SÍLVIA ALBUQUERQUE CORRÊA DE ARAÚJO

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1 1 SÍLVIA ALBUQUERQUE CORRÊA DE ARAÚJO. DESIGN FOR ENVIRONMENT NOS GRANDES INVESTIMENTOS E MODIFICAÇÕES DE PROJETO / PROCESSO VINCULADO AO SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADA DA MONSANTO NORDESTE S/A Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Engenharia Ambiental. Orientador: Prof. Dr. Asher Kiperstok SALVADOR 2005

2 2 A659d Araújo, Silvia Albuquerque Corrêa de Design for environment nos grandes investimentos e modificações de projeto / processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A. / Silvia Albuquerque Correia de Araújo. Salvador, p. Orientador: Prof. Dr. Asher Kiperstok. Dissertação (Mestrado em Gerenciamento e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo. Ênfase em Produção Limpa) Departamento de Engenharia Ambiental, Universidade Federal da Bahia, Referências, Anexos e Apêndices. 1.Administração da produção 2.Projetos de engenharia 3. Indústria Gestão Ambiental I. Monsanto Nordeste S/A. II. Universidade Federal da Bahia. Escola Politécnica. III. Kiperstok, Asher. III. Título. CDD : 658.5

3 FOLHA/TERMO DE APROVAÇÃO 3

4 4 A Iury, meu esposo, pelo incentivo e compreensão, Luis Daniel, meu filho, que nasceu durante a realização deste trabalho.

5 5 AGRADECIMENTOS Primeiramente, a Deus pela dádiva da vida e do poder de escolha, Ao meu marido e filho pelo equilíbrio familiar em que vivemos, Aos meus pais, Edna e Antônio Aurélio (in memorian), por terem me ensinado a superar desafios, Aos meus avós (in memorian) pelo exemplo de vida, Aos meus irmãos, pelos obstáculos que superamos, À Monsanto, em particular ao Engenheiro Renato Prestes, pela confiança demonstrada, Ao corpo técnico do TECLIM, em particular ao professor Asher, pela orientação e inspiração ambiental motivadora, A todos que direta ou indiretamente contribuíram para este trabalho.

6 6 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Técnicas de Prevenção/Redução da Poluição (La Greca, Buckingham, Evans, 1994) Figura 2: Fluxo de material em um ecossistema industrial (Graedel e Allenby, 1995) Figura 3: Estágios do ciclo de vida de um produto típico e seus possíveis impactos associados. (Environment Australia, 2001) Figura 4: Sobreposição das Iniciativas Ambientais (AIChE, 2001) 38 Figura 5: Indicadores para a Sustentabilidade (WBCSD, 2000a) 42 Figura 6: Exemplos de Indicadores de Eco-eficiência da Monsanto segundo metodologia WBCSD (Monsanto Company, 2002) 45 Figura 7: Fases de um projeto ao longo da vida de um processo 57 Figura 8: Possibilidade de Inserção dos Princípios da Prevenção ao Longo das Fases de um Processo 60 Figura 9: Etapas de uma Análise de Alternativas 62 Figura 10: Passos para se desenvolver uma CTSA (USEPA; Tennessee University - Center for Clean Products and Clean Technologies, 1996) Figura 11: Fluxo de informação de uma CTSA (USEPA; Tennessee University - Center for Clean Products and Clean Technologies, 1996) Figura 12: Árvore de Substitutos do DfE. (USEPA, 2000) 68 Figura 13: Princípios Hierárquicos da Prevenção da Poluição. (USEPA, 2000) Figura 14: Unidades de Produção da Monsanto Nordeste e seus clientes

7 7 Figura 15: Unidade do PCl3. 90 Figura 16: Unidade do DSIDA 92 Figura 17: Unidade do PIA 95 Figura 18: Sistema de Coleta de Efluentes Líquidos: Orgânicos e 99 Não Contaminados Figura 19: Elementos Estratégicos para implementação do DfE 112 Figura 20: Passos Gerais da Proposta para Gestão do Processo de Implementação do DfE na Monsanto Nordeste Figura 21: Gráficos de Acompanhamento do Grau de Atendimento aos Requisitos Estabelecidos Figura 22: Representação Gráfica da Avaliação das Funções de Projeto nas Diversas Fases do Projeto Figura 23: Gráfico de Tendências dos Incrementos Médios Acumulados de Ações nas Fases do Projeto do Estudo de Caso

8 8 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Cada Paradigma tem um foco distinto. (Little, 2001) 38 Tabela 2 Indicadores de Desempenho Ambiental para Avaliação de Processos em Indústrias Químicas. (Ruiz, 2000) Tabela 3: Padrões de Projetos de Produtos (Government of Japan, 2001) Tabela 4: Estimativa de Emissões Atmosféricas 97 Tabela 5: Geração de Efluentes Orgânicos. Média em Tabela 6: Geração de Águas Não Contaminadas. Média em Tabela 7: Geração de Resíduos Sólidos. Média Tabela 8: Critérios de Avaliação das Revisões de Saúde, Segurança e Meio ambiente 131

9 9 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Acidentes Industriais Relevantes (Attalah, 1994) 26 Quadro 2: Aplicação do DfE através do Ciclo de Vida de um Produto (RMIT apud Environment Austrália. 2001) Quadro 3: Detalhamento do Primeiro Estágio da Metodologia RMIT para implementação do DfE - na Extração e Processamento de Matéria-Prima. (RMIT apud Environment Australia. 2001) Quadro 4: Passos principais para implementação de um IEMS. (USEPA, 2000) Quadro 5: Diagnóstico da Monsanto NE SGI x DfE. Usando modelo da USEPA (1999)

10 10 RESUMO O objetivo desta dissertação é propor uma estratégia de integração do Design for Environment (DfE), ao Sistema de Gestão Integrada (ISO , ISO , OHSAS ) da Monsanto Nordeste S/A. Esta estratégia é formada por quatro etapas principais: planejamento, execução ou implementação, acompanhamento e verificação e análise crítica e melhoria contínua. Os aspectos relevantes desta estratégia são a definição de indicadores de desempenho com abordagens em prevenção, controle e remediação e a elaboração de um Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Environment (DfE) a ser utilizado durante a elaboração de projetos. Este guia propõe a utilização de um conjunto sistemático de ações destinado a orientar engenheiros e projetistas no endereçamento de atividades de prevenção, com foco em processos e práticas mais limpas e atividades de controle e remediação com foco na sua análise antecipada. Como suporte referencial, estão disponibilizadas no guia, listas de verificação com, aproximadamente, 300 aspectos de saúde, segurança e meio ambiente a serem avaliados ou executados durante as diversas fases de execução de um projeto, bem como um critério de mensuração do respectivo grau de atendimento e distribuição destes aspectos utilizando-se uma representação gráfica. Com o objetivo principal de testar a consistência desta sistemática, optouse, como estudo de caso, a aplicação retroativa das listas de verificação no projeto da Monsanto Nordeste S/A. Através dos resultados obtidos, pode-se observar a distribuição e a evolução do perfil de atendimento aos requisitos propostos, durante as fases do projeto. Adicionalmente, das lacunas identificadas, levantaramse oportunidades de aplicação de tecnologias e práticas mais limpas, tanto nas unidades produtivas como no sistema de gerenciamento dos processos de algumas áreas de suporte, para que sejam posteriormente avaliadas dentro do ciclo de melhoria contínua do Sistema de Gestão Integrada. Palavras-Chave: Design for Environment, Ecodesign, Projeto, Sistema de Gestão Ambiental, Sistema de Gestão Integrada.

11 11 ABSTRACT This dissertation aims to propose a strategy to integrate the Design for Environment (DfE) approach to the Integrated Management System (ISO , ISO , OHSAS ) already implemented at Monsanto Nordeste S/A. Four main steps compose this strategy: planning, execution or implementation, tracking and check and critical analysis and continuous improvement. The relevant aspects of this strategy are the definition of performance indicators considering the prevention, control and remediation perspectives and the preparation of a Basic Guideline for Health, Safety and Environmental Reviews Focusing on Design for Environment (DfE), to be used in project reviews. This guideline includes a set of systematic actions to guide engineers and designers to address prevention actions, focused on clean processes and practices, as well as control and remediation actions focused on anticipated evaluation. The proposed guideline includes, as referential support, a set of evaluation forms with approximately 300 items on health, safety and environmental issues to be checked during the project phases as well as a measuring criterion to evaluate the compliance and distribution profile of prevention, control and remediation actions using graphic resources. Seeking to test the consistency of proposed systematic, it was choose as a case study, its application to the project phase of the Monsanto Nordeste S/A. The results evidenced the compliance evolution of the prevention, control and remediation requirements established through the project stages. Furthermore, from the identified gaps, were surveyed opportunities to apply clean technologies and practices at the production units and at the management system of support areas processes, to be later on evaluated at the continuous improvement cycle of the Integrated Management System. Key Words: Design for Environment, Ecodesign, Design, Project, Environmental management System, Integrated management System.

12 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO CARACTERIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO 20 2 DESIGN FOR ENVIRONMENT (DFE) E OUTRAS INICIATIVAS INTRODUÇÃO SEGURANÇA DOS PROCESSOS INDUSTRIAIS Cenário Mundial Cenário Local Prevenção Controle Remediação Programa de Gerenciamento de Riscos ECOLOGIA INDUSTRIAL ANÁLISE DO CICLO DE VIDA (ACV) INTER-RELAÇÃO ENTRE AS INICIATIVAS AMBIENTAIS INDICADORES DE DESEMPENHO CONCLUSÃO 48 3 DESIGN FOR ENVIRONMENT (DFE) O PROCESSO DE PROJETAR E PRÁTICAS RELEVANTES INTRODUÇÃO INSERÇÃO DO DFE EM PROJETOS DFE CORRELACIONANDO GANHOS FINANCEIROS COM GANHOS EM SAÚDE, SEGURANÇA E MEIO AMBIENTE 54

13 O PROCESSO DE PROJETAR METODOLOGIAS E FERRAMENTAS DE SUPORTE PARA ANÁLISE DE ALTERNATIVAS NO PROCESSO DE PROJETAR Estabelecimento e Estruturação do Problema / Necessidade Coleta de Dados e Informações Geração das Alternativas e Análise dos Dados: Julgamento das Alternativas e Escolha Análise de Sensibilidade Geração do Relatório Final e Divulgação METODOLOGIA PARA ANÁLISE DE ALTERNATIVAS COM TECNOLOGIAS LIMPAS CTSA (CLEANER TECHNOLOGIES SUBSTITUTES ASSESSMENT). EXEMPLO PRÁTICO DE UMA METODOLOGIA PARA ANÁLISE DE ALTERNATIVAS 3.7 DFE ALGUMAS ABORDAGENS PRÁTICAS RELEVANTES Casos Industriais Relevantes Casos de Fomento do DfE nos Estados Unidos, Dinamarca e Japão CONCLUSÃO 78 4 DESIGN FOR ENVIRONMENT (DFE) E SISTEMAS DE GESTÃO INTRODUÇÃO SISTEMAS DE GESTÃO Visão Geral Integração 82

14 CONCLUSÃO 86 5 MONSANTO NORDESTE: PROCESSO, RESULTADOS E SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADA INTRODUÇÃO A FÁBRICA Unidade de Produção do Tricloreto de Fósforo (PCl3) Unidade de Produção do DSIDA Ácido DiSódico Imino DiAcético Unidade de Produção do PIA - Ácido Fosfonometil Imino DiAcético Emissões atmosféricas Efluentes Líquidos Resíduos Sólidos SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADA DA MONSANTO NORDESTE S/A Mapeamento dos Processos Internos SITUAÇÃO ATUAL DO DFE, PRÁTICAS DE PREVENÇÃO, CONTROLE E REMEDIAÇÃO NA MONSANTO Programas Corporativos CONCLUSÃO ESTRATÉGIA PROPOSTA PARA IMPLEMENTAÇÃO DO DESIGN FOR ENVIRONMENT (DFE) NA MONSANTO NORDESTE S/A INTRODUÇÃO REQUISITOS FUNDAMENTAIS PARA A IMPLEMENTAÇÃO 111

15 Ação ou Realização do Produto ou Serviço Gestão do Processo de Implementação GUIA BÁSICO DE AVALIAÇÕES DE SAÚDE, SEGURANÇA E MEIO AMBIENTE COM FOCO EM DESIGN FOR ENVIRONMENT (DFE) Referências Recursos Diferenciais do Guia Básico Estudo de Caso CONCLUSÃO 140 REFERÊNCIAS 143 ANEXOS 148 APÊNDICES 190

16 16 1. INTRODUÇÃO 1.1. CARACTERIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO Um sistema de gestão ambiental tem o objetivo de prover uma estrutura de gerenciamento direcionando as empresas na integração das questões ambientais ao conjunto de atividades do negócio. Esta estrutura requer o estabelecimento de uma política, objetivos e metas, definição de responsabilidades, programas internos de capacitação, controle e verificação das rotinas operacionais, visando a melhoria do seu desempenho ambiental. Um exemplo de sistema de gestão ambiental é o sistema ISO (ABNT, 1996), desenvolvido pela ISO International Standards Organization. Ao avaliar os resultados do desempenho de empresas que implementaram sistemas de gestão ambiental ou de saúde e segurança, percebe-se que apesar de contribuírem com a melhoria do desempenho nestas questões, não são suficientes no direcionamento das mesmas no sentido da eliminação dos perigos, da poluição e do resíduo zero, através do emprego preferencial de processos e tecnologias mais limpas. O objetivo desta dissertação é propor uma estratégia para a introdução do conceito de prevenção da poluição, eliminação dos perigos e do uso de tecnologias mais limpas para a Monsanto Nordeste S/A, tomando-se como base a abordagem proposta pelo Design for Environment (DfE) e inserindo-a através do Sistema de Gestão Integrada (SGI) de saúde, segurança, meio ambiente e qualidade, implantado na unidade. O Design for Environment (DfE) é uma iniciativa que direciona considerações ambientais e de saúde e segurança na fase de projeto, visando evitar ou minimizar os impactos das atividades produtivas ao longo do seu ciclo de vida, incluindo: extração de matérias-primas, transporte, manufatura, embalagem e distribuição, uso do produto ou serviços e disposição final, tendo sido concebido pela USEPA em 1991

17 17 como um programa de adoção voluntária pelas indústrias, organizações governamentais e não governamentais em geral. Ao endereçar estas considerações já na fase de projeto de seus processos, as empresas estarão adotando medidas que podem eliminar ou minimizar os impactos ambientais às pessoas e ao meio ambiente, trabalhando, preferencialmente, com enfoque de prevenção, ou seja, na não geração de perigos. Evitando-se a geração destes perigos, como por exemplo a poluição, não haverá a necessidade de sistemas de proteção múltiplos que encarecem o investimento inicial com equipamentos de controle e, futuramente, com seus respectivos gastos de inspeção e manutenção. Os processos projetados segundo esta ótica tendem a ser considerados inerentemente seguros e ter desempenhos ambientais mais expressivos, do que aqueles que atuam apenas controlando a poluição gerada, ou de forma mais ampla, controlando os seus perigos, mesmo que sejam adotados, sistemas de gestão como a ISO (ABNT, 1996), OHSAS (BSI, 1999) e outras similares 1. Um sistema de gestão integrado ao Design for Environment (DfE) tende a potencializar o desempenho final da unidade em saúde, segurança e meio ambiente, pois agrega as vantagens de ambas as iniciativas. A estratégia proposta para a integração do Design for Environment (DfE) ao Sistema de Gestão Integrada (SGI) da Monsanto Nordeste, é formada por quatro etapas principais: a) Planejamento, b) Execução ou implementação, c) Acompanhamento e verificação, d) Análise crítica e melhoria. Ressaltam-se três aspectos relevantes nesta estratégia: 1 Para informações complementares acerca destes sistemas de gestão, consultar o Capítulo 4.

18 18 a) Definição de indicadores de desempenho com enfoque de prevenção, controle e remediação, b) Duas linhas de abordagens paralelas para inserção do Design for Environment (DfE): o Através das avaliações de saúde, segurança e meio ambiente em projetos, o Através de projetos com ganhos financeiros correlacionados com os ganhos de saúde, segurança e meio ambiente no Programa Seis Sigma 2, c) Elaboração de um Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Environment (DfE), a ser utilizado durante a execução de projetos e destinado a engenheiros e projetistas. O objetivo deste guia é disponibilizar uma metodologia orientativa no endereçamento das ações de prevenção controle e remediação executadas durante as diversas fases de execução de um projeto. Para tanto, foram propostos: o Um conjunto de formulários de avaliações contendo, aproximadamente, 300 aspectos a serem verificados, o Uma sistemática de mensuração do perfil de ações endereçadas com enfoque de controle, remediação e prevenção, bem como sua representação gráfica. Gráficos do tipo radar são gerados sendo possível visualizar e comparar graficamente o desempenho do projeto ao longo das suas etapas. Existem vários benefícios no uso dessa estratégia, por exemplo: a) Os aspectos de saúde, segurança e meio ambiente são tratados já no nascedouro das novas idéias / modificações, evitando-se o 2 Abordagem metodológica que visa a melhoria da qualidade dos produtos e processos com concomitante redução de custos através da otimização, implicando na redução de defeitos buscando-se um nível de qualidade mínimo de 3,4 DPMO (defeitos por milhão de oportunidades), aplicando-se ferramentas de análises e técnicas estatísticas direcionadas.

19 19 retrabalho e uso de tecnologias inadequadas, evitando-se o desgaste de mudar a idéia do autor por não terem sido considerados os conceitos de prevenção de perigos, tecnologias e práticas mais limpas na proposta inicial do projeto, b) O projeto é avaliado pelos próprios elaboradores do projeto e das modificações (engenheiros e projetistas), propagando o conhecimento do conceito para fora da área de Saúde, Segurança e Meio ambiente, c) Pode ser utilizado por outras unidades da corporação caso se mostre uma estratégia eficiente e de aplicação ampla. d) Utiliza os benefícios de um sistema de gestão já implantado, e) O Design for Environment (DfE) é introduzido de forma integrada. Uma iniciativa ou ferramenta implementada isoladamente sempre passa o sentimento de mais trabalho, por não estar contextualizada, f) A seleção de projetos com DfE inseridos para participação no programa Seis Sigma, dará uma projeção positiva unindo ganhos ambientais e econômicos. Esta estratégia foi construída considerando as abordagens disponíveis na literatura pesquisada para o Design for Environment (DfE) e seus temas correlatos, os programas internos da Monsanto e suas necessidades atuais, bem como a experiência profissional da autora adquirida em 15 anos de trabalho em indústrias petroquímicas e químicas nas áreas de engenharia de projetos, processos, manufatura e saúde, segurança e meio ambiente. A tradução mais próxima do termo Design for Environment (DfE) para o Português é Projeto para o Meio ambiente. O termo em Português tende a expressar a idéia de serem inseridas preocupações com os impactos gerados sobre o equilíbrio ecológico ao se projetar uma unidade industrial. O termo original em Inglês, significa inserir nas avaliações de

20 20 projetos, além destas questões, considerações sobre saúde e segurança. Adicionalmente, o termo design tende a expressar uma abrangência maior que o termo projeto, incluindo no seu contexto, além de projetos de unidades industriais, o desenho de produtos e embalagens, serviços, projetos de logística, entre outros. Portanto, considerando a diferença de abrangência dos termos, sendo a abrangência em Inglês mais apropriada aos objetivos desta dissertação, e que o termo design já é conhecido no Brasil, optou-se por manter a expressão inglesa e sua abreviatura associada, DfE, a partir dos próximos capítulos ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO Esta dissertação encontra-se estruturada em sete capítulos. O primeiro capítulo introduz, resumidamente, o tema Design for Environment (DfE) e a abordagem proposta para incorporação do mesmo na Monsanto Nordeste S/A. O segundo capítulo, Design for Environment (DfE) e Outras Iniciativas, aborda conceitualmente algumas iniciativas próximas ao tema, como, segurança de processos, ecologia industrial, análise do ciclo de vida e indicadores de desempenho, contextualizando o tema. O terceiro capítulo, Design for Environment (DfE) - O Processo de Projetar e Práticas Relevantes, aborda o tema projetos, detalhando suas fases e como se dá a inclusão do Design for Environment (DfE) no seu escopo. Procurando-se exemplificar os ganhos com a aplicação do DfE, estão apresentados alguns casos na indústria e práticas de divulgação e fomento nos Estados Unidos, Dinamarca e Japão. O quarto capítulo, Design for Environment (DfE) e Sistemas de Gestão, aborda o tema sistemas de gestão e os benefícios de sua integração com o DfE. Procurando-se exemplificar esta integração, o Sistema de Gestão Ambiental Integrado da USEPA (IEMS), é apresentado, procurando-se evidenciar a diferença entre um sistema integrado e um sistema de gestão convencional.

21 21 O quinto capítulo, Monsanto Nordeste: Processo, Resultados e Sistema de Gestão Integrada, apresenta o processo produtivo e alguns resultados de geração de resíduos, efluentes e emissões geradas, algumas oportunidades de aplicação do DfE em projetos específicos, e o Sistema de Gestão Integrada, sua estruturação e situação atual de inserção do DfE no seu escopo. O sexto capítulo, Estratégia Proposta para Implementação do Design for Environment (DfE) na Monsanto Nordeste S/A, apresenta uma proposta estruturada baseada no ciclo - PDCA Plan (planejar) Do (fazer) Check (verificar) Act (Corrigir e melhorar), destacando-se a etapa de execução com duas rotas de abordagem (projetos Seis Sigma e avaliações de saúde, segurança e meio ambiente em projetos), propostas de indicadores e disponibilização de um Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Environment (DfE). Finalmente, o sétimo capítulo, apresenta as conclusões desta dissertação que consistem na identificação de oportunidades de implementação de ações de prevenção na Monsanto Nordeste S/A através da estratégia de integração do Design for Environment (DfE) com o Sistema de Gestão Integrada frente as lacunas existentes, nos resultados gerais obtidos com a aplicação da sistemática de avaliação de projetos do guia básico proposto no estudo de caso, nas limitações desta aplicação e sugestões para avaliações e trabalhos futuros.

22 22 2. DESIGN FOR ENVIRONMENT (DfE) E OUTRAS INICIATIVAS 2.1. INTRODUÇÃO Este capítulo tem o objetivo de desenvolver uma revisão bibliográfica sobre o DfE e outras iniciativas correlatas, buscando: contextualizar o DfE entre as diversas iniciativas ambientais e de saúde e segurança existentes, particularmente, a segurança de processos, ecologia industrial e análise do ciclo de vida, bem como discutir a aplicabilidade das mesmas, Apresentar algumas abordagens relevantes sobre indicadores de desempenho em saúde, segurança e meio ambiente SEGURANÇA DOS PROCESSOS INDUSTRIAIS A segurança de processos será abordada apresentando-se sua evolução no cenário mundial e no cenário local do Pólo Petroquímico de Camaçari Cenário Mundial Até meados da década de 70, a segurança dos processos industriais e seus impactos ambientais eram tratados no âmbito das empresas sem maiores interferências externas. A partir daí, parcelas da sociedade, autoridades governamentais e membros da própria indústria passaram a mostrar sua insatisfação com o quadro crescente de poluição e ocorrências de grandes acidentes industriais. A nível mundial o início das discussões sobre os problemas ambientais remonta de meados da década de 70. Alguns dos principais marcos das discussões ambientais foram: 1972: Primeira Conferência Ambiental das Nações Unidas (Estocolmo): Nesta conferência os problemas ambientais eram encarados como conseqüência do desenvolvimento econômico.

23 23 Acreditava-se que as tecnologias de controle da poluição (end-ofpipe) eram a solução destes problemas (Dienderen, 2000), 1982: Segunda Conferência Ambiental das Nações Unidas (Nairobi): As discussões sobre desenvolvimento sócio-econômico e problemas ambientais foram fortalecidas. Concluiu-se que as tecnologias até então aplicadas, não eram suficientes para resolver os problemas ambientais globais (Dienderen, 2000), 1983: Criação da Comissão Mundial para o Meio ambiente e Desenvolvimento. As Nações Unidas delegaram a esta comissão a tarefa de formular um programa universal para reverter o quadro de impactos ambientais crescentes, fomentando quatro focos principais (Dienderen, 2000): o O desenvolvimento de uma política ambiental global de longo prazo, o O aumento do processo de colaboração entre os países industrializados e os países em desenvolvimento, o O aumento da eficiência das ações das comunidades internacionais quando problemas ambientais são detectados, o A formulação de um programa de ações comum de longo prazo sobre a resolução das questões ambientais. 1987: Elaboração do relatório Nosso Futuro Comum pela Comissão Mundial para o Meio ambiente e Desenvolvimento. Este relatório apresentou a visão da comissão sobre os quatro focos levantados em O Relatório foi dividido em três partes (Dienderen, 2000): o A primeira parte, Nossas Análises de Futuro, aborda os principais problemas ambientais do planeta e um pleito para o estabelecimento de ações rumo ao desenvolvimento sustentável,

24 24 o A segunda parte, O Desafio Comum, enfatizou o problema do crescimento populacional e a produção de alimentos, bem como a necessidade de políticas para o uso de energias mais sustentáveis e políticas industriais, o A terceira parte, Esforços Comuns, enfatiza a necessidade de uma política de aproximação entre os esforços desenvolvidos pelos países. 1987: Protocolo de Montreal. Compromisso assumido em Conferência das Partes visando a proteção da camada de ozônio mediante a adoção de medidas cautelatórias para controlar, de modo eqüitativo, as emissões globais de substâncias que a destroem, com o objetivo final da eliminação (UNEP, 1987). 1989: Convenção da Basiléia. As descobertas de vários casos de transporte ilegal de resíduos tóxicos oriundos de países industrializados para países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos provocaram uma reação internacional levando o PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP United Nations Environment Programme), a preparar uma proposta de convenção internacional para controlar o transporte entre fronteiras de resíduos perigosos. Os objetivos principais da Convenção da Basiléia eram (UNEP, 1989): o Minimizar a geração de resíduos perigosos considerando-se os aspectos sociais, tecnológicos e econômicos, o Controlar e reduzir a movimentação de resíduos perigosos entre fronteiras, forçando a dispô-los, o mais próximo possível da fonte geradora em instalações que proporcionem a segurança adequada ao meio ambiente e a saúde dos trabalhadores e comunidades, o Impedir o transporte de resíduos perigosos para países que tenham legislações internas que o proíbam ou para países

25 25 onde haja dúvidas sobre a capacitação para o gerenciamento adequado da sua disposição, o Fomentar a troca de informações sobre gerenciamento adequado de resíduos perigosos, buscando-se minimizar a ocorrência de transportes ilegais. 1990: Promulgação da lei de Prevenção da Poluição Pollution Prevention Act dos Estados Unidos, que formalizou uma política nacional incluindo o comprometimento com a redução da geração de resíduos, fomentando, primariamente, a adoção de medidas de prevenção da poluição: redução na fonte, reuso, reciclo entre outros. Segundo a USEPA & Centro para Produtos e Tecnologias Limpas da Universidade do Tennessee Center for Clean Products and Clean Technologies (1996), em 1992, as indústrias americanas gastaram mais de US$ 30 bilhões para se manterem dentro dos padrões ambientais estabelecidos pela legislação americana em vigor, mesmo assim ainda lançavam bilhões de toneladas de produtos tóxicos no ambiente. Estes dados indicavam para um caminho de busca de tecnologias limpas ao contrário do tradicional controle de fim de tubo, sujar para depois limpar. 1992: Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio ambiente ECO 92, onde os principais assuntos discutidos foram: desenvolvimento sustentável, proteção das florestas, mudanças no clima do planeta e biodiversidade. Nesta conferência foi elaborada a Agenda 21, documento criado com objetivo estabelecer um programa de ações para o século 21 visando promover o desenvolvimento sustentável em escala planetária, tentando conciliar o desenvolvimento com preservação ambiental. Contribuíram para sua elaboração instituições

26 26 governamentais e a sociedade civil de, aproximadamente, 172 países (UNEP, 1992). 1997: O Protocolo de Kyoto foi o compromisso assumido em consenso na Conferência das Partes (CP-3) segundo o qual os países industrializados reduziriam suas emissões combinadas de gases de efeito estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990 até o período entre 2008 e Esse compromisso, com vinculação legal, promete produzir uma reversão da tendência histórica de crescimento das emissões iniciadas nesses países há cerca de 150 anos (UNEP, 1997). 2002: Conferência Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, coordenada pelo PNUMA, em Johannesburg, reafirmou os compromissos assumidos na Agenda 21 e elaborou um plano para cumprimento das ações remanescentes. (UNEP, 2003) Sem dúvida que a poluição crescente dos rios, oceanos e do ar (principalmente das grandes cidades) contribuíram para este quadro de descontentamento; contudo, as ocorrências de grandes acidentes ambientais foram um marco na provocação das discussões e das novas exigências por parte dos órgãos regulatórios. Estão listados, a seguir, alguns destes principais acidentes: Flixborough, Inglaterra 1974: Explosão de nuvem de ciclohexano, aproximadamente 28 mortos, 53 feridos. Danos atingiram aproximadamente 10 Km de raio. Custos de aproximadamente US$ ,00. Seveso Itália 1976: Vazamento de dioxina, 500 feridos, Custos de aproximadamente US$ $ ,00 Bhopal Índia 1984: Vazamento de gás tóxico: 25t de metil isocianato, mortos e feridos. Custos superiores a US$ ,00 San Juanico México 1984: Explosão de uma unidade de armazenamento de gás liquefeito de petróleo, mais de 500 mortos. Custos superiores a US$ ,00 Pasadena, Tx Estados Unidos 1989: Explosão em uma planta de polietileno devido a um vazamento de eteno, aproximadamente 23 mortos e 130 feridos. Custos superiores a US$ ,00. QUADRO 1: Acidentes Industriais Relevantes (Attalah, 1994)

27 27 Em 1992, a Agência de Segurança e Saúde Ocupacional Americana OSHA (Occupational Safety and Health Administration), motivada pelas grandes ocorrências acidentais e pela pressão popular, após o acidente em Pasadena, publica uma norma para Gerenciamento de Segurança de Processos, PSM Process Safety Management - Standard 29 CFR (OSHA, 1992). O objetivo do PSM era definir os requisitos mínimos de gerenciamento de riscos para as unidades industriais que operavam com produtos perigosos em quantidades significativas, visando garantir a proteção dos trabalhadores, comunidades e do meio ambiente Cenário Local No cenário brasileiro, em particular, os estados de São Paulo e Bahia regulamentaram a exigência de Programas de Gerenciamento de Riscos para unidades industriais perigosas. Em São Paulo, a agência ambiental - CETESB, desenvolveu um manual de orientação para estudos de análises de risco, onde estão estabelecidos os critérios de enquadramento de empresas passíveis de possuírem um programa de gerenciamento de riscos (CETESB, 1999). No Estado da Bahia, em particular para o processo de licenciamento da ampliação do Pólo Petroquímico de Camaçari, nos termos da Resolução CEPRAM 620 de 21 de julho de 1992, regulamentou-se a exigência de análises de risco das empresas situadas no complexo básico. Em 2001, além da reavaliação dos riscos das instalações, a Resolução CEPRAM 2878, referente à revisão dos condicionantes da Licença de Operação do Pólo Petroquímico de Camaçari, no seu artigo 12 o exigiu a implantação de um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Em 13 de setembro de 2002 o COFIC (Comitê de Fomento Industrial de Camaçari) promoveu um Seminário Internacional sobre Gerenciamento de Riscos onde o tema foi debatido e algumas empresas como a DuPont, Dow Química, Braskem e Monsanto apresentaram suas experiências.

