Projeto de Ensino. Unidade Universitária de Dourados. Direito da Seguridade Social. Curso de Direito. Evolução Histórica

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1 Unidade Universitária de Dourados Curso de Direito Projeto de Ensino Direito da Seguridade Social Evolução Histórica Prof. Esp. Eliotério Fachin Dias 2013

2 1. Evolução Histórica Para compreendermos a Seguridade Social, há a necessidade de examinarmos suas origens e seu desenvolvimento, no transcurso do tempo, no Brasil e nos demais países. 1.1 No direito estrangeiro A preocupação do homem, quanto ao infortúnio, precede ao Direito Romano, existindo, por parte da família romana, a obrigação de prestar assistência aos servos e clientes, de modo a ajudar os mais necessitados, por meio da pater familias, em forma de associação, mediante contribuições de seus membros. A Sereníssima República de Veneza, além de ter criado a letra de cambio, difundiu e aperfeiçoou os tratados de comercio internacional, que posteriormente viria a se tornar a clausula da nação mais favorecida e de tratamento nacional, assim como instituiu o primeiro sistema previdenciário europeu. No século XV, segundo Fernand Braudel, Veneza tinha o mesmo papel central na economia do mundo que atualmente possui Nova Iorque. Posteriormente, em 1344, com a mesma preocupação da infortunística, ocorreu a celebração do primeiro contrato de seguro marítimo, surgindo, logo após, a cobertura de riscos contra incêndios. Em 1601, a Inglaterra editou a lei de amparo aos pobres (Poor Relief Act), instituindo a contribuição obrigatória para fins sociais, e, ainda, outras sobre assistência pública. Otto Von Bismarch, na Alemanha, introduziu uma série de seguros sociais, instituindo, em 1883, o seguro-doença, custeado por contribuições dos empregados, empregadores e Estado; em 1884, o seguro contra acidentes do trabalho com custeio dos empresários; e, em 1889, o seguro de invalidez e velhice custeado pelos trabalhadores, empregadores e Estado. O Pontífice Papa Leão XIII (1891) pronunciou-se, através da Encíclica Rerum Novarum, sobre as contingências futuras, e, ainda, o Papa Pio XI, no Quadragésimo Ano. Em 1897, a Inglaterra instituiu o Workmen s Compensation Act, criando o seguro obrigatório contra acidentes de trabalho, impondo aos empregadores, o princípio da 2

3 responsabilidade objetiva, tornando-o responsável pelo infortúnio, atribuindo-lhe o pagamento de indenizações ao obreiro, mesmo sem que tenha concorrido com culpa pelos acidentes. Em 1898, a França promulgou norma criando a assistência à velhice e aos acidentes do trabalho. Em 1907, foi instituído o sistema de assistência à velhice e acidentes do trabalho. Em 1908, o Old Age Pensions Act, o sistema de pensões aos maiores de 70 anos, independentemente de contribuição social. A partir de 1911, foi instituído o National Insurance Act, o sistema de contribuições sociais, a cargo do empregador, do empregado e do Estado. A Constituição do México de 1917 iniciou uma nova fase, denominada constitucionalismo social, ao dispor em seu art. 123, sobre o seguro social. O constitucionalismo social começou a tratar dos direitos sociais, trabalhistas, inclusive previdenciários. A Constituição de Weimar, em 1919, na Alemanha, incumbia ao Estado prover a subsistência do cidadão alemão, caso este não pudesse exercer trabalho produtivo (art. 163). A Organização Internacional do Trabalho (OIT) criada pelo Tratado de Versalhes em 1919, passou a tratar sobre previdência social, em suas Convenções, tais como, a de n. 12, em 1921, sobre acidentes do trabalho na agricultura, a de n. 17, em 1927, sobre indenização por acidentes do trabalho, e outras. Nos Estados Unidos, Roosevelt instituiu o New Deal, a doutrina do Welfare State (Estado do bem-estar social), tentando resolver as conseqüências da crise econômica que se iniciara em Dispunha sobre o combate às perturbações da vida humana, a luta contra a miséria, o desemprego e a velhice. O Congresso aprovou, em 1935, o Social Security Act, para ajudar os idosos, estimular o consumo, instituindo o auxílio-desemprego. 3

