Liderança em enfermagem: conceitos, evolução e dificuldades dos enfermeiros

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2 Liderança em enfermagem: conceitos, evolução e dificuldades dos enfermeiros Lilian Freitas da Silva Aluna do Curso de Graduação em Enfermagem. Isabel Cristina Kowal Olm Cunha Docente do Curso de Graduação em Enfermagem. Orientadora. RESUMO Liderança é um tema amplamente discutido, e desde a antiguidade vários autores propõem diferentes definições. Existem muitos estudos sobre o tema, mas poucos abordam ou discutem as dificuldades que os enfermeiros enfrentam para exercer a liderança e pode-se observar na prática que poucos enfermeiros são líderes. Este trabalho tem como objetivo identificar as principais dificuldades que os enfermeiros encontram para liderar suas equipes, relatados em artigos científicos no período de 1970 a 2005, além de descrever os conceitos e sua evolução. Foram lidos 34 artigos que constituíram a amostra desde trabalho. Baseada na análise dos dados,pode-se concluir que o conceito de liderança evoluiu desde chefiar pessoas e exercer influência sobre elas, a trabalhar em e com a equipe desenvolvendo-a e crescendo com ela. As principais dificuldades do enfermeiro em liderar apontadas, são relacionadas à integrar administração e assistência, a estabelecer relacionamentos efetivos com a equipe e a delegação de tarefas. Descritores: Liderança; Equipe de enfermagem; Enfermagem. Silva LF, Cunha ICKO. Liderança em enfermagem: conceitos, evolução e dificuldades dos enfermeiros. INTRODUÇÃO Falar sobre líder, liderança e como se deve liderar uma equipe é algo muito complexo. Tanto o termo liderança como líder foram sofrendo várias transformações com o passar dos anos. Estes termos são muito discutidos e apresentam várias definições. Os primeiros conceitos sobre liderança surgiram na antiguidade quando Platão acreditava que o líder fosse um ser onisciente capaz de dar origem ao Estado ideal, de cujo caráter e direção era o criador, enquanto que Maquiavel pensava no líder como aquele que pode tudo, era considerado quase que um Deus (1). Independentemente de conceitos, quando se fala em liderança a primeira que pensamos são os grandes nomes de líderes que ouvimos nos noticiários, os líderes da política, dos negócios, do esporte entre outros, mas não podemos esquecer que existem líderes por todos os lados, na nossa família, na igreja, na comunidade, no grupo de amigos, no trabalho, ou seja, estamos cercados por líderes o tempo todo. A liderança assim, podemos afirmar, é algo que ocorre entre as pessoas. Outros conceitos foram surgindo mais tarde, e a liderança passou a ser definida como um dos processos que concretiza a administração de pessoal nas organizações e se responsabilizava pela condução ou coordenação de grupos (2). Defendia-se assim que a liderança exercida pelo enfermeiro era afetada por características da situação, entre estas destacava-se o modo pelo qual a prestação da assistência de enfermagem estava estruturada (3). O líder deve ser capaz de provocar mudanças, a principal delas deve se fazer com que a sua equipe não sinta-se controlada o tempo todo, e ele deve deixar para traz a antiga função da administração que visava apenas a satisfação da equipe médica, e era rígida e controladora com os subordinados, e aqui deve ocorrer outra mudança onde os antigos subordinados devem passar a ser colaboradores apoiando e dando uma contribuição positiva na execução de tarefas (4). Vários autores já tentaram e ainda tentam descobrir a melhor forma de se definir liderança, mas muitos deles concordam que a liderança é um processo de influenciar as pessoas a mudarem, e também concordam que liderança consiste no exercício da influência de um indivíduo sobre um grupo (3,4,5). 58

