VidaBosch. Altos, grandes e limpos Incentivos para os prédios pouparem água e luz

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1 VidaBosch maio junho julho de 2012 nº 29 Recicle a informação: passe esta revista adiante Zhangyang/Shutterstock Altos, grandes e limpos Incentivos para os prédios pouparem água e luz Com a F-1 nas costas Apresentador Otavio Mesquita cultiva amor pelo automobilismo

2 02 10 editorial Bom para o bolso e para o planeta Muitos viram com ressalva os resultados da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a famosa Rio+20. Por outro lado, foram diversos e elogiosos os comentários sobre a disposição de 54 grandes metrópoles mundiais de evitar 45% das emissões de gases-estufa até Pois parece mesmo estar nelas, nas cidades, boa parte das soluções para o desafio planetário de enfrentar as mudanças climáticas. Alguns municípios brasileiros têm lançado medidas que contribuem para isso, como mostra a reportagem de tendências desta edição da VidaBosch. No Rio de Janeiro, a ideia é isentar ou dar desconto nos impostos de edificações que adotem medidas como reúso de água, telhados verdes e painéis solares como fonte de energia. São Paulo e Belo Horizonte também adotam incentivos desse tipo. A tendência deve se disseminar quando ganhar força um programa federal de etiquetar os prédios de acordo com a eficiência energética exatamente como acontece com geladeiras e outros eletrodomésticos. A Bosch faz parte desse esforço, com sua linha de coletores solares para aquecimento de água. As vantagens não são apenas ambientais, mas também financeiras, pois os custos de manutenção caem: reformas para aumentar a eficiência energética em edifícios já existentes podem diminuir em 30% o consumo de eletricidade. Em edificações em que essa preocupação está presente desde o projeto inicial, a redução chega a 50%. Ganha o meio ambiente e ganha o seu bolso! Boa leitura! Sumário 02 Viagem Um lugar no Ceará para vestir agasalho em vez de camiseta 08 Eu e Meu Carro Otávio Mesquita, o apresentador fã de automobilismo 10 Torque e Potência O que aconteceria se os táxis trocassem GNV por diesel 14 Em Casa Como fazer para a reforma não virar um quebra-quebra sem fim 20 Tendências Veja o selo Procel antes de comprar um... apartamento 24 Grandes Obras Trânsito paulistano investe no metrô para sair do buraco 30 Brasil Cresce Teleatendimento: a economia por trás de um alô 34 Atitude Cidadã Por que o Brasil precisa ir muito além da alfabetização 40 Aquilo Deu Nisso Os carros mudaram muito, mas a bateria mudou pouco 44 Saudável e Gostoso Os vários cogumelos e suas várias utilidades Expediente VidaBosch é uma publicação trimestral da Robert Bosch Ltda., desenvolvida pelo departamento de Marketing e Comunicação Corpotiva. Se tiver dúvidas, reclamações ou sugestões, fale com o SAC Bosch: ou Produção, reportagem e edição: Pri mapagina (www.primapagina.com.br), tel. (11) / pagina.com.br Projeto gráfico, direção de arte e diagramação: Buono Disegno (www.buonodisegno.com.br), tel. (11) Tratamento de imagem: Renata Lauletta Acompanhamento gráfico: Inovater Impressão: City Gráfica Revisão: Dayane Pal Jornalista responsável: José Roberto de Toledo (DRT-DF 2623/88)

3 2 VidaBosch viagem Por Plínio Bortolotti e Ricardo Meirelles Clima de montanha na terra do sol Em serras próximas a Quixadá, é possível curtir um friozinho em pleno sertão cearense Alex Uchoa

4 4 VidaBosch viagem viagem VidaBosch 5 F érias no Nordeste, em geral, e no Ceará, em particular, são sinônimo de praia, principalmente para moradores do Sul e do Sudeste. O próprio logotipo da campanha turística do estado é formado por um amálgama de sol, ondas de mar, coqueiro e jangada tudo lembrando calor e verão e remetendo aos atrativos de seus quase 600 quilômetros de costa. Muitos se surpreenderão, portanto, ao saber que ícones do litoral brasileiro, como Praia do Futuro, Jericoacoara e Canoa Quebrada, estão dentro das mesmas divisas de regiões onde é possível curtir um friozinho no inverno. Claro, não é um frio de latitude afinal, não se está tão longe assim da linha do Equador. A temperatura cai é no alto de muitas serras e chapadas cearenses. Um dos municípios privilegiados nesse sentido é Quixadá, em pleno sertão. No centro da cidade, o termômetro vai sem esforço aos 35 graus Celsius, mas pouco mais de 10 quilômetros dali, na serra do Urucum ou na do Estêvão, chega aos 15 graus. Pode não ser páreo para Gramado (Rio Grande do Sul), São Joaquim (Santa Catarina), Campos do Jordão (São Paulo), Monte Verde (Minas Gerais) ou Nova Friburgo (Rio de Janeiro), mas quem for para lá com traje típico de turista no Nordeste (camiseta, bermuda e chinelo) vai bater queixo. As duas cadeias de montanhas, a cerca de 500 metros do nível do mar, destacam- -se em meio à planície do Sertão Central e à rala vegetação da caatinga. Criam uma espécie de oásis na região: as fontes d água permanecem mesmo nos períodos de seca, e as encostas exibem árvores de grande porte e arbustos caprichosamente floridos. Oásis também para o que se convencionou chamar de esportes radicais. Os platôs da serra servem de pista de pouso e decolagem de asa-delta e parapentes, que polvilham de tons coloridos os céus da região, sobretudo em novembro, quando Quixadá sedia um encontro mundial de voo livre (o X-Ceará). Os participantes lançam-se das rampas para planar por mais cinco horas, impulsionados pelas correntes térmicas, e às vezes só aterrizam nos estados vizinhos. O principal ponto de partida para os voos é o Santuário de Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, na serra do Urucum. Trata-se de um complexo que reúne capelas, igreja, serviços sociais oferecidos pela Igreja (como creche), restaurante, loja e uma pousada. Inaugurado em 1995, fica a 12 quilômetros do centro de Quixadá. A íngreme estrada até lá que pode ser percorrida de carro, mas muitos romeiros enfrentam-na a pé mesmo é repleta de estátuas de 1,80 metro, a representarem as passagens da Paixão de Cristo. Quem prefere outros tipos de imagem pode pegar uma trilha que perpassa a vegetação serrana até o santuário. As duas vias são ótimas opções. A igreja principal é ampla, mas de arquitetura pouco inspirada. No interior, há diversas pinturas e esculturas da Virgem Maria, com o nome pelo qual é conhecida em vários países da América Latina e com histórias que explicam essas denominações. O mais impressionante, contudo, não são as imagens religiosas. É a vista. De lá, se veem o sertão até o horizonte, morros, açudes, edificações de Quixadá e pedras gigantescas os monólitos, uma característica ainda mais inusitada do que as temperaturas baixas do sertão cearense. O cenário é igualmente estonteante visto da serra do Estêvão. Lá, é possível caminhar por trilhas e tomar banho em lagos e cachoeiras em águas não tão mornas quanto as dos verdes mares bravios do litoral. Assim como na outra serra, há uma pousada dirigida por religiosos, a São José, ligada à Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição. Foi dessa casa, antigo convento beneditino, que o ditador Humberto Castelo Branco partiu para seu voo fatal. Ele deixara a Presidência havia três meses, e ia em direção a Fortaleza quando o avião em que viajava, um pequeno bimotor, chocou-se com um caça da Força Aérea Brasileira, em julho de Pedras no caminho Tanto para quem vê a região de cima quanto para quem chega de carro ou ônibus, logo chamam a atenção as enormes formações rochosas de Quixadá, algumas com 90 metros de altura. O próprio nome do município, segundo algumas versões, vem de uma palavra de origem guarani Fotos Alex Uchoa

