REDES E GESTÃO DE DESTINOS TURÍSTICOS: ANÁLISE DAS RELAÇÕES DOS ATORES DE TURISMO DA CIDADE DE OURO PRETO

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1 XXX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Maturidade e desafios da Engenharia de Produção: competitividade das empresas, condições de trabalho, meio ambiente. São Carlos, SP, Brasil, 12 a15 de outubro de REDES E GESTÃO DE DESTINOS TURÍSTICOS: ANÁLISE DAS RELAÇÕES DOS ATORES DE TURISMO DA CIDADE DE OURO PRETO Raoni de Oliveira Inácio (UFOP) Maurinice Daniela Rodrigues (UFMG) Thiago Reis Xavier (UFSM) SICELO ALEXANDRE D EOLIVEIRA INÁCIO (UFOP) A redes são estudadas há muitos anos. Entretanto há uma década o mundo descobriu que as redes sestão presentes em nosso dia-a-dia fazendo que estudiosos se debruçassem a compreendê-las como uma metodologia, uma fórmula para resolver inúmeroos problemas desde pessoais a empresariais. Na verdade as redes podem vir a ser estruturas estratégicas para a gestão de inúmeros ambientes, inclusive um destino turístico. Porém, só isto não irá milagrosamente resolver todos os problemas. É necessário um alinhamento aos novos paradigmas para se tornarem mais competitivos. O presente artigo é fundamentado sobre dados da pesquisa de modelização topológica da rede de turismo da cidade de Ouro Preto durante os anos de 2008 e Para isso, através do método de levantamento, houve a aplicação de 600 questionários, através dos quais obtiveram-se as informações analisadas, utilizou-se da técnica quantitativa de estatística inferencial, e sua análise se deu por meio dos programas Excel e XMGRACE. Os resultados dos questionários indicaram quais seriam os principais atores de turismo da cidade. Palavras-chaves: Redes; Redes complexas; Turismo.

2 1 1. Introdução As redes são estruturas presentes nos mais diversos ambientes em que atuam as pessoas, elas conseguem moldar a realidade dos mais diversos processos sociais, biológicos, físicos etc. Apesar dessa onipresença e importância em praticamente todos os processos que são realizados pelas pessoas, os mecanismos básicos que regem seu funcionamento ainda são pouco conhecidos. A ligação entre dois ou mais pontos, sendo permeada pela informação passou a ser um fator preponderante em um mundo globalizado. Essas estruturas estratégicas denominadas redes, fomentam-se a partir de um objetivo abrangente, da coletividade. Desenvolvimento de clusters, arranjos produtivos locais, redes neurais, integrações verticais e horizontais etc.,vem sendo vastamente estudados nos últimos anos. Essas relações intensas ou não que tem em sua base a denominação redes, são caracterizadas por diversos fatores, entre eles está também o ambiente inserido e também pelas particularidades de cada tipo deste modelo de sistema. A ocorrência de cooperação nos agrupamentos também pode ser observada como um instrumento estratégico nas redes de determinada região geográfica. No caso do turismo, identificar valores (culturais, sociais, econômicos, etc.) de determinado público, pode ser um diferencial. A partir da cooperação de informações desse público, a rede melhor esta preparada para o recebimento do turista. As decisões e planejamento de cidades turísticas, com base em agrupamentos, podem gerar uma vantagem competitiva, uma vez que na existência de um fluxo mais eficiente de informação, tecnologia e conhecimento entre as cidades agrupadas, há um compartilhamento de decisões, o que minimiza os erros e reforça as ações. Esse estudo teve como ponto de partida o resultado da aplicação de 600 questionários do projeto de pesquisa de Redes Complexas: Modelização da Estrutura Topológica e das Interações dos Agentes de Turismo da Cidade de Ouro Preto nos anos de 2008/2009. Buscase, com este trabalho, uma aplicação dos modelos de redes no estudo das interações entre atores do turismo da cidade. Através dos dados parciais da pesquisa foram identificados os hubs - pontos altamente conectados da rede de atores do turismo, além do perfil do turista que visita cada ambiente. Nesse contexto destacam-se também os esforços na busca intencional de bibliografias informativas, que são fundamentais para a compreensão das diferentes teorias e métodos de abordagem do tema. Para assim poder se ter um embasamento diante da aplicabilidade em campo. A partir desse delineamento, o artigo exposto irá ser organizado em cinco itens e da seguinte forma: Primeiramente apresenta-se uma base conceitual. No segundo item são apontadas as características e a importância da informação em uma rede, em seguida será realizada a comparação propriamente dita da pesquisa. Em um quarto momento mostra-se a metodologia empregada, e a posteriori dispõe-se as considerações finais. Logo, acredita-se que esse trabalho será uma importante contribuição para este ano de 2009, devido a essa análise de todo esse período de pesquisa existente a respeito de redes na cidade de Ouro Preto. Além da importância do confronte de dados, que pode ser utilizado no estudo de fomentação de políticas públicas para o setor de turismo da cidade. 2