28 28 Neste seminário, Araújo (2002) ressaltou a necessidade de integrar ao PGR as demais iniciativas relacionadas à saúde, segurança e meio ambiente, buscando-se maior ênfase na eliminação dos perigos e na prevenção da poluição, redirecionando o foco do tratamento das questões ambientais do tradicional fim de tubo ou end-of-pipe para as ações que evitem a criação da poluição. Adicionalmente, a autora também apresentou o gerenciamento de riscos de processos sendo abordado sob três diferentes níveis de ação: prevenção, controle e remediação. Para ilustrar esta abordagem foi utilizada a relação entre riscos, perigos e proteções, conforme se segue: Perigos Risco = ( às pessoas, meio - ambiente Proteções e instalações / financeiros) O perigo pode ser definido como uma fonte ou uma situação com potencial para provocar danos em termos de lesão, doença, dano a propriedade, dano ao meio ambiente ou a uma combinação destes (BSI, 99). O perigo está diretamente associado a natureza intrínseca do potencial agente causador do dano. As proteções estão associadas às salvaguardas ou barreiras a serem colocadas entre os alvos (pessoas, meio ambiente e instalações), de modo a minimizar a probabilidade de ocorrência de um determinado cenário acidental. Ou seja, o risco só pode ser eliminado se o perigo for eliminado. Porém, pode ser diminuído pela minimização dos perigos ou pela colocação de proteções.os subitens seguintes a detalham os três níveis de ação acima citados e o subitem contextualiza a necessidade de implementação de um programa de gerenciamento de riscos com uma abordagem preferencial em prevenção.

29 Prevenção Observando-se a relação anterior, percebe-se que a eliminação do risco às pessoas, meio ambiente e danos materiais, ocorre através da eliminação dos perigos associados. Ou seja, atuando no numerador da relação. Similarmente, o conceito de prevenção da poluição está diretamente associado à eliminação ou redução preferencial dos perigos ambientais na fonte geradora. Uma visão geral das técnicas empregadas visando a prevenção dos perigos ambientais e para as pessoas encontra-se ilustrada na figura a seguir: Prevenção da Poluição Primeiro Sentido de exploração Depois Alta Relação ambiental Baixa Redução na Fonte Reciclagem (dentro e fora da unidade) Tratamento de Resíduos Mudança de Produtos -Substituição -Conservação -Composição Controle na Fonte Recuperação e Reuso -Retorno ao processo original -Substituição de matériasprimas por outro processo Recuperação -Processamento para recuperação de recursos -Processamento como um co-produto - Separação e concentração -Troca de resíduos -Recuperação de energia e material -Incineração -Disposição final Inserir mudança nos materiais -Purificação -Substituição Mudanças Tecnológicas -Processos -Equipamentos e lay-out -Automação -Condições operacionais Boas Práticas Operacionais -Procedimentos -Prevenção de perdas -Gerenciamento das práticas -Segregação das correntes de efluentes -Melhorias no manuseio de materiais -Cronograma de produção FIGURA 1: Técnicas de Prevenção/Redução da Poluição (La Greca, Buckingham, Evans, 1994)

30 30 Comparando a seqüência de técnicas propostas na Figura 1 com a relação de risco, perigo e proteções, percebe-se que atuando na redução dos perigos na fonte, como por exemplo, mudanças de produtos, materiais e tecnologias, bem como a adoção de boas práticas operacionais na gestão das rotinas, os perigos estão sendo eliminados ou minimizados, ou seja, está se atuando no numerador da relação apresentada anteriormente no Item e, portanto, em técnicas de prevenção. As demais abordagens apresentadas, reciclagem e tratamento dos resíduos configuram técnicas de controle, ou seja, está se atuando no denominador da relação, inserindo-se proteções. Esta comparação é, particularmente, relevante ao processo de treinamento e conscientização de engenheiros e técnicos, pois ilustra o sentido de aplicação de técnicas e práticas de prevenção nas atividades industriais. Segundo La Greca, Buckingham e Evans (1994), a prevenção da poluição tem uma abordagem ampla, incluindo o gerenciamento de produtos químicos visando a redução dos riscos associados, bem como a identificação e estimativa de emissões e minimização de resíduos gerados. A abordagem da prevenção no gerenciamento de riscos de processos proposta por Araújo (2002) é igualmente ampla, buscando a eliminação ou minimização dos perigos às pessoas, ao meio ambiente e danos financeiros associados a um processo, atuando-se na fonte geradora. Os processos projetados sob este enfoque tendem a ser inerentemente seguros. Nos itens 3.5 e 3.6 estão apresentadas algumas técnicas para seleção de processos e tecnologias mais limpas e, portanto, com o enfoque de prevenção. Apesar de mais interessante e viável ambientalmente, este enfoque ainda não é uma prática corrente nas indústrias. O conhecimento destas iniciativas ainda encontra-se bastante restrito aos profissionais da área ambiental não sendo de domínio dos profissionais que gerenciam os

31 31 processos produtivos. Difundir este conhecimento deve ser uma consideração importante no planejamento de atividades dos departamentos de saúde, segurança e meio ambiente das empresas que desejem melhorar seus desempenhos associados Controle Considerando-se a relação de risco e perigo citada no Item 2.2.2, o controle pressupõe a não atuação no numerador (perigos), trabalhandose apenas no denominador da relação. Ou seja, no uso de medidas de proteção/controle. Tradicionalmente, este tem sido o terreno de trabalho dos técnicos. Observando-se a Figura 1, as abordagens de reciclagem e tratamento dos resíduos configuram técnicas de controle, ou seja, está se atuando no denominador da relação, inserindo-se proteções. São exemplos de medidas de controle: alarmes, intertravamentos, planos de inspeção, equipamentos de proteção individual, tratamento de efluentes, auditorias, permissões de trabalho, análises de risco de tarefas entre outros. Uma questão importante é, que além da não eliminação dos perigos devem ser considerados os custos da implantação e manutenção das proteções e medidas de controle, dos planos de inspeção destas proteções e das futuras substituições. Com o objetivo de reforçar a aplicação de tecnologias e práticas mais limpas, recomenda-se que a definição das medidas de controle só seja feita após a avaliação das as medidas de prevenção aplicáveis. Em processos industriais as medidas de controle são necessárias, ainda que sejam bem aplicadas tecnologias e práticas de prevenção, pois os perigos são inerentes a natureza dos mesmos. As medidas de controle podem ser mais eficazes quando avaliadas de forma planejada ou antecipada. Por exemplo, desenvolvendo-se uma análise de riscos para a execução de uma tarefa, antecipadamente, haverá tempo hábil para se avaliar o método de execução proposto, local,

32 32 interferências e recursos. Se esta análise é feita próxima a sua realização, a qualidade desta análise poderá ser comprometida devido ao curto prazo para análise Remediação A esta ação estão associadas as falhas apresentadas pelas proteções citadas no tratamento de controle. Aqui estão inseridos: os planos de emergência, contingência e remediação para o caso de vazamentos, emissões, liberações, fatalidades, recuperação de solos contaminados, etc. Em processos industriais estes planos devem ser previamente estabelecidos e ter um programa de treinamento associado Programa de Gerenciamento de Riscos Os programas de gerenciamento de riscos atualmente em vigor ainda estão focados principalmente no controle e nas técnicas de remediação. Alterar o foco destes programas para a prevenção é uma mudança de paradigma, em particular no âmbito de conhecimento dos técnicos que operam os processos produtivos. Segundo Kiperstok et al (2001, p.19) a prevenção da poluição representa um novo paradigma para equacionar o problema da poluição, pois transfere o eixo da discussão dos limites da fábrica para o interior do processo produtivo... Segundo Graedel and Allenby (1995, p.61) colocar a discussão num contexto de ecologia industrial implica em correlacionar a necessidade de um produto com a sua produção responsável que ainda assim impõe algum nível de impacto sobre as pessoas, meio ambiente e recursos. A priorização e escolha entre alternativas devem faze parte deste quadro. Um conceito crucialmente importante em tomar decisões lógicas sobre indústria e vida é que o risco não pode ser evitado, ele deve ser aceitável e priorizado.

33 33 Considerando-se as abordagens apresentadas, um programa de gerenciamento de riscos deve seguir uma estratégia sustentável, contemplando: Uma abordagem ampla: prevenção, controle e remediação, Uma abordagem temporal de riscos dos processos e produtos: antecipação, gerenciamento da rotina e suas modificações e desativação ou disposição final, O uso de ferramentas adequadas de avaliação de riscos e análise de sua significância e aceitabilidade, A capacitação do corpo técnico, O emprego de técnicas de gestão, O uso de indicadores representativos (prevenção, controle e remediação) para avaliação de desempenho ECOLOGIA INDUSTRIAL O termo ecologia industrial surge da comparação entre os processos da natureza e os processos produtivos fundamentando-se na manutenção do equilíbrio / balanço de massa e energia (Graedel e Allenby, 1995). O objetivo da ecologia industrial é a otimização dos processos industriais, tipicamente operantes em ciclos abertos: usando matérias-primas e gerando resíduos, em busca da harmonia dos ciclos fechados encontrados na natureza onde os resíduos gerados por um componente do ecossistema são transformados e reaproveitados dentro do mesmo ambiente. Procura-se fomentar a criação de ecossistemas industriais harmonizados com o meio ambiente buscando-se eliminar a geração de resíduos. A figura abaixo busca representar a otimização dos ciclos.

34 34 Produtor ou Extrator Fabricante ou Processador Recursos Limitados Resíduos Limitados Processador de resíduos Consumidor FIGURA 2: Fluxo de material em um ecossistema industrial (Graedel e Allenby, 1995) A Figura 2 representa a otimização dos ecossistemas industriais. Esta otimização deve ocorrer, primeiramente, dentro dos próprios processos (representada pelo ciclos em torno dos processos), onde deve-se buscar oportunidades internas de otimização dos recursos, minimizando a geração de resíduos. De forma complementar a otimização dos processos internos, deve-se promover a inter relação entre os diversos componentes da cadeia produtiva, fazendo com que os mesmos interajam, excedendo os seus limites de atuação em busca de oportunidades para o melhor aproveitamento de matéria-prima e energia. Estas oportunidades surgem na medida em que se encontra utilização para os resíduos gerados pelos diversos componentes dos ecossistemas seja como matérias-primas, insumos ou outra forma de necessidade. A ecologia industrial procura otimizar os ciclos de materiais, desde as matérias-primas aos produtos finais, visando a eliminação da disposição final dos resíduos. (Graedel e Allenby, 1995). Estes princípios estão alinhados com o DfE. É importante que ao projetar unidades industriais sejam avaliadas oportunidades de otimizações

35 35 internas aos processos, ou externas com outras unidades industriais tais como: economia de energia, aproveitamento de matérias-primas, uso de resíduos como subprodutos, entre outros ANÁLISE DO CICLO DE VIDA (ACV) O tema pode ser entendido como uma abordagem do berço ao túmulo (cradle to grave) dos produtos, processos e serviços oferecidos pelas companhias, considerando que em todos os estágios do ciclo de vida do negócio existem impactos econômicos e ambientais associados bem como oportunidades de melhorias e ganhos integrados. Esta abordagem extrapola os limites de cada unidade produtiva, considerando, de fato, toda a cadeia de produção: matérias-primas, manufatura, transporte, distribuição e assistência técnica, uso / reuso / reciclagem e gerenciamento de resíduos (efluentes líquidos, resíduos sólidos, emissões atmosféricas, etc.). A este conceito contextualiza-se o seu gerenciamento (Environment Australia, 2001). A Análise do Ciclo de Vida traz uma avaliação dos possíveis impactos ambientais provocados pelas tomadas de decisão nas companhias acerca dos diversos estágios do ciclo de vida do seu produto ou negócio. Por exemplo: Quais produtos serão feitos, O projeto destes produtos e suas embalagens, Fontes de matérias-primas, utilidades, insumos, Armazenamento e logística, Gerenciamento dos resíduos gerados. A figura a seguir ilustra os diversos estágios do ciclo de vida a serem considerados:

36 36 Extração de matéria-prima e processamento Manufatura Reciclando Reciclando Entrada Resíduo Entrada Resíduo Fim da Vida Entrada Resíduo Entrada Resíduo Reparo e reuso Entrada Resíduo Embalagem e Distribuição Uso do Produto FIGURA 3: Estágios do ciclo de vida de um produto típico e seus possíveis impactos associados. (Environment Australia, 2001) A Figura 3 ilustra a interação entre as fases do ciclo de vida de um produto e o meio ambiente, através da utilização de recursos naturais e a devolução dos resíduos gerados no processo produtivo. A otimização das fases do ciclo de vida em busca de maior eficiência, produtos projetados com facilidades para reparo, reuso e reciclagem, contribuem para a minimização dos impactos gerados. A ISO Environmental Management Life Cycle Assessment Principles and Framework, propõe uma metodologia para realizar uma análise do ciclo de vida. Os seus passos principais são os seguintes: geração do inventário de entradas e saídas relevantes de um sistema, avaliação dos impactos associados a estas entradas e saídas e interpretação dos resultados.

37 37 A ACV ainda está em um estado inicial de desenvolvimento. Algumas fases desta técnica como a fase de avaliação dos impactos ainda está no estágio de infância. Um trabalho considerável ainda resta a ser feito e é necessária a incorporação de experiências práticas visando o desenvolvimento da técnica e da sua praticidade, portanto, os resultados obtidos com a ACV devem ser interpretados e aplicados apropriadamente. (ISO, 1997, p.3) INTER-RELAÇÃO ENTRE AS INICIATIVAS AMBIENTAIS As iniciativas ambientais possuem especificidades que potencializam determinados enfoques, não existindo iniciativas completas ou melhores que outras, mas sim aquelas aplicáveis a cada necessidade. O Instituto Americano de Engenheiros Químicos (American Institute of Chemical Engineers AIChE) avaliou as necessidades dos engenheiros e técnicos de projetos no que se refere às questões de saúde, segurança e meio ambiente e optou por criar uma ferramenta própria considerando as iniciativas ambientais existentes e mais aplicáveis a estas necessidades: Prevenção da Poluição: Pollution Prevention (P2) Projeto para o Meio-Ambinte: Design for Environment (DfE), Segurança Intrínseca: Inherent Safety (SI), Química Verde: Green Chemistry (QV), e Tecnologia Verde: Green Technology (TV).

38 38 Para o AIChE cada abordagem possui componentes próprios e componentes semelhantes havendo uma sobreposição parcial entre elas, na forma de abordar várias questões. Graficamente, pode-se verificar na figura a seguir: SI TV QV FIGURA 4: Sobreposição das Iniciativas Ambientais (AIChE, 2001) Ainda segundo o AIChE (2001, p.2), não obstante haver sobreposição entre estas ferramentas nenhuma possui a abrangência necessária para cobrir todos os aspectos de saúde, segurança e meio ambiente, e atender às necessidades multidisciplinares de químicos, engenheiros, profissionais de meio ambiente, saúde e segurança e gerentes de negócios. A Little Inc. (2001) em publicação realizada para o AIChE apresenta a seguinte tabela comparativa entre as iniciativas citadas na Figura 4: TABELA 1: Cada Paradigma tem um foco distinto. (Little, 2001)

39 39 Buscando integrar e potencializar o uso destas iniciativas, a AIChE desenvolveu uma abordagem denominada MERITT - Maximizing EHS Returns by Integrating Tools and Talents (Maximizando Saúde, Segurança e Meio ambiente Integrando Ferramentas e Talentos) que se propõe a desenvolver uma melhor integração das questões de meio ambiente, saúde e segurança nas etapas iniciais de um projeto buscando trazer benefícios econômicos a serem incorporados mais rapidamente do que as soluções encontradas caso as análises sejam feitas de forma seqüencial e nas fases posteriores (AIChE, 2001). Esta abordagem pode ser descrita como um processo orientado que organiza diversas iniciativas, técnicas e ferramentas de análise de saúde, segurança e meio ambiente já disponíveis na literatura e que possuem potencial de serem usadas nas diversas fases de um projeto. Adicionalmente, a MERITT propõe uma estratégia de implementação para inserir as análises de saúde, segurança e meio ambiente nas diversas fases de um projeto, baseada no desenvolvimento de cinco princípios básicos: comprometimento gerencial, integração entre as especialidades (áreas / departamentos), comunicação entre os membros do time de análise, colaboração entre os envolvidos e continuidade entre as diversas fases do projeto. A MERITT é uma abordagem interessante para a elaboração de um projeto, pois o levantamento apresentado de iniciativas e ferramentas de análise, reflete a multidisciplinaridade de aspectos a serem analisados. No entanto, há necessidade de consultas a literaturas adicionais sobre a forma de utilização destas ferramentas. Isto traz dificuldades para utilização direta por engenheiros de projeto e processos, necessitando um suporte de especialistas da área de saúde, segurança e meio ambiente. Portanto, ainda há uma lacuna referente às necessidades de engenheiros e projetistas das indústrias na elaboração de seus projetos e modificações, referente a uma ferramenta que lhes proporcione maior independência na condução das análises de saúde, segurança e meio

40 40 ambiente, transferindo para este público maior conhecimento e responsabilidade pelo desempenho ambiental de seus projetos. Estas necessidades também refletem uma necessidade interna da Monsanto Nordeste S/A, estando contempladas nos objetivos desta dissertação. Verifica-se, então, uma oportunidade de desenvolvimento de uma ferramenta potencializada, contemplando: Considerações de saúde, segurança e meio ambiente cobertas pelas diversas iniciativas, eliminando-se as redundâncias, Facilidade de utilização direta por engenheiros e projetistas, O perfil de ações a serem investidas em prevenção, controle e remediação, 2.6. INDICADORES DE DESEMPENHO A definição de indicadores que retratem e comuniquem de forma ampla e clara o desempenho ambiental, tem sido um grande desafio aos ambientalistas, governos e empresas. Cinq-Mars (1997) argumenta que é necessário a definição de indicadores de desempenho para que haja a consolidação do processo de comunicação entre ambientalistas e empresários, encontrando uma linguagem comum, e aproximando comunidades que freqüentemente não conversam. A Agência de Proteção Ambiental da Austrália Environment Australia apud Furtado (2001a) cita que os indicadores de desempenho precisam ser: importantes, viáveis, confiáveis, compreensíveis e úteis. A Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (Organization for Economic Cooperation and Development) OECD (2001) promoveu um workshop sobre indicadores para a prevenção da geração de resíduos. A estruturação teórica para organização das discussões, usou como base o modelo estado pressão e resposta (pressure-state-

41 41 response). Este modelo considera que as atividades humanas exercem pressões no ambiente (neste caso, geração de resíduos) e muda sua qualidade e a quantidade de recursos naturais (o estado). A sociedade, o governo e outros segmentos sociais respondem a essas mudanças através de políticas ambientais, economia geral e setorial (a sociedade responde). Os indicadores de pressão estão vinculados aos padrões de produção e consumo com duas categorias de indicadores: direta e indireta: Pressão direta: Referem-se às tendências ou geração quantitativas de resíduos. Exemplo: resíduos de embalagens, demolições, tendências para a geração de resíduos perigosos, conteúdo energético do resíduo, entre outros. Pressão indireta: Referem-se às variáveis que impulsionam as pressões diretas. Exemplo: tamanho da população, empregos, consumo de bens duráveis e não duráveis, entre outros. O estabelecimento destes indicadores visa suportar o estabelecimento de planos e políticas, estimativas de gastos e investimentos, programas que promovam mudanças e melhorias tecnológicas, instrumentos educacionais e mudança comportamental da sociedade. O Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável - World Business Council for Sustainable Development WBCSD (2000a), apresentou uma abordagem de quatro categorias de indicadores para direcionar e suportar uma gestão empresarial sustentável. A Figura 5 ilustra esta abordagem.

42 42 Indicadores de Sustentabilidade Sustentabilidade Acordos Econômicos Instrumentos Econômicos Pegada Ecológica Fator X Empresariado Responsável Eco-eficiência Agenda 21 Produção Mais Limpa Legislação decomando e Controle Desenvolvimento Sustentável Produção Mais Limpa Conformidade Auditoria de Gestão Ambiental Carta Empresarial Para o Desenvolvimento Sustentável Normas do Sistema De Gestão Ambiental Estratégia de Sustentabilidade Tempo FIGURA 5: Indicadores para a Sustentabilidade (WBCSD, 2000a) As quatro categorias de indicadores estão vinculadas aos estágios de desenvolvimento rumo à sustentabilidade: Conformidade: quando as empresas atuam basicamente em atendimento à legislação, Produção mais limpa: quando as empresas atuam preventivamente evitando a poluição, Eco-eficiência 3 : quando os ganhos ambientais e os benefícios econômicos são correlacionados, 3 Eco-eficiência: Disponibilização de bens e serviços a preços competitivos satisfazendo as necessidades humanas, contribuindo para a qualidade de vida e reduzindo progressivamente o impacto ecológico e a intensidade de utilização de recursos ao longo do ciclo de vida, até se atingir um nível compatível com a capacidade de renovação estimada para o planeta Terra. (WBCSD, 2000b)

43 43 Empresariado responsável: quando os vetores de prosperidade econômica e balanço ecológico estão equilibrados com justiça social. Uma abordagem abrangente para a gestão empresarial sustentável deveria abarcar grupos de indicadores para os estágios acima mencionados. Ainda na Figura 5 (círculos), estão apresentadas algumas ferramentas utilizadas na implementação destes estágios: auditorias de meio ambiente, saúde e segurança (Environment Health & Safety - EHS), a Carta Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável da Câmara Internacional do Comércio (Business Charter for Sustainable Development of International Chamber of Commerce ICC) e as normas do Sistema de Gestão Ambiental SGA (WBCSD, 2000a). As elipses da Figura 5 apresentam os progressos políticos destacando-se a idéia de desenvolvimento sustentável 4, transformando-se posteriormente num programa mais concreto de ação com a Agenda 21 e seguindo-se o conceito do Fator X 5, requerendo objetivos quantificados no incremento da eco-eficiência e na redução do impacto na economia em geral. Um quarto passo poderá ser a noção de Pegada Ecológica (ecological footprint), que argumenta que o espaço disponível para a atividade humana no planeta é limitado e que deveria ser distribuído mais eqüitativamente (WBCSD, 2000a) As setas verticais mostram estágios na evolução de instrumentos reguladores em direção ao desenvolvimento sustentável, iniciando pela Legislação de Comando e Controle, passando para acordos reguladores e incentivos econômicos mais eficientes, para complementar ou, mesmo, substituir, a confiança anterior na legislação (WBCSD, 2000a). 4 Desenvolvimento Sustentável: Processo de gestão que visa equilibrar o desenvolvimento econômico, balanço ecológico e justiça social em prol da presente e das futuras gerações (WBCSD, 2000a). 5 Fator X: São alvos de eco-eficiência. Exemplo: Fator 4 significa duplicar o rendimento com a metade dos recursos. Ou seja, mais valor com impacto reduzido através da melhoria da eficiência. (WBCSD, 2000a)

44 44 O WBCSD (2000b) desenvolveu um guia orientativo para as empresas avaliarem e divulgarem, mais consistentemente, o desempenho ambiental de seus processos produtivos, focando em uma abordagem de ecoeficiência; ou seja, na correlação entre os pilares de ganhos econômicos e balanço ecológico. Este guia foi denominado: Medir a Eco-eficiência Um Guia para Comunicar o Desempenho da Empresa. A metodologia apresentada no guia define a seguinte relação para representar a eco-eficiência: Valor do produto ou serviço Eco - eficiência = Influência ambiental Os indicadores de eco-eficiência são divididos em duas categorias: Aplicação genérica: podendo ser utilizados de forma abrangente pelos diversos setores produtivos. O valor do produto ou serviço pode ser expresso como: o Quantidade de bens ou serviços produzidos ou fornecidos aos clientes, o Vendas líquidas A influência ambiental na criação do produto ou serviço pode ser expressa como: o Consumo de energia o Consumo de materiais o Consumo de água o Emissões de gases com efeito estufa (GEE) o Emissões de substâncias deterioradoras da camada de ozônio (SDCO). Específicos do negócio: adaptam-se à especificidade de cada negócio. Estão incluídos nesta categoria os indicadores relativos à utilização dos produtos ou serviços, tendo a influência ambiental expressas, por exemplo, como: resíduos das embalagens,

45 45 emissões durante a utilização / descarte, consumo de energia no uso, entre outros. A Monsanto Company, fez parte deste grupo de desenvolvimento da metodologia, com o então, chefe executivo mundial de operações, Hendrick Verfaillie, atuando como co-líder. A Monsanto Company veio a gerar o seu primeiro relatório de desempenho, segundo estes critérios, em 2000, referente ao ano de Segundo Verfaillie (Monsanto Company, 2000, p.2) a intenção da Monsanto com este primeiro relatório é oferecer uma visão estatística das nossas operações e uma janela para os impactos dos nossos produtos no mundo. Uma outra edição do relatório foi emitida em 2002, referente aos anos de 2000 e Na figura a seguir, pode-se observar alguns exemplos dos indicadores: Consumo de Energia Produção (toneladas) / Influência Ambiental (gigajoules) Consumo de Água Produção (toneladas) / Influência Ambiental (metros cúbicos) Menos Eficiente Mais Eficiente Menos Eficiente Mais Eficiente FIGURA 6: Exemplos de Indicadores de Eco-eficiência da Monsanto segundo metodologia WBCSD (Monsanto Company, 2002)

46 46 A Figura 6 mostra dois exemplos de indicadores de eco-eficiência de aplicação genérica: o consumo de energia e o consumo de água. Os indicadores refletem a relação entre a saída (produção) e a influência ambiental (consumos). Quanto maior esta relação, mais eficientes são os processos produtivos; ou seja, produzirem mais com menos. Ruiz (2000) tabelou alguns tipos de indicadores de desempenho praticados por empresas químicas para representarem o desempenho ambiental dos seus processos, conforme tabela a seguir. Empresa Indicador Ambiental Comentários Roche 3M Polaroid Rohm and Hass Imperial Chemical Industries Total mássico de resíduos 6 gerados (efluente líquidos, resíduos sólidos e emissões), antes do tratamento de fim de tubo, por unidade mássica de produto final Total mássico de resíduos 6 gerados como uma fração da massa total saída de um processo (incluindo produtos, subprodutos e resíduos 6 ) Total mássico de produtos químicos ou resíduos 6 em cada uma das cinco categorias por unidade padrão ou produto Soma mássica ponderada dos resíduos 6 por unidade mássica de produto Emissões equivalentes em referência a uma classificação de dez categorias de impactos ambientais Todos os produtos químicos classificados como matérias-primas e resíduos foram classificados em uma das cinco categorias, com base no perigo relativo destas substâncias. Os fatores de ponderação são o produto do grau de toxicidade (baseado no padrão de saúde da NFPA) e a forma de descarte no meio ambiente, onde o grau está baseado em quando e como o resíduo 6 é disposto: o resíduo 6 é diretamente descartado, tratado antes do descarte, reciclado ou reutilizado. Os fatores de potência para cada categoria são desenvolvidos baseados em estudos publicados e padrões TABELA 2 Indicadores de Desempenho Ambiental para Avaliação de Processos em Indústrias Químicas. (Ruiz, 2000) 6 O termo resíduo aqui empregado é uma tradução do termo waste e estão incluídos os efluentes líquidos, resíduos sólidos e emissões gasosas.

