GESTÃO AMBIENTAL COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES

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1 UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão Empresarial com Ênfase em Marketing e Recursos Humanos Érica Cristiane dos Santos Campaner Gladiz Mery de Souza Araújo Renata Costa Pinheiro GESTÃO AMBIENTAL COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES LINS SP 2009

2 2 ÉRICA CRISTIANE DOS SANTOS CAMPANER GLADIZ MERY DE SOUZA ARAÚJO RENATA COSTA PINHEIRO GESTÃO AMBIENTAL COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES Monografia apresentada à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Gestão Empresarial com Ênfase em Marketing e Recursos Humanos sob a orientação das Professoras M. Sc. Máris de Cássia Ribeiro Vendrame e M. Sc. Heloisa Helena Rovery da Silva. LINS SP 2009

3 3 P49g Campaner, Érica Cristiane dos Santos; Araújo, Gladiz Mery de Souza; Pinheiro, Renata Costa. Gestão Ambiental como Responsabilidade Social das Organizações / Érica Cristiane dos Santos Campaner; Gladiz Mery de Souza Araújo; Renata Costa Pinheiro. Lins, p. il. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium UNISALESIANO, Lins, SP para Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão Empresarial com Ênfase em marketing e Recursos Humanos, 2009 Orientadores: Máris de Cássia Ribeiro Vendrame; Heloisa Helena Rovery da Silva 1. Gestão Ambiental. 2. Responsabilidade Social. I Título. CDU 796

4 4 ÉRICA CRISTIANE DOS SANTOS CAMPANER GLADIZ MERY DE SOUZA ARAÚJO RENATA COSTA PINHEIRO GESTÃO AMBIENTAL COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Gestão Empresarial com Ênfase em Marketing e Recursos Humanos. Aprovada em: / / Banca Examinadora: Profª M.Sc. Máris de Cássia Ribeiro Vendrame Mestre em Administração pela Universidade Metodista de Piracicaba UNIMEP Profª M.Sc. Heloisa Helena Rovery da Silva Mestre em Administração pela CNEC/FACECA MG LINS SP 2009

5 5 Dedicamos: AOS NOSSOS AMADOS PAIS Dedicamos e agradecemos por serem nosso porto seguro, onde sempre encontramos amor, carinho, dedicação, respeito, apoio, paciência e compreensão. Vocês são a raiz de nossas existências e o alicerce de nossas vidas. Somos eternamente gratas pelo amor incondicional. AOS FAMILIARES Por todo amor, apoio, paciência e compreensão que tiveram quando, muitas vezes, tivemos que abdicar de nosso tempo para desenvolver este trabalho. Somos eternamente gratas. ÉRICA, GLADIZ E RENATA ÀS MINHAS COMPANHEIRAS E AMIGAS... GLADIZ e RENATA À vocês que neste momento de alegria, no qual celebramos o final de mais uma longa etapa, além de estarem comigo nos dias mais anônimos, nas horas mais simples, e ainda contribuíram para a realização deste trabalho, expresso minha sincera gratidão e reconhecimento pela atenção a mim dedicada nestes anos de simples convivência e pela nossa amizade. Adoro vocês! Com carinho, ÉRICA "ÀS MINHAS QUERIDAS AMIGAS ÉRICA e GLADIZ" Conhecê-las foi uma honra tempos da faculdade, e desenvolver esse trabalho com vocês um grande presente que Deus me deu. Palavras não são suficientes para dizer o quanto sou grata, não só pela missão cumprida mas por fazerem parte da minha história, da minha vida. Vocês serão eternas em meu coração. Carinhosamente da amiga RENATA AMIGAS ÉRICA E RENATA... Dedico à vocês que sempre estiveram ao meu lado, me acolhendo e dando total apoio, amigos são uma dádiva de Deus, uma amizade fraterna e eterna, mesmo que as nossas vidas tomem caminhos diferentes nunca vou me esquecer de vocês, um forte abraço e um grande beijo, com carinho... GLADIZ

