A RESPONSABILIDADE CIVIL DO TRANSPORTADOR NOS CONTRATOS DE TRANSPORTE MARÍTIMO INTERNACIONAL DE MERCADORIA

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1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ UNIVALI CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS, POLÍTICAS E SOCIAIS - CEJURPS CURSO DE DIREITO A RESPONSABILIDADE CIVIL DO TRANSPORTADOR NOS CONTRATOS DE TRANSPORTE MARÍTIMO INTERNACIONAL DE MERCADORIA LEANDRO PEREIRA Itajaí, outubro de 2006

2 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ UNIVALI CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS, POLÍTICAS E SOCIAIS - CEJURPS CURSO DE DIREITO A RESPONSABILIDADE CIVIL DO TRANSPORTADOR NOS CONTRATOS DE TRANSPORTE MARÍTIMO INTERNACIONAL DE MERCADORIA LEANDRO PEREIRA Monografia submetida à Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI, como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Direito. Orientador: Professor Dr. Diego Richard Ronconi Itajaí, outubro de 2006

3 A forma mais terrível de naufrágio é não partir Amyr Klink.

4 MEUS SINCEROS AGRADECIMENTOS: A Deus, por ter me proporcionado saúde e condições de continuar na busca de um sonho. Aos meus pais João Brás Pereira e Célia Minela, meus irmãos Alessandro Pereira e João Brás Pereira Júnior, pela compreensão, amizade e amor dedicados ao longo de minha vida. A Elisabeth Joos Blanck, por ter me brindado com sua amizade, compreensão e por ter se tornado minha segunda mãe, assim a considero. Fabiano Collato, que se tornou meu melhor amigo de todos os tempos, seja nas horas alegres, como nas horas difíceis que passei e que precisei. Ana, Fernando e Marla, pela amizade construída nos meus quatros anos de estágio no Fórum da Comarca de Balneário Piçarras/SC e que perdura acesa até hoje. A Drª Ana Vera Sganzerla Truccolo, Juíza de Direito da Comarca de Balneário Piçarras/SC, por todos os ensinamentos e carinho com que me tratou durante estágio. A Drª Viviane Daminani Valcanaia, Promotora de Justiça da Comarca de Balneário Piçarras/SC, por seu profissionalismo e por ter me brindado com sua amizade.

5 Ao Dr. Osvaldo Agripino de Castro Júnior, por me ajudado paralelamente na produção desse Trabalho. Ao Meu Orientador Dr. Diego Richard Ronconi, pela atenção dispensada durante todo o tempo da produção desse trabalho.

6 ESTE TRABALHO DEDICO ESPECIALMENTE: Ao Sr. João Brás Pereira e Sra. Célia Minela, por todo amor e carinho que vocês vêm me proporcionando até os dias de hoje.

7 TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE Declaro, para todos os fins de direito, que assumo total responsabilidade pelo aporte ideológico conferido ao presente trabalho, isentando a Universidade do Vale do Itajaí, a coordenação do Curso de Direito, a Banca Examinadora e o Orientador de toda e qualquer responsabilidade acerca do mesmo. Itajaí (SC), outubro de 2006 Leandro Pereira Graduando

8 PÁGINA DE APROVAÇÃO A presente monografia de conclusão do Curso de Direito da Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI, elaborada pela graduanda Leandro Pereira, sob o título Responsabilidade Civil do Transportador nos Contratos de Transporte Marítimo Internacionais de Mercadorias, foi submetida em 21/11/2006 à banca examinadora composta pelos seguintes professores: Dr. Diego Richard Ronconi, Dr. Osvaldo Agripino de Castro Júnior e Jaqueline Daros Abreu de Oliveira, e aprovada com a nota 9,4 (nove virgula quatro). Itajaí (SC), outubro de 2006 Dr. Diego Richard Ronconi Orientador e Presidente da Banca Msc. Antônio Augusto Lapa Coordenação da Monografia

