Programa de Revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio: um futuro possível

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1 Programa de Revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio: um futuro possível

2 Porto Alegre, novembro de As universidades (PUCRS) e (UFRGS) disponibilizam a comunidade o Marco Conceitual que versa sobre a revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio. O Marco reúne itens, eixos e visões que a equipe, formada por técnicos das universidades e das Prefeituras de Porto Alegre e de Viamão, apontou com a intenção de oferecer as condições de contorno iniciais, em torno das quais um programa de revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio poderá ser baseado. Também apresenta cenários diversos dos problemas associados à Bacia e indica, ainda que de forma bastante geral, alguns encaminhamentos compreensivos para a solução dos mesmos. Baseado neste Marco, o desenvolvimento do Programa de Revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio: um futuro possível deverá ser desenvolvido em colaboração entre a PUCRS e UFRGS e as Prefeituras de Porto Alegre e de Viamão, entre outros parceiros a serem identificados. Atenciosamente, João E. Schmidt Pró-Reitor de Pesquisa UFRGS Betina Blochtein Diretora do Instituto do Meio Ambiente PUCRS Coordenadores acadêmicos do Programa de Revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio: um futuro possível 8

3 MARCO CONCEITUAL O Programa de Revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio: um futuro possível deverá ser estruturado em torno de um movimento cívico, que abordará de forma integrada e ampla este espaço misto, urbano-natureza, denominado Bacia do Arroio Dilúvio, tão desvalorizado pela Sociedade. Nesta primeira parte do trabalho de montagem do Programa de Revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio, é apresentada uma estrutura básica do ponto de vista conceitual, a título de inspiração, para as atividades que devem se seguir durante a construção do mesmo. Ao longo das próximas páginas, serão apresentados os aspectos que motivam esta iniciativa e suas repercussões sócio-econômico-ambientais, especialmente para as comunidades que habitam o entorno do Arroio Dilúvio, com significativa melhoria de qualidade da vida de portoalegrenses e viamonenses. Ênfase também é dada para a parceria entre as Prefeituras de Porto Alegre e Viamão e as maiores universidades do estado, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a. Porto Alegre, novembro de

4 INSTITUIÇÕES PARCEIRAS PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE José Fortunati Prefeito PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE VIAMÃO Alex Sander Alves Boscaini Prefeito UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL Carlos Alexandre Netto Reitor PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL Joaquim Clotet Reitor 10

5 SECRETARIAS, DEPARTAMENTOS e EMPRESAS MUNICIPAIS PARCEIRAS PORTO ALEGRE Secretaria Municipal do Meio Ambiente Secretaria Municipal de Planejamento Secretaria Municipal de Gestão e Acompanhamento Estratégico Departamento Municipal de Esgotos Pluviais Departamento Municipal de Águas e Esgotos Departamento Municipal de Limpeza Urbana Procempa Secretário: Luiz Fernando Zacchia Secretário: Márcio Bins Ely Secretário: Urbano Schmitt Diretor Geral: Ernesto da Cruz Teixeira Diretor Geral: Flávio Ferreira Presser Diretor Geral: Mário Fernando dos Santos Moncks Diretor Presidente: André Imar Kulczynski VIAMÃO Secretaria de Desenvolvimento Econômico Departamento de Projetos e Planejamento Urbano Coordenador do Departamento: Ruy Atílio Rostirolla 11

6 GRUPO GESTOR DO PROGRAMA Para a montagem deste Programa, as prefeituras de Porto Alegre e de Viamão, juntamente com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a (PUCRS) estabeleceram um grupo de trabalho formado por: COORDENAÇÃO Prefeitura Municipal de Porto Alegre Fernando Zacchia Secretario do Meio Ambiente Ruy Atílio Rostirolla Coordenador do Departamento de Projetos e Planejamento Urbano Bacia do Arroio Dilúvio João Edgar Schmidt Pró-Reitor de Pesquisa Betina Blochtein Diretora do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 12