6 Agradecemos: A DEUS Por transformar mais essa conquista em realidade, ensinando-nos a olhar as dificuldades e os obstáculos como degraus para vencer. O SENHOR é a luz e a força que ilumina e impulsiona a todas nós, dando nos a inspiração e a determinação na realização do nosso trabalho.... Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei. (Sl 91, 2) ÀS MESTRES: PROFª MÁRIS DE CÁSSIA e PROFª HELOISA HELENA Às nossas orientadoras, que no período de desenvolvimento da nossa monografia, nos proporcionaram conhecimentos acadêmicos com determinação, incentivo e apoio. Dedicação, comprometimento, responsabilidade, perseverança são características encontradas em profissionais como vocês. Agradecemos pelo tempo dedicado, vocês fazem parte desta conquista. AO UNISALESIANO e INBRAPE Que nos deram a oportunidade de desenvolver nosso trabalho e aplicar nossos conhecimentos proporcionando ao grupo o amadurecimento profissional. A todos os colaboradores pelo empenho em nos conceder as informações necessárias para alcançar com êxito nosso objetivo. Somos eternamente gratas. A todos que direta ou indiretamente contribuíram para a finalização de mais esta conquista. ÉRICA, GLADIZ E RENATA

7 7 RESUMO Empurrada pelos rápidos avanços tecnológicos, a sociedade atual se encontra num processo de intensa mudança. Mudança esta que inclui a maneira de pensar, as perspectivas, metas e objetivos das pessoas. Portanto, a nova maneira de encarar as questões ambientais estão inseridas no contexto histórico em que se vive. Diante desta nova proposta de conscientização, a educação ambiental objetiva a formação de indivíduos capazes de compreender o mundo e agir nele de forma consciente, ou seja, uma sociedade socialmente responsável. Os empresários neste novo papel, tornam-se cada vez mais aptos a compreender e participar das mudanças estruturais na relação de forças nas áreas ambiental, econômica e social, pois a demanda por produtos cultivados ou fabricados de forma ambientalmente compatíveis cresce mundialmente. Os consumidores tendem a dispensar produtos e serviços que agridem o meio ambiente, e que não atendam as exigências descritas nas leis e normas ambientais promulgadas em todos os países do mundo. A organização deve estabelecer e manter um procedimento para identificar e ter acesso à legislação e outros requisitos por ela apoiados, ou aplicáveis aos aspectos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços. A disseminação rápida da informação e a vigilância cada vez maiores de entidades civis, ONG s e do próprio consumidor aumentam o nível de exigência em relação aos programas das empresas e a forma como eles são comunicados. A medida que a humanidade vai tomando consciência do seu papel social, muito tem se questionado acerca da Responsabilidade Social de algumas empresas, pois embora muitas organizações, em todo o mundo, consideram-se socialmente responsáveis o assunto responsabilidade social só ganhou maior destaque a partir dos anos 90, período em que ocorreu uma maior pressão da sociedade, dos meios de comunicação e de ONG s sobre o mundo organizacional. A responsabilidade social vai além da expressão de compromisso com causas sociais incorporando-se no mundo corporativo como modelo de gestão. A gestão sócio-ambiental é o caminho para as organizações que decidiram assumir responsabilidade social e adotar as melhores práticas para tornar mais sustentáveis seus processos produtivos. Palavras-chave: Gestão Ambiental. Responsabilidade Social.