9 ROL DE CATEGORIAS Rol de categorias que o Autor considera estratégicas à compreensão do seu trabalho, com seus respectivos conceitos operacionais. Avarias: São os danos, as perdas e as despesas extraordinárias que o navio, ou sua carga, sofrem durante a expedição marítima, sendo melhor definida no art. 761 do Código Comercial, que assim dispõe: Todas as despesas extraordinárias feitas a bem do navio ou da carga, conjunta ou separadamente, ou todos os danos acontecidos àquela ou a esta, desde o embarque até a sua volta e desembarque, são reputadas avarias 1 B/L Conhecimento de Carga / Embarque: É o documento mais importante do comércio marítimo, pois é um título de crédito que representa mercadoria nele descrita, evidenciando a existência de um contrato de transporte 2. CIF: No CIF (custo, seguro e frete) as mercadorias têm o preço acrescido do seguro marítimo e do frete; usando esse termo, o exportador, por pagar o frete, escolhe a embarcação que transportará as mercadorias. 3 Contrato: (...) é o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem jurídica, destinado a esclarecer uma regulamentação de interesses entre as partes com o 1 CASTRO JR, Osvaldo Agripino. Introdução ao direito marítimo In: CASTRO JR, Osvaldo Agripino de. (org.) Temas Atuais de Direito do Comércio Internacional, vol. I. Florianópolis: OAB/SC, p CASTRO JR, Osvaldo Agripino. Introdução ao direito marítimo In: CASTRO JR, Osvaldo Agripino de. (org.) Temas Atuais de Direito do Comércio Internacional, vol. I. p ANJOS, J. Haroldo dos, GOMES, Carlos Rubens Caminha. Curso de direito marítimo. Rio de Janeiro: Renovar, p.178.

10 escopo de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial 4. Contrato de Afretamento: Fretamento ou afretamento é o contrato pelo qual uma pessoa, o fretador, coloca à disposição de outra pessoa, o afretador, seu navio ou partes dele, mediante o pagamento de uma soma denominada de frete. É um contrato misto de locação de coisas e prestação de serviços, variando os dois conforme a modalidade que se apresente. 5 Contrato de Transporte: É aquele em que uma pessoa ou empresa se obriga, mediante retribuição, a transportar, de um local para outro, pessoas ou coisas animadas ou inanimadas (CC, art. 730). A empresa de transporte, pessoa física ou jurídica, está apta à oferta e à prestação de serviços de deslocamento de pessoas e de mercadorias por via terrestre, aquaviária, revestindo-se, ferroviária e aérea, mediante contratos celebrados com os respectivos usuários, revestindo-se para tanto de forma empresarial, quer em nome individual, quem nome coletivo, e assumindo os riscos decorrentes desse empreendimento 6. Contrato de transporte Marítimo: É um acordo escrito mediante o qual o armador se compromete a transportar mercadorias por água, numa expedição marítima, recebendo em troca ma quantia em dinheiro denominada frete. Assim o frete é o preço do transporte. 7 FOB: 4 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: teoria das obrigações contratuais e extracontratuais. 21 ed. São Paulo: Saraiva, p ANJOS, J. Haroldo dos, GOMES, Carlos Rubens Caminha. Curso de direito marítimo. Rio de Janeiro: Renovar, p DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: teoria das obrigações contratuais e extracontratuais. v. III, 18 ed. São Paulo: Saraiva, p GIBERTONI, Carla Adriana Comitre. Teoria e prática do direito marítimo. 2 ed. Rio de Janeiro: Renovar, p.145.