7 EQUIPES DE TRABALHO INSTITUCIONAIS: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Município de Porto Alegre Município de Viamão Prof. Dr. André Luiz Lopes da Silveira Diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas Profa. Dra. Denise Carpena Coitinho Dal Molin Diretora da Escola de Engenharia Profa. Dra. Maria Cristina Dias Lay Diretora da Faculdade de Arquitetura Prof. Dr. Carlos Eduardo Pereira Vice-Diretor da Escola de Engenharia Prof. Dr. Carlos André Bulhões Mendes Instituto de Pesquisas Hidráulicas Profa. Dra. Teresinha Guerra Instituto de Biociências Depto. de Ecologia Diretora do Comitê Gestor do Lago Guaíba Profa. Dra. Livia Salomão Piccinini Faculdade de Arquitetura Depto. de Urbanismo Profa. Dra. Nina Simone Vilaverde Moura Instituto de Geociências Prof. Dr. Luis Alberto Basso Instituto de Geociências Prof. Dr. Jorge Nicolas Audy Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Profa. Dra. Carla Denise Bonan Coordenadora de Pesquisa da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação Prof. Dr. Luis Humberto de Mello Villwock Coordenador do Laboratório de Criatividade Prof. Dra. Rosane Souza da Silva Coordenadora do Comitê de Gestão Ambiental da PUCRS Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Prof. Dr. Cláudio Augusto Mondin Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Prof. Dr. Gustavo Inácio de Moraes Escola de Negócios da Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia Prof. Dr. Claudio Frankenberg Faculdade de Engenharia Prof. Dr. Paulo Horn Regal Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Prof. Dr. Jorge Alberto Villwock Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Profa. Msc. Leticia Hoppe Instituto de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Eng. Químico Mauro Gomes de Moura Supervisor de Praças, Parques e Jardins Secretaria do Meio Ambiente Biólogo Rodrigo da Cunha Gerente do Parque Marinha do Brasil Secretaria do Meio Ambiente Eng. Civil Arceu Bandeira Rodrigues Departamento de Limpeza Urbana Biólogo Evandro R.C. Colares Assistente Técnico da Divisão de Pesquisa Departamento Municipal de Águas e Esgotos Arq. Marcelo Allet Secretaria do Planejamento Márcio Alex Marques Cardoso Chefe da Equipe de Apoio e Comunicação da Coordenação de Defesa Civil -Codec Rejane Maria Sebben Mello Supervisora da Divisão Comercial PROCEMPA Sergio Renato da Rosa Mendes Gerente do Departamento de Marketing e Comercial - PROCEMPA Roni Marques Correia Secretaria de Gestão Eng. Civil Daniela Bemfica Divisão de Obras e Projetos Departamento de Esgotos Pluviais Michele de Souza Barros Departamento do Meio Ambiente Miriam Recuero Acosta Departamento do Meio Ambiente Vinícius Eduardo Bestetti de Vasconcellos Departamento do Meio Ambiente Maria Isabel Brenner da Rosa Presidente do Conselho da Cidade de Viamão Prof. Nelson Ferreira Fontoura Faculdade de Biociências Paula Horn Assessoria de Gabinete Gabinete do Prefeito Profa. Dra. Ana Rosa Sulzbach Ce Faculdade de Arquitetura e Urbanismo 13

