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1 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA NA MICRO E PEQUENA EMPRESA Cassia de Matos Ramos 1, Dayane Cristina da Silva 1, Nathana Adriani Piovesana 1, Irene Caires da Silva 2 1 Discente da Universidade do Oeste Paulista UNOESTE. Docente do Curso de Ciências Contábeis da UNOESTE. E mail: RESUMO Calcular os custos e formar, corretamente, o preço de venda é um dos pontos fundamentais para qualquer negócio, porém, para as Micro e Pequenas Empresas, esses processos acabam sendo um pouco mais complicados, dada a dificuldade dos empresários e empreendedores em fazer a contabilização de seus custos. Os objetivos desta pesquisa consistem em analisarmos o processo de formação do preço de venda; identificar qual a melhor forma aplicável em uma micro e pequena empresa, tornando possível a tomada de decisão a respeito; estudar os custos e identificar quais os métodos existentes de apropriação de custos; identificar as principais estratégias que as pequenas empresas usam para a formação do preço de venda. Explorando a vasta área da Contabilidade de Custo, podemos chegar a métodos que auxiliam as empresas a terem um maior controle de seus custos. Primeiramente, deve ser identificado o método existente, mesmo que simples, para, daí, então, partirmos para um novo método. A partir da abordagem qualitativa de análise dos dados, chegamos á conclusão de que o melhor método, dentre os vistos, com melhor resultado seria o Método de Custeio Variável/Direto, pois, assim, a pequena Empresa melhoraria a qualidade de informação na tomada de decisão mais precisa, dando, desse modo, a oportunidade de as Micro e Pequenas Empresas continuarem no mercado. Palavras chave: Micro e Pequena Empresa; Contabilidade de Custo; Método de Custeio; Preço de Venda. INTRODUÇÃO Vivemos uma era de grandes transformações, que, com o advento da globalização somado ao desenvolvimento tecnológico, delineiam um novo cenário empresarial mais competitivo, em que, diariamente, milhares de micro e pequenas empresas abrem as portas e outros milhares as fecham, inclusive nos primeiros anos de existência. A contabilidade de custos é a parte da ciência contábil que estuda os gastos incorridos para a obtenção de produtos ou serviços; analisa os custos, com a finalidade de controlar e estabelecer os níveis do preço de venda de determinado bem ou serviço, gerando o lucro desejável para o negócio. Muitas pequenas empresas fecham suas portas logo nos primeiros anos, originando o questionamento que conduz este projeto de pesquisa: O que as leva a esse resultado negativo e como administrá lo de forma a alcançar o propósito do lucro pelo qual a micro e a pequena empresa foram abertas?

2 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, Os objetivos desta pesquisa consistem em analisar o processo de formação do preço de venda; identificar qual a melhor forma aplicável em uma micro e pequena empresa, tornando possível uma tomada de decisão a respeito; estudar os custos e identificar quais os métodos existentes de apropriação de custos; identificar as principais estratégias que as pequenas empresas utilizam para a formação do preço de venda. Dada a importância das informações de custos no meio empresarial, devemos buscar o aprimoramento da Contabilidade que analisa e gerencia esse tipo de informação. Segundo Leone (2000), um sistema de custos produz relatórios importantes, que indicam os custos de produção, as margens de contribuição e de lucratividade dos produtos. Segundo Bernardi (2007), conhecer e interpretar os custos operacionais são fatores essenciais para o funcionamento de uma entidade, tendo ela a visão de obter lucros. Contudo uma correta seleção dos sistemas e critérios que deverão ser utilizados para a determinação e análise dos custos reveste se de suma importância para uma correta orientação dos processos de gestão. Desse modo, os gestores deverão analisar as características específicas de cada sistema de custeio, a fim de verificar aquele que mais se ajusta com a estrutura física e operacional da empresa. Deve se considerar aquele que mais pode contribuir para a análise dos custos e formação do preço, bem como dar suporte na busca de vantagens competitivas para a empresa. A formação do preço de venda nas micro e pequenas empresas tem fundamental importância para a sociedade no mundo competitivo em que vivemos. Este estudo tem um caráter explorador, descritivo e analítico sobre o tema Formação do preço de venda na micro e pequena empresa. A pesquisa baseia se na revisão bibliográfica de livros e artigos científicos, especialmente nas seguintes palavras chave: Micro e Pequena Empresa, Contabilidade de Custos, Método de Custeio, Preço de Venda. Após a leitura e análise do material coletado, foi realizado um artigo, utilizando a abordagem qualitativa. FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA Em uma empresa comercial, onde os produtos são adquiridos, prontos para a revenda, a formação do preço final é bem mais fácil de ser apurada, uma vez identificados os custos e os gastos, sabendo qual margem de lucro pretendemos obter. Dessa forma, somando esses três itens, podemos obter o preço de venda. Mas, de acordo com estudo realizado por Megliorini (2007, p. 175 e 176), é ponderado que, Embora o gestor possa calcular os custos de um produto com o

