UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA ESCOLA TÉCNICA DE SÁUDE PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE AGENTE DE COMBATE ÀS ENDEMIAS NA MODALIDADE FORMAÇÃO

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1 1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA ESCOLA TÉCNICA DE SÁUDE PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE AGENTE DE COMBATE ÀS ENDEMIAS NA MODALIDADE FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE TRABALHADORES FIC PELO PRONATEC UBERLÂNDIA 2012

2 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA ESCOLA TÉCNICA DE SÁUDE PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE AGENTE DE COMBATE ÀS ENDEMIAS Aprovado pelo Colegiado da Escola Técnica de Saúde da Universidade Federal de Uberlândia em 12/12/2012. UBERLÂNDIA 2012

3 3 UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA ESCOLA TÉCNICA DE SÁUDE Prof. Dr. Alfredo Júlio Fernandes Neto Reitor Prof. Dr. Aberto Martins da Costa Pró-Reitor de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis Profa. Ms. Maria Helena Ribeiro Godoy Diretora da Escola Técnica de Saúde Prof.Ms. Noriel Viana Pereira Coordenador Geral do PRONATEC/UFU Prof.Ms. Dnieber Chagas de Assis Coordenador Adjunto do PRONATEC/UFU

4 4 1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Denominação do Curso: Agente de Combate às Endemias Local de Oferta: Escola Técnica de Saúde da Universidade Federal de Uberlândia Modalidade: Presencial Turno da Oferta: Noturno Número de Vagas Disponíveis: 40 Número de estudantes por Turma: 40 Número de Cursos no Ano de 2013: 2 Carga Horária Total: 240 horas Equipe Diretiva do Campus: Maria Helena Ribeiro Godoy

5 5 2. SUMÁRIO 1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DO CURSO CARACTERIZAÇÃO DO CÂMPUS JUSTIFICATIVA OBJETIVOS Objetivo Geral Objetivos Específicos PERFIL DO CURSO PERFIL DO PROFISSIONAL EGRESSO REQUISITOS PARA O INGRESSO PERIODICIDADE DA OFERTA FREQUENCIA MÍNIMA OBRIGATÓRIA ORGANIZAÇÃO CURRICULAR Matriz Curricular Conteúdo Programático Bibliografia Básica do Projeto Pedagógico METODOLOGIA DE ENSINO MATERIAL DIDÁTICO-PEDAGÓGICO AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS E BIBLIOTECA Instalações Acervo Bibliográfico PESSOAL DOCENTE E TÉCNICO ADMINISTRATIVO CERTIFICADOS CASOS OMISSOS... 58

6 6 3. APRESENTAÇÃO DO CURSO Nos últimos anos, as condições de saúde da população têm melhorado de forma contínua e sistemática, não para todas as pessoas, graças a um conjunto de fatores ambientais 1, associados aos avanços técnicos na área da saúde pública, da infraestrutura das engenharias e da medicina. Entretanto, estas condições de saúde da população passaram a serem focos de diversos estudos, com atenção para a saúde ambiental das populações que residem em diferentes ambientes, principalmente pelas particularidades e peculiaridades dos riscos e vulnerabilidades de determinados grupos sociais em determinados lugares. Pode-se dizer que as preocupações ambientais sempre foram pensadas, discutidas e emergidas desde as primórdias caminhadas do homem, o nomadismo até as estruturas sedentárias, por exemplo, a industrialização e urbanização, como forma de utilização dos elementos da natureza para sua sobrevivência. Ela sempre foi abordada na perspectiva da usura e consumo da natureza (mercadoria). Mas, surge de forma sutil uma concepção ambiental, em 1864, com o lançamento do livro O Homem e a Natureza, ou Geografia Física Modificada pela Ação do Homem, do norte-americano Georges Perkins Marsh. Por volta de 1870, a palavra ecologia é proposta por Ernst Haeckel para definir os estudos sobre as relações entre as espécies e seu ambiente. No plano internacional, destaca-se em 1951 a publicação do Estudo da Proteção da Natureza no Mundo, organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza UICN, criada na França, em 1948, com apoio da UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. A UICN se transformaria no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente PNUMA, em 1972, em razão da Conferência de Estocolmo. Um momento relevante da educação ambiental surgiu em razão de catástrofes, na metade do século XX. Primeiro, as bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki (1945). Segundo, em 1952, um acidente de poluição do 1 A utilização das expressões ambiente ou ambiental deverá ser considerada além do contexto: físico, biológico, climático e sociocultural e psicológico, por creditar que tudo está num mesmo ambiente. Acredita-se que há uma interatividade e interconexão entre estesambinetes, o que permite uma maior sinergia e/ou inteireza da/na dinâmica ambiental, consolidando, assim, a interculturalidade dos saberes e dos fazeres com e para as pessoas, na sua individualidade e/ou coletividade.