3 O presente artigo está organizado em quatro partes. Primeiramente, apresenta-se uma base conceitual contextualizando o tema, especificamente sobre redes complexas e redes do turismo. No segundo item são apontados os procedimentos metodológicos, em seguida demonstra-se a apresentação de análise dos resultados. E finalmente, são expostas as considerações finais. 2. Referencial Teórico 2.2 Redes Castells (2003) defende que as redes são estruturas abertas, ou seja, qualquer um pode se conectar a rede desde que sustente uma ligação, mantendo fluxos de informações, produtos ou serviços. Para Angelis (2005) as redes podem ser estudadas através de suas características físicas, como o número total de ligações de um mesmo nó. Elas podem ter um grafo regular ou irregular. O primeiro é aquele em que todo nó possui o mesmo número de ligações, já no segundo, seus nós apresentam diferentes números de ligações. Nos últimos anos os pesquisadores descobriram que vários sistemas complexos possuem uma arquitetura governada por princípios organizacionais idênticos e compartilhados por todos (KELLER, 2005). Em algumas delas, os nós podem ter um número médio de conexões descrito por uma distribuição de Poisson (que mostra que tal rede possui uma escala definida, uma vez que a grande maioria dos nós apresenta um número de conexões próximo a uma conexão média). É importante frisar que nessa rede todos os nós têm uma mesma probabilidade de ligação a ser feita. Por outro lado, existem redes em que essa mesma distribuição segue uma lei de potência (ALBERT-LÁSZLÓ BARABÁSI, 2002). Nesse caso têm-se pouquíssimos nós fazendo um grande número de ligações e uma vasta maioria fracamente conectada. Neste tipo de redes não há uma conectividade média que represente todos os nós, uma vez que todas as conectividades estão presentes com um determinado grau, por isso elas são denominadas redes sem escala (KELLER, 2005). Especificamente no turismo pode ser feita uma analogia com os atores de destinos turísticos, pois alguns são mais frequentados que os outros, assumindo assim uma configuração de redes sem escala. As redes sem escala são aquelas que não seguem um padrão regular. Essas redes podem ser estáticas, quando não existe variação no número de vértices, arestas ou mesmo na configuração das ligações, ou dinâmicas, sendo que neste caso, é possível modelar o seu crescimento pela análise da variação de sua estrutura no tempo (RODRIGUES, 2007). Segundo Albert e Barabási (2002), as redes sem escala são denominadas de RIE (Redes Invariantes por Escala). As características do algoritmo de criação de uma RIE podem, então, serem descritas por um crescimento que parte-se de um número mínimo de n nós totalmente conectado e a cada passo um novo nó adicionado à rede é conectado a nós já existentes, e a conexão preferencial, que ao escolher os nós ao qual o novo nó se conecta, assume-se que a probabilidade com que o nó i seja escolhido depende de sua conectividade k i. Já para uma rede aleatória as características de seus algoritmos quanto ao crescimento se baseiam na existência de um número fixo de nós, e na conexão cada nó é adicionado a outro com uma probabilidade p. Como a rede de atores de Ouro Preto se apresentou como uma rede sem escala, acredita-se que os pontos turísticos mais visitados têm maior probabilidade de receber cada vez mais turistas, em detrimento dos atrativos menos visitados. De acordo com Costa e Martinho (2003) as redes agregam em si, ainda, pré-requisitos como princípios democráticos, inclusivos e emancipatórios, ou seja, princípios deliberados pela 3

