A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA COLÔNIA ESTRUTURA, POLÍTICA E GESTÃO EDUCACIONAL REFLEXÃO AULA 01: TIPOS DE EDUCAÇÃO. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

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1 ESTRUTURA, POLÍTICA E GESTÃO EDUCACIONAL AULA 01: TIPOS DE EDUCAÇÃO. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA TÓPICO 02: A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA COLÔNIA A Educação formal desenvolvida em qualquer tempo e espaço sempre é influenciada por aspectos políticos, econômicos, sociais, epistemológicos, filosóficos e psicológicos. Para entender a estrutura educacional vigente no Brasil é necessário conhecer a sua História, a qual está intimamente vinculada com o contexto geral. REFLEXÃO Durante estas aulas, vocês serão convidados a responder as seguintes questões: - Que acontecimentos são marcantes na Educação brasileira? - Qual é o papel da legislação na melhoria da Educação brasileira? - Como está estruturada a Educação brasileira? - Que tipo de formação docente é necessária para atender as demandas da sociedade brasileira? - As políticas educacionais podem modificar o quadro educacional brasileiro? Por quê? - A gestão do processo educativo tem alguma relação com a sua qualidade? - Quais são as fontes dos recursos financeiros investidos na Educação? - Qual é a importância de avaliar o sistema escolar brasileiro? Quais são os instrumentos utilizados atualmente? A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA COLÔNIA Fonte [1] Os Jesuítas [2] foram os primeiros a criar uma rede, de alcance mundial, de espaços específicos com princípios pedagógicos amplamente divulgados e aplicados. Desde que chegaram ao Brasil, em 1549, com Manoel da Nóbrega e seus companheiros, eles contribuíram para a inculcação de valores e crenças sob a perspectiva do colonizador. Essa característica, infelizmente, parece que ainda permanece no imaginário da nossa Educação, apesar da nacionalidade daquele ter mudado... PARA SABER MAIS SOBRE OS JESUÍTAS: Inácio Lopes de Loyola ( ), militar espanhol, preocupado com o avanço das crenças mulçumanas, criou a Companhia de Jesus em 1534, aprovada pelo papa Paulo III, em 1540, tendo como ardor missionário divulgar a fé cristã, num momento em que a Igreja formulava a Contra-Reforma. Diante da dificuldade de converter os

2 adultos, os dirigentes da Congregação se dedicaram à educação das crianças, de modo a renovar o mundo. Com a descoberta de novos mundos por espanhóis e portugueses, os Jesuítas, desde a primeira hora, acompanharam as missões de colonização. Em razão do sucesso da primeira escola, aberta em Messina (1548), o próximo destino foi Roma (em 1551), que serviu de modelo para as que se seguiram. No primeiro momento, as escolas atendiam somente aqueles que pretendiam seguir a carreira missionária. Posteriormente, as matrículas foram abertas para todos os que assim pretendessem se submeter aos rígidos padrões estabelecidos. Objetivando uniformizar a organização e funcionamento dos colégios, foi elaborada a Ratio Studiorum, cuja primeira versão data de Após ter sido submetida a críticas e sugestões por quase meio século, sua publicação definitiva ocorreu em 1599, contendo quatrocentas e sessenta e seis (466) regras, que tratam de várias questões: formação dos professores, plano de estudos, metodologia de trabalho com os alunos, regime de avaliação, regras administrativas e disciplinares etc. Após cerca de cento e cinquenta (150) anos de intenso prestígio em inúmeros países europeus, os Jesuítas começaram a sofrer pesadas críticas, em virtude do intenso poder econômico que tinham conquistado. Em pouco menos de dez (10) anos, eles são expulsos de Portugal e das colônias (1759), da França (1764) e Espanha e colônias (1767). O golpe mais duro, porém, ainda estava por vir: a dissolução da Companhia, em 1773, pelo papa Clemente XIV em todo o mundo, com exceção da Prússia e parte da Rússia. Somente em 1814, pelas mãos do pontífice Pio VII, ela foi restaurada. Extraído de Barguil (2006, p ). Havia uma acentuada distinção entre a Educação destinada aos descendentes dos colonizadores com uma forte influência escolástica, com o fito de seguirem fielmente os preceitos da Igreja e de formação da elite colonial e aos nativos reduzida a dois aspectos: 1º ASPECTO Religioso, para a formação de novos adeptos do catolicismo. 2º ASPECTO Econômico, para a docilização da mão de obra. Os negros, quando chegaram, não receberam dos educadores qualquer atenção. Freire (1993, p. 32/40) declara que a educação empreendida pelos Jesuítas era permeada por uma ideologia de interdição do corpo, tanto em virtude das barreiras criadas para que mulheres, índios e negros pudessem participar da vida social através das dificuldades de terem acesso à educação, como a proibição de que homens e mulheres manifestassem a sua sexualidade.