8 8 ABSTRACT Pushed by the rapid technological advances, modern society It is found in an intensive changing process. This change is includes people s way of thinking, perspectives, aims and goals. Therefore, the new manner of facing environmental questions are inserted in the historical context of one s life. Before this new awareness proposal, environmental education aims the formation of capable individuals of to understand the world and to act it in of conscious manner, e.g. a socially responsible society. The businessmen in this new role, become ever capable of understanding and participating in the structural changes in the struggle of forces upon environmental, social and economical areas, as a demand for cultivated or manufactured products produced environmentally compatible, grows worldwide. The consumers tend to discharge products and services that attacked are non-environmental friendly and that are not in accordance with environmental laws and norms, currently in place in countries all over the world. The organization must establish and maintain a procedure to identify and to have access to legislation and other requirements by it supported or applicable in the environmental aspects of its activities, products or services. The fast dissemination of information and the vigilame more and more civil entities, NGOs and by the consumer itself, increases demand level in relation to company s programmes and to the form as they are communicated. Conscious of its social role, a lot has been asked about the Social Responsibility from some companies, as although many organizations worldwide, they are considered socially responsible, the issue social responsibility only became highlighted from the 90 s onwards, period in which occurred a bigger social, means of communication and NGOs on the organizational world. The social responsibility goes beyond the expression of compromise with the social cases It is incorporated in the corporate world as a standard of management. Social environment management is the way for organizations who decided to assume social responsibility and to adopt better practice to become more sustainable its productive processes. Key-words: Environmental Administration. Social Responsibility

9 9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS IBAMA: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente ISO: International Organization for Standardization ONG: Organização Não Governamental ONU: Organização das Nações Unidas RSE: Responsabilidade Social Empresarial SGA: Sistema de Gestão Ambiental

10 10 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I GESTÃO AMBIENTAL HISTÓRIA DA GESTÃO AMBIENTAL Desenvolvimento sustentável Evolução Educação ambiental ISO ISO Legislações Organizações não governamentais (ONG s) CAPÍTULO II RESPONSABILIDADE SOCIAL CONCEITO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL Responsabilidade ética Responsabilidade legal Evolução da responsabilidade social A importância da responsabilidade social Voluntariado: uma razão de ser O Terceiro setor As sete diretrizes da responsabilidade social empresarial Responsabilidade social empresarial (RSE) Ética nas organizações Marketing social CAPÍTULO III GESTÃO AMBIENTAL COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES O PROFISSIONAL DE GESTÃO AMBIENTAL Mas a profissão de gestor ambiental existe? Ser mais responsável socialmente é fator de competitividade... 48

11 Marketing verde e marketing ecológico: sinônimos do marketing ambiental Encontrando o caminho para a gestão socialmente responsável Transformações empresariais, gestão ambiental e responsabilidade social Gestão com pessoas e questões ambientais e de responsabilidade social Gestão ambiental e responsabilidade social: uma questão passageira? Nova visão empresarial Cenários para o futuro das organizações Primeiro Cenário: passado e presente das organizações privadas brasileiras Segundo Cenário: a gestão empresarial e o futuro das organizações privadas brasileiras Gestão do conhecimento e da inovação tecnológica na organização CONCLUSÃO REFERÊNCIAS... 65

12 12 INTRODUÇÃO A gestão ambiental deixou de ser um assunto somente de ecologistas para se tornar assunto da atualidade. A ameaça à sobrevivência humana em fase de degradação dos recursos naturais, a extinção das espécies da fauna e da flora, e o aquecimento da temperatura devido à emissão de gases poluentes fizeram com que a questão ambiental ocupasse um lugar de destaque nos diversos debates mundiais, facilitando o engajamento das organizações (empresas, companhias, corporações, firmas e instituições), governos e comunidade. Nesse contexto, gestão ambiental não é apenas uma atividade filantrópica ou tema para ecologistas e ambientalistas, mas também uma atividade que pode propiciar ganhos financeiros para as empresas. Se existe uma maneira de garantir o sucesso de uma gestão sócio ambiental ela está diretamente ligada à conscientização de todos, indústrias, chefes de governo, órgãos ambientais, entidades e sociedade. (TACHIZAWA, 2006, p. 26) Esse novo estilo de administração induz à gestão ambiental associada à ideia de resolver problemas ecológicos e ambientais da organização. Ela demanda uma dimensão ética, cujas principais, motivações são a observância das leis e a melhoria da imagem da organização. Essa não é mais uma moda passageira que teve um pico e depois entrou em declínio, pelo contrário, indica que todos estão muito mais comprometidos com as questões ambientais, pois a responsabilidade social é a forma de gestão empresarial pautada pela relação ética com todos os públicos com os quais ela se relaciona. Poucos assuntos cresceram tanto em importância nas organizações quanto a gestão ambiental e responsabilidade social corporativa. As organizações têm cada vez mais aumentado sua preocupação com estes temas, ingressando nesta tendência mundial e aperfeiçoando sua visão sobre o que é ser socialmente responsável. O desafio atual enfrentado pelas organizações é de alcançar soluções capazes de harmonizar o plano econômico, ambiental e social.

