A CULTURA NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO NAS DÉCADAS DE 60 E 70 SÉCULO XX

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1 Revista Eletrônica Novo Enfoque, ano 2013, v. 17, n. 17, p A CULTURA NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO NAS DÉCADAS DE 60 E 70 SÉCULO XX JUNIOR, Carlos Faria¹ SOUZA, Patrícia do Nascimento Boechat de². Palavras-Chave: Imagem, História, Cultura, Sociedade. Introdução Este projeto consiste na recuperação, através de fontes iconográficas, fílmicas e fonográficas, das formas de representação da cultura no Rio de Janeiro uma das principais metrópoles e paisagens urbanas com importante papel histórico na constituição das representações da identidade nacional bem como na identificação da relação entre cultura e sociedade, no estudo e discussão de textos referentes a conceitos relevantes para o estudo desta relação. A delimitação do projeto privilegia as décadas de 60 e 70 do século XX por considerarmos um período de importantes manifestações tanto no campo da música quanto no campo das artes visuais. Tais representações são de extrema relevância no sentido de que determinam continuidades e rupturas portadoras de intenso potencial referentemente ao desenvolvimento da sociedade brasileira e a suas manifestações culturais na realidade. A aceleração do processo de urbanização sofrido pelo Brasil ao longo do século XX e, em particular, a partir da segunda metade deste século, resultou na serialização e no anonimato da produção, provocando reestruturações da comunicação imaterial (a massificação dos meios de comunicação e a diversidade da oferta de bens simbólicos) e na modificação das relações entre o público e o privado. ¹ Orientador. Grupo de Pesquisa em História e Ensino de História do Brasil. Curso de História da Universidade Castelo Branco (UCB), Campus Realengo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ² Acadêmica Bolsista PIBIC&T/UCB (Vigência: /2012 a 2013). Grupo de Pesquisa em História e Ensino de História do Brasil. Curso de História da Universidade Castelo Branco (UCB), Campus Realengo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

2 A aceleração do processo de urbanização sofrido pelo Brasil ao longo do século XX e, em particular, a partir da segunda metade deste século, resultou na serialização e no anonimato da produção, provocando reestruturações da comunicação imaterial (a massificação dos meios de comunicação e a diversidade da oferta de bens simbólicos), e na modificação das relações entre o público e o privado. O crescimento da violência urbana e a falta de segurança pública acabam por restringir o exercício da cidadania, no sentido tradicional que o liberalismo defende, e reduz a percepção da totalidade da urbe. A seletividade das formas de sociabilidade se intensificou para garantir encontros confiáveis, criando formas de isolamento nos espaços, sejam eles periféricos ou centrais. A informação e o entretenimento podem ser transmitidos pelos meios de comunicação (rádio, televisão ou imprensa) possibilitando a todos a conexão com a maioria dos serviços básicos. A seletividade de tal informação, pela censura, bem como o caráter inibido de muitas delas em face da própria censura fez com que a esfera pública deixasse de ser o lugar da participação racional a partir do qual se determinaria a ordem social ou, pelo menos, a arena principal em que as forças sociais se confrontariam o lugar em que a vontade pública deveria constituir-se como o resultado da discussão e da publicidade entre as vontades individuais. Houve uma transformação profunda e radical na mediação entre a sociedade e o Estado afetando as relações sociais e suas formas de sociabilidade. Estas mudanças acarretaram uma crise no sentido de urbanidade e dificuldades para organismos de representação pública. A subordinação da credibilidade aos diversos meios de comunicação mediatiza as interações entre os grupos e as pessoas tornando difícil a penetração dos movimentos sociais na própria sociedade com o objetivo de ganhar a compreensão e o apoio da maioria da opinião pública o que ajudaria a articular as alianças necessárias para alcançar seus objetivos específicos. A análise do percurso histórico das formas de sociabilidade e de organização da cultura nas décadas de 1960 e 1970 pode nos ajudar a compreender os significados culturais em torno dos quais se articulam as atividades das sociedades, dos grupos e indivíduos. 68

3 Procedimentos Metodológicos A pesquisa tem por base o levantamento e a análise de fontes iconográficas e audiovisuais referentes ao período por nós privilegiado. A metodologia, portanto, segue este direcionamento. Logo, primeiro se realiza o levantamento de imagens e vídeos sobre o período, classificando-se os mesmos dentro de uma tipologia: filmes, programas televisivos, novelas, propaganda, fotografias etc. Cada um destes tipos de fonte é privilegiado num determinado momento da pesquisa. Feita a seleção, comparamos a fonte com textos de época e textos historiográficos, bem como de todas as informações sobre a mesma que venha a nos dar uma aproximação mais coerente possível da verdade histórica que atualmente nos cabe enquanto pesquisadores, dentro das premissas de Adam Schaff, que relata que os fatos históricos se constroem ao longo do tempo dependendo da ação do historiador para organizá-lo e valorizá-lo. O terceiro passo é a produção escrita das conclusões e observações que o estudo da imagem nos revela para a construção historiográfica. Posteriormente, a utilização de tais levantamentos na construção citada. Os conceitos de Nestor Garcia Canclini configuram as bases iniciais de desenvolvimento da pesquisa, uma vez que não limita conceito de cultura a um campo específico do saber analisando as relações entre manifestações culturais distintas e a constituição de culturas híbridas. Tal pressuposto considera a interação entre a diversidade de manifestações, sendo um dos estudos teóricos mais recentes e relevantes para este tipo e análise. É importante ressaltar a importância das obras de Canclini, pois confere à pesquisa um tom de visualização da cultura brasileira dentro de pressupostos teóricos de um autor que viveu a realidade brasileira e dentro de seus estudos adotou o é híbrido, sendo uma combinação da antropologia com a sociologia, produtos das tradições culturais e linguísticas, mestiçagem decorrente de inter-relacionamento, afirmando as formações híbridas e que essas existem em todas as classes da sociedade. Este processo de hibridismo tem a capacidade de representar as relações sociais propiciando a reflexão dessa complexa configuração. Desta forma, as manifestações culturais não mais são analisadas apenas e exclusivamente como que isoladas do contexto, mas em relação com o mesmo e com as diversas manifestações culturais. 69