5 6 VidaBosch viagem viagem VidaBosch 7 Onde ficar Pedra dos Ventos Resort Principal point para quem procura rapel, escalada e turismo de aventura. Fica na serra do Juá, localidade de Juatama (18 quilômetros de Quixadá). Rua Raimundo Peixoto, (88) Casa de Retiros Rainha do Sertão Faz parte do Santuário de Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão. Fica na serra do Urucum. Estrutura simples, vista deslumbrante. Serra do Urucum, S/N (88) e (88) Casa de Repouso São José Também administrada por religiosas. Antigo mosteiro beneditino, tem acomodações simples, mas bem cuidadas. Vista magnífica. Serra do Estêvão, S/N (88) Hotel Belas Artes Boa opção na área urbana de Quixadá. Av. Estrada do Algodão Km 98 s/n. Bairro Curicaca. (88) Canindé CE CE CE CE Quixadá CE CE CE Fortaleza Maracanaú CE CE que significa pedra de ponta curvada (outra hipótese é que seja uma corruptela de queixada, um porco do mato que era abundante na região). Há indicações, ainda, de que a localidade já teve o nome de Curral das Pedras. Os cerca de 50 monólitos, pedras graníticas que teriam se originado há 580 milhões de anos, pipocam em vários lugares, inclusive na área central. Incrementam não apenas as opções de esportes radicais (rapel, escalada e montanhismo), mas também as lendas do local. Os mais crédulos (ou paranoicos?) consideram esse pedaço do Ceará um ponto privilegiado para avistar objetos voadores não identificados no Brasil (óvnis), talvez devido a essas rochas incomuns. A fama virou até filme, que estreou neste ano. Na produção brasileira e norte-americana Área Q, um jornalista dos Estados Unidos chega à cidade para investigar estranhos fenômenos, como sumiço de habitantes e curas inexplicáveis de doentes que tiveram contato com visitantes de outros mundos. Não foi esta a estreia dos monólitos no cinema. Em 1983, o mais famoso deles ganhou papel de destaque em O cangaceiro trapalhão (1983), do cearense Renato Aragão e sua trupe. Nas cenas finais, Didi escala a pedra da Galinha Choca, assim chamada em razão de suas formas curiosas. É o cartão-postal da cidade. As temperaturas, no inverno, chegam a 15º na serras do Urucum e do Estêvão, a cerca de 170 quilômetros de Fortaleza. A região é um oásis no meio da caatinga: mais fria, mais úmida e de vegetação mais colorida Bem no centro fica a Pedra do Cruzeiro, onde estão fincadas antenas de rádio e TV, além da cruz que lhe dá o nome. Como é um ponto alto no meio da cidade, frequentemente enfeita-se em ocasiões especiais, como Natal e virada de ano. É possível subir no topo, mas só a pé. Não há nem mesmo escadas, apenas alguns apoios e algumas escavações na própria rocha. É uma subida dura, mas vale a pena: de cima, tem-se uma vista completa de Quixadá e do município vizinho, Quixeramobim. Ainda no centro pode-se visitar o Chalé da Pedra, que ganhou esse nome por ter sido construído em cima de uma rocha, em Construído pelo industrial Fausto Cândido de Alencar, ficava no meio de uma lagoa, depois esvaziada e transformada numa praça. Serviu de residência e comércio e, mais recentemente, de locação para o Área Q. Atualmente está desocupado. O município perdeu essa lagoa, mas mantém outras que também atraem turistas. O destaque é o açude do Cedro, o mais antigo do Brasil, segundo a prefeitura. A construção começou em 1873, a mando de D. Pedro 2º; o trabalho foi concluído já na República, em A cerca de 6 quilômetros do centro, impressiona pela sua parede monumental, feita com mão de obra escrava, e pelas formações rochosas no seu entorno inclusive a Pedra da Galinha Choca, que pode ser vista de vários ângulos. O reflexo da paisagem no espelho d água (sãos 125 milhões de metros cúbicos) é uma das tantas joias de Quixadá. No local há três bares-restaurantes, todos simples. O mais tranquilo fica do outro lado da barragem, na perspectiva quem entra pela estrada que dá acesso à parede do açude: um chalé encravado na pedra, próximo ao escoadouro do açude. Bem mais nova, a Lagoa dos Monólitos é circundada por um parque ecológico com restaurantes, pista para ciclistas, calçadão para caminhadas, pistas para off road, bikecross e motocros e também quadras para jogos. Um projeto da prefeitura pretende colocar um bondinho ligando as margens da lagoa a uma caverna de pedras, no lado oposto. Ali ou em qualquer outro passeio pela região, é fundamental usar filtro solar e, se tiver pele clara, reforçar a proteção com boné ou chapéu. Os raios ultravioleta de lá são especialmente fortes. Nisso, mesmo a serra do sertão faz jus à expressão frequentemente ligada ao Ceará: Terra do Sol. Onde comer Como chegar A Bosch na sua vida Peixada O Abelardo Como o nome sugere, a especialidade são os peixes. A peixada e a tilápia frita são pedidas com frequência. Rochas típicas de Quixadá são incorporadas à decoração. Avenida Plácido Castelo, 2585 Centro. (88) Eudásio do Baião Comida típica cearense: baião de dois, carne de sol e carneiro guisado ou assado. Também oferece carnes tradicionais. Rua Benigno Bezerra, 82 Campo Velho. (88) Para quem sai da capital do Ceará, Fortaleza, há duas opções para se chegar a Quixadá, ambas em estradas asfaltadas e em boas condições de tráfego. Pega-se a BR-116 até o km 70, em um local que é conhecido como Triângulo do Chorozinho. Deixa-se a BR, seguindo em direção a Quixadá pela rodovia CE-359. É possível também trafegar pela CE- 060, que também é conhecida como Rodovia do Algodão. A estrada segue direto até Quixadá. Arquivo Bosch Frenagem sem imprevistos Em trechos íngremes como os que dão acesso às serras da região de Quixadá, deve-se estar atento a todos os componentes do sistema de freios, incluindo o fluido. Nesse caso, o fluido funciona como o de uma seringa. Pressionando o embolo em uma extremidade, temos pressão na outra extremidade, explica Carlos Bahia, analista de marketing de produto da Bosch. Resumidamente, ao pisarmos no pedal, é como se estivéssemos pressionando a seringa. Já que o sistema de freio é fechado, o fluido não sai, e a força e/ou pressão é transmitida para as outras extremidades, aplicando a energia necessária para parar o veículo. Caso o fluido apresente algum problema, essa força não será repassada adequadamente, e o carro acabará sem freio, diz o especialista. Um dos problemas que podem prejudicar o desempenho do produto, segundo ele, é um baixo ponto de ebulição, o que geralmente ocorre se o líquido estiver contaminado com água. Quando o freio se aquece, no momento em que é usado o fluido ferve, dando origem a bolhas. Além disso, um fluido de baixa qualidade, muito usado e contaminado, pode ter componentes que agridem materiais do sistema de frenagem, como as borrachas, comprometendo seu desempenho. A sujeira também é um problema, pois pode entupir o cilindro mestre. A qualidade do produto se observa na sua pureza e em um alto ponto de ebulição, que dará vida mais longa a ele. Os fluidos de freio fabricados pela Bosch atendem todas as certificações nacionais, contando inclusive com o selo do Inmetro, completa Bahia.

6 8 VidaBosch eu e meu carro Por Chico Spagnolo O piloto apresentador Apresentador Otávio Mesquita divide seu tempo entre a TV e a adrenalina das pistas de corrida, sua grande paixão A Bosch na sua vida Arquivo Bosch Carro de Fórmula 1 da equipe Jordan pendurado ao fundo; detalhe para o capacete de Ayrton Senna sobre a mesa de centro Paulo Pampolim/Hype E m 1991, Otávio Mesquita participou de uma das últimas etapas da Copa Fiat, campeonato de corridas disputado com o modelo Uno, produzido pela montadora italiana. O convite aconteceu porque, naquela fase do torneio, o vencedor já estava definido e a prova só serviria para cumprir tabela. Otávio aceitou, assumiu a última posição do grid de largada, aguardou o sinal verde e acelerou fundo. Pensei que os mecânicos tinham colocado algum turbo no meu motor, porque em pouco tempo eu ultrapassei diversos carros, lembra. Quando já cogitava largar a carreira de apresentador, iniciada nos anos 80, para seguir o sonho de se tornar piloto profissional, Otávio percebeu que as ultrapassagens de nada valeriam. Era a volta de apresentação da prova, mas ninguém tinha me falado nada antes da corrida começar. Embora a estreia nas pistas tenha sido cômica, serviu para que a paixão de Otávio pela velocidade só aumentasse e o fizesse buscar novas competições. Quando acabei a minha primeira corrida, prometi que andaria num carro de Fórmula 1 até completar 40 anos de idade, comenta. A história se concretizou em 2000, quando ele viajou a Paris e percorreu 15 voltas com a máquina do piloto italiano Giancarlo Fisichella. Depois que deixei o volante, estava aos prantos, foi um momento muito emocionante. E ali eu fiz outra promessa, a de que compraria um carro daqueles para mim. Mais uma vez, a promessa foi cumprida e, por coincidência, a Jordan que hoje está pendurada na parede da casa de Otávio pertenceu a Fisichella durante o campeonato de Quando eu fiquei sabendo que o carro estava à venda, decidi comprar na hora, mesmo que não fosse o mesmo que usei na França. Depois de adquiri-lo, pedi ao Fisichella que o autografasse, diz. Além do Fórmula 1, Otávio também guarda na garagem um Porsche 997, com 450cv de potência, usado em 2010 nas disputas do apresentador na Porsche GT3 Cup Brasil, uma Ferrari F430, para as provas do GT Brasil, e um modelo da Land Rover, que o transporta no dia a dia. Eu não gosto muito de dirigir nas ruas. Além do trânsito parado de São Paulo, eu sinto muito sono quando estou guiando na cidade. Já quase sofri dois acidentes por causa disso. Meu negócio é corrida, afirma. Apesar disso, ele guarda enorme estima pelo primeiro carro que dirigiu na vida: um Chevette de 1974, presente do pai. Esse carro me marcou muito. Lembro até hoje a placa dele, que era AA Espero um dia reencontrá-lo por aí, conta. Já o primeiro veículo que adquiriu com o próprio dinheiro foi um Fiat 147 marrom, carinhosamente apelidado de Azeitona. Esse eu comprei em 1979, e ele ficou comigo até Fui reencontrá-lo em 2009, lá em Florianópolis (SC), e o adquiri de volta para restaurar e guardar para mim. Outros itens automobilísticos que Otávio gosta de colecionar são luvas e macacões de pilotos. Tenho exemplares do Emerson [Fittipaldi], do [Felipe] Massa, do Fisichella, da Bia Figueiredo (piloto da Fórmula Indy) e por aí vai. As vitórias também são itens colecionáveis. São quatro primeiras colocações, sendo três na Porsche Cup e uma no GT Brasil. Eu me orgulho muito delas. Sou um piloto regular, sempre fico entre os seis primeiros nas provas. Se depender dos resultados, ele seguirá firme nas disputas e influenciará a nova geração da família Mesquita. Os meus filhos mais velhos já estão muito bem em outras atividades. Então, agora eu levo o Pietro, que está com três anos, para já se acostumar com o cheiro de gasolina nas corridas e, quem sabe, despertar algum interesse nele, torce. Contra a fadiga no trânsito De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, 28% dos acidentes têm como causa principal a desatenção ao volante, que está diretamente ligada a cansaço e sonolência do motorista. Para evitar isso, a Bosch lançou, em 2010, o sistema Driver Drowsiness Detection (DDD), capaz de detectar sinais de fadiga. O sistema monitora os movimentos da direção e, com base nos parâmetros registrados pelo histórico, libera um aviso no painel do veículo, com o símbolo de uma xícara de café, acompanhado de alertas sonoros. Esse processo é realizado por meio de um algoritmo que busca anomalias no ato de guiar. Ao detectar algo estranho, um software que acompanha o produto aciona a central eletrônica, que emite o sinal, explica Martin Kretzschmar, gerente de Marketing da divisão Chassis Systems Control para a América Latina. Para definir a iminência de perigo ao volante, o equipamento leva em conta o sinal do ângulo de direção, emitido pelo programa eletrônico de estabilidade (ESP) ou pelo sistema ABS, que impede o travamento das rodas em frenagens de emergência. A possibilidade de trabalhar independentemente com essas duas opções é um dos diferenciais do produto, comenta Kretzschmar. Outro benefício é o fato de o sistema ser facilmente integrado às funcionalidades dos veículos, completa.

