Art. 1º - Disciplinar o registro eletrônico de ponto e a utilização do Sistema de Registro Eletrônico de Ponto - SREP.

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1 São Paulo, 25 de setembro de Senhor Ministro, Assunto: Portaria MTE 1510/ Controle de Ponto Eletrônico Dirigimo-nos a Vossa Excelência para externar nossa preocupação quanto ao conteúdo da Portaria 1.510/2009, expedida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, através da qual se implanta o Sistema de Controle de Ponto Eletrônico e define os equipamentos necessários à sua operação, que traz grandes impactos financeiros e de funcionalidade para as empresas, como demonstraremos citando ou transcrevendo alguns artigos da referida Portaria e os inconvenientes que os mesmos provocarão, a saber: Art. 1º - Disciplinar o registro eletrônico de ponto e a utilização do Sistema de Registro Eletrônico de Ponto - SREP. Só citação para caracterizar o que significa SREP. Art. 2º O SREP deve registrar fielmente as marcações efetuadas, não sendo permitida qualquer ação que desvirtue os fins legais a que se destina, tais como: I - restrições de horário à marcação do ponto; Comentários: Em muitas empresas existem controles simultâneos de acesso através às dependências das catracas e controle de ponto. Com a implantação da sistemática recomendada pela Portaria, isto seria proibido, o que não nos parece razoável. Além disso, sem efeito prático porque as empresas poderiam separar os sistemas e fazer os dois controles. Em inúmeras empresas existem também controles de faixas de horários em que o empregado poderá registrar o seu ponto, ou seja, se ele vier fora do seu horário contratual será proibido de registrar o ponto. Da mesma forma existem também a situação de empregados afastados por vários motivos, inclusive por doenças ou acidentes do trabalho e desligados. Se as empresas não puderem decidir pelo não registro do ponto desses empregados, correrão incomensurável risco de enfrentar processos trabalhistas ou até mesmo multas do próprio Ministério do Trabalho ou do INSS por ter pessoas não autorizadas com direito de entrar e marcar o seu ponto, mesmo estando afastados. Ainda, de acordo com este inciso, os empregados poderão cumprir qualquer horário, pois a empresa não poderá proibir que venham trabalhar fora de seu horário contratado. E uma vez registrado o ponto, a empresa não poderá apagar a marcação, assim os empregados poderão escolher em qual horário querem vir trabalhar e decidir por quanto tempo permaneceriam no interior das empresas.

2 As empresas terão que decidir entre duas alternativas: não cumprir este dispositivo da Portaria ou correr o risco de constantes questões trabalhistas para pagamentos de horas-extras não autorizadas nem solicitadas. III - exigência, por parte do sistema, de autorização prévia para marcação de sobre -jornada; Comentários: Se não houver a autorização de horas extras pelo representante da empresa, diretamente no sistema de ponto, não se pode saber se o empregado ficou transitando internamente ou realmente trabalhando. No sistema atual adotado pela grande maioria das da empresas, o empregado não autorizado não conseguiria registrar o ponto, pois haveria mecanismos de controle que o impediriam de fazê-lo fora dos horários previstos. IV - existência de qualquer dispositivo que permita a alteração dos dados registrados pelo empregado. Art. 3º- Registrador Eletrônico de Ponto - REP é o equipamento de automação utilizado exclusivamente para o registro de jornada de trabalho e com capacidade para emitir documentos fiscais e realizar controles de natureza fiscal, referentes à entrada e à saída de empregados nos locais de trabalho. Parágrafo único. Para a utilização de Sistema de Registro Eletrônico de Ponto é obrigatório o uso do REP no local da prestação do serviço, vedados outros meios de registro. Comentários: Nas empresas ocorrerão, obrigatoriamente, a substituição do relógio de ponto atual, acarretando custos e refreando novas implantações até que o REP esteja no mercado. Como a implantação será obrigatória, o preço de aquisição do equipamento certamente estará influenciado pela obrigatoriedade. Art. 4º O REP deverá apresentar os seguintes requisitos: I - relógio interno de tempo real com precisão mínima de um minuto por ano com capacidade de funcionamento ininterrupto por um período mínimo de mil quatrocentos e quarenta horas na ausência de energia elétrica de alimentação; II - mostrador do relógio de tempo real contendo hora, minutos e segundos;