4 Em 1941, a Inglaterra aprovou o Plano Beveridge, um programa de prosperidade política e social, visando acobertar o indivíduo de certas contingências sociais, tais como a indigência. Em 1946, foi implantado um plano de previdência social, reformando o sistema inglês de proteção social. A preocupação com a infortunística ultrapassou fronteira, sendo, então, alvo da ONU, em 1948, com a Declaração dos Direitos do Homem, ao determinar, entre os direitos fundamentais da pessoa humana a proteção previdenciária, assegurando que: Todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família, saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora do seu controle. 1.2 No Direito Brasileiro A seguridade social no Brasil foi disciplinada em todas as Constituições, algumas, de maneira tímida, breve; outras, de maneira ampla, como a atual, de 1988, tendo um capítulo específico (arts. 194 a 204) Constituição de 1824 A Constituição de 1824 estabeleceu, no art. 179, no inciso XXXI, sobre a constituição dos socorros públicos. Na vigência dessa constituição, apareceu, em 1935, o Montepio Geral dos Servidores do Estado (Mongeral), a primeira entidade privada a funcionar no país, que previa a cobertura de certos riscos. O Código Comercial de 1850 previa, em seu art. 79, sobre os acidentes imprevistos e inculpados que impedirem aos prepostos o exercício de suas funções não impedirão o vencimento de seu salário, contanto que a inabilitação não exceda três meses contínuos. O Regulamento 737, de 1850, assegurava os salários, por no máximo três meses, aos empregados acidentados no trabalho. 4

5 1.2.2 Constituição de 1891 A Constituição de 1891 regulava, em seu art. 75, sobre a aposentadoria a funcionários públicos, em caso de invalidez, no serviço da Nação. A Lei Eloy Chaves (Decreto n. 4682, de 1923) foi a primeira norma instituidora da previdência social no Brasil, criando as Caixas de Aposentadorias e Pensões para os ferroviários, a nível nacional. Outras leis estenderam os benefícios da Lei Eloy Chaves aos demais empregados. As Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs) eram organizações de seguro social estruturadas por empresas; passando, posteriormente, o sistema previdenciário a abranger categorias profissionais. Durante esse período, foram criados os Institutos de Aposentadorias (IAPM - dos marítimos, IAPC dos comerciários, IAPB, dos bancários, etc.), estruturados por categorias profissionais Constituição de 1934 A Constituição de 1934 estabelecia, no artigo 5º, inciso XIX, alínea c, a competência para a União fixar regras de assistência social; no artigo 10, aos Estados-membros a responsabilidade para cuidar da saúde e assistências públicas e fiscalização à aplicação das leis sociais ; no artigo 39, inciso VIII, item d, sobre a competência do Poder Legislativo para instituir normas sobre aposentadorias; no artigo 121, sobre a proteção social do trabalhador, estabelecendo a forma tríplice de custeio, da União, dos empregados, e dos empregadores, a favor da velhice, invalidez, maternidade e acidentes do trabalho. Estabelecia, ainda, no art. 170, sobre a aposentadoria compulsória para os funcionários públicos acima de 68 anos de idade; sobre a aposentadoria por invalidez, com salário integral, ao funcionário que tivesse no mínimo 30 anos de trabalho; e, benefícios ao funcionário público acidentado, entre outros. 5

6 1.2.4 Constituição de 1937 A Carta de 1937 disciplinava, em seu art. 137, sobre a instituição de seguros de velhice, invalidez, vida e nos casos de acidentes do trabalho. Não houve evolução nessa Constituição, em matéria previdenciária; houve, antes, regressão nos direitos previdenciários Constituição de 1946 A Constituição de 1946 apresentou, pela primeira vez, a expressão previdência social, disciplinando, no art. 157, dentre a regulamentação do Direito do Trabalho, sobre a previdência, mediante contribuição da União, do empregador e do empregado, em favor da maternidade e contra as conseqüências da doença, da velhice, da invalidez e da morte. Na vigência dessa Constituição, inúmeros decretos e leis foram promulgados, regulamentando sobre Regulamento Geral dos Institutos de Aposentadorias e Pensões, dentre outras: a Lei 3807, de 1960, a Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS) padronizou o sistema assistencial, surgindo vários benefícios, tais como: o auxílio-natalidade, o auxíliofuneral, o auxílio-reclusão; a Lei 4214/63 criou o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL); a Lei 4266/63 criou o salário-família, dentre outras Constituição de 1967 Esta Constituição pouco inovou em relação à anterior; antes, repetiu as disposições da Constituição de 46. O Art. 158, Inciso XVI, estabeleceu o seguro-desemprego, regulamentado, posteriormente, pela Lei 4923/65, com o nome de auxílio-desemprego. Assegurou, ainda, a aposentadoria à mulher aos 30 anos de trabalho, com salário integral (Art. 158, inciso XX) Emenda Constitucional de 1969 A Emenda Constitucional n. 1, de 1969, tratou da previdência social, nos incisos do art. 165, não apresentando alterações substanciais, em relação à Carta de A Emenda Constitucional n. 18/81 previa aposentadoria para o professor após 30 anos e, para a professora, após 25 anos de efetivo exercício em funções de magistério. 6