47 47 A Tabela 2 apresenta alguns indicadores que podem ser classificados como específicos do negócio, tomando-se como base a metodologia do WBCSD. Os indicadores citados da Roche e da 3M são similares, relacionando os resíduos gerados com o produto final e o total de produtos gerados, respectivamente. São indicadores largamente usados pelas indústrias. A Polaroid cita um indicador também similar. Porém, categorizando os produtos ou resíduos pelo seu perigo associado. A Rohm and Hass também categoriza os seus resíduos em função do seu perigo (toxicidade) e os correlaciona com o produto final. A Imperial Chemical Industries cita um indicador de emissões classificando os poluentes em função dos seus impactos potenciais. Observando-se a Tabela 2, percebe-se ainda uma forte ênfase em indicadores que expressam práticas de controle, existindo uma lacuna em indicadores que expressem mais claramente as práticas de prevenção, como: uso de tecnologias limpas, eliminação ou minimização de impactos pelo emprego de técnicas de prevenção em projetos ou modificações, ganhos financeiros correlacionados com eliminação ou minimização de impactos ambientais e à saúde, entre outros. O estabelecimento de indicadores que possam expressar os ganhos em prevenção, é um requisito fundamental para fomentar a aplicação e o investimento em ações e iniciativas de prevenção, tais como o DfE entre outras. Dentro deste enfoque, no Item , são sugeridos alguns indicadores de desempenho categorizados em prevenção, controle e remediação, suportando a estratégia proposta para implementação do DfE na Monsanto Nordeste S/A.

48 CONCLUSÃO Neste capítulo, buscou-se correlacionar o DfE com outras iniciativas ambientais que contribuem com o entendimento do assunto: Segurança de Processos, Ecologia Industrial e Análise do Ciclo de Vida. Pode-se concluir que apesar de existirem sobreposições entre elas na forma de tratar algumas questões de saúde, segurança e meio ambiente, não existem iniciativas melhores que outras, e sim aquelas mais aplicáveis a cada caso. Comentou-se que ainda há uma lacuna expressiva no conhecimento por parte de engenheiros e projetistas no conhecimento e entendimento destas iniciativas, identificando-se uma oportunidade para o desenvolvimento de uma ferramenta de uso fácil e independente (sem o suporte direto de técnicos da área de saúde, segurança e meio ambiente) na aplicação destas iniciativas nas avaliações de saúde, segurança e meio ambiente desenvolvidas em projetos e modificações de processos, contribuindo para a disseminação do conhecimento do DfE. Considerando-se que as iniciativas de proteção à saúde, segurança e meio ambiente, possuem ações de prevenção, controle e remediação, também discutiu-se que as práticas atuais estão focadas, sobretudo, em ações de controle e remediação, onde o conceito de prevenção não está claramente entendido pelos técnicos responsáveis pelos projetos e pela operação dos processos. Para concluir, apresentou-se alguns tipos de indicadores ambientais ressaltando-se a necessidade do estabelecimento de indicadores de desempenho que reflitam o esforço em ações de controle e remediação, mas, principalmente, ações de prevenção. No próximo capítulo, serão abordados mais detalhadamente o DfE no processo de projetar, alguns casos de sucesso na indústria e algumas práticas relevantes de fomento adotadas pelos governos dos Estados Unidos, Dinamarca e Japão.

49 49 3. DESIGN FOR ENVIRONMENT (DfE) O PROCESSO DE PROJETAR E PRÁTICAS RELEVANTES 3.1. INTRODUÇÃO O objetivo deste capítulo é contextualizar o DfE, explorando: O seu conceito e aplicação em projetos, A importância de correlacioná-lo com ganhos financeiros, O processo de projetar, Alguns casos de aplicação na indústria e algumas formas de fomentar o DfE adotadas pelos Estados Unidos, Japão e Austrália INSERÇÃO DO DFE EM PROJETOS Utilizar os conceitos do DfE significa inserir no processo de projetar as questões de saúde, segurança e meio ambiente, em todas as fases do ciclo de vida do projeto, enfocando o uso de tecnologias mais limpas e eliminação ou redução dos perigos ambientais e ocupacionais na fonte. Segundo Paton (1997, p.349) DfE é uma iniciativa que fornece estratégias e técnicas para projetar e produzir produtos ambientalmente responsáveis com plena capacidade de concorrer no mercado internacional. Segundo Kiperstok (2001, p.13) A raiz do DfE é o processo de projetar. Projeto é essencialmente um processo de inovação. Porém, os métodos de projeto tanto associados ao Desenho Industrial como em outras áreas, não tem sido inseridos em seus respectivos contextos sociais e ambientais até então. Tradicionalmente, os fatores de função, aparência e custos têm dominado quase por completo os processos de projeto. Apesar de serem crescentes as inclusões das avaliações de saúde, segurança e meio ambiente nas modificações de projeto e grandes investimentos na indústria, percebe-se ainda, serem conduzidas de forma remediativa. Os projetos são desenvolvidos focando-se, primeiramente, o

50 50 atendimento aos requisitos produtivos seguindo-se as análises de saúde, segurança e meio ambiente. Conseqüentemente, as medidas de segurança e meio ambiente tendem a se adequar ao processo proposto, provendo soluções de controle (fim de tubo) para atendimento à legislação ou a algum padrão corporativo ou internacional mais restritivo. Talvez um dos fatores que contribua para o estabelecimento desta forma de condução dos projetos, seja o desconhecimento dos técnicos envolvidos, sobre as iniciativas ambientais e de segurança mais inovadoras como a prevenção da poluição e o uso de tecnologias limpas ou mais limpas, sendo abordadas, sobretudo, nas fases iniciais do projeto. Segundo Gradell e Allenby apud Kiperstok (2001, p. 13.) Nas fases iniciais é normalmente mais fácil alterar o projeto para adequar-se aos fatores ambientais do que nas fases subseqüentes. Por exemplo, é mais simples e menos caro reduzir emissões de gases ácidos removendo compostos de enxofre da matéria-prima do que capturá-los. Há ainda, por exemplo, uma crença de que se não violamos parâmetros ambientais da legislação, se temos bons sistemas de proteção com redundâncias de intertravamentos, se temos bons equipamentos de controle e combate a emergências, e se também usamos os EPI s adequados, estamos ambientalmente corretos e tratando bem da nossa saúde. Para mudar este quadro na indústria, faz-se necessário um esforço dos representantes das áreas de saúde, segurança e meio ambiente, no sentido de transferir os conceitos de tecnologias limpas e prevenção da poluição para os técnicos diretamente responsáveis pela criação e operação de novos produtos, processos e serviços. Uma forma de facilitar esta transferência de conhecimentos é inserir as componentes de saúde, segurança e meio ambiente no conjunto de análises das funções de projeto desenvolvidas por engenheiros e projetistas.

51 51 Dentro desta visão, Graedel e Allenby (1995) utilizaram uma forma simplificada para apresentar esta integração entre as funções, denominada Projeto para X (Design for X DfX), onde X pode ser substituído por uma série de variáveis : DfA (Assembly) Projeto para montagem: Facilidade de montagem, uso de peças padronizadas, etc.. DfM (Manufacturability) Projeto para Manufatura: Como o projeto pode facilitar a própria manufatura do produto. DfT (Testability) Projeto para Teste: Projeto que leva em conta a fase de testes e integração de componentes complexos. DfS (Serviciability) Projeto para Serviços: Projeto que facilita instalação. Além de manutenção, reparo e modificação futura. DfR (Reliability) Projeto para Confiabilidade: A consideração da confiabilidade do produto frente aos problemas de cargas eletrostáticas, corrosão, resistência à ambientes variáveis, etc. DfSL (Safety and Liability Prevention) Projeto para a Segurança e Prevenção de Passivos: Projeto dentro dos padrões de segurança para prevenir acidentes e questões de responsabilidade legal. Facilmente, então, insere-se a função ambiental nesta sistemática, trazendo o DfE (Design for Environment). O Centro Nacional para Projetos do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, National Centre for Design at the Royal Melbourne Institute of Technology RMIT definiu uma metodologia de aplicação do DfE usando como base o projeto sobre as diversas fases do ciclo de vida dos produtos / serviços. (RMIT apud Environment Australia, 2001) O quadro a seguir ilustra a abordagem proposta por esta metodologia:

52 52 Extração e processamento de matéria-prima Projeto para a conservação de recursos Projeto para materiais de baixo impacto Projeto para a conservação de biodiversidade Manufatura / embalagem e distribuição Projeto para a produção limpa Projeto para embalagem de baixo impacto Projeto para a distribuição eficiente Uso do Produto Projeto para a eficiência energética Projeto para a conservação da água Projeto para a minimização do consumo Projeto para o uso de baixo impacto Projeto para o reuso e reparo Projeto para a durabilidade Fim da Vida Projeto para o reuso Projeto para manufatura Projeto para a desmontagem Projeto para a reciclagem Projeto para o descarte seguro QUADRO 2: Aplicação do DfE através do Ciclo de Vida de um Produto (RMIT apud Environment Austrália. 2001) O quadro anterior descreve o que deve ser considerado nas diversas fases do ciclo de vida de um produto ao desenvolver um projeto.

53 53 Para melhor exemplificar segue-se um detalhamento do primeiro estágio: Extração e Processamento de matérias-primas apresentado no quadro a seguir: Exemplos DfE Estratégias Reduzindo impactos de matériasprimas Estratégias para a reduçã o de impactos ambientais da extraçã o e processamento de matérias-primas podem ser divididas naquelas que se preocupam com a conservaçã o dos recursos usando materiais de baixo impacto e conservaçã o da biodiversidade. Projeto para a conservaçã o de recursos inclui: Uso mínimo de material requerido para a funçã o Uso de materiais renováveis Evitar o uso de materiais que consomem recursos limitados Usar materiais reciclados ou recicláveis Usar resíduos como produtos Projeto para materiais de baixo impacto inclui: Evitar o uso de materiais feitos com substâncias tóxicas ou perigosas Evitar o uso de substâncias que destroem a camada de ozônio Minimizar a produçã o de gases que provocam o efeito estufa Uso de materiais com baixa energia Uso de materiais que são facilmente reutilizados e reciclados Projeto para a conservaçã o da biodiversidade inclui: Evitar o uso de materiais que impactem a biodiversidade Uso de materiais que sejam produzidos de forma sustentável Reduzindo o os uso de impactos da da manufatura e distribuição o Existem várias maneiras pelas quais as companhias podem ajudar a maximizar a eficiência e minimizar os impactos do ciclo de vida do produto durante a manufatura. Isto inclui: Minimizaçã o da variedade de materiais Evitar a geraçã o de resíduos Reduzir o número de componentes e partes Integrar funções Simplificaçã o de montagens Seleçã o de materiais de baixo impacto e processos O impacto ambiental da distribuiçã o pode ser reduzida através: Reduzindo o peso dos produtos e suas embalagens para poupar energia no transporte Embalagem para o transporte seja reutilizá vel ou reciclá vel Maximizar a eficiência da embalagem Escolha de um sistema de transporte eficiente QUADRO 3: Detalhamento do Primeiro Estágio da Metodologia RMIT para implementação do DfE - na Extração e Processamento de Matéria-Prima. (RMIT apud Environment Australia. 2001)

54 54 Uma outra forma de utilizar a proposta do RMIT, exemplificadas nos Quadros 2 e 3, é considerá-la complementar a proposta de Graedel e Allenby (1995). Ou seja, ao se inserir a função ambiental (DfE) como função de projeto, um grande número de questões ambientais precisam ser avaliadas. Desta forma, a proposta do RMIT detalha o que deve ser considerado durante as análises usando o enfoque do ciclo de vida do produto DFE CORRELACIONANDO GANHOS FINANCEIROS COM GANHOS EM SAÚDE, SEGURANÇA E MEIO AMBIENTE O DfE é uma iniciativa que direciona não apenas considerações ambientais, de saúde e segurança na fase de projeto, mas também considerações como ganhos sociais e financeiros. Paton (1997) identificou alguns processos que apresentam alto potencial de ganhos ambientais e financeiros: Projeto do Produto: São exemplos: redução na quantidade de material utilizado, reuso e reciclo bem como toda a logística para isso. Projeto do Processo de Manufatura: Aqui o foco deve ser na avaliação prévia das questões ambientais e de saúde e segurança antes de efetuar modificações nos processos e da aquisição de novas tecnologias e equipamentos, buscando-se minimizar custos operacionais e de manutenção futuros, Gerenciamento de Materiais: A seleção de materiais, eliminação de materiais perigosos e avaliação da utilização destes produtos são os pontos principais para viabilizar a minimização dos resíduos e emissões bem como favorecer o reuso e reciclagem, otimizando custos com a disposição final, Gerenciamento de Fornecedores: Três pontos são fundamentais para a minimização dos impactos ambientais dos processos e produtos fornecidos: avaliação dos fornecedores nos requisitos de

55 55 saúde, segurança e meio ambiente de seus processos e produtos, desenvolvimento de relações para o reuso e reciclo e parceria tecnológica. Vendas: Os processos potenciais para minimização dos impactos são: embalagem dos produtos (projeto para reuso e reciclagem de embalagens, otimização de materiais, etc.), previsão e gerenciamento dos inventários e distribuição. Serviços e Suporte: A fabricação de produtos de vida curta, como os produtos descartáveis e de produtos que tenham a necessidade de troca e peças de reposição abre uma grande oportunidade para empresas que trabalhem com reuso e reciclagem de materiais. Um ponto fundamental para a viabilização deste propósito é o estabelecimento de uma sistemática de coleta. O emprego conjunto do DfE com o enfoque acima sugerido favorecerá uma mudança da tradicional visão do corpo gerencial das empresas, ou seja: a de que projetos ambientais não possuem retorno financeiro e estão vinculados apenas ao atendimento de um determinado requisito da legislação ou para atendimento de alguma norma. Paton (1997) ressalta a importância de se determinar o impacto financeiro do Design for Environment (DfE). Os requisitos ambientais não podem ser apenas tratados como gastos no gerenciamento financeiro da empresa. As oportunidades de conciliação de ganhos ambientais e financeiros devem ser perseguidas desde a fase de projeto dos processos e produtos. Por exemplo, produtos que não foram projetados com requisitos ambientais para reuso ou reciclagem, dificilmente viabilizarão a sua desmontagem e coleta. Em contra partida, produtos bem projetados podem ter custos de desmontagem desprezíveis deixando para coleta, remanufatura, reuso ou reciclo, apenas as partes de alto valor agregado, viabilizando todo o processo.

56 56 A realização de avaliações financeiras de ganhos e de impactos ambientais é uma tarefa bastante complexa. A USEPA (1996) e Ruiz (2000) apresentam metodologias que tratam deste tema. Apesar das companhias estarem cada vez mais conscientes dos aspectos ambientais em seus negócios, encontram dificuldades em medir estas considerações, tanto devido às incertezas inerentes a estas avaliações como também porque as informações, planejamento, e práticas decisórias atuais não levam estas considerações ambientais suficientemente em conta. Segundo a USEPA (1996), algumas companhias estão utilizando técnicas como: Contabilizando Custos no Ciclo de Vida Ambiental - Environmental Life Cycle Costing (ELCC), Análise total de Custos - Total Cost Assessment (TCA) Análise do Ciclo de Vida - Life Cycle Assessment (LCA). Estas técnicas tornam possível a estimativa da viabilidade e retorno econômico de projetos evitando, principalmente, a geração de passivos ambientais. A não consideração destes benefícios pode apresentar investimentos menos atraentes sob o ponto de vista ambiental em relação ao que eles realmente são. Segundo a USEPA (1995) detalhar a contabilidade ambiental das funções de um projeto é fundamental. Alguns custos ambientais podem estar ocultos na contabilização dos gastos gerais ou de outra forma podem estar superdimensionados. Uma análise econômica, que considere os ganhos ambientais, de saúde, segurança e sociais, deve ser conduzida, apesar da sua complexidade, sob pena de inviabilizar projetos que possam trazer ganhos reais.

57 O PROCESSO DE PROJETAR O bom entendimento do processo de projetar é fundamental na implementação do DfE. Ruiz (2000, p.42) cita que projetar é uma atividade complexa, cujas entradas são descrições abstratas dos desejos de uma organização e as saídas uma descrição detalhada de um produto concreto, seu processo ou sistema satisfazendo os desejos da organização. De uma maneira geral, pode-se apresentar as fases de um projeto ao longo da vida de um processo, conforme figura a seguir: Pesquisa A B C Fim da Vida Útil do Produto Préprojeto Projeto Detalhado Montagem Partida Gerenciar Rotina Não Mudanças? Gerenciar Rotina Sim Fim da Vida Útil do Processo Fase de Projeto Fase de Operação Fase Final Revisões de Saúde, Segurança e Meio-Ambiente FIGURA 7: Fases de um projeto ao longo da vida de um processo

58 58 O fluxo geral da vida útil de um processo, ilustrado na Figura 7, apresenta três fases: projeto, operação e final da vida útil do processo e dos produtos produzidos. A fase de projeto (A) apresenta as etapas de: pesquisa, pré-projeto, projeto detalhado, montagem e partida do processo. Após a fase de projeto, segue-se a fase de operação (B) ou gestão da rotina. Aqui estão inseridas atividades, tais como: Operação e manutenção, Suporte: logística, controle de qualidade, gestão de saúde, segurança e meio ambiente, etc. Vendas e assistência técnica. Estas atividades devem ser desenvolvidas de forma orientada sobre: uso seguro, reposição, reciclagem e descarte. Dentro desta fase é bastante comum a necessidade de se efetuar mudanças no processo ou nas atividades buscando-se melhorias. A última fase do fluxo é denominada fase final (C), onde estão inseridos o final da vida útil do processo produtivo e do produto. O final da vida útil de um processo através de sua desativação está associado ao custo benefício para mantê-lo operando. A desativação parcial ou total de um processo, seja ela temporária ou permanente, deve ser objeto de avaliação para que seja conduzida de forma segura. Um processo não deve simplesmente ser parado devido aos riscos de futuros acidentes para o pessoal da fábrica e para a comunidade com possibilidades de serem criados passivos ambientais. Um exemplo que pode ser associado a uma desativação inadequada foi o caso da fonte radioativa de Césio 137 do Instituto Goiano de Radioterapia, que ao desativar suas operações nas instalações localizadas na Avenida Paranaíba, centro de Goiânia, não removeu a bomba de césio que se encontrava obsoleta, já tendo sido usada para a prestação de serviços radiológicos. O prédio passou a ser demolido pelo

59 59 novo comprador, não havendo precauções sobre a segurança do equipamento radiológico. O prédio foi acessado por catadores de sucata que removeram a bomba de césio e revenderam para um ferro-velho. O equipamento foi violado expondo o cloreto de césio. Este acidente, ocorrido em setembro de 1987, foi o maior acidente radioativo do Brasil com 4 vítimas e, aproximadamente, 14 toneladas de lixo radioativo. (Justiça federal, 2000) Fora dos domínios da fábrica, mas não menos importante, está a disposição final dos produtos produzidos e suas embalagens. Os produtos devem ser projetados de forma a minimizarem os seus impactos, por exemplo: facilitando a reposição de peças defeituosas, reuso e reciclo. Para todas estas fases, é obrigatória a realização de avaliações de saúde, segurança e meio ambiente, por uma equipe multidisciplinar, onde o rigor e profundidade dependerão da complexidade da mudança necessária. A fase de projeto é o momento ideal para se inserir as questões ambientais, de saúde e segurança, caracterizando, propriamente, a inserção do DfE. Nas etapas iniciais do projeto, mais particularmente na etapa de pesquisa, o uso dos princípios e ferramentas de tecnologias limpas, análise do ciclo de vida e ecologia industrial aumentam a chance de se obter melhores desempenhos em segurança e meio ambiente, pois as premissas ainda estão sendo estabelecidas e as avaliações das alternativas existentes passam a incluir os componentes ambientais, de saúde e segurança. Assim, o DfE é efetivamente inserido no nascedouro das idéias. Nas etapas seguintes do projeto, os princípios do DfE ainda são aplicados com eficiência, porém o foco fica cada vez mais voltado para o controle (atendimento à legislação e a elaboração dos programas e planos de gestão das questões de saúde, segurança e meio ambiente). Este fato se deve a menor flexibilidade de alteração de escopo que passa a existir a medida que o projeto evolui.

60 60 Após a partida do processo, os princípios do DfE ainda podem ser usados a medida que ocorram modificações no processo existente. Possibilidade de Inserção Atendimento à Legislação, programas de gestão, etc. DfE, Tecnologias Limpas, Análise do Ciclo de Vida, Ecologia Industrial, etc. Pesquisa Pré-Projeto Projeto Detalhado Montagem Partida Produção Final da Vida Útil FIGURA 8: Possibilidade de Inserção dos Princípios da Prevenção ao Longo das Fases de um Processo A Figura 8 expressa que a medida que o projeto se desenvolve até a operação do processo e sua desativação, as possibilidades de serem inseridos os princípios da prevenção através do emprego de tecnologias limpas e ferramentas como o DfE e Análise do Ciclo vida se tornam menores. Nas fases iniciais de pesquisa e pré-projeto, a tecnologia a ser empregada e o seu processo são definidos. Portanto, é possível considerar os princípios de prevenção e efetuar escolhas de tecnologias e de rotas de processos com menores impactos ambientais e ocupacionais. Estas possibilidades diminuem a medida que o projeto é detalhado para montagem e partida. Nestas fases as atividades de controle dos impactos ambientais e ocupacionais do processo escolhido são mais relevantes, tais como o atendimento à legislação e o desenvolvimento de programas de gestão ambiental e de saúde e segurança.

61 METODOLOGIAS E FERRAMENTAS DE SUPORTE PARA ANÁLISE DE ALTERNATIVAS NO PROCESSO DE PROJETAR Dentro da fase de projeto, a etapa de pesquisa engloba todos os estudos relativos às análises de alternativas existentes: tecnologias disponíveis, substâncias, rotas reacionais, etc., tendo como produto de saída um projeto conceitual. Segundo Ruiz (2000, p.59), a questão central em um processo de análise de alternativas dentro de uma estrutura de projeto ambientalmente adequado, é equilibrar os objetivos ambientais com os demais objetivos do projeto. A estruturação do problema tem um impacto significativo nesta fase. Quando o problema é estruturado, as decisões são tomadas respeitandose os objetivos para os quais o projeto deve evoluir, e em particular, sobre as funções que traduzirão os dados produzidos durante as etapas de coleta e análise, integrando indicadores que possam ser usados para otimizar e classificar as alternativas. De uma maneira geral, para a fase de pesquisa, pode-se estruturar os passos para a análise de alternativas, conforme figura a seguir:

62 Estabelecimento e Estruturação do Problema / necessidade Coleta de dados e informações Geração de Alternativas e Análise de dados Julgamento e Escolha Análise de Sensibilidade Relatório Final e Divulgação FIGURA 9: Etapas de uma Análise de Alternativas na Fase de Pesquisa de um Projeto A seguir são apresentados alguns comentários sobre as etapas individuais do fluxo proposto na Figura Estabelecimento e Estruturação do Problema / Necessidade Aqui são estabelecidos: o escopo do projeto, objetivos, restrições, critérios de avaliação, metodologias a serem usadas, limites do estudo, etc. Segundo Ruiz (2000, p.42), é uma etapa crítica, e que normalmente é negligenciada.