3 Comentários: Aqui cabem duas ponderações importantes: a capacidade de horas sem energia equivale a 60 dias. Em alguns lugares do país pode-se admitir esta probabilidade, mas a exigência é para todos os centros, inclusive nas capitais e nas proximidades dos grandes centros urbanos onde existem mais empregos onde sabemos ser improvável tal acontecimento. Acreditamos que esta possibilidade jamais aconteceu em nosso país. A outra observação diz respeito à marcação em segundos. O pagamento dos empregados tem como base mínima os minutos, por isso não haveria necessidade de se controlar em segundos. Seria mais econômico arredondamentos para mais, em qualquer caso, do que controlar os segundos para fins de pagamentos. Os relógios atuais não controlam os segundos e demandará algum tempo para as fábricas produzirem este modelo. Todos os sistemas vigentes controlam o registro em minutos. A maior discrepância possível seria 59 segundos. Nem os relatórios solicitados pela Portaria solicitam a demonstração em segundos. Apenas para ilustrar este ponto, podemos fazer a seguinte comparação: o empregado registra, normalmente, o ponto quatro vezes por dia. Estimando-se o eventual prejuízo máximo que teria por desprezar os segundos, teríamos 3 minutos e 55 segundos/dia (resultado de 59 segundos x 4 vezes ao dia). Mas por lei (artigo 58 da CLT), o empregado tem uma tolerância de 5 minutos diários na entrada e na saída do trabalho, portanto 10 minutos diários, o que compensa, com folga os possíveis arredondamentos dos segundos na jornada de trabalho. Senhor Ministro, É até possível que algumas empresas usem de má-fé ao alterar registros de ponto, porém, o Ministério do Trabalho classificou a todas da mesma forma, e aumentará, desnecessariamente, os custos e controles por parte de todas elas, inclusive daquelas que são corretas, além da alteração substancial na rotina do dia-adia e de controles de acessos e pontos. O fato é que a Portaria já está em vigor no que cabe ao programa (software) de ponto, ficando apenas o (hardware) relógio REP para ser implantado daqui a doze meses. É praticamente impossível as empresas se adequarem a novos processos de um dia para o outro. Mesmo discordando do conteúdo da Portaria, achamos que, a ser implantada, seria necessário que o prazo fosse um só para sua implantação plena 12 meses, para que tanto os fabricantes como os usuários pudessem se preparar para alterações tão profundas. Isto no mínimo nivelaria a concorrência, por evitar que eventuais detentores de sistemas compatíveis com as exigências da Portaria se beneficiassem mercadologicamente. Outro fator agravante desta Portaria reside no fato de que todas as empresas em fase de implantação ou de negociação de compra de registro de ponto eletrônico terão de suspender os projetos devido à ausência de REP no mercado.

4 OUTRAS CONSIDERAÇÕES Em um país com a extensão territorial que tem o Brasil e com grande diversidade de empresas, devemos admitir dentre elas, que existem segmentos onde as atividades são primárias, rudes, quase sem tecnologia e com empregado com baixo nível educcional. Por outro lado, existem empresas de ponta, de alta tecnologia que contratam empregados de alto nível intelectual, de elevado nível educacional. Para estas, existem programas que não necessitam de relógios de marcação de ponto, onde o registro eletrônico é efetuado pelo próprio empregado diretamente no seu Computador, através de um sistema integrado ao controle de ponto e folha de pagamento. Para estes empregados que trabalham em uma empresa de tecnologia avançada, se tiverem de retroceder em termos de controle e processo tecnológico é algo que não se concebe aceitar. Outro aspecto relevante é que em muitos casos existem Acordos Coletivos ou Convenções Coletivas celebrados com os Sindicatos dos Trabalhadores regulando a sistemática do registro e controle do ponto de forma diferente daquela prevista na Portaria em análise, como, por exemplo, empresas que trabalham só com as exceções, liberando os empregados dos registros diários quando as freqüências forem normais. O registro só é obrigatório para as faltas e horas-extras. Nestes casos haverá um conflito entre o que foi negociado e a exigência da Portaria. Em muitos casos os Sindicatos exigirão o cumprimento dos Acordos até mesmo alegando sua competência constitucional para estes assuntos. Ainda como complemento às informações anteriores, afirmamos que existem programas sem relógios, com versões disponíveis via web em que os empregados são certificados digitalmente e registram as marcações com o cartão digital. Nestes casos a hora é fornecida pelo relógio carimbo de tempo da entidade que fornece a Certificação Digital, impossibilitando que o empregado altere a hora efetiva de sua marcação. É uma forma muito mais segura e eficaz do que o uso de relógios de pontos comuns e até mesmo do sistema recomendado pela referida Portaria. Ao aderirem ao conteúdo da Portaria essas empresas teriam de retroceder em tecnologia e segurança e ficariam muito mais vulneráveis. A Portaria em análise determina que o REP tenha memória permanente. Isto significa que as marcações jamais poderão ser excluídas/apagadas do relógio ponto, o que vai exigir uma memória gigante, até mesmo impensável se imaginarmos uma empresa com 5000 empregado registrando o ponto 4 vezes por dia.

5 Senhor Ministro, As dúvidas que têm os profissionais de Recursos Humanos em relação à Portaria 1.510/2009 e as inquietações que a mesma tem provocado nas empresas nos impele a encaminhar a V. Exa. as ponderações contidas neste ofício. Esperamos obter do Ministério do Trabalho e Emprego, tão bem dirigido por V. Exa. a atenção e esclarecimentos que o caso requer. Aproveitamos o ensejo para apresentar a V. Exa. os nossos protestos de estima e consideração. Respeitosamente, Ralph Arcanjo Chelotti Carlos Pessoa dos Santos Presidente da ABRH Nacional Vice-Presidente de Relações Trabalhistas e Sindicai AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR CARLOS LUPI MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO E EMPREGO MINISTÉRIO DO TRABALHO BRASILIA DF

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