TÍTULO: AUTORES: INSTITUIÇÃO ÁREA TEMÁTICA: INTRODUÇÃO

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1 TÍTULO: ALUNOS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ATENDIDOS NO PROJETO EDUCAÇÃO ESPECIAL: ATIVIDADES DE EXTENSÃO, PESQUISA E ENSINO AUTORES: Luis Henrique de Freitas Calabresi, Maria da Piedade Resende da Costa INSTITUIÇÃO: Universidade Federal de São Carlos ÁREA TEMÁTICA: educação INTRODUÇÃO Dos seis aos doze anos acontece o período de desenvolvimento psicossocial, em que a criança passa pela crise evolutiva, na qual acontece o choque entre produtividade e inferioridade, onde a criança quer e precisa ser reconhecida pela sua capacidade de realizar tarefas reconhecidas no seu meio ambiente (ERIKSON, 1971 citado por MEDEIROS, LOUREIRO, LINHARES e MARTURANO, 2000, p. 327). Sendo assim, a ocorrência de dificuldades de aprendizagem, conforme MARTURANO (1997), pode causar danos muito mais sérios do que pensa o senso comum, considerando que o período escolar tem o poder de contribuir para diferentes trajetórias do desenvolvimento, tendo impacto sobre as experiências futuras do indivíduo (MEDEIROS e COLABORADORES, 2000, p. 327) As dificuldades de aprendizagem são consideradas fatores de vulnerabilidade psicossocial (RUTTER, 1987, citado em SANTOS e MARTURANO, 1999). Conforme apontam estudos de seguimento, adolescentes que apresentaram dificuldades de aprendizagem quando crianças demonstram mais problemas de ajustamento e um maior número de comportamentos anti-sociais (SCREEN, 1982, citado em SANTOS e MARTURANO, 1999). Confirmando o fator de vulnerabilidade das dificuldades de aprendizagem, que são acentuadas por condições adversas, foi realizado um estudo com adolescentes atendidos quando crianças em um ambulatório de psicologia com queixa de dificuldades de aprendizagem. O estudo procurou investigar a associação entre condições antecedentes e ajustamento atual. Os adolescentes, que apresentavam média de idade de 13 anos e nove meses de idade, foram divididos em dois grupos: G1, com nove adolescentes com encaminhamento ao serviço de saúde mental por apresentarem severas dificuldades de

2 ajustamento atualmente; G2, formado por dez adolescentes que apresentavam dificuldades mínimas de ajustamento. Constatou-se que o grupo de adolescentes com pior ajustamento pessoal apresentava um grande número de fatores negativos antecedentes, pessoais e familiares, ressaltando a importância do acompanhamento psicológico prestado a crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem associadas a outras condições de vulnerabilidade. (SANTOS e MARTURANO, 1999). SANTOS, L. C.; MARTURANO, E. M. Crianças com dificuldade de aprendizagem: um estudo de seguimento. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v.12, n.2, 1999, p Em um estudo realizado em Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, foram analisadas 52 crianças de ambos os sexos, com idade entre oito e 11 anos e 11 meses que freqüentavam da primeira a quarta série, com um nível intelectual pelo menos médio inferior. Elas foram divididas em dois grupos: G1, formado por 26 crianças com reclamações de dificuldades de aprendizagem e G2, formado por 26 crianças com bom desempenho acadêmico. Através do teste de desempenho escolar, avaliado pelo Roteiro de Avaliação de Auto-eficácia e da Escala Comportamental Infantil A2 de Ruter, observou-se que as crianças do primeiro grupo apresentaram menores índices de auto-eficácia e seus pais apontavam queixas de dificuldades comportamentais. Também se observou que o senso de auto-eficácia e os indicadores de dificuldades comportamentais relacionaram-se ao desempenho acadêmico (MEDEIROS e COLABORADORES, 2000) Como indicam pesquisas recentes, as dificuldades de aprendizagem são causadas por uma interação entre inúmeros fatores (MEDEIROS e COLABORADORES, 2000). Em um trabalho realizado em Curitiba, Estado do Paraná, por MEISTER, BRUCK, ANTONIUK, CRIPPA, MUZZOLON, SPESSATO, GREGOLIN (2000), verificou-se que o aprendizado pode ser afetado por fatores de saúde, psicológicos e sociais. Este estudo teve o objetivo de enfatizar a importância da avaliação e seguimento de crianças com dificuldades de aprendizagem por uma equipe multidisciplinar. Foram analisadas 69 crianças que cursavam a primeira ou a segunda série do ensino fundamental, entre seis e nove anos, por meio de exame neurológico básico e evolutivo, lista de sintomas, avaliação lingüística, social e psicológica. Observou-se uma incidência maior em meninos