63 63 A Agência de Proteção Ambiental Americana, Environmental Protection Agency (USEPA, 1996) sugere que antes de iniciar uma análise de alternativas proceda-se uma estruturação do trabalho que consiste da definição da equipe de trabalho, da seleção das alternativas potenciais, escopo e restrições do projeto. Também é nesta etapa que se define, por exemplo, a utilização da análise do ciclo de vida Coleta de Dados e Informações Nesta etapa busca-se coletar dados que suportem a construção das alternativas, tais como: tecnologias e equipamentos disponíveis, dados físicos, químicos e toxicológicos de substâncias, recursos energéticos e naturais disponíveis, entre outros Geração das Alternativas e Análise dos Dados: Esta etapa implica na geração, avaliação e estruturação dos dados através do uso de métodos de análise e técnicas de engenharia, modelos, etc., para caracterização das alternativas. Deve-se escolher alguns indicadores preliminares que caracterizem os desempenhos individuais das alternativas em análise, principalmente para os pontos críticos tais como: indicadores econômicos, competitividade, benefícios sociais, de saúde, segurança e meio ambiente tais como: toxicidade de substâncias, persistência, mobilidade ambiental, risco, etc. Curzons (2001) selecionou 10 categorias de indicadores que incluem, basicamente, aspectos de consumo energético, potenciais danos ambientais, potenciais danos à saúde, segurança de processos e existência de solventes. Constable et al (2001), selecionaram alguns indicadores para processos em bateladas visando auxiliar projetistas e químicos na seleção de novas rotas e modificações. Goedkoop et al (1996) desenvolveu um manual para projetistas com ecoindicadores para suporte em análise de projetos.

64 64 A empresa de consultoria ambiental Pre-consultants 7 desenvolveu um software denominado ECO-IT (2001) que pode ser utilizado como suporte a análise de alternativas. Este software utiliza como base metodológica a análise do ciclo de vida. É nesta etapa que os arcabouços das alternativas são gerados. A geração, análise e estruturação dos dados das alternativas devem contemplar os aspectos que tenham significância no processo de julgamento, como por exemplo: riscos, atendimento a requisitos legais, competitividade, custos, benefícios sociais, indicadores de desempenho, entre outros Julgamento das Alternativas e Escolha O primeiro passo antes de se iniciar o julgamento das alternativas, é a definição do critério de julgamento. Nesta etapa uma análise quantitativa deve ser conduzida. As informações relativas às alternativas individuais devem ser sumarizadas e avaliadas a luz dos indicadores de desempenho, citados, por exemplo, no item anterior. As alternativas em julgamento devem ser classificadas e um relatório contendo as justificativas das escolhas efetuadas deve ser preparado Análise de Sensibilidade A etapa seguinte é a de análise de sensibilidade, onde são identificadas as maiores contribuições para as funções-objetivo, robustez, etc. Nesta etapa as funções de projeto são analisadas sob diferentes cenários, trazendo para a pauta das discussões a resposta destas funções ao variar-se determinados parâmetros de interesse e verificandose viabilidade das alternativas em análise nestas diferentes condições. 7 Fabricante do software SimaPro, um dos programas mais utilizados para ACV.

65 65 Este tipo de análise é muito importante, principalmente, para serem estabelecidas as estratégias de médio e longo prazo para darem sustentação à alternativa escolhida Geração do Relatório Final e Divulgação A última etapa é a geração do relatório final e da documentação pertinente. Deve-se montar uma estratégia de divulgação para o mercado ou para as partes interessadas, sobre os ganhos ambientais do novo produto, serviço ou atividade. Deve-se procurar passar informações precisas aos usuários, clientes ou partes interessadas. Sugere-se avaliar a possibilidade de desenvolver parcerias com empresas especializadas, no sentido de promover junto às partes interessadas uma sensibilidade ambiental para que se perceba os ganhos obtidos METODOLOGIA PARA ANÁLISE DE ALTERNATIVAS COM TECNOLOGIAS LIMPAS CTSA (CLEANER TECHNOLOGIES SUBSTITUTES ASSESSMENT). EXEMPLO PRÁTICO DE UMA METODOLOGIA PARA ANÁLISE DE ALTERNATIVAS Este subitem apresenta um exemplo de metodologia estruturada para análise de alternativas desenvolvida pela USEPA. A CTSA - Cleaner Technologies Substitutes Assessment é uma metodologia para análise de alternativas orientando os projetistas em escolhas que empreguem preferencialmente tecnologias e processos mais limpos. É uma ferramenta de comparação entre processos químicos de produção com tecnologias convencionais e processos produtivos alternativos onde são consideradas as questões de saúde e risco ao meio ambiente, competitividade (desempenho, custos, etc.) e conservação dos recursos entre outros.

66 66 Segundo a Agência de Proteção Ambiental Americana, Environmental Protection Agency (USEPA, 1996, cap.1,p.3), A CTSA não recomenda alternativas. Ao contrário disto, visa promover a elaboração de informações que integrem dados de riscos, desempenho e custos provendo o processo decisório dos negócios com informações de fácil acesso. Os passos da análise podem ser sumarizados no fluxo a seguir: Coletar informações químicas e de processo Obter dados de risco, desempenho e custos Desenvolver metodologia Para análise de dados Análise dos dados Avaliar as questões-chaves de saída -Benefícios sociais / análise de custos -Sumário das informações da decisão Desenvolver a CTSA -Preparar uma proposta -Desenvolver uma revisão / análise -Publicar o documento FIGURA 10: Passos para se desenvolver uma CTSA (USEPA; Tennessee University - Center for Clean Products and Clean Technologies, 1996)

67 67 Comparando-se os passos gerais da CTSA apresentados na Figura 10 com o fluxo geral de alternativas proposto na Figura 9, percebe-se uma similaridade entre ambos, com alguns passos iguais: coleta de dados, análise de alternativas, julgamento e geração de relatório. A Figura 11 apresenta mais detalhes das etapas de coleta e análise dos dados e avaliação das saídas ou julgamento. Informações de Processo e Químicas Coleta de dados Propriedades químicas Processo de manufatura química e formulação do produto Sumário das tendências ambientais Sumário de perigos à saúde das pessoas Sumário de perigos ambientais Uso de produtos químicos e descrição do processo Informações de mercado Informações internacionais Análise dos dados Risco Práticas de trabalho e fontes de vazamentos Competitividade Situação do atendimento aos requisitos legais Avaliação de performance Conservação Impacto energético Conservação de recursos Análise de custos Escolha entre alternativas Avaliação das saídas Risco, competitividade e sumário dos dados de conservação Benefícios sociais / análise de custo Sumário das informações da decisão Oportunidades adicionais de melhoria ambiental Prevenção da poluição Controle tecnológico FIGURA 11: Fluxo de informação de uma CTSA (USEPA; Tennessee University - Center for Clean Products and Clean Technologies, 1996)

68 68 Na coleta de dados são levantadas as características dos produtos e seus perigos potenciais ao meio ambiente e à saúde, bem como informações de processo e mercado relevantes. Na etapa de análise, algumas funções de projeto julgadas relevantes são analisadas; por exemplo, risco, competitividade e conservação. Nesta etapa, pode-se utilizar a Árvore de Substitutos para organização das alternativas, conforme ilustrado na figura a seguir. Opção 1 Usar Prod. Químico Alternativo Modificar processo Opção 2 Opção 3 Avaliar impactos ambientais Questão ambiental Descrever Função Alternativa Tecnológica Desempenho Custos Práticas de trabalho alternativas Outros FIGURA 12: Árvore de Substitutos do DfE. (USEPA, 2000) A Árvore de Substitutos da USEPA é uma ferramenta orientativa que contempla técnicas de prevenção e redução de perigos dado que se tenha estabelecido uma questão ambiental a ser resolvida. Exemplificando o seu uso, tomemos um caso apresentado pela USEPA & Tennessee University - Center for Clean Products and Clean Technologies. (1996), relativo à substituição do percloroetileno (PCE) utilizado como solvente em lavagem de roupas a seco. O percloroetileno é suspeito de ser carcinogênico.

69 69 Esta árvore pode ser mais ou menos abrangente dependendo de como a questão ambiental e a função do processo em análise são estabelecidas. Os casos a seguir ilustram esta questão: - Formulando o problema como: Questão ambiental: Substituir o PCE nas lavagens a seco Função do processo: Lavagem a seco a base de solventes O próximo passo relativo à busca de alternativas fica muito restrito, pois a função limita a um processo de lavagem a seco a base de solventes. - Formulando o problema como: Questão ambiental: Eliminar o PCE das lavagens a seco Função do processo: Lavagem a seco Diminuindo-se as restrições da função do processo, é possível uma busca mais abrangente de alternativas, que vão desde outras opções de solventes a alternativas tecnológicas. Para este exemplo, avaliaram-se alternativas tais como: HCFC s em desenvolvimento, solventes menos voláteis, novas tecnologias como injeção de nitrogênio e limpeza com oxigênio sob vácuo. A magnitude desta abrangência deve ser avaliada de modo a tornar o estudo atrativo dentro de prazos viáveis. Na etapa de avaliação das saídas o julgamento das alternativas é realizado juntamente com a análise de sensibilidades. Os casos de utilização da CTSA em parceria com a USEPA vêm conduzindo resultados positivos em termos de ganhos ambientais e econômicos para as companhias envolvidas. Um exemplo deste tipo de trabalho foi o projeto PWB - Printed Wiring Board (placa para circuito impresso) desenvolvido pela USEPA em parceria com as indústrias do setor. (USEPA, 1997).

70 DFE ALGUMAS ABORDAGENS PRÁTICAS RELEVANTES A seguir serão apresentados alguns casos relevantes de implementação na indústria bem como algumas formas interessantes de fomento do tema adotadas pelos governos dos Estados Unidos, Dinamarca e Japão Casos Industriais Relevantes Alguns casos de utilização dos princípios de prevenção de perigos ambientais e ocupacionais na fase de projeto são referenciados a seguir: A. MONSANTO: Em 1991 a Monsanto desenvolveu um novo processo para produção do DSIDA (Disódioiminodiacético), produto intermediário para a produção do herbicida Roundup. O processo anterior utilizava ácido cianídrico, amônia e formalin (formaldeído, 37% w/w), bem como os efluentes gerados eram depositados em poços profundos. Com a crescente demanda para a produção do Roundup as preocupações com os impactos ambientais relativos a geração de efluentes, e manipulação de HCN aumentaram, impulsionando a necessidade de desenvolver uma nova rota para a produção do DSIDA. O novo processo utiliza a soda cáustica e a dietanolamina em presença de catalisador. Praticamente não gera efluentes e produz uma corrente gasosa rica em hidrogênio, que pode ser queimada em flare (tocha), misturada com gás natural para queima em caldeiras ou mesmo vendido. (D. Little, 2001). B. NOVARTIS CROP PROTECTION AG: A Novartis Crop Protection AG, desenvolveu um programa de avaliação dos solventes intermediários de seus processos. Aproximadamente 30 tipos de solventes eram manipulados. O critério de avaliação incluiu considerações tais como: tratabilidade, toxicidade no ar ambiente, aspectos de higiene (carcinogenicidade, limites de exposição, toxicidade, etc.), energia necessária para evaporação, habilidade para reciclagem

71 71 interna no processo, preferência por compostos não halogenados, entre outras. A conclusão da avaliação indicou a utilização de nove solventes preferenciais. Equipamentos e tancagens foram alterados para adequação a nova realidade. Apenas em uma unidade piloto, a economia obtida chegou a US$ ,00/ano. (D. Little, 2001). C. USEPA: Outros casos de implementação do DfE, foram desenvolvidos pela indústria em parceria com a USEPA. Uma listagem que resume os principais projetos e as pessoas de contato encontra-se disponível no documento Programa DfE - Design For Environment Program. (USEPA, 2001). A seguir estão listados alguns destes projetos: Projeto PWB - Printed Wiring Board (placa para circuito impresso), buscando-se a minimização dos impactos no processo de manufatura, reduzindo-se os consumos de água e energia, bem como a substituição de produtos químicos tóxicos (USEPA, 1997). Projeto Industrial / Institucional de Formulações para Limpeza, buscando-se desenvolver juntamente com as indústrias produtoras de detergentes, formulações menos impactantes ao meio ambiente, Indústria de Mobiliário: Estudos para substituição de solventes e adesivos na industria de mobiliários que trabalham com espumas, visando a minimização dos impactos ambientais e ocupacionais. D. ENVIRONMENT AUSTRALIA: A agência ambiental australiana também possui um programa de parceria e fomento do DfE. Alguns casos relevantes podem ser encontrados no documento, A Vantagem Verde. Uma Introdução ao DfE para os Negócios Australianos - The Green Advantage. An Introduction to Design

72 72 for Environment for Australian Business, (ENVIRONMENT AUSTRALIA, 2001). A seguir estão apresentados alguns destes casos: Caroma Australia Company: Redução do consumo de água em banheiros e minimização dos impactos de disposição final através do redesenho de válvulas de descarga, Reln Plastics Ltd: Modificações nas embalagens de produtos domésticos para redução de resíduos sólidos, Fugi Xerox: Redesenho de máquinas de escritório (máquinas copiadoras, por exemplo) visando a remanufatura dos equipamentos e suas partes individuais, sob um processo de restauração deixando-os como novo. Este enfoque visa minimizar os impactos no processo de manufatura Casos de Fomento do DfE nos Estados Unidos, Dinamarca e Japão Este item tem o objetivo de apresentar três formas diferentes de fomentar a implementação do DfE, não se afirmando aqui, serem estas as únicas ações adotadas pelos governos destes países na abordagem do tema. Estas estratégias de fomento são interessantes, pois utilizam diferentes canais de comunicação para despertar o interesse das empresas: Estados Unidos, através da criação de um programa de adoção voluntária com parceria governo / empresas, Dinamarca, através de parcerias entre governo e empresas para a criação de programas de capacitação de engenheiros e projetistas, Japão, através de um programa de incentivo econômico, a Compra Verde, onde foram estabelecidos padrões para minimização dos impactos ambientais de materiais, mobiliário e equipamentos a serem fornecidos aos órgãos do governo.

73 73 A. ESTADOS UNIDOS No início da década de 90, a Agência de Proteção Ambiental Americana, United States Environmental Protection Agency USEPA, passou a reconhecer a importância de se desenvolver programas com enfoque em tecnologias limpas e seguras em parceria com as indústrias, no projeto de produtos, processos e tecnologias ambientalmente corretas e competitivas. A USEPA procurou fomentar a inserção de considerações de saúde, segurança e meio ambiente no nascedouro das idéias, nos novos projetos, operações e processos, um conceito também conhecido como Química Verde, promovendo a pesquisa, desenvolvimento e implementação de tecnologias químicas inovadoras que prevenissem impactos sob um ponto de vista científico e viável economicamente. (USEPA, 2001). Em 1991, A USEPA criou o programa Design for Environment (DfE). O programa foi criado em caráter voluntário com o objetivo de fomentar o projeto e o uso de processos mais limpos e seguros. Os princípios do DfE incluíam: A redução do risco através da prevenção da poluição, Dar poder às indústrias de articular e definir metas ambientais, Integrar objetivos econômicos e desempenho ambiental no redesign dos sistemas de gerenciamento e de processos produtivos, Criar uma nova parceria entre governo e setor privado. Dentro destes princípios pode-se perceber a intenção da USEPA em fomentar a idéia de que preservar dá dinheiro, trazendo para o programa o enfoque econômico, tornando-o mais atrativo para os dirigentes de empresas.

74 74 Também se verifica que a USEPA procurou tornar a implantação mais fácil adotando correlações com outros programas e entidades. Por exemplo: Articulação com o Programa de Gerenciamento de Riscos da OSHA (Occupational Safety and Health Administration), o PSM (Process Safety Management), Coordenação das ações com os setores industriais, governos e grupos acadêmicos que suportam a prevenção da poluição. Isto aumenta a participação e o comprometimento com os diversos setores da sociedade. Identificação de incentivos que encorajem investimentos na prevenção da poluição. Novamente o enfoque econômico, fomentando junto aos órgãos de desenvolvimento do governo e setor privado a iniciativa de pensar em melhorias ambientais como um negócio lucrativo. Criação de produtos de informação de fácil uso, como cases, artigos, sites na internet, etc. A criação de material técnico e institucional de propaganda, além de fácil acesso às informações facilitam o contato com o programa. Facultando às empresas a implementarem o programa segundo suas peculiaridades. O Programa DfE da USEPA promove uma sistematização do processo de implementação, incluindo: Identificação de um leque de tecnologias, produtos e processos que podem ser usados para desenvolver uma função particular com a indústria e as oportunidades de prevenção da poluição correlatas. Avaliar e comparar riscos, desempenho, e alternativas econômicas, Disseminar informações relevantes na comunidade industrial,

75 75 Promover a melhoria contínua. Mesmo estando em implantação desde 1992, pode-se perceber que ainda há um caminho razoável a ser percorrido no que se refere ao uso desta iniciativa de forma ampla. Discutindo-se esta abrangência com engenheiros e técnicos da área de saúde, segurança e meio ambiente, durante o Seminário Internacional sobre Gerenciamento de Riscos verificou-se que a aplicação destes princípios ainda tende a estar mais concentrada nas avaliações realizadas pelos técnicos da área ambiental, inclusive em corporações americanas. O conceito ainda não se encontra claramente adotado através de procedimentos ou guidelines, nem está disseminado ao nível dos engenheiros de segurança, de projetos e de processos (Araújo, 2002). B. DINAMARCA Em 1996 a Agência de Proteção Ambiental Dinamarquesa, juntamente com a Confederação das Indústrias Dinamarquesas, o Instituto para o Desenvolvimento de Produtos e cinco grandes companhias desenvolveram um programa para a criação de metodologias e ferramentas para o projeto de produtos ambientalmente mais amigáveis. Estas ferramentas foram criadas com o objetivo de auxiliar os projetistas a desenvolverem avaliações comparativas de produtos. Estas ferramentas foram denominadas EDIP - Environmental Development of Industrial Products (Desenvolvimento Ambiental de Produtos Industriais). Em 1998, visando disseminar a inserção das considerações ambientais no projeto de novos produtos, vários seminários foram promovidos pela Agência de Proteção Ambiental Dinamarquesa, onde projetistas tiveram a oportunidade de conhecer e discutir métodos e tecnologias disponíveis, tais como: Aspectos ambientais no desenvolvimento de produtos, Condições para a proteção ambiental na indústria,

76 76 Uso da Análise do Ciclo de Vida, Análise de impactos ambientais. Apesar de não se evidenciar a adoção de um amplo programa de Design for Environment, em todos as fases do ciclo de vida do processo produtivo, a estratégia adotada pela Danish EPA para fomentar o projeto de produtos ambientalmente menos impactantes é muito relevante, pois tem o foco na transferência de conhecimentos diretamente para os projetistas. Esta estratégia vem exemplificar uma forma de disseminação da iniciativa diretamente para o nível dos executantes, requisito já citado anteriormente como um dos fatores para o sucesso da implementação dos conceitos de prevenção dos perigos ambientais, ocupacionais e do emprego de tecnologias mais limpas na indústria. C. JAPÃO Uma outra forma prática de fomentar a implementação do DfE é através de incentivos econômicos. Este tipo de estratégia, já foi citado anteriormente ao comentar-se a Figura 5 no que se referia a instrumentos reguladores em direção ao desenvolvimento sustentável, iniciando pela Legislação de Comando e Controle evoluindo-se para acordos reguladores e incentivos econômicos. Este tipo de prática pode ser exemplificada através da política básica para a compra verde adotada pelo governo japonês. O Japão possui uma população bastante numerosa com uma estrutura de espaço restrita e extremamente consumidora de bens duráveis, como os equipamentos eletro-eletrônicos, o que representa um problema na geração de resíduos sólidos e um desafio no projeto de produtos ambientalmente menos impactantes. A política para a compra verde define que os órgãos governamentais devem adquirir produtos com baixo impacto ambiental. Para tanto, são definidos padrões para diversos produtos (Government of Japan, 2001).

77 77 A seguir, pode-se ver um exemplo de padrões mínimos de projetos que devem ser observados pelos órgãos governamentais para adquirirem seus produtos: TABELA 3: Padrões de Projetos de Produtos (Government of Japan, 2001) Na Tabela 3 estão apresentados os requisitos mínimos de projeto para peças de mobiliário: cadeiras, mesas, prateleiras, etc. Ao apresentar estes requisitos mínimos para fornecimento de bens duráveis para suas instalações, o governo japonês impulsiona o mercado nos seguintes pontos principais: Reestruturação dos processos produtivos das empresas que se propõe a fornecer para o governo. Uma vez que estes processos foram alterados ou novos processos foram construídos para produzir produtos menos impactantes, um novo perfil de produtos passará a ser ofertado no mercado, Desperta uma mudança no perfil de consumidores de bens duráveis, alertando para o problema da disposição final destes produtos,

78 78 Sinaliza uma nova forma de tratar o problema da geração de resíduos, através da redução dos impactos na fonte CONCLUSÃO Neste capítulo, procurou-se ressaltar que o bom entendimento do processo de projetar é fundamental na implementação do DfE, pois as oportunidades de inserção tornam-se mais claras. Discutiu-se ainda que dentre as várias fases do projeto, é na etapa de pesquisa que as oportunidades de inserção do DfE tornam-se mais relevantes, com ênfase nos aspectos de prevenção, ou seja, no emprego de tecnologias, processos e práticas mais limpas, onde a escolha de uma tecnologia ou processo deve ser conduzida utilizando-se metodologias adequadas para análise de alternativas aumentando as chances de viabilizar projetos ambientais com um bom retorno financeiro. Para finalizar, foram apresentados alguns exemplos de implementação do DfE na indústria americana e australiana, bem como algumas ações de fomento do tema adotadas pelos Estados Unidos através da criação de um programa de adoção voluntária com parceria governo / empresas; Dinamarca, através de parcerias entre o governo e empresas para a criação de programas de capacitação de engenheiros e projetistas; e Japão através de um programa de incentivo econômico, a Compra Verde. Tendo-se concluído o entendimento do DfE no processo de projetar e vislumbrando-se os ganhos potenciais com a sua aplicação, o próximo passo será então, iniciar as discussões sobre estratégias de implementação. O próximo capítulo inicia esta abordagem focando a discussão em uma implementação integrada do DfE a um sistema de gestão, considerando que esta é a estratégia proposta nesta dissertação para inserção do DfE na Monsanto Nordeste S/A.

79 79 4. DESIGN FOR ENVIRONMENT (DfE) E SISTEMAS DE GESTÃO 4.1. INTRODUÇÃO No capítulo anterior apresentou-se o DfE no processo de projetar, e alguns casos de aplicação com ganhos ambientais e financeiros que evidenciam a potencialidade da iniciativa. Vislumbrando-se estes benefícios e considerando-se que uma implementação inadequada pode reprimir estes ganhos, neste capítulo, será apresentada uma estratégia de implementação do DfE integrada a um sistema de gestão ambiental. Este tipo de abordagem integrada tem como vantagens principais, a integração com uma iniciativa que já faz parte da gestão do negócio como também a sua potencialização, considerando-se que serão contempladas as vantagens das iniciativas individuais. O objetivo deste capítulo é abordar a integração numa empresa dos princípios do DfE com um sistema de gestão ambiental pré-existente, considerando-se que será esta a rota proposta para inserir o DfE na Monsanto Nordeste S/A. Para exemplificar este tipo de estratégia, apresenta-se a experiência prática da USEPA, através do seu Sistema de Gestão Ambiental Integrado (IEMS) SISTEMAS DE GESTÃO Visão Geral Um sistema de gestão ambiental tem o objetivo de prover uma estrutura de gerenciamento direcionando as empresas na integração das questões ambientais ao conjunto de atividades do negócio, visando a melhoria do seu desempenho ambiental. Um exemplo de sistema de gestão ambiental é o proposto pela norma ISO , desenvolvido pela organização internacional de normas, ISO

80 80 International Standards Organization que, em linhas gerais, possui os seguintes requisitos: Desenvolvimento de uma política ambiental que exponha o compromisso da empresa em relação ao desempenho ambiental, Elaboração de um planejamento das ações através do estabelecimento dos objetivos e metas considerando os seus impactos ambientais e o atendimento à legislação, Organização e estruturação das atividades operacionais. Recomendando-se uma estrutura de responsabilidades, programa de treinamento, elaboração de procedimentos e controle de documentos, controle operacional, preparação e atendimento a emergências e comunicação, Verificação e ação corretiva contemplando o monitoramento e medição, a definição do tratamento das não conformidades, ações corretivas e preventivas, registros necessários para evidenciar o atendimento aos requisitos e o estabelecimento de um programa de auditorias, Análise crítica. Estruturas simulares são propostas por outros sistemas de gestão como, por exemplo: BS Sistema de Gestão de Saúde Ocupacional e Segurança: Occupational Health and Safety Management Systems. OHSAS Série de Avaliação de Segurança e Saúde no Trabalho: Occupational Health and Safety Management Systems. NBR ISO 9.001:2.000 Sistemas da Qualidade: Modelo para Garantia da Qualidade em Desenvolvimento, Produção, Instalação e Serviços Associados.

81 81 Em busca de aumentar competitividade no mercado, verifica-se uma demanda crescente das empresas pela obtenção de certificações nestes sistemas. Segundo a QSP - Centro da Qualidade, Segurança e Produtividade para o Brasil e América Latina (2003), até setembro de 2003 a quantidade de empresas certificadas, no Brasil eram: ISO (Sistema de Gestão da Qualidade): empresas ISO (Sistema de Gestão Ambiental): 632 empresas OSHAS / BS (Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança): 107 empresas Conforme citado no Capítulo 1, os sistemas de gestão, mesmo contribuindo para a melhoria do desempenho ambiental das empresas, não são suficientes para direcioná-las no sentido da eliminação dos perigos, da poluição e do resíduo zero. Segundo Furtado (2001b, p.1) A certificação não qualifica a empresa para a PL ou P+L, mas a adoção das duas últimas dará substancial aumento no perfil de excelência, do ponto de vista da responsabilidade ambiental e em relação à concorrência, se complementada pela obtenção da ISO Um Programa de DfE fornece as ferramentas e orientações mais específicas para se buscar a excelência ambiental através da prevenção da poluição. Adicionalmente, o DfE encoraja as empresas a considerarem as questões ambientais e de saúde e segurança no nascedouro dos projetos focando no uso de tecnologias mais limpas. Por que, então, não integrar estas iniciativas e assegurar um melhor desempenho ambiental? Na verdade, o que se busca aqui é a utilização de um sistema de gestão mais robusto e voltado para a prevenção dos perigos e da poluição, bem

82 82 como integrado com as demais iniciativas das empresas como os sistemas de gerenciamento de saúde, segurança e qualidade. Um sistema de gestão deve ter esta abrangência sob pena de perder prematuramente sua eficácia. A necessidade desta abrangência é vista por Vianna apud Souza e Andrade (1996, p.165), o gerenciamento ambiental pode ser definido como a integração dos sistemas organizacionais e programas a fim de permitir: o controle e a redução dos impactos no meio ambiente devido a operações e produtos; cumprimento das leis e normas ambientais, desenvolvimento e uso de tecnologias apropriadas para minimizar ou eliminar resíduos industriais; monitoramento e avaliação dos processos e parâmetros ambientais, eliminação ou redução dos riscos ao meio ambiente; utilização de tecnologias limpas com o objetivo de minimizar os gastos de energia e de materiais; melhoria do relacionamento com a comunidade e o governo; antecipação de questões ambientais que possam causar problemas ao meio ambiente, particularmente à saúde humana Integração A implementação dissociada dos sistemas de gestão de saúde, segurança, meio ambiente e da qualidade geram problemas de aceitação pelo público interno das organizações, que recebe vários pacotes sem a preocupação de serem coerentes entre si, representando, na prática, várias peças de um quebra-cabeças. A integração entre as iniciativas ambientais, de saúde, segurança e qualidade parece ser o caminho mais coerente para a obtenção de melhores resultados nos aspectos de gerenciamento. A implementação de um sistema de gestão integrada, potencializado pela inserção do DfE, torna-o mais orientado para o resultado enfatizando a prevenção da poluição, eliminação e redução do risco para as pessoas e

83 83 para o meio ambiente, gerenciamento inteligente dos recursos e mais competitividade econômica. Considerando a base de um Sistema de Gestão Ambiental proposto pela ISO já implementado por uma série de empresas nos Estados Unidos, e os princípios do DfE foi possível para a USEPA propor um sistema integrado denominado IEMS (Integrated Environmental Management System). A experiência da USEPA está aqui apresentada, em função do seu grau de estruturação e por já estar sendo largamente aplicada. A USEPA (2002), recomenda a implementação de um IEMS através dos seguintes passos principais: QUADRO 4: Passos principais para implementação de um IEMS. (USEPA, 2000)

84 84 O quadro apresenta os passos gerais para implementação do IEMS pela USEPA. Para facilitar o entendimento dos passos propostos, adicionou-se a primeira coluna agrupando-os segundo a abordagem do ciclo PDCA Plan (planejar) Do (fazer) Check (verificar) Act (Corrigir e melhorar). A USEPA através de dois documentos-base propõe o processo de implementação: Guia de Implementação Sistema de Gestão Ambiental Integrado (Integrated Environmental Management Systems - Implementation Guide), que apresenta os detalhes da estratégia de implementação do IEMS. (USEPA, 2000). Sistema de Gestão Ambiental Incorporando o DfE na sua Política Ambiental Proposta (Environmental Management Systems - Incorporating DfE Into Your Environmental Policy DRAFT). USEPA (1999a) O IEMS, devido a sua integração com o DfE, diferencia-se dos sistemas de gestão tradicionais, particularmente, nos passos: 5, 7 e 10 do Quadro 2, conforme detalhado a seguir: a) Passo 5 do IEMS, onde deve-se escolher indicadores de desempenho que reflitam o esforço empregado, principalmente em ações de prevenção. Este assunto será abordado com mais detalhes no Item b) Passo 7 do IEMS. No passo de execução, o DfE deve contribuir dando um caráter mais objetivo no uso de práticas, processos e tecnologias mais limpas. Para isso, deve-se utilizar ferramentas que suportem estas ações. A USEPA (2000) ressalta, no seu guia de implementação, o uso de alguns princípios e ferramentas, tais como: Identificar e comparar alternativas tecnológicas e avaliar os seus impactos externos ao negócio (sociais, regulatórios, etc.),

85 85 Usar técnicas de análises de alternativas em novos projetos. Os itens 3.5 e 3.6 desta dissertação abordam este tema. Usar os princípios hierárquicos da prevenção da poluição para avaliar e enfocar tratamentos de questões ambientais. A figura a seguir é apresentada no guia de implementação da USEPA, realçando a prioridade das ações de redução na fonte: Redução na Fonte Substitutos Mudança no processo Gerenciamento das práticas de trabalho Reuso / Reciclagem Controle Tecnológico Disposição FIGURA 13: Princípios Hierárquicos da Prevenção da Poluição. (USEPA, 2000) Este mesmo enfoque é apresentado por La Greca, Buckingham e Evans (1994) estando apresentado no Item 2.2.1, Figura 1.