8 CONTEXTO GEOGRÁFICO E A SAÚDE AMBIENTAL GEOGRAFIA DA BACIA DO ARROIO DILÚVIO A cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, situa-se na margem leste do Lago Guaíba, no Delta do Jacuí, onde quatro rios convergem para formar a Lagoa dos Patos, maior laguna do Brasil e segunda maior da América Latina.s Patos. Com cerca de mil habitantes ocupando uma área de 497 km², com 72 km de linha de costa fluvial, a cidade é constituída por vales, morros e encostas urbanizadas e uma parcela significativa de área rural. A cidade de Viamão tem seu limite geográfico determinado pela Lagoa dos Patos, ao sul, com 50 km de linha de costa lacustre, com o município de Porto Alegre a oeste e o Rio Gravataí ao norte, e detêm grande parte das nascentes d água que desembocam nas bacias do Rio Gravataí e do Arroio Dilúvio. Com cerca de 240 mil habitantes, Viamão é uma importante cidade da região metropolitana e em franco crescimento econômico. No sentido nordeste/sudeste, o município é contornado por morros, abrangendo os distritos do Espigão, Passo da Areia e Itapuã. No mesmo sentido, aparecem planícies e várzeas, conhecidas como Campos de Viamão. O município é constituído por relevo colinoso. Bacia do Arroio Dilúvio mapa antigo 14

9 As regiões de Porto Alegre e Viamão possuem várias bacias hidrográficas que contribuem para o Lago Guaíba. Uma destas é a do Arroio do Dilúvio. Percorrendo uma extensão de 17,6 km, o Dilúvio integra uma das bacias hidrográficas mais importantes na composição do Lago Guaíba. Com uma área total de 83 km 2, na qual habitam 450 mil pessoas, a Bacia do Arroio Dilúvio abrange 36 bairros de Porto Alegre, além de parte da cidade de Viamão, na qual se encontra 20% da sua área. As nascentes do Dilúvio estão localizadas nos entornos das represas Lomba do Sabão e Mãe D água, ambas em Viamão. A represa da Lomba do Sabão resulta, ainda, da confluência de outros cinco arroios menores. Ao longo de sua descida até o Lago Guaíba, o Arroio Dilúvio, recebe outros afluentes. Bacia do Arroio Dilúvio e suas sub-bacias SAÚDE AMBIENTAL Desde as nascentes, a poluição marca as represas e a Bacia do Arroio. Cerca de 50 mil metros cúbicos de terra e resíduos sólidos são despejados anualmente nas águas do Dilúvio. Esses números, por si só, já seriam expressivos, mas além deles existe outro motivo que afeta diretamente a qualidade das águas do Arroio e que tem a contribuição da população: as ligações irregulares das redes de esgoto, que fazem com que o esgoto doméstico e mesmo hospitalar sejam lançados diretamente no Dilúvio. Os domicílios da Capital possuem duas redes: a pluvial, que recebe as águas da chuva, e a cloacal, onde é lançado o esgoto doméstico. O que se vê em muitas casas é uma troca nas conexões, sendo a rede cloacal ligada à rede pluvial. Isso resulta em um grande problema, pois a rede pluvial é um canal de drenagem subterrânea que desemboca no Arroio Dilúvio, e, desta maneira, o esgoto escoa para os arroios e barragens sem nenhum tratamento. Por esse motivo, a obstrução dos canais pela gordura e pelos resíduos onera significativamente a conservação, além de provocar inundações em vários pontos da cidade trazendo enorme desconforto e mesmo trazendo riscos para a população. Zoneamento ambiental: extraído do Atlas Ambiental de Porto Alegre A necessidade de lidar com tais situações oferece uma oportunidade única para que seja repensada a questão da sustentabilidade em seu tripé social, econômico e ambiental. A crescente incerteza sobre as mudanças de tendência de eventos climáticos requer a adoção de abordagens flexíveis, em que a distribuição de riscos e a capacidade de adaptação do ambiente físico estruturem práticas 15

10 de planejamento estratégico. Tais práticas tornam-se cada vez mais urgentes em áreas extremamente vulneráveis devido aos altos índices de densidade urbana, incluindo-se parcelas da população de baixa renda. Uma abordagem de planejamento integrado que favoreça o desenvolvimento urbano, a mitigação de riscos naturais, bem como aspectos socioeconômicos, é vital para um futuro sustentável. Ao lado, seções do Arroio Dilúvio (extraído do Atlas Ambiental de Porto Alegre) 16