7 7 ar decorrente da industrialização, ocorrido em Londres, Inglaterra, provoca a morte de cerca de pessoas. Diante da necessidade de compreender-se esse quadro, realizou-se naquele país, em março de 1965, a Conferência de Educação da Universidade de Keele, onde pela primeira vez utilizou-se a expressão Educação Ambiental (Environmental Education). Houve recomendação de que a educação ambiental deveria se tornar uma parte essencial de educação de todos os cidadãos. Naquela época, porém, a educação ambiental era vista como ecologia aplicada, ou seja, conservação, conduzida pela Biologia. Em 1968 a UNESCO, realizou estudo sobre educação ambiental, compreendendo a mesma como tema complexo e interdisciplinar. Nesse estudo sobre a relação entre meio ambiente e escola, realizado junto a seus países membros, a UNESCO entendeu que não se deveria limitar a educação ambiental a uma disciplina específica no currículo escolar. Essa interpretação da eficácia educacional ambiental interdisciplinar acabou por influenciar, anos depois, na proposição da Lei N.º 9.795/99, que no artigo 10, 1º, dispõe que A educação ambiental não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino. Historicamente, desde os anos 60, século XX, com a publicação do Livro Primavera Silenciosa da pesquisadora Rachel Carson, sobre os impactos de determinados produtos químicos, em especial do DDT, nas plantações norte americana, a questão ambiental tomou algumas frentes perante a sociedade, em especial os problemas de contaminações letais de trabalhadores em fazendas. Várias atividades baseavam se no controle de pragas. São inúmeros os exemplos são citados, tais como: problemas de saúde relacionados à deficiência mental associada ao uso de carbamatos, empregados para impedir que as batatas germinem nos armazéns, antes de serem comercializadas. A autora não esqueceu também, das substâncias carcinogênicas, criadas pelo homem e empregadas na lavoura como defensivos agrícolas. Rachel Carson denunciou o câncer de origem ambiental causado por essas substâncias. Estão relatados, no precioso livro de Carson, inúmeros casos, desde as substâncias químicas inventadas, usadas para erradicar ervas daninhas e insetos, que borrifadas de avião sobre áreas rurais (e urbanas, às vezes), em

8 8 doses absurdas, causaram o aparecimento de inúmeras doenças nos seres humanos. Quando foi na década de 1970, com os grandes eventos e iniciativas que começaram a cobrar do modelo de crescimento econômico, da época, sua relação com as questões ambientais, procurando quebrar os paradigmas dominantes advindo de anos de exploração dos recursos naturais sem nenhuma preocupação com o futuro terra e da qualidade de vida das pessoas. A Conferência de Estocolmo realizada na Suécia em 1972 foi um dos marcos e promoção do início desta luta nos quais desenvolvimentistas e pessoas preocupadas com a questão ambiental estão um diante do outro na tentativa de encontrar um caminho menos agressivo para os dois lados. A questão da emissão de resíduos foi o resultado extraído desta reunião e durante os anos seguintes o debate se voltava para questionar como as indústrias amenizariam o impacto gerado por estes poluentes lançados nos mananciais de água. Para ilustrar remetemos às constantes matérias na mídia sobre a poluição do rio Tietê na região metropolitana de São Paulo-SP. No Brasil as iniciativas sobre as questões destes impactos começaram no fim de 1979 e início dos anos de 1980 exatamente na região metropolitana de São Paulo-SP, uma exigência sobre avaliação de impacto ambiental para empresas que iniciassem suas atividades. Esta questão impulsiona a criação de uma legislação específica em 1981 (Lei N o 6938/81) que procurava regulamentar não somente a emissão de resíduos como também de outros aspectos como adequação dos novos empreendimentos. A Constituição Federal de 1988 pela primeira vez publica um capítulo direcionado para a regulação das questões ambientais definindo como um marco nacional sobre as posturas estabelecidas entre indústria, o comércio e o ambiente, em que diz o seguinte em seu artigo 225 Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Parece pouco, mas ao longo destes anos novas conquistas são percebidas no cotidiano das pessoas e das nossas Instituições.

