ILMO. SR. PRESIDENTE DA COMISSÃO DE DEFESA, ASSISTÊNCIA E PRERROGATIVAS DA OAB/RJ

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1 ILMO. SR. PRESIDENTE DA COMISSÃO DE DEFESA, ASSISTÊNCIA E PRERROGATIVAS DA OAB/RJ JACQUES MALKA Y NEGRI e CRISTIANO DE LOUREIRO FARIA MORI, brasileiros, inscritos na OAB/RJ sob os números e , com escritório na Rua Sete de Setembro, 43/10º andar Centro RJ, vêm expor e requerer o seguinte: DA SISTEMÁTICA DE RECOLHIMENTO DAS CUSTAS RECURSAIS NO ÂMBITO DOS JUIZADOS ESPECIAIS Contrariando a própria natureza, já que criados, em tese, para tratar de causas mais simples, o recolhimento das custas recursais, no âmbito dos Juizados Especiais, tornou-se ato dos mais complexos, atribuindo-se aos advogados uma tarefa que, no cotidiano forense, constata-se penosa e controvertida até mesmo para os serventuários de justiça. A complexidade de elaboração do cálculo das custas recursais no âmbito dos Juizados Especiais do Rio de Janeiro é tão notória que a própria Corregedoria houve por bem disponibilizar um Estudo sobre Custas Processuais em Juizados Especiais do TJ/RJ (documento em anexo), para, em tese, auxiliar na emissão das guias para o recolhimento do preparo. Aliás, é elucidativa e vale destacar a seguinte passagem da introdução do referido Estudo: 1

2 Este trabalho justifica-se na verificação, por parte desta E. Corregedoria, de um problema que vem afligindo os serventuários, Juízes, advogados e o jurisdicionado dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais deste Estado: o recolhimento de custas processuais. (grifamos) E continua: Diante da impossibilidade de complementação de custas (vedação da utilização do disposto no art. 511, par. 2º, do CPC nos Juizados Especiais ¹), constata-se que muitos servidores não efetuam corretamente a cobrança das custas, acarretando deserções indevidas ou, por outro lado, evasão de receitas; e em contrapartida, muitos advogados recolhem as custas de forma incorreta, por desconhecerem as regras existentes, o que fatalmente ocasiona inúmeras deserções dos recursos. Ocorre que este Estudo disponibilizado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, infelizmente, nunca foi suficiente para cumprimento do objetivo a que se propôs. - Recolher custas recursais se tornou verdadeira armadilha, o que é inadmissível diante do sistema recursal vigente, comprometendo a tão proclamada intenção de distribuição de justiça. Hoje, as deserções, muitas por ausência de centavos, vêm se proliferando!. Apesar de existir, no âmbito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, um Serviço de Atendimento de Custas, vinculado à Corregedoria, e, que, em tese, auxilia no preenchimento da GRERJ eletrônica, este também não confere ao advogado e/ou ao jurisdicionado a segurança necessária, uma vez que não se vincula à informação que presta. Não é fornecida qualquer certidão que comprove que os valores foram apresentados e conferidos pelo Setor responsável e nem qualquer outro instrumento, disponibilizado ao advogado e/ou à parte, que faça tal comprovação! Em outras palavras, o Serviço de Atendimento não se responsabiliza pelas informações que presta, atribuindo-se, assim, ao advogado uma responsabilidade que este não tem, ou, pelo menos, não deveria ter!

3 Advém que, não raras vezes, há divergência de entendimentos entre o Setor de Custas, vinculado à Corregedoria, e os cartórios dos respectivos Juizados que, com interpretação diversa, indicam valores diferenciados para um mesmo recurso. 1. Tal dinâmica constitui-se, em uma análise mais ampla, em verdadeiro desserviço ao jurisdicionado, que implica, por consequência, em afronta aos princípios fundamentais da segurança jurídica, do devido processo legal e do acesso à justiça. Tal situação se agrava diante do entendimento dominante do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro de inadmitir a complementação das custas de constitucionalidade questionável - vez que, à luz da complexidade do recolhimento, a possibilidade de complementação seria a única forma razoável de corrigirem-se os erros do sistema hoje implantado. Tal sistemática gera, inclusive, demandas desnecessárias, que atrasam ainda mais a máquina do judiciário pois, nestes casos de deserção, a impetração de Mandado de Segurança torna-se medida inevitável 2, - com a agravante da jurisprudência dominante, também não admitir o referido remédio constitucional em Juizado Especial. Será que tudo isso poderia ser evitado? Será que esta é a melhor forma de proceder por um Tribunal de Justiça que se orgulha de estar em permanente busca de certificações de eficiência? Não há uma forma mais simples de lidar com a questão? Não se quer acreditar que esta tenha sido uma forma sutil de frear o manejo dos recursos que, constitui-se em direito legítimo do jurisdicionado. Ademais, o 1 Seguem anexos 2 cálculos diferentes (feitos no referido setor de ajuda da Corregedoria) e ambos errados, ou melhor, distintos daquele certificado nos autos de um determinado caso. Não se pretende aqui simplesmente criticar eventual erro ou falha, mas alertar uma deficiência no sistema adotado pelo Tribunal. 2 Nesse sentido segue anexa jurisprudência de um caso em que diante de um erro na certidão cartorária admitiu-se o Mandado de Segurança para determinar o conhecimento e o julgamento do recurso inominado anteriormente apresentado.

4 ordenamento jurídico prevê sanções cabíveis ao litigante de má-fé e são essas medidas que devem ser aplicadas para coibir o recurso protelatório. Como forma de eliminar tais problemas, com prestígio da segurança jurídica que a todos favorece, bastaria a adoção de medidas reconhecidamente simples, abaixo listadas a título de cooperação: a) fixar-se um valor determinado de recolhimento para recurso, na exata forma do que acontece com as apelações; b) atribuir-se aos cartórios a obrigação de, logo após a sentença, certificar nos autos o valor correto das custas para fins de eventual recurso; c) atribuir-se ao Setor de Custas, vinculado à Corregedoria, o poder de emitir certidão de regularidade das custas informadas; Todavia, se faz justamente o inverso: - estabelecem-se diversas normas e interpretações, estipulando-se várias rubricas que compõem o valor recursal final; - inexiste setor do Tribunal de Justiça efetivamente responsável por formalizar em meio próprio valor das custas recursais devidas em cada processo; - a certificação do valor das custas só é feita após a apresentação do recurso, quando a deserção já se consumou, e, às vezes, por centavos faltantes; - e, por fim, inadmite-se complementação! Infelizmente, não se reconhece no âmbito do Tribunal de Justiça qualquer reflexão e/ou iniciativa para resolução de tais problemas e desmonte destas armadilhas que, em nada, engrandecem ou colaboram com a atividade jurisdicional que se pretende sempre aprimorar.

5 Ante o exposto, sugerimos em favor das partes e dos advogados que militam perante os Juizados Especiais que seja feito requerimento ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, a fim de que seja revista a forma como hoje se processa o recolhimento das custas recursais, adotando-se uma sistemática mais objetiva e eficiente, o que pode ser facilmente alcançado através das sugestões contidas neste requerimento. Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de Jacques Malka Y Negri Cristiano de Loureiro Faria Mori OAB/RJ OAB/RJ

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