3 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, máximo rigor, utilizando diferentes métodos de custeio (por absorção, variável, ABC etc.), no momento de definir o preço, ele se depara com um problema operacional altamente complexo. Além de proporcionar um retorno adequado ao investimento realizado, o preço está sujeito a aspectos que fogem ao controle da empresa, como as regulamentações governamentais, o avanço tecnológico, a obsolescência, a mudança de gosto do consumidor, os preços da concorrência, entre outros. Assim, decidir o preço de um produto envolve muito mais que simplesmente efetuar cálculos. Na formação do preço, deve ser levado em consideração que não só os fatores internos mas também devem ser observados fatores externos que possam interferir no processo de formação do preço. MÉTODOS DE FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA Para o cálculo do preço de venda, existem vários métodos que podem ser utilizados. Segundo Bianchi (2007, p.5), os métodos utilizados como auxílio, na formação do preço de venda, podem ser: Método baseado no custo da mercadoria; Método baseado nas decisões das empresas concorrentes; Método baseado nas características de mercado; Método misto. De acordo com alguns autores, dentre esses métodos, o mais comum é o baseado nos custos, que consiste em identificar o custo do produto ou serviço e adicionar uma margem padrão de lucro. CUSTO Segundo Santos et. al. (2006, p.20), podem se considerar custos como (...) sendo o consumo de ativos necessários para a produção do produto ou a colocação da mercadoria à disposição dos clientes no estabelecimento comercial (...). Todavia, nas empresas comerciais que compram as mercadorias já prontas, para repassá las aos clientes, os custos correspondem aos gastos relativos à aquisição das mercadorias; na demonstração de resultados, os custos correspondem à quantidade vendida. (MEGLIORINI, 2007, p. 5). Os custos são gastos que estão relacionados ao processo de produção de bem ou serviços nas empresas produtoras. Já, nas empresas comerciais, os custos estão relacionados aos gastos diretos e indiretos, para se colocar o produto à venda.

4 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, CUSTOS NA FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA Saber identificar o que são custos e gastos é de total importância, para que a empresa tenha uma margem de lucro que a mantenha no mercado, pois é por meio desse conhecimento que se obtém o preço de venda. De acordo com a pesquisa realizada, um bom sistema de custos deve constituir se, prioritariamente, de qualquer administração, ter instrumentos que o auxiliem nos controles e nas tomadas de decisões. (CREPALDI, 2010, p. 2). Sendo assim, o conhecimento dos custos é vital para se saber se, dado o preço, o produto é rentável; ou, se não rentável, se é possível reduzi los (os custos). (MARTINS, 2010, p.22). MÉTODOS DE CUSTEIO Custeio por Absorção Esse método é utilizado na maioria das indústrias, pois, além de atender as exigências fiscais, consiste em apropriar ao produto fabricado os custos diretos e indiretos. Crepaldi (2010, p.229) afirma que, Nesse método de custeio, todos os Custos de Produção são apropriados aos produtos do período. Os custos de produção podem ser apropriados diretamente, como é o caso de material direto e mão de obra direta; ou indiretamente, como é o caso dos custos indiretos de fabricação. Os gastos que não pertencem ao processo produtivo, como as despesas, são excluídos. Custeio Variável (Direto) Esse método de custeio é também conhecido como Custeio Direto, pois desconsidera os custos fixos e considera, como custos de produção de um período, apenas os custos variáveis. Partindo do princípio de que os custos da produção são, em geral, apurados mensalmente e de que os gastos imputados aos custos devem ser aqueles efetivamente incorridos e registrados contabilmente, esse sistema de apuração de custos depende de um adequado suporte do sistema contábil, na forma de um plano de contas que separe, já no estágio de registro dos gastos, os custos variáveis e os custos fixos de produção, com adequado rigor. (CREPALDI, 2010, p.232) Custeio ABC (activity based costing) O custeio ABC (Custeio baseado em atividades) tem como propósito apropriar os custos às

5 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, suas respectivas atividades, evitando tomadas de decisões equivocadas por rateios dos custos indiretos. Segundo Megliorini (2007, p.152), A primeira etapa do custeio ABC é identificar as atividades executadas em cada departamento. Sugere se identificar aquelas consideradas mais relevantes, para o que se podem utilizar diversas técnicas, tais como: entrevistas com os gestores, aplicação de questionários aos gestores e observação direta. Custo Padrão Esse tipo de custeio é conhecido por levar em consideração um preço padrão do produto, com uma meta já definida, para ser alcançada. Segundo Santos et. al. (2006, p. 256), O princípio do custo padrão é definir um parâmetro inicial, para implementar padrões de comportamento de custos. Portanto, o padrão servirá de parâmetro inicial para referência dos custos das atividades. E Crepaldi (2010, p.296) complementa, destacando que devemos ter, em mente, que sua finalidade básica é proporcionar um instrumento de controle à administração da empresa. Margem de Contribuição A margem de contribuição consiste na diferença entre o preço de venda de um produto menos todos os gastos variáveis de um determinado produto. Segundo Megliorini (2007, p.114), A margem de contribuição é o montante que resta do preço de venda de um produto depois da dedução de seus custos e despesas variáveis. Sendo assim, podemos analisar qual produto está contribuindo, melhor, com a receita da empresa e, com esse levantamento de dados, ajuda la nas suas tomadas de decisões. MICRO E PEQUENAS EMPRESAS As micro e pequenas empresas são classificadas por suas características. A Lei geral da Micro e Pequena Empresa, de dezembro de 2006, traz a definição mais comum e utilizada. De acordo com essa Lei, as micro empresas são aquelas que possuem um faturamento anual de, no máximo, R$240 mil. E as pequenas devem ter um faturamento entre R$ ,01 e R$2,4 milhões anualmente. Uma outra classificação é feita pelo SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, que traz uma definição onde as micros e pequenas empresas são classificadas pela quantidade de empregados que possui. Empregando até 9 (nove) pessoas no comércio e serviços, ou até 19 (dezenove) nas indústrias e nas construções estão classificadas as