9 9 As Conferências das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD/ONU), reuniram inúmeros chefes de Estado, membros de Organizações Não Governamentais, na busca de conciliações para o desenvolvimento socioeconômico, muito mais crescimento, com a conservação e proteção dos ecossistemas da Terra. Estas Conferências consagraram os conceitos de desenvolvimento sustentável, economia verde e erradicação da pobreza, para a mais ampla sensibilização e mobilização de pessoas de que os danos aos ambientes são predominantemente e de responsabilidade, das insustentáveis práticas antrópicas, em diferentes escalas e localidades, inadequadas. Reconhecem a necessidade de novas práticas, com apoio financeiro e tecnológico como avanço na direção do desenvolvimento sustentável. A posição dos países emergentes tornou-se mais estruturada e o ambiente político internacional favoreceu a aceitação, pelos países desenvolvidos, de princípios das responsabilidades comuns, mas diferenciadas, com negociações diplomáticas, apesar de seu impacto ter sido menor do ponto de vista da opinião pública. A década de 1990 é considerada um período de quebra dos paradigmas ambientais porque entra no debate uma visão mais ampla sobre o que significa Meio Ambiente, isto porque insere o homem/cidadão comum como sujeito neste debate e agente de mudanças.nesta década também foram várias as regulações ambientais que entram em vigor como a exigência o Licenciamento Ambiental nas atividades antrópicas que poderiam alterar a dinâmica ambiental, na forma de reduzir os diferentes impactos. Dessa forma as empresas viram a questão ambiental como uma ferramenta de promoção comercial por meio da implantação de programas de Sistema de Gestão Ambiental SGA, Certificações Ambientais e a criação de produtos menos poluentes, compondo os chamados rótulos verdes. As empresas passaram a preocupar não somente com os resíduos originados do seu processo produtivo, também com a origem, qualidade e

10 10 quantidade da matéria prima; passaram a quantificar/qualificar sua poluição, implantando novas tecnologias dentro do ciclo de vida de cada produto (6Rs 2 ). Aquelas empresas preocupadas com o ambiente e seu entorno, a vida do trabalhador e até mesmo em questões distantes de onde atuam, deveriam ter uma equipe de profissionais técnicos nos seus quadros administrativos e processos produtivos, porque esta visualização denominada de Empresa Limpa (ISO), pode(rá) ser mais bem vista pela sociedade e automaticamente aumentar o consumo de seus produtos, evitando alguns riscos endêmicos. Designa-se como endemia alguns fatores mórbidos ou doenças espacialmente localizadas, temporalmente ilimitadas, habitualmente presente entre alguns membros de uma população e cujo nível de incidência se situe sistematicamente nos limites de uma faixa geográfica que foi previamente convencionada para uma população e época determinadas e restritas a uma determinada área. Por vezes, uma endemia pode evoluir para uma epidemia, existindo, nesse caso, uma doença endemo-epidémica, ou funções ambientais específicas e/ou propícias aos impactos locais. Esta oposição entre endemia e epidemia, entretanto, tem sido debatida com os novos conhecimentos adquiridos quanto aos fatores ecológicos, também denominados de complexos patogênicos que condicionam o desenvolvimento de uma doença. Mas nestes últimos anos o termo endémico passou a referir-se, de forma mais ajustada, ao grau de prevalência de uma doença, ou seja, à proporção entre o número total de casos da doença e o número de indivíduos em risco ou vulnerabilidade de adquirir, numa área geográfica e temporalmente bem definida. Assim, as empresas precisam agora encontrar e apresentar não somente tecnologias produtivas menos poluentes, bem como também contratar profissionais capacitados para operar as suas máquinas e emitir laudos e pareceres técnicos sobre as condições ambientais de acordo com o ramo de atividade de cada uma delas, mas também que tenham em seus quadros um 2 Propostas da Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) e da Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei N o (02/08/12), há propostas de ambientais com os 6Rs: repensar; responsabilizar; reaproveitar; reciclar; recusar.