4 liberdade na forma de pensar e cooperar, ou seja, baseados no associativismo e na solidariedade, dentro do propósito de cada rede. Então, sua estrutura se formará a partir de uma conectividade entre seus pontos ou nós, baseada não em noções primárias de disposição geográfica e quantidade, mas sim na capacidade e dinâmica produzida por esse tipo de sistema, que são: não linearidade; laço de realimentação; capacidade de regular a si mesma; multiplicação de ações; dinâmica do relacionamento horizontal e; interdisciplinaridade, assegurada no pensamento sistêmico e nas teorias da complexidade. Outro principio das redes é a voluntariedade. A voluntariedade, a autonomia e o objetivo em comum, delineado pela rede ou não (rede formal ou informal), são preceitos básicos de operacionalização do sistema, pois os recursos oferecidos por cada nó têm o propósito de uma participação ativa em prol da eficácia da rede. É importante pontuar que essa característica é gerada sem prejudicar a interdependência de cada nó. Segundo Keller (2005), o sistema formado por redes aleatórias é extremamente democrático, pois a maioria dos nós terá aproximadamente o mesmo número de ligações, além de ser extremamente raro encontrar nós que tenham significativamente mais ou menos ligações que a média. Diante do modelo de redes livre de escala, Barabási e Albert fizeram uma proposição que consiste na adição de novos nós através do mecanismo de atração preferencial, denominado modelo BA (BARABÁSI e ALBERT, 2002). Em uma rede pode-se supor que existam relações mais fracas ou relações mais fortes. Como o modelo BA não demonstra como as interações se dispõem na rede, fora desenvolvido um modelo posterior. A inovação teórica considera mecanismos que abordam as relações presentes na rede, relevam também o peso e associam a força de cada nó. Tal modelo é conhecido como BBV (BARRAT, BARTHÉLEMY e VESPIGNANI, 2004). Já Wang et al (2005) apresentaram um modelo que representa as dinâmicas contidas em uma rede, como a adição de novos nós e a sua relação para com os nós já existentes. Dessa maneira, demonstrase que o estudo das redes está em constante evolução. O setor de turismo pode ter, através da aplicabilidade da teoria de redes complexas, uma importante contribuição para seu estudo. Através das redes podem-se analisar fatores como as interligações e dependência dos diferentes agentes, e ainda, quais são as características de uma possível rede turística. 2.2 Redes e Turismo Conforme Novelli et al (2007), o desenvolvimento do turismo, em diversos países, é feito através de parcerias, a fim de obter um melhor resultado social e econômico para a sociedade, e muitas dessas parcerias são formalizadas através do conceito de redes. A forma sistêmica com que as redes podem organizar o turismo em países, regiões e localidades, contribui para identificar as questões comuns, os problemas e as soluções. Na rede do turismo, os atores mantêm uma relação intensa de dependência, fomentando uma interligação de todos os seus componentes, resultando assim em um grupo denominado de rede turística (CHON, 2003). A formação das redes de cooperação representa um papel muito importante na identidade regional, pois significa que os habitantes de um lugar procuram incorporar ao seu próprio sistema cultura, os símbolos, os valores e as aspirações mais profundas da sua região, contribuindo para o fomento de uma atividade turística planejada, afirma Bernardes et al (2006). Relata Nordin (2003, pág.16): 4