7 10 VidaBosch torque e potência Por Chico Spagnolo Vai para onde? O que mudaria se frotas de automóveis, como as de táxi, pudessem usar diesel no Brasil Shutterstock

8 12 VidaBosch torque e potência torque e potência VidaBosch 13 P ara alguns, ter o próprio negócio implica passar boa parte do dia numa poltrona, interagindo com clientes ou pacientes. Ou numa banqueta, atrás do balcão. Perambulando, visitando fornecedores ou compradores. E há quem trabalhe sentado no banco do carro, freando e acelerando, olhando passageiros e retrovisores, trocando marchas e estações de rádio. São taxistas e outros motoristas de frota, que fazem do carro o seu escritório. Como, para eles, o automóvel é meio de vida, decisões que já tomam algum tempo de outros profissionais qual modelo comprar, em que posto parar, encher ou não o tanque, ir à oficina mecânica hoje ou na semana que vem são tomadas com o mesmo zelo de um empresário que se debruça sobre as contas do fim do mês. Assim, é claro que, ao adquirir um carro, a escolha levará em conta gastos com manutenção, desvalorização até a hora da revenda e itens importantes consumo e tipo de combustível (álcool, gasolina ou gás natural veicular). Na cidade do Rio de Janeiro, 90% dos taxistas optam pelo GNV, segundo levantamento feito pela seção brasileira da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE). A opção considera basicamente o preço do quilômetro rodado. Usando o GNV, gasta-se, em média, R$ 0,10 por quilômetro percorrido diariamente. Com a gasolina, o valor é de R$ 0,35, compara o presidente da cooperativa de táxis Cootramo, Carlos Alberto Lopes Ribeiro. Porém, essa opção tem desvantagens. O abastecimento tem de ser mais frequente: duas a três vezes ao dia, contra quatro vezes por semana nos carros flex. E a manutenção tende a ser mais custosa, segundo Ribeiro. Como o gás opera em uma temperatura quatro vezes mais alta do que a de outros combustíveis, isso acarreta manutenções constantes dos aparatos mecânicos, afirma. As despesas dos taxistas da cooperativa com revisão do cabeçote, mangueiras, correias e outros componentes feitos de plástico ficam em torno de R$ 1,5 mil por ano, estima ele. Há ainda o custo da própria adaptação para o GNV um fator que contribui para que o combustível não esteja entre os Estudo da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE) indica que motor diesel requer menos manutenção que o movido a GNV, é mais econômico e emite menos poluentes preferidos dos taxistas de São Paulo, por exemplo. Dos 600 carros da cooperativa paulistana Use Táxi, 20% usam esse derivado do petróleo, estima o diretor presidente da entidade, Eder Wilson Sousa da Luz. Como a instituição proíbe que automóveis com mais de três anos façam viagens superiores a 100 quilômetros, os motoristas trocam de veículo periodicamente o que diminui as vantagens do GNV. A instalação do equipamento é cara e não compensa para o profissional que vai trocar de carro em breve, aponta. A maioria, então, adquire um modelo flex e usa álcool ou gasolina. Alternativa E se, além desses combustíveis, os motoristas pudessem colocar também diesel no tanque? Essa possibilidade está vetada no Brasil desde 1976, quando uma lei proibiu o uso do óleo em veículos de pequeno porte. Mas, segundo a pesquisa da SAE, essa alternativa, quando comparada ao GNV, reduziria as despesas médias anuais com o carro em R$ 6 mil, considerando as manutenções automotivas e os abastecimentos. Só esse valor já cobre a diferença de preço que existe entre o carro com motor flex e aquele com diesel, comenta Fernando Trolesi, engenheiro da divisão Diesel Systems da Bosch. O cálculo leva em conta que os automóveis a diesel custariam no Brasil 20% a mais que os demais. O trabalho da SAE afirma também que a autonomia aumentaria 400%. Enquanto um automóvel a gás com o cilindro cheio é capaz de percorrer 180 quilômetros, o motor diesel chega a rodar cerca de 750 quilômetros, diz Trolesi. Além disso, o motor diesel não aumenta o peso do carro, requer menos manutenção e emite, anualmente, 8,4 mil toneladas a menos de gás carbônico que o GNV. Por conta das tecnologias no pós-tratamento do filtro de partículas, um carro movido a diesel, quando está em marcha lenta por uma hora, polui o mesmo que um cigarro, compara o engenheiro da Bosch, um dos autores do levantamento da SAE. No estudo, os cálculos foram feitos para um tipo de óleo que emite 50 miligramas de enxofre por quilo (chamado, por isso, de S-50), que, a partir deste ano, passou a ser vendido em cerca de 4 mil dos 38 mil postos brasileiros incluindo todos os das grandes cidades do país (até 2011, era restrito às regiões metropolitanas de Belém, Recife e Fortaleza). Além de reduzir os níveis de enxofre (substância associada a irritação das vias respiratórias e a doenças cardiovasculares), esse combustível permite que se fabriquem motores mais eficientes, de modo a reduzir em 60% as emissões de óxido de nitrogênio e em 80% as de material particulado. Desse modo, será possível aprofundar algumas melhorias já introduzidas por outros dispositivos atualmente presentes nos motores desse tipo. O S-50 serve como etapa de transição entre o S-500, ainda vendido em vários municípios, e o S-10, que polui ainda menos e deverá chegar ao consumidor em janeiro de Essas melhorias podem fazer com que, em alguns casos, o diesel polua menos não só que o GNV, mas também que a gasolina. Isso faz com que Luso Ventura, diretor de comissões técnicas da SAE, avalie que parte do impasse em torno da liberação do uso do óleo em veículos de pequeno porte tenha caráter político, mas também diga respeito ao desconhecimento sobre o combustível. É uma tecnologia geralmente associada a uma imagem poluente e com o motor ruidoso, mas isso é um preconceito de 30 anos atrás. Espero que, com a chegada dos novos tipos de diesel e com a inauguração de novas refinarias no ano que vem, o Brasil repense a questão e aprove o uso, afirma. Ventura cita o exemplo de países da Europa, como Londres, onde a primeira versão de um táxi movido a diesel data de Eles descobriram o potencial do combustível e souberam aliar o aumento do consumo de energia com vertentes mais eficientes, gerando ganhos em todos os sentidos. Arcady/Shutterstock Para outro segmento de motoristas, os de frota terceirizada, a proibição do diesel significa outro tipo de obstáculo: o óleo só está disponível para carros de grande porte (vans, grandes esportivos utilitários), cujo aluguel é mais caro. Os carros para aluguel geralmente têm motor flex. Os veículos que atendem empresas geralmente operam com o GNV ou o diesel, em casos de automóveis maiores. Quando passamos os valores do transporte movido a diesel, as companhias costumam preterir a opção, por conta do custo elevado desses modelos, afirma o presidente da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), Paulo Gaba Júnior. Algumas correntes defendem uma liberação parcial. Até ano passado, tramitou Com a inauguração de mais refinarias nos próximos anos, a produção de diesel no Brasil vai aumentar pela Câmara dos Deputados um projeto de lei que tinha como objetivo permitir a utilização do diesel nas frotas de táxi. A proposta acabou arquivada pelos parlamentares. Para o presidente da Cootramo, a discussão foi mal colocada. Se liberarem só para os taxistas, eles não terão saída quando desejarem vender o carro. A liberação parcial só funcionaria se o governo traçasse o mesmo caminho feito com o GNV, que começou como opção apenas para taxistas e três anos depois foi liberado para os outros motoristas. O próprio diretor geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Allan Kardec Duailibe, afirma que a adoção de padrões mais rígidos para o diesel não necessariamente aponta para um interesse em liberar o combustível para veículos de pequeno porte. Isso requer um estudo elaborado, pois envolve muitas variáveis, como tributação do diesel, inflação, balança comercial, preço do combustível no mercado externo, impactos do aumento de demanda sobre a oferta do diesel que já é utilizado no país, capacidade de importação da Petrobras, entre outros, declara. No passado, 17% do óleo usado nos veículos brasileiros veio de fora o déficit na balança comercial do produto foi de US$ 7,4 bilhões. A tendência é que essa situação melhore nos próximos anos, após a inauguração de duas refinarias no Brasil, uma no Rio de Janeiro e outra em Pernambuco. Os adeptos do diesel terão, então, mais um argumento nos debates.