11 11 grupo de profissionais multidisciplinar, aqui no caso um Agente de Combate às Endemias, ampliando os horizontes dos/nos seus processos produtivos. O que, desde já, explicamos antecipadamente da importância deste Curso Agente de Combate às Endemias, pensado de forma diferenciado das antigas brigadas sanitárias ou guardas sanitários, quando o médico sanitarista Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro propôs a erradicação da Febre Amarela, como sendo uma das primeiras campanhas públicas de combate ao Aedes aegypti, que tinham por objetivo adentrar nas residências em busca de detectar casos de Febre Amarela e eliminar possíveis focos de Aedes aegypti, atendendo muito mais metas puramente fiscal e policial. O que não significa que o feitio do médico sanitarista Oswaldo Cruz estava errado. Não podemos condená-lo simplesmente pelo que foi feito, pois naquela época talvez fosse o que estava disponível ao alcance dos gestores. Lógico que se olharmos além do modelo biomédico, com certeza existia outras formas de vigilância e medidas mitigadoras em relação aos sofrimentos das pessoas. Por isso, naquela época as estratégias de combate ao vetor do dengue (em especial Aedes aegypti) para controlar a doença, muito utilizada desde o final do século XIX, não funciona mais. Que era muito mais pela eliminação das espécies, onde o controle era de concepção biomédica (modelo - que deu a sua contribuição). Isto porque o poder público sozinho não é capaz (ou não dá conta) de resolver os problemas da dengue, sendo necessária a participação da população como sujeitos, como corresponsáveis (até porque alguns criadouros estão dentro dos domicílios). É necessária a mobilização das pessoas (com sensibilização e outras formas de comunicação) com uma participação (mais) responsável no Programa de Controle de Vetores, sob a nova perspectiva da Promoção da Saúde (nova estratégia para combater os vetores e prevenir as doenças). Isto porque, nos dias de hoje, as realidades ambientais são um tanto quanto diferentes daquela época de Oswaldo Cruz, ou seja, exigem novas medidas pedagógicas e educativas, onde os saberes e os fazeres com os sujeitos precisam ser reconstruídos em parcerias, respeitando as fronteiras da autoria e da autonomia, o que nos faz lembrar o que disse Freire (1987, p. 36)

12 12 (...) ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo. Os homens se educam entre si mediatizados pelo mundo. Para o caso das parcerias entendemos que elas aconteceram levando em consideração as propostas da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, 2005), sobre município e comunidade saudável, em que diz o seguinte: Uma experiência de município e comunidade saudável começa com o desenvolvimento e/ou o fortalecimento de uma parceria entre autoridades locais, líderes da comunidade e representantes dos vários setores públicos e privados, no sentido de posicionar a saúde e a melhoria da qualidade da vida na agenda política e como uma parte central do planejamento do desenvolvimento municipal (OPAS, 2005, p. 2). Neste sentido ampliamos estas preocupações com as contribuições de Mafra (2006), que nos chama a atenção de que: (...) pela necessidade de participação dos sujeitos nas questões públicas, processo esse que não brota espontaneamente, mas prescinde de aprendizado, interesses despertados, identificação, um se-sentir-pertencido e um se-sentir-mobilizado às questões (valores / práticas) que necessitam de (re)definições coletivas (MAFRA, 2006, p. 14). Por isso Mafra (2006, p. 14) mais uma vez vem contribuir com as nossas preocupações, quando pergunta Como é possível que tal processo aconteça? Como é possível mobilizar os sujeitos à participação coletiva? Na verdade não existe uma mágica e uma magia para que as pessoas assumam de forma mais inteira as causas, isto porque conforme disse Mafra (2006, p. 15), Entretanto, algumas vezes, o debate racional é insuficiente para despertar o interesse dos indivíduos por determinadas políticas ou, mesmo, promover o engajamento em prol de certas causas. Estas preocupações estão contempladas no que disse Araújo; Cardoso (2010) numa entrevista para a Revista POLI (2010, p. 25), quando dizem que Qualquer processo de comunicação envolve repertórios culturais, agendas de prioridades, diferentes percepções do mundo. Assim, a função do Agente de Endemias deve ser entendida e praticada, enquanto estratégia da Promoção da Saúde, levando em consideração o que destaca a Carta de Ottawa (1986): 1) o estabelecimento de políticas públicas saudáveis, 2) criação de ambientes e entornos saudáveis, 3) empoderamento e ação comunitária, 4) desenvolvimento de habilidades pessoais e 5) reorientação dos serviços de saúde.