5 Em um típico cluster do turismo, por exemplo, a qualidade de uma experiência do visitante depende não só do apelo da principal atração, mas também sobre a qualidade e a eficiência das empresas complementares, tais como hotéis, restaurantes, lojas, instalações e transporte. Porque os membros do cluster são mutuamente dependentes, por um bom desempenho pode impulsionar o sucesso dos outros. Complementaridades vêm em muitas formas. Portanto, para uma melhor compreensão da rede de turismo, é necessário considerar o significado de oferta turística que abrange os meios de hospedagem, alimentação, entretenimento, agenciamento, informações e outros serviços voltados para o atendimento aos turistas. Subdivide-se em equipamentos e serviços turísticos e infra-estrutura de apoio turístico. A infra-estrutura de apoio turístico compreende o sistema de comunicações, transportes e serviços urbanos (OLIVEIRA, 2000). Já os atrativos turísticos podem ser subdivididos em culturais, naturais, eventos, lazer e entretenimento, como afirma Goeldner (2002). Todos estes componentes do turismo estão inter-relacionados e fortemente interdependentes, formando um grupo denominado de rede turística (CHON, 2003). Em um sistema de turismo, cada destino poderá determinar suas estratégias, utilizar recursos, definir seus produtos ou implantar seus planos da mesma forma. Independentemente de ser uma cidade, região ou país, o destino apresenta uma história, cultura, política e lideranças diferentes, e sua própria maneira de lidar com as relações entre o setor público e privado. As possíveis estratégias para o turismo fomentadas em rede com todos os participantes envolvidos e com base em uma excelência gerencial fortalecem a qualidade do serviço a ser prestado por determinado agrupamento, pois permite a geração de inovações, e pode potencializar as ações já existentes, além de sua importância para possibilitar o usufruto da imagem de um lugar. 3. Procedimentos Metodológicos Este trabalho fora desenvolvido ao longo do primeiro semestre de 2009 pelo Núcleo de Pesquisa e Estudos Avançados em Turismo (NUPETUR), através de um grupo interdisciplinar composto por professores de diferentes áreas, tais como a física, administração, e turismo. Este grupo identificou uma rede do setor turístico de Ouro Preto, observando que determinados atores da rede eram mais conectados que outros. O presente trabalho apresenta através da técnica quantitativa de estatística descritiva a mensuração dos dados abordados. Tal análise fora possível, pois se utilizou o procedimento de estatística inferencial quando se estimou a rede de atores do turismo de Ouro Preto. A pesquisa tem um caráter descritivo, pois há a descrição dos dados referentes ao perfil da amostra colhida, e exploratório, quando se utilizam bibliografias para analisar e confrontar os dados. Para tanto, o presente estudo se enquadra na técnica de amostra não probabilística de amostragem estratificada, pois fora o plano estatístico mais indicado, já que o universo da população (turistas/excursionistas) não tem a mesma probabilidade de serem entrevistados, devido aos pontos estabelecidos para a abordagem (centro histórico da cidade de Ouro Preto). A coleta de dados foi através da aplicação de 600 questionários. O questionário fora elaborado de forma específica para essa pesquisa e teve como base as pesquisas anteriores a respeito da rede de atores de turismo na cidade de Ouro Preto nos anos de 2005/2006 e 2007/2008. As duas primeiras questões do questionário (dicotômicas, contendo duas respostas: sim ou não) estabeleceram os filtros da pesquisa, e procuravam excluir moradores de Ouro Preto e 5