3 A instituição das escolas de ler e escrever possibilitou aos Jesuítas um fácil, prático e eficiente método de conversão das crianças indígenas para os ideários defendidos por eles. Acrescente-se a isso o fato de que os colégios eram construídos com a ajuda dos índios (FRANÇA, 1994, p. 65). Após a promulgação, em 1599, da Ratio Studiorum (Ordem dos Estudos) normas (burocráticas e pedagógicas) e conteúdos a serem cumpridos por todas as escolas vinculadas à Companhaia de Jesus, visando à formação uniforme dos seus estudantes que se pautava na tríade estudar, repetir e competir, a Educação nacional privilegiou os cursos de Filosofia, Teologia e Humanidades, estruturados sobre o latim e o grego, relegando a 2º plano o ensino elementar, do qual a maioria da população necessitava. A educação na Colônia era: Incipiente em razão da pequena clientela atendida e do conteúdo lecionado, e Fonte [3] Isolada restante mundo do do vários países europeus procediam a reformas nos seus modelos educacionais, enquanto Portugal se fechava às mudanças com a defesa dos valores medievais. Acrescente-se, ainda, a distância da Colônia em relação à Metrópole e a necessidade de se deslocar daqui para lá para concluir os estudos, tendo como destino, na maioria das vezes, a Universidade de Coimbra, dirigida também pelos Jesuítas. MULTIMÍDIA Educação na Colônia: Jesuítas (1/2) [4] Educação na Colônia: Jesuítas (2/2) [5] Fonte [6] Se o quadro já não era muito positivo, imagine o que aconteceu quando, Sebastião José de Carvalho e Melo ( ), o marquês de Pombal, em 1759, determinou, mediante Alvará, a expulsão dos Jesuítas de todas as colônias portuguesas. Ele desejava, inspirado pelos ideais iluministas, "[...] tirar Portugal do atraso cultural e econômico em que este submergia desde o domínio espanhol, quase há dois séculos, e dar um passo adiante para a modernização." (FREIRE, 1993, p. 46), formando um Estado forte, independente da Igreja, tendo sob seu controle o poder econômico detido por aquela e formando estudantes para servir primordialmente aos interesses do País e não aos da religião. O Alvará de 28 de junho de 1759 [7]: i) proibiu o ensino público ou privado que não tivesse a autorização do diretor geral dos estudos; ii) determinou a inspeção das escolas e dos professores e a necessidade desses prestarem exames, o que representou um avanço;

4 iii) reestruturou o ensino médio em aulas avulsas de Latim, Grego, Filosofia e Retórica, desmontando o curso regular instituído pelos Jesuítas, o que foi um retrocesso. PARA SABER MAIS SOBRE A REFORMA EDUCACIONAL EMPREENDIDA POR POMBAL As aulas régias eram autônomas e isoladas, com professor único e uma não se articulava com as outras. Destarte, o novo sistema não impediu a continuação do oferecimento de estudos nos seminários e colégios das ordens religiosas que não a dos jesuítas (Oratorianos, Franciscanos e Carmelitas, principalmente). Em lugar de um sistema mais ou menos unificado, baseado na seriação dos estudos, o ensino passou a ser disperso e fragmentado, baseado em aulas isoladas que eram ministradas por professores leigos e mal preparados. Com a implantação do subsídio literário, imposto colonial para custear o ensino, houve um aumento no número de aulas régias, porém ainda muito precário devido à escassez de recursos, de docentes preparados e da falta de um currículo regular. Ademais, vemos uma continuidade na escolarização baseada na formação clássica, ornamental e europeizante dos jesuítas, isto porque a base da pedagogia jesuítica permaneceu a mesma, pois os padres missionários, além de terem cuidado da manutenção dos colégios destinados à formação dos seus sacerdotes, criaram seminários para um clero secular, constituído por tios-padres e capelães de engenho, ou os chamados padres-mestres. Estes, dando continuidade à sua ação pedagógica, mantiveram sua metodologia e seu programa de estudos, que deixava de fora, além das ciências naturais, as línguas e literaturas modernas, em oposição ao que acontecia na Metrópole, onde as principais inovações de Pombal no campo da educação como o ensino das línguas modernas, o estudo das ciências e a formação profissional já se faziam presentes. Por isso, se para Portugal as reformas no campo da educação, que levaram a laicização do ensino representou um avanço, para o Brasil, tais reformas significaram um retrocesso na educação escolar com o desmantelamento completo da educação brasileira oferecida pelo antigo sistema de educação jesuítica, melhor estruturado do que as aulas régias puderam oferecer. Extraído de Seco e Amaral (2007). MULTIMÍDIA Educação na Colônia: Pombal (1/3) [8] Educação na Colônia: Pombal (2/3) [9] Educação na Colônia: Pombal (3/3) [10]