13 13 E, ainda, de acordo com a Carta de Ottawa (1986), Promoção de Saúde é o processo de empoderamento das populações para obter um melhor controle sobre sua saúde e para melhorar os determinantes da saúde e define a saúde como um recurso para a vida diária, um conceito positivo que enfatiza recursos pessoais e sociais, bem como as capacidades físicas. Sabemos que todas as ações estratégicas são importantes, mas destacamos a relevância do empoderamento, que de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS, 2005, p. 6) É um processo de ação social que promove a participação das pessoas, organizações e comunidades com o objetivo de aumentar o controle individual e comunitário, a eficácia política, a melhora da qualidade de vida e a justiça social. Além do que foi dito na Carta de Ottawa (1986) e a OPAS/OMS (2005), é importante destacar a relevância de promover Políticas Públicas intersetoriais que permitam e permeiam uma maior sinergia entre os desejos e as necessidades dos sujeitos em relação aos ambientes por eles ocupados ou ainda a ocupar, diferentes daquela época do modelo higienista/sanitarista. Assim, entendemos que estas práticas estejam assentadas no que disse Buss (2003) apud Moraes (2008), sobre Promoção da Saúde, ou seja: Percebe-se que a promoção da saúde amplia seu escopo e, passa relacionar vida, saúde, solidariedade, equidade, democracia, cidadania, desenvolvimento, participação e parceria. Essa visão de promoção da saúde refere-se a ações do Estado, da comunidade, de indivíduos, do sistema de saúde e de parcerias intersetoriais, trabalhando com a ideia de responsabilização múltipla para problemas e suas soluções (BUSS, 2003 apud MORAES, 2008, p. 2043). De acordo com o que foi dito por Buss (2003) citado por Moraes (2008), de certa forma, consolidou o que foi proposto e realizado por Oliveira (2012) em especial a (...) participação e parceria, numa construção de saberes e fazeres em relação às (...) ações do Estado, da comunidade, de indivíduos, do sistema de saúde e parcerias intersetoriais, trabalhando com a ideia de responsabilização múltipla para problemas e suas soluções., em particular no processo de ampliação dos conhecimentos, das atitudes e dos procedimentos, enquanto mobilização comunitária no controle dos Aedes e prevenção do dengue.