86 86 Integrar as considerações ambientais nas decisões diárias incluindo desempenho e custos de forma a prover uma solução competitiva, Trabalhar em parceria com as partes interessadas e com a participação dos empregados na avaliação e escolha de alternativas, encorajando uma comunicação aberta. Promover a melhoria contínua do processo de avaliação de alternativas, buscando soluções inovadoras e promovendo a capacitação de seus técnicos. c) Passo 10 do IEMS, onde o processo de melhoria contínua deve ser claramente identificado pela verificação do resultados atingidos através das metas e indicadores, procurando-se correlacionar com os benefícios econômicos obtidos. Este passo diferencia-se dos sistemas de gestão tradicionais pois há um compromisso mais objetivo com os princípios da prevenção, tais como: evitar geração de resíduos, exploração sustentável das fontes de matérias-primas e recursos naturais e o uso de indicadores que representem estas melhorias. (Furtado, 2001b) CONCLUSÃO Neste capítulo discutiu-se sobre a integração do DfE com um sistema de gestão ambiental, destacando-se as diferenças para um sistema de gestão convencional. O que se espera como resultado desta integração é um sistema de gestão mais robusto e tendo a sua melhoria contínua mais orientada para o resultado. Ressaltaram-se os passos de: Definição de indicadores de desempenho com ênfase em prevenção,

87 87 Execução dos projetos e das rotinas operacionais orientadas para o emprego de tecnologias, processos e práticas mais limpas, Com o objetivo de apresentar uma experiência prática, utilizou-se o IEMS Sistema de Gestão Integrada da USEPA, para demonstrar o perfil dos passos da integração. No próximo capítulo apresenta-se a Monsanto Nordeste S/A, o processo produtivo e seu Sistema de Gestão Integrada visando a identificação de oportunidades de aplicação dos princípios da produção mais limpa e do DfE.

88 88 5. MONSANTO NORDESTE: PROCESSO, RESULTADOS E SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADA 5.1. INTRODUÇÃO O objetivo deste capítulo é apresentar de forma geral a Monsanto Nordeste S/A visando contextualizar o ambiente onde se deseja implementar o DfE, o Sistema de Gestão Integrada, bem como o enfoque dado pela empresa às questões de prevenção de perigos e da poluição A FÁBRICA A Monsanto Nordeste S/A é subsidiária da Monsanto do Brasil Ltda. É o maior complexo industrial da Monsanto no Brasil e o primeiro a produzir, fora dos Estados Unidos, a matéria-prima básica (Ácido Fosfonometil Imino DiAcético) do herbicida RoundUp, produto comercializado em mais de 100 países e líder no mercado. Com essa fábrica o Brasil não só deixa de importar matérias primas como também passa a exportar, principalmente para a Argentina. Concebida em 1998, iniciou suas operações em outubro de As matérias-primas e insumos são fornecidos como se segue: Fósforo: Produto importado, vem em isotanques. Os fornecedores são a própria Monsanto e a Thermophos. Cloro: Fornecido através de tubovia (cloro gás). O fornecedor é a Braskem Vinílicos Cloro/Soda Bahia. Soda Cáustica: Fornecida através de tubovia. O fornecedor é a Braskem Vinílicos Cloro/Soda Bahia. Formaldeído: Fornecido através de tubovia. O fornecedor é a Copenor. Dietanolamina: Produto importado. Recebido e estocado na Brasterminais e na Monsanto. Transportado do terminal à Monsanto através de carretas-tanque.

89 89 Catalisador: Produto recebido em tambores de 200 litros. Fornecido pela Degussa. Utilidades: Fornecidas em tubovias pela Braskem Unidade de Insumos Básicos. A fábrica está instalada em um terreno de 631 mil metros quadrados no Pólo Petroquímico de Camaçari, tendo três unidades de produção de insumos químicos para a produção do Herbicida RoundUp : PCl 3 Tricloreto de Fósforo DSIDA Ácido DiSódico Imino DiAcético PIA Ácido Fosfonometil Imino DiAcético P4 - Fósforo Cl2 - Cloro Unidade Unidade PCl3 PCl3 PCL3 - Tricloreto de Fósforo CH2O - Formaldeido NaOH - Soda Caústica Unidade PIA PIA Unidade CT Glifosato Unidade A&F DEA - Dietanolamina Catalisador Unidade Unidade DSIDA DSIDA DSIDA Planta de Camaçari Unidades de São José dos Campos-S.P. e Zarate - Argentina FIGURA 14: Unidades de Produção da Monsanto Nordeste e seus clientes. Os fluxogramas das unidades individuais estão ilustrados nas figuras a seguir. Ao longo da realização deste trabalho foram identificadas oportunidades de produção mais limpa e serão apresentadas nos itens das descrições dos processos das unidades de processos.

90 Unidade de Produção do Tricloreto de Fósforo (PCl 3 ) CLORO GÁS Emissão gasosa CONDENSAÇÃO E PURIFICAÇÃO LAVADOR CETREL REATOR ESTOCAGEM DE PRODUTO PCL 3 Emissão gasosa LAVADOR DESCARGA / ESTOCAGEM DE FÓSFORO Efluente Líquido TANQUE DE RESÍDUOS CETREL FIGURA 15: Unidade do PCl 3. O tricloreto de fósforo é produzido através da reação, em um processo contínuo, entre fósforo elementar e cloro gás em presença de um leito de PCl 3. Durante a fase de projeto desta unidade, optou-se pela compra de cloro gás ao invés de cloro líquido e não instalação de vasos de estocagem, atuando-se na prevenção e reduzindo-se os perigos na fonte, conforme os princípios do DfE. Para exemplificar, nas condições em que o cloro gás é enviado na tubovia, a sua massa específica é de aproximadamente 13,4 Kg/m 3. Caso o cloro fosse enviado no estado líquido a sua massa específica seria de 1194 Kg/m 3, nas condições de processo. Portanto, em

91 91 caso de vazamentos na tubovia uma quantidade, aproximadamente, 90 vezes maior de cloro seria liberado se o transporte fosse feito no estado líquido. O PCl 3 produzido é vaporizado no reator, sendo posteriormente recuperado em um sistema de condensadores e enviado para os tanques de estocagem. O produto, nos tanques de estocagem, é mantido em atmosfera inerte de nitrogênio e bombeado para a unidade de produção de N-Fosfonometil Iminodiacético (PIA) de acordo com as necessidades de produção daquela unidade (ver Figura 17). Os gases provenientes do sistema de condensação-purificação são enviados para um sistema de lavagem de gases de processo e os efluentes líquidos desta operação, são enviados para o sistema de efluentes de processo e posteriormente para o tanque de equalização (Sistema Orgânico-SO) e Cetrel Central de Tratamento de Efluentes do Pólo Petroquímico de Camaçari. As emissões atmosféricas desta unidade, na saída do lavador de processos é composta, basicamente, de vapores de água e traços de HCl. A eficiência de remoção dos vapores de HCl produzidos é de 99,99%. O efluente líquido do lavador é gerado pela água de abatimento de gases, onde há uma adição de soda cáustica para otimizar o processo de remoção. A vazão desta corrente é de aproximadamente 600 Kg/h e enviada à Cetrel. Com periodicidade trimestral o reator é parado para limpeza, quando são removidos contaminantes que acompanham o fósforo. As linhas pontilhadas do fluxo ilustram este fluxo. O efluente líquido gerado é enviado ao tanque de resíduos, seguindo para a Cetrel. Dentro do enfoque de produção mais limpa, verifica-se uma oportunidade de atuação junto aos fornecedores de P 4 (fósforo), no sentido de aumentarem a pureza do mesmo, o que poderia propiciar a redução na

92 92 freqüência de paradas bem como eliminar ou reduzir a presença de arsênico no efluente orgânico Unidade de Produção do DSIDA Ácido DiSódico Imino DiAcético ESTOCAGEM DE DEA Emissão Gasosa TOCHA (FLARES) ESTOCAGEM DE SODA CÁUSTICA REATORES SISTEMA DE FILTRAÇÃO ESTOCAGEM DE PRODUTO DSIDA ESTOCAGEM DE CATALISADOR RECICLADO ESTOCAGEM DE CATALISADOR CATALISADOR P/ RECICLAGEM COLETOR DE ÁGUA DE LAVAGEM CETREL CETREL FIGURA 16: Unidade do DSIDA O DSIDA (disódioiminodiacético) é produzido em bateladas. A reação ocorre pela adição de hidróxido de sódio e dietanolamina na presença do catalisador CuPtC (cobre-platina suportado em carvão). Como se trata de uma reação endotérmica, adiciona-se vapor d água à jaqueta do reator de forma controlada. O produto vaporizado no reator, é condensado e retorna ao reator. Durante a fase reacional hidrogênio é produzido e queimado em tocha ou flare. Apesar de não se ter a composição real desta emissão, estima-se que, aproximadamente, 56 t/ano de hidrogênio são geradas e lançadas para queima, não sendo aproveitadas.

93 93 Após concluída a reação, água de refrigeração é adicionada à mesma jaqueta, de modo a obter-se o DSIDA a uma temperatura adequada para o processo de filtração subseqüente, separando o DSIDA do catalisador. Após lavagem com água de processo em sistema fechado, o catalisador em meio aquoso, é reutilizado como matéria-prima para o reator. Após alguns ciclos de reutilização, o catalisador é enviado ao fornecedor para reprocesso e recuperação da atividade. O produto filtrado (DSIDA) é resfriado e enviado para os tanques de estocagem de produto acabado. Considerando-se as emissões geradas nesta unidade, o hidrogênio formado durante a reação pode configurar alguma oportunidade para o desenvolvimento de estudos de alternativas eco-econômicas que viabilizem a sua utilização. Algumas possíveis alternativas a serem consideradas para esta corrente são: a. Utilização como terminador de cadeia em reações de polimerização na produção de resinas termoplásticas. Considerando-se o Pólo Petroquímico como base de clientes potenciais, estima-se uma necessidade atual de 30 t/ano 35 t/ano de hidrogênio com alto grau de pureza. O preço de venda do hidrogênio para este fim, varia entre R$ 1,73/Nm 3 (tubovias) a R$ 2,3/Nm 3 (cilindros). O ganho potencial com a venda deste hidrogênio, considerando-se 56 t/ano e fornecimento em tubovia é de R$ ,00/ano, o que poderia viabilizar a instalação de uma unidade de purificação e demais equipamentos intermediários que evitem interferências no processo reacional.

94 94 b. Utilização como gás de queima em células combustíveis para a produção de vapor. A Monsanto consome cerca de t/mês de vapor de 42 Kgf/cm 2 e t/mês de vapor de 15 Kgf/cm 2. O máximo ganho energético possível representaria, aproximadamente, 3,5% da energia mensal consumida, representado uma economia potencial máxima de R$ ,00/ano. Seriam necessários investimentos em equipamentos intermediários para captação da corrente e não interferir no processo reacional, bem como em equipamentos para geração de vapor. c. Utilização como gás de queima para o oxidador térmico do PIA. O que poderia representar uma economia potencial de R$ ,00/ano. Seriam necessários investimentos em equipamentos intermediários conforme citado no item anterior. Será necessário desenvolver-se uma avaliação técnico-financeira mais detalhada para determinar a atratividade destes projetos.

95 Unidade de Produção do PIA - Ácido Fosfonometil Imino DiAcético VENT DSIDA OXIDADOR TÉRMICO LAVADOR CETREL PCl3 HYDROLIZADORES REATORES CRISTALIZADORES SISTEMA DE CENTRIFUGAÇÃO SJC e ZARATE SODA SODA CÁUSTICA CAUSTICA VENT CETREL LAVADOR DESCARGA/ ESTOCAGEM DE FORMALIN CETREL FIGURA 17: Unidade do PIA O processo é composto pelas seguintes etapas: Hidrólise do Tricloreto de Fósforo (PCl 3 ) / Acidificação do DSIDA PCl 3 é hidrolisado a ácido fosforoso (H 3 PO 3 ) na presença de uma solução aquosa de DSIDA. Esta reação é exotérmica e os vapores gerados são resfriados em um condensador externo e retornados ao hidrolisador. Os incondensáveis, ricos em HCl (ácido clorídrico) são enviados para o sistema de recuperação onde 99,95% do HCl é abatido. Originalmente, o efluente (HCl) era enviado para os tanques de equalização onde juntamente com os outros efluentes líquidos da fábrica, era neutralizado com NaOH (hidróxido de sódio)e posteriormente enviado para Cetrel (Sistema Orgânico-SO). Um projeto para aproveitamento desta corrente foi desenvolvido e a Monsanto vem trabalhando em parceria com a Universidade Federal da

96 96 Bahia através da rede MHEN 8 no sentido de desenvolver uma utilização para a corrente ácida oriunda da área do PIA. Esta corrente tem um teor de HCl da ordem de 26%- 33%. O potencial de redução de efluente é da ordem de m 3 /ano com benefícios econômicos que podem atingir R$ 5,7M/ano. Reação de Fosfonometilação / Neutralização O ciclo do reator de fosfonometilação é iniciado com a carga de uma batelada do hidrolisador. Esta carga contém H 3 PO 3 (ácido fosforoso), IDA (imino diacético), NaCl (cloreto de sódio), HCl (ácido clorídrico) e H 2 O (água). Em seguida são adicionados o formaldeído (formalin) e o restante da solução de DSIDA requerida pelo processo. O formaldeído reage com o IDA e o H 3 PO 3 para formar o PIA (ácido fosfonometiliminodiacético). A reação é mantida a uma temperatura de 100 o C através de um controle de temperatura com vapor de baixa pressão circulando na jaqueta. O N-Fosfonometil Iminodiacético (PIA) gerado, precipita no reator gerando uma lama (slurry). Durante a reação, os vapores gerados são condensados e devolvidos ao reator. Os gases incondensáveis são enviados para o lavador de gases antes de serem enviados para o oxidador térmico. O Oxidador Térmico utilizando gás natural como combustível, incinera (~980 C) as correntes ricas em compostos orgânicos voláteis, geradas nos reatores. Em caso de detecção de qualquer problema em seu funcionamento, as correntes são automaticamente enviadas para o Scrubber de Processo (Lavador de Gases), sendo abatidas com soda cáustica em solução aquosa sendo o efluente aquoso direcionado para a Cetrel. 8 Rede baiana para a otimização ambiental e controle de processos, tendo como instituição líder a Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, tendo como tema central a o desenvolvimento de metodologias, métodos, aplicação industrial e capacitação de recursos humanos em tecnologias de redes simultâneas de transferência de massa e energia, visando uma maior eco-eficiência nos processos produtivos da indústria baiana.

97 97 Cristalização / Centrifugação A batelada do reator é descarregada por gravidade nos cristalizadores e resfriada a 50 o C. Para evitar a precipitação de NaCl é adicionada água ao sistema. Do cristalizador a lama é transferida para os tanques de alimentação das centrífugas. O N-Fosfonometil Iminodiacético (PIA) é separado do liquormãe e lavado com água numa centrífuga horizontal de velocidade variável. O efluente é enviado para os tanques de equalização e posteriormente enviados para CETREL (Sistema Orgânico-SO). Após a centrífuga o N-Fosfonometil Iminodiacético (PIA), é acondicionado em sacos plásticos de 23 toneladas dentro de contentores para envio a outras unidades industriais da Monsanto. Originalmente, os contentores transportavam 20 toneladas. Um trabalho de otimização foi feito propiciando o transporte de 23 toneladas, otimizando os custos com transporte e com incineração dos sacos plásticos. Ainda pode-se verificar oportunidades para otimização desta embalagem final, desde a não utilização ao seu reuso, reciclo Emissões atmosféricas TABELA 4: Estimativa de Emissões Atmosféricas. Valores obtidos em 2002.

98 98 Conforme já observado anteriormente há oportunidades atrativas de minimização / eliminação das emissões de hidrogênio através da reutilização da mesma. A Tabela 4 apresenta as principais emissões atmosféricas da unidade. As emissões de NO x provêm das reações de queima na tocha (flare) e no oxidador térmico. A estimativa de emissões do formaldeído foi obtida através de amostragens no lavador de gases de processo do PIA. A estimativa de emissões do HCl foi obtida através de amostragens nos lavadores de gases de processo do PIA e do PCl 3. A estimativa de emissões de CH 3 Cl foi obtida na saída do oxidador térmico. Avaliou-se a sua eficiência sendo encontrado 99,999999% para destruição do cloreto de metila. A estimativa de emissão de CO 2 foi realizada por balanço de massa com base no consumo anual de gás natural para queima na tocha (flare) e no oxidador térmico Efluentes Líquidos A rede de efluentes líquidos da unidade encontra-se representada na Figura 18.

99 99 Efluentes de Processo Diques nas Areas de Processo Bacia ou Tanque de Equalização e Emergência Contaminada Sistema Orgânico - CETREL Area de Processo - Indus. (pisos,canaletas e ruas) Telhados e coberturas nas areas de processo Bacia de Retenção (30 minutos de Chuvas) Após 30 minutos abrir para sistema não contaminado Sistema não-contaminado CETREL Sem contaminantes Torre de refrigeração (blowdown) Purgadores Area Administrativa incluíndo telhados Sem contaminantes Area de Tancagem (diques) e Area de Descarregamento Efluentes de sanitários e Cozinha Industrial Area não utilizada Contaminada Drenagem Natural FIGURA 18: Sistema de Coleta de Efluentes Líquidos: Orgânicos e Não Contaminados Os efluentes gerados são classificados em orgânicos (SO) e efluentes de águas não contaminadas (SN). Os valores médios de geração para 2002 encontram-se nas Tabelas 5 e 6: TABELA 5: Geração de Efluentes Orgânicos. Média em 2002 TABELA 6: Geração de Águas Não Contaminadas. Média em 2002

100 100 Os efluentes orgânicos (SO) são gerados a partir dos efluentes sanitários e cozinha industrial e das unidades de processo. Um tanque de coleta de efluentes em cada unidade produtiva recebe as correntes de purga do processo, águas de lavagem e chuva. Destes tanques os efluentes são direcionados aos tanques de equalização para controle de ph e posteriormente para o Sistema Orgânico (SO) da Cetrel. Aproximadamente, 95% do efluente orgânico é oriundo da unidade do PIA sendo que a corrente de HCl, atualmente em fase de estudos para desenvolvimento de mercado, representa aproximadamente 10% da vazão de efluente orgânico gerado, já se considerando a soda cáustica necessária à neutralização da mesma. Os tanques de equalização são operados em série e mantidos no nível de 25% do seu volume. Neste sistema, há controle cáustico e ácido em linha para ajuste do ph nos limites de 6 a 9. O sistema de águas não contaminadas (SN) é composto pelas purgas das torres de refrigeração e pelos efluentes oriundos das águas pluviais não contaminadas. As águas de chuvas oriundas dos telhados das áreas de produção e das áreas administrativas (telhados e áreas asfaltadas) são direcionadas para o sistema de coleta de águas pluviais da fábrica, e delas para o sistema de águas não contaminadas (SN) da Cetrel. Todo o material coletado nas áreas de contenção dos tanques de estocagem e nas áreas de descarregamento são retidas até a interrupção das chuvas e então amostradas e analisadas. Em caso de contaminação, o material será bombeado para os efluentes do Sistema Orgânico (SO). Caso contrário, será enviado para o Sistema de Águas Não Contaminadas (SN). A bacia de retenção de águas de chuva com capacidade de 7000m 3, foi dimensionada considerando uma recorrência (precipitação pluviométrica) de 25 anos, durante um evento de 30 minutos. Após os 30 minutos

101 101 iniciais, as águas são conduzidas para o Sistema de Águas Não Contaminadas (SN) da Cetrel. Após o desvio para o Sistema de Águas Não Contaminadas (SN), o material da bacia de retenção de águas pluviais será amostrado e analisado. Se os resultados forem considerados dentro dos limites, serão então bombeados para o SN. Se estiverem acima dos limites permitidos, o conteúdo será bombeado o Sistema Orgânico (SO). Observando-se a Tabela 6, pode-se verificar que existem oportunidades de utilização das águas pluviais, particularmente oriundas dos telhados das edificações e áreas administrativas, retidas na bacia de água de chuva, totalizando um volume anual de aproximadamente m 3, sem grandes investimentos, através do redirecionamento das mesmas para tanques de coleta, com utilização potencial em irrigação de jardins, reabastecimento da bacia de incêndio entre outros, em complementação / substituição a água potável oriunda de poço interno da unidade. Outras oportunidades para utilização das correntes de purga de torres de refrigeração e das águas pluviais oriundas dos diques de processos devem ser melhor investigadas Resíduos Sólidos TABELA 7: Geração de Resíduos Sólidos. Média 2002 A tabela anterior apresenta a geração média anual dos resíduos sólidos da unidade.

102 102 Os resíduos sólidos enviados para incineração são oriundos principalmente: das atividades de pintura tais como: trapos e resíduos de tintas e solventes contaminados; produtos químicos de laboratório; resíduos de EPI s contaminados com fósforo e sacos plásticos de embalagem de PIA contaminados com o produto. Os resíduos industriais são oriundos, principalmente, de EPI s inutilizados, resíduos de isolamentos, madeiras de pallets e embalagens de equipamentos, sacos plásticos de peças e equipamentos, juntas, gaxetas, entre outros. Os resíduos ordinários são oriundos principalmente das atividades administrativas e de refeitório. O óleo enviado para reciclagem é oriundo das atividades de lubrificação e as lâmpadas de mercúrio também são enviadas para uma empresa recicladora. Está em fase de implantação um programa de organização e limpeza com vistas à redução dos resíduos sólidos gerados bem como um programa de reciclagem dos resíduos ordinários e industriais. O primeiro passo para a implementação do programa foi a criação de um comitê e o levantamento detalhado dos resíduos gerados. Os passos seguintes focarão na busca de alternativas para eliminação / redução dos impactos, usando como referência o princípio hierárquico da prevenção da poluição citado por La Greca, Buckingham e Evans (1994) e ilustrado na Figura 1 desta dissertação SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADA DA MONSANTO NORDESTE S/A A Monsanto Nordeste S/A, possui um Sistema de Gestão Integrada (SGI) tendo como objetivo definir os meios, as inter-relações e organização necessária para que se desenvolva, de forma consistente, um sistema de gestão onde os aspectos de qualidade, meio ambiente, saúde e segurança sejam identificados, monitorados e melhorados.