11 A VISÃO E VALORES DA REVITALIZAÇÃO PREMISSAS INICIAIS Na medida em que é importante haver amplo envolvimento da comunidade durante o processo de elaboração do Programa e da sua execução, a visão deve representar o imaginário da população e o que ela deseja ver executado no âmbito da Bacia que possa ser traduzido em qualidade de vida a todos. A canalização e a retificação do Arroio Dilúvio proporcionou que Porto Alegre se expandisse em direção à zona sul, permitindo que a população se instalasse ao longo do Arroio e nas encostas da sua Bacia, estabelecendo moradias e negócios, pois além de drenar os baixios, permitiu reduzir drasticamente as constantes enchentes que ocorriam antes desta intervenção. Muitas grandes cidades são consideradas lugares atrativos para viver porque oferecem condições favoráveis para o estabelecimento de negócios, cultura e lazer. Uma grande cidade também deve ser um lugar sem vulnerabilidades ambientais e que possa oferecer um estilo de vida saudável. Neste contexto, cabe ao Poder Público prover infraestruturas que deem conta dos aspectos sanitários, mas também é necessário viabilizar espaços lúdicos como parques, praças, espaços verdes, públicos urbanizados e de recreação. Agora, seis décadas após a ocupação, estabelece-se a oportunidade para a comunidade que ali se instalou trabalhar em prol do resgate da Bacia para si e para as gerações futuras. Este Programa, com a amplitude transformadora que almeja, deve estar incorporado na mente das pessoas daqui em diante, pois sua implantação e o seu legado irão requerer dedicação constante. Este programa deverá incluir visões audaciosas e de longo termo, incluindo também uma série de etapas de execução de curto prazo, e que deverá fazer com que a Bacia e o entorno do Arroio Dilúvio se tornem lugares melhores para se viver. 17

12 VISÃO PARA REVITALIZAÇÃO SISTÊMICA DA BACIA O Programa de Revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio é uma oportunidade à disposição da sociedade para abordar os temas pertinentes à renovação da qualidade ambiental, que poderá ter consequências positivas nas comunidades do entorno da Bacia. Em médio e longo prazo, a ecologia da Bacia e o funcionamento hidrológico poderão ser recriados, mas adaptados à realidade urbana, estabelecendo uma ambiência que permita inserir fortes características naturais, especialmente nas nascentes, nos córregos e arroios e nas represas da Lomba do Sabão e da Mãe D água. Para tanto, pensar audaciosamente e com boas ideias é o caminho que levará a bom termo esta visão de futuro. Neste processo de restabelecer a função ecológica da Bacia, a revitalização deve incluir considerações sobre a melhoria da qualidade da água e sobre a segurança e habitabilidade das populações nas encostas e nos baixios da área a ser recuperada, especialmente quando consideradas as questões hidrológicas, pois a Bacia deve também servir como meio de condução e armazenamento dos fluxos pluviais intensos para mitigar risco de desastres. As mudanças a serem implantadas devem viabilizar a criação de espaços verdes e de lazer à disposição das comunidades, seja nas encostas, ao longo do Arroio Dilúvio e mesmo na foz do Lago Guaíba, aproveitando a melhor qualidade da água que deverá fluir nestes ambientes. Fotos da degradação do Arroio Dilúvio 18