6 pessoas já entrevistas para a pesquisa. A terceira questão, também filtro, tinha por objetivo identificar o turista, questionando a finalidade da viagem, oferecendo três opções de resposta. As questões seguintes eram fechadas, e perguntavam sobre o uso de determinado serviço turístico (hospedagem, restaurante, bar, loja de artesanato e joalheria, atrativos) pelo turista, oferecendo somente duas respostas: sim ou não; além das alternativas não respondeu e não sabe. Em caso de resposta afirmativa, perguntava-se o nome do estabelecimento (alternativa a) e quem o indicou (alternativa b). Para se obter maior confiabilidade, cruzaram-se os dados com informações referentes à condição econômica dos turistas, grau de escolaridade, idade e gênero. Isso, porque todos estes têm uma relação direta com as expectativas, percepções e ambições do turista. Conhecer o perfil da demanda de determinado destino ou serviço é primordial para o sucesso da análise de qualquer demanda e oferta. A aplicação dos questionários ocorreu entre os dias 10 e 12 de abril; 01 e 03 de maio; 05 e 07 de junho; e 03 e 05 de julho de Foram aplicados, em média, 50 questionários ao dia, divido por três aplicadores, totalizando os 600 questionários. Os pontos de aplicação definidos foram: Praça Tiradentes, Rua Direita e Feira de Pedra e Sabão, devido ao maior fluxo de turistas nesses espaços, já que consiste no centro histórico da cidade. As respostas obtidas tornaram possível mapear a rede de atores de turismo de Ouro Preto, na qual, o turista (agente de ligações), destacou diversos estabelecimentos prestadores de serviços turísticos (nós, atores) e quais destes, em cada categoria (meios de hospedagem, restaurantes, bares, lojas de artesanato e joalherias), recebeu o maior número de conexões (citações). A rede caracterizada considera o processo de interação entre os nós a partir das ligações realizadas pelos turistas. Para a tabulação dos dados utilizou-se o programa Excel e para construir a rede de forma computacional utilizou-se o programa XMGRACE. Como o objetivo de tal pesquisa era a abordagem somente de turistas e/ou excursionistas foi implementado no início do questionário três filtros: a diferenciação dos moradores e de turistas; a finalidade da visita e; a não redundância quanto a um individuo ser entrevistado mais de uma vez. 4. Apresentação e Análise dos dados De acordo com a estrutura do questionário aplicado a turistas na cidade de Ouro Preto, pôdese identificar, e montar novamente duas redes diferentes. A primeira rede identificada consiste na rede de fluxo. O turista é o ator que possibilita a ligação e as interações contidas entre os nós (pontos turísticos) da cidade. De acordo com a figura (1), se um turista qualquer fora em determinados pontos A, B, C e D, há a possibilidade de formar interações entre esses nós, apresentando na rede as ligações: A-B, A-C, A-D, B-C, B-C, B-D, D-C. Nesta figura foi possível verificar ainda que os nós menos conectados se encontram perifericamente, enquanto os mais conectados se agrupam no centro. Estas ligações e interações são possíveis na medida em que se observa a dinâmica proporcionada pelo turista ao visitar tais atrativos. Outro fator a se considerar é a potência das ligações, ou seja, a medida de fluxo desta rede, que é calculada pela maior intensidade de ligações entre os atores. Com a presente pesquisa, percebeu-se que o Museu da Inconfidência é o nó mais conectado, seguido pela Praça Tiradentes e Igreja São Francisco de Assis. A outra rede encontrada, que é a rede de indicação, fora montada entre os mesmo indivíduos 6

7 da rede de fluxo e foi possível o seu mapeamento, através da relação entre quem ou o que indicou o turista/visitante aos nós da rede, como pode ser visualizado na figura (2). Nessa rede fora identificado 734 ligações referentes a escolhas individuais. Dados primários, 2009 Figura 1: Rede de Fluxo Dados primários, 2009 Figura 2: Rede de Indicação A rede de fluxo encontrada de acordo com a figura (3) demonstra no eixo das ordenadas [P(k)] a frequência dos pontos da rede. Decaindo esta frequência, observa-se no eixo das coordenadas k, um aumento do grau de conectividade dos agentes na rede. Pode-se inferir, através da pesquisa, que esta rede de fluxo sofre influencia de fatores como a indicação, fatores geográficos etc. que são determinantes no processo de escolha do fluxo de turistas na cidade. Nota-se que o hub da rede de fluxo é o Museu da Inconfidência, com 303 links. Pode-se ainda afirmar que tal rede não é uma rede livre de escala e nem aleatória, devido a sua distribuição de conectividade. 7

8 Figura 3: Rede de Fluxo Através da rede de fluxo identificou-se que a Rua Direita, o Museu da Inconfidência, a Feira de Pedra Sabão e a Igreja de São Francisco de Assis, é o percurso que mais concentra fluxo turístico na cidade consequentemente localização dos principais hubs. Percebeu-se ainda que nessa rede o Museu da Inconfidência é o nó com o maior número de chegada de visitantes, com 303 links e que a Rua Direita é o nó com maior número de saída de visitantes, com 181 links comprovando assim que também que 10% das ligações da rede se encontram unidirecionalmente da Rua Direita para o Museu da Inconfidência. A rede de indicação, conforme demonstrada no figura (4) se comportou como uma rede sem escala onde os nós mais indicados aparecem com menor frequência, enquanto nós com pouca conectividade aparecem com maior frequência na rede. Através de uma lei de potência, observa-se que não há uma conectividade média e sim alguns nós altamente freqüentados e outros fracamente conectados. Figura 4: Indicação e indicado 4.1 Perfil da Amostra 8

