de constituição suplementar; o prazo decadencial começa a correr em face do responsável a partir da data da ocorrência do FR; Se for certificado o FR antes da execução, todos deverão constar na CDA; a interrupção do prazo de prescrição, por qualquer das suas causas (art. 174, CTN) contra um a todos prejudica ou beneficia; a partir do despacho que ordena a citação de 1 ou alguns devedores começa a fluir o prazo de prescrição intercorrente. apenas no caso do FR ocorrer na fase de execução é que se pode falar propriamente em redirecionamento da ação para o responsável.

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