4 Análise das Fontes A pesquisa se desenvolvera primeiramente com o estudo dos principais conceitos que a envolvem. Daí a estratégia será a análise das fontes os documentos iconográficos e fonográficos disponíveis, bem como documentos escritos relevantes pertinentes ao período em questão, bem como a leitura de material bibliográfico referente ao tema da pesquisa. A análise deste material permitiu a compreensão dos elementos contidos no mesmo que seja representativa da cultura da sociedade brasileira nas décadas de 60 e 70, tendo-se o centro da pesquisa a cidade do Rio de Janeiro, permitindo aos pesquisadores um levantamento da cultura, o entendimento do imaginário popular deste período e, posteriormente, o desenvolvimento de cunho historiográfico. Discussão de Resultados O resultado esperado foi a compreensão dos elementos referentes à temática privilegiada. A divulgação desses resultados à comunidade acadêmica através de Encontros, Simpósios e Congressos foi a maior dificuldade encontrada neste processo até o momento pelo afastamento de dois alunos pesquisadores e a entrada tardia da atual bolsista do projeto. Apesar deste entrave, o cronograma atualizado foi realizado; dessa forma encontra-se em construção o artigo como consequência de tudo que fora pesquisado. Considerações Finais Através das pesquisas realizadas com o propósito de analisar a trajetória da cultura na sociedade brasileira nas décadas de 60 e 70 do século XX, tomando a cidade do Rio de Janeiro como um ponto chave deste estudo, foi de suma relevância para a compreensão da construção da identidade nacional neste período entender o desenvolvimento dos gêneros musicais e das artes visuais em seu caráter popular como expressão cultural, sua confluência com os gostos e as definições da arte erudita. O levantamento de dados desta pesquisa proporcionou a compreensão da transição da democracia para a Ditadura Militar. Entender atitudes, formas de manifestação e características ideológicas no processo de descaracterização da cultura brasileira e o específico deste processo no que se refere à música popular; a relação da censura com os textos e as estruturas musicais propriamente ditas; as formas de manifestação musicais populares permitidas pela ditadura. O que foi a realidade e a mentira no tocante ao fim da censura no período posterior à ditadura militar: análise da necessidade ou não de uma 70

5 censura diante da mentalidade social brasileira. Levando-nos a compreensão dos processos de hibridização nas manifestações culturais e as resistências sociais à indústria cultural, bem como as formas de sociabilidade e de organização da cultura, nos levando ao entendimento dos significados culturais em torno dos quais se articulam as atividades das sociedades, dos grupos e indivíduos. Referências ADORNO, Theodor. Indústria Cultural e Sociedade. Tradução: Júlia Elisabeth Levy. Rio de Janeiro: Paz e Terra, Filosofia da Nova Música. Tradução: Magda França. São Paulo: Perspectiva, BOSI, Alfredo (org.). Cultura Brasileira: temas e situações. São Paulo: Ática, CANCLINI, Nestor García. As culturas populares no capitalismo. São Paulo: Brasiliense, Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização. Tradução: Maurício Santanna Dias. Rio de Janeiro: UFRJ, Culturas Híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. Tradução: Ana Regina Lessa e Heloísa Pezza Cintrão. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, CAVALCANTI, Berenice; STARLING, Heloísa; EINSENBERG, José. (org). Decantando a República: inventário histórico e político da canção popular moderna brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; São Paulo: Fundação Perseu Abramo, CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro. O Rito e o Tempo: ensaios sobre o carnaval. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, CHAUÍ, Marilena. Conformismo e resistência: aspectos da cultura popular no Brasil. São Paulo: Brasiliense, DUARTE, Paulo Sérgio & NAVES, Santuza Cambraia. (org.). Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume Dumará, EAGLETON, Terry. A Ideologia da Estética. Tradução: Mauro Sá Rego Costa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar, JARDIM, Antonio. Música: vigência do pensar poético. Rio de Janeiro: 7Letras,

6 LOPES, Antonio Herculano (org.). Entre a Europa e a África: a invenção do carioca. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, Topbooks, LOPES, Nei. O negro no Rio de Janeiro e sua tradição musical. Rio de Janeiro: Pallas, MARTIN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Tradução: Ronald Polito e Sérgio Alcides. Rio e Janeiro: Editora UFRJ, MOBY, Alberto. Sinal Fechado: a música popular brasileira sob censura. Rio de Janeiro: Obra Aberta, ORTIZ, Renato. Cultura Brasileira e identidade nacional. São Paulo: Brasiliense, SQUEFF, Enio e WISNIK, José Miguel. O nacional e o popular na cultura brasileira: música. 2 ed. São Paulo:Brasiliense,1983 TINHORÃO, José Ramos. História social da música popular brasileira. São Paulo: Ed 34, Pequena História da Música Popular: da modinha ao tropicalismo. São Paulo: Art Editora, WILLIAMS, Raymond. Cultura. Rio de Janeiro: Paz e Terra, VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, VASCONCELOS, Gilberto. Música Popular: de olho na fresta. Rio de Janeiro: Graal, VALLE, Edênio. QUEIROZ, José j. (org.). A Cultura do Povo. São Paulo: Educ, SCHAFF, Adam. História e verdade. Lisboa: Editorial Estampa

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