9 14 VidaBosch em casa Por Cris Komesu As armadilhas da reforma Como se prevenir contra os problemas que atrapalham os planos de quem quer renovar a casa Dmitriy Shironosov/Shutterstock

10 16 VidaBosch em casa em casa VidaBosch 17 Fotos Shutterstock Se possível, antes de a obra começar entre em contato com todos os profissionais que serão envolvidos, para ter uma ideia de prazos e valores P razo estourado, canos furados, orçamento ultrapassado: muitas vezes os imprevistos durante a obra transformam o sonho da casa renovada em pesadelos sucessivos. Cada reforma tem suas peculiaridades e guarda diferentes surpresas, mas todas têm uma característica comum, segundo a arquiteta Renata Cáfaro, de São Paulo: são sempre imprevisíveis. O que não quer dizer que são sempre uma dor de cabeça. Para evitar problemas causados por essas armadilhas, é preciso saber se prevenir. Por isso, planejar-se adequadamente é muito importante. Contratar um profissional da área para ajudar a coordenar o processo é um bom primeiro passo. Mas, além disso, há vários elementos que devem receber atenção, desde o cronograma das intervenções até a contratação da mão de obra e a compra de materiais. Planejamento Reformar a casa significa uma grande mudança na rotina da família. Durante um período às vezes algumas semanas, às vezes Uma grande mudança no imóvel quase sempre significa também uma grande mudança na rotina dos moradores. É fundamental conversar com todos eles antes de dar início às obras vários meses, os moradores terão de conviver com inconvenientes, como barulhos, sujeira, perda de privacidade. Portanto, é fundamental conversar com os membros da família antes de por mãos à obra. Todos devem estar cientes de que vão passar por um, digamos, período de exceção. Renata afirma que, quando os reparos são mais simples e exigem menos tempo, alguns clientes decidem programar a reforma durante o período de férias, para driblar o incômodo. Assim, a família vai viajar e abre espaço para o quebra-quebra na moradia. Já tive clientes que chegaram a mudar para um flat durante o período da reforma, conta a arquiteta. No caso de grandes intervenções, isso facilita a execução das obras, pois é possível abrir várias frentes de trabalho, na casa toda. Sempre que possível, recomendo realizar a reforma de uma só vez. Isso torna o processo muito mais rápido, barato e eficiente. Projeto Outro ponto fundamental é ter clareza sobre os resultados desejados, e, a partir disso, traçar um bom projeto, que defina as mudanças necessárias no espaço. Uma das causas de atrasos em reformas é o próprio cliente, que decide fazer alterações depois que a obra já foi iniciada, explica Renata. A arquiteta recomenda que o cliente fique atento ao projeto e procure traduzir a planta para a realidade. Às vezes, a medida que mostramos numa planta não é exatamente a mesma que a pessoa tem em mente. Isso pode causar conflitos na hora da execução, pondera. Se houver mudança no layout do ambiente, até os pequenos detalhes devem ser considerados, como a quantidade de tomadas e interruptores. A inclusão de novos pontos elétricos envolve recorte na alvenaria e tem que ser feita no início da obra, alerta a arquiteta Letícia Ribeiro, de Campinas. Nesse caso, é importante verificar se a rede local e o quadro de disjuntores suportam a carga que será usada. Uma instalação malfeita pode levar à pane elétrica e causar inúmeros prejuízos de aparelhos eletrônicos queimados ao comprometimento de toda a fiação. Cronograma Definido o projeto, é hora de pensar num cronograma para viabilizar a execução. Renata Cáfaro conta que prefere contratar todos os profissionais envolvidos para então definir uma estratégia de ação. Depois que entro em contato com todas as partes, posso calcular o tempo necessário para cada fase da obra, como a hidráulica, a elétrica e a marcenaria, e ainda prever uma margem para cobrir eventuais atrasos. A ordem de realização de cada etapa pode variar de acordo com as características da obra, mas sempre se deve deixar para o final a fase de acabamento revestimentos, gesso, pintura. Nesse período, o indicado é realizar as intervenções de cima para baixo: do teto ao piso. Assim, evita-se que a execução do gesso danifique o piso recém-colocado, por exemplo. Condomínios Em apartamentos ou conjuntos residenciais, é essencial informar-se sobre as regras de cada condomínio, que vão determinar as horas em que é possível fazer o trabalho e o tempo de escoamento dos entulhos, entre outras questões. Será um desperdício de tempo e dinheiro se, por exemplo, os trabalhadores chegarem ao apartamento logo pela manhã, mas tiverem de esperar duas horas para poder iniciar as obras em razão de alguma proibição de se fazer barulho. O melhor é consultar o síndico ou a administração. Eles saberão todas as informações que envolvem a reforma, horários permitidos e restrições. Nessa conversa, troque informações sobre a experiência e dificuldades de outros moradores, pois pode-se conseguir dicas valiosas, recomenda Letícia Ribeiro. No caso de prédios, essa é também uma boa oportunidade para pedir a planta elétrica e hidráulica do apartamento, que define onde passam fios e tubulações que terão que ser protegidos. Materiais A escolha dos materiais deve ser feita bem antes do início das obras: itens como pisos e revestimentos de parede podem ter prazos de entrega de até dois meses. Com o mercado aquecido, a entrega de alguns itens, que antes era rápida, pode ter seu tempo estendido. Sabe aquele piso que você mais gostou e está com preço ótimo? Provavelmente será o que demora mais para chegar, exemplifica Letícia. Itens como revestimento, metais, louças e móveis planejados são duráveis e podem ser comprados com muita antecedência facilitam, portanto, uma compra planejada e de acordo com o orçamento disponível. Já outros, como cimento, argamassa, gesso e tintas, têm prazo de validade. Letícia destaca ainda que adiantar a compra pode ter vantagens financeiras:

11 18 VidaBosch em casa em casa VidaBosch 19 Yuri Arcurs/Shutterstock no momento da obra, será possível concentrar os gastos na mão de obra e aquisição de materiais básicos, cujas condições de pagamento normalmente são menos flexíveis. Dessa forma, também se evita que o cronograma inteiro da obra fique comprometido por conta de um atraso de entrega. Um piso que demora a chegar pode retardar a instalação de um móvel planejado que seria colocado sobre ele. Isso, por sua vez, pode impedir a colocação da bancada, e assim sucessivamente. Mão de obra A contratação da mão de obra é uma etapa delicada. Não tente economizar neste quesito, pois um serviço mal prestado pode arruinar o projeto e ainda causar a perda de materiais já comprados, adverte Letícia. Um contrapiso mal nivelado pode causar rachaduras nas placas de porcelanato, por exemplo, e a falta de cuidado na vedação pode trazer infiltrações. A dica geral é procurar indicações de amigos e familiares que conheçam profissionais de confiança. Outra sugestão é não fazer o pagamento todo antes da entrega do trabalho. Imprevistos Mesmo o planejamento mais cuidadoso não está livre das surpresas no decorrer de uma reforma. Há imprevistos de toda ordem que podem causar atrasos na obra, diz Renata Cáfaro. Ela lista desde carros quebrados (de acordo com a arquiteta, essa é a principal desculpa apresentada por prestadores de serviço que chegam atrasados) até acidentes com a mão de obra e os temidos canos estourados: um simples parafuso colocado no lugar errado pode atingir a tubulação de água e causar um transtorno enorme, já que o conserto envolve refazer todo o acabamento da área. Em edifícios antigos, nem sempre se tem a informação de onde está a rede hidráulica. E uma tubulação presente em uma parede que seria demolida pode fazer com que o projeto inteiro tenha que ser refeito, exemplifica. Contar com um scanner de parede pode evitar surpresas desse tipo (leia mais no quadro ao lado). Essas situações inesperadas, contudo, não devem ser motivo para desespero. É preciso calma e paciência. Ao comprar pisos ou azulejos, por exemplo, calcule uma pequena porcentagem a mais de material. Isso facilita a reposição se alguma peça for danificada durante a instalação. Fique atento também aos prazos: Pergunte, e peça para estar escrito no pedido de compra, a data de entrega. Caso não seja obedecida, você poderá procurar seus direitos, sugere Letícia. Antes de acertar a mão de obra, crie um contrato detalhado. Esse documento deve estabelecer todos os serviços a serem executados, as previsões de entrega com datas e os pagamentos, especifica a arquiteta de Campinas. Além disso, é importante levar o profissional especializado ao local antes de concluir a elaboração do projeto. Assim, ele poderá avaliar as condições estruturais do imóvel e prever as substituições necessárias, antes que se tornem problemas. Economizar na mão de obra pode representar contratempos e surpresas desagradáveis Algecireño/Shutterstock A Bosch na sua vida Sem surpresa, com segurança Fazer reformas em casa já não é nada fácil tem o vai e vem de pedreiros e pintores, a sujeira, o barulho... Imagine, então, se ao furar uma parede um cano for atingido e começar a jorrar água para tudo quanto é lado. Ou, pior, se a furadeira entrar em contato com a fiação. O pesadelo ficará ainda pior. Uma das maneiras de evitar sustos desse tipo é usar aparelhos que enxergam o que está por trás das paredes como o Dtect 150, da Bosch. Esse scanner detecta canos de PVC, cobre e madeira em até 15 centímetros de profundidade. É só selecionar o material do qual a parede é feita (concreto, drywall, ou bloco de alvenaria), e passá-lo sobre a superfície. Se o aparelho identificar algo que coloque a perfuração em risco ou impeça o furo, emite aviso sonoro e ótico, indicando o que está por baixo da superfície. A tecnologia de ultrassom permite que os objetos sejam detectados e identificados antes das perfurações, explica o gerente de marketing Fabiano Bisetto, responsável pela linha de Medição da Bosch na América Latina. O aparelho não possui contraindicações, tem um ano de garantia e não precisa ser calibrado nunca, acrescenta. O Dtect 150 é indicado não apenas para o consumidor que faz pequenos reparos em casa, mas também para quem trabalha com obras, como pedreiros, encanadores e montadores em geral. É resistente a respingos e poeira, elementos sempre presentes em construções. O scanner tem a certificação da Comissão Eletrotécnica Internacional (International Electrotechnical Commission, IEC) e funciona com quatro pilhas AA alcalinas. Arquivo Bosch