9 Constatou-se que 504 (84%) entrevistados organizaram suas viagens de forma individual, enquanto 96 (15%) utilizaram as agências de viagens para tal finalidade. Os demais entrevistados (4)- que se referem a 1% da amostra- não sabiam ou não responderam à pergunta. No que diz respeito às fontes de informações as duas mais citadas pelos respondentes foram: informações de amigos (240 pessoas) e Internet (150 pessoas). Figura 5: Fontes de informação utilizadas pelos turistas Os entrevistados que organizaram sua viagem através de agências não foram questionados sobre as fontes de informações, não fazendo, portanto, parte dessa amostra Meios de Hospedagem Quando questionados sobre os meios de hospedagem utilizados (Figura 6), 330 pessoas questionadas não se hospedaram em Ouro Preto, sendo que o meio de hospedagem mais citado foi a pousada (138 pessoas). Figura 6: Utilização dos meios de hospedagem em Ouro Preto 9

10 Foram mencionados um total de 44 serviços de hospedagem diferentes (quadro 1), dentre os quais, os mais citados (mais conectados) foram: Pousada do Mondego com 8%, Hotel Solar Nossa Senhora do Rosário, Pousada Solar da Ópera e Pousada Vila Rica com 7%, e Hotel Mirante com 5%. Pousada Arcádia Mineira Albergue da Juventude Brumas Pousada Minas Gerais Hotel Colonial Hotel Solar Nossa Senhora do Grande Rosário Hotel Pousada Arcanjo Pousada Ouro Preto Pouso dos Viajantes Luxor Ouro Preto Pousada Pousada Tiradentes Pousada Ouvidor Pousada Solar da Ópera Pousada dos Bandeirantes Pousada Vila Rica Pousada São Francisco Hotel Boroni Estalagem Minas Gerais Hotel Mirante Pousada Clássica Repúblicas Hotel Pousada Casa Grande Hotel Priskar da Barra Pousada Mondego Hotel Solar das Lajes Pousada dos Ofícios Hotel Imperial Taberna Luxor Pousada do Pilar Pouso do Chico Rei Pousada Recanto das Minas Pousada Itacolomi Pousada Imperatriz Pousada Inconfidência Pousada São Mineira Francisco de Albergue Sorriso Paula do lagarto Pousada dos Inconfidentes Hotel Casa dos Contos Pousada Flávia Helena República Nau Sem Rumo República Aquarius República Pif-Paf República Lilith República Reino de Baco Restaurantes Tabela 1: Estabelecimentos de hospedagem de Ouro Preto citados Dentre os turistas respondentes, 444 (74%) foram a algum restaurante, e 156 pessoas não freqüentaram nenhum restaurante. Podem-se destacar, de um total de 37 restaurantes citados pelos respondentes (Tabela 2), o Restaurante Forno de Barro (18%), o Restaurante Casa dos Contos (10%), o Restaurante Quinto do Ouro (7%) e o Restaurante Adega Ouro Preto (6%); sendo estes aqueles que receberam o maior número de conexões (mais visitados). Restaurante Casa do Churrascaria Quase Tudo no Ouvidor Espeto Piacere Restaurante Chafariz Restaurante Bené da Flauta REMOP Restaurante Café & Cia. Restaurante Quinto do Ouro Casa dos Contos Restaurante Vide Gula Restaurante O Passo Restaurante O Sotão Restaurante Maximus Restaurante Tudo à Kilo Chooperia Real Colonial Restaurante Forno de Barro Restaurante Caldos de Minas Restaurante Terra de Minas Restaurante Casa dos Bar do Thomás Restaurante São Judas Contos Restaurante Deguste Satélite Tadeu Restaurante Gastrô 58 Restaurante Adega Ouro Restaurante Ponte dos Contos Restaurante Chalé dos Preto Restaurante O Profeta Restaurante La Cave Caldos Restaurante Caldos de Minas 10