3 Escolhi falar sobre liderança, por ser um tema muito atual e que vem sendo discutido há muito tempo sem que os autores cheguem a um consenso, e baseada em dados empíricos venho observando que grande parte dos enfermeiros recém-formados tem dificuldades para liderar as suas equipes pois muitos confundem liderança com administração ou acreditam que liderar é mandar nos subordinados. Outro aspecto que merece destaque é que na universidade os professores enfatizam a necessidade que temos de ser os líderes de nossa equipe, que uma boa equipe depende de um bom líder, que para sermos um bom líder devemos fazer isto ou aquilo, mas nenhum deles relata como é difícil ser um líder, nem dos conflitos entre líderes e liderados e de como agir nestas situações. Espero com este trabalho identificar na literatura o que é abordado sobre as dificuldades que os (as) enfermeiros(as) encontram para liderar as suas equipes, e assim poder ajudar os novos enfermeiros(as) a enfrentar estas situações com mais segurança, por que liderar em enfermagem é imprescindível tanto para o crescimento da profissão, como para um melhor desempenho da equipe. Para este estudo foram estabelecidos os seguintes objetivos: - Identificar as principais dificuldades que os(as) enfermeiros(as) encontram para liderar suas equipes, relatados em artigos científicos no período de 1970 a Descrever as principais alterações que foram ocorrendo com os conceitos e evolução da liderança no mesmo período. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão bibliográfica, qualitativa, descritiva sobre o tema liderança em enfermagem. As referências bibliográficas foram pesquisadas no site da biblioteca Regional de Medicina - BIREME, nas bases de dados da BDENF e SCIELO, utilizando as palavras chaves liderança, líder, chefe e administração em enfermagem, no período de 1970 a Foram localizados 63 artigos que abordavam o tema, dos quais foram lidos os resumos e separados aqueles de periódicos nacionais que apresentavam o termo liderança no título e abordavam o tema liderança no contexto hospitalar ou relacionado ao enfermeiro/equipe de enfermagem, tendo-se excluído todos os demais. Destes 20 enquadraram-se nos critérios de inclusão constituindo-se a amostra do estudo. Os dados foram analisados e separados de acordo com o ano de publicação, fazendo-se uma comparação com os conceitos e os aspectos importantes sobre a liderança da época, tendo sido então os artigos separados em quatro grandes grupos de acordo com a década de publicação. A análise foi realizada tendo como pano de fundo as principais alterações que foram ocorrendo no período com as definições sobre liderança, e sobre características do líder. RESULTADOS E DISCUSSÃO Após a leitura de todo o material encontrado, foram descritas as definições de lideranças e as dificuldades apontadas segundo a década de publicação do artigo e dos acontecimentos que foram importantes para que ocorressem estas mudanças. v DÉCADA DE 70 Nesta década o termo chefia é mais discutido do que o termo liderança. O enfermeiro é considerado o líder da equipe, e não há discussões sobre este aspecto, e também não se abre mão desta posição. A ênfase dada é que como líderes os enfermeiros tinham como função coordenar e controlar o trabalho da equipe de enfermagem. A liderança era percebida de uma forma incorreta, e existia uma grande expectativa em relação às suas possibilidades. Vivia-se uma hierarquia rígida, onde se priorizava-se o estabelecimento de regras, baseadas no controle, alienação e dominação, para a manutenção do status quo (1). A preocupação com a liderança em enfermagem vinha da década anterior, quando em 1968 no XX Congresso Brasileiro de Enfermagem o tema oficial proposto foi Educar para a Liderança, estabelecendo também outras recomendações. No entanto neste sentido nada foi realizado. O que se esperava dos enfermeiros era que eles tivessem uma liderança participativa, independente do local onde ele prestasse serviço (6). Neste período afirmava-se que ser chefe significava ser audacioso e habilidoso para saber como levar as pessoas a trabalharem em grupo, reconhecendo a melhor habilidade de cada um. O chefe era aquele que assumia a responsabilidade pelo produto final criado por várias pessoas. Carvalho (5) afirmava que nesta época as palavras chefia, supervisão, gerência e presidência eram consideradas sinônimos. Assim, liderança é uma forma de exercer poder sobre uma pessoa ou um grupo, e isto é uma forma de dominação e domínio, e está ligado à influência, logo o líder é aquele que exerce influência sobre pessoas. O líder é a pessoa que se destaca e aparece no grupo (5). Para se exercer a liderança era necessário ter alguns conhecimentos essenciais como de planejamento, organização, comunicação e análise de problemas (1). A liderança era algo que não poderia faltar na enfermagem pois a profissão necessitava de líderes para o seu crescimento e para um melhor desempenho do trabalho da equipe. Rozendo (1) destaca que a liderança neste período na enfermagem estava centralizada no enfermeiro, e era vista como