103 103 O escopo normativo contempla as seguintes normas internacionais de referência: NBR ISO 9001:2000 Sistemas da Qualidade: Modelo para Garantia da Qualidade em Desenvolvimento, Produção, Instalação e Serviços Associados ; NBR ISO 14001: Sistema de Gestão Ambiental - Especificação e Diretrizes para Uso ; OHSAS Série de Avaliação de Segurança e Saúde no Trabalho: Occupational Health and Safety Management Systems. Além destas normas internacionais, foram utilizados as seguintes diretrizes corporativas e programas voluntários em andamento a nível mundial na Monsanto: Programa de Atuação Responsável (AR), junto à ABIQUIM - Associação Brasileira das Indústrias; Monsanto ESH (Environment, Safety and Health) Fundamental Requirements Requisitos Fundamentais de Saúde, Segurança e Meio ambiente da Monsanto, conjunto de diretrizes elaboradas pela equipe técnica corporativa da companhia, no intuito de representarem os requisitos mínimos exigidos para cumprimento por todas as unidades da corporação; Monsanto OM (Occupational Medicine) Fundamental Requirements Requisitos Fundamentais de Medicina Ocupacional da Monsanto, conjunto de diretrizes elaboradas pela área técnica corporativa de Medicina Ocupacional da companhia no intuito de representarem os requisitos mínimos exigidos para cumprimento; Process Documentation and Management of Changes Documentação de Processo e Gerenciamento de Mudanças, diretriz da Monsanto onde são apresentados os requisitos mínimos

104 104 para gerenciamento do acervo tecnológico incluindo ações de organização, gerenciamento de mudanças e guarda; QA - Quality Assurance Guideline Guia de Garantia da Qualidade da Monsanto onde são apresentados os requisitos para garantia da qualidade do produto; A Política Integrada de saúde, segurança, meio ambiente e qualidade da Monsanto Nordeste preconiza: Integrar a cadeia de produtos agrícolas de forma sustentável, gerenciando os processos de trabalho em atendimento aos requisitos de qualidade, meio ambiente, segurança e saúde, visando: Assegurar a base das operações buscando a excelência em custos, volumes e qualidade dos produtos; Assegurar a liberdade de operação através do cumprimento pleno das legislações, regulamentos aplicáveis, assim como prevenção, controle e remediação dos perigos/riscos e aspectos/impactos que resultem em danos às pessoas, ao meio ambiente e perdas materiais. Assegurar um crescimento sustentável através de investimentos e projetos que visam melhorar continuamente o desempenho do negócio. Manter um ambiente vencedor através do envolvimento, capacitação, diversidade e reconhecimento das pessoas. Os objetivos do Sistema de Gestão Integrada bem como o escopo do processo de gestão propriamente dito, encontram-se sumarizados no Manual do Sistema de Gestão Integrada e, de forma descendente imediata em 4 procedimentos, denominados procedimentos de sistema: Controle de Documentos e Registros e Identificação e Acesso aos Requisitos Legais e Outros Requisitos Comunicação com as Partes Interessadas

105 105 Auditorias Internas Gerenciamento de Riscos Mapeamento dos Processos Internos A ISO promove a adoção de uma abordagem de processo para o desenvolvimento, implementação e melhoria da eficácia do sistema de gestão da qualidade de uma organização. Uma atividade que usa recursos e que é gerenciada de forma a possibilitar transformação de entradas em saídas pode ser considerada um processo. Freqüentemente a saída de um processo é a entrada para o processo seguinte. Em uma organização, as áreas ou departamentos, podem ser considerados processos. Pode-se identificar algumas vantagens neste tipo de abordagem: Controle contínuo sobre a ligação entre os processos individuais dentro do sistema de processos, bem como sua combinação e interação. Entendimento das necessidades internas, Identificação de gargalos e retrabalho, Melhoria contínua de processos baseada em medições objetivas A Monsanto Nordeste S/A, possui 14 processos internos (áreas): Processo de Produção Processo de Planejamento e Controle da Produção (PCP) Processo de Logística Processo de Aquisição Processo de Almoxarifado Processo de Manutenção Processo de Engenharia Processo de Automação

106 106 Processo de Laboratório Processo de Tecnologia Processo de Tecnologia da Informação (TI) Processo de Recursos Humanos (RH) Processo de Controladoria Processo de Gestão da Qualidade, Meio Ambiente, Segurança e Saúde (QESH) Para o ano de 2003 a empresa definiu 9 indicadores estratégicos, vinculados à política, e 24 indicadores de processos que fazem parte do acompanhamento periódico do desempenho da unidade, através das análises críticas do SGI. Os resultados de 2003 indicaram que, aproximadamente, 79% das metas estabelecidas para estes indicadores foram atingidas. As metas não atingidas estarão sendo reavaliadas na próxima análise crítica do sistema. O Sistema de Gestão Integrada foi auditado pela BVQI - Bureau Veritas Quality International em Dezembro de 2003 e tendo sido recomendada a sua certificação. Nenhuma não conformidade foi encontrada. Em 2002 e 2003 também ocorreram auditorias de saúde, segurança e meio ambiente conduzidas pela área técnica corporativa da companhia buscando-se evidenciar o cumprimento aos requisitos fundamentais. Nenhuma não conformidade foi encontrada, e algumas sugestões de melhoria foram apresentadas pelo grupo usando como referência boas práticas realizadas em outras unidades da corporação. Apesar dos princípios do DfE relacionados ao uso preferencial de tecnologias e práticas mais limpas, fazerem parte das diretrizes da unidade expressas no Manual do SGI, as potencialidades de ganhos através do uso dos princípios desta iniciativa ainda não são de domínio e conhecimento pleno entre os técnicos e engenheiros. Os próximos itens

107 107 detalham este assunto e introduzem as oportunidades de integração do DfE ao SGI SITUAÇÃO ATUAL DO DFE, PRÁTICAS DE PREVENÇÃO, CONTROLE E REMEDIAÇÃO NA MONSANTO A documentação técnica de saúde, segurança e meio ambiente, seja ela corporativa ou da Unidade de Camaçari, refletem a aplicação dos princípios do DfE através de práticas de prevenção e planejamento das práticas de controle e remediação. No entanto, não apresentam uma diferenciação clara entre estes conceitos, nos termos citados no Item 2.2 desta dissertação. Deste modo, os ganhos com as ações de prevenção não são claramente visíveis, bem como os gastos adicionais com ações de inspeção e manutenção nas práticas de controle. Por exemplo, ao se instalar um equipamento de controle de poluição, haverá necessidade de intertratamentos, alarmes, detectores de gases, entre outros, havendo conseqüentemente, necessidade de planos de manutenção, inspeção, auditorias e sistemas para controle destes mesmos planos e suas pendências Programas Corporativos A área técnica corporativa de saúde, segurança e meio ambiente da Monsanto utiliza os princípios do DfE. Isto, porém, não está formalmente caracterizado como um programa específico da companhia a ser aplicado em todas as unidades industriais. No entanto, algumas destas diretrizes estão refletidas em programas corporativos. Estes programas visam a prevenção de futuros danos às pessoas, meio ambiente e às instalações e a conseqüente geração de passivos através de avaliações de antecipação em seus negócios. Estes programas principais são: Avaliação inicial dos riscos de negócios adquiridos: Avaliações antecipativas de terrenos, unidades produtivas, impactos sócio-culturais, entre outros, com vistas à identificação, avaliação e

108 108 documentação dos riscos envolvidos na aquisição de empreendimentos nos termos do Programa 10: Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente em Propriedades e Negócios em Aquisição - ESH Reviews of Divestitures or Acquisitions of Property and / or Business (2001). De uma forma geral este tipo de análise, dado a sua magnitude financeira, é coordenada pela área técnica corporativa da Monsanto, responsável pela geração de padrões de saúde, segurança e meio ambiente. Avaliação dos riscos de processo nos projetos de maior investimento: O processo produtivo proposto tem seu risco avaliado antes da partida da unidade e, a partir daí, segundo uma freqüência pré-estabelecida de acordo com as características dos produtos manipulados, nos termos do Programa 2: Segurança das Instalações - Facility Safety (2001). Para o projeto de novas unidades ou modificações nas instalações existentes são requeridas avaliações de segurança nos termos do procedimento corporativo No. 18: Avaliações para Prevenção de Perdas e Segurança em Projetos (Project Safety and Loss Prevention Review). Este documento aborda os aspectos relevantes a serem considerados nas diversas fases de um projeto, contemplando ações de prevenção, controle e remediação. É recomendado que cada planta desenvolva seu procedimento local visando atender suas necessidades específicas e que, no geral, reflita as diretrizes deste documento. White (1998), membro da equipe técnica corporativa ambiental, desenvolveu um formulário de verificação a ser utilizado em projetos de maior investimento financeiro (projetos de capital), para a consideração de aspectos ambientais. Este documento apresenta considerações a serem revisadas nas diversas fases de um projeto. Na fase de pesquisa, há a inclusão de considerações compatíveis com os princípios da produção mais limpa, tais como: substituição por materiais ambientalmente menos agressivos, desenvolvimento de processos que elevem os índices de produção,

109 109 inovações tecnológicas que reduzam a geração de efluentes, eficiência energética, entre outros. Avaliação Inicial dos Processadores Externos: Os processadores externos de resíduos e produtos intermediários são avaliados conforme o Programa 7 da Monsanto, Avaliação de Processadores Externos (Outside Processors Assessment), considerando a capacidade e responsabilidade dos processadores externos no tratamento dos resíduos da Monsanto. Avaliação Inicial das Distribuições: As diretrizes de saúde, segurança e meio ambiente para o gerenciamento adequado do transporte das matérias-primas e dos produtos da Monsanto bem como das empresas responsáveis pelo armazenamento externo temporário são cobertas pelo Programa 5: Distribuição Distribution (2001). O programa estabelece a realização de auditorias inicial e periódicas para avaliação CONCLUSÃO Apesar dos princípios do DfE relacionados ao uso preferencial de tecnologias e práticas mais limpas, caracterizadas dentre outras como ações preventivas, fazerem parte das diretrizes da unidade expressas no Manual do SGI e, mais especificamente, do Procedimento de Gerenciamento de Riscos, ainda não é clara para a comunidade interna a real diferença entre ações de prevenção e de controle. Isto pode ser evidenciado no enfoque dado dentro do SGI em ações de controle, tais como: planos de inspeção e manutenção, controle e atendimento a requisitos legais, planos de auditorias, controle operacional, sistemas de proteção, etc. As principais razões para isto decorrem de: A unidade só possuir dois anos de operação onde o foco desde a partida da planta em outubro de 2001, estava direcionado para o

110 110 controle visando o atendimento à legislação, particularmente aos condicionantes da licença de operação, A implantação do SGI ainda é muito recente, Esta abordagem diferenciada entre prevenção e controle, bem como seus benefícios, não são claramente explicitados na documentação de rotina, Esta abordagem ainda está sendo inserida na documentação operacional, Ainda haver a visão de que atender os padrões da legislação garante um bom desempenho. Para reverter-se este quadro propõe-se iniciar o processo de inserção do DfE nos termos propostos no Capítulo 6 desta dissertação. Pode-se perceber que existem várias oportunidades no processo produtivo, conforme identificado no Item 5.2, para introdução dos princípios de tecnologias e práticas mais limpas através do DfE. A estratégia para implementação destas iniciativas e outras similares também está contemplada no Capítulo 6.

111 ESTRATÉGIA PROPOSTA PARA IMPLEMENTAÇÃO DO DESIGN FOR ENVIRONMENT (DfE) NA MONSANTO NORDESTE S/A 6.1. INTRODUÇÃO O sucesso ou insucesso de um programa está relacionado, dentre alguns fatores, a real necessidade de sua implementação. Para tanto, devem ser identificados as perspectivas de ganho e os recursos necessários a esta implementação. Questões como visão de futuro e sobrevivência da empresa, competitividade nos mercados locais e internacionais, imagem da empresa, responsabilidade social e balanço financeiro (investimentos, gastos e ganhos) devem ser avaliados. A realização de um diagnóstico inicial é fundamental para se estabelecer os recursos e se avaliar a viabilidade de implementação, sob pena do programa não fazer parte da vontade e do negócio da empresa. A existência de outros programas e sistemas de gestão (ambiental saúde, segurança, entre outros) devem ser pensados buscando-se otimizar recursos e potencializar as iniciativas existentes. O objetivo deste capítulo é apresentar uma proposta de estratégia de implementação do DfE para a Monsanto Nordeste S/A REQUISITOS FUNDAMENTAIS PARA A IMPLEMENTAÇÃO A estratégia de implementação do DfE é o ponto crucial para o seu sucesso. As questões iniciais a serem consideradas são as demais iniciativas correlatas já implementadas, especialmente o SGI - Sistema de Gestão Integrada por já ter estabelecido uma estratégia de gestão das questões de saúde, segurança, meio ambiente e qualidade. A estratégia de implementação proposta para integrar o DfE ao SGI está baseada no ciclo PDCA - Plan (planejar) Do (fazer) Check (verificar) Act (Corrigir e melhorar), conforme figura a seguir:

112 112 Planejamento Entradas Processo Saídas Análise Crítica e Melhoria Materiais Requisitos do Mercado e Partes Interessadas Ação ou Realização do Produto Produto Final e Resíduos Execução ou Implementação Recursos Acompanhamento e Verificação FIGURA 19: Elementos Estratégicos para implementação do DfE A Figura 19 busca ilustrar a dinâmica dos processos produtivos onde o DfE será utilizado, através da ação ou realização do produto (centro da figura) e uma proposta de gestão do processo de implementação do DfE (borda da figura) utilizando os elementos tradicionais de gestão do SGI: planejamento, execução ou implementação, acompanhamento e verificação e análise crítica e melhoria. Os sub-itens seguintes apresentam maiores detalhes desta proposta Ação ou Realização do Produto ou Serviço A ação ou realização do produto ou serviço representa a dinâmica do processo produtivo, onde o DfE pode ser empregado. Os principais elementos deste processo são:

113 113 Entradas: Representadas, de forma global, pela introdução de materiais (matérias-primas, insumos, utilidades, etc.), os requisitos do mercado e partes interessadas. Aqui há um vasto campo de aplicação dos princípios do DfE. Por exemplo, no Item 3.3 citam-se oportunidades de ganhos no gerenciamento de materiais e de fornecedores, e no guia básico de implementação do DfE, apresentado no Anexo 1, também estão apresentadas questões específicas sobre compras, logística e manipulação de produtos segundo abordagens de controle e prevenção. Saídas: Representadas pelos produtos, serviços, e resíduos gerados. Da mesma forma que no item anterior o DfE tem aplicações na gestão de vendas, serviços e suporte, projeto do produto, logística final, entre outros. Recursos: Representados pelas necessidades que suportam as transformações, por exemplo, recursos humanos, financeiros, ambientais, entre outros. Aqui também há possibilidade de aplicação dos princípios do DfE. Investimentos em treinamento de pessoal, melhoria da qualidade de vida das comunidades e parcerias com entidades de pesquisa para o desenvolvimento de novas tecnologias, são alguns exemplos de ações de prevenção. No Item são propostos alguns indicadores que englobam estas questões Gestão do Processo de Implementação do DfE A proposta de gestão do processo de implementação do DfE pode ser representada, de forma seqüenciada pela figura a seguir:

114 114 Definir a necessidade Definição da Implementação Avaliar as oportunidades de ganho Planejamento da Implementação ( ) Realizar Diagnóstico Diagnóstico e Planejamento da Execução Definir Indicadores Definir Objetivos e Metas Avaliar Recursos Necessários Definir Responsável pela Coordenação Prover Treinamento e Sensibilização Execução ( ) Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio-Ambiente Selecão / Execução de Projetos (Seis Sigma) Avaliações de Novos Projetos / Mudanças Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio-Ambiente Análise Crítica e Melhoria ( ) Acompanhamento e Verificação Acompanhamento e Auditorias Análise Crítica Retroalimentação ( ) FIGURA 20: Passos Gerais da Proposta para Gestão do Processo de Implementação do DfE na Monsanto Nordeste Os sub-itens a seguir detalham o conteúdo da Figura Planejamento Propõem-se os seguintes passos para comporem o planejamento da implementação do DfE: Definição da Implementação do DfE pela Alta Direção A definição da implementação está relacionada com o entendimento dos ganhos potenciais e, conseqüente, comprometimento gerencial frente à alocação dos recursos necessários. Para tanto, recomenda-se:

115 115 a) Definir a Necessidade É fundamental que a diretoria e o nível gerencial da empresa entendam os ganhos potenciais com a inserção do DfE no Sistema de Gestão Integrada e no desenvolvimento de projetos em conjunto com o Programa Seis Sigma, para que apóiem a sua implementação tornando-o parte do planejamento do negócio e da cultura da unidade. É particularmente importante que sejam entendidos os conceitos de prevenção, controle e remediação, para que se tornem visíveis os ganhos com as ações de prevenção, bem como devem ser explicitados os gastos adicionais nas práticas de controle com ações de inspeção, auditorias e sistemas para controle destes mesmos planos e suas pendências, conforme explicitado nos itens 2.2 e 5.4. Recomenda-se que estes custos e suas reduções potenciais com o emprego do DfE, sejam levantadas para apresentação e discussão. Como forma de sensibilização, pode-se utilizar alguns casos de aplicação, tais como os citados no Item 3.7, os casos desenvolvidos pela USEPA (2001) e pelo RMIT (Environment Austrália, 2001). Sugere-se que a implementação do DfE seja sugerida como um fator potencializador para a melhoria contínua do SGI, podendo este assunto ser apresentado em reunião de análise crítica do SGI pelo nível gerencial. b) Avaliar as Oportunidades de Ganho A estimativa de potenciais ganhos financeiros e necessidade de recursos devem ser considerados. A definição destes processos potenciais é importante para que sejam identificados os focos de atuação. Estes ganhos potenciais devem ser comunicados aos envolvidos visando facilitar o processo de implementação.

116 Diagnóstico e Planejamento da Execução O diagnóstico e o planejamento estão relacionados a uma avaliação das lacunas existentes no Sistema de Gestão Integrada visando incorporar o DfE. Após identificação das lacunas deve-se estabelecer um plano de ação e sua inclusão nos objetivos e metas. As etapas deste passo são: a) Realizar um Diagnóstico Deve-se conduzir um diagnóstico inicial confrontando-se o Sistema de Gestão frente aos princípios do DfE. Questões como política, procedimentos, programas, comprometimento gerencial e envolvimento dos empregados devem ser avaliados. Uma referência de diagnóstico é apresentada pela USEPA (1999), no documento: Ferramenta de Diagnóstico Incorporando DfE ao seu Diagnóstico Proposta (Gap Analysis Tool - Incorporating DfE Into Your Gap Analysis DRAFT). Uma amostragem das questões abordadas neste documento está apresentada no quadro a seguir. Para esta amostragem, inseriu-se, como exemplo, o diagnóstico do SGI.

117 117 QUADRO 5: Diagnóstico da Monsanto NE SGI x DfE. Usando modelo da USEPA (1999) O Quadro 5 apresenta uma análise preliminar de alguns requisitos do DfE a serem inseridos no Sistema de Gestão Integrada, tomando-se como base o documento de diagnóstico da USEPA. Verifica-se que a maioria dos itens avaliados necessita de ajustes para completa adequação e devem ser discutidos para o estabelecimento de um plano de ações. Mesmo o documento da USEPA contemplando vários requisitos importantes na integração do DfE a um sistema de gestão, deve ser criticado pela equipe de implementação e complementado com base nas necessidades estabelecidas nos objetivos e metas. b) Definir Objetivos e Metas A integração do DfE com o Sistema de Gestão Integrada deve fazer parte dos objetivos e Metas da corporação. Estes objetivos e metas devem ser

118 118 distribuídos pelas áreas e pelos empregados envolvidos fazendo parte de suas avaliações de desempenho. Os objetivos e metas devem ser estabelecidos após a realização de um diagnóstico inicial e suas implicações no processo de implementação, bem como a definição do momento mais adequado para a inserção, considerando-se os objetivos da corporação e os recursos necessários. c) Definição dos Indicadores Conforme abordado nos itens e 2.6 um programa de gerenciamento sustentável deve possuir indicadores de desempenho, considerando-se uma abordagem ampla dos processos através dos estágios de desenvolvimento rumo à sustentabilidade (conformidade, produção mais limpa, eco-eficiência e empresariado responsável). Porém, é fundamental que estes indicadores sejam agrupados e classificados de acordo com seus focos em: prevenção, controle e remediação, de modo a evidenciar os esforços empregados em práticas e produção mais limpas, como também o balanceamento adequado de esforços nestas três abordagens. Como indicadores de prevenção sugere-se: Investimentos anuais em projetos de prevenção, Quantidade de modificações geradas no processo e nos serviços internos com objetivo de minimização de impactos ambientais e ocupacionais com abordagem de redução da fonte, substituição de produtos por outros de menor toxicidade, mudanças de procedimentos e práticas, reuso e reciclagem, Investimentos anuais em parcerias com entidades de pesquisa para o desenvolvimento e uso de tecnologias mais limpas, Investimentos com a melhoria da qualidade de vida da comunidade, Ganhos financeiros obtidos com os projetos integrados Seis Sigma / DfE,

119 119 Percentagem de homem-hora treinado em relação ao Homem-hora trabalhado, Relação entre oportunidades e incidentes (OI). Incidentes OI = 1000 Oportunidades de Melhoria + Incidentes Este indicador busca incentivar a identificação de oportunidades de ganhos e melhorias, preferencialmente, eliminando-se os perigos ou mesmo controlá-los, evitando-se a ocorrência de eventos indesejados (incidentes). Como indicadores de controle sugere-se: Indicadores de Eco-eficiência, conforme descrito no Item 2.5, Figura 5, para consumo de matérias-primas, energia elétrica, vapor, gás natural e água. Como indicadores de controle, devem ser calculados mensalmente, buscando-se manter os consumos conforme as metas estabelecidas. Estes indicadores podem ser considerados de prevenção, caso sejam utilizados para expressar mudanças nos processos. Com esta finalidade devem ser calculados em base anual, por exemplo. Indicador de eco-toxicidade. Sugere-se avaliar o indicador usado pela Rohm and Hass, citado no Item 2.6, Tabela 2. Como ponto de partida pode-se considerar os resíduos classe 1 e os produtos químicos com potencial de dano à saúde níveis 3 e 4, conforme critério estabelecido pela Associação Nacional de Proteção contra Incêndios (National Fire Protection Association) através de sua norma NFPA 704. Da mesma forma que os indicadores de ecoeficiência, podem ser utilizados como indicadores de prevenção. Os indicadores de remediação já em uso, sugere-se que sejam mantidos (Monsanto, 2003a): Taxa de freqüência de incidentes pessoais em relação ao total de homens-hora trabalhadas,

120 120 Violações legais, Vazamentos ou emissões em quantidades reportáveis. Para a identificação destas quantidades deve-se consultar o Manual de Registro de Emissões da Monsanto (Monsanto Release Reporting Manual Rev.: Sep. 15, 1998) Taxa de incidentes de logística relacionadas à embalagem, armazenagem e transporte em função da quantidade de viagens, Geração de resíduos Classe 1, Geração de efluentes. Com a proposta de integração do DfE ao SGI, sugere-se reavaliar os atuais indicadores de desempenho de modo a melhor refletir o desempenho da unidade em relação ao seu compromisso com os princípios da prevenção, dado que para 2003 contabilizou-se, aproximadamente, 12% com abordagem de prevenção, 64% de controle e 24% de remediação (Monsanto, 2003a). Além dos indicadores acima sugeridos, recomenda-se que o grupo de coordenação do SGI avalie o processo da qualidade sob uma ótica de prevenção, atuando com um enfoque de melhoria da produtividade dos processos das áreas apresentados no Item 5.3.1, definindo indicadores que saiam do tradicional foco de atuação do controle das operações do processo produtivo, produto final e gestão das ações corretivas e preventivas. d) Avaliar Recursos Necessários A viabilização da integração está diretamente relacionada ao equacionamento dos recursos existentes, sejam eles financeiros ou de pessoal. O estabelecimento destes recursos deve ser feito com o envolvimento de todas as áreas. Recomenda-se também uma consulta direta aos empregados envolvidos.

121 121 e) Definir Responsável pela Coordenação É necessário que haja uma equipe designada para administrar este processo de integração. Coordenando atividades tais como: treinamentos, acompanhamento da execução dos projetos e participação nas revisões de saúde, segurança e meio ambiente, visando treinar os diversos envolvidos nas ferramentas do DfE. Dentre os membros desta equipe recomenda-se a designação de um coordenador que deverá liderá-la e desenvolver um elo de comunicação com o corpo gerencial. Este coordenador deverá ser devidamente treinado para adquirir conhecimentos e capacitar-se sobre os princípios da prevenção e DfE nas questões de saúde, segurança e meio ambiente. Recomenda-se uma avaliação dos cursos de pós-graduação disponíveis no mercado e que o perfil deste coordenador seja previamente discutido e estabelecido pelo corpo gerencial. Recomenda-se que a base desta equipe seja a mesma base que coordena o SGI e que, adicionalmente, sejam incluídos: o coordenador dos projetos Seis Sigma, um representante da área de projetos e o líder de segurança de processos da unidade Execução A etapa de execução contempla desde a capacitação e fomento do tema à implementação de campo sob duas abordagens paralelas: inserção do DfE em novos projetos e modificações no processo original e em projetos Seis Sigma. As etapas propostas são: Prover Treinamento e Sensibilização Caberá ao coordenador programar os treinamentos necessários para todos os envolvidos. Os treinamentos de sensibilização são essenciais para os gerentes, supervisores e líderes em geral, para que estes possam coordenar a implantação em suas áreas. O conteúdo programático e a carga horária deste treinamento de sensibilização devem considerar o nível de envolvimento com o processo de implementação. No Anexo 2,

122 122 consta um quadro contendo uma proposta dos assuntos a serem abordados e carga horária em função do público alvo. A forma de capacitação dos empregados deve contemplar desde treinamentos formais a campanhas de sensibilização e informação Seleção de Projetos (Seis Sigma) / Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Environment (DfE) Para promover e fomentar a implementação do DfE, deve-se selecionar alguns projetos com bom potencial de ganhos ambientais e financeiros e aplicar as técnicas de DfE. Sugere-se buscar com estes projetos os ganhos obtidos pelo emprego de uma abordagem de prevenção, utilizando-se o enfoque metodológico dos projetos Seis Sigma. Breyfogle (1999), propõe a seguinte seqüência de passos para a implementação de um projeto Seis Sigma: Criar um processo de avaliação de projetos candidatos, Desta lista de projetos candidatos estimar as oportunidades de ganhos financeiros, Escolher um projeto de porte suficiente que tenha importância para o negócio da empresa, Caso um projeto, após ser iniciado, torne-se grande ou pequeno demais, deve-se procurar refazer o escopo do mesmo, Deve-se formar uma equipe de trabalho, coordenada por alguém com domínio em técnicas estatísticas, Deve-se escolher coordenadores que tenham responsabilidade sobre o processo em questão, facilitando a evolução dos trabalhos, A equipe deve revisar periodicamente o projeto e seu plano de trabalho,

123 123 Após conclusão dos trabalhos todo o material gerado deve ser adequadamente documentado. Um exemplo prático de utilização do Seis Sigma integrado a estudos de melhoria de eco-eficiência, é o caso da Noranda Aluminum que criou um grupo de trabalho para atendimento ao Protocolo de Kyoto, visando identificar oportunidades de melhorias tecnológicas e de redução do consumo de energia em conjunto com a USEPA (Five Winds International, 2000). As ferramentas técnicas recomendadas como referência são: O Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Environment (DfE) proposto no Item 6.3, As técnicas estatísticas dos projetos Seis Sigma. Breyfogle (1999), Metodologias e ferramentas para Análise de Alternativas, conforme descrito no Item 3.5 desta dissertação. Estes projetos devem ser bem divulgados para o público interno e para as partes interessadas Avaliações de Novos Projetos e Mudanças / Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Environment (DfE) Conforme estabelecido em documentação corporativa da companhia, nos termos do procedimento corporativo No. 18: Avaliações para Prevenção de Perdas e Segurança em Projetos (Project Safety and Loss Prevention Review), cabe às unidades desenvolverem seus procedimentos locais para avaliações de seus projetos e modificações. Na unidade de Camaçari este requisito foi atendido através do procedimento QESH-IT : Gerenciamento de Mudanças MOC.