3 (84,1%), presença de casos de dificuldades de aprendizagem na família (42%), alterações na escrita (56,5%) e ocorrência de déficit de atenção e hiperatividade (39,1%). Para haver uma melhor compreensão dos problemas que afetam o processo de aprendizagem é importante estabelecer uma diferenciação entre os conceitos de distúrbios de aprendizagem e dificuldades de aprendizagem. Para FERNANDES (1995, citado por BRAZOROTTO, 2001) os distúrbios estão presentes desde os primeiros anos de vida da criança e caracterizam-se por uma maior gravidades comprometendo diversas áreas da aprendizagem. Nas crianças matriculadas em escolas regulares que apresentam distúrbios de aprendizagem verifica-se um alto índice de retenções e na maior parte das vezes elas são encaminhadas por neurologistas, geneticistas e foniatras. Já as dificuldades aparecem na fase pré-escolar e seu comprometimento escolar é parcial. O índice de retenção de crianças com dificuldades de aprendizagem é pequeno e, geralmente, são encaminhadas por psicólogos, pedagogos e psicopedagogos. SHEER (1975, citado por HILDEBRAND, 2000) considera que as dificuldades de aprendizagem não se referem a quadros comprometedores de sintomas neurológicos, de deficiências motoras e sensoriais e de distúrbios emocionais, mas caracterizam-se por um baixo rendimento escolar, uma aprendizagem mais vagarosa e dificuldades na compreensão de conteúdos novos. O Projeto Educação Especial: Atividades de Extensão, Pesquisa e Ensino, desenvolvido no Laboratório de Educação Especial do Departamento de Psicologia Universidade Federal de São Carlos, tem por objetivo desenvolver procedimentos de ensino para atendimentos a alunos com dificuldades de aprendizagem. Conforme o exposto, o presente estudo teve como objetivo analisar dados sobre alunos com dificuldades de aprendizagem atendidos no Laboratório de Educação Especial no período de 1998 a MÉTODO Participaram do estudo 42 alunos de 3as. a 6as. séries ( 40 do sexo masculino e dois do feminino das redes públicas ( estadual e municipal) e particular de ensino, residentes nos municípios de São Carlos, Descalvado, Ribeirão Bonito e Ibaté. Conforme

4 dados existentes nos prontuários constatou-se que os referidos participantes pertencem aos níveis sócio-econômicos baixo e médio. Quanto ao motivo do encaminhamento, a queixa sobre os referidos alunos relatava que os mesmos não dominavam a leitura e escrita e não conseguiam acompanhar as atividades acadêmicas. Foram atendidos semanalmente em sessões individuais. Quanto aos materiais, foram utilizados os rotineiros: papel, caneta disquete, etc. Como instrumento foi utilizado os prontuários dos participantes. No procedimento para a coleta de dados. Inicialmente, foram separados os prontuários dos participantes e organizados por ano. Em seguida foram anotados os dados quanto as variáveis: a) sexo; b) idade; c) série; e, d) escola. Após o agrupamento dos dados, estes foram traduzidos em freqüência, comparados e analisados. RESULTADOS Conforme a análise dos dados observou-se que dos 42 alunos atendidos no período 1998 a 2001, 20 foram em 1998, 13 em 1999, quatro em 2000 e cinco em Constatou-se que em 1998, dos 20 participantes, 19 eram do sexo masculino e um do feminino. Dos participantes do sexo masculino, 16 estudavam em escolas estaduais, dois em escolas municipais e um na particular e a única aluna na escola estadual. Em 1999, observou-se que dos 13 participantes, oito alunos estudavam na escola estadual, dois na municipal e três na particular. Quanto ao ano de 2000 constatou-se que dos quatro participantes, dois estudavam na escola estadual e dois na particular. E, em 2001, dois alunos estudavam na escola estadual um na municipal e um na particular e uma aluna na municipal. No ano de 2001 verificou-se que dos cinco alunos atendidos dois estudavam na escola estadual, dois na municipal e um na particular. Também, observou-se que o caso em que o aluno apresentava a idade maior foi 16 anos na 5 a. série. O Quadro 1 apresenta a distribuição dos casos de dificuldades de aprendizagem atendidos no período 1998 a Observa-se que foram atendidos na rede: a) estadual: 16

5 alunos (1998), oito (1999), dois (2000) e dois (2001); b) municipal: três alunos (1998), três (1999) e dois (2001); e, c) particular: um aluno (1998), dois (1999), dois (2000) e um (2001) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRAZOROTTO, J. S. Dificuldades de aprendizagem. São Carlos: Texto apostilado, HILDEBRAND, F. C. Dificuldades de Aprendizagem: Habilidades Sociais Envolvidas na Interação. Dissertação de Mestrado, não publicada.universidade Federal de São Carlos. São Carlos: São Paulo, Brasil, MARTURANO, E. M. A criança, o insucesso escolar precoce e a família: Condições de resiliência e vulnerabilidade. In: E. M. MARTURANO, S. R. LOUREIRO e A. W. ZUARDI (Orgs). Estudos em saúde mental. (p ). Ribeirão Preto: Comissão de Pós Graduação em Saúde Mental da FMRP/USP MEDEIROS, P. C.; LOUREIRO, S. R.; LINHARES, M. B. M.; MARTURANO, E..M. A auto-eficácia e os aspectos comportamentais de crianças com dificuldades de aprendizagem. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v.13, n.3, 2000, p MEISTER, E. K.; BRUCK, I.; ANTONIUK, A.; CRIPPA, A. C. S.; SPESSATO, A.; MUZZOLON, A. S.; GREGOLIN, R. Learning disabilities: Analysis of 69 children. Arq Neuropsiquiatr 2001; 59 (2-B) : SANTOS, L. C.; MARTURANO, E. M. Crianças com dificuldade de aprendizagem: um estudo de seguimento. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v.12, n.2, 1999, p

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