12 20 VidaBosch tendências Por Maria Eduarda Mattar Archidea/Shutterstock Uma nova luz Incentivos municipais e federais tentam disseminar a adoção, nos prédios, de estratégias para reduzir o consumo de água e de eletricidade e, por tabela, os custos de manutenção E m início de junho, logo no início da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, aproveitando o embalo da preocupação ambiental que dominava as discussões no evento da ONU, anunciou um pacote de incentivos para construções verdes. Entre eles, o selo Qualiverde, que deve conceder isenção ou desconto de impostos municipais a edificações que, por exemplo, adotem reúso de água, cobertura verde e painéis solares como fonte de energia. Dois meses antes, Nova York, nos Estados Unidos, mudou as regras para reforma e construção, de modo a estimular seus quase 1 milhão de imóveis (entre comerciais, públicos, galpões ou casas) a melhorar a eficiência energética, aproveitarem água da chuva e, em alguns casos, até plantarem hortas nos telhados. A expectativa é diminuir a participação dos prédios no total de emissões de gases estufa da cidade, hoje em 80%. Em 2030, 85% do total de prédios serão estes que já existem. Assim, melhorar a performance dos prédios existentes é fundamental para reduzir o consumo de energia e as emissões de carbono, diz um comunicado do Departamento de Planejamento Urbano de Nova York. Tanto o programa nova-iorquino quanto o carioca refletem uma tendência nas

13 22 VidaBosch tendências tendências VidaBosch 23 Fotos Shutterstock metrópoles, que vêm percebendo a necessidade de adaptar as construções às demandas de sustentabilidade. No caso do Brasil, o consumo crescente de energia vem do uso do ar-condicionado, seguido por iluminação e aquecimento de água, atesta Gilberto Januzzi, pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Energia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos autores principais do Relatório Especial sobre Energia Renovável, das Nações Unidas. Algumas pesquisas indicam que reformas que aumentem a eficiência energética em edifícios podem significar economia de 30% ou mais no consumo de eletricidade. De acordo com o Procel Edifica, braço que trata de edificações no Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), a redução pode chegar a 30% nos imóveis já existentes, se eles passarem por uma intervenção do tipo retrofit (reforma modernizadora). Prédios novos, com tecnologias mais ecológicas previstas desde a concepção inicial do projeto, são capazes de gastar 50% a menos que os convencionais. O laboratório Green Solar, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), comprovou isso em uma experiência monitorada ao longo de seis anos em Contagem (MG). Ao usar 100 aquecedores solares em casas de uma comunidade de baixa renda, houve economia média anual de 28,5% em energia e de 40% em despesas financeiras. No Brasil, o aumento do consumo de energia é puxado pelo ar-condicionado, seguido por iluminação e aquecimento de água Em edifícios já existentes, reformas para aumentar a eficiência energética podem significar diminuição de 30% no gasto de energia elétrica. Se as medidas são usadas já na concepção do projeto, a economia supera 50% Por isso é tão importante que os novos edifícios sejam planejados de acordo com preceitos de sustentabilidade e eficiência energética, como destaca Januzzi. Soluções razoavelmente simples, como posicionamento adequado do imóvel em relação à luz do sol e dimensionamento apropriado das janelas, já fazem boa diferença. Nos prédios existentes, segundo o especialista, há menos alternativas. As alterações mais frequentes são aquelas que não mexem na estrutura, como uso de lâmpadas econômicas e troca de equipamentos geladeiras e condicionadores de ar, por exemplo por outros mais econômicos. Na estrutura do edifício (fachada, iluminação natural, áreas comuns, ventilação etc.), as alterações são mais raras. É caro, explica o pesquisador da Unicamp. Quando proprietários, arquitetos ou construtoras se dispõem a implantar medidas estruturais, o mais comum é a adoção de painéis ou, dito corretamente, placas fotovoltaicas - para geração de energia a partir dos raios solares. A fim de que essas mudanças mais es- truturais possam se popularizar, é necessário que o poder público crie políticas públicas para o setor, defende Januzzi. Não precisamos de nenhum grande tipo novo de energia, mas de políticas públicas que acelerem a adoção das tecnologias que já existem. Por exemplo, com incentivos para que essas tecnologias se viabilizem na escala necessária, como conceder selos e distinguir os edifícios segundo o impacto que promovem no meio ambiente. Etiquetas verdes As já citadas iniciativas de Rio de Janeiro e Nova York são exemplos desse tipo. Em escala nacional, porém, o governo brasileiro já percebeu essa necessidade e atua para estimular prédios mais eficientes do ponto de vista energético, por meio de programas e diretrizes encabeçados principalmente pela Eletrobrás e pelo Ministério de Minas e Energia. Este, por exemplo, estabeleceu uma diretriz para que todos os prédios públicos adotem medidas de eficiência ambiental (em energia, água etc.) até Mas a iniciativa que mais promete causar impacto é a classificação de edifícios de acordo com a eficiência energética. Trata- -se da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence), criada em Tal qual as usadas em eletrodomésticos para indicar o nível de consumo de determinado aparelho aquelas conhecidas como selo Procel, tão comuns em geladeiras e afins, a indicação para edifícios ajuda o cidadão a saber como o seu prédio é avaliado nos seguintes quesitos: envoltória (a casca do prédio, ou seja, fachada e coberturas), iluminação e condicionamento de ar. Hoje, no Brasil, só uma instituição é credenciada pelo Inmetro para realizar a etiquetagem: o Laboratório de Eficiência A Bosch na sua vida Água quente, de fonte limpa Um levantamento da Leadership in Energy and Environmental Design, importante selo internacional de construção sustentável, apontou que o Brasil é o quarto colocado no ranking de países que têm prédios corporativos inteligentes, com 46 edifícios energeticamente eficientes. Seguindo a tendência das edificações empresariais, as residenciais também buscam reduzir os impactos ambientais gerados pela rotina dos moradores. Um dos exemplos é o edifício Majestic, no bairro Saúde (São Paulo), que recebeu coletores solares SKN 3.0, produzidos pela Bosch. Foram 48 unidades, que geram um volume diário de 7,5 mil litros de água aquecida a até 40 C. Com tecnologia alemã e design que permite fácil adaptação à estrutura do edifício, o equipamento se destaca pela resistência à corrosão e a condições climáticas severas. Isso por conta da estrutura do aparelho, feita de fibra de vidro solar estruturado, sem adição de ferro, afirma o engenheiro Ailton Silva, da divisão de Termotecnologia da Bosch. De acordo com Silva, o produto traz economia para o prédio. A redução de gastos será de aproximadamente 65% em relação aos sistemas elétricos convencionais, e de 40% Energética em Edificações (LabEEE), da Universidade Federal de Santa Catarina, em parceria com a Fundação Certi. Segundo os dados da entidade, apenas 12 edifícios já têm o selo, a maioria deles novos (construídos nos últimos dois anos), que foram avaliados ainda na fase de construção. Construtoras como a Odebrecht e a Tecnisa estão etiquetando tudo o que constroem em São Paulo. Já estão conscientes de que é algo que o mercado vai começar a exigir, diz Jeferson Amaral, da Fundação Certi. Mas pessoas físicas também já estão nos procurando, completa. Desde 2010, oito casas e apartamentos receberam a etiqueta de eficiência energética. O processo de certificação envolve duas etapas. Na primeira, os edifícios enviam o projeto arquitetônico e suas especificações técnicas para o Inmetro, que designa um laboratório credenciado para fazer a avaliação. Na segunda etapa, é feita uma inspeção para verificar se os itens previstos no papel correspondem à realidade. Se depender das diretrizes do Ministério de Minas e Energia, todos os prédios de ministérios terão de passar por esse processo nos próximos anos, já que a intenção é fazer dos edifícios públicos um exemplo de eficiência ambiental. O cálculo da eficiência energética de um prédio inclui fatores como: material da fachada, cor, nível de reflexão da luz, abertura de vãos para iluminação natural, uso de lã de vidro, furos de tijolo, espessura da parede, localização e posicionamento em relação ao sol. Espera-se que o consumidor tenha também esses critérios ao escolher seu imóvel, além dos quesitos básicos, como localização e preço, afirma Amaral. Januzzi vai além e lembra que, no final das contas, os edifícios energeticamente eficientes acabem sendo mais econômicos. Na hora de comprar, o consumidor nem sempre pensa nos vários anos que vai ficar no imóvel. Ele vai ter que aprender a levar em conta o custo de manutenção, recomenda. Custo este que, nos prédios eficientes, tende a pesar 40% a menos no bolso do cidadão. se comparada aos sistemas a gás, comenta. Como benefício ambiental, o Majestic conseguirá reduzir, anualmente, as emissões de gases que causam o efeito estufa em até 22 toneladas, segundo o engenheiro. Para servir de apoio aos coletores solares, foi instalado no edifício o Therm 8000S, aquecedor instantâneo de água, com potência de kcal/hora e vazão de litros/hora. Arquivo Bosch