um direito adquirido, o que a conduziu a condição de mito, e esta condição era confirmada devido à aceitação de todas as pessoas, inclusive dos outros integrantes da equipe de enfermagem que acreditavam que a liderança era privilégio do enfermeiro. Somente quando os auxiliares de enfermagem começaram a se sobressair na atenção primária ao paciente, foi que os enfermeiros começaram a perceber que estavam perdendo sua liderança e a preocupar-se com esta possível perda. Nesta década a liderança estava associada à função de gerência, todavia as posições ocupadas pelos enfermeiros não eram utilizadas para produzir mudanças, e sim visando racionalizar e agilizar o trabalho realizado em equipe (1). 59

4 Neste período começava uma busca pela eficiência nos serviços de enfermagem, acarretando uma crise. Com isto iniciou-se uma preocupação com a formação dos enfermeiros, levando a elaboração de um currículo mínimo para formar profissionais mais qualificados e capazes de exercer liderança (1). Destaca-se que até aí os enfermeiros estavam sendo educados para cuidar e não para liderar, e os conhecimentos sobre liderança e tomada de decisões não eram abordados com a ênfase merecida, por isto grande parte dos enfermeiros recém-formados não compreendiam sua importância e não conseguiam ser líderes de sua equipe (6). Década de 1980 Neste período a liderança era definida como um processo de influência que uma pessoa exerce sobre outra, ou sobre um grupo de pessoas (7). E ela poderia ter como foco principal o cargo ou o empregado, a produção ou as pessoas, a tarefa ou os relacionamentos e isto demonstrava que esta forma de liderança não era tão rígida pois o líder pode inclinar-se mais para um lado do que para o outro (8). Assim, entre as funções do enfermeiro era reconhecido o papel de chefe, e ele tinha algumas funções como prestar assistência ao paciente nos diversos serviços de saúde, e também o papel de educador junto a sua comunidade e nas escolas. Como educar é uma das funções do enfermeiro, o curso de graduação tem como obrigação prepará-los para que eles fossem líderes, pois a liderança está estritamente ligada à capacidade de educar. Carneiro (7) ressaltava ainda que se durante o período de graduação o enfermeiro não tiver grande dedicação a este tema, após a sua formação deverá fazê-lo participando de cursos e palestras que abordem este conteúdo, uma vez que é imprescindível para a atuação do enfermeiro em qualquer área que ele for atuar. Defendia-se a idéia que um chefe consciente poderia tornar-se um líder, procurando identificar-se com o seu grupo de trabalho, passando a ser um elemento do grupo que o lidera, ao invés que ser uma pessoa estranha que só emitia ordens para controlá-lo. Com isto a autora enfatizava que, seria mais bem sucedido o chefe que se tornasse um líder e desenvolvesse um processo de liderança junto ao seu grupo de trabalho, do que os que continuassem sendo pessoas distantes dele (7). As formas de liderança em que o líder dava uma maior importância para o relacionamento líder-subordinado, tendiam a obter mais resultados satisfatórios, criando assim uma maior liberdade aos liderados de participar das decisões e aquelas em que o líder detinha todo o poder de decisão, sem dar importância a opinião dos seus subordinados tinham resultados menos satisfatórios (8). Foi neste século que começou a crescer o interesse pela liderança no Brasil, e foi nesta década que mais se publicou artigos e trabalhos sobre o tema. Apesar destes trabalhos terem sido muito importantes para se entender o processo de liderança, eles não fizeram uma análise profunda e crítica do assunto, por isso, a liderança na enfermagem continua sendo vista como algo mítico e idealizado (9). A principal dificuldade do enfermeiro neste período para liderar parece estar relacionada a sua subordinação a outros profissionais da área de saúde, agindo apenas como um intermediário do serviço de outros, sendo está função denominada de função administrativa burocrática, delegando o cuidado do paciente como tarefa principal aos auxiliares de enfermagem (10). Década de 1990 Neste período a liderança ainda era considerada um tema muito complexo e estudado, por se tratar de algo que se processa com e entre as pessoas (11). O preparo do enfermeiro era considerado um fator primordial para se tentar as mudanças na sua prática diária, e para isto era necessário que este tivesse um grande