13 UM EXEMPLO TRANSFORMADOR O Arroio não é acessível visual ou fisicamente para os habitantes locais. É bem conhecida a aversão que as pessoas sentem pelo Arroio Dilúvio, entendido por todos como um canal de esgoto. A população vira as costas a esta importante via fluvial, pois entendem, corretamente, que ela é insalubre. O que o Programa pode vislumbrar é a transformação do Arroio e toda a sua Bacia em um lugar seguro, acessível, saudável, verde e voltado à celebração e não à negação, tal que ele possa passar a ser o foco das atividades humanas e servir como referência para o orgulho cívico. Por exemplo, que possa servir como motivação para que iniciativas de melhorias em ambientes de trabalho e de convivência nos espaços no seu entorno sejam adotadas, com consequentes benefícios para a qualidade de vida e elevação de renda. Note-se que, no processo de construção deste tipo de visão, também é necessário o envolvimento dos residentes dentro de um processo de planejamento comunitário deste Programa, encorajando a participação e criando a sensação de pertencimento e posse sobre o Arroio. Quiçá um novo Dilúvio sirva de exemplo transformador para a sociedade. CRIANDO VALORES Visões do futuro Ao melhorar a qualidade do Arroio e da Bacia, com reflexos socioambientais positivos, valores estarão sendo criados. Valorização da vida, das atividades socioeconômicas e dos princípios da sustentabilidade. Além disso, será possível criar uma ambiência voltada para o design urbano sustentável e sensível ao meio ambiente, tais como a que estimula as construções verdes e gestão das águas em parques, ruas e avenidas. Novas oportunidades de trabalho e salários, mais compensadores, podem ser considerados valores que devam emanar da revitalização da Bacia e do Arroio, bem como, a melhoria das condições habitacionais nas encostas, novas oportunidades de 19

14 negócios, tais como lojas de serviços, galerias, restaurantes e cafés. Em especial, o programa deverá dar atenção e valor às comunidades com menores condições financeiras, para garantir iguais oportunidades em relação à moradia, empregabilidade e acessibilidade para áreas onde estas benesses não estão ainda disponíveis. A revitalização da Bacia e do Arroio pode introduzir uma ampla gama de benefícios que irá ampliar a qualidade de vida de portoalegrenses e viamonenses e resultar em prosperidade econômica para todos. BENEFÍCIOS DE UM REINVESTIMENTO Os custos de implantação das infraestruturas de saneamento e de escoamento pluvial da Bacia por parte dos municípios de Porto Alegre e Viamão são inexoráveis e mandatórios seja em curto, médio ou longo prazo. Este ainda é um investimento no bem estar da população que deve ser feito e não pode esperar por mais muito tempo. E o Programa de Revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio será mais uma via pela qual os poderes públicos envolvidos possam encontrar apoio para captar recursos financeiros e acelerar a implantação destas infraestruturas. Além disto, será possível investir nas comunidades da Bacia onde ainda não houve significativa ação pública, construindo espaços, praças, e outras benfeitorias que ofereçam oportunidades de lazer e bem estar aos cidadãos. Mas deve se salientar que poderá haver grandes benefícios para a Cidade de Porto Alegre e mesmo para Viamão se houver uma decisão de reinvestir no próprio Arroio Dilúvio pelas razões ambientais, sociais e econômicas apontadas acima. Vale lembrar que nos anos 1950 houve um grande investimento no Arroio por conta da sua canalização e retificação que enormes benefícios trouxeram às duas cidades. O Arroio Dilúvio hoje (esquerda) e como poderia ser (direita) Como já mencionado, para Porto Alegre esta grande obra permitiu o crescimento de toda a área sul da cidade, o que por si só já justificou todo investimento realizado na época. 20

15 Para Viamão os benefícios foram colaterais, mas importantes, tendo em vista o crescimento de Porto Alegre em direção àquela cidade. Viamão tornou-se alternativa para a instalação de habitações e setores econômicos que não encontram mais espaço em Porto Alegre. Dois exemplos marcantes desta tendência são as instalações da nova área do TECNOPUC e a instalação do Parque Científico e Tecnológico da UFRGS, cujos parceiros buscam espaço físico naquele município para estabelecer os seus negócios, apenas para citar as duas instituições acadêmicas envolvidas neste programa. Assim, um corredor-parque verde, como poderia ser o Arroio Dilúvio, contribuiria em alavancar ainda mais esta tendência. Portanto, um reinvestimento no Arroio Dilúvio, tornando-o agora um parque linear, deve trazer mais uma vez grandes benefícios para a região e toda sua população. E a natureza agradecerá. Projeto de planejamento da região de potencial tecnológico (REPOT) ao longo do Arroio Dilúvio 21