14 14 Assim, nos permite dizer que a Promoção da Saúde representa um novo jeito de se fazer políticas intersetoriais e interinstitucionais, com possibilidade de consolidar, nos diferentes ambientes, novas formas de se fazer a mobilização comunitária. O que de certa forma atende o que foi proposto pela Organização Pan- Americana de Saúde (OPAS, 2005), A promoção da saúde ganhou projeção internacional como importante estratégia para lograr a equidade, a democracia e a justiça social. Está demonstrado o seu êxito no equacionamento de difíceis problemas sanitários, sociais e econômicos, oferecendo um valioso contexto para a organização da ação social e política com vistas à melhoria da saúde e das condições de vida. A promoção da saúde é uma abordagem técnica e política para trabalhar com diferentes setores e melhorar a qualidade de vida. A excelência em liderança política se caracteriza pelo uso bem-sucedido da avaliação da promoção da saúde. Destacados líderes políticos puseram em prática, em benefício dos seus municípios, as cinco recomendações seguintes: 1. Reconhecer na promoção da saúde uma parte fundamental da busca da equidade, da melhoria da qualidade de vida e de melhor saúde para todos. 2. Exigir avaliação e monitoramento, como parte das iniciativas de promoção da saúde. 3. Criar infraestruturas para apoiar a avaliação da promoção da saúde. 4. Estimular e apoiar a colaboração entre setores do governo, setores público e privado, as universidades e os parceiros nãogovernamentais e 5. Usar os resultados da avaliação da promoção da saúde (OPAS, 2005, p. 3). Assim, espera-se que a Promoção da Saúde seja um marco nas estratégias na formulação de políticas públicas em todos os setores que apoiam o desenvolvimento sadio e sustentável, enquanto planejamento, implantação e avaliação de estratégias de equacionamento e gestão de ambientes favoráveis à Promoção da Saúde em Municípios e Comunidades Saudáveis 3 (MCS). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma experiência de município e comunidade saudável começa com o desenvolvimento e/ou o fortalecimento de uma parceria entre autoridades locais, líderes da comunidade e representantes dos vários setores públicos e privados, no sentido de posicionar a saúde e a qualidade da vida na agenda política, como parte central do planejamento do desenvolvimento municipal. De tal forma que as redes nacionais e regionais de MCS necessitam ser estimuladas, pois são importantes instrumentos para sensibilizar e mobilizar as 3

15 15 pessoas ao adotar novas atitudes e novos comportamentos nas relações ambientais, em diferentes escalas (local, regional e global). Dentro deste contexto o município de Uberlândia-MG possui um processo de espacialização das suas atividades em diferentes direções, em função do modelado topográfico predominantemente de Chapadas Sedimentares o que facilita diversas atividades antrópicas relacionadas ao processo de urbanização e da agropecuária. Conforme Baccaro (1989), os recursos hídricos das terras do município são drenados pelas Bacias Hidrográficas do Rio Araguari e Uberabinha (Mapa 1), com destaque para as cachoeiras, corredeiras e declividades das vertentes que são mais acentuadas, aproveitadas como queda natural para a construção de Usinas Hidroelétricas, entre elas Capim Branco I e II (AMADOR AGUIAR), e a PCH MALAGONE (Figuras 01 a 04). Figuras 01 a 04 Canteiro de obras da Usina Hidrelétrica PCH MALAGONE, Fotos: João Carlos de Oliveira.

16 16 Mapa 1 - Hidrografia do Município de Uberlândia. Fonte: Brito; Lima, 2011, p. 27.

17 17 Estes empreendimentos localizados em ambientes propícios na presença de determinados vetores, por exemplo, Flebotomíneos que compreendem o gênero Lutzomia, Haemagogus, Aedes aegypti, Triatomíneos Tripanossoma cruzi são responsáveis pela transmissão de algumas doenças, tais como Leishmaniose Visceral e Cutânea, Febre Amarela, Dengue, Chagas. Que, ao serem implantados, estabelecem uma relação direta ambiente/homem/saúde/doença, em função da presença dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, do estreito deslocamento entre as obras e as residências de moradias dos mesmos, sejam elas nos acampamentos e/ou nas áreas urbanas. Com todo este agrupamento (adensamento) populacional presente em diferentes localidades necessita de uma gestão pública de Promoção da Saúde, onde na linha de frente o Agente de Combate às Endemias poderá e/ou irá contribuir num conjunto de políticas intersetoriais, para promoção da qualidade de vida das pessoas. No espaço rural de várias localidades do Brasil, com o avanço do agronegócio e a destruição das áreas verdes naturais, este profissional levará o conhecimento sobre os impactos na saúde ambiental advindos do uso descontrolado do processo de urbanização, principalmente em função da macrocefalia urbana, de determinadas atividades relacionadas à agropecuária e na construção de usinas hidroelétricas. Estas preocupações se devem pelo fato de que já alguns estudos realizados pelo Instituto de Geografia - Universidade Federal de Uberlândia, em especial pelo Laboratório de Geografia Médica e Vigilância em Saúde (LAGEM/IG/UFU) e que demarcam muito bem os impactos sobre a saúde ambiental do município de Uberlândia (MG) e até da região do Triângulo Mineiro e Goiás(Tabela 1). Dentro deste contexto de pesquisa e de qualificação profissional, a Escola Técnica de Saúde ESTES/UFU, vêm por meio deste Projeto destacar duas situações: 1) Alguns profissionais da ESTES, entre eles Jureth Couto Lemos, João Carlos de Oliveira e Noriel Viana Pereira contribuíram com algumas pesquisas e 2) Propor o Curso de Agente de Combate às Endemias, para capacitar profissionais competentes a trabalhar tanto em diferentes segmentos sociais, em especial nas administrações públicas, como também nas empresas