14 24 VidaBosch grandes obras Por Felipe Lessa Metrô/Divulgação Á gil, pouco poluente e capaz de transportar enormes quantidades de pessoas em áreas urbanas de grande concentração populacional. O metrô é um dos meios de transporte mais eficientes. Em metrópoles como Londres, Paris e Nova York, é impossível imaginar o cotidiano sem os vagões que circulam sob o solo. Entretanto, os cerca de 20 milhões de habitantes da Grande São Paulo dispõem de apenas 70,9 quilômetros dessas linhas. Não por acaso, a rede da maior cidade do Brasil foi considerada em 2011 a mais lotada do mundo, com 11,5 milhões de passageiros transportados para cada quilômetro, de acordo com dados do Metrô. Para tentar melhorar a situação, o governo do estado, responsável pela gestão do Metrô, anunciou em abril deste ano um plano para ampliar a malha em 126 quilômetros até 2018 o que significa triplicar a rede atual. O projeto inclui não só a extensão de traçados já existentes, como no caso das linhas 2, 4 e 5, mas também a construção de quatro novos corredores. Apesar de não divulgar o valor exato do quanto será gasto na expansão, o investimento total previsto no Plano Plurianual de para trens e metrô é de R$ 45 bilhões. Com isso, a rede paulistana atingiria dimensão semelhante à dos sistemas da Cidade do México (202 km) e de Paris (213 km), mas ainda distante do metrô de Londres (400 km), o maior da Europa Ocidental. A malha de São Paulo está mais do que saturada. É preciso reverter isso, mas é muito complexo fazer metrô aqui, tanto que a evolução tem sido bastante lenta nas últimas décadas, afirma o urbanista Candido Malta, professor da Universidade de São Paulo (USP). Uma das principais dificuldades é o fato de São Paulo já estar com o tecido urbano consolidado. Para construir, é preciso desapropriar imóveis, aprovar licença ambiental e, por fim, mobilizar uma operação junto a órgãos como a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e SPTrans para aliviar os impactos da obra no cotidiano da cidade. Algo bem diferente do que ocorreu, por exemplo, em Londres, onde a circulação dos trens começou na segunda metade do século 19. Ou seja, a rede cresceu junto com a cidade. Nova era para o metrô Ampliação do transporte subterrâneo deve colocar São Paulo em patamar igual ao de metrópoles estrangeiras Qual método escolher? Existem três tipos de metrô: subterrâneo, de superfície e elevado. Como as linhas paulistanas têm extensões que variam entre 10 e 25 quilômetros e muitas vezes atravessam áreas com características geográficas diversas, é comum ocorrer a variação de características ao longo de um mesmo traçado. Geralmente há alternância de estruturas: ora podem ser subterrâneas, depois de superfície ou elevado., diz Alberto Epifani, gerente de planejamento do Metrô. A Linha 5 é um exemplo dessa variação. O trecho entre as estações Capão Redondo e Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, é elevado. Ao chegar à estação Largo 13, a linha passa a ser subterrânea. Nas regiões periféricas, como no Capão e no Jardim Ângela, é um pouco mais simples construir um elevado, existe mais espaço e são necessárias menos desapropriações. Já

15 26 VidaBosch grandes obras grandes obras VidaBosch 27 Mapa do transporte metropolitano - previsão para 2014 Legenda Linha 1 Azul (Metrô) Linha 2 Verde (Metrô) Linha 3 Laranja (Metrô) Linha 4 Amarela (ViaQuatro) Linha 5 Lilás (Metrô) Linha 7 Rubi (CPTM) Linha 8 Diamante (CPTM) Linha 9 Esmeralda (CPTM) Linha 10 Turquesa (CPTM) Linha 11 Coral (CPTM) Linha 12 Safira (CPTM) Linha 17 Ouro (Metrô) Linhas em expansão Estação Estação futura Estação de integração gratuita Estação de integração tarifada Expresso Turístico (CPTM) Metrô CPTM EMTU Vila Sônia São Paulo-Morumbi Fradique Coutinho Oscar Freire Chucri Zaidan Vila Cordeiro Adolfo Pinheiro Água Espraiada José Diniz Higienópolis - Mackenzie Brooklin Paulista Congonhas Jardim Aeroporto 17 Ouro Status das obras Linha 2 Verde Status atual: em obras. Extensão total: 24,5 quilômetros. Estações: 17 Demanda estimada: 550 mil passageiros/dia na extensão (1,1 milhão de passageiros/dia a linha inteira). Custo: R$ 4,9 bilhões. Prazo: 2014 Linha 4 Amarela Status atual: atrasada, em processo de licitação. Extensão total: 12,8 quilômetros Estações: 11 Demanda estimada: 940 mil passageiros/dia Custo: R$ 1,8 bilhão a extensão até a Vila Sônia (R$ 7,4 bilhões a linha inteira). Prazo: 2014 Linha 5 Lilás Status atual: atrasada, com obras em andamento. Extensão total: 19,9 quilômetros. Estações: 17 Demanda estimada: 644 mil passageiros/dia Custo: R$ 6,9 bilhões Prazo: 2015 Linha 6 Laranja Status atual: em fase de projeto e estruturação Extensão total: 15,9 quilômetros Estações: 15 Demanda estimada: 648 mil passageiros/dia Custo: R$ 12 bilhões Prazo: 2020 Linha 17 Ouro Status atual: atrasada, em fase de licenciamento ambiental e em disputa judicial com moradores do Morumbi. Extensão total: 18 quilômetros. Estações: 18 Demanda estimada: 252 mil passageiros/dia. Custo: R$ 3,2 bilhões. Prazo: Até 2014 o trecho entre Morumbi e Jardim Aeroporto. Não há previsão para a 2ª fase. Linha 18 Bronze Status atual: em fase de projeto. Extensão total: 20 quilômetros. Estações: 18 Demanda estimada: 317 mil passageiros/dia. Custo: R$ 4,2 bilhões. Prazo: 2016 Linha 15 Branca Status atual: em fase de projeto. Extensão total: 13,5 quilômetros. Estações: 13 Demanda estimada: 598 mil passageiros/dia. Custo: R$ 7,8 bilhões. Prazo: na expansão até a Chácara Klabin é mais complexo, pois passa por bairros como Moema e Campo Belo, onde os custos são mais altos, complementa Epifani. Outro tipo de metrô que será bastante utilizado na expansão é o monotrilho, recomendado para regiões de média demanda de passageiros. É o caso da Linha 17 (Ouro), que vai interligar o Jabaquara ao Morumbi (também na zona Sul), e da expansão da Linha 2 (Verde), entre a Vila Prudente e a Cidade Tiradentes (zona Leste). O monotrilho é ideal para interligar regiões menos populosas a grandes eixos da cidade e a linhas de metrô. É mais barato e, no caso de necessidades urgentes, como é o da periferia de São Paulo, pode ser uma boa saída. Mas é preciso ver como será a parte de sistemas, de sinalização, pois não é uma operação simples, diz Flávio Chevis, engenheiro de transportes e sócio-diretor da consultoria Addax, especializada em estruturar projetos na área de transportes. O metrô subterrâneo custa, em média, R$ 380 milhões por quilômetro, enquanto a versão de superfície custa R$ 160 milhões, e, o monotrilho, R$ 40 milhões, de acordo com o Metrô. O tempo de construção e, consequentemente, o transtorno para a cidade, também variam consideravelmente: uma linha de monotrilho de 10 quilômetros pode ser erguida em até um ano e meio. Já no caso do metrô subterrâneo, pode chegar a seis anos. Mobilidade urbana Historicamente, a criação do metrô é resultado do rápido crescimento dos principais centros urbanos europeus e norte- -americanos no século 19 e das distâncias entre os bairros residenciais e os locais de trabalho. Assim, já em 1843, planejava-se em Londres a construção da primeira linha subterrânea de transporte com trem movido a carvão, inaugurada em Com o sucesso da experiência londrina, diversas cidades seguiram o mesmo caminho, como Boston (1897), Paris (1900) e Nova York (1904). Em São Paulo, a novidade chegou bem mais tarde: somente em 1974, quando o governo inaugurou um trecho da Linha 1