16 VALORES QUE DEVEM ESTAR PRESENTES NA CONSTRUÇÃO DO PROGRAMA O Programa deve refletir as contribuições que a comunidade determinar, devendo estar nele presentes, principalmente quando decididas em plenárias públicas nas quais ele deverá ser apresentado e discutido. Valores-chave a serem trabalhados: Uma abordagem ampla e sustentável dos problemas da Bacia: o Saliente-se que este programa deverá complementar e reforçar iniciativas anteriores ou em curso para melhorar as condições ambientais da Bacia, e que por si só, não será capaz de resolver todos os problemas da mesma. O foco é a Bacia no que dirá respeito às possíveis soluções que envolvem questões ambientais e fará recomendações quando ligações próximas existirem com outros planos de gestão em áreas complementares. Por exemplo, com os planos da área de transportes, de habitação e outros. Há que se ter sempre em mente que todas as ações humanas podem determinar alterações do ambiente. Responsabilidade ambiental: o Resgatar sistemas naturais; o Organizar os ambientes humanos. Equidade: o As oportunidades devem ser baseadas de forma que contemplem equidade, garantindo que áreas com populações de menor poder aquisitivo recebam oportunidades compatíveis com suas necessidades. Envolvimento e apoio da comunidade: o A revitalização não ocorrerá sem apoio comunitário amplo; o Programa elaborado por e para a comunidade de maneira participativa, em parceria com o poder público e as academias; o Apoio através de plenárias públicas; o Participação no formato e destinação de espaços compatíveis com cada vizinhança. Economia Sustentável: Recursos para: A manutenção da qualidade da água; A restauração do ecossistema; Acessibilidade; Espaços para recreação. Envolvendo: Investimento público e privado; Padrões de design que estejam em sintonia com a economia sustentável; Reinvestimento com preocupação ambiental e sustentável. 22

17 EXEMPLOS DE REVITALIZAÇÃO ARROIO CHEONG GYE CHEON, SEUL, CORÉIA DO SUL O exemplo de revitalização do arroio Cheong Gye Cheon de Seul, na Coréia do Sul, é apenas o mais recente, arrojado e bem sucedido projeto de resgate de uma área degradada associada a um curso d água. Cheong Gye Cheon, Coréia ANTES < da revitalização> DEPOIS ANTES < da revitalização> DEPOIS 23

18 SAN ANTONIO RIVERWALK, NO TEXAS, EUA Um dos exemplos menos conhecidos, mas muito bem elaborado, é o caso do San Antonio Riverwalk, no Texas, EUA, onde um canal alternativo ao do fluxo principal do curso d água foi criado e no qual o nível da água se mantém constante através de um sistema de comportas, o que possibilita a ocupação das margens com bares, restaurantes, passeios e muita vegetação. 24

19 NOSSA SENHORA DA PIEDADE EM BELO HORIZONTE, MG Arroio Nossa Senhora da Piedade, BH Antes da Revitalização Um exemplo brasileiro pode ser encontrado em Belo Horizonte, onde o Arroio Nossa Senhora da Piedade foi recuperado e entregue à comunidade saneado, contando com uma estrutura de lazer que alterou completamente o entorno do mesmo. Depois da Revitalização 25

20 RIO LOS ANGELES, EM LOS ANGELES, EUA O projeto de revitalização do Rio Los Angeles, na Califórnia, EUA, é um que está em vias de execução. Antes Depois 26

21 O PROGRAMA O Programa, a ser construído a partir do trabalho de parceria entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a e os Municípios de Porto Alegre e Viamão, pretende oferecer recomendações com uma visão de longo prazo que sirvam como guia de implantação da revitalização de toda a Bacia do Arroio Dilúvio. O Programa deverá ser uma referência geral para a implantação de soluções amplas e pertinentes às questões envolvidas na revitalização da Bacia, priorizando a contribuição das comunidades e vizinhanças por ela afetada. Ponte dos Açorianos, sobre o leito original do Arroio Dilúvio