6 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, micro empresas. As pequenas empresas são assim classificadas, tendo de 10 a 49 empregados no comércio e serviços; e de 20 a 99 empregados nas indústrias e construções. MÉTODOS DE CUSTEIO INDICADOS PARA MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Encontrar autores que falam, especificamente, de métodos de custos é um tanto difícil, pois não se encontram, facilmente, os autores que abordam esse assunto. Gomes (2005): São poucos os autores que abordam a utilização de métodos de custeio para micro e pequenas empresas, a bibliografia nessa área é escassa. Porém os livros citam a importância da contabilidade de custos para todas as empresas, independentemente de seu porte. Segundo uma pesquisa bibliográfica feita por Gomes (2005, p.45), são encontrados apenas nove autores que analisam os métodos de custeio indicados para a pequena empresa, cinco deles: Zimmerer, Scarborough, Baumback, Kassai e Casanova. Esses autores recomendam o uso do método do custeio variável direto, enquanto outros três Carmello, Huppert e Schoeps recomendam o uso do sistema variável direto e o de absorção. desenvolveu um método para pequenas empresas, adaptando o ABC. E o ultimo autor, Hicks, CONCLUSÃO O presente trabalho teve como objetivo identificar fórmulas aplicáveis às micro e pequenas empresas, auxiliando as na tomada de decisão. Desse modo, com as pesquisas bibliográficas realizadas, concluímos que, dentre os métodos existentes de custeio, os indicados para essas empresas são o custeio ABC, o custeio por absorção e o custeio variável, sendo que, entre estes, o custo variável tem maior destaque, por ser mais indicado. No estudo do conceito e identificação dos custos, verificamos que, para se calcularem os custos, é necessário sabermos identificar quais são eles dentro da empresa, seja na produção, venda ou na prestação de serviços. Essa difícil mensuração de custo, assim vista pela falta de conhecimento dos gestores dessas empresas, está listada como um dos principais motivos que as levam a fecharem suas portas. Dentre os métodos de formação de preço de venda, foi possível observarmos que, na formação do preço de venda que traga bons resultados, é necessário que se tenham identificado os custos e os gastos, bem como qual a margem de lucro desejada. Entre os vários métodos existentes de formação do preço de venda, o método mais comum é o baseado nos custos.

7 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, REFERÊNCIAS BERNARDI, L.A. Manual de formação de preços: políticas, estratégias e fundamentos. 3. ed. São Paulo: Atlas, BIANCHI, R.; ANUNCIATO, K.M. A importância das informações contábeis para formação do preço de venda nas micro e pequenas empresas no município de Sapezel MT. 15 f. In: Congresso Virtual Brasileiro Administração, Disponível em <http://www.convibra.com.br/2007/congresso/artigos/295.pdf>. Acesso em 02 abr BRASIL. Congresso Nacional. Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Lei Complementar nº123, de 14 de dezembro de Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte; altera dispositivos das Leis n o e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo Decreto Lei n o 5.452, de 1 o de maio de 1943, da Lei n o , de 14 de fevereiro de 2001, da Lei Complementar n o 63, de 11 de janeiro de 1990; e revoga as Leis n o 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e 9.841, de 5 de outubro de Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 dez Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm>. Acesso em: 02 abr CREPALDI, A. S. Curso Básico de Contabilidade de Custos. 5. ed. São Paulo: Atlas, GOMES, G. S. Uma proposta de aplicação de um método de custeio para uma pequena empresa f. Monografia apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. Disponível em: <http://tcc.bu.ufsc.br/contabeis294287>. Acesso em 23 mar LEONE, G. Custos: Planejamento, Implantação e Controle. 3. ed. São Paulo: Atlas, MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, MEGLIORINI, E. Custos: Análise e Gestão. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, SANTOS, J. L.; ET. AL. Fundamentos de Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Critérios e conceitos para classificação de empresas: Saiba como classificar empresas por porte. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/uf/goias/indicadores das mpe/classificacao empresarial>. Acesso em 09 abr

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