16 28 VidaBosch grandes obras grandes obras VidaBosch 29 Fotos Metrô/Divulgação entre o Jabaquara e a Vila Mariana, na zona Sul. Entretanto, as primeiras discussões sobre a necessidade de se implementar um meio de transporte que apoiasse o rápido crescimento do município sobretudo durante o ciclo do café -, começaram muito antes: em 1898, quando o prefeito Antônio da Silva Prado autorizou a construção de uma linha de superfície em torno do centro. Contudo, o projeto não foi adiante por falta de recursos, e os bondes, mais baratos, foram instalados. São Paulo cresceu em ritmos diferentes das capitais europeias, e o Brasil era bastante pobre na época em que inventaram o metrô. Além disso, com o passar dos anos, a tecnologia do metrô se tornou mais acessível, o que facilitou o processo por aqui, conta Chevis. De lá para cá, a malha paulistana passou por quatro ciclos de expansão. Em 1979, o trecho Sé-Brás da Linha 3 (Centro)começou a operar, ainda que fosse concluída somente em Nos anos 1990, a cidade ganhou a Linha 2, que conectava a Linha 1 A expansão do metrô é fundamental para melhorar a mobilidade. Mas é preciso interligá-lo a outros tipos de transporte público à região da avenida Paulista, já na época o principal centro financeiro paulistano. A partir dos anos 2000, com a piora na mobilidade urbana e o aumento exponencial da frota de carros, a ampliação da rede passou a ser mais intensa. Em 2000, a Linha 2 começou a ser expandida para a zona Leste, com a implementação de quatro estações e mais 12 quilômetros. A construção de metrô em qualquer cidade dificilmente é muito linear, já que novas estações e expansões surgem de acordo com as necessidades de cada área. Afinal, o crescimento urbano é orgânico e a ocupação do solo, no caso de São Paulo, nunca foi muito planejada, complementa o engenheiro de transportes. Além da ocupação pouco planejada do solo, a cidade vem optando cada vez mais pelo transporte individual.a frota de veículos de São Paulo era de 965 mil para 14 mil quilômetros de vias. Hoje são 7 milhões para 17 mil quilômetros de ruas. A solução para a cidade ainda é o transporte público com uma gama variada de modais, com ônibus, metrô e trens, afirma Cândido Malta. A saída para os problemas de mobilidade urbana não se dá somente pela construção de mais linhas de metrô, mas também pela amplição de outros tipos de transportes de menor demanda, como os corredores de ônibus, e o aumento da capacidade dos trens metropolitanos. A função do metrô é estrutural, mas, sem outros tipos de transporte interconectados, ele fica saturado. É primordial haver uma interligação harmônica e bem estruturada entre os diferentes modais de transportes. Corredores, micro-ônibus, monotrilhos e terminais de ônibus devem ser conectados às estações de metrô, formando uma rede eficaz na qual o passageiro, com o Bilhete Único, se locomova com facilidade, diz Malta. Acima, encontro dos túneis da linha Lilás, entre a estação Largo 13 e a futura estação Adolfo Pinheiro; abaixo, obras na República A Bosch na sua vida No ritmo do desenvolvimento Entre as ferramentas que ajudam a obra de expansão do metrô de São Paulo está o martelete perfurador e rompedor GBH-2-24D, produzido desde abril deste ano pela Bosch. Com potência de 800 watts, é considerado um produto de alta performance, uma vez que oferece mais rapidez nas perfurações e cinzelamentos das construções. Segundo Roberto Barros, consultor técnico e comercial da Bosch, dois dos diferenciais da tecnologia são a embreagem de segurança e a velocidade variável. Isso permite que impacto e rotação se alterem de acordo com as especificidades da obra, sem que haja perda de potência, afirma. Quando comparado a outras ferramentas do mesmo tipo, esse martelete apresenta maior autonomia: é capaz de produzir 75 mil furos ao longo de sua vida útil. Por esse motivo, essa é uma tecnologia que abrange diversas etapas das obras do metrô paulistano, presente desde a terraplanagem até a construção das estações, comenta Barros. Essa é a mesma ferramenta que será utilizada para a fixação de cadeiras do novo estádio do Grêmio, em Porto Alegre. Ao todo, serão 160 mil furos, que ajudarão a manter os 47 mil assentos da arquibancada. O martelete faz parte da linha de produtos Bosch Hammer, que existe há 80 anos, período que marca o desenvolvimento da primeira ferramenta de demolição com mecanismo pneumático de impacto, elaborada para a construção de uma estrada em Stuttgart, na Alemanha. De lá para cá, a companhia passou a investir em pesquisa e inovação e criou outras importantes peças instrumentais para a execução de obras, como o SDS-plus, em 1977, que facilitava a troca e o manuseio de acessórios, e o GBH 24 VRE, primeiro martelo perfurador sem fio, lançado em Arquivo Bosch

17 30 VidaBosch brasil cresce Por José Maria Tomazela Linha aberta Setor de teleatendimento prevê crescer 11% em 2012 e contratar 100 mil funcionários até o final do ano que vem Dmitriy Shironosov/Shutterstock É uma população do tamanho de Goiânia. As centrais de teleatendimento, também chamadas de contact centers, empregam 1,3 milhão de pessoas no Brasil mais que o dobro da mão de obra arregimentada por todas as montadoras de automóveis instaladas no país. O setor deve fechar 2012 com um crescimento de 11% nos negócios em relação ao ano passado e um faturamento que pode chegar aos R$ 32,3 bilhões. Se esses números já tornam o Brasil uma das referências mundiais em telemarketing, o futuro é ainda mais promissor. Desde a privatização da telefonia, no fim da década de 90, o segmento mantém um ritmo de expansão bem maior do que o da economia como um todo. Nos últimos anos, cresceu a uma taxa anual de 10%, evolução que deve ser mantida nos anos seguintes. Somente no estado de São Paulo, seu mais importante mercado, o contact center estima, para 2012, crescimento de 8% nos negócios em comparação com 2011, quando o setor paulista faturou R$ 6,6 bilhões. O número de profissionais em território paulista deve chegar a 432 mil até o final do ano, dos quais 160 mil em posições de atendimento, conforme dados do Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing, Marketing Direto e Conexos (Sintelmark). Entre os segmentos da economia que mais utilizaram o teleatendimento estão finanças, serviços e comércio. Em todo o país, a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) prevê a geração de 100 mil novos postos de trabalho até o final de Para o presidente da entidade, Jarbas Nogueira, boa parte das contratações será feita para atender ao crescimento em serviços das maiores empresas do setor, que já têm centrais em funcionamento. A expansão é impulsionada pelo aumento do consumo dos brasileiros, sobretudo pela maior participação das classes C e D nesse processo, diz o diretor presidente do Sintelmark, Stan Braz. Nogueira observa que, além do Sudeste, onde há uma concentração maior de companhias, algumas centrais começam a ocupar lugar de destaque em cidades do Sul e do Nordeste. Além desses fatores ligados à dinâmica econômica do Brasil, outras tendências ajudaram a impulsionar o setor. Uma das principais é a ampliação do leque de atuação das empresas. Se nasceram com o objetivo de atender reclamações e dúvidas de consumidores logo, contatos por telefone, nos últimos anos têm feito muito mais do que isso. O crescimento vertiginoso da internet no Brasil criou novo paradigma no marketing de relacionamento, avalia o consultor Edmundo Brandão Dantas, um dos mais requisitados especialistas do setor. Numa primeira fase, nas décadas de 70 e 80, destacou-se o telemarketing ativo, em que o vendedor de produtos ou serviços entra em contato com os clientes para tentar a venda por telefone. No início dos anos 90, houve a evolução para a fase receptiva dos call centers, destacando-se o atendimento

