T R I B U N A L DE J U S T I Ç A

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1 Ata da Segunda Sessão do ano de 2014 da Comissão Executiva da Câmara Técnica do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres e do Programa: Mulher Viver sem Violência, realizada aos trinta dias do mês de janeiro de dois mil e quatorze, às 10h00, na sede da CEVID, situada no andar térreo deste Tribunal de Justiça - Mauá, sob a presidência da Doutora Dra. Luciane Bortoleto, integrante da CEVID, presentes Dra. Yasmin Pestana (Defensoria Pública), Dra. Liliane Barbosa (Defensoria Pública), Dra. Sandra Lia (OAB/PR), Dra. Camila Mafioletti (MP/PR), Dra. Márcia Marcondes (Delegacia da Mulher) e, secretariada por mim, Bacharel Bruna Caroline M. Rosa (Assessora Judiciária da Presidência, designada junto ao Gabinete da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, convocada para o ato). Foi aberta a Sessão pela Dra. Luciane. 1. Inicialmente a Doutora Luciane relembra a todos que a reunião em questão é para tratar do fluxo do Sistema de Justiça da Casa da Mulher Brasileira, que era para ter ocorrido em dezembro, mas por motivo de pauta adiou-se para janeiro. Ressalta a importância da participação ativa da Defensoria Pública junto ao Projeto da CMB. 2. Menciona a necessidade de se organizar como será realizado o encaminhamento dos presos. Ainda, ressalta ser imprescindível dirimir a questão da competência de cada instituição do Sistema de Justiça dentro da Casa, a fim de evitar que serviços sejam prestados repetidamente. 3. Dra. Luciane passa a palavra para as representantes da Defensoria Pública e da Ordem dos Advogados para se manifestar a respeito das atividades que pretendem desenvolver na CMB, bem como qual foi o resultado da reunião entre as instituições no que tange à competência de cada qual na Casa. 4. Dra. Sandra diz que, de fato, já 1

2 houve a reunião das duas instituições, tendo sido bastante produtiva. Relata que será firmado um termo de cooperação entre ambas as instituições, faltando, no momento, apenas formalizar o ato. Explana que o termo atingiria todo o Estado do Paraná. Pretende a anuência do Tribunal de Justiça e da Secretaria de Segurança Pública ao referido termo de cooperação. Esclarece que onde não houver Defensoria Pública, a OAB chamará os advogados cadastrados para atuarem. Entende que a competência da OAB deve ser residual, atuando apenas quando não houver Defensoria Pública. Os advogados não se absterão a orientar, não seriam apenas figurativos nesse processo. A Ordem dos Advogados supriria a falta da Defensoria Pública. A Defensoria Pública faria o papel de advogado principal. Relembra que a dificuldade está no fato de que nas delegacias, a OAB não tem respaldo. Em razão disso, a OAB se posiciona no sentido de que a fixação dos honorários seja um pouco mais vantajosa para aqueles que venham a atuar desde a Delegacia. 5. Dra. Márcia diz que haverá mulheres com outros problemas, além daqueles relacionados à violência doméstica, e questiona como será a atuação da OAB nesses casos. 6. Dra. Sandra diz que ainda será estabelecido um acordo para essas situações. 7. Dra. Luciane explana que na atuação da Defensoria Pública e da OAB não se deve deixar de considerar essa questão, não somente com relação à CMB, mas também no Juizado. Essas demandas abrangem desde a área de direito de família, até a interdição de incapazes, envolvem toda e qualquer demanda jurídica e social. Nesses casos, atualmente, o Juizado tem encaminhado ao atendimento nas universidades. A pretensão do Juizado é que se possa fazer o efetivo encaminhamento jurídico da mulher quando procura o Juizado. Porém, na 2

3 atual conjuntura, torna-se inviável o atendimento nos Juizados de Violência de todo o caso que a mulher traga, principalmente nas Comarcas do interior. 8. A Defensoria Pública garante que dará esse atendimento inicial, em casos que não envolvam violência doméstica; o acompanhamento não será feito pelo Defensor da CMB, mas sim pelo advogado especializado. 9. Dra. Sandra relata que sua preocupação está na remuneração dos profissionais, que não os Defensores Públicos, que atendam as mulheres na Casa. Há muitas reclamações de maus tratos aos advogados e às mulheres quando do atendimento em delegacias. 10. Dra. Luciane explana que é incumbência do Ministério Público a fiscalização e acompanhamento para evitar tais situações. 11. Dra. Sandra retoma a questão da assinatura do termo de cooperação com a Defensoria Pública e informa que, na realidade, não há prazo para a assinatura do referido termo, mas a minuta já está sendo elaborado. Dra. Sandra sugere que a competência de cada ente deva ser regida por Lei, suscitando a possibilidade de haver questionamento quanto à competência da CMB, nos moldes do que hoje ocorre no NUCRIA. 12. Dra. Luciane explana que cada instituição atuará na Casa da forma como pode, de acordo com os arranjos locais. Relembra, nesse sentido, que, por exemplo, não será criada nova Vara de Violência Doméstica. Desta forma, para o Sistema de Justiça, a exceção da Segurança Pública, serão criados apenas núcleos, uma extensão das instituições, e não uma nova sede. De início, cada ente organiza-se e estrutura-se até onde consegue atuar; porém, o cerne da questão está no fato de que quanto mais se regulamentar, pode-se estar criando um número enorme de entraves ao melhor e mais adequado funcionamento da CMB. Entende que se deve flexibilizar um pouco no início até serem feitas 3