22 GERÊNCIA DO PROGRAMA Fotos antigas do Dilúvio A existência de várias esferas dotadas de poder em um Estado Federativo favorece a aproximação entre governantes e governados. Por outro lado, pode, em razão da possibilidade do exercício inadequado da autonomia, causar entre os entes federativos conflitos políticos e jurídicos. A associação dos entes federativos, visando alcançar fins de interesse comum, ideia central do federalismo cooperativo, mediante ações e estratégias que envolvam esses entes na execução de atividades públicas, mostra-se como uma alternativa a ser considerada por estas esferas de poder. No entanto, o instituto da cooperação institucional, em que pese a previsão constitucional (Art. 241) e a legislação na área dos recursos hídricos (Art. 4 o da Lei 9433/1997), possui utilização aquém das possibilidades disponíveis no ordenamento jurídico. Em razão do uso ainda incipiente desses mecanismos de cooperação, busca-se nesse Programa analisar a possibilidade de adoção de instrumentos de cooperação institucional entre os municípios de Porto Alegre e Viamão, com apoio da UFRGS e PUC-RS, no controle da poluição hídrica, recuperação ambiental e urbanização na bacia hidrográfica do Arroio Dilúvio. Além do desenvolvimento de mecanismos institucionais, propõe-se neste Programa atuar em um novo paradigma de planejamento que integre medidas para gestão de águas e dos riscos ambientais através do projeto de infraestruturas flexíveis, que ofereçam capacidade de adaptação e resiliência urbana, além da promoção da paisagem. Estas medidas incluem o desenho de sistemas técnicos e naturais para a gestão de águas pluviais, a ecologização do espaço urbano através do acréscimo de áreas verdes, prestando serviços ambientais e concepção de edificações que sejam menos sensíveis aos impactos causados por eventos climáticos. Este conjunto de estratégias é capaz de reduzir os riscos e a vulnerabilidade urbana através da gestão do escoamento superficial na fonte e do melhor desempenho do ambiente construído. Como consequência, iniciam-se processos de renovação e reconfiguração do tecido urbano. 28

23 Como diferencial frente a outras propostas voltadas à implantação de programas de impacto sócio-ambiental-econômico, o Programa propõe uma estrutura gerencial que pretende tenha respaldo simultâneo dos poderes públicos, das academias e da Sociedade. Isto é recomendado porque existem múltiplas entidades públicas (Secretarias, Departamentos, e outros) que têm jurisdição sobre vários aspectos da Bacia e do Arroio Dilúvio, tal que a gestão deve ser abrangente e flexível o suficiente para permitir que elas trabalhem em colaboração, mas que possam também agir independentemente quando necessário. Portanto, entende-se que através da união de esforços das Gestões Municipais de Porto Alegre e Viamão, aliadas às competências acadêmicas da UFRGS e da PUCRS, bem como à participação ativa da sociedade nesta iniciativa, seja possível promover as mudanças almejadas pela coletividade para a necessária melhoria de nossa cidade. Dilúvio sendo canalizado-retificado O processo no qual este novo paradigma se dará através da coordenação das atividades das várias partes interessadas em diversos aspectos urbanos e naturais do processo de revitalização, identificando vínculos entre projetos e comunidades, recomendando mudanças de políticas e criando regras para a revitalização da Bacia. É claro que as questões hidrológicas e de saneamento são o pano de fundo de quaisquer propostas que possam remeter às questões da revitalização voltadas à melhoria da qualidade de vida das populações, incluindo a identificação de oportunidades para a instalação de parques, ciclovias, caminhos para pedestres, recreação, natureza, identidades e desenvolvimento das comunidades, empregos, turismo, orgulho cívico, qualidade da água e recuperação de espaços urbanos negligenciados, alimentando a sensação de pertencimento na Bacia e ao longo do Arroio Dilúvio e subliminarmente para a totalidade dos cidadãos das duas cidades envolvidas. Uma atividade permanente a ser desenvolvida neste programa e que concorre diretamente para o seu sucesso deverá ser a da Educação Ambiental. Há necessidade de inserir a cultura do respeito a estes bens públicos que são os córregos, arroios, represas e o Lago Guaíba. Todos eles são afetados pelo falta de conscientização da sociedade em relação aos possíveis danos causados pelas pessoas ao não terem o devido cuidado com as questões relacionadas a agentes poluentes de toda sorte, tais como resíduos sólidos e contaminantes da água diversos, ao fazer uso incorreto de sistemas de saneamento disponibilizados e, ademais, ao promover e depredação de equipamentos urbanos públicos instalados para o seu benefício. 29