18 32 VidaBosch brasil cresce brasil cresce VidaBosch 33 às reclamações dos clientes. Mas o período ainda se caracterizava pelo uso de mão de obra pouco qualificada, o que gerava demora na solução dos problemas. No fim dos anos 90, com a inflação estável e o aumento na competitividade, as empresas passaram a dar mais importância às centrais de atendimento ao cliente. O período caracterizou-se também pelo início da informatização. No começo dos anos 2000, a internet implicou uma mudança na relação com o cliente, que passou a ser mais exigente e seletivo, obrigando a abertura de novos canais de relacionamento. A fase atual começou com a evolução no conceito do call center, que passa a ser chamado de contact center, agregando novas atividades para os clientes. As centrais fazem mais do que atender telefone: os serviços incluem pesquisa de satisfação e até ligação com sistemas de vigilância Muito além do telefone O setor de call center está se reinventando, sintetiza Ana Maria Moreira Monteiro, professora de gerenciamento de produtos e membro do conselho da ABT. O consumidor em geral está na frente do computador, no tablet, numa plataforma que engloba muitas mídias. É importante falar com todos, não só por telefone, comenta. O objetivo, portanto, é atender o cliente, venha de onde vier a demanda , mensagem de celular, rede social, fórum... Outra tendência envolve não apenas o modo como o cliente entra em contato, mas quem entra em contato. Em alguns contact centers, o C do SAC não é o consumidor, mas o colaborador o funcionário de uma empresa para a qual o call center presta serviço. Várias corporações estão centralizando no contact center demandas como dúvidas e reclamações sobre contracheque, carga horária e até atendimento de informática, de tecnologia, aponta o professor Marcus Augusto Vasconcelos Araújo, que ministra cursos no Ibemec, entre outras instituições. As empresas ganham muito em produtividade, e o funcionário ganha em agilidade, comenta Ana Maria. Além disso, o contact center também tem feito mais do que atendimento. Nas redes sociais e nos fóruns, por exemplo, não se limita a ações reativas (responder a reclamações dos internautas). Há um monitoramento sobre o que está sendo dito sobre determinada marca, qual a percepção dos clientes. É algo pró-ativo, afirma Araújo. Em certos casos, a pró-atividade é ainda maior: o setor oferece também serviço de pesquisa de satisfação com o cliente. Afinal, como já se está em contato com o consumidor, é mais fácil perguntar o que ele pensa da empresa. Os contact centers já atuam até junto a empresas de vigilância. Tem sido comum, diz Araújo, que os sistemas de alarme ou monitoramento por câmeras mantenham-se ligados a centrais que avisam o cliente (ou mesmo deem instruções mais específicas) em casos de furtos ou acidentes. O contato com o cliente, seja de que tipo for, é mais fácil e mais rápido por meio do contact center, resume o professor do Ibemec. Quando se junta o atendimento num único local, ganha-se em escala, padroniza-se melhor o atendimento e fica mais simples gerenciar a equipe, argumenta. A ampliação dos serviços oferecidos pelas empresas do ramo está estreitamente ligada aos avanços tecnológicos. Os sistemas atuais permitem administrar de modo eficiente o trabalho dos atendentes. Em geral, há grupos que fazem prioritariamente um tipo de tarefa (por exemplo, responder a telefonemas); mas pode-se rearranjar a atuação de acordo com a variação da demanda. Um mesmo funcionários pode, num único dia, receber telefonemas, responder a s ou a uma carta que chega para ele scanneada, exemplifica Araújo. Outra inovação é a possibilidade de criar centrais virtuais com atendentes trabalhando em cidades (ou até países) diferentes, mas respondendo aos mesmos clientes. Antes, eram necessários prédios enormes para concentrar todo o call center. Hoje, as empresas conseguem ter centros diferentes envolvidos no mesmo trabalho, explica o especialista. Treinamento O novo perfil do setor requer treinamento constante, nesta área em que a qualidade do atendimento é tantas vezes criticada. As empresas de contact center investem 7% do faturamento em tecnologia e capacitação. Isso inclui cursos de português, para que os funcionários aprimorem seu domínio da norma-padrão do idioma. Não é por acaso que é cada vez menos comum ouvir atendentes usando o chamado de gerundismo formas como vou estar transferindo. O mercado cresce de maneira tão acelerada que, depois de as empresas investirem para ampliar seu SAC [Serviço de Atendimento ao Consumidor], logo em seguida a demanda já avançou de tal forma que deixa a operação defasada, reforça Braz, do Sintelmark. O treinamento é fundamental numa atividade considerada porta de entrada para o mercado de trabalho. Uma análise do perfil do operador de contact center paulista mostrou que 45% estão no primeiro emprego. Ainda de acordo com a pesquisa, 71% têm ensino médio completo, 19% cursam o ensino superior e 10% concluíram a faculdade. Aprimorar aspectos como esses significa não apenas melhorar o setor, mas também incrementar seu impacto econômico. Um estudo realizado pela E-consulting, em parceria com o Sintelmark e a Associação Brasileira das Relações Empresa Cliente (Abrarec), mostra que uma empresa de call center com 5 mil funcionários em município de 100 mil habitantes gera uma massa salarial e de benefícios de R$ 65 milhões por ano. A estruturação de serviços para atender esse público transforma esse montante em R$ 131 milhões revertidos para a economia local. A empresa, por sua vez, recolhe R$ 4,6 milhões em impostos para o município. O estudo confirma que a atividade de call center proporciona benefícios para o ambiente econômico em que se situa, avalia o presidente do Sintelmark. As empresas do setor também monitoram redes sociais e fóruns, para captar as percepções dos clientes Goodluz/Shutterstock A Bosch na sua vida Serviços empresariais com qualidade Bosch Fundada em 1985 como o 1º centro de monitoramento privado da Alemanha, a Bosch Communication Center é hoje um fornecedor internacional de serviços na área de contact center e terceirização de processos empresariais (ou business process outsourcing, BPO). Atua em 13 países e oferece serviços a empresas em mais de 30 idiomas, abrangendo áreas como departamento de marketing, atendimento ao cliente, monitoramento, contabilidade, finanças, suporte a compras, logística, produção, informática e recursos humanos. No Brasil, a Bosch Communication Center está localizada em Joinville (SC) e é responsável por prover, para a própria Bosch, os serviços de BPO para finanças, área fiscal, recebimento fiscal, contabilidade, ativo fixo, folha de pagamento e logística de treinamento. Também fornece, por meio do Contact Center, serviços de atendimento ao consumidor (SAC), atendimento ao colaborador, atendimento financeiro, atendimento comercial (B2B) e serviço hotline pós-vendas. Segundo a gestora do Contact Center para a Bosch no Brasil, Daniela Rapetti, a unidade de negócio utiliza a larga experiência da empresa em processos fabris para ampliar a eficiência e a qualidade na prestação dos serviços. Usamos ferramentas adequadas para medir o desempenho de nossos colaboradores e da operação, focando sempre na melhoria contínua de nossos processos. O principal objetivo é que nosso contact center seja reconhecido pelos clientes como uma referência em serviços de alta performance, assim como nossos produtos são reconhecidos mundialmente. Arquivo Bosch

19 34 VidaBosch atitude cidadã Por Bruno Meirelles Muito além do bê-á-bá Faz 100 anos que o Brasil tem conseguido diminuir a taxa de analfabetismo. Mas ainda falta muito para que a maioria da população de fato domine a escrita e a leitura Stokkete/Shutterstock

20 36 VidaBosch atitude cidadã atitude cidadã VidaBosch 37 Fotos Shutterstock Os estudiosos defendem que é preciso mais do que ensinar a ler e escrever: é necessário inserir as pessoas na cultura escrita A penas um em cada quatro brasileiros adultos está apto a ler e compreender esta matéria. Isso não quer dizer que ela seja escrita em linguagem hermética, mas sim que 73% da população não é plenamente alfabetizada não consegue ler textos longos, analisando e relacionando suas partes, como indica o resultado mais recente do Indicador de Analfabetismo Funcional, criado pelo Instituto Paulo Montenegro, um braço do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Numa sociedade essencialmente urbana (apenas 15,6% vivem na zona rural, segundo o Censo de 2010) e em que a escrita tem papel central, tal inabilidade traz graves limites para a inserção social e o desenvolvimento da cidadania, como destaca a professora Stella Maris Bortoni, da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), autora, entre outros, do livro Falar, Ler e Escrever em Sala de Aula (Ed. Parábola). Afinal, a todo o momento precisamos preencher formulários, verificar extratos, ler placas... Sem o domínio da leitura e da escrita, as possibilidades de participação social de uma pessoa ficam muito restritas, resume Inês Kisil Miskalo, coordenadora da Área de Educação Formal do Instituto Ayrton Senna. Essas ideias podem parecer óbvias atualmente, mas são resultado de um debate iniciado há poucas décadas. Até os anos 1980, predominava a concepção de que era preciso aprender a ler apenas porque isso ajudaria no aprendizado do restante do conteúdo escolar. Fazia sentido, sob aquele ponto de vista, manter a ênfase no conceito de analfabetismo muito antigo, surgido quando apenas uma parcela Numa sociedade essencialmente urbana e em que a escrita tem papel fundamental, ser incapaz de compreender textos significa estar excluído de boa parte das atividades sociais e oportunidades da população sabia ler e escrever, geralmente a aristocracia e o clero, enquanto os camponeses permaneceram excluídos. No Brasil, até a década de 1940 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considerava alfabetizado quem dissesse que sabia ler e escrever o próprio nome. Depois, substituiu este por um critério um pouco diferente, adotado até os dias atuais: classifica como alfabetizado quem se declara capaz de compreender e redigir um bilhete simples. Hoje, acredita-se em um papel muito mais amplo da aquisição da escrita, que inclui o direito à palavra, a se expressar bem e a interagir no mundo. Aqueles que foram alfabetizados plenamente conseguem ampliar a compreensão da realidade, avançar no mundo da cultura, desenvolver suas potencialidades e se emancipar como sujeitos, afirma a professora de psicologia da educação Sílvia Colello, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Mesmo para funções antes exercidas por analfabetos o mercado passou a requerer domínio mínimo de leitura e escrita. As empregadas domésticas têm dificuldade para encontrar ocupação se não sabem anotar um recado ou fazer uma lista para o mercado. E para qualquer promoção exige-se escolaridade, afirma Stella. Alfabetização e letramento Essa nova perspectiva foi acompanhada de um enfoque diferente nos indicadores educacionais. Nos anos 80, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) recorreu a um novo conceito, caracterizando como analfabeto funcional aquele que não é apto a usar a leitura e a escrita em tarefas que permeiam a vida diária. O IBGE põe nessa categoria as pessoas que têm menos de quatro anos de estudo. Mais recentemente, alguns estudiosos consideraram apropriado enfatizar a inserção dos cidadãos no universo da escrita e da leitura. Com o desenvolvimento do Brasil, no final dos anos 80, chegou-se à conclusão de que não bastava apenas ensinar a juntar sílabas, mas também era preciso tornar as pessoas usuárias efetivas da língua escrita, para que elas se inserissem plenamente nas práticas sociais. Então foi criado o conceito de letramento, explica Sílvia. Letramento indica a imersão no mundo dos textos. Sob esse prisma, é possível ser analfabeto e letrado, ou alfabetizado e iletrado. A professora da USP exemplifica: uma criança familiarizada com a língua escrita, mas não alfabetizada, pode reconhecer uma receita apenas observando que as palavras estão dispostas em dois blocos: o primeiro em forma de lista (ingredientes) e o segundo com os vocábulos na mesma linha (modo de preparo). Ou seja, mesmo sem saber ler, ela identifica e explica o que é o gênero receita. É analfabeta, mas letrada. Por outro lado, uma pessoa que sabe ler e escrever frases simples, mas é incapaz de

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