5 Com a vinda da corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, D. João VI [11] criou a Impressão Régia, a Biblioteca Pública, o Jardim Botânico e o Museu Nacional, tendo em vista a imperiosa necessidade de dotar a Colônia de uma infraestrutura mínima. Neste período, foram instaladas algumas instituições educacionais, nos diferentes níveis, em vários locais do País, para atendimento das exigências dessa nova sociedade. Em razão da defesa do território, são criadas a Academia Real da Marinha e a Academia Real Militar. A demanda por médicos e cirurgiões possibilitou a instauração, no Rio de Janeiro, dos cursos de Cirurgia, Anatomia e Medicina (RIBEIRO, 1989, p. 40). Registre-se, também, a instauração, na Bahia, dos cursos de Cirurgia, Economia, Agricultura, Química e Desenho Técnico.

6 O ensino primário continuava restrito a ler e escrever, que possibilitava que o estudante ocupasse pequenos cargos burocráticos e se preparasse para o ensino secundário, que, ainda estruturado nas aulas régias, teve a implantação de outras modalidades: Desenho, Francês, História, Inglês e Matemática. DICA A Educação no Período Jesuítico [12] A Educação no Período Pombalino [13] A Educação no Período Joanino [14] LEITURA COMPLEMENTAR Ratio Studiorum e a missão no Brasil (Visite a aula online para realizar download deste arquivo.) Sistema de aulas régias instituído pela Reforma Pombalina [15] OLHANDO DE PERTO Hegemonia Jesuítica Marquês de Pombal e a reforma educacional brasileira Educação Brasileira no período pombalino (Visite a aula online para realizar download deste arquivo.) EXERCITANDO 1. No que se refere à participação dos Jesuítas no cenário educacional brasileiro, responda: i) por que eles vieram para o Brasil?; ii) que currículo eles adotaram?; iii) que tipo de Educação eles ofereciam a brancos, índios e negros?; iv) por que eles foram expulsos? 2. O que é a Ratio Studiorum? Explique a sua importância na Educação Jesuítica. 3. Em relação à Reforma Pombalina, responda: i) quando e quem a instituiu?; ii) quais foram as suas motivações?; iii) como ficou organizado o ensino no Brasil?;

7 iv) como era o seu currículo e o seu corpo docente?; v) em relação à Educação Jesuítica, ela foi um avanço ou um retrocesso? Justifique. 4. O que aconteceu com a Educação nacional com a vinda da Coroa Portuguesa em 1808? REFERÊNCIAS BARGUIL, Paulo Meireles. O Homem e a conquista dos espaços o que os alunos e os professores fazem, sentem e aprendem na escola. Fortaleza: Gráfica e Editora LCR, FRANÇA, Lilian Cristina Monteiro. Caos Espaço Educação. São Paulo: Annablume, FREIRE, Ana Maria Araújo. Analfabetismo no Brasil. 2. ed. São Paulo: Cortez, RIBEIRO, Maria Luisa Santos. História da Educação Brasileira A organização escolar. 9. ed. São Paulo: Cortez, SECO, Ana Paula; AMARAL, Tania Conceição Iglesias do. Marquês de Pombal e a reforma educacional brasileira. Disponível em: _introdutorios_periodos/intr_%20periodo%20pombalino% 20Ana%20Seco.doc [16] (Visite a aula online para realizar download deste arquivo.). Acesso em: 04 jun FONTES DAS IMAGENS 1. oq/nqdsyehyem0/s1600/primeira-missa.jpg fm/nzu35bzvhqc/s1600/louis-michel%252bvan%252bloo% 252B003.jpg

8 16. _periodos/intr_%20periodo%20pombalino%20ana%20seco.doc Responsável: Profª. Nidia Barone Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual

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