11 No caso FOB (posto a bordo), significa que as mercadorias serão postas a bordo pelo exportador, e daí por diante as despesas e responsabilidade correrão por conta do importador. 8 Navio e embarcação: Espécie do gênero embarcação, construção flutuante de natureza móvel, destinada a uma navegação que habitualmente o submete aos riscos do mar, sendo necessário que tenha robustez para enfrentar as fortunas das viagens marítimas, personalidade, nacionalidade e nome. A Convenção Internacional para Unificação de Certas Regras em Matéria de Conhecimentos Marítimos, em seu art. 1, define navio como sendo toda embarcação d estinada ao transporte de mercadorias por mar. A embarcação, por sua vez, de acordo com o item 0108 da NORMAM 03, expedida pela Diretoria dos Portos e Costas, ao regulamentar a Lei 9.537, de 11 de dezembro de 1997, que dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário LESTA, é qualquer construção inclusive as plataformas flutuantes e as fixas, quando rebocadas, sujeitas à inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas. No caso de embarcação de esporte ou recreio, o seu registro de propriedade, conforme item 0209, da NORMAM 03, será deferido à pessoa física residente e domiciliada no País, às entidades públicas ou privadas sujeitas às leis brasileiras, e aos estrangeiros, mesmo aqueles não residentes nem domiciliados no País, de acordo com a Lei n 7.652/88 alterada pela Lei n 9.774/98 9. Responsabilidade Civil: Responsabilidade Civil é a aplicação de medidas que obriguem uma pessoa a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros, em razão de ato por ela 8 ANJOS, J. Haroldo dos, GOMES, Carlos Rubens Caminha. Curso de direito marítimo. Rio de Janeiro: Renovar, p CASTRO JR, Osvaldo Agripino. Introdução ao direito marítimo In: CASTRO JR, Osvaldo Agripino de. (org.) Temas Atuais de Direito do Comércio Internacional, vol. I. p. 105.

12 mesma praticado, por pessoa por quem ela responde, por coisa a ela pertencente ou de simples imposição legal 10. Transporte aquaviário: (art. 1º, 1º, II) Dispõe sobre a sua ordenação a Lei nº , de , abrangendo o afretamento, o armador, a tripulação, a marinha mercante e os regimes de navegação. A lei nº 9.443, de , instituiu a política nacional de recursos hídricos, inclusive no que toca ao transporte aquaviário, criando sistema de gerenciamento. 11 Transporte Marítimo: Transporte é o conjunto de meios que possibilitam o deslocamento de bens e pessoa. Para que haja produção é necessário que se localizem no mesmo lugar a mão-de-obra, a matéria-prima e o equipamento de transformação, carecendo, ainda carecendo ainda do meio para colocar tal produto no mercado. Como cada país possui suas vantagens comparativas, ou seja, produtos e serviços que são característica da própria geografia e cultura do povo, o transporte surge como elemento essencial para a divisão do trabalho e ampliação de mercado. Nesse quadro, pode-se sustentar que a relação entre mobilidade e renda é tal que países nos quais bens e povo movem-se com facilidade têm, relativamente, alta renda per capita, pois países que dependem de transporte não podem gerar maior produtividade. Por sua vez, grande parte do transporte e do comércio internacional é feito entre nações separadas por oceanos, por rios e lagos, sendo esse gênero de transporte denominado aquaviário, e por ocorrer nos mares e oceanos, chama-se transporte marítimo, sendo imbatível no tocante ao preço e à capacidade de movimentar grandes quantidades de mercadorias DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro Responsabilidade Civil. São Paulo: Saraiva: 1999, v.7, 13 ed., p SILVA, De Plácido.Vocabulário jurídico. 11 ed. Rio de Janeiro: Forense, p CASTRO JR, Osvaldo Agripino. Introdução ao direito marítimo In: CASTRO JR, Osvaldo Agripino de. (org.) Temas Atuais de Direito do Comércio Internacional, vol. I. p. 104.