11 Restaurante Spaguetti Piacere Rocalha Boteco do Chopp Restaurante Relicário 1800 Camineto Grill Tabela 2: Restaurantes de Ouro Preto citados Bares Dentre os turistas entrevistados, 180 (30%) responderam que frequentaram algum bar, enquanto 420 (70%) não utilizaram esta categoria de serviço Foram mencionados pelos entrevistados um total de 14 bares diferentes (quadro 3), sendo que os mais conectados (visitados) foram: Bar Barroco (27%), Bar Satélite (18%), Buteco do Chopp (14%) e Chooperia Real (10%). Restaurante Forno de Barro Biz & Biu Bar Restaurante Acaso 85 Satélite Barroco Café Geraes Boteco do Chopp Chooperia Real Bar do Pedro (Quase Tudo no Espeto) Doce Sabor Lampeão/Maria Bonita Chooperia Raro Restaurante O Passo Bar da Mildes Lojas de Artesanato e Joalherias Tabela 3: Bares de Ouro Preto citados Dentre os entrevistados, 180 (30%) disseram que foram a alguma loja de artesanato e/ou joalheria, enquanto 420 (70%) disseram que não utilizaram estes serviços. Foram mencionadas um total de 15 lojas de artesanato e joalherias diferentes (Tabela 4), sendo que os mais mencionados foram: Filhos de Gandhi (15%), Amsterdam Sauer e Feira de Pedra e Sabão (12%), e Casa das Pedras (11%). Vale ressaltar que a Feira de Pedra e Sabão também fora citada por outros respondentes em outra categoria: atrativo turístico. Filhos de Gandhi Artesanato Barroco Barrocarte Feira de Pedra Sabão Brasil Gemas Garimpo Mine Joalheria Amazônia Vila Rica Gemas Fábrica Arte Jóias Casa das Pedras Diamond Rocalha Ouro Preto Artes Amsterdam Sauer Bem Brasil Atrativos visitados Tabela 4: Lojas de artesanato e joalherias de Ouro Preto citados No que diz respeito aos atrativos turísticos fora solicitado aos respondentes que citassem, no máximo, três lugares diferentes. Dentre os 36 atrativos turísticos citados pelos turistas (Tabela 5), os mais conectados foram: Museu da Inconfidência (18%), Praça Tiradentes (13%), Igreja São Francisco de Assis (12%), Feira de Pedra Sabão (9%), Casa dos Contos (8%) e Igreja do Pilar (7%). Bar Barroco Repúblicas Estudantis Cinema Feira de Pedra Sabão Igreja Nossa Sra. Das Mercês Horto Botânico 11

12 Museu da Inconfidência Museu do Aleijadinho Ruas Históricas Igreja Nossa Senhora do Carmo Museu do Oratório CAEM Igreja São Francisco de Assis Mina do Chico Rei Capela Taquaral Igreja São Francisco de Paula Praça Tiradentes Teatro Igreja do Pilar Trem da Vale Municipal Rua Direita Capela do Padre Faria Parque Estadual do Itacolomi Rua das Flores Casa dos Contos UFOP Igrejas Museu de Ciência e Técnica Escola de Minas Centro de Artes e Convenções da UFOP Casarões Históricos Igreja Nossa Senhora da Conceição Escola de Farmácia Procissão Igreja Nossa Senhora Do Rosário Casarão FIEMG Joalheria Tabela 5: Atrativos turísticos de Ouro Preto citados Renda do Turista Dentre os pesquisados constatou-se que 40% são do sexo feminino, e 60% do sexo masculino; com renda familiar mensal R$ 500,01 e R$1500,00 (a maioria), conforme mostra a tabela 6 abaixo: Renda (R$) Até 500,00 500,01 a 1500,00 500,01 a 2500,00 500,01 a 3500,00 500,01 a 5000, ,01 a 8000,00 Mais de 8000,01 % 20% 22% 14% 16% 21% 4% 0% 3%. Tabela 6: Renda Familiar dos Entrevistados Não possui renda No que diz respeito á escolaridade, obteve-se os seguintes resultados, conforme demonstra a tabela 7: Escolaridade Porcentagem (%) Fundamental Incompleto Fundamental Completo 2% 4% Médio Incompleto 8% Médio Completo 13% Superior Incompleto 20% Superior Completo 35% Pós-graduação Incompleta 5% Pós-graduação Completa 13% 5. Conclusões Tabela 1: Grau de Escolaridade dos Entrevistados Através desse trabalho, podem-se compreender as dinâmicas de interação entre os atores do 12