124 124 Conforme já citado no Item 5.4, os documentos técnicos atuais apesar de considerarem algumas ações de prevenção e ações de controle e remediação, não apresentam uma diferenciação clara destes conceitos, não sendo evidentes, para engenheiros e projetistas, os benefícios das práticas de prevenção e os custos associados às práticas de controle. Com o objetivo de preencher esta lacuna, desenvolveu-se o guia básico de avaliações (Anexo 1), a ser utilizado como referência por engenheiros e projetistas, em projetos de novas unidades ou armazéns de produtos químicos e novas instalações prediais, modificações dos processos que manipulem materiais perigosos classificados como HHM (High Hazards Materials) conforme definido no Procedimento de Gerenciamento de Mudanças da Monsanto Nordeste S/A ou modificações que impliquem em mudanças significativas nas classificações dos riscos atuais, ou seja, que recaiam na região de severidade crítica ou catastrófica, conforme estabelecido na matriz de riscos do Procedimento de Análise de Risco Integrada do SGI (Apêndice 1). No Item 6.3 pode-se obter informações sobre sua utilização Acompanhamento e Verificação do Desempenho Acompanhamento e Auditorias Cabe ao coordenador da implementação elaborar o acompanhamento dos trabalhos. Sugere-se que seja elaborado um relatório mensal com a tendência dos indicadores sugeridos no Item c., o andamento dos projetos DfE e uma visão geral das revisões de saúde, segurança e meio ambiente realizadas. É importante a divulgação do relatório em todos os níveis da empresa. Para garantir a integração, itens relacionados a DfE devem ser inseridos no Plano de Auditorias do SGI. Os auditores devem ser treinados nos

125 125 princípios do DfE. Recomenda-se que recebam o mesmo treinamento proposto para engenheiros e gerentes conforme proposto no Anexo Análise Crítica O ciclo de análise crítica do SGI deve inserir o processo de integração com o DfE. Como itens desta análise sugere-se avaliar o plano de implementação frente aos prazos estabelecidos. Para a etapa de execução, após o estabelecimento dos novos indicadores, o desempenho do sistema de gestão integrada da unidade deve ser avaliado. Recomenda-se evidenciar os ganhos obtidos com a integração SGI e DfE GUIA BÁSICO DE AVALIAÇÕES DE SAÚDE, SEGURANÇA E MEIO AMBIENTE COM FOCO EM DESIGN FOR ENVIRONMENT (DFE) O guia básico (Anexo 1) é um documento destinado a auxiliar engenheiros e projetistas nas avaliações de saúde, segurança e meio ambiente de seus projetos e como conseqüência permear conhecimento sobre os princípios de prevenção para os responsáveis pela operação, refletindo-se em boas práticas operacionais. Estão disponíveis neste guia: Um fluxo de ações a serem consideradas durante as avaliações de saúde, segurança e meio ambiente nas diversas fases de um projeto, Uma sistemática de avaliação comparativa do grau de ações ligadas a controle & remediação frente às ações de prevenção. Para tanto, foram propostos: o Um conjunto de formulários de avaliações contendo, aproximadamente, 300 itens a serem verificados,

126 126 o Uma sistemática de mensuração do perfil de atendimento aos requisitos de controle / remediação e prevenção, bem como sua representação gráfica Referências Para a elaboração deste guia básico usou-se como referências: O procedimento corporativo No. 18: Avaliações para Prevenção de Perdas e Segurança em Projetos (Project Safety and Loss Prevention Review) e suas referências. Este documento apresenta, de forma detalhada, os aspectos tais como: eliminação / redução dos perigos através da escolha de tecnologias menos impactantes, substituição de produtos químicos, avaliação de erros humanos, análises de riscos, verificações em equipamentos, intertravamentos, sistemas elétricos, entre outros. Este procedimento cita, ainda, a importância de serem envolvidos técnicos da área de higiene ocupacional e de meio ambiente, que devem preparar relatórios específicos. O Procedimento de Gerenciamento de Mudanças da Monsanto Nordeste. Este procedimento define o ciclo de aprovações e as considerações técnicas a serem avaliadas nos projetos cujo porte recaem sob responsabilidade da unidade. As questões de saúde, segurança e meio ambiente são verificadas através dos Checklists de Risco Maior e Risco Menor, cobrindo aspectos de: controle, instrumentação e automação, sistemas elétricos, programas de gestão ambiental, legislação, atendimento e combate a emergências, segurança do produto, segurança pessoal e saúde, segurança de processos, análises de risco, projeto de equipamentos, condições de operação dos processos. Possuem, aproximadamente, 130 itens de verificação. São bastante completos considerando-se uma abordagem de controle. Porém, não possuem um bom enfoque de prevenção nem uma avaliação numérica e gráfica para estimativa do perfil de atendimento.

127 127 Os checklists de Design for Environment disponíveis em Graedel & Allenby (1998) cobrem aspectos de geração e uso de recursos naturais, minimização da geração de resíduos, efluentes e emissões, seleção de materiais, distribuição, manutenção, entre outros. Possuem, aproximadamente, 125 itens verificação, e uma proposta de mensuração dos impactos ao longo do ciclo de vida do processo ou do produto. Os aspectos de prevenção não estão separados dos aspectos de controle e remediação. Os checklists de auditoria interna da Industry Canada (2001). Estes checklists cobrem aspectos de gerenciamento, projeto de produtos, compras, controladoria, comunicação e marketing, produção e distribuição, programas de gerenciamento ambiental. Estes checklists possuem 60 itens de verificação e uma sistemática para estimar o perfil de eco-eficiência e priorização através do custo benefício das ações propostas. Os itens de verificação não são tão completos quando comparados com os anteriormente citados, porém a sistemática de avaliação é uma boa ferramenta gerencial Recursos Diferenciais do Guia Básico Considerando-se as referências pesquisadas, as atuais necessidades dos engenheiros e projetistas da Monsanto e a presente proposta de integração do DfE ao SGI, buscou-se desenvolver um guia com os seguintes recursos: a) Inclusão dos aspectos de saúde, segurança e meio ambiente em um único documento, b) Além de serem consideradas as fases de pesquisa, pré-projeto, projeto, montagem e partida, inseriu-se também a fase de desativação, c) As avaliações de saúde, segurança e meio ambiente foram divididas sob dois enfoques tornando possível avaliar o perfil do projeto ao longo do ciclo de vida do processo:

128 128 Ações de controle e remediação: Através do atendimento a requisitos da legislação, programas e planos de gerenciamento e controle, Ações de prevenção: através da verificação do emprego de tecnologias, processos e práticas operacionais mais limpas, análises do ciclo de vida, entre outras iniciativas. d) Os aspectos de saúde, segurança e meio ambiente levantados, não estão restritos ao processo produtivo. Foram inseridas algumas funções de projeto com caráter de gerenciamento, permeando para o pós-partida, uma gestão da rotina considerandose o conceito da prevenção, e) Procurou-se considerar as funções de projeto mais importantes para o negócio da unidade. Para tanto, as listas de verificação foram divididas da seguinte forma: e.1) Controle e Remediação: Este enfoque está sub-dividido em 5 categorias contendo aproximadamente 235 itens de verificação: Projeto para a Manutenção e Serviços: Aqui foram inseridos os aspectos relativos à confiabilidade operacional, instalação e operação dos equipamentos de processo; planos de manutenção, inspeção e testes; lay-out e infraestrutura para liberação de serviços. Projeto para a Saúde: Aqui foram inseridos os aspectos relativos ao controle e identificação de produtos químicos e higiene industrial. Projeto para a Segurança Industrial e de Processos: Aqui foram inseridos os aspectos relativos às normas de engenharia para projetos de equipamentos, dispositivos de segurança, intertravamentos, segurança de equipamentos elétricos, instrumentação, análises de risco,

129 129 sinalização de segurança, condições inseguras e atendimento a emergências. Projeto para Compras e Logística: Aqui foram inseridos os aspectos relativos a aquisição de materiais e serviços de terceiros, programa de gestão de contratados na unidade, qualificação de fornecedores, inspeção prévia, condições físicas de almoxarifados, programa de auditorias em transportadoras e terminais portuários, inspeção em tubovias, planos de emergência e simulados no transporte e em tubovias. Projeto para a Gestão e Controle da Poluição: Aqui foram inseridos os aspectos relativos ao atendimento à legislação, programas de gerenciamento ambiental, controle e inspeção dos efluentes líquidos, emissões atmosféricas, resíduos sólidos e águas subterrâneas. e.2) Prevenção: O enfoque da prevenção está direcionado para o emprego de tecnologias, processos e práticas operacionais mais limpas. Esta verificação foi denominada Projeto para Produção mais Limpa e foram levantados, aproximadamente, 65 itens de verificação. Aqui estão contemplados os aspectos relativos a: Conservação de energia e recursos naturais: Aqui estão contemplados os aspectos relativos a projetos de processos e instalações prediais visando a minimização do consumo de energia, aquisição de bens duráveis de baixo consumo, otimização de balanços energéticos, programas de conservação de energia e recursos naturais, qualidade e pureza das matérias-primas e programas de reciclo e reuso, entre outros.

130 130 Manufatura do produto: Aqui foram contemplados os aspectos de utilização da análise do ciclo de vida do produto / processo como referência, índices operacionais, eliminação / minimização de efluentes e resíduos, eficiência de equipamentos, otimização de embalagens e seu reuso e reciclo, projetos com inovações tecnológicas, ente outros. Equipamentos de Processos: Aqui foram contemplados os aspectos de lay-out de tubulações enterradas visando a proteção das águas subterrâneas e de dimensionamento de equipamentos de processos buscando aumento de eficiência. Segurança dos Produtos Manipulados: Aqui foram contemplados os aspectos de riscos dos produtos manipulados, procurando-se soluções de substituição, minimização de inventários, testes entre outros. Compra de Materiais e Logística: Aqui foram considerados os aspectos de elaboração de políticas de compra verde, desenvolvimento de parcerias com outras indústrias para identificação de utilizações potenciais dos efluentes gerados internamente e / ou de resíduos de outras empresas como insumos, desenvolvimento regional de fornecedores alternativos, otimização das rotas de transporte de matérias-primas, embalagens para o transporte sendo encaminhadas para reuso ou reciclagem, entre outros.

131 131 Controladoria: Aqui estão contemplados os aspectos de identificação dos custos de saúde, segurança e meio ambiente no produto final, definição de indicadores para o acompanhamento periódico, comunicação dos custos com saúde, segurança e meio ambiente aos envolvidos, entre outros. f) Definição de uma sistemática de mensuração do perfil de atendimento aos requisitos de controle / remediação e prevenção, bem como sua representação gráfica. Para todas as fases do processo as listas de verificação são preenchidas, conforme critério abaixo: NA Legenda Não atendido Fracamente atendido Atendido parcialmente Razoavelmente atendido Atendido Não aplicável ao projeto TABELA 8: Critérios de Avaliação das Revisões de Saúde, Segurança e Meio ambiente Deve-se realizar um acompanhamento do percentual de atendimento dos requisitos estabelecidos para todas as fases em avaliação. Os gráficos de acompanhamento são gerados para cada fase avaliada. O gráfico apresentado na figura a seguir é um exemplo gerado para a fase de pesquisa.

132 132 Avaliação da Fase de Pesquisa Manutenção & Serviços 100 Produção mais Limpa Gestão & Controle da Poluição Saúde Segurança Industrial e Processos Compras e Logística FIGURA 21: Gráficos de Acompanhamento do Grau de Atendimento aos Requisitos Estabelecidos Pode-se observar na figura acima que quanto mais uniforme for a figura e mais próxima ao hexaedro de 100%, o projeto estará mais próximo ao atendimento aos requisitos de controle e prevenção. É esperado que a figura evolua a medida que o projeto siga o seu andamento Estudo de Caso O objetivo do estudo de caso foi o de testar a consistência da sistemática proposta no guia básico para avaliação comparativa do grau de ações ligadas a controle & remediação frente às ações de prevenção conforme disposto no Item Utilizou-se como base de aplicação o projeto da Monsanto Nordeste S/A em operação no Pólo Petroquímico de Camaçari, Brasil, desde Outubro de Esta escolha deveu-se basicamente, a ser este um projeto de grandes dimensões, facilitando a verificação da consistência da sistemática proposta e dado o acompanhamento da autora desde as fases iniciais de projeto. As limitações deste estudo de caso estão refletidas, principalmente:

133 133 Na aplicação desenvolvida exclusivamente pela autora, estando baseada em sua experiência profissional e acompanhamento desde as fases iniciais de projeto da Monsanto Nordeste S/A. Na aplicação retroativa da sistemática proposta. O projeto da unidade desenvolveu-se entre 1999 e Um ganho adicional esperado deste estudo de caso foi a possibilidade de identificação de oportunidades de melhoria no processo e práticas atuais através do emprego de técnicas de produção mais limpa tomando-se como referência os requisitos propostos Desenvolvimento O primeiro passo do estudo de caso foi preencher os formulários de verificação para todas as fases do projeto. Os formulários preenchidos encontram-se disponíveis no Anexo 3. O segundo passo foi a avaliação dos gráficos gerados para cada fase do projeto, conforme descrito a seguir.

134 134 Avaliação da Fase de Pesquisa Manutenção & Serviços 100 Produção mais Limpa Gestão & Controle da Poluição Saúde Segurança Industrial e Processos Compras e Logística Avaliação da Fase de Pré-Projeto Manutenção & Serviços 100 Produção mais Limpa Gestão & Controle da Poluição Saúde Segurança Industrial e Processos Compras e Logística Avaliação da Fase de Projeto Detalhado Manutenção & Serviços Produção mais Limpa 50 Saúde Gestão & Controle da Poluição Compras e Logística 92 Segurança Industrial e Processos Avaliação da Fase de Montagem Manutenção & Serviços Produção mais Limpa Saúde Gestão & Controle da Poluição Segurança Industrial e Processos 69 Compras e Logística Avaliação da Fase de Partida Produção mais Limpa Gestão & Controle da Poluição Manutenção & Serviços Compras e Logística 78 Saúde 94 Segurança Industrial e Processos FIGURA 22: Representação Gráfica da Avaliação das Funções de Projeto nas Diversas Fases do Projeto Monsanto Nordeste S/A.

135 135 Na fase de pesquisa pode-se observar uma componente de 38% de atendimento para os requisitos de prevenção (produção mais limpa) e uma média de 23% para os requisitos de controle e remediação representados pelas funções: manutenção e serviços, saúde, segurança industrial e de processos, compras e logística e gestão e controle da poluição. Nesta fase, várias definições conceituais elevaram a componente de prevenção, tais como: o tipo de tecnologia a ser utilizada buscando a minimização dos efluentes gerados, maior eficiência no consumo energético e nos índices de processo, escolha de matérias-primas com menos contaminantes, inovações propostas no processo de enchimento dos contentores de produto final, estudos de tratabilidade de efluentes, etc. A componente de 23% de controle deveu-se, basicamente, a identificação dos itens de controle, que apesar de não serem enfocados nesta fase, deveriam ser avaliados em algumas das fases posteriores, conforme orientação explicitada na metodologia proposta. Na fase de pré-projeto a componente de prevenção sobe para 45% e a componente média de controle para 28%. Nesta fase algumas definições conceituais de prevenção continuaram, tais como: definição básica de alguns equipamentos de melhor desempenho operacional disponíveis no mercado, definição preliminar de lay-out visando a otimização de transporte entre os processos, não utilização de tubulações enterradas, definição preliminar de um fluxograma de processos visando otimização energética, entre outros. A componente de controle não apresentou um incremento relevante. Na fase de projeto detalhado a componente de prevenção sobe para 50% onde as ações relevantes decorreram dos levantamentos de impactos nos transportes de matérias-primas visando a definição das melhores rotas e avaliações detalhadas das eficiências dos equipamentos de processos e suas respectivas garantias. A componente média de controle apresenta

136 136 um crescimento expressivo subindo para 75%, já superando, percentualmente, os requisitos de prevenção. As ações de controle relevantes foram decorrentes de se iniciarem as definições dos planos de inspeção, programas gestão de saúde, segurança e meio ambiente, detalhamento das instalações dos equipamentos visando facilidades operacionais e de manutenção, análises de riscos, levantamento de: EPI s, equipamentos de segurança e proteção contra incêndios, início da preparação dos procedimentos de testes de equipamentos, sinalização de tubulações, entre outros. Na fase de montagem os crescimentos das componentes de prevenção e controle foram discretos subindo para 52% e 77%, respectivamente, quando ocorreram, basicamente, ações de continuidade. Na fase de partida as componentes de prevenção e controle subiram para 54% e 83%, respectivamente. Dentro da prevenção pode-se destacar a aquisição de bens duráveis com requisitos de minimização de consumo energético e definição das alocações dos custos ambientais, de saúde e segurança e responsabilidades pelo gerenciamento estabelecidas, preferencialmente, pelas áreas geradoras dos impactos. Um ponto interessante a ser ressaltado é que a despeito da planta ter sido projetada sob o conceito de prevenção a pontuação máxima obtida foi 54%. Isto deve-se, principalmente, ao fato de que os checklits ora propostos incorporam novas tendências deste conceito no projeto de práticas gerenciais como por exemplo, logísitica e controladoria extrapolando o campo de aplicação da tecnologia limpa para além dos projetos de plantas industriais. As ações de controle de maior relevância foram: conclusão dos procedimentos operacionais e de saúde, segurança e meio ambiente, obtenção das licenças operacionais, aquisição de: EPI s, equipamentos de combate, equipamentos de liberação de serviços, equipamentos de monitoramento pessoal, avanços nos planos de inspeção de equipamentos, aquisição de equipamentos de manutenção e

137 137 a finalização do processo de qualificação dos fornecedores de serviços com contrato fixo na unidade. Ao analisar a evolução do atendimento aos requisitos de prevenção e controle e remediação, neste estudo de caso, foi possível constatar, as afirmações relacionadas à Figura 8, ou seja, que nas fases iniciais do projeto, as ações de prevenção são mais relevantes, pois como o projeto conceitual ainda está em discussão há uma maior liberdade para alterações no sentido de serem usadas tecnologias mais limpas, o que vai diminuindo com o andamento das fases do projeto, dando lugar às ações de controle. O próximo gráfico ilustra esta constatação. Gráfico de Tendências Incremento Médio Acumulado de Ações Durante o Projeto Estudo de Caso % Pesquisa Pré-projeto Projeto Detalhado Montagem Partida Fases do Projeto Incremento médio de ações de prevenção Linear (Incremento médio de ações de prevenção) Incremento médio de ações de controle Linear (Incremento médio de ações de controle) FIGURA 23: Gráfico de Tendências dos Incrementos Médios Acumulados de Ações nas Fases do Projeto do Estudo de Caso Os valores pontuais da fase de pesquisa são os pontos de partida para cálculo do primeiro incremento percentual para o pré-projeto. Os demais incrementos seguem calculados de forma acumulada. As retas apresentadas foram ajustadas aos pontos com o objetivo de tornar a constatação apresentada de mais fácil visualização.

138 Oportunidades Identificadas na Função Produção mais Limpa Avaliando-se a lista de verificações da função Produção mais Limpa e as potenciais oportunidades de ganhos ambientais e financeiros citadas no Item 5.2, sugere-se que os itens listados a seguir sejam avaliados como projetos potenciais para serem inseridos no Programa Seis Sigma como projetos DfE: Reutilização das águas pluviais. Água para uso em descargas sanitárias (sistema de tubulação separado de torneiras,chuveiros, etc.), reinserção no solo de águas pluviais não contaminadas, entre outros. Reutilização das águas de purga das torres de refrigeração, Utilização interna ou venda da corrente gasosa, rica em hidrogênio, oriunda dos reatores do DSIDA, Reavaliação do sistema de iluminação de prédios administrativos e área operacional visando redução de consumo e substituição das lâmpadas a base de mercúrio, Programa para avaliação das embalagens de materiais fornecidos visando redução de resíduos e seus custos, Reuso ou reciclo das embalagens plásticas do produto final (PIA), ou outro tipo de embalagem com menor impacto e custos para incineração, Desenvolvimento de uma política de compra verde, Desenvolver um programa de auditorias em fornecedores visando qualificá-los e desenvolver parcerias para reuso, reciclo e desenvolvimento tecnológico, Desenvolvimento de uma sistemática de acompanhamento mensal dos custos ambientais associados à produção, incluindo: os monitoramentos das emissões e monitoramentos de higiene

139 139 ocupacional, disposição de resíduos, tratamento de efluentes, custos de atendimento a requisitos legais, entre outros. Esta sistemática deve considerar os custos associados com saúde e segurança e meio ambiente. Avaliar a possibilidade de criação de indicador, Cálculo do custo do produto final considerando o real custo ambiental durante o ciclo seu ciclo de vida: Sugere-se avaliar a referência: Total Cost Assessment Methodology Manual, AIChE Center for Waste Reduction Technology, June 1999.

140 CONCLUSÃO Utilizar os conceitos do Design for Environment (DfE) significa inserir no processo de projetar as questões de saúde, segurança e meio ambiente, em todas as fases do ciclo de vida do projeto, enfocando o uso de tecnologias mais limpas e eliminação ou redução dos perigos ambientais e ocupacionais na fonte. Esta dissertação propõe uma estratégia para implementação do DfE integrado ao Sistema de Gestão Integrada SGI da Monsanto Nordeste S/A, baseada em 4 elementos fundamentais: planejamento, execução, acompanhamento e verificação e análise crítica e melhoria contínua. Os pontos principais desta proposta são: Definição de indicadores de desempenho classificados em prevenção, controle e remediação, Disponibilização de uma ferramenta básica de referência para engenheiros e projetistas, o Guia Básico de Revisões de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em DfE. Este guia, a ser utilizado nas fases de projeto para avaliação das questões de saúde, segurança e meio ambiente, apresenta uma proposta de avaliação comparativa do grau de ações ligadas a controle e remediação frente às ações de prevenção, estando disponíveis: Um conjunto de formulários de avaliações contendo, aproximadamente, 300 itens a serem verificados, Uma sistemática de mensuração do perfil de atendimento aos requisitos de controle / remediação e prevenção, bem como sua representação gráfica. Desenvolveu-se um estudo de caso visando-se testar a consistência da sistemática proposta.

141 141 Utilizou-se como base de aplicação o projeto da Monsanto Nordeste S/A em operação no Pólo Petroquímico de Camaçari, Brasil, desde Outubro de Esta escolha deveu-se basicamente, a ser este um projeto de grandes dimensões, facilitando a verificação da consistência da sistemática proposta e o acompanhamento pela autora desde as fases iniciais de projeto. As limitações deste estudo de caso estão refletidas, principalmente: Na aplicação desenvolvida exclusivamente pela autora, estando baseada em sua experiência profissional e no seu acompanhamento desde as fases iniciais de projeto da Monsanto Nordeste S/A. Na aplicação retroativa da sistemática proposta. O projeto da unidade desenvolveu-se entre 1999 e Mesmo considerando-se estas limitações, pode-se constatar, através dos resultados obtidos, a evolução do perfil de atendimento aos requisitos de prevenção, controle e remediação ao longo das fases do projeto, bem como foi possível levantar oportunidades de aplicação de tecnologias e práticas mais limpas no processo produtivo. Ganhos adicionais foram obtidos por terem sido inseridas nas listas de verificações, funções de projeto com caráter de gerenciamento, tais como, compras, logística e controladoria. Dado que a sua implementação será integrada ao SGI, os princípios do DfE são, também transferidos para a gestão do sistema, implicando na adoção de práticas de prevenção no gerenciamento dos processos das áreas e na definição de melhores indicadores de desempenho. Como estudos complementares futuros, sugere-se que: A sistemática seja aplicada e validada por engenheiros e projetistas da Monsanto Nordeste S/A, As oportunidades levantadas na função produção mais limpa sejam classificadas em função do seu custo x benefício e disponibilizadas

142 142 como projetos potenciais a serem avaliados no programa Seis Sigma x DfE, dentro do ciclo de melhoria contínua do Sistema de Gestão Integrada. Os requisitos listados nas funções de controle sejam avaliados com o objetivo de otimizar as práticas e programas atuais.

143 143 REFERÊNCIAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001: Sistema de Gestão Ambiental - Especificação e Diretrizes para Uso, ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR ISO 9001:2000 Sistemas da Qualidade: Modelo para Garantia da Qualidade em Desenvolvimento, Produção, Instalação e Serviços Associados, AIChE - American Institute of Chemical Engineers. Maximizing EHS Returns by Integrating Tools and Talents, Disponível em <http://www.aiche.org> Acesso em 13 abr ARAÚJO, Sílvia A.C. de. Programa de Gerenciamento de Riscos Monsanto Nordeste S/A. In: Seminário Internacional Sobre Gerenciamento de Riscos, 2002, Salvador. ATALLAH, Sami. Industrial Risk Management Course. São Paulo, ALAPAM Associação Latino-americana de Planejamento e Gestão Ambiental, BREYFOGLE, Forrest W. Six Sigma Overview and Implementation. In: Implementing Six Sigma: Smarter Solutions Using Statistical Methods. Austin: John Wiley & Sons, cap. 1, p BSI - British Standards Institution. OHSAS Occupational Health and Safety Management Systems, CEPRAM. Resolução N 2878 DE 21 de Setembro de Autoriza a Revisão de condicionantes da Resolução CEPRAM n 2113, de 08/11/99 que autorizou a emissão da Renovação da Licença de Operação do Pólo Petroquímico de Camaçari. CETESB. Manual de Orientação para a Elaboração de Estudos de Análises de Risco, CHARTER, Martin et al. Integrated Product Policy Eco-product Development, CONSTABLE, David J. C.. Green chemistry measures for process research and development. The Royal Society of Chemistry, mar CINQ-MARS, Jean. Eco-efficiency Potential and Interest in OECD Countries In: Workshop Eco-Efficiency and Factor 10, 1997, Lisboa. CURZONS, Alan D. et al. So you think your process is green, how do you know? Using principles of sustainability to determine what is green. A Corporate Perspective. The Royal Society of Chemistry, mar DANISH EPA. Danish Environmental Protection Agency. Industrial Design Could Be More Environmentally Friendly, Disponível em <http://www.mst.dk/homepage/>. Acesso em 17 abr

144 144 DIENDEREN, Ilse V. Sustainable Development, Disponível em <http://www.mst.dk/homepage/>. Acesso em 17 abr D. LITTLE INC., Arthur. Making ESH an Integral Part of Process Design. AICHE - American Institute of Chemical Engineers ECO-IT Eco-indicator Tool, version 1.1. Pre-consultants, Software. ENVIRONMENT AUSTRALIA. Product Innovation. The Green Advantage. An Introduction to Design for Environment for Australian Business, Disponível em <http://www.environment.gov.au/eecp.html>. Acesso em 17 mar FIVE WINDS INTERNATIONAL - The Role of Eco-efficiency: Global Challenges and Opportunities in the 21st Century Part 1: Overview and Analysis, FURTADO, João S.. Indicadores de Sustentabilidade e Eco-eficiência, 2001a. 4p. Mensagem recebida por em 12 set FURTADO, João S.. ISO e Produção Limpa: Importantes, Porém, Distintas em seus Propósitos e Métodos. In: Curso de Especialização em Gerenciamento e Tecnologias Ambientais Sistema de Gestão Ambiental Gestão Ambiental e Produção Limpa, Salvador, UFBa, 2001b. cap. 4, p.1-5. GOEDKOOP, M.; DEMMERS, M.; COLLIGNON M.. The Eco-indicator 95, GOVERNMENT OF JAPAN. Basic Policy on Promoting Green Purchasing, Disponível em <http://www.env.go.jp/>. Acesso em 27 abr GRAEDEL, Thomas E.; ALLENBY, Braden R.. Industrial Ecology. Prentice Hall, 1995, p.61. GRAEDEL, Thomas E.; ALLENBY, Braden R.. Design for Environment. Prentice Hall, HENDRICK, Verfaillie. Report on Sustainable Development and ESH 1999/2000. Monsanto Company, INDUSTRY CANADA. Three Steps to Eco-Efficiency ISO ISO : International Standardization Organization Environmental Management Life Cycle Assessment Principles and Framework, JUSTIÇA FEDERAL - SJGO. Processo No Sentença referente à ação civil pública proposta em 27/09/95 pelo Ministério Público Federal em litisconsórcio ativo facultativo com o Ministério Público Estadual em razão do acidente radiológico com a bomba de Césio 137, ocorrido em nesta Capital, no mês de setembro de 1987, Goiânia, 17 de março de Disponível em

145 145 <http://www.infojus.com.br/novidades/cesio_137_sentenca.htm>. Acesso em 08 mai KIPERSTOK, Asher et al. Curso de Especialização em Tecnologias Limpas e Minimização de Resíduos. Material elaborado para o curso Prevenção da Poluição ministrado na forma de ensino a distância. Salvador, UFBa, 2001, p.19. La GRECA, Michael D.; BUCKINGHAN, Phillip L.; EVANS, Jeffrey C. Pollution Prevention. In: Hazard Waste Management. ERM Edition. Hightstown: McGraw-Hill, cap. 7, p MONSANTO COMPANY. Program 2: Facility Safety, MONSANTO COMPANY. Program 5: Distribution, MONSANTO COMPANY. Program 7: Outside Processors Assessment (OPA), MONSANTO COMPANY. Program 10: ESH Reviews of Divestitures or Acquisitions of Property and / or Business, MONSANTO COMPANY. Report on Sustainable Development and ESH 1999/2000, 2000, p.2. MONSANTO COMPANY Monsanto Pledge Report, Disponível em<http://www.monsanto.com>. Acesso em 18/09/2003. MONSANTO NORDESTE S/A. Manual do Sistema de Gestão Integrada, MONSANTO NORDESTE S/A. Procedimento de Auditorias Internas, MONSANTO NORDESTE S/A. Procedimento de Controle de Documentos e Registros e Identificação e Acesso aos Requisitos Legais e Outros Requisitos, MONSANTO NORDESTE S/A. Procedimento de Comunicação com as Partes Interessadas, MONSANTO NORDESTE S/A. Procedimento de Gerenciamento de Mudanças, MONSANTO NORDESTE S/A. Procedimento de Gerenciamento de Riscos, MONSANTO NORDESTE S/A. Checklist de Risco Maior, MONSANTO NORDESTE S/A. Checklist de Risco Menor, OECD. Toward Performance Indicators. In: Workshop on Waste Prevention, 1., 2001, Paris, 44p. Disponível em <http://www.resol.com.br>. Acesso em 17 set

146 146 OSHA - Occupational Safety and Health Administration. Process Safety management, Disponível em NDARDS&p_id=9760 > Acesso em 13 mai PATON, Bruce. Design for Environment: A Management Perspective. In: Industrial Ecology and Global Change, 1 ed. Cambridge. Cambridge University Press, cap. 26, p QSP Centro da Qualidade, Segurança e Produtividade para o Brasil e América Latina. Apresenta dados de empresas certificadas nas nos sistemas de gestão da qualidade, saúde, segurança e meio ambiente. Disponível em: <http://www.qsp.com.br>. Acesso em: 18 dez RUIZ, Jose A. C. Decision Support Tools for Environmentally Conscious Chemical Process Design. Massachusetts Institute of Technology, SOUZA, Sandra dos S.; ANDRADE, José C. S. Gerenciamento Ambiental: O que Significa? Para que Serve? E Como se Implementa? Tecbahia, Camaçari, v.11, n.3, p.165. UNEP United Nations Environment Programme. Basel Convention on the Control of Transboundary Movements of Hazardous Wastes and Their Disposal, Disponível em <http://www.basel.int/about.html> Acesso em 02 fev UNEP United Nations Environment Programme. Apresenta o conjunto de ações tomadas na Conferência Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, em Johannesburg, Disponível em Acesso em 02 fev UNEP United Nations Environment Programme. Agenda 21, Disponível em <http://www.unep.org> Acesso em 02 fev UNEP United Nations Environment Programme. Kyoto Protocol, Disponível em <http://www.unep.org> Acesso em 02 fev UNEP United Nations Environment Programme. Montreal Protocol, Disponível em <http://www.unep.org> Acesso em 02 fev USEPA United States Environmental Protection Agency. An Introduction to Environmental Accounting As A Business Management Tool: Key Concepts And Terms, USEPA United States Environmental Protection Agency; Tennessee University - Center for Clean Products and Clean Technologies. Cleaner Technologies Substitutes Assessment A Methodology & Resource Guide, Disponível em <http://www.epa.gov/opptintr/dfe/tools/ctsa/notack.htm>. Acesso em 17 mar USEPA United States Environmental Protection Agency. Valuing Potential Environmental Liabilities for Managerial Decision-Making: A Review of Available Techniques, 1996.