13 SUMÁRIO RESUMO...XIV INTRODUÇÃO CAPÍTULO BREVES NOÇÕES SOBRE RESPONSABILIDADE CIVIL BREVE HISTÓRICO ACERCA DA RESPONSABILIDADE RIVIL CONCEITO E ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL ESPÉCIES E FORMAS DE RESPONSABILIDADE CIVIL RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE CIVIL...34 CAPÍTULO CONSIDERAÇÕES SOBRE OS CONTRATOS DE TRANSPORTE E SUAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS CONCEITO DE CONTRATO DE TRANSPORTE ESPÉCIES DE CONTRATOS DE TRANSPORTE CONTRATO DE TRANSPORTE DE PESSOAS CONTRATO DE TRANSPORTE DE COISAS FORMAS DE TRANSPORTE CONTRATO DE TRANSPORTE TERRESTRE CONTRATO DE TRANSPORTE AÉREO CONTRATO DE TRANSPORTE MARÍTIMO, LACUSTRE E FLUVIAL Marítimo Fluvial Lacustre...61

14 2.4 REQUISITOS E ELEMENTOS DOS CONTRATOS DE TRANSPORTE AS CONVENÇÕES E TRATADOS INTERNACIONAIS ACERCA DOS CONTRATOS DE TRANSPORTE...62 CAPÍTULO OS CONTRATOS DE TRANSPORTE MARÍTIMO INTERNACIONAL DE COISAS E A RESPONSABILIDADE CIVIL DO TRANSPORTADOR TRANSPORTE MARÍTIMO INTERNACIONAL DE COISAS E OBRIGAÇÕES DO TRANSPORTADOR AVARIAS NO TRANSPORTE MARÍTIMO AVARIA GROSSA AVARIA PARTICULAR EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE CIVIL DO TRANSPORTADOR MARÍTIMO DE COISAS POR AVARIAS OS TERMOS INICIAL E FINAL DA RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR CLÁUSULAS EXONERADORAS AJUSTADAS ENTRE O TRANSPORTADOR E O CARREGADOR CONCEITO CLÁUSULAS EXONERADORAS VANTAGENS DA CLÁUSULAS EXONERADORAS DESVANTAGENS DAS CLÁUSULAS EXONERADORAS LEGISLAÇÃO ESPECIAL APLICÁVEL AO CONTRATO DE TRANSPORTE MARÍTIMO CÓDIGO CIVIL CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR TRATADO DE TRANSPORTE MULTIMODAL DO MERCOSUL Do Documento ou Conhecimento de Transporte Multimodal Responsabilidade do Operador de Transporte Multimodal Responsabilidade do Expedidor...94 CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS

15 RESUMO O estudo sobre o tema A Responsabilidade Civil do Transportador no Contrato de Transporte Marítimo Internacional de Mercadorias tem por finalidade aprofundar o conhecimento sobre a Responsabilização do Transportador Marítimo ante as avarias ocorridas durante o transporte, visando a realização de uma monografia, para a conclusão do curso e obtenção do grau de bacharel em Direito, pela Universidade do Vale do Itajaí. No primeiro capítulo será tratado sobre noções gerais a respeito da Responsabilidade Civil, sua evolução histórica, elementos e requisitos para a sua caracterização, bem como suas formas e espécies. Já o segundo capítulo abordará os Contratos de Transporte, elementos, formas, espécies e suas relações internacionais. O terceiro capítulo terá como assunto os Contratos de Transporte Marítimo Internacionais e a Responsabilidade Civil do Transportador com suas peculiaridades, tais como a inserção das cláusulas de não indenizar no Conhecimento de Embarque ou Bill of Lading, bem como a legislação aplicável e a Responsabilidade do Transportador contida no Tratado de Transporte Multimodal do Mercosul. Utilizou-se o método indutivo para a elaboração do presente trabalho. O tema é atual e relevante, visto que a região do Vale do Itajaí é Portuária e encontra-se atualmente em expansão, devido ao desenvolvimento econômico do nosso País, em que o mercado de trabalho vem necessitando de pessoal especializado para atuação nas soluções dos conflitos que estão surgindo junto com o crescimento das exportações e importações, cujo o principal meio de transporte utilizado é o marítimo, eis que financeiramente mais viável, tanto aos exportadores quanto aos importadores.