embasamento teórico somado à sua prática sua maior capacitação. Somente quando os enfermeiros tiverem total compreensão do processo de liderar, é que conseguirão exercer uma liderança eficaz (12). As organizações começavam a cada vez preocupar-se mais com os recursos humanos, pois perceberam que valorizando este aspecto teriam mais lucro, e com isto a liderança foi reconhecida como um valioso instrumento (11). A estrutura organizacional começa a ser modificada para a busca de uma liderança efetiva, onde criatividade, empenho e talento passavam a ser características imprescindíveis, e neste cenário cautela e prudência excessivas não eram qualidades que as empresas buscavam em um líder, pois este necessita correr riscos (4). Cai por terra o que dizia a teoria onde se enfatizava que a pessoa já nascia com traços de personalidade que o tornariam líder ou liderado (3). Começa-se a defender que a liderança é uma habilidade, e que ela pode ser aprendida ou desenvolvida através do ensino e das experiências de vida (11). Portanto, acredita-se já que o enfermeiro em seu processo de formação ou e aperfeiçoamento fosse capaz de adquirir e desenvolver as habilidades que o tornariam um líder (13). Aceita-se, diferentemente das décadas anteriores, que o líder não está o tempo todo liderando pois muitas vezes, em diversas situações o liderado pode exercer uma ação de liderança e o líder de liderado. Enfatiza-se que o enfermeiro líder deveria adquirir capacidade de liderança com a ajuda da sua equipe (11). Apesar de se apregoar que não existiam traços que possam definir um líder, o mesmo poderia apresentar características tão fortes de personalidade que influenciaria as pessoas (13). É muito importante que o líder conheça bem a sua profissão e seja capaz de ensiná-la, que ele conheça bem ele mesmo e sua equipe, e que ele sempre mantenha a sua equipe informada sobre tudo o que lhe diz respeito, mantendo assim o bem-estar da sua equipe (14). O bom desempenho do líder está relacionado com a sua capacidade de comunicação, ele pode usar todas as formas de comunicação, desde que ele consiga fazer com que aja o total entendimento do que foi dito (15). Quando se fala sobre qualidade, tema que se destaca nesta época, a liderança passa à frente da supervisão, pois ela não procura apurar falhas e punir os seus culpados, e sim descobrir onde está o problema e como resolvê-lo eliminando as causas da falha (16). Em uma pesquisa realizada com enfermeiras, técnicos, 60

5 auxiliares e atendentes de enfermagem, foi identificado que a maioria dos pesquisados acreditam que liderança está ligada à idéia de controle, o que levou as autoras a concluírem que ainda existe uma visão administrativa de liderança. A mesma pesquisa revelou também que grande parte das enfermeiras entrevistadas acreditavam exercer liderança sobre a sua equipe, e que esta liderança os influenciariam na execução do trabalho diário, porém os componentes da equipe de enfermagem não concordaram com as enfermeiras (11). Neste período, os autores enfatizavam que os enfermeiros precisavam se dar conta que não haveria transformação no processo de liderança sem que eles dessem a devida relevância para os liderados, que precisam ser valorizados, precisam participar ativamente, pois devem ser vistos como construtores de sua própria história, e não como sujeitos a cumprir decisões onde não tiveram nenhuma participação. A primeira transformação deve ser na atuação dos enfermeiros, pois estes não consideram que a história da sua profissão se deu em conjunto com todos da equipe de enfermagem (9). Assim, enfatizava-se que para a enfermagem a liderança deveria ser vista como resultado da batalha diária, do trabalho coletivo e democratizado de toda a equipe, sendo o resultado do reconhecimento da relevância de todos envolvidos neste processo. Deve ainda ser uma construção diária para o futuro, sendo com isto possível pensar que a liderança seria capaz promover as mudanças necessárias para a modificação da visão que se tem hoje, criando lideranças que fossem capazes de reconhecer novas lideranças (9). O enfermeiro ao assumir a liderança de uma equipe pode defrontar-se com algumas dificuldades, estas podem ser de curta duração ou podem ser contínuas exigindo um grande conhecimento administrativo. Algumas das dificuldades encontradas nesta época eram: criação de prioridades, pois além de realizar as técnicas corretamente ele precisa fazer com