7 Inúmeras leis foram promulgadas, regulamentando sobre benefícios previdenciários, tais como: a Lei 6.136/74, do salário-maternidade; a Lei 6260/75, de benefícios e serviços previdenciários para os empregados rurais e seus dependentes; a Lei 6439/77, da instituição do SINPAS (Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social), entre outras Constituição de 1988 A atual Constituição, promulgada em , dispõe todo um capítulo sobre Seguridade Social (Arts. 194 a 204), passando, então, a Previdência Social, a Assistência Social e a Saúde, a fazer parte do gênero Seguridade Social. A regulamentação e organização da Seguridade Social têm sido determinadas por inúmeras leis, que revogaram as disposições legais contrárias à atual Constituição. Dentre outras, foram promulgadas as Leis 8212/91 e 8213/91, que disciplinam sobre o Plano de Custeio e o Plano de Benefícios da Previdência Social, respectivamente. A Emenda Constitucional n. 20/99 promoveu uma ampla reforma no sistema previdenciário, regulamentada pelo Decreto 3048/99, de , o Regulamento da Previdência Social. Posteriormente, a Lei 9876/99, alterou as Leis 8212/91 e 8213/91, complementando a reforma previdenciária. Referências Bibliográficas: BALERA, Wagner. A Seguridade Social na Constituição de São Paulo: RT..Curso de Direito Previdenciário. São Paulo. LTr. CASTRO, Carlos Alberto Pereira de. Manual de Direito Previdenciário. São Paulo: LTr. DAL RI JUNIOR, Arno. História do Direito Internacional. Comércio e Moeda. Cidadania e Nacionalidade. Florianópolis: Fundação Boiteux, EDUARDO, Ítalo Romano. Curso de direito previdenciário. Niterói: IMPETUS. FELIPE, Jorge Franklin Alves. Previdência Social na prática forense. São Paulo: Forense 7

8 GONÇALVES, Nilton Oliveira Gonçalves. As novas regras para a Aposentadoria. São Paulo: LTr. LEITE, João Antônio G. Pereira. Curso elementar de direito previdenciário. São Paulo: LTr. MARTINEZ. Wladimir Novaes. Princípios de Direito Previdenciário. São Paulo: Saraiva.Curso de Direito Previdenciário. Noções de Direito Previdenciário. São Paulo, LTr..Curso de Direito Previdenciário. Previdência Social. São Paulo, LTr..Reforma da Previdência Social. Comentários à Emenda Constitucional n. 20/98. São Paulo: LTr. MARTINS, Sergio Pinto. Direito da Seguridade Social. São Paulo: Atlas MONTEIRO, Antônio Lopes. Crimes contra a previdência social. São Paulo: Saraiva OLIVEIRA, Aristeu de. Consolidação da Legislação Previdenciária. São Paulo: Atlas.. Manual Prático de Seguridade Social. São Paulo: Atlas. PESTAN, Pestan, ROMERO, Vilson Antônio.Comentários à Nova Lei da Previdência Social. São Paulo: Escala. SANTOS FILHO, Roberto Lemos dos. A previdência social pelos tribunais regionais federais. São Paulo: RT. TAVARES, Marcelo Leonardo. Direito previdenciário. São Paulo: Lumen Juris VIEIRA, Marco André Ramos. Manual de Direito Previdenciário. Rio de Janeiro: Impetus. 8

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