16 INTRODUÇÃO A presente Monografia tem como objeto a Responsabilidade Civil do Transportador nos Contratos de Transporte Marítimo Internacional de Mercadorias. O seu objetivo é produzir Monografia para obtenção do Título de Bacharel em Direito Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI. Para tanto, principia se, no Capítulo 1, tratando de Responsabilidade Civil, com seus conceitos, elementos, espécies e formas, sendo a responsabilidade contratual, extracontratual, subjetiva, objetiva, por fim as excludentes de responsabilidade civil. No Capítulo 2, tratando de considerações sobre os contratos de transporte e suas relações internacionais, identificando os conceitos e espécies de Contrato de Transporte, sendo o Contrato de Transporte Pessoas, Coisas e sob as formas Terrestre, Aéreo, Marítimo, Fluvial e Lacustre e ainda os requisitos e elementos dos contratos de transporte, por fim as Convenções e tratados internacionais sobre os contratos de transporte marítimo. No Capítulo 3, tratando dos Contratos de Transporte Marítimo Internacionais de Coisas e a Responsabilidade Civil do Transportador, iniciando com o Transporte Marítimo Internacional de Coisas e obrigações do transportador, identificando as Avarias no Transporte marítimo, destacando-se a avaria grossa e a avaria particular, seguido das excludentes de responsabilidade civil, a fixação do termo inicial e final da responsabilidade do transportador, as cláusulas exoneradoras ajustadas entre o transportador e o carregador, com as vantagens e desvantagens da inclusão dessas cláusulas. Após, as abordagens serão a respeito da legislação especial aplicável aos contratos de transporte marítimo, abordando-se o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor.

17 16 Por fim, o trabalho trata a respeito do conhecimento de transporte multimodal e da responsabilidade transportador e expedidor. A presente Monografia se encerra com as Considerações Finais, nas quais são apresentados pontos conclusivos destacados, seguidos da estimulação à continuidade dos estudos e das reflexões sobre a Responsabilidade Civil do Transportador nos Contratos de Transporte Marítimo Internacional de Mercadorias. perguntas: Para a presente monografia foram levantadas as seguintes Em que condições poderá o transportador marítimo se eximir da responsabilidade de reparação por danos decorrentes de avarias de mercadorias transportadas? É válida a cláusula de exclusão de responsabilidade nos contratos de transporte marítimo por danos causados aos bens objetos do transporte? No entanto, diante de tais indagações foram apresentadas as seguintes hipóteses: O transportador poderá exonerar-se da responsabilidade de reparar o dano na mercadoria avariada se não houver culpa do transportador, ou seja, se o mesmo estiver sob a incidência de falta do afretador, vício próprio da mercadoria, embalagem inadequada. A Convenção de Bruxelas de 1924, prevê a possibilidade da inserção de cláusulas de isenção de responsabilidade no contrato de transporte marítimo internacional. No entanto, a referida Convenção não foi recepcionada pela legislação brasileira. Portanto não possuem validade no ordenamento jurídico pátrio. Quanto à Metodologia empregada, registra-se que, na Fase de Investigação foi utilizado o Método Indutivo, na Fase de Tratamento de Dados

18 17 o Método Cartesiano, e, o Relatório dos Resultados expresso na presente Monografia é composto na base lógica Indutiva. Nas diversas fases da Pesquisa foram acionadas as Técnicas, do Referente, da Categoria, do Conceito Operacional e da Pesquisa Bibliográfica.