147 147 USEPA United States Environmental Protection Agency. Design for Environment Program, Disponível em <http://www.epa.gov/dfe>. Acesso em 17 mar USEPA United States Environmental Protection Agency. Design for Environment Publications List, Disponível em <http://www.epa.gov/opptintr/library/ppicdist.htm>. Acesso em 17 mar USEPA United States Environmental Protection Agency. Environmental Management Systems Incorporating DfE Into Your Environmental Policy DRAFT, 1999a. USEPA United States Environmental Protection Agency. Gap Analysis Tool - Incorporating DfE Into Your Gap Analysis DRAFT, 1999b. USEPA United States Environmental Protection Agency. Integrated Environmental Management Systems - Implementation Guide, USEPA United States Environmental Protection Agency. Printed Wiring Board - Pollution Prevention and Control Technology: Analysis of Updated Survey Results, WBCSD - World Business Council for Sustainable Development. Criar Mais Valor com Menos Impacto, 2000a. WBCSD - World Business Council for Sustainable Development. Medir a Eco-eficiência: Um Guia para Comunicar o Desempenho da Empresa, 2000b. WHITE, Randy. Checklist for Environmental Aspects of LP & EC Reviews

148 ANEXOS 148

149 149 ANEXO 1 Guia Básico de Revisões de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Environment (DfE)

150 150 Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia Documento de Referência: Design For Environment nos grandes investimentos e Modificações de Projeto / Processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Enviroment (DfE). ANEXO Objetivo: Estabelecer um guia orientativo para a realização de avaliações de saúde, segurança e meio ambiente com foco na prevenção dos perigos e da poluição através da abordagem do Design for Environment (DfE), a ser utilizado na concepção e elaboração de novos projetos e produtos e suas mudanças posteriores até a desativação do processo e disposição final dos produtos. 2 Definições Básicas: 2.1. Abordagem: A abordagem do DfE, neste guia, foi preparada sob dois enfoques: Controle e Remediação e Prevenção, totalizando, aproximadamente, 300 itens de análise dispostos em um conjunto de formulários de verificação propostos. Para tanto, foram elaborados formulários de análise divididos em: a) Controle e Remediação: através do atendimento à requisitos da legislação, programas e planos de gerenciamento e controle. O enfoque de controle está dividido em: Projeto para a Manutenção e Serviços, Projeto para a Saúde, Projeto para a Segurança Industrial e de Processos, Projeto para Compras e Logística, Projeto para a Gestão e Controle da Poluição,

151 151 Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia Documento de Referência: Design For Environment nos grandes investimentos e Modificações de Projeto / Processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Enviroment (DfE). ANEXO 1 b) Prevenção: através da verificação do uso dos conceitos de tecnologias limpas, análises do ciclo de vida, entre outras iniciativas inseridas nos formulários de verificação propostos. O enfoque da prevenção denominou-se: Projeto para a Produção mais Limpa Fases de um Projeto: As fases de um projeto ou mudança onde serão feitas as avaliações são: pesquisa, pré-projeto, projeto detalhado, montagem, partida e desativação Acompanhamento: Para todas as fases do projeto os formulários deverão ser preenchidos. Os gráficos são automaticamente gerados. As pendências da fase anterior devem ser verificadas Mudanças: Qualquer alteração realizada nas instalações, nos equipamentos, nos procedimentos, inventários e produtos que modifiquem o escopo documentado do arquivo tecnológico Avaliação Econômica: Recomenda-se o cálculo da estimativa da viabilidade econômica dos projetos considerando-se os ganhos em saúde, segurança e meio ambiente, nos termos das referências citadas nos itens 5.10 e 5.11.

152 152 Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia Documento de Referência: Design For Environment nos grandes investimentos e Modificações de Projeto / Processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Enviroment (DfE). ANEXO Descrição: Projeto DfE Selecionado Novo projeto / produto ou modificação (3.1) BREYFOGLE, Forrest W. Six Sigma Overview and Implementation. In: Implementing Six Sigma: Smarter Solutions Using Statistical Methods. Formulários de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente Fase de Pesquisa EPA United States Environmental Protection Association. Valuing Potential Environmental Liabilities for Managerial Decision-Making: A Review of Available Techniques RUIZ, Jose A. C. Decision Support Tools for Environmentally Conscious Chemical Process Design. Fase de Pré-projeto Fase de Projeto Detalhado Fase de Montagem Fase de Partida Fase de Desativação

153 153 Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia Documento de Referência: Design For Environment nos grandes investimentos e Modificações de Projeto / Processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Enviroment (DfE). ANEXO 1 3.1) Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente: As avaliações devem ser realizadas para projetos de novas unidades ou armazéns de produtos químicos e novas instalações prediais, modificações dos processos que manipulem materiais perigosos classificados como HHM (High Hazards Materials) conforme definido no Procedimento de Gerenciamento de Mudanças da Monsanto Nordeste S/A, ou modificações que impliquem em mudanças significativas nas classificações dos riscos atuais, ou seja, que recaiam na região de severidade crítica ou catastrófica, conforme estabelecido na matriz de riscos do Procedimento de Análise de Risco Integrada do SGI (Documentação Monsanto Nordeste S/A: SGI-IT ). Deve-se eleger uma equipe multidisciplinar para efetuar as avaliações. Desta equipe devem fazer parte: algum representante da área de saúde, segurança e meio ambiente, o engenheiro ou coordenador responsável pelo projeto, os demais membros devem ser convidados de acordo com o escopo do projeto. Para todas as fases os formulários disponíveis em anexo devem ser preenchidos eletronicamente. Os formulários estão confeccionados em planilhas excel e um gráfico de percentual de atendimento é automaticamente gerado. Estes formulários são preenchidos segundo o critério estabelecido na legenda a seguir: NA Legenda Não atendido Fracamente atendido Atendido parcialmente Razoavelmente atendido Atendido Não aplicável ao projeto

154 154 Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia Documento de Referência: Design For Environment nos grandes investimentos e Modificações de Projeto / Processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Enviroment (DfE). ANEXO 1 Caso um item não seja pertinente para uma fase específica, mas que venha a ser em uma fase seguinte, não deve ser preenchido com NA, mas sim com 1 para que a evolução no projeto seja percebida Fases do Projeto: As seis avaliações devem ser realizadas nas seguintes fases: Pesquisa: A etapa de pesquisa engloba todos os estudos relativos às análises de alternativas existentes: tecnologias disponíveis, substâncias, rotas reacionais, etc., tendo como produto de saída um projeto conceitual. Nesta fase, recomenda-se utilizar as referências blibliográficas apresentadas no fluxo anterior. De uma maneira geral, as etapas gerais da fase de pesquisa pode ser representadas pelo fluxo seguinte: Estabelec im ento e Estruturação do Problem a / nec essidade C oleta de dados e inform ações G eraç ão de Alternativas e A nálise Anális e das Alternativas Julgam ento e Escolha Análise de S ensibilidade R elatório Final e Divulgaç ão

155 155 Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia Documento de Referência: Design For Environment nos grandes investimentos e Modificações de Projeto / Processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Enviroment (DfE). ANEXO ESTABELECIMENTO E ESTRUTURAÇÃO DO PROBLEMA / NECESSIDADE Aqui são estabelecidos: o escopo do projeto, objetivos, restrições, critérios de avaliação, metodologias a serem usadas, limites do estudo, etc. Antes de iniciar uma a análise de alternativas proceda-se uma estruturação do trabalho que consiste da definição da equipe de trabalho, da seleção das alternativas potenciais, escopo e restrições do projeto. Também é nesta etapa que se define, por exemplo, a utilização da análise do ciclo de vida COLETA DE DADOS E INFORMAÇÕES Nesta etapa busca-se coletar dados que suportem a construção das alternativas, tais como: tecnologias e equipamentos disponíveis, dados físicos, químicos e toxicológicos de substâncias, recursos energéticos e naturais disponíveis, entre outros GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS E ANÁLISE DOS DADOS: Esta etapa implica na geração, estruturação e avaliação dos dados através do uso de métodos de análise e técnicas de engenharia, modelos, etc., para caracterização das alternativas. Deve-se escolher alguns indicadores preliminares que caracterizem os desempenhos individuais das alternativas em análise, principalmente para os pontos críticos tais como: indicadores econômicos, competitividade, benefícios sociais, de saúde, segurança e meio ambiente tais como: toxicidade de substâncias, persistência, mobilidade ambiental, risco, etc. Para o estabelecimento dos indicadores sugere-se consultar as referências 5.5 a 5.8.

156 156 Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia Documento de Referência: Design For Environment nos grandes investimentos e Modificações de Projeto / Processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Enviroment (DfE). ANEXO 1 A empresa de consultoria ambiental Pre-consultants desenvolveu um software denominado ECO-IT, referência 5.9, que pode ser utilizado como suporte a análise de alternativas. Este software utiliza como base metodológica a análise do ciclo de vida JULGAMENTO DAS ALTERNATIVAS E ESCOLHA O primeiro passo antes de se iniciar o julgamento das alternativas, é a definição do critério de julgamento. Nesta etapa uma análise quantitativa deve ser conduzida. As informações relativas às alternativas individuais devem ser sumarizadas e avaliadas a luz dos indicadores de desempenho, citados, por exemplo, no item anterior. As alternativas em julgamento devem ser classificadas e um relatório contendo as justificativas das escolhas efetuadas deve ser preparado ANÁLISE DE SENSIBILIDADE A etapa seguinte é a de análise de sensibilidade, onde são identificadas as maiores contribuições para as funções-objetivo, robustez, etc. Nesta etapa as funções de projeto são analisadas sob diferentes cenários, trazendo para a pauta das discussões a resposta destas funções ao variar-se determinados parâmetros de interesse e verificandose viabilidade das alternativas em análise nestas diferentes condições. Este tipo de análise é muito importante, principalmente, para serem estabelecidas as estratégias de médio e longo prazo para darem sustentação à alternativa escolhida.

157 157 Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia Documento de Referência: Design For Environment nos grandes investimentos e Modificações de Projeto / Processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Enviroment (DfE). ANEXO GERAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL E DIVULGAÇÃO A última etapa é a geração do relatório final e da documentação pertinente. Deve-se montar uma estratégia de divulgação, no mercado ou com as partes interessadas, os ganhos ambientais do novo produto, serviço ou atividade. Deve-se procurar passar informações precisas aos usuários, clientes ou partes interessadas. Sugere-se avaliar a possibilidade de desenvolver parcerias com empresas especializadas, no sentido de promover junto às partes interessadas uma sensibilidade ambiental para que se perceba os ganhos obtidos Pré-projeto: A documentação de referência a ser buscada visando possibilitar o preenchimento do formulário é: descrição da operação, descrição do processo, fluxogramas de processos, layout preliminar dos equipamentos, lista de equipamentos, MSDSs (Material Safety Data Sheets) e lista de efluentes ou resíduos, etc Projeto Detalhado: (substancialmente completo): Os documentos mínimos necessários são: fluxogramas de engenharia, fluxogramas de processos, balanços de massa e energia, layout definitivo, lista e classificação de interlocks, folhas de dados e desenhos dos equipamentos, recomendações do Pré-Projeto, estratégia de montagem, entre outros Montagem: Os documentos de referência desta fase são os documentos da fase anterior e todos os licenciamentos necessários. Os documentos a serem produzidos são: registros de testes e inspeções de qualidade dos

158 158 Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia Documento de Referência: Design For Environment nos grandes investimentos e Modificações de Projeto / Processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Enviroment (DfE). ANEXO 1 equipamentos, tubulações, instrumentos, etc. fluxogramas atualizados, etc Partida:Os documentos de referência são: recomendações das fases anteriores, fluxogramas de engenharia as built, relatórios de punch-lists, manual de operação, plano de emergência, status do treinamento dos funcionários, entre outros Desativação:Nesta fase deve-se verificar todas as questões relativas a licença de operação e todas as comprovações legais necessárias para que se assegure uma desativação segura, bem como procedimentos para parada e bloqueio. Questões como interação com outras plantas e processo, licenças, integridade de lacres, sinalizações, entre outros devem ser avaliadas. Sinalização clara e comunicação devem ser efetuadas a todos os envolvidos. Segurança Patrimonial deve ser provida se necessário. 4 - Responsabilidades: 4.1. Gerente de Planta: - Garantir que as recomendações das avaliações, uma vez acordadas entre os envolvidos, sejam cumpridas. - Prover os recursos necessários para o gerenciamento adequado dos riscos Gerentes das Áreas: - Guiar sua equipe com uma visão prevencionista, tendo como foco a minimização e/ou eliminação de seus impactos.

159 159 Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia Documento de Referência: Design For Environment nos grandes investimentos e Modificações de Projeto / Processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Enviroment (DfE). ANEXO 1 - Prover treinamento sobre gerenciamento de riscos para a sua equipe Coordenador das Avaliações: - Coordenar as avaliações e os projetos nos termos deste documento. - Disponibilizar treinamentos e capacitação para todos os envolvidos. 5 - Referências: 5.1. BREYFOGLE, Forrest W. Six Sigma Overview and Implementation. In: Implementing Six Sigma: Smarter Solutions Using Statistical Methods. Austin: John Wiley & Sons, cap. 1, p EPA United States Environmental Protection Association; Tennessee University - Center for Clean Products and Clean Technologies. Cleaner Technologies Substitutes Assessment A Methodology & Resource Guide, Disponível em <http://www.epa.gov/opptintr/dfe/tools/ctsa/notack.htm>. Acesso em 17 mar EPA United States Environmental Protection Association. Valuing Potential Environmental liabilities for Managerial Decision-Making: A Review of Available Techniques, RUIZ, Jose A. C. Decision Support Tools for Environmentally Conscious Chemical Process Design. Massachusetts Institute of Technology, CURZONS, Alan D. et al. So you think your process is green, how do you know? Using principles of sustainability to determine what is green. A Corporate Perspective. The Royal Society of Chemistry, mar.2001.

160 160 Mestrado Profissional em Gerenciamento Ambiental e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo, da Universidade Federal da Bahia Documento de Referência: Design For Environment nos grandes investimentos e Modificações de Projeto / Processo vinculado ao Sistema de Gestão Integrada da Monsanto Nordeste S/A Guia Básico de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente com foco em Design for Enviroment (DfE). ANEXO CONSTABLE, David J. C.. Green chemistry measures for process research and development. The Royal Society of Chemistry, mar GOEDKOOP, M.; DEMMERS, M.; COLLIGNON M.. The Ecoindicator 95, FIVE WINDS INTERNATIONAL - The Role of Eco-efficiency: Global Challenges and Opportunities in the 21st Century Part 1: Overview and Analysis, ECO-IT Eco-indicator Tool, version 1.1. Pre-consultants, Software USEPA United States Environmental Protection Agency. An Introduction to Environmental Accounting As A Business Management Tool: Key Concepts And Terms, USEPA United States Environmental Protection Agency. Valuing Potential Environmental Liabilities for Managerial Decision-Making: A Review of Available Techniques, ANEXOS: - Formulários de Avaliações de Saúde, Segurança e Meio ambiente

161 161 Projeto para Manutenção e serviços Projeto No.: Título do Projeto 1 2 Data Responsável (is) pela Análise NA Legenda Não atendido Fracamente atendido Atendido parcialmente Razoavelmente atendido Atendido Não aplicável ao projeto Pesquisa Pré-Projeto Projeto Detalhado Montagem Partida Desativação Pontuação Pontuação Pontuação Pontuação Pontuação Pontuação Item Descrição (1-5) (1-5) (1-5) (1-5) (1-5) (1-5) Equipamentos de Processo 1 Foram considerados bloqueios individuais nos headers de suprimentos de utilidades das unidades e headers de venteio de gases de processos propiciando testes e serviços de forma individualizada sem necessariamente parar as demais unidades? 2 Foram consideradas a instalação de pontos de suprimento de energia na área para a utilização de equipamentos elétricos? 3 Avaliou-se a necessidade de instalação de linhas de recirculação / dispositivos necessários em caso de obstruções/bloqueios? Caso positivo serão/foram instalados? 4 Existe espaço e bloqueios necessários para o caso de manutenção dos equipamentos e liberações de serviços? 6 Estão especificados para os flanges: a) especificação do torque de aperto, b) juntas conforme especificações? 7 Gaxetas / caixas de gaxetas compatíveis com o fluido de processo, pressão e temperatura? 8 Os equipamentos possuem instruções de parada, partida, manutenção, limpeza e operação? 9 Avaliou-se o impacto da mudança nas instalações não alteradas tipo instrumentação, suportes, bases e fundações, equipamentos a montante/jusante, unidades vizinhas devido a alterações no novo nível de pressão de operação/projeto, alteração do tipo de fluxo para pulsante, novo nível de temperatura de operação / projeto, vibração, etc? Planos de Manutenção, Inspeção e Teste 10 A legislação aplicável e normas correlacionadas foram consideradas (NR-13, ANSI, ASME, etc.) para elaboração dos planos? 11 Os planos de inspeção consideraram critério de criticidade de equipamentos como: intertravamentos, alarmes, equipamentos de controle da poluição e que estejam correlacionados com a licença de operação, equipamentos de combate a emergências, etc.? 12 O programa de manutenção contempla uma listagem especificando a frequência da manutenção/inspeção? 13 A forma de evidenciar/registrar as inspeções foi definida? Definiu-se a temporalidade e local de guarda destas evidências? 14 Há plano para avaliação do isolamento elétrico (Testes "Megger", corrente de fuga "HIPOT", etc.)? 15 Listagem dos equipamentos com registros para rodízio? 16 Especificou-se o método de inspeção e testes de juntas antes da instalação no campo? 17 Testes e instalações dos dispositivos de segurança/alívio de vácuo/pressão conforme:asme, API-RP (2000/2001)? 18 Registros para Inspeções/Programa de Manutenção, especificando a frequência de manutenção dos dispositivos de segurança/alívio considerando a legislação específica e o histórico em unidades similares? 19 Estabeleceram-se requisitos para testes de vazamentos? Deve-se elaborar procedimentos operacionais para testes de vazamentos após serviços de manutenção em equipamentos e tubulações que trabalham com hidrocarbonetos acima do seu ponto de fulgor e produtos perigosos. 20 Existe um plano para avaliação periódica dos purgadores de vapor?

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164 164 Projeto para Segurança Industrial e de Processos Projeto No.: Título do Projeto 1 2 Data Responsável (is) pela Análise NA Legenda Não atendido Fracamente atendido Atendido parcialmente Razoavelmente atendido Atendido Não aplicável ao projeto Item Pesquisa Pré-Projeto Projeto Detalhado Montagem Partida Desativação Pontuação Pontuação Pontuação Pontuação Pontuação Pontuação Descrição (1-5) (1-5) (1-5) (1-5) (1-5) (1-5) Equipamentos Os padrões de engenharia (confiabilidade, normas de projeto, testes, especificações de equipamentos, critérios de aceitabilidade, especificações de produtos) foram definidos para todas as fases do projeto? Estão atualizados? Foram verificadas as normas do país? Há incompatibilidades? As bases e suportação dos novos equipamentos em relação às instalações existentes foram avaliados e estão seguros? Os bloqueios dos equipamentos foram projetados imaginando futuras entradas (espaço confinado) para inspeções? Máxima pressão admissível de trabalho "MAWP" do equipamento de acordo com as normas técnicas recomendadas? Sistema de selagem novo ou modificado adequado? Tais como selos de bombas e agitadores: a) características de compatibilidade entre o fluido e o processo b) sinalização / identificação dos tubos de "flush" de selagem para assegurar correta montagem após manutenção.c) refrigeração do selo, considerando possibilidade de aquecimento em caso de bloqueio indevido d) Procedimentos de operação e folha de dados dos equipamentos com as informações de selos revisados e instalados e) Potencial de falha do selo: riscos de vazamento para processo ou ambiente, estilhaçamento, etc f) Fornecedores dos selos importados possuem condição de suprimento adequada? Flúidos de selagem compatíveis? Avaliou-se possibilidade de contaminação cruzada com o processo? Está seguro? Avaliou-se se estão adequados mangotes e juntas de expansão: a) classe de pressão, b) testes e inspeções? Avaliou-se as tubulações, vasos e os seus suportes considerando dilatação, contração, vibração, etc.? Estão seguros? Dispositivos de proteção dos equipamentos rotativos/ partes móveis conforme as regulamentações existentes? Capacidade de alívio dos dispositivos de segurança e alívio de pressão e vácuo considerando: a) bloqueio indevido, b) perda de utilidades, c) expansão térmica, d) fogo externo: vaporização,picos e variações de processo, incluindo parada/partida, carregamento, descarreg., resfriamento de tanques, etc. e) falhas em válvulas, tubulações, tubos de troc. de calor, d) potencial de vácuo devido a resfriamento/ou condensação brusca? Considerou-se contra-pressão na tubulação de descarga e/ou coletores ("headers") de alívio no projeto dos dispositivos de segurança/alívio? Tubulações de descarga dos dispositivos de segurança / alívio de vácuo / pressão possuem: a) direcionamento para "local seguro", considerando afastamento de locais de acesso (plataformas, passarelas, escadas, etc.), b) suportes adequados para estas tubulações c) previsão de drenos ou furos de drenagem? Considerado no projeto potencial de obstrução do dispositivo de segurança / alívio de pressão / vácuo especialmente em serviços com fluidos incrustrantes ou que se solidificam a temperatura ambiente? Considerado no projeto potencial para ocorrência de "golpe de ariete", escoamento de mistura bifásica, tipo água/vapor, etc.? O projeto considera a instalação de indicadores de pressão entre os discos de ruptura e as válvulas de segurança? Foram adquiridos dispositivos de trava, lacre e identificação (LOTO), para válvulas, chaves seccionadoras, etc.?

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170 170 Projeto para Tecnologia Limpa Projeto No.: Título do Projeto 1 2 Data Responsável (is) pela Análise NA Legenda Não atendido Fracamente atendido Atendido parcialmente Razoavelmente atendido Atendido Não aplicável ao projeto Pesquisa Pré-Projeto Projeto Detalhado Montagem Partida Desativação Pontuação Pontuação Pontuação Pontuação Pontuação Pontuação Item Descrição (1-5) (1-5) (1-5) (1-5) (1-5) (1-5) Conservação de Energia e Recursos Naturais 1 Os circuitos de iluminação foram projetados visando evitar o exesso de lâmpadas? 2 Consumo de energia proveniente de iluminação de prédios controlado por "timer" ou sistema similar evitando desperdícios? Iluminação externa controlada por fotosensores? 3 Foram consideradas a utilização de energia solar para pequenas utilizações, exemplo: refeitório, pequenas estações distantes visando inclusive a economia com passagem de cabos? 4 Instalações físicas construídas maximizando a utilização da iluminação, ventilação natural e materiais das paredes usando nova tecnologia de concretos tipo isolante-térmico de baixo custo visando diminuir o consumo com ar condicionado? 5 Utilização de motores de CC / variadores de velocidades para controle de fluxo em substituição a válvulas de controle para controle de vazão? 6 O projeto de iluminação considerou o uso de lâmpadas econômicas e que não sejam preferencialmente a base de compostos de mercúrio? 7 Os monitores de vídeo possuem sistema de "screen saver"? 8 Os equipamentos internos dos prédios foram adquiridos considerando, também, os requisitos de baixo consumo de energia? 9 O balanço energético da planta está otimizado? Correntes aquecidas de processo (gases de exaustão de chaminés, por exemplo) foram consideradas como fontes de aquecimento para correntes frias a serem aquecidas? Haverá impacto no status atual com a modificação sugerida? 10 O combustível de queima da caldeira, fornos, oxidadores térmicos, etc., consideraram a utilização de resíduos, correntes de processo, correntes ou resíduos gerados internamente ou externamente à planta? 11 As unidades de processo foram localizadas considerando minimizar os gastos de energia com o transporte de correntes de processo? O projeto contemplou a utilização das águas pluviais? Ex.: Água para uso em descargas sanitárias (sistema de tubulação separado de torneiras,chuveiros, etc.), reinserção no solo de águas pluviais não contaminadas, etc. O projeto contemplou a reutilização das águas de purga das torres de resfriamento? Foi desenvolvido um programa de conservação de recursos naturais (energia, água, matérias-primas, insumos e utilidades) para o pós-partida deste projeto? Há um programa de utilização de matérias-primas, insumos e outros produtos de suprimento preferencialmente renováveis e de maior pureza visando minimizar a geração de efluentes? Há um programa de reuso, reciclo ou reprocesso (interno ou externo) de resíduos, emissões ou efluentes gerados?

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174 174 ANEXO 2 Treinamento de Sensibilização do Processo de Integração DfE x SGI

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176 176 ANEXO 3 Formulários do Estudo de Caso

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