13 13 A gestão sócio-ambiental é o caminho para as organizações que decidiram assumir responsabilidade social e adotar as melhores práticas para tornar mais sustentáveis seus processos produtivos. Segundo Tachizawa (2006), a gestão ambiental e a responsabilidade social, tornam-se importantes instrumentos gerenciais para capacitação e criação de condições de competitividade para as organizações, qualquer que seja seu segmento econômico. Portanto, a pesquisa pretende demonstrar que: as organizações que primam pela preservação do meio ambiente são reconhecidas como organizações socialmente responsáveis? E, para enfatizar os objetivos e responder ao problema, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, como forma de pressuposto teórico e análise. O trabalho está estruturado em três capítulos distintos: Capítulo I Gestão Ambiental, descreve os conceitos teóricos como histórico, desenvolvimento, evolução, importância, normas e legislações e Ong s Capítulo II Responsabilidade Social, apresenta as definições sobre conceito, evolução, importância e diretrizes sobre o assunto abordado. Capítulo III Gestão Ambiental como Responsabilidade Social das Organizações, é relatado o estudo objetivo deste trabalho bem como, as considerações propostas que vislumbra a análise do tema. Engloba referencial teórico e prática a partir da literatura existente. E por fim, o trabalho está concluído através de comentários sobre o estudo.

14 14 CAPÍTULO I GESTÃO AMBIENTAL 1 HISTÓRIA DA GESTÃO AMBIENTAL Há algumas décadas as pessoas perceberam que a preservação do planeta Terra significava também a preservação da própria vida. Inicialmente era apenas com a extinção de animais, derrubada das florestas, poluição do ar e logo passou a poluição agrícola (contaminação dos alimentos), a poluição gerada pelos países em desenvolvimento, falta de infra-estrutura urbana onde foram identificados as grandes conseqüências da poluição mundial e seus riscos como o efeito estufa e o rompimento da camada de ozônio. (WEBER, 1999) No início havia alguns idealistas alertando para os problemas que pareciam surreais, mas que passou a contar com organizações internacionais e alguns governos comprometidos com a preservação, e claro, com milhões de pessoas perplexas diante dos visíveis efeitos e os possíveis cenários previstos para o futuro do planeta. De acordo com Pereira; Antonio (2006), as diferentes causas foram apontadas, tais como: o incremento populacional, a moderna indústria e o consumismo supérfluo, os sistemas de dominação hierárquicos próprios da sociedade industrial capitalista, a distribuição de riquezas entre países e de populações. Hoje, toda sociedade reconhece a gravidade da crise ambiental que alcançou uma escala planetária, decorrente não de ações irresponsáveis de alguns, mas reflexo do modelo de desenvolvimento. O desequilíbrio foi tão acentuado nos ecossistemas terrestre que se tornou necessário e urgente a construção de um processo de junção das ciências de gestão com o intuito de enriquecer os instrumentos daquilo que se denomina gestão ambiental. O surgimento da nova consciência ambiental ocorreu no bojo das