19 18 CAPÍTULO 1 BREVES NOÇÕES SOBRE RESPONSABILIDADE CIVIL. 1.1 BREVE HISTÓRICO ACERCA DA RESPONSABILIDADE CIVIL A Responsabilidade Civil, de acordo com a teoria clássica, está fundamentada em três fatores: o dano, a culpa e o nexo causal entre o dano e a culpa. 13 Entretanto, na época em que vigia a Lei de Talião, olho por olho e dente por dente, não se cogitava a possibilidade de um terceiro intervir na relação entre as pessoas, visto que imperava a vingança privada imediata. 14 Assim discorre Carlos Roberto Gonçalves 15 : Nos primórdios da humanidade, entretanto, não se cogitava do fator culpa, o dano provocava a reação imediata, instintiva e brutal do ofendido. Não havida regras, nem limitações. Não imperava, ainda, o direito. Dominava, então, a vingança privada, forma primitiva, selvagem talvez, mas humana, da reação espontânea e natural contra o sofrido; solução comum a todos os povos nas suas origens, para a reparação do mal pelo mal Com o decorrer do tempo, a lei de Talião começou a perder força, tendo em vista que a vítima percebeu ser mais vantajoso a troca do cumprimento da pena de forma brutal por pagamento de prestação pecuniária, iniciando o período da composição. Nesse sentido, leciona Pablo Stolze Gagliano 16 : 13 GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. 8 ed. São Paulo: Saraiva p GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. p GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. p GAGLIANO, Pablo Stolze, PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de direito civil: responsabilidade civil. V.III. 3 ed. São Paulo: Saraiva, p. 11.

20 19 Há, porém, ainda na própria lei mencionada, perspectivas da evolução do instituo, ao conceber a possibilidade de composição entre a vítima e o ofensor, evitando-se a aplicação da pena de Talião. Assim, em vez de impor que o autor de um dano a um membro do corpo sofra a mesma quebra, por força de uma solução transacional, a vítima receberia, a seu critério e a título de poena, uma importância em dinheiro ou outros bens Conforme se colhe da história, segundo Carlos Roberto Gonçalves 17, tempos depois, já com a existência de uma autoridade soberana, esta tolhe o direito da vítima de fazer justiça com as próprias mãos, torna obrigatória a composição econômica e impõe tarifações, em que encontra fundamento na Lei das XII Tábuas, Código de Ur-Nammu e Código de Manu, porém ainda não se cogitava a culpa. Somente com os romanos houve a distinção entre pena e reparação, com a distinção dos delitos públicos e privados, sendo que os delitos públicos eram pagos para o Estado e os delitos privados às vítimas. Os fundamentos norteadores da reparação do dano surgem da Lei Aquília, visto que continha elementos caracterizadores da culpa com relação à injúria. Mais adiante, no direito francês foi estabelecido um princípio geral da responsabilidade civil, tornando desnecessária a enumeração de casos de composição obrigatória, bem como vários outros princípios que influenciaram em outros povos. A constatação da responsabilidade civil fundamentada na culpa do agente, in abstracto e a distinção da culpa delitual e culpa contratual, aparece na redação dos arts e 1383 do Código de Napoleão. Carlos Alberto Gonçalves 18 assim discorre: A responsabilidade civil se funda na culpa foi a definição que partiu daí para inserir-se na legislação de todo o mundo 17 GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. p GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. p. 06.

21 20 Assim destaca Pablo Stolze Gagliano 19 : (...), observe-se que a inserção da culpa como elemento básico da responsabilidade civil aquiliana contra o objetivismo excessivo do direito primitivo, abstraindo a concepção de pena para substituí-la, paulatinamente, pela idéia de reparação do dano sofrido foi incorporada no grande monumento legislativo da idade moderna, a saber, o Código Civil de Napoleão, que influenciou diversas legislações do mundo, inclusive o Código Civil Brasileiro de 1916 Devido ao desenvolvimento industrial, surgiram outras teorias, sendo uma das mais importantes a chamada teoria do risco, eis que supriu as hipóteses que a teoria da culpa não incidia. Carlos Alberto Gonçalves diz: A responsabilidade seria encarada sob o aspecto objetivo: o operário, vítima de acidente do trabalho, tem sempre direito a indenização, haja ou não culpa do patrão ou do acidentado 20 Porém, a teoria do risco criado não substituiu a teoria da culpa, vez que as duas teorias são aplicas e foram adotadas, recentemente, pelo novo Código Civil Brasileiro. Gagliano 21 : Sobre o assunto, descreve Alvino Lima, apud Pablo Stolze O momento inovador se levanta contra a obra secular; a luta se desencadeia tenazmente e sem tréguas. Ripert proclama Saleilles e Josserand os síndicos da massa falida da culpa, e, a despeito das afirmações de que a teoria do risco desfaleceu no ardor de seu ataque, seus defensores persistem na tarefa, e as necessidades econômicas e sociais da vida moderna intensa obrigam legislador a abrir brechas na concepção da teoria clássica da responsabilidade. Ambas, porém continuarão a substituir, como forças paralelas, convergindo para um mesmo fim, sem que jamais, talvez, se 19 GAGLIANO, Pablo Stolze, PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de direito civil: responsabilidade civil. p GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. p GAGLIANO, Pablo Stolze, PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de direito civil: responsabilidade civil. p. 13.