18 18 como em outros segmentos, contribuindo para desenvolver práticas de Vigilância em Saúde e Epidemiológica de Vetores, como forma de amenizar os impactos na saúde humana, gerados pela ação humana ou não. Tabela 1 Pesquisas realizadas pelo Laboratório de Geografia Médica e Vigilância em Saúde (LAGEM/IG/UFU) PESQUISADORES TITULO DA PESQUISA Paulo Henrique Batista Samuel do Carmo Lima MarlúcioAlnselmo Alves Samuel do Carmo Lima João Carlos de Oliveira Samuel do Carmo Lima Maria Araci Magalhães Samuel do Carmo Lima Paulo Cezar Mendes Gerusa Gonçalves Moura Samuel do Carmo Lima Elisângela Rodrigues Samuel do Carmo Lima Paulo Cândido de Sousa Samuel do Carmo Lima Marcelo Sebastião Resende Samuel do Carmo Lima Jaqueline Aida Ferrete Samuel do Carmo Lima Paulo Cezar Mendes Samuel do Carmo Lima Jureth Couto Lemos Samuel do Carmo Lima Glaucimar Soares da Silva Vieira Samuel do Carmo Lima João Carlos de Oliveira Samuel do Carmo Lima Márcia Mattos Dorneles Julio Cesar de Lima Ramires Noriel Viana Pereira Samuel do Carmo Lima Sandra Soares Alvim Samuel do Carmo Lima Sandra Célia Muniz Magalhães Samuel do Carmo Lima Jorge Hermógenes Rocha Samuel do Carmo Lima Jaqueline Aida Ferrete Samuel do Carmo Lima Jureth Couto Lemos Samuel do Carmo Lima Transmissão vetorial da doença de chagas no Triângulo Mineiro: aspectos demográficos, sócio-econômicos, políticos e ambientais. Regionalização e Territorialização da Estratégia Saúde da Família em Uberlândia MG Mobilização comunitária como estratégia da promoção da saúde no controle dos Aedes (aegypti e albopictus) e prevenção do dengue no distrito de Martinésia, Uberlândia (MG). Doenças da pobreza e globalização. Estratégias de Promoção da Saúde do território escolar: diálogos entre Brasil e Portugal. Diagnóstico Epidemiológico da Cidade de Ituiutaba-MG: o estudo da Dengue como possibilidade de pesquisa e mobilização social a partir da escola. Alterações ambientais e os riscos de transmissão de febre amarela, na área de construção da UHE Serra do Facão GO. Perfil geoepidemiológico das populações na área diretamente afetada pelo AHE Serra do Facão, Goiás. Gripe aviária, aves migratórias e controle sanitário na criação de aves comerciais e de subsistência no município de Uberlândia. Fauna anofélica da área de construção da barragem da Usina Hidrelética Amador Aguiar I, na bacia do Rio Araguari, no Município de Uberlândia MG. Aspectos ecológicos e sociais da doença de chagas no município de Uberlândia, Minas Gerais - Brasil Fauna flebotomínea na bacia do rio Araguari, antes, durante e após a construção da barragem da usina hidrelétrica Capim Branco I, Uberlândia, Minas Gerais. Fauna de Aedes (Ochlerotatus) Scapularis e as alteraçõpes ambientais provocadas pela construção das barragens das Usinas Hidrelétricas Capim Branco I e II, no rio Araguari, no Município de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil. Manejo integrado para controle do Aedes e prevenção contra a dengue, no Distrito de Martinésia, em Uberlândia (MG) A hanseníase e a política de saúde em Uberlândia MG. Epidemiologia da Hanseníase em Manaus AM. Comportamento Epidemiológico da Tuberculose em Uberlândia (MG): situações coletivas de risco, de 1995 a Epidemiologia da Tuberculose em Manaus MG. A influência da construção dos lagos das usinas hidrelétricas de Capim Branco I e II, nos municípios de Araguari e Uberlândia - MG. Fauna Anofélica das Áreas de Implantação das Barragens das Usinas Hidrelétricas Capim Branco I e Capim Branco II, na Bacia do Rio Araguari, no Município de Uberlândia MG. Fauna flebotomínica em áreas de transmissão de Leishmaniose Tegumentar Americana, na bacia do Rio Araguari, no Município de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil - um estudo de Geografia Médica. Fonte: Data de acesso: agosto de Organização: João Carlos de Oliveira, 2012.