15 15 transformações culturais que aconteceu nas décadas de 60 e 70, ganhando dimensão e situando no meio ambiente como um dos princípios fundamentais do homem moderno. Nos anos 80, os gastos com proteção ambiental começaram a serem vistos pelas empresas líderes não como custos, mas sim como investimentos no futuro e, paradoxalmente, como vantagem competitiva. (LOZANO; OLIVEIRA, 2006). Para explicar o que é gestão ambiental precisa-se saber primeiro o que é meio ambiente: Conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege vida em todas as suas formas, bem como da expressão recursos ambientais, definida como a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estatuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora. (WOLFF apud PEREIRA; ANTONIO, 2006, p. 34) Então pode-se dizer que gestão ambiental é, antes de tudo, uma questão de sobrevivência, tanto de sustentabilidade do ser humano no planeta, quanto das organizações no mercado, tendo em vista que o meio ambiente é parte do processo produtivo e não mais uma externalidade. Atuar de maneira ambientalmente responsável é um diferencial entre as organizações, mas em um futuro muito breve se transformará em um prérequisito. Para Meyer (apud KRAEMER, 2006, p. 9) a gestão ambiental: a) tem, a medida do possível, o objetivo de manter o meio ambiente saudável, a fim de atender as necessidades humanas atuais, sem comprometer as necessidades das futuras gerações; b) trata-se de um meio de atuar sobre as modificações causadas no meio ambiente pelo uso ou descarte dos bens e detritos gerados pelas atividades humanas, a partir de um plano de ação viável técnica e economicamente, com prioridade perfeitamente definidas; c) utiliza instrumentos de monitoramento, controles, taxações, imposições, subsídios, divulgação, obras e ações mitigadoras, além de treinamento e conscientização; d) é base de atuação de diagnósticos cenários ambientais da área de atuação, a partir de estudos e pesquisas dirigidos em busca de soluções para os problemas que forem detectados.

16 16 A gestão ambiental pode ser entendida então como o conjunto de princípios, estratégias e diretrizes de ações e procedimentos para proteger a integridade dos meios físicos e bióticos, bem como a dos grupos sociais que deles dependem. De uma forma geral, as economias dependem dos serviços dos ecossistemas, mas vale lembrar que o uso excessivo dos recursos naturais rompe o equilíbrio do sistema ambiental, social e econômico. 1.1 Desenvolvimento sustentável Em 1983, a ONU criou a Comissão Mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável como um organismo independente. Em 1987, sobre a presidência de Gro Harlem Brundtland, primeira ministra da Noruega, materializa um dos mais importantes documentos do tempo o relatório Nosso Futuro Comum, onde motiva a importância da preservação ambiental para atingir o desenvolvimento sustentável. O conceito de desenvolvimento sustentável tornou-se um dos assuntos mais discutidos no mundo após sua publicação, responsável pelas primeiras conceituações oficiais, formais e sistematizadas sobre o desenvolvimento sustentável, como afirmam Andrade; Tachizawa e Carvalho (2000). Segundo Donaire (apud KRAEMER, 2006), o desenvolvimento sustentável atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações. Capra (2008, p. 19) define: a humanidade tem a capacidade de atingir o desenvolvimento sustentável, ou seja, de atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de atender às próprias necessidades. Já Brown apud Andrade, Tachizawa e Carvalho (2000, p.1), salientam: uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras. O desenvolvimento sustentável apresenta cinco dimensões: a) a sustentabilidade social: que se entende como a criação de um processo de desenvolvimento sustentável por uma civilização com