22 21 possam exterminar ou se confundir, fundamentando, neste ou naquele caso, a imperiosa necessidade de ressarcir o dano, na proteção dos direitos lesados. No art. 186 do Código Civil, encontra-se presente a Responsabilidade Civil fundamentada na culpa, definindo o ato ilícito. ( art Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito ). Entretanto, art. 927, parágrafo único do mesmo diploma legal prevê as possibilidade de aplicação da Responsabilidade Civil Objetiva, pregada pela teoria do risco, conforme se transcreve: Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza risco para os direitos de outrem Diante disso, percebe-se claramente, que o atual Código Civil adota os dois tipos de responsabilidade civil. 1.2 CONCEITO E ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL O entendimento de Responsabilidade como nos ensina o Mestre Rui Stoco 22, pode ser extraído da própria origem da palavra que vem do latim respondere, responder a alguma coisa, ou seja, a necessidade que existe de responsabilizar alguém por seus atos danosos. Savatier apud Silvio Rodrigues 23 conceitua que Responsabilidade Civil é a obrigação que pode incumbir uma pessoa a reparar o prejuízo causado a outra, por fato próprio, ou por fato de pessoas ou coisas que dela dependam. 22 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. 5. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, p RODRIGUES, Silvio. Direito Civil Responsabilidade civil. v.4., 18 ed. rev. São Paulo: Saraiva, p.6.

23 22 Para Cavalieri Filho 24 trata-se de um dever jurídico sucessivo que surge para recompor o dano decorrente da violação de um dever jurídico originário. Maria Helena Diniz 25 entende que: [...] Responsabilidade Civil é a aplicação de medidas que obriguem uma pessoa a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros, em razão de ato por ela mesma praticado, por pessoa por quem ela responde, por coisa a ela pertencente ou de simples imposição legal. Caio Mário Pereira da Silva 26, entende que Responsabilidade Civil consiste na efetivação da reparabilidade abstrata do dano em relação a um sujeito passivo da relação jurídica que se forma. Com fulcro nos conceitos apresentados, entende-se que responsabilidade civil é uma obrigação jurídica de reparação ou indenização de dano ou lesão de direito, seja no âmbito patrimonial ou extrapatrimonial, causado em virtude da culpa ou do dolo por parte do agente, seja por fato próprio, ou por coisas ou terceiros em sua dependência ou ainda por imposição legal, de forma ilícita, a outrem. Entretanto, da leitura do art. 186 do Código Civil, se extrai os elementos caracterizadores da Responsabilidade Civil Aquiliana, ou seja, fundamentada na culpa, que segundo Carlos Roberto Gonçalves 27 que afirma que a partir da leitura do artigo supracitado, logo tem-se a idéia de que quatro são os elementos essenciais da Responsabilidade Civil. Assim ele os enumera: 1. Ação ou omissão; 2. Culpa ou Dolo do agente; 3. relação de causalidade e 4. o dano experimentado pela vítima. 24 CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil. 2.ed. São Paulo: Malheiros, p DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro Responsabilidade Civil. São Paulo: Saraiva: 1999, v.7, 13 ed., p PEREIRA, Caio Mário da Silva. Responsabilidade Civil. Rio de Janeiro: Forense, p GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. p.31.