13 turismo da cidade de Ouro Preto. A pesquisa utilizada pode contribuir de maneira efetiva para a gestão da cidade, já que abordou seu fluxo turístico e sua rede de indicação, propiciando aos gestores maiores informações quanto ao planejamento do turismo na cidade. É necessário ressaltar que são utilizados dados parciais da pesquisa, uma vez que esta ainda se encontra em andamento. A participação ativa dos membros, indicada nas pesquisas anteriores (2005/2006 e 2007/2008), apontou para uma complementação e continuidade das mesmas, além do que com os resultados observados nas simulações, não retrata de maneira fiel a realidade. A complementação se deu através do acréscimo de indicadores e a continuidade, devido à análise de possíveis alterações na rede. Dessa forma, em um estudo futuro, será possível a comparação entre as simulações desta pesquisa e das pesquisas anteriores. Outras possibilidades de estudos futuros seriam delimitar o foco da pesquisa nos hubs, ou em um hub, identificados nestas redes. A busca pela aplicabilidade da metodologia de redes para o setor de turismo é propositalmente discutida, a fim de explorar novos fatores que podem contribuir para o desenvolvimento do setor. Através desse trabalho, pode-se sugerir que o turismo exige um forte processo de coesão para o seu incremento, sendo identificada dois tipos de redes do turismo que propiciam o entendimento das interações entre os atores do setor e que podem contribuir para o encontro de estratégias de gestão (redes de fluxo e de indicação), dentre outras possibilidades de pesquisas e análises futuras. Finalmente, as implicações deste estudo das redes na cidade de Ouro Preto e seus desdobramentos no turismo comprovam que esse fenômeno não ocorre de maneira isolada, necessitando de uma política de coesão entre seus agentes e não de políticas isoladas. Assim, percebe-se que a competitividade de um destino turístico, bem como seus produtos podem ser otimizados com a instauração de sistemas em rede e com isso aumentar o valor do serviço para diminuir a insegurança do mercado. Referências Bibliográficas ALBERT, R.; BARABÁSI, A.-L. Statistical mechanics of complex networks. Rev. Mod. Phys., American Physical Society, vol. 74, 1 ed. Janeiro ANGELIS, André Franceschi de. Tutorial: Redes Complexas BERNARDES, A. T. et al. Redes complexas: interações dos atores do setor do turismo na cidade de Ouro Preto. Relatório de Pesquisa de Iniciação Científica. Universidade Federal de Ouro Preto UFOP/CNPq. Julho, Não publicado CASTTELS, José Manuel. A Sociedade em Rede. 8 ed. São paulo: Paz e Terra.2003 CHON, K. S. Hospitalidade: conceito e aplicações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, COSTA, Larissa; MARTINHO, Cássio. Redes: Uma Introdução às Dinâmicas da Conectividade e da Auto- Organização. Brasília: WWF/Brasil, GOELDNER, Charles R. Turismo: princípios, práticas e filosofias. Porto Alegre: Bookman, 2002, 8ª ed. KELLER, E. Fox. Revisiting "scale-free" networks NORDIN, Sara. Tourism Clustering and Innovation NOVELLI, Marina; SCHMITZ; SPENCER Birte Trisha. Networks, clusters and innovation in tourism: A UK experience, Elsevier OLIVEIRA, Antônio Pereira. Turismo e desenvolvimento: planejamento e organização. São Paulo: Atlas, 2000, 2ª ed. RODRIGUES, Francisco A. Caracterização, classificação e análise de redes complexas. Tese apresentada ao 13

14 Instituto de Física de São Carlos, WANG,W.X.,Wang; B.H., Hu, B.; Yan. G.; Ou. Q. Phys. Rev. L, 94: ,

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