17 17 maior equidade na distribuição de renda e bens, de modo a reduzir o abismo entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres; b) a sustentabilidade econômica: que deve ser alcançada através do gerenciamento e alocação mais eficientes dos recursos e de fluxo constante de investimento público e privado; c) a sustentabilidade ecológica: pode ser alcançada através da capacidade de utilização dos recursos, limitação do consumo de combustíveis fósseis e de outros recursos privados; d) a sustentabilidade espacial: que deve ser dirigida para a obtenção de uma configuração rural-urbana mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e das atividades econômicas; e) a sustentabilidade cultural: incluindo a procura por raízes endógenas de processos de modernização e de sistemas agrícolas integrados, que facilitem as gerações de soluções específicas para o local, o ecossistema, a cultura e a área. A sustentabilidade do desenvolvimento tem como preocupação compatibilizar o crescimento econômico com a preservação ambiental, pois, o objetivo maior da gestão ambiental deve ser a busca permanente de melhoria da qualidade ambiental dos serviços, produtos e ambiente de trabalho de qualquer organização que tem um papel extremamente relevante. Conforme Lozano; Oliveira (2006), para ajudar as empresas, a Câmara de Comércio Internacional reconhecendo a proteção ambiental como uma das principais prioridades de qualquer tipo de negócio, estabeleceu em 27 de Novembro de 1990, o Business Charter for Sustainable Development, que contém 16 princípios da gestão ambiental e que deve ser buscado pelas organizações, isto é, princípios que segundo as organizações são essenciais para atingir o desenvolvimento sustentável. Os 16 princípios são: 1º prioridade organizacional estabelecer políticas, programas e práticas no desenvolvimento das operações voltadas para a questão ambiental. Reconhecer que ela é a questão-chave e prioridade da empresa; 2º gestão integrada integrar as políticas, programas e práticas ambientais em todos os negócios como elementos indispensáveis de

18 18 administração em todas suas funções; 3º processos de melhoria continuar melhorando as políticas corporativas, os programas e performance ambiental, tanto no mercado interno quanto externo, levando em conta o desenvolvimento tecnológico, o conhecimento científico, as necessidades dos consumidores e os anseios da comunidade como ponto de partida das regulamentações ambientais; 4º educação do pessoal educar, treinar e motivar o pessoal no sentido de que possam desempenhar suas tarefas de forma responsável com relação ao ambiente; 5º prioridade de enfoque considerar as repercussões ambientais antes de iniciar nova atividade ou projeto e antes de instalar novos equipamentos e instalações ou de abandonar alguma unidade produtiva; 6º produtos e serviços desenvolver e produzir produtos e serviços que não sejam agressivos ao ambiente e que sejam seguros em sua utilização e consumo, que sejam eficientes no consumo de energia e de recursos naturais e que possam ser reciclados, reutilizados e armazenados de forma segura; 7º orientação ao consumidor orientar e, se necessário, educar consumidores, distribuidores e o público em geral sobre o correto e seguro uso, transporte, armazenagem e descarte dos produtos produzidos; 8º equipamentos e operacionalização desenvolver, desenhar e operar máquinas e equipamentos levando em conta o eficiente uso da água, energia e matérias primas, o uso sustentável dos recursos renováveis, a minimização dos impactos negativos ao ambiente e a geração de poluição bem como o uso responsável e seguro dos resíduos existentes; 9º pesquisa conduzir ou apoiar projetos de pesquisas que estudem os impactos ambientais das matérias primas, produtos, processos, emissões e resíduos associados ao processo produtivo da empresa, visando à minimização de seus efeitos; 10º enfoque preventivo modificar a manufatura e o uso de produtos ou

19 19 serviços e mesmo os processos produtivos, de forma consistente com os mais modernos conhecimentos técnicos e científicos, no sentido de prevenir as sérias e irreversíveis degradações do meio ambiente; 11º fornecedores e subcontratados promover a adoção dos princípios ambientais da empresa junto aos subcontratados e fornecedores encorajando e assegurando, sempre que possível, melhoramentos em suas atividades, de modo que elas sejam uma extensão das normas utilizadas pela empresa; 12º planos de emergência desenvolver e manter, nas áreas de risco potencial, planos de emergência idealizados em conjunto entre os setores da empresa envolvidos, os órgãos governamentais e a comunidade local, reconhecendo a repercussão de eventuais acidentes; 13º transferência de tecnologia contribuir na disseminação e transferência das tecnologias e métodos de gestão que sejam amigáveis ao meio ambiente junto aos setores privado e público; 14º contribuição ao esforço comum contribuir no desenvolvimento de políticas públicas e privadas, de programas governamentais e iniciativas educacionais que visem à preservação do meio ambiente; 15º transparência de atitude propiciar transparência e diálogo com a comunidade interna e externa, antecipando e respondendo a suas preocupações em relação aos riscos potenciais e impacto das operações, produtos e resíduos; 16º atendimento e divulgação medir o desempenho ambiental. Conduzir auditorias ambientais regulares e averiguar se os padrões da empresa cumprem os valores estabelecidos na legislação. Prover periodicamente informações apropriadas para a alta administração, acionistas, empregados, autoridades e o público em geral. Foi no ECO/92, no Rio de Janeiro, que assuntos como desenvolvimento sustentável foram abordados, reafirmando não somente o conceito, mas criando um comitê técnico para a regulamentação da questão ambiental nas organizações, as quais, através de representantes de governo, se comprometeram a seguir estratégias para amenizar a poluição, isto é,