24 23 Comprovada a existência desses requisitos, surge um vínculo jurídico por força do qual o prejudicado assume a posição de credor e o ofensor, a de devedor. Ação ou omissão do agente. Segundo Silvio Rodrigues 28, A conduta causadora do dano pode ser uma ação (ato positivo) ou uma omissão (ausência de ato) que advém de uma conduta própria do agente, ou seja, se o agente fere a vítima, deve indenizá-la. Ressalva ainda: O ato do agente causador do dano impõe-lhe o dever de reparar não só quando há, de sua parte, infringência a um dever legal, portanto ato praticado contra direito, como também quando seu ato, embora sem infringir a lei, foge da finalidade social a que ela se destina Também, há a responsabilidade por ato de ação ou omissão de terceiros que estão sob sua sujeição, na qual os pais, tutores, curadores, patrões, respondem por atos dos filhos, tutelados, curatelados e empregados. Esta espécie de responsabilidade só ocorre nas hipóteses previstas em lei. E, por fim, pode ocorrer a responsabilidade por danos causados por animais ou coisas sob a guarda do agente. Assim, se partes de uma construção caem na rua causando dano a outrem o dono da obra deve indenizar a vítima. Culpa ou dolo do agente. Da análise do art. 186 do Código Civil, pode-se facilmente constatar a presença desses requisitos, sendo o dolo na ação ou omissão voluntária e a culpa quando se refere a negligência ou imprudência. Carlos Roberto Gonçalves 29 ensina que para obter a reparação do dano, a vítima geralmente tem de provar dolo ou culpa strictu sensu do agente. Pois, como o mesmo menciona, nosso diploma civil adotou a teoria subjetiva. 28 RODRIGUES, Silvio. Direito civil: responsabilidade civil. p. 14 e GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. p.32.

25 24 A responsabilidade civil subjetiva exige a presença da culpa ou do dolo para caracterizar o dever de indenizar. Dolo é a vontade consciente, ou seja, o agente age com a intenção de prejudicar; já a culpa é a negligência, imprudência ou imperícia, ou seja, não há um propósito de causar o dano, este é conseqüência da negligência do agente. Relação de causalidade. Entende Silvio Rodrigues 30 que a relação de causa e efeito existente entre a conduta do agente e o dano sofrido pela vítima. Assim, o dano só gera responsabilidade quando é possível estabelecer um nexo causal entre ele e o seu autor, gerando o dever de indenizar, entretanto, deve-se observar as possíveis causas de excludentes de responsabilidade civil, pois se o autor não teve culpa, a este não cabe o dever de indenizar. Dano experimentado pela vítima. É composto por dois elementos: um material e outro formal. Segundo Fischer, apud MONTENEGRO 31 : Em linguagem vulgar, entende-se o por dano todo prejuízo que alguém sofra na sua alma, corpo ou bem, quaisquer que sejam o autor e a causa da lesão. Em linguagem jurídica, dano é todo prejuízo que o sujeito de direito sofre através da violação dos seus bens jurídicos. Para que o dano dê ensejo à responsabilidade civil, é imprescindível a presença dos dois elementos: o prejuízo e a lesão a um interesse juridicamente tutelado. 1.3 ESPÉCIES E FORMAS DE RESPONSABILIDADE CIVIL A Responsabilidade Civil poderá se apresentar de algumas espécies, entre elas a contratual e extracontratual e duas formas, subjetiva e objetiva, como se passa a expor. 30 RODRIGUES, Silvio. Direito civil: responsabilidade civil. p MONTENEGRO, Antonio Lindbergh C. Ressarcimento de Danos. 6 ed. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, p. 07.

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