24 No contexto da UFRGS, estes esforços serão conduzidos pela Pró-Reitoria de Pesquisas PROPESQ e, na PUCRS, pelo Instituto de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais IMA. Nas universidades, grupos gestores internos serão criados para coordenar os trabalhos de montagem do Programa, que deverá ser multidisciplinar, nos quais serão envolvidas as comunidades de cada uma delas. Pelo lado das prefeituras, a atuação se dará através de Secretarias, Departamentos e órgãos de apoio, sendo a coordenação do Programa no contexto da Prefeitura de Porto Alegre atribuída à Secretaria do Meio Ambiente e, da Prefeitura de Viamão, através do Departamento de Projetos e Planejamento Urbano DEPP. 30

25 PRINCÍPIOS NORTEADORES O objetivo geral deste programa é a recuperação ambiental da Bacia do Arroio Dilúvio através da implantação de sistemas técnicos e naturais de saneamento ambiental para a gestão de águas, da ecologização do espaço urbano com acréscimo de áreas verdes, da retomada da funcionalidade da Bacia próxima à original e da concepção de construções que sejam menos sensíveis aos impactos causados por eventos climáticos e condicionalidades da realidade local. Como consequência, iniciam-se processos de renovação e reconfiguração do tecido urbano e a reintegração deste corpo d água à população dos municípios de Porto Alegre e Viamão, RS, Brasil. Dentro desta perspectiva, vislumbra-se que é necessário adotar princípios que considerem os seguintes aspectos: A Bacia Hidrográfica deve ser o domínio físico de avaliação dos impactos resultantes de novos empreendimentos, visto que a água não respeita limites políticos logo, ações articuladas entre as Prefeituras de Porto Alegre e Viamão devem existir; Deve-se priorizar a recuperação da infiltração natural da Bacia, visando a redução dos impactos ambientais; O aumento de vazão devido à urbanização não deve ser transferido para jusante; O horizonte de avaliação deve contemplar futuras ocupações urbanas (Plano Diretor); As medidas de controle devem ser preferencialmente não estruturais; Deve-se integrar medidas para gestão de águas e dos riscos de inundação na paisagem através de projetos de infraestruturas flexíveis, que ofereçam capacidade de adaptação e resiliência urbana; Fortalecimento da Governança Municipal (especificamente Porto Alegre e Viamão) aperfeiçoando a administração das políticas públicas com uma visão de planejamento fundamentada nos princípios da integração, articulação institucional e espacial de ações, aprimorando os serviços prestados à comunidade. 31

26 EIXOS DE ATUAÇÃO Os eixos de atuação selecionados para este programa correspondem aos pontos críticos para a realização plena da recuperação do Arroio Dilúvio, identificados como: Saneamento, Erosão e Assoreamento, Recuperação-Preservação Ambiental, Habitação e Paisagismo, Mobilidade Urbana e Desenvolvimento Econômico integrados e interdependentes e, ainda, permeados por um eixo transversal sobre Educação Ambiental. Na figura 1 são demonstradas as principais relações entre os pontos-chave deste Programa: 32

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