20 20 reconhecendo a importância de assumir a ideia de sustentabilidade em qualquer programa de atividade de desenvolvimento. (BATISTA; PAGLIUSO, 2006) 1.2 Evolução A percepção da questão ambiental evoluiu principalmente nos últimos 10 anos e as organizações perceberam que o uso eficiente dos recursos naturais é um bom negócio. Segundo Donaire (1999, p. 15), no princípio as organizações precisavam preocupar-se apenas com a eficiência dos sistemas produtivos. Gerar um lucro cada vez maior, padronizar cada dia mais o desempenho dos funcionários, era uma visão industrial que as organizações idealizavam e ao longo do tempo, foi tornando cada vez mais enfraquecida. Ainda conforme o autor, os administradores começaram a ver que suas organizações não se baseavam somente nas responsabilidades referentes a resolver problemas econômicos fundamentais (o que produzir, como produzir e para quem produzir), mas também em preocupar-se com o ambiente em que operam. (DONAIRE, 1999, p.15). Tais mudanças nas organizações começaram nos anos 80 e 90, depois que a população começou a cobrar uma postura mais responsável em relação ao meio ambiente. E antes, houveram alguns movimentos vertentes, que segundo Grazinoli (2001) foram: a) movimento ambientalista alternativo: vigorou na década de 1960, com o movimento hippie a frente, o qual revalorizava as filosofias orientais milenares, enfatizando a vida comunitária e campestre com críticas ao Estado; b) movimento ambientalista neomalthusiano: década de 1970, seguiu a teoria de Malthus, com a preocupação na necessidade de limitar a população terrestre, evitando a degradação da qualidade de vida e defendendo a restrição do crescimento demográfico; c) movimento ambientalista zerista: surgiu nos debates pré-conferência

21 21 de Estocolmo (1972), autores do relatório Meadows, pelo clube de Roma, defendia o crescimento zero para o mundo todo sob pena de uma catástrofe ambiental; d) movimento ambientalista marxista: debates pré-conferência de 72, preocupava-se com o consumismo extremado, defendia a ideia da luta ecológica como meio de alcançar o fim do capitalismo para eliminar problemas ambientais; e) movimento ambiental verde ou ecologista social: surgiu na Alemanha com um anti-partido, em 1983, defendendo a autogestão, a descentralização, a autonomia e o não-consumo. A economia era voltada para as necessidades e não para o lucro; f) movimento ambientalista fundamentalista ou ecologia profunda: visão egocêntrica, não-humanista, não-antropocêntrista, acreditando que a espécie humana era apenas uma forma de vida dentre as demais sem direitos para ameaçar outras criaturas vivas; g) movimento ambientalista ecotecnicista: espécie de ambientalismo otimista e acomodado, acreditava na superação da crise ambiental por meio do desenvolvimento da ciência e de suas técnicas. Durante essa trajetória o meio ambiente passou por momentos de extrema importância, salienta Grazinoli (2001): a) a ONU convocou os países para debater questões globais na busca de soluções aos problemas ambientais; b) publicação do documento Nosso Futuro Comum, fruto do relatório da Comissão Brundtland; c) conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente e desenvolvimento (ECO/92) no Rio de Janeiro; d) as nações fizeram um balanço da evolução de proteção ambiental mundial desde a ECO/92, Convenção Rio+10, em Joanesburgo, em Educação ambiental

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