que as outras pessoas também a executem, ocorrendo assim mudanças na relação enfermeiro-paciente e enfermeiro-equipe de enfermagem, e dificuldades em relação às delegações de tarefas. O primeiro desafio ao liderar é ganhar forças trabalhando com uma boa equipe, estabelecendo suas próprias prioridades de trabalho, estando sempre aberto e preparado para aprender através das experiências (14). Afirmava-se que na unidade de trabalho o enfermeiro sofre cinco diferentes pressões, aqui entendidas como dificuldades, quais sejam da equipe de enfermagem, da hierarquia de enfermagem, da equipe médica, dos familiares dos pacientes, dos administradores hospitalares e principalmente dos pacientes (14). Década de 2000 Hoje não existe lugar para aqueles enfermeiros que só querem mandar e esperam que a sua equipe trabalhe sozinha. O enfermeiro precisa lembrar que ele está liderando uma equipe composta por pessoas com características diferentes, que devem ser respeitadas e sua tarefa entre outras é de treinar os membros para trabalhar com estas diferenças tirando o máximo de proveito (17). Com a globalização os enfermeiros precisam cada vez mais qualificar-se, para que assumam a liderança no seu trabalho diariamente. Para se trabalhar neste momento é muito importante que o enfermeiro desenvolva cada vez mais o seu potencial de liderança, para isto, deve estar sempre buscando novos processos de aprendizagem para construir seus comportamentos e habilidades, aperfeiçoando sempre suas competências (17). Para se liderar e influenciar as pessoas é imprescindível que o enfermeiro tenha conhecimentos sobre liderança, comunicação e motivação (18). Outra característica que o líder deve desenvolver, é ser capaz de ver uma situação através do ponto de vista de outras pessoas, além de relacionar-se bem com todos, não só de sua equipe, mas do seu local de trabalho. A confiança é um aspecto que não pode faltar no processo de liderança, e além disto o líder deve ser honesto, ter visão de futuro, competência, inspiração, coragem, senso de justiça e equidade (17). O que todos esperam do líder é que ele desperte confiança, porém ele também deve obter a qualidade de ganhar a confiança de seus liderados (19). Um grande desafio que os líderes de hoje enfrentam é resolver quais são os aspectos mais significativos, pois todos nós temos interesses, valores, motivações e anseios diferentes, por isso cada pessoa precisa desenvolver o seu próprio modelo (18). A liderança hoje toma um novo rumo,pois não é mais considerada uma característica individual, e sim um recurso organizacional, só que ainda hoje a formação do enfermeiro é tecnicista, onde se aprende a preocupar-se mais com a doença do que com o ser humano (17). Afirma-se agora que para se liderar pessoas não é mais necessário haver uma relação de dominação entre o líder e o liderado, como era dito nas décadas de 70 e 80, mas é preciso que o líder tenha uma habilidade para convencer as pessoas a realizarem um objetivo em comum. Ou seja, líder hoje é aquele que tem seguidores (20). Hoje o que percebemos é que o que faz a liderança moderna mais efetiva é o fortalecimento do trabalho em grupo, e o líder é aquele que faz com que a equipe se desenvolva. É preciso também dar a devida importância às competências de cada pessoa, pois cada um deve reconhecer o propósito e o significado do seu trabalho e procurar melhor desenvolver para executá-lo. O líder de agora deve fazer com que as pessoas ajam, deve ser o agente de mudança e transformar seguidores em líderes. Com todas estas mudança o enfermeiro que hoje deseja ser um líder deve ser orientado para o futuro, mais flexível, dinâmico e estar pronto para assumir os riscos (19). Nesta década que se inicia líderes e liderados tem a mesma importância pois um não pode existir sem o outro. O líder em enfermagem nunca conseguirá ter êxito, e nem prestar uma assistência de enfermagem com qualidade se não valorizar os seus liderados pois para prestar-se um serviço de qualidade é necessário a cooperação e contribuição de toda a equipe (19). Acredita-se hoje que o desenvolvimento da liderança tem 61