4 as adaptações corretas no trabalho de cada instituição. 13. Dra. Márcia explica que haverá uma gestão administrativa única na Casa, mas haverá um trabalho de cooperação. 14. Dra. Luciane explica que a Casa não será uma instituição a parte. O regimento interno será uma regulamentação geral da função de cada ente, com previsão administrativa e gestão orçamentária, como um condomínio, mas não afetará na atividade e competência interna de cada um. Por exemplo, o Tribunal de Justiça criará um núcleo do Juizado e o funcionamento efetivo será avaliado e, a partir desse funcionamento haverá a descrição de um protocolo a ser seguido. Isto porque a prática do funcionamento da Casa poderá não seguir estritamente a teoria previamente formulada, ante a ausência de precedentes desse tipo de trabalho. Cita como exemplo o próprio Juizado quando foi implantado, que houve equívocos, inclusive, na construção de rotinas, e, com a prática, com o dia a dia, o Juizado foi se adaptando melhor à realidade. Deve-se ficar atento à formatação prévia da Casa, sendo importante zelar primeiramente por sua implantação e aguardar as dificuldades que surgirão, antes de criar determinados regulamentos que possam vir a coibir os ajustes necessários ao seu melhor funcionamento. 15. Dra. Camila compartilha da mesma opinião que a Dra. Luciane, entendendo que se deve formatar de maneira superficial o funcionamento da CMB, e após o dia a dia regulamentar mais formalmente. 16. Dra. Luciane explana que a ideia inicial do Juizado é atuar em 100% (cem por cento) das medidas protetivas virtuais, mas, ainda, está-se a discutir com o Tribunal acerca das intimações, se continuarão via Juizado ou se serão via Núcleo do Juizado. 17. Dra. Yasmin informa que a Defensoria Pública gostaria de lotar permanentemente um Defensor na Casa, mas, por 4

5 enquanto, inexiste tal possibilidade, ante a falta de profissionais. O projeto da Defensoria Pública é montar um regime de plantão, por pelo menos meio período, manhã ou tarde. Informa, ainda, que no período que não houver Defensor de plantão, haverá um estagiário de uma instituição conveniada (UFPR), que tomará todas as informações e passará ao Defensor responsável. Esse é apenas um planejamento mínimo inicial. Informa, ainda, que caso a mulher tenha qualquer demanda cível, a Defensoria poderá ajuizá-la; porém, após o ajuizamento da ação, será outro Defensor, que não aquele que atue na CMB, quem ficará responsável pelo andamento do feito. Em relação ao réu preso, nada foi definido ainda. Os casos de flagrante podem ser encaminhados aos Defensores que atuem na área criminal. 18. Dra. Sandra diz que a OAB trabalhará na CMB de forma residual, ou seja, apenas quando a Defensoria Pública não estiver presente. Entende que a OAB precisa de duas salas para atendimento dos advogados. A ideia inicial não é fazer um plantão na Casa, em razão da baixa remuneração dos profissionais. Mas ainda será analisado como será feito o atendimento em si. Informa que estão sendo cadastrados advogados para esse atendimento. Ainda, a OAB irá disponibilizar funcionários para peticionar e orientar as mulheres. 19. Dra. Luciane informa que a divisão interna dos espaços será realizada oportunamente. Os fluxos já estão todos prontos. O fluxo da Defensoria Pública resta mantido. A OAB seguirá os mesmos moldes do fluxo apresentado pela Defensoria Pública. Serão definidos arranjos internos de horários e formas de trabalho da Defensoria Pública e da OAB, a fim de se evitar atendimentos repetitivos, como o atendimento psicossocial, por exemplo. 20. Dra. Luciane informa que, embora não seja atribuição do 5

6 Judiciário, tem-se desenvolvido um trabalho com o agressor. Não é um serviço de reeducação e reabilitação. É mais um auxílio inicial de orientação e, ainda, não há equipe para dar esse suporte para todos. 21. Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a sessão da qual eu, Bacharel Bruna Monteiro Rosa, convocada para o ato, lavrei a presente ata, a qual assino juntamente com a Doutora Luciane Bortoleto. Doutora Luciane Bortoleto Presidente Bel. Bruna Monteiro Rosa Secretária Convocada 6

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