19 19 O profissional em Agente de Combate às Endemias possuirá habilidades e competências para fazer um levantamento dos ambientes propícios para a presença e desenvolvimento de vetores responsáveis, ou não, a determinadas doenças, bem como as relações que se estabelecem com as ações antrópicas, identificando alguns problemas advindos do mau uso em determinado lugar. Dessa forma, o projeto pedagógico/plano do curso de formação inicial e continuada em Agente de Combate às Endemiasvem atender à solicitação de qualificação e formação das pessoas, gerando mão de obra qualificada, melhoria na qualidade dos serviços prestados e procurar solucionar os problemas locais e/ou regionais com a possibilidade de manter as pessoas no seu ambiente com menos riscos e vulnerabilidade. Os avanços conquistados pelosagentes de Combate em Endemias ao longo desses 20 anos de SUS mostram, por um lado, a capacidade de organização dessa categoria e, por outro, a importância que eles adquiriram no sistema como um todo. Houve um tempo, por exemplo, em que bastava saber ler e escrever para estar apto a realizar o trabalho dos agentes. Hoje, existe proposto pelos Ministérios da Saúde e da Educação e formalizado pelo Conselho Nacional de Educação, um curso técnico de Agente de Combate às Endemias (ACE). Em 2002, eles conseguiram fazer a sua atividade virar profissão, com a promulgação da Lei N Em 2006, outra lei, a de N , criou o processo seletivo público especificamente para Agente Comunitário de Saúde (ACS) e Agente de Combate às Endemias, atendendo alguns contextos conceituais, tais como: Ator Social; Determinantes Sociais; Distrito Sanitário; Doença Emergente; Doenças Reemergentes; Ecossistemas; Empoderamento; Endemia; Epidemia; Pandemia; Enfoque Clínico; Enfoque Epidemiológico; Enfoque Estratégico-Situacional; Enfoque Social; Fluxos; Incidência; Prevalência; Indicadores de Saúde; Integralidade; Equidade; Modelos Assistenciais; Necessidades Sociais de Saúde; Objetos Geográficos; Participação Social; Planejamento e a Programação Local em Saúde; Práticas de Saúde; Problemas de Saúde; Promoção da Saúde; Salubridade Ambiental; Saneamento Ambiental; Saúde; Segregação Espacial; Território; Vigilância Ambiental; Vigilância Epidemiológica; Vigilância Sanitária.

20 20 4. CARACTERIZAÇÃO DO CÂMPUS A Escola Técnica de Saúde da Universidade Federal de Uberlândia localizada no Bloco 4K e 6 X do Campus Umuarama. Foi criada em 1972, e oferece os cursos técnicos subsequentes ao ensino médio em Enfermagem, Análises Clínicas, Prótese Dentária, Saúde Bucal, Controle Ambiental e na modalidade PROEJA, o curso Técnico em Meio Ambiente.

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