6 relação com o desenvolvimento de cada um e que o segredo da liderança está em liderar a si próprio. Assim deve-se constantemente buscar o aprendizado e juntar-se à equipe para que possam crescer juntos. Não há mais lugar hoje para enfermeiros acomodados e submissos que não buscam melhorias para a profissão e que são coniventes com o desrespeito ao cidadão (17). Caberá aos líderes e as instituições aprender a ouvir, observar e perceber as necessidades das pessoas à sua volta avaliando os erros e os sucessos ocorridos no passado para que possam estar sempre em busca de melhorias (20). CONCLUSÕES Pode-se concluir que os conceitos sobre liderança e as características do líder sofreram diversas alterações e que muitos autores conceituam-na como influência sobre outra pessoa para atingir-se objetivos. Na década de 1970 ela era confundida como chefia e supervisão, como algo próprio do enfermeiro e considerada uma forma de dominação e de influência. As dificuldades neste período estavam relacionadas ao enfermeiro manter a produção e não ser agente de mudanças. Na década de 1980 autores defendiam ainda a idéia de que a liderança estava relacionada a influência que uma pessoa exerce sobre outras pessoas. Porém começava-se a perceber que o líder para obter sucesso precisava cada vez mais interar-se com a equipe e não apenas comandá-la, começando assim a dar valor ao relacionamento entre o líder e o liderado. As dificuldades do enfermeiro neste período não são apontadas, mas percebe-se que parecem estar relacionadas à subordinação deste à equipe de saúde e a delegação do cuidado aos auxiliares de enfermagem. Na década de 1990 a preocupação maior está voltada para a formação do enfermeiro, pois começa-se a defender a idéia de que a pessoa não nasce com características de líder mas que a liderança pode ser aprendida. Apesar disso ainda é vista pela equipe como prerrogativa do enfermeiro.o grande desafio do líder parece ser ter flexibilidade para lidar com os problemas e a equipe. As dificuldades do enfermeiro neste período estão relacionadas à integrar administração e assistência, a estabelecer relacionamentos efetivos com a equipe e a delegação de tarefas. Já neste século, a partir de 2000 o desafio da liderança e do líder é desenvolver-se a si próprio e levar sua equipe ao crescimento. A liderança é vista não mais como característica individual, mas um recurso organizacional. As dificuldades do enfermeiros parecem apontar para seu preparo no sentido de desenvolver competências necessárias à gestão e em especial à liderança. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho permitiu o aprofundamento no tema liderança, no sentido de ratificar sua importância para o enfermeiro atuar como gerente da assistência de enfermagem. Assim, procurar o auto-desenvolvimento, desenvolver um relacionamento interpessoal amigável e baseado na confiança da equipe e buscar o trabalho integrado, parecem ser requisitos indispensáveis para atuar como líder no contexto do mundo globalizado e de mudanças em que vivemos. Acredita-se que para ser um bom líder e exercer uma liderança eficaz é necessário conhecer-se muito bem, pois precisa-se estar atento as limitações e a como lidar com os sentimentos, para poder crescer junto com a equipe. Precisa o tempo toso estar motivando a equipe, e fazer com que o trabalho seja algo gratificante e que toda equipe o execute com amor, com isto não será necessário criar gratificações ou instituir punições para que as tarefas sejam cumpridas com qualidade, tornando o ambiente de trabalho mais ameno onde todos possam contribuir com as suas idéias, em busca de uma melhor assistência de enfermagem. E sendo a liderança uma característica tão imprescindível aos enfermeiros, acredita-se que o tema necessite ser melhor abordado e detalhado durante a graduação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1. Rozendo CA. Liderança na enfermagem: refletindo um mito [dissertação] Ribeirão Preto: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP; Kurcgant P. Liderança em enfermagem. In: Kurcgant P. et.al. Administração em enfermagem, São Paulo, EPU; p Trevizan MA. Liderança no contexto da enfermagem hospitalar. In: et.al. Liderança do Enfermeiro: O ideal e o real no contexto hospitalar. São Paulo; p Mezomo JC. Estratégias para uma liderança efetiva. São Paulo: Hospital-Adm. e Saúde; 1992; 16(3): Carvalho JPP, Chefia e liderança. São Paulo: Revista Paulista de Hospitais; 1975; 23(3): Secaf V. Liderança: um desafio para as enfermeiras. São Paulo: Enf Novas Dimens; 1977; 3(4): Carneiro A. Interrelação dos papéis de chefe, educador e líder, desempenhados pelo enfermeiro. Rev Baiana Enferm 1986; 2(2): Luiz MV. 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